Homophobie
4 Kapitel Vier - Eid.
Notas iniciais
Se o Nyah! comer meus travessões de novo, vocês verão 1 lovemachine muito cabrera u_u Mas enfim, boa leitura~ ♥
– Oi,Teitei!
– Eu vou te matar, Hakuren Oak!
Estava bravíssimo com o amigo, pois tinha certeza absoluta que ele havia dito para seu pai lhe monitorar para não se cortar, no dia anterior. Estava quase ficando sem ar de tanto que ele estava lhe enchendo de amor e carinho.
Mas não se enganem. Teito, assim como a maioria dos adolescentes, adorava ser mimado e paparicado. E também era grato a Hakuren por tudo o que ele havia feito para lhe salvar. E, claro, Fea sempre lhe dera amor e carinho, se preocupava com o filho mais do que com a própria vida; só estava neurótico.
Para começar que Teito acordara com o pai na mesma cama que ele, dormindo numa posição provavelmente muito desconfortável no espaço que lhe foi deixado. Aproveitou e foi no banheiro, o encontrando limpo como nunca antes e completamente sem nada cortante. Na cozinha, apenas por curiosidade, viu que as facas sem cerra estavam todas escondidas em outra dimensão – por algum motivo que Teito definitivamente não sabia, Fea sabia que facas de cerra eram péssima para cortar a pele.
Mas não era só. Nada cortante ou pontudo estava visível na casa inteira, fazendo Teito imaginar onde todas aquelas coisas estavam. Suspirando, voltou para seu quarto, arrumando melhor o pai na cama e indo dormir no sofá que havia ali mesmo, em seu quarto. Era pequeno e desconfortável, mas não se importou – já dormira muito ali após a escola.
De manhã, foi presenteado com um maravilhoso café da manhã na cama. Como fora parar ali, não tinha nem ideia. E era exagero dizer que fora maravilhoso, pois parecia mais comida de hospital com um cartãozinho muito gay de seu pai (era o único jeito que conseguia caracterizá-lo, sendo irônico, pejorativo, negro ou não), dando votosde melhora em uma caligrafia bonita e palavras cautelosamente escolhidas.
E, como se não bastasse, durante toda a manhã lá estava ele, perguntando se estava bem, se precisava de algo – “Ar, pai!” – ou se os ferimentos estavam doendo. Falando neles, Fea fez questão de limpá-los exatamente como Hakuren instruíra, duas vezes só naquela manhã, e trocar as bandagens com um cuidado e lerdeza, na visão deTeito, mais do que excessivamente irritantes.
E, ainda assim, fez Teito ficar repousando o dia inteiro. O deixou jogar videogame após muito esforço do garoto para convencê-lo, mas mesmo assim lá atrás estava ele, com seu notebook, escrevendo suas aventuras em terras distantes enquanto observava seu filho problemático atirar em demônios.
Quando a campainha tocou, Teito só não foi mais rápido para abrir a porta porque seus machucados na perna não deixavam, mas ficou feliz com a visita de Hakuren, pois soube no momento em que abriu os olhos naquela manhã que o amigo o visitaria, então apenas sorriu vitorioso quando, no início daquela tarde, o viu parado e sorrindo na porta, com alguns filmes na mão.
Não queria saber o que ele queria em sua casa. Se apenas lhe fazercompanhia, se procurar companhia, se estava caçando o motivo dele se cortar ou se queria monitorá-lo junto a seu pai sobre o que estava fazendo ou deixando de fazer. Só queria aproveitar a presença do amigo naquele domingo preguiçoso e, por que não? Doloroso.
– Venho na maior boa vontade e é assim que me recebe, seu filhote de repolho?
– Ouvi a doce voz de alguém chamar-me de repolho? – perguntou Fea, descendo as escadas, fazendo os dois rirem. – Gosto de repolhos.
– Todos gostam – disse Teito, que criara com seu pai uma mania estranha de apreciar diversos tipos de folhas; às vezes levavam à mesa algumas que não eram nem mesmo comestíveis, por causa dos experimentos e cruzamentos genéticos que Fea adorava fazer na Universidade onde trabalhava.
