Honeymoon
8 Um jantar e algo mais
Notas iniciais
Kori é tão pobre tadinha dela T_T shuahusuhs leiam.
Kori agradeceu ao motorista de táxi, pagando a corrida, e pegou sua bagagem no porta malas. Era apenas uma mala e uma bolsa, então ela conseguiria carregar sozinha, até o apartamento. Logo que abriu a porta, tirou os sapatos e largou a mala no chão, levando a outra bolsa na mão até a salinha que era dividida por um balcão de madeira com a cozinha.
Ela se jogou no sofá de dois lugares, esticando as pernas, e jogando a cabeça para trás. Virou um pouco o corpo e estendeu o braço para que pudesse apertar o botão da secretária eletrônica, e ouvir os recados. A secretária informou vinte e três recados gravados. Kori suspirou, fechando os olhos. Deveriam ser vinte e três pacientes entrando e choque com saudades de sua psicóloga. Sem falsa modéstia, é que seus pacientes eram mesmo loucos. Err.. Dez mensagens depois e vários pedidos para retornar a ligação, como ela imaginou eram mesmo os pacientes impacientes. Como se uma psicóloga não pudesse tirar férias. Não uma como ela, que estava precisando de dinheiro para pagar as contas e alugar um lugar próprio para finalmente poder trabalhar pra si própria. Na viagem de volta, ela e Mariko vieram falando sobre abrir um espaço onde as duas pudessem trabalhar juntas. Claro que agora com a gravidez, Mariko ficaria afastada por motivos óbvios, mas isso não significava que elas não poderiam começar, primeiro encontrando um local e resolvendo os que fosse necessário para abrir uma clínica particular. Se Kori fosse paciente, poderia ir tocando o lugar sozinha, até Riiko retomar sua vida normal. Mas, como ela dizia, sua vida não seria mais normal com a chegada do bebê. E isso era verdade, eles teriam que mudar muitas coisas. Mas aí Kori não podia se intrometer muito, não muito. Só quando alguém gritasse por socorro. Elas iriam se encontrar aquela semana para conversar mais sobre o assunto. A lua de mel de Mariko e Grimmjow acabou mais cedo, porque segundo eles estava já insuportável ficar naquele lugar sendo que nem podiam aproveitar direito. Mariko sentia-se enjoada toda hora, e deixava Grimmjow maluco, porque não o deixava fazer nada também. Na visão dela era justo: se ela não poderia, ele também não ia se divertir. Kori se levantou e foi para o espaço da cozinha, abrindo a porta da geladeira, estava completamente vazia. Só tinha água lá dentro. Ela pegou uma garrafa e voltou para o sofá, ouvindo ainda os recados. “Katsu-san, acho que vou enlouquecer, preciso desabafar. Quando você retorna a cidade?” – Eu que vou acabar enlouquecendo. – Ela já ia desligar a secretária, quando uma mensagem lhe chamou a atenção. “Senhorita Katsu Kori, eu sou a secretária do Senhor Kuchiki Byakuya, não consegui localizá-la em nenhum outro número. Ele deseja reservar um horário assim que retornar de viagem. Agradeço se retornar.” Mas que porra era aquela? Kori pensou, irritada. Como ele tinha coragem de ordenar que a secretária ligasse para a casa dela, a fim de marcar um horário? Aquele homem realmente precisava de uma psicóloga, mas que tratasse esse problema social. A ruiva xingava Byakuya com todos os palavrões conhecidos em seu idioma, e em outros que sabia, até ouvir a mensagem vinte e dois. “Kori-san, oi. Bem..., eu não sei se já chegou de viagem, mas o Grimmjow me disse que estariam de volta na sexta feira. Minha secretária deve ter te ligado, mas ela não entendeu bem o que eu queria...” Byakuya demorou tanto para falar que acabou o tempo limite para a gravação da mensagem e ele ligou novamente. Kori riu, quando a secretária informou a mensagem número vinte e três, e deitou no sofá novamente. “Sou eu novamente, acho que demorei para falar. Mas... eu não quero perder tempo