Honeymoon

10 Pequenas mentiras


Notas iniciais
Ops demorei, mas finalizei a historia durante esse tempo. Só mais dois capitulo e acaba.
Beijos
Ah. Desculpe a falta de formatação, o filtro apagou. rs

– Eu não sei o que aquela maluca pensa que eu sou. Uma hora esta tudo bem, e no minuto seguinte meu desodorante a deixa com ânsia. – Grimmjow acendeu mais um cigarro. Byakuya estava começando a ficar preocupado com aquele vício. – Não me lembro qual foi a última vez que nos divertimos, desde o casamento.
– Poderia entender o lado dela. – Byakuya tentou melhorar a situação. – Leve-a para jantar em algum lugar que tenha significado.
– Já tentei isso. – ele disse com uma voz de desapontamento e ao mesmo tempo irritado. Gostava tanto de Mariko, mas naquele instante estava com vontade de sufocá-la. Pensava se isso faria mal para o filho. Ou estava livrando ele de uma louca. – Ela invocou com o saleiro.
– O que tinha o saleira?
– Sabe-se lá o que tinha. Ela disse que o sal estava com gosto estranho. “Mas sal é sal Mariko.”, eu disse, e ela jogou todo o sal na minha comida, para provar a sua teoria maluca.
Byakuya riu discretamente, mas riu. Ele não conseguia se colocar no mesmo lugar, mas não era necessário, porque o que Grimmjow relatava já era suficiente para saber que jamais estaria numa posição como aquela.
Eles estavam na varanda do apartamento de Byakuya, e o jantar logo seria servido, assim que Kori terminasse. Ela insistiu para que o moreno dispensasse os empregados, já que queria um pouco de privacidade e assim poderiam aproveitar melhor o tempo com os amigos.
Diferente das demais mulheres que Byakuya levou para aquele apartamento, que gostavam do luxo e de serem servidas, Kori gostava mais de fazer as coisas ela mesma. Ela era a mais fácil, mas também a mais difícil para se agradar.
Grimmjow arqueou a sobrancelha, bebendo um gole da cerveja que Mariko trouxera a contra gosto, e logo saiu rapidamente dali porque o cheiro do cigarro a enjoava.
– Você ainda esta com aquela ideia na cabeça?
– Qual ideia? – Byakuya foi ingênuo, mas logo depois entendeu do que se tratava o assunto. – Talvez eu esteja sendo precipitado. – Ele olhou para trás, viu Kori através da janela de vidro, trazendo água para a amiga que estava sentada no sofá espaçoso da sala. – Acho que eu comecei fazendo as coisas do jeito errado.
– Não entendi. – Grimmjow normalmente não se importaria com o relacionamento de terceiros, mas aquele em especial afetava o seu próprio relacionamento, primeiro no trabalho, já que Byakuya ainda era seu chefe, e depois em casa, pois Mariko não ia dar trégua.
– Eu não devia ter me intrometido na abertura da clínica.
– Ah! Isso? Elas nunca vão saber que você mexeu os pauzinhos no banco para que conseguissem o empréstimo.
– Se fosse só isso.