Bom, o que vocês esperavam de uma família onde o mais novo se corta a ponto de uma hemorragia e o mais velho é escritor? Escritor, pelo amor de Deus?
– Sem ofensas, Seu Fea, mas repolhos... Ugh! – fez uma expressão estranha, pois odiava aquela planta que não tinha razão para existir.
– Eles são roxos, Hakuren! Não dá pra ser mais legal!
– Meus olhos são roxos! – rebateu. – E são muito mais legais que mato.
– Mato é o que você tem no meio das pernas, seu... Seu...
– Não complete esta frase em minha casa, filho, por favor – Teito ficou da cor da cueca do surfista que vira na praia, talvez ainda mais vermelho. Esquecera-se completamente que o pai estava presente e, se tinha algo de que se envergonhava, era de usar o vocabulário que tinha perto do pai. – Vamos, Hakuren, entre. Trouxe filmes?
– Sim, fiz uma seleção com títulos diversos. – respondeu, sorrindo para o escritor. – Espero que seu filho ingrato goste.
– Por que eu deveria gostar se você não gosta de repolho?
– Cala a boca, Teito. – segurou o amigo e deu uma bela duma chave de braço, apertada o suficiente para ele lhe dar uma cotovelada na barriga, que foi o bastante para soltar-se. Teito só lhe deu um tapa na cabeça e foram para o sofá da sala, começando a analisar o que Hakuren levara.
– Então, enquanto divertem-se, irei fazer o almoço, tudo bem? – perguntou Fea, olhando para o filho conversando com Hakuren e sentindo-se confiante em deixá-lo pela primeira vez naquele dia; sabia que estava em boas mãos.
– Sopa?
–Talvez. – saiu rindo da expressão do filho e foi para a cozinha, agradecendo por ter um anjo como Hakuren cuidando de seu Teito. Perguntava-se o que faria se não fosse o loirinho lhe ajudando.
– Como está, Teitei? – perguntou Hakuren, já usando seu apelido de infância há algum tempo, assim que olhou para Teito e não conseguiu mais ver o garoto boca-suja que via antes. Ao seu lado, estava um garoto magro demais devido a possível anemia que tinha por causa dos cortes, com os braços e coxas enfaixados, uma expressão alegre, porém ainda fraca e esgalgada.
– Seu Fea cuidou direitinho de mim, pode ficar tranquilo.
– É sério, idiota. Como você está? – perguntou, olhando-o nos olhos, e Teito notou que ele não estava fazendo uma simples pergunta. Ele realmente queria saber como estava, física e emocionalmente; estava preocupado. Sorriu timidamente, coçando a nuca.
– Tô bem, cara. Mesmo. – respondeu sinceramente, sustentando o olhar. E realmente estava, mesmo estando um pouco dolorido, sentia-se bem espiritualmente, superava as dores físicas.
– Então, beleza – Teito sentiu que ele queria lhe perguntar algo mais e teve a sensação de que tinha algo a ver com contar a verdade e conteve um suspiro, sabendo que ele não desistiria assim tão fácil. – Bora ver algum filme.
Teito passou a ver os filmes que ele escolhera, descartando alguns na hora e analisando outros com mais cuidado. Então, parou numa seleção que achou, no português claro, muito tosca.
– O Cavaleiro das Trevas, A Volta do Cavaleiro das Trevas, A Vingança do Cavaleiro das Trevas, O Cavaleiro das Trevas Ressurge... Sério, Haku?
– Olha, eu gosto dessa série, tudo bem?
– Me recuso.
– A Vingança dos Derrotados, então?
– Não, tem que ser o primeiro, né, tonto.
– Tem aí.
– Então, bora.
Era um clichê em filmes para garotos, mas fazer o que? É o tipo de filme que faz sucesso. Robôs grandes e contorcionistas lutando por um objetivo mais do que clichê, os dois adoravam.
Assim como no último filme que viram, mal prestaram atenção, mais preocupados em fazer comentários sobre o roteiro, produção e, bem, o quanto Sam Witwicky era frouxo.
