Honeymoon
1 Alguém que te complete
– Vai ser que horas mesmo? – Kori sentou no sofá confortável da sala de estar do apartamento onde sua melhor amiga morava há quase seis meses. Ela e o namorado decidiram pular o noivado para morarem juntos, e agora iriam se casar. Mas não seria uma cerimônia comum. Vindo de Mariko, Kori esperava de tudo, até aqueles casamentos absurdos debaixo da água, pulando de paraquedas, ou talvez na igreja com um vestido de noiva bufante. Aí sim, seria surpreendente.
– Às cinco e meia, perto do pôr do sol, o gerente me disse. – Mariko mexeu nos cabelos loiros, sentando-se ao lado de Kori, com as pernas dobradas. – Espero que não chova. Mas já pedi para o hotel reservar uma tenda branca, qualquer coisa, caso isso aconteça. Grimmjow garantiu que não vai chover. – E desde quando ele é meteorologista? Elas duas riram, e voltaram a olhar o catálogo do hotel que ficariam. Depois de muita briga entre o casal, decidiram que o casamento seria realizado na ilha Polilio. Após uma recomendação de um dos amigos de Grimmjow, que garantiu que o lugar é fascinante. E era mesmo. Mariko comentou com Kori que o tal amigo havia passado a lua-de-mel dele lá. – Ah! Falando nisso, é ele quem vai com a gente. Para ser o padrinho. – Mas e a mulher dele? – Kori olhou desconfiada. Ela seria a madrinha, e estavam demorando a escolher o padrinho. E escolhem logo um casado? A ruiva achou estranho. Claro, porque queria se dar bem também. Quer dizer, Mariko pelo menos disse que ia convencer Grimmjow a escolher um padrinho legal. Amigas são pra isso. – Eles se separaram tem uns dois anos, acho. Sei lá. Eu só encontrei esse cara umas vezes para eventos da empresa. Ele é o chefe do Grimmjow. – Chefe? Gostei. – Kori piscou pra Mariko, animada. – É, mas você vai ter que rebolar. – Porque? – Digamos que eu acho ele um pouco introvertido demais. – Mariko se levantou, chamando a amiga para ver o vestido que finalmente ficou pronto. Era bem simples, branco, apertado nos seios e soltinho até acima dos joelhos. Kori pediu para ela vestir, e a loira foi até o banheiro. Quando voltou, desfilou algumas vezes pelo apartamento e pegou uma das flores do arranjo da mesa da sala e colocou no cabelo. Estava linda. Ela ainda comentou que usaria um bracelete no braço e uma pulseirinha no pé. Distraídas, não ouviram a chave girar na maçaneta da porta, e Grimmjow entrar. Mariko levou um susto, mandando ele não olhar, que dava azar. E estragaria toda a surpresa. – E porque ela pode ver? – Ele apontou para Kori, que parou na frente da porta fechada do quarto. Como se fosse conseguir impedir aquele homem de todo tamanho de entrar ali, se realmente quisesse. – Porque eu tenho bom gosto e posso dar palpite na roupa. – Por mim ela se casava de biquíni mesmo. Já que é na praia. – Vou casar pelada então! – Mariko gritou lá de dentro do quarto. Mariko convidou Kori para jantar com eles aquela noite. E como não tinha nada para fazer mesmo, ficou. Assim, ajudou a fazer a comida. As duas eram amigas de infância, estudaram a vida toda juntas, até a faculdade, onde dividiram o quarto, farra, bagunça, choro. Até a loira se casar. O que foi bem inusitado. Porque desde mais jovens elas sempre achavam que quem se casaria primeiro, seria Kori. Mas a vida prega peças. E Mariko achou sua cara metade antes. No final do jantar, eles foram jogar baralho. Mas dessa vez apostando biscoitos amanteigados, comprados na lojinha de conveniência do outro lado da rua. – Quando vamos viajar? – Mariko perguntou, porque o casamento seria em duas semanas, mas seria legal conhecer o lugar antes. – Calma mulher. Preciso fechar um negócio antes. – Grimmjow trabalhava numa corretora. A empresa comprava outras empresas falidas e vendiam a um preço mais caro no mercado. No começo achava isso um pouco estranho, mas viu que o negócio dava lucro. Senão, não ia dar pra pagar um casamento nas