Homophobie

1 Kapitel Eins - Fiasko oder Schicksal?


Notas iniciais
HEY OH, LETS GO~ não resisti, sorry -Q

Não morri, aqui estou com mais yaoi pra vocês~ ♥ Espero que gostem desse novo projeto~!

Boa leitura~

Por mais que o tempo estivesse frio e cinzento, aquela era a melhor época do ano para os alunos daquela escola de classe alta. Estudavam num bairro que fora pensado em cima do outono vermelho e laranja da Alemanha, na famosa Praça da Cruz Vermelha.

Lá fora podiam ver e ouvir as folhas farfalhando, as castanhas caindo com violência no chão, o alaranjado das folhas subirem pela construção antiga do colégio em trepadeiras extensas. Tudo combinava e ficava incrivelmente belo naquele lugar, no outono.

Porém, tanto amor acabou irritando um garotinho esquentado, nosso Teito Klein, que sentou ao lado do aquecedor, que já fora ligado. Não sei bem o que aconteceu com a direção da escola, o que sei é que a diretora ouviu boatos de que logo nevaria, então o ligou numa temperatura alta para o outono.

Bem, acho que apenas por essa notícia estranha de neve em pleno mês de setembro que a nossa trama teve início. E por quê? Porque o garoto detestava calor e altas temperaturas. Na verdade, ele não gostava era de ter que tirar sua blusa.

Ah, não, não pensem que ele era um daqueles adolescentes problemáticos que detestavam o próprio corpo. Ok, ele era um adolescente problemático, mas até que gostava de seu físico. Era magrelinho e sem definição, mas, por mais que isso soasse estranho, ele achava mais fácil ter um metabolismo acelerado e não ter que se preocupar com o peso.

Mas sua falta de peso não era nem de longe relacionada a seu metabolismo, tinha a ver mesmo era com o fato de ele não poder tirar a blusa de manga. Explicarei esse fato mais tarde, por hora fiquemos com a situação em que ele se meteu assim que ele tirou o blusão.

– Na boa, Teito – começou seu fiel amigo. Digo fiel porque eles se conhecem desde os cinco anos de idade, desde que Mikage se mudou para Hamburgo, a cidade em questão. Quase quinze anos de amizade, minha gente! – Para com isso, cara.

– Não enche.

– É sério, babaca. Cê acha que isso não faz mal pra sua saúde? – perguntou, segurando um dos braços de Teito e analisando os ferimentos que ele tinha – A namorada do Castor pegou amebiose bacteriana fazendo isso, seu trouxa.

– Não me compara com uma garota, caralho! – se exaltou, puxando o braço e recolocando o casaco, uma vez que a blusa fina que usava por baixo não foi o suficiente para os olhos de falcão de seu querido amigo – E eu sei limpar isso direito, não sou retardado.

– Ah, tô vendo que sabe. Consegui ver até a ferrugem da sua faquinha daqui – comentou, realmente irritado com o amigo. Ele fazia isso há pouco mais de três anos e o motivo era o que mais frustrava Mikage. Mas não vou falar sobre isso na perspectiva do Mikage senão vocês não entendem o real significado do porquê de Teito se cortar constantemente.

– Se fode – murmurou, tirando um caderno de dentro da bolsa e escrevendo qualquer coisa. Ainda pôde ouvir seu amigo falando sobre cortes e experiências passadas que tinha certeza que ele estava inventando, afinal o conhecia desde criança.

Tinha uma aptidão genética para escrita, adorava poemas e poesias. Odiava o que os escrever representava e o que neles escrevia, mas não conseguia se controlar em momentos de estresse como aqueles. Era como sua droga. Seu sonho era escrever algum poema sobre uma menina e entregar para ela, então eles se apaixonariam e se casariam. Mas quanta inocência.

Os dois amigos passaram a se ignorar mutuamente. Só o que não sabiam, era que outro garoto os observava. Viu desde os cortes de Teito até a hora que Mikage desistiu da conversa infrutífera. Imaginou por que aquele garoto se cortava.

Se cortar. Essa simples frase lhe dava arrepios e lhe trazia péssimas memórias. Memórias sombrias de um tempo em que achava que essa era a solução para seus problemas, que fazer isso o livraria de suas dores mais profundas. Ah, doce inocência que assolava a mente de tantos jovens.