– Mas como ele consegue mongar com a gostosa da Megan Fox em cima dele, gente, como?!
– Não é? Ela é... – olhou para a garota na tela, pela primeira vez analisando-a como alguém desejável. Detestou-se no instante em que notou que nunca havia tido nenhum tipo de desejo sexual com ela, como qualquer garoto normal. – Linda. – admitiu, sentindo uma luz ascender em seu peito quando realmente a achou bonita.
– Linda? Ela é a maior... – Hakuren parou e olhou para o amigo, que aparentava confusão enquanto olhava para a tela e sentiu um pote de chumbo em sua consciência quando se lembrou do pequeno problema que Teito carregava. –... Gata.
– É. Ela é muito... Gata. – concordou, não sabendo que outro adjetivo dar para a atriz além de “linda”; seus machucados coçaram na mesma hora.
– É... – Hakuren sentiu-se mais do que constrangido, querendo arranjar qualquer assunto para comentar, algum que passasse bem longe daquele. – Mas que cheiro bom! – comentou, assim que lembrou que Fea estava preparando o almoço, mesmo que não tivesse sentido nada. – Será que tá pronto lá?
– O almoço? Nah, acho que não. Seu Fea é bem lerdinho pra cozinhar.
– Como você diz isso do seu pai, seu desalmado?
– É a verdade, ué.
– Mas ele cozinha bem, pelo menos? – perguntou, querendo mais manter o assunto do que saber se seu pai realmente cozinhava bem.
– Ah, véi, sei lá. Ele é meu pai. Qualquer pedaço de merda que ele bote no meu prato, vou comer como eu como chocolate. – deu de ombros, voltando a prestar atenção no filme e esquecendo-se momentaneamente do assunto anterior. – Mas cê comeu aqui dia desses, carai, não lembra, não?
– Ah, é verdade. – riu sem graça por ter sido pego em sua mudada estratégica de assunto. – Mas enfim, acabando esse, vamo jogar um Diablo?
– Não tenho Diablo, tontão.
– Com licença, amador – tirou o jogo da sacola que levara os filmes, pois sabia que o amigo não tinha e queria jogar.
– Caralho, Hakuren! Cê tem Diablo e nem me disse, seu mixê de esquina!
– Nem lembrava que tinha esse jogo. – riu, olhando para o filme eperguntando-se se faltava muito para acabar. Já assistira aquele filme inúmeras vezes e preferia zerar Diablo II pela segunda vez do que rever seu final.
– Esperar acabar de cu é rola. – levantou-se, tomando o jogo das mãos de Hakuren e desligando a televisão – Pai, a gente vai subir!
– Mas estou quase terminando!
– Diablo, pai, Diablo!
Fea não se preocupou em perguntar o que o filho quis dizer assim como Teito não quis esperar o pai, subindo para seu quarto com Hakuren em seu encalço. Porém, fora uma viagem perdida, pois em quinze minutos Fea os chamou para almoçar.
Se perguntados, os três diriam que para aquele ser considerado um almoço em família, somente o laço sanguíneo faltaria. Tinham o amor e a amizade, era o que era importante naquela hora para os três.
– Só faltou o Mika. – disseram Teito e Hakuren juntos, rindo logo após.
– Chame-o para jantarmos, Teito, como fazíamos em outrora – sugeriu Fea – E Hakuren, está mais do que convidado.
– Obrigado, Seu Fea – Hakuren passou a chamá-lo assim, como Teito às vezes se referia a ele, o que não teve objeção nenhuma por parte de ninguém. – Vocês podem ir lá em casa para conhecer o pessoal também, seria uma honra.
– Tendo aquele rocambole maroto que você falou que sua irmã faz, tá ótimo.
– Só ir, ela faz direto.
– Falando nisso, pai! – disse Teito, com um olhar animado e infantil. –Podemos ir acampar? Como a gente fazia com o Mika há muuuuito tempo?
– Brilhante, filho – concordou. – Só precisará de um saco de dormir a mais agora. – piscou para Hakuren e Teito aquiesceu animadamente.