Filipinas. – Posso ir antes, com a Kori. Daí a gente conhece o hotel, eu resolvo os últimos detalhes do casamento. – Mariko descartou uma carta, e olhou para Kori, era a vez dela. – Boa ideia, quem sabe lá eu arrumo um nativo bem bonitão. – Kori pegou uma carta, fazendo um par. – Nem pensar! – Grimmjow bateu a mão na mesa, segurando a carta descartada pela ruiva. – Até parece que eu vou deixar minha mulher sozinha com a amiga maluca numa ilha cheia de nativos. – Ele estreitou os olhos para as duas, que riam. – Kori, eu já disse, tem o chefe do Grimmjow. – Mariko suspirou, não vinha de jeito nenhum a carta que queria, deveria esta na mão dos outros dois. – Você já convidou ele para ser padrinho né? Ou vai deixar para a última hora? – Já convidei. Você faz questão de me lembrar isso todo dia quando acordo, quando tomo banho, quando durmo... – Claro, porque você esquece tudo! – Psiu, tô jogando. – Não faz esse barulho pra mim. – Mariko jogou as cartas na mesa, empurrando a cadeira. Não queria mais jogar. Grimmjow fez o mesmo e saiu para fumar, perto da janela. Enquanto isso, Kori terminava de juntar seus pares, ganhando o jogo.
Sexta-feira era o dia de maior movimento no consultório onde Kori trabalhava. Ela era psicóloga. Estava tentando abrir seu próprio consultório, mas não era muito fácil, visto que as despesas eram altas, e precisava de alguém para ajudar a organizar os pacientes. Então, por enquanto iria continuar como estava. O último paciente saiu, quando a secretária lhe avisou que havia uma ligação para ela. Foi no mesmo momento em que a ruiva ligou seu celular, e pipocaram milhões de mensagens da amiga. – Onde você estava? – Berrou a loira no telefone. – No consultório, desligo sempre meu celular. E a secretária não passou nenhuma ligação pra mim porque eu tava ocupada. – Ah! É mesmo, esqueci. – Mariko falava rápido, como se estivesse fazendo várias coisas ao mesmo tempo. – Olha, o chefe do Grimmjow vai vir jantar aqui em casa, eu achei que seria bom vocês se conhecerem antes do casamento. – Hoje? – Sim, daqui duas horas. – Kori ouviu o barulho de travessas de vidro caírem no chão, e consequentemente se espatifarem. Logo depois um palavrão. – Sai daí e vem pra cá. – Não posso, eu tô com roupa de trabalho. Não vou conhecer o cara vestida assim. – Ah! Liga não, é só soltar o cabelo e passar um batom vermelho que tá bom. – Que esperta você. Vou em casa e me arrumo rápido. – Ok! – Kori já ia desligando quando Mariko a chamou apressadamente. – Traz uma sobremesa? Acho que eu queimei a torta. Com sorte, não estava muito trânsito. Então Kori conseguiu chegar em casa a tempo de tomar um banho, pegar o primeiro vestido preto que achou no guarda roupa, pentear bem os cabelos e passar um perfume. Maquiagem e essas coisas ela faria no carro mesmo. Ainda passou na confeitaria, que milagrosamente naquele horário ainda tinha uma torta de maracujá. Não sabia se Grimmjow ou o chefe dele gostava, mas que se dane. Ia aquela mesmo. Quando chegou ao apartamento, Mariko abriu a porta correndo e voltou para a cozinha. Kori já era de casa, tirou os sapatos e foi entrando. Antes, deu uma espiada na sala para ver se tinha alguém ali. Tudo vazio. O pato assado ao molho quase virou pato tostado, mas deu para salvar o bichinho. Elas arrumaram a mesa rapidamente. Mariko explicou que Grimmjow foi socorrer o chefe, que furou o pneu na rua de trás. Que azar. Mas não demorou muito, e eles chegaram. Grimmjow reclamando muito que sujou a calça, e a camisa. Foi para o quarto se trocar e lavar as mãos, deixando o chefe aos cuidados da futura esposa e sua fiel amiga. Mariko havia servido uma bebida para Kori, e as duas estavam sentadas no chão da sala. Quando eles chegaram, levantaram e deixaram de lado os copos. A primeira impressão de Kori era que acabara de encontrar um verdadeiro gentleman. O homem deveria ser uns dez centímetros mais alto que