Honey

6 Como ser um Honey Pt 2


Notas iniciais
Olá leitores! Demorei um pouquinho, mas tive meus motivos.. Agradecida por todos os acompanhamentos! São mais de trinta! Ahahahahah Fico muito feliz! Bem, este capítulo ficou maior que os outros, na verdade, eu acho justo narrar esse dia bem calmamente. Mas não se preocupem, eu prefiro não seguir um cotidiano, fica meio chato.. Como algumas leitores amáveis me indicaram, tentei pôr mais o Kanda nesse capítulo, por mais que não posso mudar a personalidade dele de uma hora para outra. Essa fic está exigindo mais de mim do que imaginei e mais de capítulos também. Nos meus cálculos, já era para a relação estar mais avançada, porém coitado do Allen-chan, né? Quero mudar essa situação o mais rápido possível, então tenham paciência! Boa leitura (insira um coraçãozinho aqui) Leiam as notas finais, dei algumas explicações lá!

Como ser um Honey, Parte 2: Aprendendo a esconder.

Já era a segunda vez que encarava o garoto bem discretamente, somente com o canto dos olhos. Ele era extremamente concentrado, não tinha como negar.

Inconscientemente, e não como se fosse obrigado, parara de prestar atenção na aula e agora encarava a janela novamente. O movimento sutil da grama bem aparada da escola. A última vez que tivera alguém do seu lado, sofrera uma imensa traição, e mesmo que ficasse puto toda vez que lembrasse, não podia ignorar que, por causa da vadia, conhecera o albino.

Bem, não no sentido de realmente conhecer, mas vê-lo tentando manter a calma naquele dia no bar foi inegavelmente interessante.

Na realidade, tudo nele era interessante.

Dos cabelos estranhos, olhos gigantes, a semelhança com um alienígena, a voz irritante até o jeito estúpido que ele colocara a gravata de Honey, como se a mesma fosse um lenço igualmente estúpido.

Revirou os olhos ao perceber que encarava a mocinha pela terceira vez, e tendo toda certeza que os olhos que lhe fuzilavam as costas eram do filho da puta do Alma, dois degraus acima, porque sabia que o ruivo atrás de si estava dormindo. Conseguia ouvir a respiração dele.

– Por que colocou a gravata assim? – Bufou, falando de um modo monótono.

O albino nem se deu ao trabalho de lhe encarar, apenas apertou a boca, num sinal de irritação.

Que ingênuo ele pensar que Kanda não podia ler suas reações. Tentando esconder que fervia de raiva por dentro.

Kanda tinha vontade de rir daquela criatura. Até riria, se a própria bochecha ainda não formigasse levemente pelo tapa de antes.

– Porque eu quis. – Ele respondeu, sem parar de copiar. Sim, Allen se recusara a usar o computador.

Maldito Honey petulante.

E santa paciência que estava tendo. Devia ter dado um trato naquele Honey desde que o mesmo teve a audácia de lhe dar aquele tapa na cara, como se tivesse o direito.

Ahh sim, iria cuidar disso depois.

E Allen? Allen estava irritado, cansado e emburrado. E Kanda podia ver tudo.

Aquele demônio místico ficava mandando em si o tempo todo e estava de saco cheio de ser feito de bobo, como se qualquer coisa pudesse quebrá-lo.

“Quebrá-lo” não referindo-se a Allen, mas sim ao moreno ali sentado e distraído.

Tinha percebido o quão super protetor todo mundo era com aquele cara, mesmo que ele fosse ignorante, estúpido e sem educação com todos.

E além do mais, também estava de saco cheio de receber ordens, como se fosse um cachorro.

“Usa o computador”, “Por que está usando lápis?”, “Agora você é meu Honey”, “Eu sou o Mestre”, “Não gosto de doces”, “Coloca a gravata direito”, “Ponha a língua pra fora”.

Tremeu da base da coluna até a nuca, onde seus pelinhos fofos se arrepiaram. Não que tivesse relembrado algo bom, mas muito pelo contrário. Não eram lembranças nada agradáveis, levando em conta sua situação.

E como para tirá-lo do mundo sombrio das lembranças e saudades de Lena, o homem loiro do primeiro dia irrompe pela porta e, ignorando qualquer albino que o próprio tivesse encaminhado ao inferno, começou a falar alguma coisa com “mestre”, “reunião”, “decisão” e “campeonato”.

E então metade da sala se levantou e Allen olhou institivamente para trás, para avaliar quem era Mestre, quem era Honey.

– Sai logo, Honey Estúpido. – A voz rouca soou alta e de cima e Allen fechou a cara, virando-se para o “Mestre”. Formulou uma resposta ácida em mente e quando estava para cuspi-la, outra voz, agora desconhecida, soou.

–Poxa, Kanda, não trate seu Honey assim! – Uma mão se infiltrou no cabelo de Allen, enrolando os dedos nos fios brancos e macios. Foi o tempo do albino recuperar-se do susto e virar para saber quem era e Kanda deu um tapa na mão intrusa.

Um bem forte, aliás.

Talvez aquele fosse o dia dos tapas.

–Não toque nele. – Um rosnado furioso saiu de sua garganta, mas Allen não deu ouvidos, ocupado demais em olhar pros olhos gentis do garoto agachado no meio do corredor.

