Notas iniciais
Lembrando mais uma vez que a história não foi betada. Essa história é uma spinoff da fanfic Vizinhos (de minha autoria) e foi escrita para cumprir o desafio de Fevereiro do grupo ShinoKiba. A imagem de capa pertence a @Rasqueria. Spin-off da fanfic Vizinhos. Boa leitura.

A fragrância levemente amadeirada que vinha embalando quase todas as suas noites nos últimos meses apoderou-se do seu olfato e denunciou que ele não estava mais sozinho na sua cozinha. Sem tirar a atenção da panela que mexia sobre o fogão Shino abriu um sorriso imperceptível. Não precisava ver para saber que Kiba estava escorado no batente da porta, tampouco que ele observava-o com carinho. Continuou realizando seu trabalho, no entanto advertiu ao recém-chegado usando para isso o tom mais brincalhão que conseguiu:

— Ninguém te disse que é deselegante bisbilhotar um artista quando ele está dando vida a uma de suas criações?

— Talvez seu namorado tenha enforcado algumas aulinhas de etiqueta enquanto protegia esta cidade dos homens maus – A resposta veio na velocidade da luz e saiu um tanto malcriada. Kiba, embora fosse um ótimo policial, não tinha muito tato. Muito menos era alguém discreto. Conquanto até tenha sido há alguns minutos, quando agiu feito um ninja, entrou no apartamento de Shino sem sequer ser notado – Como soube que eu estava aqui?

– Seu aroma. – Shino amava aquele cheiro e já estava sentindo falta de senti-lo, afinal, fazia mais de vinte e quatro horas que ele e o Inuzuka não se viam, apesar de morarem em apartamentos vizinhos – Ele é inconfundível, como tudo em você.

Diante do elogio certeiro, Kiba baixou a guarda e deu uma risadinha convencida ao se achegar por trás do namorado.

— Realmente meu cheiro é inconfundível, E único. — Fez questão de frisar na última parte. Depois disso, abraçou Shino pelas costas e dirigiu um olhar curioso para a panela na qual o Aburame movia uma colher de pau. O casal estava engrenando um relacionamento sério após alguns meses vivendo numa relação denominada por ambos como: "amigos com benefícios” – O que tá fazendo ai?

— Estou fazendo chocolate para meus colegas de trabalho e também para alguns de meus antigos alunos.

— Que legal! – Kiba adorava aquele lado atencioso de Shino. Quem o visse no cotidiano ou à frente de uma das maiores escolas de Shibuya, jamais imaginaria que o diretor da instituição, sempre tão sisudo e estoico no dia a dia, possuía aquele lado fofo e prestativo – Posso ajudar? Kiba pediu e Shino franziu o cenho ao virar-se dentro do abraço.

A ação fez os dois ficarem face a face e o Inuzuka não pode deixar de analisá-lo bem de pertinho. O professor vestia um avental com estampas de abelhas para não sujar o moletom casual que vestia. Era uma graça! Na opinião do Inuzuka, que sentia-se agraciado em ser um dos poucos a contemplar o lado kawaii do Aburame.

— Hum, não sei, deixe-me pensar.

— Por favor… – Kiba apelou para a carinha de cachorrinho que caiu da mudança que só ele sabia fazer, e que sempre surtia efeito nas mais diversas situações – Hein, namorado... – Cutucou o outro na cintura – Te ajudo e aproveito para roubar uns bombons. Preciso dar algo para as meninas na delegacia.

— Quer dar algo para as meninas na delegacia, é mesmo, senhor policial?

— Ciúmes, senhor diretor? – Kiba perguntou. Estava se divertindo com todo aquele joguinho, mas não caiu na provocação do namorado – Vou deixar bem especificado que são do tipo giri choco, não do tipo honmei choco. Por favorzinho... A gente quase nunca cozinha algo juntos.

Fez sinal de prece, a cartada final para persuadir o professor.