ela, cabelos negros na altura dos ombros, bem penteados. Olhos acinzentados, bonito. Muito bonito. – Kuchiki-san, essa é minha amiga Kori. Ela vai ser a minha madrinha de casamento. Kori, este é o chefe do Grimmjow que te falei, Kuchiki Byakuya. As apresentações foram feitas. Byakuya fez uma mesura educada, dando boa noite. A ruiva gostou da voz dele. E como Mariko disse, parecia ser mesmo introvertido, falava pouco, e o rosto sério não denunciava muitas emoções. Grimmjow voltou do quarto, já trocado, pedindo para Mariko fazer algo pra eles beberem. Foi automático, quando a loira ordenou que ele fizesse o dele, estava cansada por ter passado a tarde toda cozinhando. – Tomara que não tenha queimado nada. – Ele alfinetou, indo buscar a bebida numa mesinha lateral ao lado do sofá, onde deixavam as garrafas. – Bebe o que, Byakuya? – Não vou beber, estou dirigindo. – Um pouco não vai fazer mal. – É, talvez não fizesse mal. Então aceitou uma dose de whisky. – Mas não é do mesmo que você toma, eu não tenho dinheiro pra gastar assim, a Mariko torrou tudo nessa viagem. – Idiota, se não quer viajar eu ligo e desmarco esse casamento. – Era difícil eles manterem uma conversa sem as discussões. Byakuya não estava acostumado com aquilo, das vezes que os vira, era sempre em algum jantar de negócios ou festas, então por isso o casal se comportava. Mas pelo visto, em casa era assim mesmo. Kori pegou seu copo, e deixou o casal discutir ali na janela, indo fazer companhia ao moreno. Ela lhe encheu um pouco mais o copo de whisky, e iniciou uma conversa. Nada demais, apenas para puxar assunto. – Eu tenho uma corretora. – Ele respondeu sem dar muita brecha a conversa. Dava a impressão de que não queria estender o assunto. – Que bom. – Kori bateu o anel no copo de vidro, observando o casal do outro da sala ainda discutirem sobre a viagem e o casamento. – Kuchiki-san, o senhor é casado? Byakuya arqueou a sobrancelha, com aquele senhor. Deveria ser só uns dez anos mais velho que ela. Mas estava acostumado, ouvia muito isso das pessoas ao seu redor. E Kori sabia bem que ele era divorciado, mas seria bom confirmar. Não que ela estivesse desesperada para agarrar o homem, mas pelo menos tinha que conhecer mais ele, quem sabe ficassem amigos, ou algo do tipo. – Não mais. – Byakuya levou o copo à boca, com a desculpa para não falar mais nada. Ele também observava o casal, e como eles não concordavam em nada do que diziam. Poderia jurar que aquilo era uma briga de ex-marido e ex-mulher, e não de noivos que iriam se casar. – Eles não são uma graça? – Kori percebeu o olhar severo do homem em cima do casal. – Desculpe, não entendi. – Eles dois. Formam um casal perfeito. – A ruiva sorriu, balançando o corpo de um lado para o outro, fazendo a saia do vestido se mover também. – Desde que Mariko conheceu o Grimmjow, eu achei que ia dar em casamento. Não existe outra pessoa pra ela no mundo. Byakuya olhou fixamente para Kori, procurando algum tom de sarcasmo na voz, ou no olhar, mas não. A mulher estava falando sério. Ele pensou se ela estava realmente assistindo a mesma discussão que ele. – Formam mesmo? – Terminou de beber o whisky, segurando o corpo vazio. – Sim. Eu fico feliz por ela, espero encontrar alguém um dia que me complete assim. Byakuya estreitou os olhos, imaginando que Kori ou era louca, ou cega para não ver que aquele casamento já estava com os dias contados. Ele era experiente nisso, já que ficou casado durante oito anos. – Não existe alguém assim. – Disse, sem pensar que poderia estragar os sonhos dela. Não que o fizesse, porque Kori ao menos era pé no chão, e não estava a procura de um marido, mas sim alguém que pudesse, sei lá, viver a vida junto. Compartilhar emoções, coisas assim. – Acha que eu não vou encontrar alguém pra mim? Byakuya percebeu o tom desanimador na voz dela, e tentou corrigir ao ver o bico de tristeza, mas um segundo