–Ora, mas ele é uma gracinha! Impossível não tocar. – Ele lhe parecia tão gentil que Allen nem se importou em deixá-lo tocar seu rosto, ato que, com toda certeza, repudiaria se viesse de Kanda.

Pelo contrário, sentiu suas bochechas queimarem.

–Alphonse, solte-o. Agora. – Mais um rugido e o garoto soltou uma gargalhada. Os fios castanhos e o óculos redondo pendurado por uma corrente no pescoço.

–Continua possessivo hein, Kanda.. – E assim, sem mais nem menos, como se não tivessem na França, ele abre um leque e começa a se abanar com ele. Claro que era estranho, mas também não deixava de ser exótico e, portanto, legal. Por isso Allen deixou escapar um mínimo sorriso, inocente de tudo. Alphonse percebeu e olhou pro albino. – Nos vemos por aí, Honey-chan! – E virou-se com um sorriso fofo, deixando ambos ali. Um Kanda puto por motivos até então privados e um Allen encantado com a gentileza do outro.

Oh, talvez o mundo tivesse esperança.

Assustou-se quando, novamente perdido em pensamentos, Kanda apertou seu ombro. Fez a menção de se virar, mas logo reconsiderou a ideia ao perceber o quão perto o rosto dele estava.

Aquele sensação horrível na barriga, reprimida desde o recreio, batendo em sua porta.

–Não me irrite mais, Honey. – Ele sussurrou, a voz ainda mais carregada do que achava ser possível. – Não se aproxime dele. – Pausadamente, o necessário para anestesiar e amedrontar todo o corpo do garoto. – Ou se esqueceu das punições?

Allen tremeu quando Kanda passou por seu lado e desceu os degraus em direção à saída, onde estavam Alma e um Lavi sonâmbulo lhe esperando. Alma com aquele olhar de “Depois conversamos”.

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– Você devia maneirar na grosseria com o Allen-chan, Yuu.. – Lavi resmungou, se arrastando pelo corredor.

–Baka usagi! – Uma veia pulsando na testa. Odiava seu nome na voz irritante do coelho. – Não me chame pel.. – E quando ia retrucar, xingar e quem sabe até dar uns socos sem motivo no ruivo, foi interrompido por outra voz igualmente, ou até mais, irritante.

–Kanda. – Alma. Sério. Kanda conhecia o olhar. O trio estagnou no meio do corredor – O que você acha do Allen? – Apertou as sobrancelhas. – Ele é bem interessante, né? Você por acaso se esqueceu do que aconteceu com as outras Honeys? – O tom duro, um aviso. – Eu não me esqueci do maxilar deslocado.

Alma pausou, esperando uma responda do outro, que permaneceu calado.

– Você está sendo um idiota, Kanda! – Alma, visivelmente aflito, encarava o amigo. – Aquilo mais cedo! E agora ali dentro da sala! – Kanda arregalou levemente os olhos e em segundos voltou ao normal. Aquele filho da puta estava gritando consigo!

E então, diante da raiva do menor, Yuu apenas soltou uma risada nasal e pôs-se a andar, deixando os outros dois para trás.

Não precisava dar ouvido às merdas que Alma dizia. Não queria.

–Alma.. – Começou, um meio sorriso, as mãos no bolso. – Você também parece estar esquecido. – Outra risadinha. – Esqueceu que isso é só vingança?

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Só pôde respirar aliviado quando a sala estava em sua metade, o moreno não estava mais ali lhe intimidando e o sorriso gentil vagava em sua mente.

Um sorriso e não mais os sussurros irritantes.

Decidiu então concentrar-se somente no papel a sua frente, escrevendo bem lentamente as anotações mentais que fizera sobre a matéria enquanto o professor explicava, minutos atrás. Era bom que sua mente ficasse ocupada e deixasse seu corpo livre de pensamentos ruins.

Então quando já vagava pelo espaço vazio entre si e a realidade, uma voz feminina lhe tirou do devaneio, obrigando-o a virar o rosto e encarar a figura de cabelos azuis.

–O novo Honey do samurai! – Ela exclamou, com um ligeiro sorriso e se sentando na mesa. Allen automaticamente afastou o caderno e recostou-se no banco. Podia perguntar várias coisas, ficar envergonhado pela saia dela estar um pouco curta, pelo sorriso malicioso, qualquer coisa. Mas somente pode dar uma expressão confusa e questionar.

–Samurai? – Bem baixo, apenas para os dois ouvirem, enquanto o restante da sala conversava e levantava para alongar a coluna.

–Ah, sim! Aquele cara tem uma espada no quarto! Você nunca viu? – Ela disse, fazendo Allen engolir em seco. Isso quer dizer que Kanda tinha capacidade para cortar seu pescoço quando bem entendesse?

Assustador.

–Não.. – Respondeu, ainda engasgado com as próprias sugestões. – Nunca fui a casa dele.. – E então a menina perdeu o sorriso, ficando completamente séria para só depois apertar os olhos suavemente e deixar surgir um torcer de lábios singelo e sincero, sem malícia nem nada.

–Isso é surpreendente.. – Ela quase sussurrou, calma, como se estivesse orgulhosa, o que, de alguma forma, intrigou Allen. – Prazer, Allen-kun. Sou Road, Road Kamelot. – Disse, esticando a mão enquanto cruzava as pernas.

