Hope

1 Capítulo 1 - A promessa


Notas iniciais
Este ano nós perdemos nosso querido Roger Rees. Nosso amado Alistair Moore nos deixou no dia 10 de julho. Ele já está sendo naturalmente homenageado nessa fic, como Alistair. Quero deixar minhas homenagens a Roger, com a foto colocada no final deste capítulo. Que Deus te abençoe, Roger. ♥

Capítulo 1 – A promessa

– Senhora Hudson! – Sherlock entrou no quarto ainda com o celular na mão – Eu acabei de verificar a emergência. Eles estão a caminho. Ela desmaiou?!

– Não, não se preocupe – a mulher disse num tom de voz baixo, sentando-se ao lado da chinesa na cama do casal e pousando a mão sobre o cobertor que envolvia a criança recém-nascida – O bebê terminou de mamar e ela relaxou, então a ajudei a trocar de roupa. Não há problema em deixa-la dormir enquanto esperamos a emergência. O pequeno Alistair também está cansado, deve adormecer logo.

Sherlock observou a esposa inconsciente, que usava um vestido branco leve que ela costumava vestir para ficar em casa. Seus olhos seguiram para ver seu filho se mexer dentro do pequeno cobertor azul claro que o envolvia e murmurar de vez em quando. Joan dormia, tendo o bebê bem aconchegado sobre o peito, com a cabecinha encaixada em seu pescoço, e suas mãos envolvendo o corpinho do pequeno. A senhora Hudson levantou-se e mexeu na bolsa do bebê, encontrando a toquinha azul clara que havia tricotado para ele e pondo na cabeça do menino, que chorou durante o processo, mas logo acalmou-se com um afago da mulher em suas costas. Em seguida ela buscou um lençol limpo no guarda-roupa e cobriu a mãe e o bebê, depois arrumando algumas coisas no quarto.

Sherlock sentou-se ao lado da esposa e sua mão passou a acariciar a cabeça do filho, que abriu os olhinhos puxados para vê-lo. Eram azuis iguais aos seus, mas seu olhar se parecia com o de Joan. O bebê tinha cabelo castanho escuro como o pai e sardas como sua mãe e o mesmo tom de pele dela. Fora essas características, se parecia muito com Sherlock. O garoto começou a morder a mãozinha e o britânico sentiu um sorriso surgir em seu rosto, apesar de todo o sufoco que havia passado nos últimos 50 minutos. Voltou sua atenção para Joan. Ela parecia dormir tranquilamente, sem sinal de desconforto, embora ele desconfiasse que ela ainda poderia sentir alguma dor quando acordasse.

– Alguma vez se imaginou executando o parto de seu próprio filho? – A loura perguntou com um sorriso enquanto organizava o quarto.

– Não. Planejamos tanto pra chegar ao hospital a tempo, mas ela sempre avisou que poderia acontecer inesperadamente e tão rápido que teria que ser feito aqui. Chegou a me falar de partos que fez quando era médica.

– E ela fez bem. Pra o primeiro filho nunca se sabe como vai ser até que chegue a hora. Foi bem rápido pra o primeiro. Mas os dois estão bem, ela não está mais perdendo sangue. Podemos ficar tranquilos até a ajuda chegar. Você estava apavorado quando começou... Mas se controlou tanto depois e fez tão bem que parece até que foi treinado.

– Esse pensamento nunca me pareceu assustador, uma vez que o corpo humano está programado pra isso, mas quando vi acontecer com ela, quando a vi chorando e com dores tão intensas, coloquei essa teoria em dúvida em algum lugar da minha mente. Complicações existem. E ela é tão pequena... Quando a ouvi gritar no momento em que Alistair nasceu... Eu sei que não é algo fora do comum, mas isso me consumiu interiormente.

– Sim, orientais são geralmente pequenas, Sherlock. Mas ela é forte. E seu filho já provou ser também. Logo ela vai acordar e vai ficar bem. Ela sabe melhor do que nós dois o que aconteceu a cada minuto. Teria nos dito se algo estivesse errado – falou, sentando ao lado dele e afagando seu ombro em consolo – É um bebê muito lindo... Eu não esperava que fosse diferente – ela disse sorrindo – Talvez eu tenha tempo de fazer chá pra acalmar nossos nervos depois do que passamos hoje, antes que os paramédicos cheguem.

– Já tinha feito isso antes?

– Uma vez... Aconteceu o mesmo a uma amiga há muito tempo, e eram dois. Eu sabia como fazê-lo na teoria, fiquei muito nervosa em pôr em prática, ainda mais com dois bebês... O marido ficou desesperado. Mas nós nos ajudamos e deu tudo certo. Hoje são uma bela família feliz – ela sorriu e ia sair do quarto para ir até a cozinha quando ouviram a campainha tocar – Fique com eles, eu vou abrir – falou ao olhar pela janela e ver a ambulância.

Pouco tempo depois a mulher voltou com duas paramédicas, conversando com uma delas.

– Ela já foi médica, nos orientou bem durante o processo e não teve complicações. Ela verificou completamente o bebê quando ele nasceu e garantiu que ele é perfeitamente saudável. Depois que o amamentou e tudo terminou, ela dormiu.