A primeira coisa que o loiro – que se chamava Hakuren Oak, por via das dúvidas – pensou, foi que precisava ajudar aquele menino, já que seu amigo não o fazia propriamente. Precisava se aproximar dele, de alguma forma se tornar seu amigo, descobrir a causa de seus problemas e exterminá-la. Quem sabe não conseguia? Era isso o que mais pedia quando costumava se cortar: um amigo para lhe livrar daquele vício.

Tinha uma ótima vantagem, pois era novo na escola. Era o primeiro dia de seu ano letivo, assim como o de todos ali. Tinha mudado de cidade; seus pais decidiram ir morar no litoral, naquela cidade pacata, porém bela. Estava gostando de sua vida ali, mas ainda não conhecia nada muito bem. Uma ótima desculpa para falar com Teito.

Interrompendo seus pensamentos, o professor entrou na sala. Era um velhinho corcunda, com uma feição amigável. Ele se apresentou como prof. Mirok e, por bons minutos, apenas falou sobre a escola e sobre o que ensinaria. Típico de primeiros dias de aula.

– Parece simpático – comentou sem muito interesse, mais para si mesmo. Mas acabou sendo alto o suficiente para Mikage, que ficava na sua diagonal, do lado de Teito, escutar e virar para si, sorrindo.

– Só parece, viu. Esse é o que mais passa lição de casa, um inferno – riu baixinho e Hakuren o acompanhou, pensando que não era bem com ele que queria fazer amizade, mas seria ótimo se aproximar de um dos amigos de Teito. E o garoto tinha uma risada tão contagiante que não se conteve em dar o melhor de si em ser simpático também.

– Ouvi falar que vocês do litoral que são moles.

– Veremos daqui a alguns dias – riu, virando-se para frente quando o professor parou de falar e imaginou que fosse por sua causa, mas felizmente não era – Você não é daqui, né? – perguntou despreocupadamente, sem nem o olhar.

– Nah, venho lá da pequepê – respondeu, dando de ombros – Como se chama?

– Mikage Celestine e você?

– Hakuren Oak – bateram as mãos sem fazer muito barulho e riram.

– Esse aqui é o Teito – deu um tapa na cabeça do amigo, fazendo Hakuren rir.

– E aí, véi – Teito também bateu na mão de Hakuren de leve e virou-se de lado, apoiando-se na parede, podendo olhar para Hakuren e Mikage – Teito Klein, a seu dispor.

– Sabe que essa frase é extremamente irônica pro seu tamanho, não sabe?

– Sabe que eu posso entortar suas orelhas até ficarem iguais a um elfo, não sabe?

– To vendo que vocês vão ser ótimos amigos – Mikage ironizou, revirando os olhos e tacando uma borracha comida em Teito.

– Os três aí atrás, por favor. – professor Mirok, que é de matemática, só pra constar, pediu, os olhando reprovador.

– Mas e aí – Teito recomeçou, cochichando – Vem da onde?

– Munique.

– Oktoberfest! – exclamou – Como é?

– Nunca foram?

– Não! O pai do Teito falou que ia levar a gente no ano retrasado, mas tamo esperando até hoje – Mikage disse, jogando a mesma borracha comida em Teito novamente. Era quase um hobby fazer aquilo.

– Ah, meu pai tá num projeto grande agora, não dá pra ele simplesmente parar no meio – comentou, meio desapontado.

– O que ele faz? – perguntou Hakuren, concentrando-se em Teito, imaginando se seria um problema familiar o que levou a cortar-se.

– Ele é escritor – sorriu, iluminando tudo ao redor, fazendo Hakuren descartar na hora a hipótese de que problemas com seu pai fossem o motivo – Escreve fantasia, é o melhor dessa era! Ele ainda vai fazer muito sucesso!

– Confere? – perguntou a Mikage, impedindo-se de não acompanhar o sorriso iluminado de Teito.

– Confere!

– Então espero que todos no mundo conheçam seus livros! Vou querer lê-los, viu? – sorriu com carinho para o orgulho que Teito provavelmente sentia da profissão de seu pai.

– Valeu, cara. Meu pai é foda demais, cê precisa conhecer ele.

– Quem sabe né – riu e parou de falar definitivamente quando prof. Mirok os olhou feio pela terceira vez.

Não se falaram mais quando a aula do prof. Mirok acabou, pois o próximo que entrou foi um tal de Ayanami. Ele ensinava alemão, era o cara mais chato e rigoroso do mundo. Não deixava o pessoal nem mesmo olhar para o lado.