Allen não hesitou em tomar a mão da dama e beijá-la, a cor do rosto dela aquecendo.

–O prazer é todo meu, senhorita. – E do nada, lá estava o Allen a modos ingleses, coisa de sua personalidade, esquecendo de tudo ao seu redor.

–Que educação... – Ela murmurou, ainda envergonhada e talvez um pouco surpresa pela ação alheia, tomando a mão beijava e segurando-a, como se ali formigasse.

O albino perdia noção do quão estranhas suas manias podiam parecer aos olhos dos outros, e logo enrubesceu, os olhos arregalando-se levemente.

–E-eu.. Desculpe.. – Ele tratou logo de se desculpar, devia ter passado uma má imagem, e abaixou a cabeça a fim de encarar os próprios dedos se enrolando.

–Não.. Tudo bem.. – Ergueu a cabeça e pôs-se a encarar o rosto agora mais relaxado, com um sorriso viajante. – Eu já sabia dessas suas manias então não é como se fosse muito estranho.. – Allen apertou os olhos, como numa pergunta, e ela logo tratou de esclarecer, crescendo a curvatura da boca. – Eu já tinha ouvido falar dos seus modos pelo Tiky.

–T-Tiky?? – E então, como num soco, Allen perdeu todo o ar somente por ouvir o nome do moreno. Arqueou a coluna para ficar mais próximo da menina, com o rosto um pouco acima de suas coxas.

– Ah sim! – Mas ela não pareceu se importar, abanando a mão. – Eu sou sobrinha do Tiky. – Esclareceu, deixando um albino pasmo.

–O-o que... – Ele murmurou, os olhos focando em qualquer coisa. – O rosto.. – Ele olhou de novo as feições morenas,procurando feições semelhantes e, realmente, os olhos de cores diferentes, mas com o mesmo brilho sedutor e até o jeito do cabelo.

Outro soco. Este impossível falar do que provinha, mas foi o suficiente para os olhos prateados encherem-se de água, o que desarmou completamente a morena. Os lábios do albino espremeram-se e ele apertou os punhos.

Era como se a simples presença dela o acalmasse, como se daquele corpo viesse a mesma fragrância.

–E-ei.. – Ela ergueu a mão para tocar os fios platinados, mas antes mesmo ele limpou a tristeza e forçou um sorriso, ainda com os olhos desfocados. Tinha se feito de forte desde que entrara naquele campus de manhã, e então ela desarmara tudo.

–Tu-tudo bem.. Não é nada..- Ele deu tapinhas na bochecha, as mesmas ficando avermelhadas. Os olhos meio saltados, brilhosos demais.

Road observou aquela figura branca, que agora tentava esconder a mágoa, e de súbito teve raiva do samurai. Isso porque aquele Honey era diferente. Tinha algo de puro nele que não devia ser maculado, que devia ser protegido.

Com o pensamento, a Mestre jogou o corpo pra frente, envolvendo o pescoço dele em um abraço quente e apertado, como se ela fosse a concha e ele, a lesma desprotegida.

Como Lena fez no dia anterior.

Acabou escorregando da mesa, ficando ajoelhada no banco enquanto abraçava o corpo agora trêmulo. Allen, dessa vez, hesitou, pois era muito confortável e não sabia o que pensar. E, depois de milésimos, ergueu os braços, apertando as costas dela no mesmo segundo em que um soluço irrompeu sua garganta. Não foi o suficiente para chorar, por mais que fosse sua vontade e os olhos ardentes clamassem por isso.

Foi incapaz de derramar uma lágrima, pois o abraço apertado dela exortou todos os espíritos ruins que sentia. Era só seu corpo amolecendo pelo calor que se assemelhava ao calor de uma mãe.

Allen suspirou, fechando os olhos enquanto o abraço se suavizava e a sala se enchia de burburinhos.

–Não se agarre com meu Honey, Kamelot. – A voz, em meio a outras, soou. Entretanto, naquele momento Allen não sentia medo, raiva, angústia, nada. Só uma felicidade ascendente, algo que precisou a manhã inteira.

O albino não viu, pois ainda estava abraçado à menina. Mas Road tinha lançado um olhar furioso pra o samurai e aos poucos foi soltando-o, para então encarar a feição suavizada do inglês.

Era algo bonito e claro. Como a mais pura e infeliz melodia de Bach, ou Beethoven, ou qualquer um que pudesse por em notas a confusão mental e emocional de um simples garoto aprisionado a outro.

–Nos vemos de novo, Road-chan. – Allen foi o primeiro a quebrar o silêncio e a ameaça visual de Road, atraindo todos os olhares para si. Então ela lhe olhou, sorriu, assentiu, pôs-se de pé, e se virou, subindo as escadas em direção a sua mesa, onde, Allen sabia, seu Honey iria repassar algumas informações escritas em um papel que todos os Mestres estavam carregando.

– O que estavam conversando, Allen-kun? – Alma perguntou, Allen dando espaço para Kanda se sentar. E o albino sorriu melancolicamente.

–Temos algumas coisas bonitas em comum.. – Ele terminou olhando o carpete do chão, sem força ou vontade para manter os olhos muito abertos.

–Sabe o que é bonito? Minha cama. – Lavi queixou-se, arrastando-se até sua mesa, onde largou a própria cabeça na mesa.