agora. Gostaria de te convidar para um jantar no sábado, em meu apartamento. Me liga?” Ela ficou um tempinho pensando se ligava agora, ou se esperava um pouquinho. Já eram quase seis horas da tarde. Talvez se deixasse recado, também. Mas ela decidiu por fim que não retornaria a ligação. Não agora. Foi tomar um banho, e estava com fome, mas não tinha nada na dispensa para comer, se não macarrão instantâneo. E não ia passar a noite só com isso. Arrumou-se, pegou a bolsa e foi ao supermercado que ficava ali perto. Ela comprou algumas frutas, comida congelada. E algumas coisas que pudesse cozinhar no final de semana. Na volta, o celular dela tocou, na hora em que entrou no elevador. Kori estava carregando dois sacos com suas compras, não dava para atender agora. Esperou até chegar ao quinto andar, mas a pessoa já havia desistido de ligar. Assim que entrou no apartamento o telefone de casa tocou. Ela deixou as compras em cima do balcão e foi tranquila atender. Mas e se fosse outro paciente maluco atrás dela? Era bem capaz de fazer ser atendido no sábado de manhã. Kori deixou a secretária atender o telefonema e foi guardar as compras. Ela abriu a geladeira e foi organizando os ovos enfileirados na bandeja enquanto a pessoa lá na secretária parecia ter algum problema para deixar a mensagem. “Kori, oi, eu... me perdoe de ligar novamente. Acabei de falar com Grimmjow, ele me disse que você veio com eles no mesmo voo. Bem, eu queria falar com você. Mas... deve estar cansada. Então se puder jantar amanhã comigo, confirme com Akemi, minha secretária, tenho uma viagem rápida agora, volto amanha antes do jantar...”
O tempo acabou. Kori estava com a caixa de lasanha congelada na mão, olhando atentamente para o telefone, esperando para ver se Byakuya ligaria novamente. E foi o que fez. Ele ligou para pedir desculpas, e se despedir. Kori voltou a arrumar as compras e quando terminou, procurou na bolsa o cartão de Byakuya. O número da empresa dele estava lá, então, era só ligar. Ela ainda enrolou uns minutos, até discar o número de uma vez, e a secretária atender. Foi uma conversa muito rápida e estranha, parecia que estava marcando um encontro pela internet com um desconhecido. Foi mais esquisito ainda a secretária informando o traje social para o jantar. Mas que maluquice foi essa? Kori desligou o telefone sem entender do que aquela mulher estava falando, porque ela iria se intrometer numa escolha pessoal dessa? Se ela quisesse ir de short e camiseta rasgada, ia porque é um problema dela. Mentira, não iria jamais sair assim, mas o ponto é que as coisas começavam a passar dos limites do aceitável. Não era possível que Byakuya era uma pessoa assim tão fria no convívio social, ou tão sério a ponto de estabelecer regras de como as pessoas devessem se vestir num encontro com ele. Kori foi por aquela lasanha no micro-ondas, estava morrendo de fome. Ela deu uma risada de escárnio, imaginado se também receberia dicas para se portar a mesa. Que ridículo. O resto da noite foi tranquilo. Ela devorou aquela lasanha, e depois levou o sorvete para cama, e estava comendo enquanto assistia uma série nova num canal a cabo. Estava até divertido, quando ela olhou melhor o pote de sorvete derretendo sobre a almofada. Kori piscou os olhos, e pensou um minutinho. – Merda. – Ela saiu da cama, e guardou o sorvete no congelador. Depois foi no banheiro. Atrás da porta, era pregado um espelho do tamanho natural dela. A ruiva virou de lado, analisando o corpo. Não devia ter exagerado na comida aquela semana toda. Agora nenhum vestido ia caber. Que exagero. Kori abriu a porta do guarda-roupa tirando os vestidos pendurados de lá, a maioria deles era curto demais, ou decotado demais. Não podia ir ao apartamento de Byakuya vestida