– E não foi? – Grimmjow achou a iniciativa de Byakuya em ajudá-las, muito conveniente para ele. Porque senão, iria arcar com despesas muito altas com a parte de Mariko, já que ela estava de licença devido a gravidez, e não trabalhava. Os clientes dela já deveriam todos estar loucos.
– Não. O prédio em que elas alugaram as salas. – O moreno olhou mais uma vez na direção da ruiva. Respirando fundo. – Eu comprei.
– Tá de brincadeira comigo. – Grimmjow gargalhou, jogando a cabeça para trás. Aquilo fez Mariko suspeitar do que eles conversavam, mas ela sequer se atreveu a levantar para ver o que acontecia.
Byakuya balançou a cabeça, vagarosamente. – Discrição não é bem o seu forte, não é?
O mais alto enxugou uma única lágrima que molhava seus olhos, de tanto rir.
– Eu não tive culpa. – respirou fundo, terminando de beber a cerveja. – Você comprou um prédio só por causa dela? – Grimmjow pensou um pouco. – É claro. Por isso o aluguel era tão abaixo do normal. Eu achei que o prédio devia ter algum problema e o dono queria se livrar logo, ou algo parecido.
– Se eu deixasse o aluguel muito mais barato ela iria desconfiar.
– Ela não vai saber se você não contar.
– Como posso continuar a enganando dessa forma? Se eu quero um relacionamento sério, não posso manter essa mentira para sempre.
– Relaxa, o que você vai fazer? Ir la e contar a verdade? Você vai ser massacrado por elas duas. –
Byakuya não podia negar que Grimmjow estava com razão, mas mentir ainda não era a melhor saída.
Nesse momento Kori apareceu na varanda, chamando-os para almoçar.
A ruiva fez uma comida bem leve para a amiga, e também, nada que tivesse um cheiro muito forte para não deixá-la enjoada.
– Então, qual era a graça na varanda? Aqui é muito alto para ver mulher da rua. – Mariko bebeu um pouco de água, estava difícil encontrar um sabor descentes nas últimas frutas que comprou para fazer suco. E como água parecia ser neutra, preferiu aderir.
– Byakuya me contou uma piada.
– Ah. Claro, uma piada? Ele? – ela deu de ombros.
– Conta para elas a piada, Byakuya.
O moreno olhou para Grimmjow, que ria descaradamente diante da situação constrangedora do anfitrião. Kori achou estranho, porque Byakuya sequer entendia as piadinhas bobas que fazia, digo, ele entendia, mas não achava lá muita graça.
– Qual piada? – Kori perguntou. – Não é nenhuma daquelas conversas chatas de compra e venda não é? Você as vezes acha que esta falando com uma corretora e não com sua mulher. – Ela riu. Mas corrigiu logo em seguida o sua mulher.
– Me perdoe, eu não achei que era assim tão inconveniente meus assuntos.
– Não, são chatos mesmo. – Kori brincou, e estendeu a mão até alcançar a de Byakuya, movendo os lábio, sussurrando que era brincadeira.
É, ele poderia suportar aquelas brincadeiras.
– Então, quando vai ser o casamento? – Mariko não achou que sua pergunta fosse ser recebida com tanta surpresa. Byakuya olhou para Grimmjow, que mexeu os ombros, como quem quisesse dizer alguma coisa. A loira deu um chute com o pé na perna do marido, que xingou-a em seguida. Olhou para Mariko e mandou ela parar. – Esta acontecendo alguma coisa aqui.
Kori piscou os olhos devagar, Mariko era muitas vezes exagerada, mas ela não levantava suspeitas a toa.
– Porque diz isso? Aconteceu alguma coisa que eu não estou sabendo?
– Não, querida. Não aconteceu nada. – Byakuya pegou o guardanapo e limpou a boca delicadamente, desviando o olhar.
Kori estreitou os olhos, e virou-se para Mariko que encarava Grimmjow com um olhar demoníaco. A ruiva se levantou e disse que ia buscar a torta que fez de sobremesa. Dali em diante a tarde foi um pouco fúnebre. Kori levou Mariko para conhecer melhor o apartamento, e elas acabaram na parte superior da cobertura onde tinha uma pequena piscina e um conjunto muito elegante de mesa com cadeiras confortáveis para um café da tarde bem requintado, mas Kori só levou chá.
– Esse apartamento é maior que o prédio onde moro. – Comentou Mariko, sentando-se. Estava cansada, e com dor nas costas devido o tamanho da barriga, fora os seios que triplicaram o tamanho. Faltava um pouco mais dois meses para Makoto nascer, mas para a loira o tempo nunca passava.
– Mariko, o que você quis dizer na hora do almoço? Sobre algo acontecer?
– Não quis dizer nada. – Mariko alisou a barriga, falando com Makoto. Ela sabia que Kori não iria se contentar com aquela resposta. Mas também não poderia levantar uma hipótese maluca e deixar a amiga magoada.
– Você mente mal.
– Não, eu minto bem, mas você me conhece. – Ela procurou sentar-se mais confortável, mas Makoto estava agitado. – Assim como eu conheço muito bem aquele idiota do Grimmjow. Ele estava estranho, por isso achei que tinha algo acontecendo.
– Mesmo assim, isso esta me incomodando, porque Byakuya ficou muito abalado, ou pareceu pelo menos surpreso, normalmente ele ignoraria e seria gentil em seguida.
– Eu não vejo nenhum problema aqui. – Mariko colocou as mãos atrás da cabeça, e esticou as pernas apoiando os pés na outra cadeira. – Você poderia se mudar para cá, hein?
A loira riu.
– Sim, e você viria me visitar todos os finais de semana.
– Lógico, junto com Makoto.
– Vou pensar na proposta.