Alma olhou reprovador para ele, e Allen resolveu distrair sua mente, encarando o ruivo com a cara engraçada.

–Passou a noite toda na farra, aposto. – O moreno cruzou os braços, franzindo a testa. Lavi riu sem vergonha.

–Quem sabe.. – Murmurou, mantendo os olhos lentos. Kanda alheio a tudo, apenas encarando novamente o maldito jardim e pensando sobre a ameaça da morena.

–Nee, Alma-kun.. – Allen começou, fazendo uma cara que era pra ser uma zombadora. Teria conseguido, se não fosse seu estado emocional. – Eu vi o Lavi conversando com uma garota na porta da sala no começo da aula. – Ele sorriu com um meio bico, Lavi se remexendo ao lembrar o assusto tratado e Alma com a boca em formato de O, fingindo uma surpresa e entrando no joguinho do albino.

–Então quer dizer que é assim? – O moreno maneou a cabeça três vezes, inflando o peito com uma falsa sabedoria que deu vontade de rir no albino. – Pois saiba que você não pode ter um membro do Kugeka como Honey, Bookman-sama.

–Ahh.. Me deixem.. – Lavi murmurou, meio brincando, e enfiando a cabeça entre os braços. – Você são uns demônios.

Alma e Allen bateram as palmas, sorrindo um para o outro.

–Vamos chantagiá-lo, Allen-kun. Ele vai ter que nos dar todos os livros que queremos da companhia de livros da família dele! – Alma sugeriu, os olhos do albino brilhando, mesmo que fosse uma brincadeira.

–Isso!! Ele vai falir! – E ambos riram uma última vez. Alma em momento algum percebendo o que tinha por trás daquele sorriso.

E então o professor bateu palmas, chamando a atenção de todos e pedindo que todos se sentassem.

Allen passou o resto da aula com o sorriso no rosto. Kanda tinha percebido, mas dessa vez não conseguia entender o porquê daquela felicidade toda e, de alguma maneira, ficava irritado com aquilo.

Mas afinal, talvez fosse uma lição de Honey também.

Aprender a esconder as emoções do Mestre.

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Como ser um Honey, parte 2.1: Seja pago

–Eu não acredito que não aceitaram a minha ideia! – Road cruzava os braços, raivosa, enquanto seu Honey tentava acalmá-la desesperado. – De novo!

Alma não dizia nada, Lavi babava na mesa, Kanda estava irritado com a falação e Allen sorria. A aula tinha terminado há alguns minutos, mas era de consciência de todos que teriam de resolver como se dariam os “Jogos Drop”.

E também era divertido para Allen ver a morena antes do que esperava.

–Claro que não, Road-chan!- Alma interrompeu, pela primeira vez. O albino confuso com tudo isso, mas ainda sorrindo. Road estava novamente sentada na mesa e bateu a mão na mesma.

–Como assim? Isso de basquete é RI-DÍ-CU-LO! – Ela elevou a voz, pausadamente. Kanda estalou a língua com a voz fina penetrando seus tímpanos.

–Tsk, mais uma maldita louca nesse lugar. – Ele cruzou os braços, evitando olhar para qualquer um que seja. Talvez Kanda tivesse um complexo antissocial, ou algo assim.

–Odeio concordar com o Kanda, mas.. – Alma começou, a morena estressada e seu Honey tendo que se equilibrar com duas bolsas e a mesma bomba do início da aula, dessa vez desarmada e quebrada.

Somente uma vítima da fúria da menina que tinha a posto para detonar em um minuto e a desarmado em quarenta e sete segundos. Qualquer pessoa sã teria ficado desesperada, mas ali todos conheciam Road.

–É insaaano .. – Lavi resmungou, dormindo e pescando conversa.

–Eu não entendo. Qual a sua ideia, Road-chan? – Allen deixou de sorrir, uma vez que suas bochechas se encontravam doloridas, e olhou com curiosidade para a morena.

–Ora, a melhor do mundo! – Ela exclamou, indignada com a exclusão de sua sugestão para os Jogos. – Maldita família do samurai!

Os Jogos Drop, como o próprio nome diz, era um campeonato entre os membros do Kugeka e seus Honeys, tinham explicado para Allen. Todos os anos os membros disputavam entre si e o perdedor tinha de fazer o Drop em seu Honey, ou seja, tirar o brinco do Honey e este ser expulso. Allen achou um absurdo, claro. O Honey da dupla que perdesse era punido e expulso enquanto o Mestre só precisava arranjar outro.

Todos os anos havia uma votação para se decidir como seriam os Jogos do ano, e, como lhe tinham esclarecido, há vários anos a competição se definia em jogos de basquete, o que Allen, ao saber, odiou.

–QUE ÓDIO! – A garota explodiu. – A minha ideia é bem melhor que ficar pondo uma bola numa maldita cesta! Tenho certeza que ela só foi negada porque a família do samurai é muito influente. Bando de filhos da puta. – Road concluiu e Kanda deu uma audível risada nasal.

–Claro, porque atirar nos Honeys é uma boa ideia. – Kanda praticamente cuspiu as palavras e Alma suspirou. Era sempre assim.

–Atirar? – Allen se intrometeu, vendo navios.