– Não seja por isso! Você tem, não tem, Haku?
– Tenho, só preciso achar.
Marcando um zilhão de coisas para fazerem em algum futuro incerto, continuaram o almoço. Contaram a Hakuren o que faziam nessas reuniões, com Mikage sempre presente, com Teito aumentando as histórias num nível não normal para uma pessoa sóbria. Mas Hakuren simplesmente deu corda, querendo ver até onde a criatividade do autor e de seu filho chegariam.
– Conte-o daquela vez em que fomos para os Alpes, Teito!
– Grande Itália! – concordou, há muito com o almoço já terminado. – Hakuren, véi, a gente tava tipo esquiando né, na mó de boa, aí deu aquela cansada e a gente resolveu descansar numa caverna, aí...
– Caverna?
– Sim.
– Nos Alpes?
– Nos próprios.
– Ok.
– Aí, a gente ascendeu uma fogueira marota pro lugar ficar grande e iluminado, mas véi, Hakuren, véi. – ele parou e respirou fundo. – Ah, não, pai, não vou conseguir contar o resto, é adrenalina demais pros meus pulmões fracos.
– Tentarei contar sem tantos nés, aís e véis. – com a elegância de sempre, riu para seu filho e voltou sua atenção a Hakuren. – A caverna era serpenteada por túneis e, como Teito e Mikage eram jovens e curiosos na época, quiseram explorar cada um deles.
– Mas no último, Hakuren, no último você não sabe o que a gente achou!
– No último túnel, uma bola de pelos repousava tranquilamente. Inicialmente, não entendemos o que era, mas quando chegamos mais perto...
– ...Ele acordou e raaaaawr, nos atacou com aquelas garras gigantes!
– Era um legítimo Pé Grande dos Alpes! – completou Fea. – Mostre, Teito, vamos!
– Já que insiste, querido pai. – Teito levantou a blusa e mostrou uma cicatriz na barriga. – Fui o único marcado naquela noite de terror, ainda tenho pesadelos.
– Wow! – Hakuren, que observou a cicatriz e se perguntou onde Teito havia conseguido-a realmente, resolveu entrar no clima, acreditando piamente em cada palavra. – Mas como vocês fugiram?!
– Ah, fomos muito espertos naquele dia. – disse Teito. – Com a melhor corrida da minha vida, chegando na borda da caverna e, consequentemente, do penhasco de quase oitenta metros de altura, usamos nosso equipamento especial para fugas.
– Que era...?
– Asa delta! – responderam Teito e Fea juntos, como se já tivessem ensaiado aquele discurso milhares de vezes.
– Perfurando as nuvens, voamos até chegar em terra firme. – disse Fea. – Porém, Mikage teve que segurar-se em minhas pernas para conseguir fugir, pois não conseguira usar sua asa delta.
– E, pode perguntá-lo, querida loira, ele tem até hoje trauma de altura por causa disso!
Hakuren ainda dera muita corda para os dois, que inventaram histórias ainda mais mirabolantes, que deixaria qualquer Harry Potter parecendo um simples colegial suburbano. Coisas a respeito até da pobre da companhia espacial NASA, onde eles afirmavam com todas as letras que fora ela quem dera o acelerador de partículas para bolso para que eles pudessem escapar por um buraco negro de um alienígena africano de um olho só*.
– Olha, cara, basta pedir que eles dão! – explicou Teito, como se fosse tão simples quanto física quântica. – Quer dizer, não é todo mundo que vai na NASA pedir coisa, né? Então quem vai, eles dão na mó boa vontade.
– Claro, como eu pude ser tão tolo?
No fim, as ideias acabaram e os dois resolveram subir para jogar. Teito denunciara seu pai, que estava criando histórias boas demais para que ele pudesse acompanhar, e preferiu ver uma história já criada, mas que ele pudesse interagir do mesmo jeito. RPG não era a oitava maravilha do mundo?
O tempo passou, as brincadeiras continuaram, as conversas também, porém com algumas interrupções por causa do jogo, mas os dois estavam lá, firme e forte na companhia um do outro.