Kori ia passar a semana no apartamento de Byakuya, porque estava fazendo uma pequena reforma no seu apartamento, trocando o carpete, renovando a pintura, e aproveitando para alguns concertos específicos que não entendia nada, muito menos Byakuya, que da última vez que esteve lá, ao tomar banho, o chuveiro acabou queimando e ele não sabia como arrumar.
O Kuchiki pediu para que Fumiko, a empregada liberasse um espaço em seu closet, o que não deu muito trabalho para a mulher, visto que o local era bem grande, devido a parte vaga que ainda existia, dos pertences que foram da ex-mulher de Byakuya.
A ruiva colocou a mala pequena em cima do pufe de couro, que ficava bem no centro do closet, ela olhou as roupas de Byakuya bem organizadas, e do outro lado, algumas gavetas e prateleiras vazias, aguardando ser ocupadas. Mas pelo que ela havia colocado na mala, não ia ocupar nem a metade daquilo.
Kori estava sentindo-se um pouco intimidada com a mudança, claro que era por pouco tempo, mas mesmo assim, dava um frio na barriga.
Byakuya entrou no closet, carregando uma sacola de uma grife de bolsas, colocando-a ao lado da mala de Kori.
– Aqui dentro tem alguns cabides, eu pedi para Fumiko que pegassem do quarto de hóspedes. Eu achei que você fosse trazer mais roupas.
– Eu só vou passar uma semana aqui. – Kori pendurou duas camisas, e três vestidos. – Afinal, eu posso usar suas camisas enquanto estivermos a sós, ou nada. – Ela fechou a porta de vidro, e organizou algumas coisas nas gavetas, depois guardou a mala e a bolsa na prateleira de baixo.
– Podemos almoçar fora, e depois se quiser fazer alguma coisa no resto da tarde.
– Tenho que ir na clínica. – Kori voltou para o quarto, procurando pela frasqueira. – A tarde esta completamente cheia de consultas.
– Será que eu vou ter que marcar uma hora também? – Byakuya a abraçou e afastou os cabelos vermelhos, beijando-a nos ombros.
– Já vou avisando que meu horário está mais caro. – Kori virou-se e entrelaçou os dedos, em volta do pescoço dele. – Tive que aumentar um pouco para dar conta do aluguel e toda a reforma.
– Eu já disse que posso ajuda. – Byakuya achou que aquele poderia ser um bom momento para conversarem sobre o relacionamento, estavam juntos pelo menos há sete meses praticamente, e até o momento Kori era irredutível quando o assunto era uma ajuda financeira. Mas parecia que Byakuya não entendia que uma coisa não tinha que ser necessariamente ligada a outra.
Ela deu uns tapinhas de leve nos ombros do moreno, e suspirou, não queria brigar por aquele motivo.
– Você já esta fazendo muito, me deixando ficar aqui essa semana. – Ela o beijou rapidinho, levou a frasqueira para o banheiro e quando voltou, pegou a bolsa de cima da cama. – Podemos jantar juntos, eu vou almoçar na clínica, lendo alguns documentos.
Eles jantaram juntos naquela noite, e na noite seguinte foram jantar na casa de Mariko e Grimmjow. Durante toda a semana Kori teve muito trabalho a fazer e aquilo combinado com o final do mês, deixava-a atolada de problemas, até Byakuya convencê-la de pelo menos consultar um contador para organizar a área contábil da clínica, já que Mariko não estava mais psicologicamente preparada para esse trabalho, ela estava entrando para as últimas semanas da gravidez, e aquilo significava um alerta vermelho.
A reforma no apartamento de Kori acabou atrasando, porque o prédio todo estava passando por uma dedetização, e vários concertos para melhorar o local. O que era muito bom, assim valorizava mais o imóvel, como Byakuya explicou. Kori achou que poderia ser uma boa oportunidade para vender o apartamento que ficaria quase como novo, e assim quem sabe comprar outro, já que as coisas estavam melhorando e muito. A clinica estava com vários pacientes, que diziam tê-la achado em propagandas, Kori ficou animadíssima, porque anunciou apenas num jornal, não era nada demais, mas pelo visto estava surtindo efeitos. E também, o contador deveria estar fazendo um ótimo trabalho, porque os impostos que imaginava que seriam caros demais, ao abrir a própria clínica, estavam praticamente dentro do planejamento que Byakuya ajudou fazer. Ela estava satisfeita e animada, porque pelo menos sentia-se segura com alguém que sabia o que fazia.
Nos últimos dois meses as coisas estavam indo muito bem. Mas, bem até demais para ser verdade. E numa tarde, Kori recebeu um telegrama do antigo locatário, informando que iria lá buscar alguns de seus pertences que ficaram guardadas em uma das salas que Kori não alugou, pois ficaria mais caro.

