Honra Fracassada
1 Honra Fracassada
- Não aguento mais toda essa situação! Toda essa verdade, tudo isso que tem acontecido... Eles devem achar que somos imbecis, Tales. — disse Jefferson.
- Pois é, cara! E o mais engraçado é que além de se submeter a isso, a mídia acoberta. Duvido que se todos se unissem isso não mudaria. Duvido mesmo! — disse Tales, inconformado.
- Mano, vem ver! — gritou Jeff, após abrir uma página na internet — Acho que isso está pra mudar, cara. Segundo esse comunicado, a China parece estar se revoltando contra o governo norte americano.
Em poucos segundos Tales estava atirado no sofá, ao lado do irmão, verificando a tela do notebook, sem esconder uma certa alegria no olhar.
- Acho que se eles forem espertos o bastante, vão se comunicar com os demais países na mesma situação que eles, feitos de cachorrinho, através de carta, ou enviando mensageiros. Só assim pra não serem descobertos. — disse Jeff enquanto encarava a tela do computador atrás de mais respostas. Levanta os olhos até encontrar os de Tales, e continua — Tenho certeza que só com uma grande força pra conseguir fazer algo contra aquela fortaleza. E acredito que nosso país estará envolvido diretamente nisso. Não deve demorar muito pra uma guerra começar, mano.
- Meh! Duvido que esse bando de bananas fará algo útil, cara. Sempre aceitaram, e vão continuar assim até o fim dos tempos. — respondeu Tales, um tanto descrente.
Três dias depois, os dois irmãos estão apodrecidos no sofá, com a casa revirada e suja. Então a campainha toca impaciente, acordando Tales num susto que o fez vestir as calças apressado, e correr pra porta. — Já vai, porra! Pera aí! — Mas a campainha não pareceu se importar.
Abriu a porta, e se deparou com um militar, com o peito cheio de insígnias, já era grisalho, e portava uma carta em sua mão direita. — Jefferson Buildenn? — Disse o militar.
- Tá alí, — respondeu Tales, apontando para o sofá — ele fez alguma cagada?
- Apenas chame-o. — respondeu secamente.
Tales, então, correu até Jeff e o acordou. — Feio, tem um cara lá fora, e não parece boa coisa! Ele quer falar contigo.
Jeff se enrolou no cobertor e se dirigiu até a porta. — Oi, moço... — Disse com uma voz embargada e sonolenta, enquanto tentava enxergar quem era.
- Pegue. — entregou a carta a Jeff — E leia sozinho, é confidencial. — deu as costas e foi embora, sem mais.
Sem entender, Jeff fechou a porta e foi para uma escrivaninha, abandonou a carta, foi ao banheiro lavar o rosto, apanhou seus óculos e voltou à mesa. Retirou o selo da carta e se pôs a ler.
" Sr. Jeffersson Buildenn , temos em nossos arquivos que você é Reservista da FAB e necessitaremos de seus esforços numa batalha decisiva para o destino mundial.
Compareça à FAB assim que receber essa mensagem.
O país agradece."
- Que isso aí, mano? — Indagou o extremamente curioso Tales.
- Tenho que sair correndo, outra hora te explico direitinho. — Respondeu Jeff apressado, terminando de se vestir, recuperando seu casaco e saindo. Mal sabia ele que não teria outra oportunidade.
Chegando na FAB, era visível a preocupação de todos, aviões decolando a cada instante, gente correndo de um lado a outro, todos atarefados. Em pouco tempo já havia mais três pessoas, tão perdidas quanto ele, aglomeradas no portão de entrada.
- Vocês receberam o comunicado?! — Perguntou um soldado que estava no portão. Todos acenaram positivamente com a cabeça. — Então me entreguem. — Prontamente entregaram e foram guiados até a pista de decolagem, diante a dois aviões de guerra. — Quem aqui é piloto? — perguntou o soldado. Dois levantaram a mão. — Tem um avião pra cada, já entra e vão ligando. Rápido! — Concluiu o soldado.
- E a gente? — Perguntou Jeff.
- Vocês vão escolher um avião cada um, e entrar também. Passaremos as instruções por rádio. — Concluiu o soldado, se retirando.
Já dentro do avião, Jeff começa a se preparar, vestindo os acessórios de segurança. — Boa sorte — disse seu colega de vôo. Mal sabia ele que o seu último.
- Nossas instruções são simples. Estão atacando os EUA, e abrindo caminho para que outras naves possam chegar ao paradeiro dos orgulhosos do governo norte americano. O nosso objetivo é destruir a tão conhecida Casa Branca. Tu acredita que os cretinos tem a cara de pau de continuar enfiados lá? — Repassou as ordens o piloto, companheiro de vôo de Jeff.
- Que Deus esteja conosco. — Orou Jeff. Foi possível ouvir uma risadinha do piloto, caçoando a frase de Jeff.
Durante o vôo presenciaram aviões sendo atingidos próximos ao deles, turbulências, e se não fosse pela perícia do piloto já teriam se chocado a outros aviões. Derrubaram alguns aviões inimigos também, mas teriam de economizar munição para o objetivo principal, usariam apenas em caso de emergência.
No começo da rota estavam eles, e o outro avião que decolou com eles. Pouco tempo depois mais dois se acoplaram e o auge foi com uma esquadrilha de cinco aviões, porém conforme avançavam sofriam ataques, os quais deixaram restando apenas dois aviões.
Adentrando no espaço aéreo de Washington o avião que sobrou foi abatido. O local estava em conflito intenso, tanto por terra quanto no ar. Estava poluído por aviões, fumaça e destroços, e novamente a destreza do piloto fez com que conseguissem sobreviver àquele caos.
Faltava pouco até o alvo, já era possível o contato visual quando um ataque atingiu o avião de Jeff, e uma das balas perfurou o vidro de proteção acertando em cheio a cabeça do piloto. Com a calma profissional que fora aprendida em seus anos na FAB retirou o corpo e assumiu o controle, porém o avião estava danificado demais para se manter no ar.
Jeff acionou o rádio — Diga ao Tales que o amo... — Uma lágrima escorria por sua face — Diga à minha namorada que a amo e... — Jeff soluçava — Diga ao Adam que ele é meu melhor amigo e sempre será. Que eles estarão sempre no meu coração, e que o que faço agora é em sua homenagem. — concluiu Jeff, já quase não conseguindo pronunciar as palavras.
Sua face estava derretida em lágrimas, soluçando e determinado Jeff apontou o avião para a Casa Branca, mantendo o nariz direcionado à sala principal, onde estariam os grandes líderes. Uma luz intensa iluminou os céus de Washington. A explosão foi inevitável. Os destroços do avião enfeitavam o céu de destruição. Um segundo ataque havia sido enviado, interceptando o avião de Jeff a poucos metros do alvo. Jeff havia fracassado.
09/03/13
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