como um pacote de presente para ele desembrulhar depois do jantar como sobremesa. Ela até pensou em ligar para Mariko, mas possivelmente ia acabar com o humor da amiga, se tocasse no assunto do seu peso atual, ou de que não tinha nenhuma roupa boa que cabia nela. Mariko já estava paranoica, e ela não ia ser a culpada de uma noite mal dormida de Grimmjow. Porque ela com certeza iria culpá-lo a noite toda. E isso iria refletir numa briga pra semana toda. A ruiva ficou olhando as peças de roupas sobre a cama, e tentando fazer uma boa combinação. Uma saia mais comprida, não muito marcada, uma blusa menos decotada, ou um vestido e– Por que ela estava se importando tanto com isso? Era só um jantar não? Com dicas sobre vestimentas. É. Kori ia lá só para dizer que não precisavam dizer a ela como se vestir porque ela sabia muito bem. Em alguns minutos, todas as roupas foram devidamente arrumadas no guarda roupa, e a psicóloga caiu na cama novamente. Mas antes de apagar as luzes, deu uma olhada nas unhas, tinha de ir à manicure bem cedo. Ela estava começando a ficar nervosa. A noite foi péssima. Não conseguiu dormir direito. Kori ficou pensando o que significava aquele aviso da secretária, e aquelas mensagens do Kuchiki em sua secretária eletrônica. Algum problema, ele tinha. Com certeza. Como pensou na noite anterior, ela foi à manicure. Mas foi caminhando, achou que seria bom um exercício matinal. Claro que aquilo não ia ser o suficiente para mais de duas semanas de sedentarismo e comidas exóticas e calóricas. Só que a ruiva queria se sentir menos culpada. Ainda tomou uma vitamina reforçada no caminho, e quando chegou lá, foi a primeira a ser atendida. Já que estava lá, deu um trato no cabelo e uma limpeza de pele. Mas só porque tomou sol, então precisava limpar bem. Byakuya não tinha nada a ver com isso. Kori saiu do salão, já era mais de duas da tarde. Ela nem pensou em almoçar. Na volta, passou por uma rua cheia de lojas. Foi impossível controlar-se quando viu aquele vestido vermelho na vitrine. Era seu ponto fraco. Os sapatos então, lindos. Ela entrou na loja só para ver o preço. Os dois custavam pelo menos um mês de todo seu salário. A ruiva se olhou no espelho, passando a mão pela seda soltinha no corpo. O vestido era perfeito, não deixava nada marcado, e os sapatos bem altos, poderia alcançar um pouco a altura do moreno. – Vocês parcelam no cartão? – Kori mordeu os lábios, era tão bonito o vestido, não poderia deixar passar. E a vendedora ainda estava dando uma ótima notícia. Poderia parcelar. – Vou levar. Foram umas dez tentativas e nada de Mariko atender o telefone. Kori já estava preocupada com a amiga, até que Grimmjow atendeu o celular dela e disse que a esposa estava trancada no banheiro, vomitando. Kori achou melhor não interromper aquele momento. E pediu apenas para dizer que ligou, e que iria sair aquela noite, então se falavam depois. Já estava escurecendo, o jantar foi confirmado para as oito horas da noite, então tinha mais umas duas horas para ficar à toa no apartamento. Ela deixou o vestido pendurado no cabide, porque se vestisse agora era capaz de sujar, amassar, rasgar... Ou qualquer outra desgraça parecida. Ela ficou na cama assistindo televisão, o que fazia comumente, vestida apenas com uma lingerie branca, tomando um chá de erva verde. O gosto estava horrível porque não quis adoçar o suficiente pra ficar bem melado como gostava. O que era uma grande bobagem, Kori sabia que no domingo ia acabar se empanturrando de pizza. O celular tocou, e ela achou que fosse Mariko retornando a ligação. Mas, pra sua surpresa, era Byakuya. – Kori-san, acabei de chegar ao aeroporto. – Ele começou a falar, e Kori percebeu que deveria estar caminhando rápido pela respiração acelerada. – Akemi