Porém Teito não conseguia mais disfarçar, resolveu abrir o jogo e perguntar o que estava entalado em sua garganta desde que Hakuren chegara ali.
– Você quer saber, não quer? – pausou o jogo e olhou sério para o amigo. Hakuren, de início, achou que fosse só mais uma brincadeira e não entendeu de primeira. Mas foi só olhar nos olhos de seu amigo que soube na hora do que ele estava falando.
– Eu acho que... Já sei, Teito.
Teito suspirou e foi para o sofá, saindo do chão: – É, parece que essa praga é mais forte que eu, então.
– Praga...?
– Olha, Hakuren. Eu vou te contar, mas, por favor, não vá embora.
– Relaxa, Tei – franziu o cenho, perguntando-se se ele realmente achava que deixariam de ser amigos por aquilo. Sim, sabia o que Teito tinha, desconfiava do porquê dele se cortar, mas queria ouvir com suas palavras. Só que, sendo o que fosse, eles não deixariam de ser amigos.
– Eu... – respirou fundo, se encolhendo no sofá e não querendo ter que admitir aquilo em voz alta pela segunda vez na sua vida. – Não sinto atração por, sabe, meninas. – Hakuren engoliu em seco, era estranho ouvir aquele tipo de coisa da boca de um garoto, mas deixou o amigo continuar. – Nunca senti.
– Acho que...
– Não, pera. – pediu. – Você não sabe como é difícil, pra mim, admitir isso. Minha vida toda eu tentei negar, entende? Mas meu corpo simplesmente não responde.
– Você já ficou com meninas?
– Já, claro que já. A partir dos meus treze anos eu me tornei o maior galinha de todos os tempos. – riu, mas era um riso triste, que fez Hakuren fazer uma expressão de pura pena. – E claro que não aceitava que não era aquilo que realmente me dava prazer. Até que um dia... Num belo dia de verão... Maldito dia...
Teito parou de contar e engoliu um possível choro, com um olhar tão vago que parecia atravessar as paredes, como se ele estivesse muito, muito longe dali.
– Eu estava no vestiário do clube – começou. – Estava me trocando, estava sozinho porque não queria ter que ver... Nenhum homem naqueles estados. Então, o Hyuuga apareceu por lá. Ele estudou comigo desde a sétima série. Estávamos conversando de boa, até que ele disse que já notou como eu olhava para os meninos, como eu ficava em vestiários cheios e que eu não precisava negar nada pra ele. Fiquei puto naquela hora, mas ele me agarrou e, bem, me forçou a fazer sexo com ele.
– O que?! – exclamou, interrompendo a narração sem emoção exceto pelo amargor nas palavras de seu amigo. Nunca tinha ouvido falar de casos de estupros em meninos e saber que seu amigo já havia sofrido algo assim era mais do que chocante.
– Não, não forçou não. Não forçou porque eu gostei da forma como ele me tocou, eu deixei ele fazer o que quisesse comigo. Não queria parar de tocá-lo também. Era tão diferente, Haku... Ele não era macio e delicado, não tinha peitos e nem cabelos longos. Pelo contrário, o Hyuuga sempre foi um símbolo da testosterona, me tratou como um homem naquele dia. E então, me comeu. – suspirou novamente, negando levemente com a cabeça. – Nunca me senti tão humilhado. Eu era a droga de uma mulherzinha naquela hora, fui tratado com um desses viadinhos irritantes. Mas o que mais me humilhou, foi meu corpo reagindo de forma positiva a cada estimulada, eu gostei, Hakuren. Eu sou um lixo, cara.
– Mas e esse cara, onde é que ele tá? – perguntou, ficando agora com raiva do amigo por ter gostado daquela nojeira e daquele tal de Hyuuga por ter feito o que fez. Talvez Teito ainda fosse normal se não fosse por ele!
– Ah, o Hyuuga deve estar estudando em alguma escola de baixo nível. – riu sem achar a menor graça em nada. – Nunca mais o vi depois daquele dia.
– Mas eu vo...