O Aburame pensou por um instante. Pesou prós e contras. Recordou as inúmeras vezes ao longo dos meses de convívio em que Kiba aventurou-se na cozinha. Várias experiências que se tornaram cômicas para não dizer trágicas. O policial era péssimo no que dizia respeito à culinária. Seu talento natural na cozinha era somente para bagunça-lá. Todavia ele tinha razão. De fato, poucas eram as oportunidades de passarem um tempo juntos devido às suas agendas, imagina cozinharem Juntos.

— Vai ser divertido, Shino.

— Okay – Deu-se por vencido – Mas, vá colocar o avental!

E assim deram início a empreitada. Kiba pegou o avental estampado de morangos que se encontrava no gancho ao lado da pia e o vestiu, depois tomou conta da bacia onde Shino havia colocado o recheio de frutas cristalizadas. O sorriso largo em seu rosto era o responsável por deixar o ambiente mais leve e tranquilo. Vez ou outra, ao invés de mover o conteúdo do vasilhame com a espátula de bolo o policial enfiava o dedão no recipiente e o lambia, aproveitando sempre para dar uma provinha de recheio para o mozão, que mesmo não gostando muito de doces aceitava o gesto de carinho.

Boa parte da manhã eles passaram assim, rindo, mexendo panelas, dissolvendo chocolates, montando e recheando os bombons. Kiba seguiu à risca as orientações do namorado, o que garantiu o êxito das receitas, embora não pudesse dizer o mesmo da estética dos doces, que dificilmente seguiram um padrão, como era o objetivo de Shino. O Inuzuka alegou que estava ótimo daquele modo, pois o sensei tinha alunos distintos e que eram dignos de receber doces igualmente distintos. um trava-linguá engraçado para encobrir sua total falta de jeito em enrolar os bombons.

— Vamos partir para o segundo round? – Kiba insinuou malicioso depois de limparam a bagunça que fizeram na cozinha.

— Segundo round?

— Sim. – Deu uma risadinha sugestiva.

Professor e policial deram as mãos e partiram em direção a sala onde dezenas de chocolates os esperavam para serem embrulhados, e foi o que fizeram, com bastante esmero e carinho, como todos os que seriam presenteados com aquelas chocolates mereciam.

— Neh, Shino... – Kiba falou manhoso após um tempo de silêncio. Estava de ótimo humor. Já haviam terminado de montar as caixas, e agora, além de admirarem o trabalho realizado, curtiam uma merecida preguicinha no tatame da sala, onde o Inuzuka se achava deitado entre as coxas do professor.

— O quê? – Shino ajeitou-se melhor assim que Kiba realizou um movimento e sentou-se sobre suas coxas, colocando uma perna de cada lado de seu corpo.

— Fecha os olhos. – Kiba ordenou e antes de obedecê-lo Shino o encarou desconfiado – Quero te dar seu presente. Anda, feche os olhos.

Por fim, Shino fez o que lhe foi pedido.

— Sei que às vezes sou um fiasco total com minhas investidas para surpreendê-lo, contudo, eu amo fazer essas surpresinhas e sei que você também gosta das minhas loucuras...

Shino estava curioso:

— O que você está aprontando agora, Kiba?

— Xiu. – Kiba expressou baixinho e deixou uma bitoquinha nos lábios do outro antes de colocar uma caixa bem enfeitada em suas mãos – Dessa vez nada mirabolante. Pode abrir seus olhos.

Ao abrir os olhos Shino deparou-se com uma bonita caixa de bombom entre os dois, ao abri-la ficou encantado com a delicadeza de cada doce, quatro no total.

— Testei inúmeras receitas que encontrei na internet e quase coloquei fogo na minha cozinha, mas acertei o ponto e... é isso: koibito no hi omedetou, namorado!

O policial se sentia orgulhoso ao desejar feliz namorado para Shino. Não era orgulhoso de um jeito ruim, principalmente após tudo que passaram até poderem se chamar assim. Na-mo-ra-dos… Kiba adorava cada sílaba daquela palavra e como ela soava a seus ouvidos, entretanto adorava mais ainda agradar o homem que amava. Okay, nem sempre acertava, todavia o saldo das experiências pós tentativas não tinham preço.