– Parecia bem quando dormiu? – A mulher perguntou.

– Sim.

– Você deve ser o pai desse menino lindo? – A outra mulher perguntou a Sherlock, observando Alistair com um sorriso – Já tem um nome?

– Sou eu sim. Seu nome é Alistair Watson Holmes.

– Boa escolha. Eu sinto dizer que precisamos acordá-la. Precisamos ver como ela está.

Sherlock voltou-se para a esposa e afagou seu cabelo.

– Joan – chamou-a baixinho – Joan – chamou-a outra vez num tom de voz mais alto – Querida, a ajuda chegou, precisamos de você acordada.

Após mais alguns minutos de insistência de Sherlock e da senhora Hudson, a chinesa abriu os olhos, sorrindo ao ver seu bebê olhando em sua direção enquanto mordia os pequenos dedos. Ela acariciou a cabeça do filho e beijou sua testa, em seguida se atentando às duas novas presenças no quarto.

– Joan – Sherlock a chamou – Elas são paramédicas. Vieram verificar você e nosso pequeno. E creio que devemos ir ao hospital agora.

– Tudo bem – ela respondeu e em seguida cumprimentou as duas mulheres.

O menino voltou a chorar ao ser separado de sua mãe, quando uma das mulheres cuidadosamente o ergueu envolto no cobertor para examiná-lo. Apesar de não ter ainda nem uma hora de vida, Joan o amava tanto que sentiu a mesma dor dele e não queria separar-se de seu bebê nem por meio segundo, mas sabia que era necessário. Uma das paramédicas o verificou, deitando-o ao lado de Joan, numa tentativa de manter o menino mais calmo. A outra cuidou de Joan e verificou seus sinais vitais. Antes de seguirem para o hospital uma delas e a senhora Hudson ajudaram a oriental a tomar banho e se aprontar enquanto a outra limpava o bebê completamente e tomava cuidados com o cordão muito bem e corretamente cortado pela senhora Hudson. Sherlock verificava o que seria necessário levar. Alistair só parou de chorar quando já vestido foi colocado nos braços do pai. Sherlock sorriu e o segurou com devoção, perdendo-se por uma eternidade com o vislumbre de seu filho. Algum tempo depois o pequeno dormiu em seus braços enquanto seguiam para o hospital. Joan estava bem acomodada em uma maca dentro da ambulância e observava os dois com um sorriso. Haviam deixado a senhora Hudson cuidando de Clyde e do sobrado.

– Como se sente? – Sherlock lhe perguntou.

– Nunca me senti tão feliz na minha vida. Essa foi a manhã mais intensa e mais compensadora que já vivi.

– Ainda dói?

– Um pouco, mas está dentro do comum. Não fique preocupado. Vai parar até anoitecer. Você ficou ao meu lado, me deu sua mão e esteve lá o tempo todo, você ajudou senhora Hudson, prestou atenção no que falei sobre partos e vocês dois me ajudaram a trazer nosso bebê em segurança. Eu não poderia me sentir mais segura. Obrigada, Sherlock – lhe disse com um lindo sorriso, ao qual ele retribuiu prontamente e ficaram alguns minutos em silêncio.

– Tenho medo... De que possamos representar risco pra ele – o consultor finalmente falou.

Joan olhou preocupada para a tristeza em seus olhos, ela temia o mesmo.

– Nós vamos dar um jeito de protege-lo, Sherlock. Gregson e Bell já concordaram em nos dar toda a ajuda e proteção necessárias. Também tenho medo, mas vamos encontrar um caminho. Não quero pensar nisso agora.

– Você está certa. Está exausta e não tem que se preocupar com mais nada agora que não seja se recuperar e se concentrar no nosso pequeno.

Ela sorriu e sentiu o coração encher-se de felicidade novamente quando o inglês se aproximou e a beijou nos lábios, logo retornando a sua posição anterior para não incomodar o bebê adormecido. O garoto permaneceu dormindo e tranquilo enquanto seus pais o olhavam satisfeitos e imensamente felizes.

Horas mais tarde estavam os três acomodados no quarto do hospital. Joan dormia, ainda exausta, mas tinha um sorriso em seus lábios. Sherlock não podia sentir-se mais feliz em ver aquilo. Alistair dormia no bercinho transparente ao lado de Joan, aquecido e confortavelmente acomodado em suas roupinhas, em parte tricotadas pela senhora Hudson, e cobertores. A luz do quarto estava apagada. Sherlock abrira um pouco as persianas para permitir que a luz do exterior entrasse. Os raios da lua cheia invadiam o quarto, deixando uma atmosfera agradável.

– Nada vai acontecer a ele, Joan. Eu juro protege-lo com minha vida se preciso. Ele e você. Boa noite, amor – disse baixinho ao sentar-se na beirada da cama da esposa adormecida e beijar seu rosto – Sua primeira noite aqui... Boa noite, meu filho – sussurrou para Alistair enquanto acariciava seu rostinho e sua cabeça.

Notas finais
Aviso: Estou concluindo outras duas histórias, por isso posso demorar um pouco a postar a continuação desta. Espero que gostem e continuem acompanhando. =)