Hakuren, não querendo arriscar sua reputação, que sempre fora impecável em todas as instituições que frequentara, não ousou conversar com os dois a sua frente, que também não puxaram mais conversa.

A terceira aula foi uma professora hippie, meio avoada. Ela se chamava Chiara e dava aulas de história. Ninguém se intimidou, mas também não mais conversaram porque ela era tão doida que logo de cara propôs um jogo para que todos se apresentassem. Consistia em desenhar no ar um objeto que representasse sua personalidade e então deixar que a sala adivinhasse o que era e depois por que representava aquilo. Quando acertassem, diziam seu nome e idade.

Não demorou muito porque quase todo mundo ali se conhecia, então podiam adivinhar com mais facilidade. Mas rendeu uma boa conversa entre Teito e Hakuren mais tarde, uma vez que o objeto que Teito escolheu foi um anel e todo mundo logo disse “Senhor dos Anéis!” – que ambos adoravam – mas não acertaram o motivo.

– Gente, é tão simples – disse Mikage, que já sabia o que amigo ia falar, e a professora pediu para Teito falar o porquê, depois que as adivinhações passaram para o lado pejorativo, se é que me entendem.

– O anel me representa porque eu sou precioso, seus patos! – explicou, fazendo um movimento com as mãos enquanto todo mundo ria – Teito Klein, 17 anos.

Comentários da classe a parte – digamos apenas que não só uma borracha comida foi jogada nele – passemos para Mikage, que escolheu um raio.

– It’s time for the ray! – foi só o que disse. Teito revirou os olhos e Hakuren se perguntou o que raios (sem trocadilho) aquilo significava – Mikage Celestine, 18 anos.

E por último, Hakuren escolheu uma bola – na visão de todos. Ninguém acertou novamente, apenas o pessoal do Borussia (Dortmund) ficou vaiando, dizendo que era repetido.

– A esfera me representa porque vou realizar todos os meus desejos – piscou pra ninguém em especial e o pessoal riu, sem realmente entender, mas os que entenderam, também jogaram borrachas e bolinhas de papel nele – Hakuren Oak, 18 anos.

Eles esperaram os últimos alunos terminarem, sempre rindo horrores com os trocadilhos que faziam. Quando o jogo, enfim, acabou, faltavam poucos minutos para o final da aula e a professora os liberou para o intervalo.

Hakuren guardou seu material, tomando cuidado para não amassar os livros que recebera. Levantou-se, visando chamar Teito e Mikage para saírem, mas não foi o que aconteceu; não havia mais ninguém naqueles dois lugares. Os procurou com o olhar, mas foi obrigado a constatar, tristemente, que eles não o esperaram.

Não fez mais questão de descer para o intervalo, ficou lá apenas ouvindo música e meditando sobre a conversa que tiveram, se dissera algo errado. Bom, era seu primeiro dia ali, não é como se os três fossem se tornar amigos logo de cara, não é?

Não comeu nada, não fez nada. Apenas sentou em sua cadeira e até mesmo adormeceu por alguns instantes, mas o sinal lhe acordou. Observou os primeiros alunos chegarem e resolveu já tirar suas coisas da mochila, imaginando que matéria teria agora. Detestava usar cadernos de várias matérias, mas era sua única opção naquela hora.

Viu Teito e Mikage chegarem e fingiu estar concentrado em seu caderno. Não queria olhá-los e sorrir como se nada tivesse acontecido. Não que estivesse chateado, só queria evitar uma possível situação constrangedora. Mas não fora necessário...

– Pô, véi, cê ficou o intervalo todo aqui? – perguntou Mikage, apoiando-se na mesa ao lado de Hakuren, que não era a sua.

– É, me empolguei com meu iPod, sabe como é né.

– A gente ficou te procurando igual tonto pra nada, então? – perguntou Teito, sentando na sua mesa.

– Ah, foi mal, vocês já tinham saído quando eu...

– Ah, vai tomar no cu.

– Mas e aí, ficou ouvindo o que? – perguntou Mikage, jogando uma ponta de lápis que achou em cima da mesa em Teito, mais para calá-lo do que para irritá-lo.

– Conhecem Korpiklaani? – perguntou, já tirando seu iPod do bolso da calça, agora contente por saber que não fora, de fato, abandonado.

– Não.

– Sim!

Disseram Mikage e Teito, respectivamente.