me disse que você confirmou o jantar. – Sim, eu vou me arrumar logo mais e pegar um táxi. Não quero chegar atrasada. – Akemi te explicou tudo? – Kori estreitou os olhos. É, ela tinha explicado muita coisa. A ruiva confirmou, mas não disse exatamente o que ela falou. – Que bom. Ela é nova, ainda está se adaptando, andou cometendo alguns erros, mas eu relevei. – Então nos vemos às oito horas? – Sim. Se quiser mando um carro para te buscar. – Kori ouviu um barulho de buzina e pessoas falando, ele deveria estar já do lado de fora do aeroporto. – Não precisa, eu já disse que vou de táxi mesmo. Eles se despediram. As mãos de Kori estavam suadas. Ela foi ao banheiro lavar, e se olhou no espelho, arrumando uma mecha do cabelo que estava rebelde, saindo do lugar. Sentia-se nervosa sim, achava que estava com todo o direito para isso. Afinal, ela gostou de Byakuya e não queria estragar nada. Uma coisa eram eles na ilha paradisíaca, tudo muito festivo e divertido. Sensual... Outra coisa era a realidade. E essa realidade tão diferente dos dois, somado ao problema de Kori sempre conseguir estragar seus relacionamentos, era uma mistura ainda sem reação conhecida. Estava com medo principalmente de que possa dar tudo certo, também. E se desse? Era melhor não pensar nisso. Kori pôs o vestido e calçou os sapatos. Também achou conveniente levar uma echarpe, caso fizesse frio, mas a noite estava bem agradável. Pegou uma bolsinha de mão, onde levava apenas dinheiro e maquiagem. Ela ia, e voltava. Só isso. Antes de sair de casa prometeu para si mesma que não ia passar da sobremesa. De táxi, apesar de sair um pouco mais caro, Kori sentia-se segura. Ela estava muito distraída, não poderia dirigir nem pensar o seu carro. Era batida na certa. Não demorou tanto quanto imaginou para chegar ao prédio onde Byakuya morava. A secretária lhe passou o endereço e a ruiva ficou bem desconcertada pelo local. Era um bairro muito nobre, e o prédio, nem se fala. Kori pagou o motorista e ficou um tempo parada na frente daquele lugar. Bem, o nome dela deveria estar na portaria como convidada, então não seria um problema entrar. Kori passou pelo saguão muito espaçoso e pouco decorado. Algumas plantas e obras de arte. O nome dela estava lá, e havia uma pessoa específica para acompanhá-la até o elevador. Será que precisava de tudo isso mesmo? O destino era a cobertura. A última vez que a ruiva esteve num lugar como aquele foi uma visita a um paciente seu que não podia ir ao consultório, e fez questão que ela fosse em seu apartamento. Não dava para negar um pedido daquele. A senhora era a sua melhor paciente. Financeiramente falando.
Vinte andares depois, as portas do elevador se abriram. Ela agradeceu ao rapaz do elevador, e saiu, indo em direção a entrada do apartamento. No chão um carpete neutro, e as paredes pintadas quase no mesmo tom claro. Havia outras obras de artes, como uma escultura pequena em cima de uma mesinha alta de ferro, e um quadro de cores vibrantes na parede. Kori tocou a campainha, e rapidamente uma mulher muito bem trajada com seu uniforme preto e branco, abriu a porta. A ruiva deu uma boa noite, respondendo a mulher e entrou no que parecia ser o hall de entrada. Ela ouviu uma música suave ser tocada no ambiente, mas também alguns burburinhos. Kori esticou o pescoço para dar uma espiada no que acontecia lá dentro, será que era a televisão ligada? Mas que tipo de programa era aquele que muita gente falava ao mesmo tempo, só que num tom baixinho? A empregada pegou a echarpe e a bolsa de Kori e levou, dizendo que iria guardar. A ruiva nem viu para onde ela foi, mas seguiu em frente, ainda curiosa. Ela certamente não esperava por aquilo. Não, ela não esperava que aquele jantar tivesse mais do que Byakuya e ela. A