O homem era muito alto, de cabelos negros, um tipo bem machão, no ponto de vista da psicóloga. Ele caminhou pela sala, fazendo comentários sobre a mudança que foi feita no lugar.

– Os móveis, a maioria pelo menos, minha sócia e eu compramos em brechós e lojas de móveis usados, estavam tudo em muito bom estado. – Ela caminhava na frente do grandalhão. – Deseja um pouco de café, senhor... como disse que se chamava?
– Kenpachi. – ele aceitou o café, e sentou-se numa das poltronas que Kori indicou.
– Eu acho incrível como pode deixar esse lugar. É um imóvel esplêndido, meu namorado, ele entende dessas coisas, e me disse que eu estava com muita sorte.
Kenpachi largou a xícara sobre uma mesa de vidro, levantando-se. – O aluguel ficou caro demais para bancar. Eu tentei negociar, mas o antigo dono disse que não havia como, já que ele ia vender o prédio. E acabei encontrando um lugar melhor com a ajuda da empresa imobiliária e construção.
– Que estranho. O prédio foi vendido? – Kori também se levantou. – O meu namorado quem achou esse local. – Kori piscou os olhos. – Como disse que se chamava a empresa?
– Eu não disse. – Kenpachi já estava caminhando em direção a porta. Ele parou e virou-se para Kori que esperava ansiosa pela resposta.

Byakuya esperou por Kori até as nove e meia da noite. Era sexta-feira, e eles haviam combinado de ir ao teatro, logo depois jantar e ficar em casa mofando; como ela mesma avisou que faria com o resto do final de semana. Como Kori não retornou as ligações do dia, achou que seria uma boa ideia fazer surpresa e levar o jantar até a clínica. Ele ligou novamente para lá, certificando-se de que a secretária Ayame já havia ido embora.
No caminho, passou por um restaurante, que tinha feito as reservas, e pediu para embalar tudo, levaria para viagem. Byakuya deixou uma mensagem no celular de Kori, que ainda estava desligado. Ele já havia se acostumado com esses desaparecimentos. Kori gostava de ficar sozinha. Assim poderia trabalhar melhor, refletir e chegar a alguma decisão importante.
Ele foi liberado pelo rapaz da guarita que já o conhecia. Logo que saiu do elevador, achou estranho a porta aberta. Byakuya entrou e deixou o jantar embrulhado em cima da mesa da recepção, junto com o vinho. A única luz acesa era a do corredor curto, e logo depois a sala de Kori, que estava iluminada apenas pela luz da luminária sobre a mesa, e algumas caixas de papelão espalhados pelo chão.
– Aconteceu alguma coisa? – O moreno entrou rapidamente na sala, ao encontro de Kori, que estava deitada no divã, onde seus clientes costumavam ficar relaxados e desabafando todos os seus problemas. – Kori, você esta passando mal? – Nenhuma resposta.
Ela piscou os olhos devagar e sentou-se no divã, Byakuya aguardou que ela se recompusesse e falasse de uma vez por todas o que estava acontecendo.
– Essa tarde eu recebi uma pessoa aqui. – Começou, com a voz cansada – O senhor Kenpachi me disse que não podia mais pagar o aluguel desse local. Engraçado... ele tem uma empresa de segurança, há anos, e não conseguiu ainda se estabilizar. E riu de mim quando disse a minha situação, ainda sugeriu que eu era bancada por alguém.
– Kori...
– Não, eu não quero ouvir você inventar desculpas. – Kori se levantou e foi até a mesa, pegou alguns papéis e jogou na direção de Byakuya. – Eu fui ingênua em acreditar que as coisas estavam indo bem, por meu esforço próprio.
– Eu posso explicar. – Byakuya segurou os papéis e começou a ler. Eram diversas transferências e pagamentos, feitas em nome dela, porém Kori jamais havia visto aquelas contas. Nenhuma delas chegou a sua mão.
– Eu sei que pode, você pode tudo não é? Pode comprar um prédio, pagar meus impostos, pode contratar um contador espião que faz tudo o que você deseja. É um homem rico, poderoso, e acha que pode comprar as pessoas.
– Não é bem assim, eu queria te ajudar.
Kori caminhou até a janela, estava sentindo-se traída, seu peito doía. Sentia tanta raiva, que achava possível jogá-lo pela janela.
– Mas mentiu para mim. – Ela começou a chorar, não queria que Byakuya visse aquilo, mas não conseguia conter as lágrimas que caíam insistentemente.
– Se não fosse minha ajuda, vocês não teriam tido chance de ter o que tem agora. Assim, tão rápido.
– Eu não preciso do seu dinheiro. – Ela esbravejou. – Nós poderíamos ter tudo isso sim. Mesmo que demorasse mais tempo. – Kori secou o rosto molhado com a manga da camisa. – Não sei como pude ser tão burra. Acreditar que tudo estava fácil. Mariko tinha razão em desconfiar.
Byakuya tentou uma aproximação, mas foi em vão. Kori afastou-se, enrolando os cabelos e prendendo com uma caneta, começando a guarda os pertences da mesa dentro da caixa.
– Qual o grande problema em aceitar o meu dinheiro? Eu quero compartilhar com você. Porque não aceita?
– Porque eu não sou do tipo que é comprada. – ela pegou os livros da estante, e colocou de forma desorganizada dentro de uma caixa maior. Virou-se para Byakuya, com os olhos marejados, vermelhos. – Você não pode simplesmente assinar o cheque. E achar que está tudo bem.
– Eu não quero te comprar, apenas ajudar. – Byakuya sabia que não agiu da forma mais correta, mas ele realmente não via porque não poderia colaborar com o crescimento da mulher que amava...
Byakuya ficou calado. Ele não poderia simplesmente declarar seu amor para ela naquele momento, iria parecer desespero de sua parte, e a ruiva não acreditaria em uma só palavra. Observou-a guardar tudo, até Kori largar-se no cantinho da sala, com uma estatueta pequena que havia ganho de presente da amiga. Ela ainda não tinha entrado em contato com Mariko, porque era melhor não sobrecarregá-la com esse problema, estava já muito ocupada com o nascimento de Makoto.
– Eu sinto muito, não era para você descobrir dessa maneira. – O moreno estava parado na porta da sala.
– Vá embora. Por favor. – Kori pediu, com as pernas encolhidas.
Byakuya queria poder abraçá-la, e pedir perdão. Mas essa não era exatamente a forma como ele resolvia seus problemas. Deixou a sala logo em seguida, e fechou a porta antes de entrar no elevador.
Kori passou a noite na clínica, ela aguardou até que a secretária Ayame chegasse. Assim que a jovem entrou e viu toda a bagunça, correu para a sala da chefe, onde a encontrou deitada no divã. Ela deu uma rápida explicação dos fatos, e pediu para que Ayame providenciasse algumas coisas necessárias para fazerem a mudança.
Assim que Ayame iniciou as ligações, procurando pelo serviço, um dos telefones tocaram, era Grimmjow desesperado, a secretária não conseguia entender nenhuma palavra e chamou Kori.
– O que aconteceu?
– A Mariko esta no quarto há uma hora reclamando de dor.
– Porque não a levou no médico?