depois ela começou a rir, dizendo que era brincadeira. Não achou graça daquilo. O jantar só foi servido quando Grimmjow e Mariko conseguiram apaziguar os ânimos. Mas isso não significava que eles ainda haviam feito as pazes um com o outro. Jantaram sem trocar uma palavra, não diretamente, somente indiretamente. O que fez de Byakuya e Kori seus pombo-correios. – Kori diz para aquele ogro do outro lado da mesa que mastigar de boca aberta é nojento. – Byakuya, manda aquela mulher calar a boca? – Grimmjow respondeu com a boca cheia. Kori já estava acostumada com a situação, então aproveitou o pato ao molho e o arroz grudado que Mariko fez, estava até gostoso. Byakuya por sua vez, comeu pouco, e falou menos ainda. Quando terminaram, Grimmjow e Mariko voltaram a se alfinetar, mas dessa vez a coisa parecia ficar séria. Com isso, a ruiva achou melhor ir embora. Se a ideia inicial era fazer ela e Byakuya se conhecerem, então poderia terminar essa tarefa num outro lugar, deixando aqueles dois sozinhos no apartamento, porque assim poderiam fazer logo as pazes do jeito deles, que ficaria tudo muito bem no outro dia. Como estavam em dois carros, Kori pediu para que ele a seguisse, já que Byakuya não conhecia muito bem aquele lado da cidade. Estacionaram então de frente a uma padaria vinte e quatro horas, onde ela costumava ir para beber um café bem forte depois das baladas de manhãzinha. Então todos a conheciam lá. Chegou pedindo dois cafés puros, o dela com um torrão de açúcar. Byakuya pediu sem. Sentaram numa mesinha ao lado da janela grande de vidro, que dava para a calçada, com o luminoso médio preso ao lado, piscando “aberto”. Kori mexeu demoradamente o café, enquanto olhava para a rua quieta, já era quase meia noite. Perderam a maior parte da noite assistindo a uma discussão.
Byakuya não entendeu quase nada naquela noite. Grimmjow o convidou para um jantarzinho em sua casa, sem falar muito sobre o assunto, se havia alguma comemoração, ou se era apenas por gentileza. Mas conhecendo aquele homem como conhecia há quase cinco anos, não achou que seria por esse motivo. E chegando lá, presenciou cenas bem tristes. E ainda descobriu que a madrinha era algum tipo de sadomasoquista, para achar graça em um casal que quase saiu rolando pelo chão aos tapas. Mas até aí poderia ser apenas aquela primeira impressão que às vezes não era nem um pouco a melhor para se recordar. Ele a viu bebericar com lentidão o café, como se saboreasse alguma preciosidade. Os olhos perdidos na rua, e os cabelos começando a se soltar do penteado bem feito. No fim ela somente parecia ser uma mulher normal. Sentiu-se aliviado. – Tá me olhando assim por quê? – Kori desviou o olhar para o moreno, passando a ponta da língua no cantinho da boca que queimara com o café ainda quente. – Não é nada. – ele abaixou o olhar, para a xícara e bebeu. – Eu tive uma ideia. – antes de revelar a ideia, ela esticou o braço, pedindo que trouxessem algo para comer. Pelo visto, já sabiam do que se tratava. Byakuya acompanhou a movimentação geral que a ruiva causara nos empregados do lugar, e então voltou a prestar atenção no que ela lhe dizia. – Você já comprou um presente para os noivos? – Ainda não. – Na verdade sim, mas ainda não havia chegado, já que importara o presente da Inglaterra. – Ótimo. Podemos comprar juntos. – ela se animou batendo os dedos na mesa. – Pensei em dar algo especial para eles, digo... Nada para a casa deles. Algo que os dois usem juntos. – Um analista? Kori tombou a cabeça para o lado, aquilo era uma piada, sim. Mas é que não tinha muita graça vindo dele. Não com aquele jeito todo sério. Porém, depois de olhá-lo mais um pouco, começou a achar graça, porque Byakuya realmente tinha um olhar perdido. Ela gargalhou, dizendo que iriam à falência se pagassem um analista para aqueles dois. Continuaram bebendo o café, e o pedido dela chegou. Alguns docinhos. Kori