imensa sala, estava tomada por homens e mulheres bem vestidos, cada qual com sua taça de champanhe na mão, conversando e sorrindo. Kori sentiu o corpo travar por completo, todos estavam olhando diretamente para ela, não havia para onde fugir. Não, havia sim. Era só voltar para a porta e ir embora. Simples. E foi o que fez, deu dois passos para trás, até se virar completamente, e ir atrás daquela mulher para que ela trouxesse suas coisas de volta. – Onde está indo? – A voz de Byakuya assustou a ruiva, que se virou, com a mão no peito. – Estou indo embora. – Ela continuou andando até a porta. Aquela empregada foi engolida pelo chão, só pode. – Mas acabou de chegar. – Byakuya interveio, ficando na frente de Kori. – Olha, eu não sei qual é o seu problema. Mas eu não estou interessada em orgias, ou seja lá o que você esteja comemorando aqui. – Kori virou-se com as mãos na cintura. – Que merda, cadê aquela mulher com minha bolsa? Byakuya arqueou a sobrancelha, confuso. Não tinha a menor ideia do que ela estava falando. – Que orgia? – Ele perguntou. – O que todas essas pessoas estão fazendo aqui? – Kori girou o corpo para encarar Byakuya. Ela notou a cara de total falta de compreensão. – Você me disse que íamos jantar. – Sim, eu te convidei para um jantar. – Então, aquelas pessoas são o quê? Os garçons? – A cara que Byakuya continuava a fazer deixou a ruiva bem irritada, porque se ele realmente não sabia do que ela falava... Era melhor que o chão se abrisse e ela caísse num buraco sem fundo. – Akemi não te explicou nada pelo telefone? – Ah! Sim, ela foi muito clara ao dizer até que tipo de roupa eu devo usar. O moreno levou a mão ate a testa, massageando as têmporas. O que a secretária disse para deixar Kori tão nervosa? Pelo visto, ele entendeu que ela achou que seria um jantar íntimo, por isso assustou-se com o número de convidados. Como explicar a situação. – Acho que houve um equívoco. – Byakuya começou a explicar, e Kori cruzou os braços para ouvir a tal explicação que dificilmente iria fazê-la continuar naquele jantar. – Eu disse que ela era novata não foi? Akemi deve ter se esquecido de dizer que era um jantar para comemorar o fechamento de um investimento importante da minha empresa. – Jantar de negócios? – Isso. Nós fechamos um bom contrato com uma empresa de tecnologia. Vamos construir um prédio para eles. Talvez agora o buraco no chão poderia se abrir. Kori já estava bem envergonhada por ter sido rude com Byakuya. Mas também, por que ele tinha que convidá-la para um jantar daqueles? – E o que eu tenho a ver com isso? – Achei que ia gostar de participar, a sua amiga também está aqui. Grimmjow foi um dos responsáveis pelo contrato, então eu os chamei para participar. – Mariko está aqui? – é, talvez uma amiga ia ajudar nessas horas. Byakuya estendeu o braço para Kori, convidando-a a acompanhá-lo. – Me perdoe, eu não sabia... – Tudo bem, depois eu prometo que teremos um tempo a sós. Se quiser, é claro. Ela descobriu que queria e muito esse tempo a sós depois que o encontrou, mas não respondeu nada. Voltaram então para a sala, e mais uma vez, Kori teve a sensação de ser observada por todos. Mariko estava lá, sim. Estava se sentindo melhor, tomou um remédio que disse ter resolvido por hora os enjoos. Mas não iria comer nada que a fizesse enjoar novamente. Muito menos beber. Byakuya se ausentou por alguns minutos, e depois retornou chamando a ruiva para conhecer o seu apartamento. No caminho ele ia apresentando ela às pessoas. Porém sem nenhum grau de intimidade. Eles passaram por duas salas, e saíram na sacada. A vista da cidade era maravilhosa. As luzes acesas deixavam tudo ainda mais bonito. Byakuya trouxe duas taças e uma entregou a Kori. – Achei que você não bebesse. – Só em ocasiões