– Cê curte metal nórdico? – perguntou Teito segurando o iPod de Hakuren para confirmar se ele estava mesmo ouvindo a banda finlandesa – Olha, Mika, desculpa, mas seu cargo de melhor amigo foi tomado por ele nesse exato momento.

–Eu tava rezando por isso, babaca – jogou dessa vez uma folha de papel amassada remanescente da brincadeira da professora Chiara – Ser seu melhor amigo dá mó trampo.

– Então, tchau, vou ficar aqui trocando figurinhas com essa loira – virou-se completamente para Hakuren, que apenas riu da infantilidade dos dois.

Na verdade, estranhou um pouco. De onde viera, todos eram muito polidos, quase nunca se xingavam ou falavam palavrão. Sim, todo e qualquer amigo se zoa, mas para Hakuren as brincadeiras daqueles dois eram novidade.

Não soube bem como se portar quando Mikage realmente saiu dali e foi conversar com outro grupo de pessoas, enquanto Teito dedicou sua total atenção para ele. Ficava repetindo para si mesmo que tudo o que ele falasse era pra levar na esportiva, mas por sorte o moreno não o tratava como tratava seu velho amigo. Tiveram uma conversa até amigável sobre as bandas nórdicas que gostavam, pelo menos até o professor chegar. Basicamente descobriu que Teito gostava de bandas mais pesadas, enquanto ele era mais tranquilo.

As aulas passaram num piscar de olhos. Os três não conversaram muito mais, mas Hakuren quase suspirou aliviado ao ver Mikage falando normalmente com Teito. Por um segundo, imaginou que ele realmente tivesse ficado magoado, mas era só o jeito que eles interagiam entre si.

No final das aulas, os dois esperaram Hakuren – fazendo algumas piadas sobre ele ser lerdo – e saíram da escola juntos. Ficaram meio indecisos sobre o que fazer com ele, não sabiam se já tinham intimidade ou se ainda estavam construindo uma amizade, por isso não o convidaram para tomarem café.

– Então, até amanhã – sorriu constrangido e fez menção de virar-se, apenas para os dois verem que sua casa era para o lado oposto.

– Ah, falou, se cuida – disse Mikage e Teito apenas acenou, puxando o amigo para a direção que iriam.

Andaram alguns metros e chegaram ao seu habitual Café, um dos melhores lugares pra chocolate quente na redondeza, segundo Teito. Acomodaram-se na mesa de sempre, perto da janela e pediram um cappuccino e uma xícara de chocolate quente, e torta.

– Parece ser legal, o Oak.

– É... Ele só é meio caladão, cê não acha não? – perguntou Teito, brincando com sua xícara de chocolate, não querendo tomar enquanto a torta não chegasse.

– Deve ser porque ele é de Munique – deu de ombros – Mas ele é novo, daqui a pouco se solta.

– É, a gente podia convidar ele pra jogar qualquer dia – propôs, lembrando-se de que ele gostava de bandas nórdicas, assim como ele, e que Mikage não as suportava – E cara, ele curte metal nórdico, tomar no cu, já tem todo o meu respeito.

– Você se vende muito fácil, Teito.

– Não enche.

A tarde passou para os três muito rapidamente. Mikage e Teito ficaram jogando conversa fora enquanto passeavam pela cidade, só por diversão mesmo, sem destino. Logo já era de noite e precisaram pegar alguns metrôs para chegar em casa, mas como não moravam muito perto, logo se separaram. Já Hakuren, ainda sem muito que fazer na nova cidade, apenas dormiu a tarde inteira.

De noite, fizeram suas lições e ainda conseguiram tempo para jogar vídeo game. É... Os três tinham muita coisa em comum. Mais uma particularidade era que ficaram ansiosos pelo dia seguinte na escola só para conversarem mais.


— Na boa, Hakuren, cê é muito pato, véi – Teito disse, ainda rindo por ele ter derrubado toda sua bandeja de comida que pegara na cantina.

- Você podia me ajudar ao invés de ficar rindo, né, queridão? – perguntou, irritado porque a escola inteira estava olhando para si – a maioria rindo. Mikage o ajudou enquanto Teito continuou rindo as tripas, sempre delicado.

No dia anterior, os três se falaram como se conhecessem há eras. Nosso querido inseguro em relação as suas amizades, Hakuren Oak, não sabia bem se falaria com eles como bons amigos quando os visse novamente no dia seguinte, estava até mesmo um tanto nervoso antes dos dois chegarem.