— Uau! – Shino não conseguiu encontrar uma expressão melhor para definir o que sentiu no momento que viu os chocolates. o professor foi tomado por um sentimento gostoso de admiração diante daquele presente.

No dia anterior Kiba havia lhe dito que tinha uma missão importantíssima para realizar na delegacia, por esse motivo não dormiria em seu apartamento e sim no próprio, coisa que o Inuzuka não fazia desde que oficializaram aquela relação. Agora, diante daquela surpresa, ficou nítido que o namorado tirou folga do trabalho e passou horas preparando aqueles chocolates para presenteá-lo, como mandava a tradição do Valentine's Day. E a julgar pelo cuidado e delicadeza em cada um daqueles bombons (que diga-se de passagem estavam maravilhosos) não foi nada fácil fazê-los.

Com certeza o Inuzuka o surpreendeu dessa vez.

– Abra a boca. – Kiba pediu ante sua inércia.

Não havia outra opção senão obedecer. Um pouco receoso não mordeu o alimento logo que o recebeu em sua boca (seu namorado não tinha um histórico muito confiável na culinária, aquilo era fato verídico), no entanto, no momento que o bombom entrou em contato com sua língua ficou surpreso quando sentiu um delicioso sabor meio amargo que agradou seu paladar. Não era um homem chegado a coisas doces, entretanto... Kiba teve o cuidado de se lembrar.

— Hum… – Mordeu devagar, saboreando o confeito. O namorado olhava-o com expectativa, mal respirando naquele instante tamanha ansiedade – Que delícia! – O chocolate desmanchava em sua boca e deixava um enorme gostinho de quero mais.

— Jura?! – A emoção no rosto e na voz do Inuzuka era sem dúvidas apaixonante.

— De verdade. – Shino lambeu o polegar que estava sujo de calda – Posso pegar outro?

— É claro, são seus. Pode pegar quantos quiser – O sorriso na face de Kiba revelou-se enigmático – Mas…

— Mas?! – Shino pegou outro bombom e colocou entre os lábios, sentiu quando um calor diferente acertou em cheio seu baixo-ventre, além da quentura, um intenso desejo de provar mais daquele doce, aliás, não somente do doce – K-kiba – O professor gaguejou – O que você pôs no recheio desse bombom?

— Tsc, tsc... é segredo, não vou te contar, porém posso te dar uma pista… – Kiba pegou a caixa que estava entre eles e colocou cuidadosamente no chão. Segurou o moletom do namorado e ao puxá-lo para mais perto (com um único e brusco gesto) cochichou em seu ouvido – Na receita dizia: bombons afrodisíacos para curtir um Valentine’s day mais que inesque... oe, Shino!

Kiba sorriu safado ao sentir o puxão nos cabelos de sua nuca e o peito de Shino contra o seu.

— Pronto para o terceiro round? – Shino roçou os lábios em seus lábios ao indagar, erguendo-o do chão ao segurá-lo com firmeza pelas coxas.

— Você ainda pergunta? – Kiba pendurou-se no pescoço alheio e envolveu a cintura de Shino com suas coxas, na sequência seguiram ligeiros para o quarto. Iniciando durante o percurso um gostoso e intenso beijo, com sabor de chocolate, café e quero mais.

To love and to be loved is so inspiring

And that's why every lover's so desiring

Of the love they're seeking never, retiring

Always aspiring

Amar e ser amado é tão inspirador.

E por isso cada amante deseja tanto

Do amor que eles estão procurando nunca se aposentar

Sempre inspirador

(Oh Darlin — The Beach Boys)

Fim

Notas finais
Curiosidade: No Japão, 14 de fevereiro é comemorado o Valentine’s Day (dia dos namorados) Há uma tradição de dar chocolates nessa data, eles podem ser dados tanto para pessoas por quem se tem interesses românticos ou não. Os chocolates são divididos em dois tipos: giri choco (chocolate “obrigatório” que são dados a amigos, colegas de trabalho, etc) e honmei choco (chocolate para o amor verdadeiro). Espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!