– E depois daquele dia... – interrompeu o amigo, mesmo que sem notar. – Eu também não fui mais o mesmo. Após muitos meses, tive que admitir que era aquele tipo de coisa que me apetecia. Mas eu não consigo aceitar, Hakuren, eu sinto tanta raiva de mim mesmo, do meu corpo, do meu pau que sobe pelas coisas erradas. É tão frustrante...!
– Teito, sai dessa, cara. Se você detesta tanto assim, você deve conseguir sentir atração por garotas, nem que um pouco.
– E você acha que eu já não pensei nisso? – perguntou. – Já pensei em ficar com cada garota daquela escola. Mas aí, acontece o que aconteceu na praia. Mal percebi e meu corpo já tinha reagido.
– E se você pensasse em uma garota bem gata quando tivesse tendo esses... Desejos?
– Eu broxo, Hakuren.
– Então!
– Você não entendeu? Eu broxo porque não gosto.
– Mas é melhor do que ficar desejando um cara, não é?
– Não é como se eu conseguisse controlar, caralho! – gritou, assustando um pouco aos dois. Era frustrante não conseguir controlar as emoções a respeito desse assunto para Teito, sempre acabava gritando com alguém – Mikage – quando se tratava desse tipo de coisa. – Desculpa, cara, é que tá foda.
– Você acha que eu poderia te ajudar? – perguntou, após fazer um movimento com as mãos como se dissesse que não fora nada.
– Claro, se você for hétero mesmo.
– Ei, eu sou! – exclamou, meio inconformado.
– Nunca sentiu nenhum desejo com caras?
– Não, cara, para com isso. – negou, o olhando como se ele estivesse maluco. Como assim ter desejo por homens? – Sou homem de verdade.
– Então, me ensina. – pediu, após um longo suspiro pelo comentário do amigo. – O que você sente quando pensa nelas?
Hakuren, de início, não soube como responder. Mas então, achou a oportunidade perfeita para tentar “consertar” o amigo.
– Acho que se ela tem peitões, a primeira coisa que eu penso é em apertá-los. – disse, fazendo um movimento com as mãos como se demonstrasse como apertaria.
– Certo... – confirmou meio incerto, fechou os olhos e tentou imaginar alguma garota com peitos grandes que já havia ficado. Ficou levemente irritado quando notou que nunca apertara os peitos de Isabelle, uma garota bem “farta” que ficara há alguns anos. Lembrou-se vagamente que havia terminado com ela quando se pegou desejando seu irmão gêmeo, Pierre.
– Tá, agora imagina que ela tem uma bunda grande também. – continuou, empolgado que talvez pudesse fazê-lo desejar realmente alguma menina. – Cara, imagina ela tipo rebolando bem gostoso em você.
Teito corou um pouco. Mas fez o que o amigo pediu e imaginou uma garota peituda e bunduda rebolando em seu colo. Aparentemente, funcionou muito bem. Sorriu ao imaginar-se apertando seus seios e senti-la estimulá-lo como o amigo disse, ficando excitado na hora.
– Isso aí, cara. – disse, um pouco constrangido por estar fazendo-o se excitar e, de certa forma, estar lhe dando prazer. – Agora imagine cabelos longos pra não dar pra confundir, né. – disse, esquecendo-se momentaneamente que seus cabelos também eram longos. – Pra você segurar e puxar e tudo o mais.
Mas talvez se ele tivesse pulado essa parte, tivesse funcionado bem. Só talvez. Porque, assim que Teito imaginou os cabelos longos da garota, os cabelos do amigo lhe vieram à mente e a situação toda se transformou. Quem estava em seu colo não era Isabelle, mas um Hakuren corado e nu, rebolando e gemendo. Os cabelos longos lhe caíam soltos pelas costas, deixando-o mais sexy, na fantasia que Teito estava tendo.
– Imagine você comendo, Teito. – corou um pouco por estar usando essas palavras pra poder descrever as situações que ele queria que Teito imaginasse, mas procurou pensar que ele não ligava para esse tipo de vocabulário. – E não sendo co-comido.