Mas seu coração aqueceu quando eles apareceram já o cumprimentando, batendo na sua mão como se fossem velhos conhecidos. Conversaram o dia inteiro, inclusive no intervalo, rendendo uma ou duas broncas dos professores, mas nem ligaram; a desculpa era que ainda era o segundo dia de aula e que nem estavam indo “a sério” pra escola.

Os dois até o convidaram para jogar vídeo game na casa de Teito, que era a mais perto da escola, mas justamente nessa hora o pai de Hakuren ligou, pedindo para ajudá-lo a carregar alguns móveis. Lembrando que ele tinha se mudado para Hamburgo há pouco tempo, pouco mais de um mês, então ainda tinham alguns móveis para arrumar.

Então, a quarta-feira chegou, com todo seu glamour de meio de semana, mas até que foi divertida para os três. Já se consideravam amigos, Hakuren foi se sentindo cada vez mais incluído entre eles, não mais um bico intrometido – que foi como se sentiu quando foi abandonado no primeiro dia.

- Só de raiva vou comer do seu – disse, após jogar a comida pisada e espatifada no lixo e sentar ao lado do moreno.

- Bem feito, panaca – riu Mikage, jogando um brócolis em Teito, que ficou preso em seu cabelo.

- Na boa, Mikage, qual é a sua de ficar jogando coisa em mim? – perguntou, pois nunca se acostumaria com a mania que o amigo tinha desde... Bem, desde muito tempo – Porra, velho – acrescentou baixinho, tirando o brócolis de seu cabelo e querendo fazê-lo comer, mas desistiu quando lembrou-se que estavam sentados num muro e pra cair seria daqui pra ali.

- Vocês só brigam, credo – comentou Hakuren, pegando a bandeja de Teito para si. Ele apenas o olhou irritado, mas não fez nada – Não sei como se aguentam.

- Eu não aguento ninguém – disse Mikage, levantando as mãos – Ele que me segue.

- Você me ama, Mikage, nem vem com essa – acabou jogando o brócolis nele, que só riu e jogou o bendito pra trás do muro, onde era só mato mesmo. Adubo, sabe?

- Quero ver se eu vou aguentá-los...

O dia passou monótono como sempre, afinal, estavam na escola. Outra coisa em comum: Detestavam a escola. Mas acho que isso eles tinham em comum com metade da população mundial, né não?

- Liberdade! – gritou Teito quando o sinal tocou, fazendo o professor Mirok olhá-lo feio, mas não o repreendeu porque sabia que ele tinha muita lição de casa para se considerar “livre”.

- E aí, o que querem fazer hoje? – perguntou Mikage, que já havia levantado e guardado seu material. Dos três, era o que mais gostava de sair, nem que seja só pra ficar vadiando sem fazer nada em especial.

- Ah, sei lá, escolhe aí.

- Vocês poderiam... – começou Hakuren, timidamente – Não sei, talvez me mostrar a cidade? Sabe, cheguei faz pouco tempo, então eu...

- Opa, claro, bora lá – concordou Mikage, interrompendo-o e puxando-o pela mão quando terminou de guardar seu material. Os dois foram em direção a porta e deixaram Teito para trás – o que o irritou muito, diga-se de passagem.

- Dá pra esperar, seus porra? – gritou, correndo para acompanhá-los. Chegou no meio de uma conversa sobre praia, o que lhe gelou no fundo da alma – Mikage, tá pensando em levá-lo pra praia?

- O que? Não, né, tontão.

- Por quê? – perguntou Hakuren inocentemente, olhando de um para o outro buscando respostas. Ué, que mal tinha a praia numa cidade litorânea? Mesmo que estivesse um pouco frio, praia é sempre legal.

- Calada, loira – disse Teito, abraçando os dois pelos ombros e os arrastando para fora da escola – Mikage conhece cada canto dessa cidade, sabia? Leva a gente pro melhor deles, Mika.

- Sim, senhor – revirou os olhos e tirou o braço de Teito de cima de si, só para poder empurrá-lo. Ficaram se empurrando até chegarem ao final do corredor e Hakuren se interpor entre os dois, bagunçando os cabelos pretos e loiros ao mesmo tempo.

Mikage foi tagarelando com Teito sobre onde o levariam primeiro. Concordaram que precisavam mostrar dois clubes que os dois sempre iam e alguns bairros legais, mas por hora resolveram ir num café com decoração psicodélica bem interessante.