–A Road queria que os Jogos fossem como “Tiro ao alvo”. – Foi Alma que respondeu, fazendo com os dedos. Estavam todos na sala discutindo em grupinhos, esperando sair a ordenação das duplas que iriam se enfrentar.

Allen tombou a cabecinha, Lavi no sono RAM.

–Assim, todos os Honeys iriam para o campo de futebol, espalhados, sabe? – Alma começou, Allen concordando.

–E então vem a melhor parte! – Road interrompeu, as mãozinhas para cima em animação. – Cada Mestre receberia uma arma com três balas de tinta, então teriam que atirar!

– E se não acertasse o próprio Honey, era Drop.

–O QUE? – O albino pulou da cadeira.

–Não é ótimo, Allen-kun?? – Road exibia um sorriso sinistro, enquanto apertava as bochechas do albino e balançava a cabeça dele de um lado para outro.

Claro, era lindo. Levar um tiro? Maravilhoso.

–Caraa..Isso está demorando.. – Era Lavi, avulsando.

–Eu nem sei o que você está fazendo aqui, Lavi. Você nem tem Honey! – Alma retrucou, os braços cruzados no peito.

–Grande merda, você também não tem e continua aqui, enchendo o saco. – O ruivo ergueu a cabeça da mesa, enquanto bocejava.

–Sim, mas eu estou acompanhando o Allen-kun e o Kanda. – Respondeu, fechando os olhos com sabedoria. – E você? Qual sua desculpa? – Desafiou.

–Não é da sua conta. – Lavi voltou a apoiar as mãos nos braços e a virar a cabeça pro lado oposto ao lado que estava Alma.

Antes que Alma continuasse a discussão, Kanda se levantou da cadeira, tomando a bolsa nos ombros e empurrando o albino com o joelho.

–Vamos embora, Moyashi.

–Eh? – Allen questionou, as bochechas vermelhas pelo apertão e sendo jogado em direção ao corredor.

–Kanda? – Alma franziu as sobrancelhas.

–Embora. – O moreno repetiu, segurando o pulso de Allen e o puxando escada abaixo.

–E-ei.. – Allen ainda tentou, perdendo o equilíbrio pela própria bolsa jogada em si e tento que se desdobrar para descer as escadas.

Antes da porta se fechar, ouviu-se a voz de Alma sendo ignorada e ambos percorrendo o corredor.

De tão surpreso, Allen perdeu o controle de suas máscaras e já não podia manter o sorrisinho falso. Naquele momento, realmente não sabia o que fazer, apenas deixando-se ser puxado e encarando as costas daquele que dizia ser seu Mestre.

–Cale a boca. – A voz de Kanda soou no mesmo instante em que Allen pensou em abrir a boca para perguntar aonde estavam indo.

–Não! – Tentou puxar o pulso, mas Kanda o apertou mais. – Me solta! – Socou o braço dele com a mão livre.

Pensar que estava sendo levado a um lugar que não conhecia, sozinho com aquele grosso e correndo o risco de conhecer uma espada fez com que um pânico enorme tomasse posse do corpo do albino. Tanto que rangia os dentes enquanto era puxado e dava trancos com os pés.

Allen resmungou enquanto desciam as escadas, ainda tentando inutilmente se soltar e não cair da escada.

–Escuta! – Ele gritou, puxando a camisa do moreno assim que terminaram os lances, e determinado a não mais ser ignorado e pôr as cartas na mesa. – Seu estúpido! — Estacou no meio do corredor vazio, os dentes cerrados e o rosto um pouco vermelho.

Não queria mostrar, mas estava nervoso e com um ligeiro medo.

–Escuta! – Repetiu, mais baixo, quando o moreno virou para si com a pior cara que pudesse fazer e o encarou de cima. – Olha.. – Arrumou o tom e engoliu em seco, tirando o cabelo da testa e pressionando ambos os olhos. – Se vamos fazer isso, temos de ao menos ter uma conversa decente! – Disse, olhando nos olhos escuros e lutando para sustentar o peso da raiva do moreno. – Você não me dirigiu a palavra! Qual o seu problema? – Rugiu, a respiração curta e o batimento cardíaco aumentando. Estavam sozinhos no local e Allen se sentia decepcionado por Alma não tê-los seguido.

–O meu problema, Honey.. – Kanda começou,aproximando-se do albino. Este porém, não recuou. Suas pernas podiam tremer, mesmo que imperceptivelmente, mas não recuaria. – É não poder te punir aqui. – Disse, com um mínimo sorriso maníaco, e Allen abriu a boca indignado. – Sinto que você gritaria muito, com essa sua voz ridícula.

–Ridículo é você! – Gritou, pouco importando se alguém ouviria. Apertava os punhos. Queria gritar e bater naquele cara, socá-lo por tudo que estava passando. – Quem pensa que é? – Subtraiu um passo entre eles e, se não houvesse a diferença de altura, seus narizes estariam se tocando. – Você é um idiota! – Allen espalmou no peito dele e o empurrou. – Um completo idiota! – De novo. Kanda não reagia pelo simples fato de que o Honey estava mesmo irritado e ainda aplicava o golpe baixo de ter os olhinhos repletos de lágrimas. – Você não tem direito nenhum sobre mim! Vá se ferrar! – Gritou, socando mais forte e finalmente encarando com os olhos trêmulos e raivosos o rosto do Mestre.