Bola fora, Hakuren, bola fora. Teito sentiu todo seu desejo ir parar no meio de suas pernas, observando um Hakuren submisso embaixo de si enquanto o penetrava e, indo um pouco mais além, o beijava. Ah, aqueles eram lábios tão macios e deliciosos, estava sentindo tanto desejo...
Hakuren não se impediu de sorrir ao ver a expressão de Teito, era de puro deleite e prazer. Não quis, mas ousou olhar para baixo e viu o tamanho do volume que ele detinha, acreditando ter feito um bom trabalho.
Deixou-o fantasiar por alguns momentos, imaginando em que etapa ele e sua garota imaginária estariam na fantasia. Nesse meio tempo, bolou coisas bem “héteras” para fazerem, que envolvia baladas, pornografia, boates de qualquer tipo. Estava se sentindo um senpai, feliz por poder estar ajudando Teito também.
Teito não aguentou e teve que tocar-se, colocando a mão por cima da calça e fazendo uma massagem sôfrega enquanto transava com um Hakuren imaginário. Soltou um gemido baixo.
– Teito...? – perguntou, incerto. Estranhou quando o amigo abriu os olhos e o encarou com uma expressão assustada e culpada. Levantou-se depressa e foi para o banheiro em sua suíte se aliviar antes que deixasse alguma coisa constrangedora escapar.
Querendo mais cortar-se da forma mais dolorosa possível, mas não tendo material, concentrou-se em se livrar daquela ereção. Não se impediu ao pensar em Hakuren, continuando a ter a fantasia de antes. Sabia que não devia, mas o que fazer? Precisava terminar aquilo logo.
Hakuren ficou no sofá, perguntando-se por que Teito o olhara daquele jeito espantado. Teria tudo dado assim tão certo? Era melhor que tivesse dado, mas se não, tinha outros métodos.
Em alguns minutos, Teito apareceu na porta do banheiro com a expressão mais culpada que Hakuren havia visto. Perguntou o que aconteceu assim que ele fez menção de sair sem lhe dizer nada, segurando-o pelo braço.
– Aconteceu você, Hakuren. – disse, com uma brutalidade que Hakuren não esperava. – Aconteceu você na minha fantasia, porra!
E assim, saiu de seu quarto e desceu as escadas, encontrando seu pai no sofá escrevendo com a tevê ligada em algum filme. Não se conteve ao se aninhar em seus braços, impedindo-o de escrever. Fea apenas riu, pois não vira a expressão chateada do filho. Se acomodaram numa posição em que Fea podia escrever e Teito conseguia ficar em seus braços.
Hakuren, que não entendera nada, desceu atrás dele, o encontrando com Fea, que o convidou para assistirem filme juntos. Olhou para Teito e viu que ele estava com uma expressão irritada e chateada, mas não ousou falar nada.
“Aconteceu você na minha fantasia”.
Então... É isso? Hakuren pede para ele imaginar uma garota peituda e é nele que ele pensa? É pensando nele que ele geme e tem fantasias? Que... Se masturba?
Foi impossível conter a repulsa na hora, querendo sair daquela casa naquele instante. Mas sabia que o magoaria, pois ficaria mais do que óbvio o motivo. Então, forçando sua mente a pensar em qualquer outra coisa, ficou lá por mais algum tempo.
Mas Teito não estava nem mesmo lembrando-se que o amigo estava ali, mais chateado consigo mesmo. Estava tendo um progresso tão bom por excitar-se ao pensar numa menina, por que raios Hakuren foi aparecer no meio e estragar tudo? Justo quando ele se abriu e contou sobre a parte mais obscura de seu passado para o menino, já tremendo de medo que ele não quisesse mais ser seu amigo, ele vai lá e...
Um saco, somente. Não estava aguentando de raiva, vergonha, chateação, constrangimento... Por pouco não gemera o nome dele! O que faria se Hakuren resolvesse ir embora e nunca mais falasse consigo por causa disso? Não, não, se ele fosse embora seria só porque Teito não estava lhe dando atenção. Ele até ficara por bastante tempo.
Porém, sem trocar um só olhar.