adorava doces. Byakuya nem tanto. – Eu sou formada em Psicologia. – Aquilo era uma surpresa para o Kuchiki. Pareceu mais interessado, afinal, foi a primeira vez que a ruiva mostrou ser mais séria, falando na profissão. – Trabalho há três anos para um consultório. Mas como contratada. – E por que não abre um consultório particular? – Parecia tão simples. – Ora. Acha que eu não queria isso? – Kori jogou uns três docinhos na boca, e os sentiu derreterem. – Eu não tenho capital inicial para isso. Preciso alugar um lugar de fácil acesso, sendo dono de uma corretora, deve saber que isso custa caro. Fora secretária, ou alguém que possa me ajudar de início. – Byakuya percebeu um pouco de desânimo na voz dela, mas ainda deixava transparecer no olhar o desejo de concluir seu sonho. – Eu estou juntando dinheiro desde que saí da faculdade. Talvez em uns cinco anos, eu consiga algo. – Cinco anos. – Byakuya assentiu, terminando seu café, não queria mais beber, já estava bem acordado depois de tantos copos. – Quando estudávamos, Mariko e eu tínhamos planos de abrir nosso consultório juntas. Passávamos horas planejando como seria, onde seria. Mas agora eu não sei se ela ainda vai querer. – A noiva de Grimmjow também é psicóloga? – Byakuya arqueou a sobrancelha, era uma novidade atrás da outra. Mas aquela jovem alterada ser uma psicóloga, era mais do que uma surpresa. Pra não dizer piada. – Sim, estudamos juntas. Ela quem decidiu fazer psicologia primeiro, eu ainda estava um pouco atrasada, mas a Mariko ficou em algumas matérias, e acabei alcançando ela. – Entendo. – Não havia muito que comentar sobre aquilo, aliás, Byakuya estava mais como ouvinte naquela conversa, pouco falava sobre ele. – E por que não sabe se ela irá querer dividir o consultório com você? – Não sei, talvez pelo casamento. Ela agora tem os planos que fez com o Grimmjow. Eu não posso me meter nisso. Byakuya não entendeu a melancolia da ruiva. Embora fosse passageira, já que ela estava novamente atacando uma nova remessa de docinhos e biscoitos. E isso já era quase duas horas da madrugada. Ele achou melhor ir embora, porque no outro dia teria um compromisso no horário do almoço. Kori não aceitou que ele pagasse sua conta, o que resultou numa discussão breve entre os dois, mesmo que Byakuya não falasse muito, apenas ordenou que cobrassem a conta juntos, passando o cartão de débito. Os carros estavam estacionados em frente ao local. Ao saírem, cada um foi em direção ao seu carro. Kori num daqueles compactos, e Byakuya em sua exuberante Mercedes. – Ah! Kuchiki-san. Sobre o presente... – Kori abriu o carro, jogando a bolsa no banco do passageiro. Depois apoiou as mãos no teto do carro. – Vai querer dividir? Byakuya havia se esquecido da grande ideia dela, embora já tivesse comprado um jogo de chá e jantar de porcelanas. Mas visto a conversa que tiveram sobre ela querer abrir o consultório particular e a dificuldade de se fazer isso sozinha, já que Kori parecia não ter uma família que pudesse ajudá-la, ele acabou cedendo. – Tudo bem. Segunda-feira, se puder. – Não posso, tenho pacientes de manhã até as sete da noite. Byakuya pensou mais um pouco, na terça ela também tinha muitos pacientes, e quarta-feira também. Sobrava a quinta-feira e a sexta-feira. – Me diga quando puder então. – Ele abriu a carteira, e tirou um cartão pequeno. Foi até o compacto e pegou uma caneta de dentro do paletó, anotando algo ali. Entregou para Kori que leu o nome da empresa Kuchiki bem destacado, com os números de telefone, no verso um número do celular, provavelmente particular. Ela esboçou um sorriso, dizendo que ligaria assim que tivesse um tempinho. Claro que deveria ser antes deles viajarem, quando seria o inicio de suas férias, por isso seria um pouquinho difícil arranjar um tempo para comprar algo, não no horário do expediente.
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