Grimmjow bufou no telefone irritado. – Você acha que eu já não pensei nisso? Ela disse que esta esperando diminuir o intervalo das contrações.
– Ela esta marcando?
– Eu vou saber? Ela só sabe gritar comigo.
– Leva ela para a maternidade, que eu estou indo também. – Kori desligou o telefone, e não pode ouvir a última reclamação de Grimmjow.
Kori pediu para Ayame cancelar com todos os pacientes, ela sabia que iria ter de desligar o telefone celular porque todos iriam lhe ligar desesperadamente. Kori foi de metro até a maternidade onde Mariko teria o bebê, era o meio mais rápido de chegar até lá. Logo procurou por Grimmjow, que havia acabado de chegar. Mariko fora levada para um quarto, onde faria os exames. Assim que foi liberado, eles entraram, Mariko deveria aguardar mais um pouco.
– Está doendo muito? – Kori perguntou, segurando na mão dela. Mariko não economizava na força na hora de apertar.
– Muito. Eu falei para o doutor me dar logo a anestesia, mas ele disse que ainda não esta na hora. – Mariko respirava fortemente.
– Calma, respira fundo e devagar. Como aprendeu na aula.
– Você acha que eu vou lembrar daquelas aulas idiotas? – Mariko apertou a mão de Kori com tanta força, que a ruiva mordeu os lábios, fechando os olhos, deixando o trabalho para Grimmjow.
– Você vai entrar na sala com ela não é?
– Eu?!?! – Grimmjow arregalou os olhos, ele não estava preparado psicologicamente para ver uma criança sair de Mariko.
– Você colocou o Makoto aqui dentro, vai ver ele sair sim! – Mariko esperneou.