– Teito. – até que resolveu fazer alguma coisa. – Eu tô indo.
– Ok. – o olhou e disse, sabendo que seria egoísmo pedir para que ele ficasse. – Vou abrir a porta.
Os dois se levantaram, Hakuren se despediu de Fea assim como faria normalmente e seguiram para a porta. Teito a abriu e, saindo, Hakuren virou-se. Os dois se encararam por alguns segundos.
– Teito...
– Hakuren...
Chamaram na mesma hora, corando após.
– Pode falar.
– Não, fala você.
– Olha, cara... – começou Teito. – Eu sei que aquilo foi nojento. Mas eu não consigo me controlar, às vezes.
– Relaxa. – falou automaticamente, sem olhá-lo nos olhos. Não queria explicações sobre o acontecido. Sabia que havia sido nojento, não precisava que Teito lhe contasse. Conteve um suspiro impaciente enquanto Teito procurava novas palavras.
– Olha, eu disse o que disse porque confio em você, ok? Não quero que se afaste, Haku. – disse, fazendo Hakuren olhá-lo nos olhos novamente. – Prometo me controlar, não vai acontecer de novo. Mas eu... Sabe, eu te considero como o Mika agora. Não quero que me largue por causa... De tudo isso. – fez um gesto com as mãos, apontando para si mesmo e sua casa também, completando com o olhar que sabia que seu mundo era complicado, mas não queria que ele desistisse dele. – Sei que é foda ser amigo de alguém como eu, mas eu... Gosto da nossa amizade, não quero que acabe porque eu sou a droga de um viadinho enrustido.
– Relaxa, cara. – repetiu, dessa vez o olhando nos olhos, o que deu a Teito um fio de esperança.
Sentiu remorso naquela hora por ter ficado com raiva de Teito. Como ter raiva de um garoto que precisava tanto de ajuda quanto ele? Teito precisava de Hakuren e Hakuren precisava ajudá-lo; era simples assim. E ele faria o possível para não deixá-lo sozinho em seu mundo obscuro. O amigo estava precisando de uma luz e faria o possível para sê-la.
– Não vamos deixar de ser amigos por isso, não é mesmo? Fora que eu sou um ótimo heterizador, logo logo nada disso vai acontecer.
– Promete que vai me mudar?
Teito temia a resposta, como ela seria dada. Mas vira um brilho diferente nos olhos daquele loiro, um brilho que o fazia querer confiar e depositar suas esperanças nele, que seria ele quem o salvaria. Queria tanto acreditar naquilo.
– Eu prometo. – confirmou, botando todas as fichas em suas capacidades nunca testadas, mas mudaria aquele baixinho. O mudaria, o faria se aceitar e ser alguém melhor. Eles eram amigos, melhores amigos. E não desistiria dele nunca.
E era um juramento.
Notas finais
Depois das palavras animadoras da minha marida, estou melhor e empolgada de novo ç~sgl~fdkg
Adoro implicar com nome de filme, notaram né f~çlsjd
* Ah, e a parada do alienígena africano não é só dorgas, eu vi uma matéria acho que no ATAH.TIAMAT sobre eles, agora não lembro se eles tinham um olho só ou uma perna só -q Aí, acho que combinou com a história de retardados do Teito e do Fea -q
Bem, e sobre a "garota perfeita" que o Hakuren falou pro Teito imaginar lá em cima, relevem. Convenhamos, é assim que seus amigos pensam. Na verdade, fiz essa cena perguntando para um amigo meu como ele "heterizaria" um homossexual. Mas eu e meu amigo concordamos que isso é lorota, toda garota é bonita do seu jeito e, acreditem quando eu digo: _sempre_ vai haver alguém que vai gostar de você e do seu corpo exatamente como é. /lovemachine the helper -n/ Sei lá, só detesto preconceito, então é bom deixar claro isso aqui.
Bem, taí. Espero que estejam gostando n_n E não se esqueçam de deixar review, sei que dá 1 preguiiiiça, mas façam isso para o bem... Tá, para o meu bem -QQ
Até semana que vem, lindosss ♥
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