Allen esperou a reação dele, esperou um soco, um empurrão, chacoalhar, e o maldito apenas lhe lançou um sorrisinho cretino, o que aumentou ainda mais sua raiva.

–Não quero esse brinco! Não ligo para a bolsa! – Gritou, as lágrimas contidas com Road voltando. Involuntariamente, lembrou da manhã, quando ele lhe pôs a gravata e pareceu uma pessoa normal.

Mas não era. Allen sabia. Não era normal, não era uma pessoa boa. Era um filho da puta, merecia morrer sozinho.

Arrumou a alça da bolsa no ombro com força e desviou do moreno, começando a pisar forte para fora do prédio. Kanda observava tudo com as sobrancelhas elevadas e não deixou o garoto dar dois passos e o puxou com força.

Tudo para Kanda envolvia força.

– Não dê piti. – Soltou. A voz, porém, não tinha raiva, apenas um pitada de desafio, superioridade. Kanda, como parecia ser tradição, empurrou o garoto contra a parede, colocando uma perna no meio das dele e tapando a boca com uma das mãos, enquanto a outra segurava um dos pulsos.

Allen o olhou com raiva, as lágrimas molhando o rosto.

–Eu sou seu Mestre. – Sorriu mais. – Você é pago para isso. – Os olhos claros se arregalaram. – Você não tem voz, não tem vontade. É meu, e deve obedecer minha ordens. – Estava no máximo de extensão de boca, sorrindo vitorioso para o Honey.

Allen engasgou, estava difícil de respirar com o corpo dele pressionando o seu, e num esgar, mordeu forte a mão dele, afinal, não iria se dar por vencido.

–Filho da puta! – Kanda xingou retirando a mão da boca dele, mas não encerrando a imobilização. – Quem você pensa que é? – A mandíbula trincada, enquanto limpava a saliva do Honey. – Preciso te ensinar muitas coisas, pelo visto. – Ele segurou o queixo de Allen, que fumegava de raiva.

–Vamos ter tempo. – Do mesmo jeito do primeiro dia, Allen sentiu sua boca ser deplorada com força, sem carinho, sem nada que sonhou que teria um dia.

Ele não era Tiky.

Sentiu a língua rápida e aparentemente experiente encontrar a sua e chupá-la sem vergonha alguma. Sabia que um rastro de saliva descia pelo canto de sua boca e tinha vontade de chorar, de gritar, de correr.

Quando finalmente terminou, Allen se viu sem forças e quando ele lhe disse para calar a boca, mesmo que já tivesse calado, obedeceu.

O albino não soltou uma palavra. Primeiro porque não achava digno dirigir a palavra àquele ser estúpido e, segundo, porque o aperto em seu pulso estava muito forte e tinha medo de outra punição.

Seus lábios ainda formigavam e seu peito apertava. Parecia que a fábrica de lágrimas voltava à atividade silenciosamente.

Olhando novamente para aquelas costas, algo dentro de si crescia. E Allen sabia exatamente o que era. Aquela sensação quase nunca sentida, crescendo e tentando romper para fora. Mas mesmo que sentisse vontade, não podia deixar aquela raiva lhe consumir.

Não agora.

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Que Kanda era rico, filho de um grande empresário, Allen sabia. Mas a pura mente de um albino não imaginava que era tão rico assim.

Chegava a ser surreal.

A casa tinha dois andares, o que, em si, não era tão surpreendente. Mas pisar numa moradia em estilo feudal em pleno século vinte e um e na França, isso sim era inacreditável.

Allen observava tudo desde que entrara pelos imensos portões, atravessara os jardins de carro e parara em frente à porta de madeira com molduras prateadas.

–Por que estou aqui? – Tentava perguntar, sendo prontamente ignorado pelo moreno. A ideia de estar na casa do “Mestre” era assustadora, uma vez que nem imaginava o porquê de estar ali.

Seria para estudos?... Ou punições?

Sentia o estômago borbulhar naquela ansiedade horrorosa, o ar sufocando-o, assim como o primeiro dia no Kugeka. Sentia que dali não sairia coisa boa e a simples lembrança do “beijo” de mais cedo o fazia querer entrar numa daquelas portas e magicamente estar no seu quarto, como numa viagem espaço-temporal, sozinho, feliz e sem brinco.

Como numa arca.

Mas aquilo era impossível, certo? Ainda não tinham criado uma coisa daquelas e mesmo se tivessem, um simples garoto não teria acesso à ela

A não ser que esse garoto fosse Kanda Yuu, que parecia ter tudo na palma da mão.

Inclusive o próprio albino.

Tentando afastar os maus pensamentos, jogando para o mais profundo abismo a vontade de chorar que sentira em frente a Road e despejara em Kanda, Allen passou a observar o piso, porque, afinal, era algo importante toda aquela madeira e arquitetura japonesa. Havia pequeninos bonsais no canto do corredor que ligava a porta principal a um salão. Este não podia ser visto, e aquele aspecto frio e antigo que o próprio moreno também exalava não ajudava muito no processo de se acalmar.

Por onde andava Allen Walker? Em terras desconhecidas, com morenos beijoqueiros indecifráveis e atmosferas estranhas. Mas Allen Walker continuava andando, uma vez que virar as costas e correr chorando como uma garotinha não estava em seus planos.

