Após algum tempo observando Alice na biblioteca decidi tomar coragem para falar com ela. Era algo um pouco difícil. Eu não queria incomodar ela e ao mesmo tempo não suportaria passar mais tempo vendo ela de longe sem fazer nada. Voltei a biblioteca no mesmo horário que sabia que ela ia, porém ela não estava la. Naquele momento pensei que talvez aquilo, seria um sinal pra não me aproximar daquela menina. Continuei a minha rotina normalmente. Ia a escola e voltava sempre com a imagem daquela garota na cabeça, um dia desenhei ela e deixei o desenho no quarto jogado, minha mãe estrou e viu. Perguntou quem era a menina, achou momentaneamente que seria alguma namorada já que havia me assumido a pouco tempo. Então ela disse:

– Bruna, que desenho é esse ?

– É uma personagem. Eu disse mentindo.

– Diz logo que é o rosto da sua namorada! Retrucou ela.

– Não é. Respondi antes de dar as costas e sair do quarto.

Fui pra rua e comecei a andar. Ja estava ficando tarde mesmo assim continuei, o rosto bravo de minha mãe me assustava. De alguma maneira ela ainda não suportava a ideia de ter uma filha lésbica. Depois de andar por horas, continuei pensando na Alice. Tropecei no pé de um homem forte na porta de uma igreja, machuquei meu braço tentando evitar a queda e então ele me chamou pra entrar na igreja e disse que as irmãs iam me ajudar com o braço. Entrei, uma senhora colocou gelo no meu braço e me chamou para assistir o culto, como não queria voltar para casa, fiquei.

Quando algumas jovens da igreja subiram ao altar para cantar, vi Alice entre elas, estava linda, com um vestido azul claro e uma sapatilha ela parecia uma princesa. Logo, pensei que ela não me notaria ali, já que não havia me notado antes na biblioteca. O culto prosseguiu, só pensava na garota de vestido azul e só olhava para ela naquela igreja. Para ser sincera não me lembro do que foi falado depois do momento em que ela desceu do altar.

Então no final do culto decidi procurar por ela, ela me estendeu a mão e fez um comprimento da igreja logo depois disse:

–Como chama ?

–Meu nome é Bruna. Respondi.

–O meu é Alice.

–Eu sei . Deixei escapar.

–Como sabe ? Ela perguntou.

–Ouvi o pessoal da igreja te chamando. Menti.

Me despedi e ela me abraçou. Nunca imaginei que meu dia acabaria daquela forma. Voltei pra casa. Feliz e sorridente por ter falado com ela e ganhado um abraço. Ainda podia sentir o cheiro do perfume dela. Quando cheguei em casa me deparei com minha mãe, parecia brava pelo tempo que eu tinha ficado fora. Enfrentei a segunda discussão do dia. Mas nada daquilo poderia tirar o sorriso do meu rosto depois de ver a Alice.