Honestly? I love you!
20 Preparação
Notas iniciais
— Mona? – Emily chamou-a do outro lado da linha, depois de alguns segundos de silêncio – Por favor, me diga que ainda está aí.
Sentindo a garganta seca, Mona tratou de levantar seu queixo caído, que provavelmente estava ao nível de seus joelhos agora.
— Estou – gaguejou ela, sentindo o corpo quase que completamente estático e ainda assim capaz de despencar. Afinal, por que eles não colocavam mais bancos por aquele pátio?
— Então por favor, me diga que não está dando para trás.
— Não – ela apressou-se em dizer. Um fio de agonia já era identificável na voz de Emily. Mona ainda não conseguia acreditar, mas tudo indicava que ela era a única esperança de Ali, e consequentemente a de sua namorada também. – Não vou, só... estou meio chocada – completamente chocada, melhor dizendo – Você tem certeza?
Emily suspirou outra vez, dando a entender que estava esgotada.
— Os resultados dos exames de vocês quatro saíram juntos. Digamos que a luzinha verde só acendeu para você.
Mona notava que Emily estava tentando sorrir ainda que prováveis lágrimas enchessem seus olhos. Então, ela mesma pegou-se sorrindo e com os olhos marejados.
— Você vai fazer? – perguntou Emily, docemente esperançosa.
Mona sabia que não era apenas uma questão de querer ou não. Ela precisava, ou Alison morreria. Mas também não era apenas uma questão de precisar. Acima de tudo, ela queria.
— Vou – ela assentiu como se a garota estivesse à sua frente e olhou em volta – Só que as meninas ainda não foram liberadas das aulas e, droga, eu realmente preciso abraçar alguém.
***
— Uau – Hanna suspirou, não deixando de acariciar manhosamente as costas de Mona. As duas estavam abraçadas sobre o edredom na casa da loira. – Isso é... grande. Muito grande.
— Muito, muito grande – Mona emendou, evasiva, com os braços ao redor da cintura da garota. Seus olhos estavam fixos no relógio que estava na parede do quarto dela, que marcava quatro da tarde em ponto.
— Você não deveria estar falando com a sua mãe agora?
— Deveria – suspirou, apertando-a contra si ainda mais –, mas eu preciso de inspiração para fazer meu discurso de convencimento. E você, cabeça dura do jeito que é, é perfeita para me ajudar nisso – sorriu, deixando um beijo no ombro de Hanna, que achou graça.
— Talvez sim, talvez não. Mas vamos supor que você a convença. – a loira baixou o olhar para encontrar o de Mona – O que acontece depois?
Mona permitiu-se passar alguns segundos em silêncio pensando nas palavras que o médico de Ali dissera a ela quando ela fora à clínica assim que desligara o telefone depois da conversa com Emily. Ela vinha desde lá remoendo cada palavra e analisando com precisão cada etapa do esquema.
— Está certo, vamos repassar. – suspirou outra vez – Depois que ela assinar a permissão por escrito, eu volto lá para fazer os exames pré-operatórios; – ela olhou para o relógio mais uma vez e se perguntou quanto tempo ela de fato levaria para convencer a mãe a fazer aquilo – eles levam mais ou menos três horas para ficarem prontos e, supondo que eu os tenha feito até o fim da tarde de hoje, sobram doze horas para o jejum e, se tudo correr bem, lá pelas duas da tarde de amanhã eu já vou estar com um rim a menos.
— Você faz parecer que tudo é tão simples – Hanna murmurou, parecendo, por alguma razão desconhecida, magoada.
— Na verdade, é simples sim. – ela rebateu ingenuamente – O dr. Gilmore disse que é o transplante mais simples que existe. A cirurgia costuma durar em torno de quatro horas.
Hanna demorou para responder. Levantou o rosto de Mona para si com dois dedos em seu queixo e sorriu, quase como se não acreditasse naquilo.
— Você está confiante mesmo, não está?
Mona manteve os olhos nos dela por mais um segundo e, sem aviso prévio, beijou-a.
— Muito – disse, não sabendo explicar nem para si mesma da onde vinha aquela felicidade. Era uma empolgação que fazia seu coração bater mais rápido. – E por mais que eu queira me forçar a ficar com medo, eu... simplesmente não consigo.
— Sabe? Acho que isso sim ganha na minha concepção de poesia – informou Hanna, inocentemente – Quer dizer, você e Ali... quem iria imaginar que depois de tanto tempo... – ela baixou o olhar e sorriu minimamente para si mesma – é tão lindo.
Mona nem pensou em resistir ao doce olhar que Hanna lançara-a ao concluir. Uniu outra vez seus lábios aos dela num segundo e macio beijo. Notava que ela estava ficando com os olhos marejados e o gesto serviu para impedí-la de chorar. Mona não podia vê-la chorar, não quando o que ela mais precisava no momento era encorajamento e positividade.
— Eu sei. – sussurrou, compartilhando do ar de Hanna – Acho que é por isso que estou tão feliz.
— Bem, então acho que de agora em diante eu vou assumir a parte do medo por nós duas.
— Ei – Mona acaricou um lado do rosto da loira –, você sabe que não precisa disso.
— Eu sei. Só que eu não consigo me acostumar com a ideia de que vão... cortar você.
— É, mas depois vão me costurar e tudo vai ficar como se nada tivesse acontecido – rebateu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Hanna riu levemente, mas apenas deixou transparecer com isso que estava tentando não visualizar a cena.
— Vai ficar tudo bem, meu amor. – Mona garantiu, fazendo questão de não desviar o olhar daqueles olhinhos azuis – Eu prometo.
Hanna pareceu derreter dentro daquele olhar. Delicadamente, diminuiu mais uma vez a distância entre os dois pares de lábios e pareceu também não querer desgrudar os seus dos de Mona. Tal gesto realmente era movido a medo e, principalmente, a uma grande dose de carência. Era como se ela temesse que aquele fosse ser o último beijo.
— Eu ainda morro de orgulho por você. – Hanna murmurou, com os lábios e os olhos avermelhados – Minha menina corajosa.
Mona também sentiu-se derreter depois de ouvir as últimas palavras. Grudou-se a ela novamente e encaixou o rosto entre seu ombro e seu pescoço, aspirando um suave cheirinho de lavanda. Abraçar Hanna era confortante como abraçar um ursinho de pelúcia, só que mil vezes melhor.
— Passa a noite comigo hoje? – pediu ainda com os lábios rentes à pele de Hanna – Você pode me consolar se meu plano for por água abaixo.
— Ou podemos comemorar se acontecer o contrário – ela se desprendeu de Mona para que ficassem novamente frente a frente. Sorria largamente agora e Mona não sabia dizer se havia ou não um duplo sentido naquele sorriso. Na dúvida, ela apenas riu.
— Ou isso também.
— Que bom que você me convidou – Hanna sussurrou, num tom de voz mais íntimo –, mas saiba que eu ia te sequestrar de qualquer maneira.
Fale com o autor