De repente se viu numa sala ridiculamente gigante, e repentinamente europeia, devido ao estilo gótico que a mesma exibia.

Era contrastante sair dos corredores de madeira japonesa e deparar-se com o mármore e gesso italiano, e as cores coloridas que o sol transferia pelos vitrais.

Tudo muito não-Kanda na visão do albino.

E então, estavam se dirigindo à escada em formato de T que subia para o segundo andar, feita com mármore branca e corrimãos de vidro. Quem subisse aqueles degraus não diria que através das janelas descansavam os jardins japoneses.

Olhando para trás rapidamente, enquanto seguia um japonês enfezado, Allen percebeu que, até então, todo o percurso era apenas para chegar à sala. Uma coisa meio estranha, aliás, ter um corredor para chegar à mesma.

Chegando à conclusão, deu de ombros. Não era sua casa mesmo. E então continuou a seguir por outros corredores do segundo andar, idênticos ao da entrada, mas com bonsais maiores.

Então, Kanda vira de repente e abre uma porta dupla, também de madeira, entrando no aposento. No pouco tempo que Allen demorou para entrar no local, imaginou que ali seria o quarto do moreno, com mais bonsais e tatames pelo chão.

E estava certo. Era realmente o quarto de Kanda, o que o deixara desconfortável, afinal primeiro dia de aula e fora pra casa e estava no quarto do cara que mais odiava no mundo.

Tremeu dos pés à cabeça quando adentrou o quarto e o moreno fechou a porta atrás de si. A respiração descompassando levemente quando notou que estava errado em relação aos bonsais e tatames.

Na verdade, não havia arvorezinhas em lugar nenhum, apenas a imensa cama king size no meio do quarto, encostada na parede direita. Tudo nela era branco, o amontoado de travesseiros até o pano da cama, destoando apenas o cobertor dobrado na borda que aparentava ser bege, ou algo assim.

Na parede de frente a si, estava uma janela, que na verdade parecia tomar o lugar da parede, pois, sinceramente, era vidro do chão ao teto. Tinha uma cortina na cor grafite também, igualmente longa, que combinava com a parede esquerda. Esta ostentava uma tevê de polegadas desconhecidas por Allen e, abaixo dessa, uma cômoda branca larga, sem nada por cima e apenas duas gavetas aparentemente espaçosas.

Parando pra pensar, o quarto era espaçoso até demais, mas não tinha quase nada. Só a cama, a cômoda e a tevê. E Allen apostava que a porta solitária à sua esquerda era a suíte e, levando em consideração que não tinha armário, o closet.

Depois da rápida observação, o som da porta fechando se dissipou e o silêncio não teve tempo de reinar. Foi rudemente espantado pela voz grossa do dono dos aposentos.

–Tire a roupa. – Ele ditou, normalmente, e quando Allen virou-se, estático, ele aparentava a maior calma do mundo.

Os olhos prateados se estreitaram e estamparam a confusão, indignação, tudo que aquela frase causou no pequeno ser. A repulsão. Os lábios levemente avermelhados se desgrudaram, o maxilar movendo em espanto.

–Anda, Honey. – Kanda se aproximava com um leve sorriso, os olhos negros faíscando. Allen deu alguns passos para trás instintivamente, arrepios de alerta vermelho descendo por sua espinha.

Então era isso? Iria ser estuprado?

Claro... Era um idiota afinal. Para que outra finalidade Kanda teria o levado para seu quarto?

–E-ei.. – Sentia-se inútil, como se o episódio em que conhecera o moreno estivesse prestes a se repetir pela segunda vez no dia. Seria novamente jogado na parede e violado pelos lábios finos do japonês. E talvez dessa vez, ele fosse mais longe e violaria todo seu corpo, uma vez que não podia fazer isso na escola.

Allen abaixou a cabeça, mordendo os lábios, toda coragem querendo sair correndo e o largar ali, à mercê do “Mestre”.

Ora, Allen Walker estava desistindo de andar?

Os olhos prateados encheram-se de lágrimas como mais cedo, porém desta vez se sentia incapacitado de engolir aquela ardência e os soluços. Sabia que iria desabar em espasmos, soluços e gritos, pois não podia fazer nada, certo?

Não podia, pois tentara fazer mais cedo e fora punido e arrastado para aquele lugar.

Nunca tivera medo de ser assaltado ou estuprado, nem nada parecido. Sequestro nunca havia passado pela sua cabeça, achava que no mundo em que vivia essas coisas não existiam.

E mesmo assim, ali estava ele, no quarto de um homem, sendo reivindicado e obrigado a fazer coisas que não queria.

O que queria Allen Walker? Allen Walker não queria andar, e nem chorar, por mais que soubesse que era isso que as lágrimas que agora escorriam significavam, Allen Walker não queria estar naquele lugar e nem ouvir a voz rude do rapaz agora fora de seu campo de visão. Queria ser um fantasminha, como aparentava, e se encolher ali, protegido.

Não queria chorar na sua frente e perder o controle novamente.

Allen Walker não queria ser Honey, não queria ter conhecido Kanda Yuu, não queria saber o quão estranho ficava uma casa com arquiteturas japonesa e europeia misturadas, não queria saber que o quarto dele realmente se parecia com ele, não queria jogar basquete..

