Hope
1 A filosofia de acreditar
Notas iniciais
CAPÍTULO ÚNICO
por finch
...
Minha mãe havia implantado uma filosofia em mim, a filosofia de acreditar. De acreditar que sempre haverá um dia melhor do que o hoje. Que a vida sempre vai ficar melhor. Que os dias podem evoluir.
Besteira.
Mesmo depois do apocalipse, ela continuou acreditando.
Era irreal.
Como ela conseguia ter esperança depois de tudo?
Como?
Ao meu ver, era impossível. Pessoas morriam todos os dias, muitas pessoas. Acho que nem um terço do mundo ainda vivia. Nas mãos de seres irracionais, nos braços esqueléticos e monstruosos de humanoides aterrorizantes.
Esse pensamento me perturbava, mas se fazia necessário. O que seria de mim se me fizesse influenciado pela minha mãe? Meu pai me dizia muitas e muitas vezes: se você quer sobreviver, você precisa lutar. Ele estava certo. A vida é sobre lutar. Lutar para viver, lutar por você mesmo, lutar pelo seu futuro, lutar pelo que você acredita.
Minha mãe fazia algo ainda mais difícil do que lutar: ela tinha esperança. Mesmo que, pra mim, ambas as coisas estejam entrelaçadas. Se você luta, você tem esperança. Se você tem esperança, você luta. Isso é o que difere quem desiste de quem não cansa de insistir.
Ela era otimista. Gostava de ver o lado bom das coisas. E apesar dos desencontros bem frequentes com meu pai, ela o amava muito, de verdade. Eu sei que amava.
Tanto quanto meu pai a amava.
O amor dos dois era admirável. Era tudo o que eu queria pra mim quando menor. Apesar da minha velha certeza de estar no rumo de morrer virgem, eu acreditava que um dia, de alguma forma, eu iria encontrar o amor. Assim como meus pais fizeram.
Assim como minha mãe fez.
Era o único tipo de fé que eu ainda sentia queimar e corroer dentro de mim.
Sim, naquele apocalipse cada lasco de fé ardia.
Porque fé era tudo o que você era incentivado à nunca ter.
Mas tudo isso é sobre a minha mãe. O que ela sempre representou pra mim.
A fé.
Quando eu digo que ela via o lado bom das coisas, ela via mesmo. Via de verdade. E alimentava isso dentro de mim. A vontade de ter a confortável certeza de que as coisas vão melhorar.
Então, ela se tornou este pequeno símbolo pra mim. Um talismã.
O da esperança. Independente do quão pequena ela seja, é importante que ela esteja lá. É o que nos mantém, é o que nos faz levantar, não importa o quanto doa ou o quanto seja insuportável. É o que faz a humanidade prevalecer dentro de nós.
E eu sempre soube que não era nenhuma morte ou barreira entre o vivo e o inanimado que iria nos desunir.
Porque ela estava ali, comigo, sempre, em cada parte de mim, em forma de fé. De luz.
Esperança com certeza começou a parecer algo de fato significativo pra mim.
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