especiais. – É bem bonito aqui, mora sozinho? – Ela não conheceu nem a parte superior da cobertura, e já achava tudo grande demais. – Na verdade sim, minha sobrinha vem de vez em quando me visitar. Mas ela só fica um final de semana e vai embora. Então, sou apenas eu e os empregados. – Pelo menos você tem os empregados. – Kori morava sozinha, e estava até feliz com isso, ela já havia se acostumado em ter sua própria vida sem ter que se preocupar com outra pessoa. – Mas por que um lugar tão grande? – Eu gostei da vista. À tarde é bem bonito também. – Byakuya tomou um pequeno gole da champanhe, olhando para a paisagem iluminada pelas luzes da cidade. – Era mais movimentado quando eu era casado. Minha esposa gostava de fazer várias recepções. E a família dela também era grande, então recebíamos muitos hóspedes. – E agora você vive sozinho. É uma mudança e tanto. – Mas eu gosto assim. – Ele ficou um tempinho calado, pensativo. Talvez fosse dizer alguma coisa, mas foi interrompido por alguém que Kori não conhecia. Talvez fosse um empregado, pela forma de tê-lo chamado. – Me desculpe, preciso ir ver o que aconteceu. Pode ficar à vontade. Ele deixou Kori na sacada. A ruiva voltou a olhar para a cidade. Depois de um tempo, voltou à sala, onde todos estavam. Ela avistou Byakuya conversando com alguns homens, incluindo Grimmjow. Mariko apareceu logo em seguida ao seu lado com um copo de suco na mão, fazendo careta. Estava com dores nos pés e sentia muito sono. Não demorou muito para ela obrigar o marido a levá-la embora, disse que só ia ficar um pouquinho, e acabou ficando mais de duas horas. Kori conversou um pouco com algumas mulheres, que estavam bastante interessadas em saber da relação dela com Byakuya. A ruiva não tinha a menor ideia do que responder então, disse o que ela era de fato. – Sou a psicóloga dele. – Você parece tão jovem, para ter já uma profissão como essa. – Uma das mulheres pediu o telefone de Kori, ela achou que não seria mal arrumar alguns clientes ali, às custas do nome de Byakuya. Certo, isso não era bem o que costumava fazer. Mas se ia abrir um consultório particular, tinha que ter mais clientes, e aquelas mulheres ali pareciam muito interessadas em conversar por longas horas. As pessoas foram indo embora aos poucos. Antes, houve um brinde para comemorar, e no fim, Kori se viu sozinha naquela sala, que parecia maior sem os convidados. Byakuya voltou, tinha ido despedir-se de seu novo sócio. – E então? Se divertiu? – Ele parecia mais descontraído, ou talvez fosse pela bebida. – Sim. – Kori deixou a taça vazia sobre uma mesa de vidro próxima ao sofá e caminhou até o moreno. – Eu queria te pedir desculpas novamente pelo engano. Fiquei morrendo de vergonha. – Tudo bem, o erro foi meu. Eu devia ter dito isso na mensagem que gravei. – Falando em mensagem. – Kori deu uma risadinha malvada. – O que foram aquelas mensagens? Você tem medo delas? – Não sou muito bom com essas coisas. Mas fiz um esforço. – Byakuya aproximou-se mais da ruiva. – Você não vai embora, vai? – Depende. – Kori deu uma volta, passando por detrás do sofá de couro preto, e foi até a janela. – A festa já acabou, então... – Fica. Ela se virou para olhá-lo melhor, aquilo não pareceu um pedido. Mas isso era importante agora? A quem ela queria enganar? Desde o momento em que ouviu a voz de Byakuya na secretária eletrônica, seu coração disparou, e lá dentro uma voz dizia que tudo ia dar certo. – Você vai me mostrar o restante do apartamento? – Se quiser, podemos conhecer o segundo andar agora. Ela sorriu um pouco desconcertada. Quem diria. Byakuya ia gravar aquela cena para sempre. Estendeu a mão, e esperou que Kori a segurasse. Não ia largar tão cedo aquela ruiva.
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