–Você está chorando de novo? – A mesma voz perguntou e o albino não sabia distinguir quais tons estavam presentes ali. Ironia? Sarcasmo? Incredulidade? Preocupação..?

–Não. – Respondeu, sendo trazido de volta do torpor. Mas não conseguiu soar nem um pouco convincente, uma vez que a voz quebrara no meio da simples palavra, enquanto enxugava com força os olhos marejados, a ponto de deixá-los vermelhos.

–Honey. – A voz dele estava extremamente perto, mais alta, e pela primeira vez desde que entrara no quarto, Allen olhou para o moreno e encarou a feição séria dele. Engoliu em seco, apertado as mãos contra o próprio peito e ousando abaixar a cabeça.

Sentia medo, terror. Estava sendo o pior dia de sua vida.

–Chorando novamente, hein... – O moreno tocara o queixo trêmulo e aumento os arrepios no corpo do albino. – Honey fraco. – Disse, simplesmente.

Os olhos assustados diziam tudo, claro. O medo, a raiva mais intensa que mais cedo. A vontade de cuspir cobras e lagartos. Mas Kanda parecia querer ouvir tudo da boca daquele garoto pois não parava de o provocar e, quando viu que não obteria resposta e que aqueles olhos estranhos fugiriam de si, largou o pequeno, virando-se de costas.

–Te espero do lado de fora. – Foi o que disse, jogando para o albino o uniforme que tinha ido buscar no closet enquanto o menino parecia avaliar o chão do quarto minutos antes.

Allen estremeceu quando a porta foi fechada num baque oco, e não evitou apertar um pouco as mudas vermelhas que foram jogadas para si.

Ao focalizar as vestimentas, ainda com os olhos lagrimando, identificou o sobrenome do “Mestre” e uma camisa um pouco menor, mas idêntica a que ele usava no dia que conheceu o moreno.

Parecia caber perfeitamente em si, e, na parte da frente, vinha com “Honey” escrita em letras bonitas e curvadas.

Foi olhando a camisa que o tremor em suas pernas diminuiu consideravelmente. Ele queria que Allen vestisse aquilo, uma uniforme de basquete, o que significava que não iriam fazer nada, certo? O silêncio assustador que se instalara no carro prometera mais do que cumprira?

Kanda tinha dito que iria lhe punir, e de fato lhe beijou na escola, mas trazê-lo para a própria casa tinha outros significados e estes não seriam apenas jogar basquete.. Certo?

Walker podia se dar ao luxo de se acalmar? De pensar que iriam apenas jogar basquete?

Kanda lhe esperava lá fora, tinha o deixado naquele quarto gigantesco, como se quisesse expor que estava realmente sozinho.

Ali tinha uma cama, tinha tudo e era a casa dele. Kanda podia ter feito o que quisesse, afinal, era dever de um Honey obedecer seu Mestre, correto? Era o que ele vinha jogando em sua cara. E mesmo assim, ele simplesmente lhe jogou uma roupa e lhe disse para vesti-la, mesmo que em palavras rudes.

Kanda Yuu estava lá fora, simplesmente esperando.

Poderia Allen sentir uma faísca de esperança? Poderia pensar que aquele garoto não era o que aparentava ser, como lhe disse Alma? E todas aquelas vinganças não seriam apenas um teste? Todos os beijos?

Vestiu a camisa, tirando a calça tão rápido como fez com a camisa, afinal não tinha tanta confiança assim. Queria acreditar, mas não era algo fácil.

Aquele garoto não era fácil.

Entretanto, era só o que lhe restava. Tentar acreditar. Tentar continuar andando, prendendo as lágrimas.

Talvez Allen Walker tivesse forças para continuar andando.

Notas finais
E aí? Como ficou? O clima está tenso, eu sei, o Allen está chorando, eu sei, mas tento mudar as coisa naturalmente, afinal, sou desorganizada demais para ter um roteiro detalhado.. Meu roteiro está em alguma folha solta por aí e deve ter umas 5 linhas preenchidas apenas... Vamos rir para não chorar ahahahah Próximo capítulo pretendo começar os diálogos, porque até agora esses dois estão só brigando e eu gosto de amorzinho ! Aliás, li um livro maravilhosamente triste e estou tentando incrementar a escrita com ele. Os diálogos eram super formais e muito engraçados ahahaha Vamos torcer para que eu consiga fazer isso! Próximos dias eu vou estar bem apertada.. trabalho social e tudo.. Mas farei o possível para escrever rápido. Meus planos de ter dois capítulos reservas foi por água abaixo, mesmo que eu tenha começado a fic com cinco capítulos prontos.. Tive de mudar tudo pois não fiquei satisfeita, tanto que agora escrevo cada capítulo umas duas ou três vezes e morro de revisar, portanto qualquer erro, me avisem! É inadmissível depois de tanto esforço... Reviews são lindos, nos dão até criatividade para escrever mais, então espero que meus fantasminhas apareçam! Ah, tenho duas ideias de fics Yullen aqui, mas tenho que escrever direito e pretendo me aventurar pela primeira pessoa.. Exige muita habilidade, sabe? Admiro quem consegue. Enfim, chega de falar! Obrigada por lerem e acompanharem! Críticas construtivas são necessárias para o casamento entre autor e leitor! Até o próximo! Kissus de Lemon!