– Mas que lugar doido – comentou Hakuren, ficando enjoado com o tanto de xadrez que havia ali.


Tudo era xadrez, desde a toalha das mesas, as paredes, móveis, até os uniformes e objetos de decoração. Teito explicou que o café na verdade funcionava melhor como clube, mas eles tinham o melhor apfelstrudel da região, então tinham que levá-lo lá.

– Mas e aí, por que resolveu sair da Bavária? – perguntou Teito, fazendo um barulho engraçado enquanto bebia seu milkshake, o que fez Mikage cutucá-lo para parar, mas ele não deu a mínima.

– Ah, o emprego do meu pai o transferiu, sabe como é – comentou, sem querer falar sobre sua vida particular. Não que não confiasse nos garotos, era só que não gostava e ponto final – E vocês, sempre moraram aqui?

– Minha família se mudou pra cá quando eu tinha cinco anos – respondeu Mikage – Porque queriam mudar os ares, algo assim.

– Entendi – falou só para não dizer nada após ele explicar, pois na mesma hora o strudel de maçã deles chegou, o que fez os olhos de Teito brilharem.

Bem, como diz o mestre Tolkien, os momentos bons e felizes ninguém se importa em narrar detalhadamente, com todos os diálogos e brincadeiras. Agora, as aventuras, perigos e esforços, esses são os primeiros a disporem da total atenção do autor.

Mas como essa não é uma história de aventura, passemos minha total atenção ao drama da trama. Eu diria que os meninos se divertiram nesse dia. Mikage e Teito realmente conheciam toda a cidade, mostraram lugares que fizeram os olhinhos de Hakuren brilharem. Clubes, lojas, galerias e um museu. Disseram que bolariam um cronograma mais cultural para outro dia.

Descobriram muitos gostos em comum. Mikage e Hakuren adoravam animes e coisas asiáticas, eram dois típicos otakinhos. Teito também gostava, mas não era viciado como os dois, assistira muitos animes com Mikage, mas nem a metade do que ele já havia visto.

Em compensação, ele e Hakuren adoravam tudo o que era relacionado à Europa nórdica, desde a mitologia e os vikings às bandas e idiomas. Teito até o pediu para se matricular no curso de finlandês que fazia, mas foi surpreendido quando ele falou que já era fluente naquele idioma, pois sua família por parte de mãe tinha ascendência escandinava. Digamos apenas que Teito passou a reverenciá-lo como divindade a partir daí.

Tinham muito em comum, na questão dos gostos, mas a personalidade deles não batia muito. Enquanto Hakuren era calmo e polido, Teito era irritado e falava muito palavrão. Já Mikage era mais tranquilo, mas talvez a convivência com Teito o tivesse feito ficar... Hm, como não insultar meu protagonista baixinho? Falastrão? Acho que sim, Mikage ficara falastrão após 13 anos de convivência com Teito.

Mas talvez isso que tivesse feito os três se darem tão bem, o contraste das personalidades. Hakuren se constrangia fácil com os dois, enquanto eles se divertiam zoando o jeitão tímido do loiro, que no fim se divertia bastante também.

Agora que vocês já sabem como foi a tarde deles e como eles estavam se dando, vamos à praia!

– Cês tão de sacanagem, né?

Sim, à praia. Hakuren disse que queria ir, esquecendo-se momentaneamente que Teito não gostava de lá. E Mikage apenas concordou, querendo irritar o amigo. Bem, ele sabia que dificilmente alguém estaria lá com esse tempo frio, então não viu mal em levá-los.

– Ave, por quê? Quase não tem ninguém lá com esse frio – disse Mikage, que sabia bem os motivos do amigo.

– Como se você não soubesse daqueles babacas daqueles surfistas – murmurou, agora apenas acompanhando os amigos, não mais indo alegremente na frente dos dois, mostrando cada casinha da cidade para Hakuren.

– O que tem as pessoas da praia, Teito? – Hakuren perguntou, o olhando confuso e não entendo absolutamente nada. Será que o baixinho tinha alguma rixa com gangues... Da praia? Milhares de suposições passaram pela mente do nosso querido recém-chegado-não-sabe-de-nada Hakuren Oak.

– Não é nada, é só que... – Mikage o olhou em expectativa, imaginando se o amigo falaria mesmo qual era seu problema – Ah, deixa.

– Vai, fala, o que tem a praia? – perguntou, olhando automaticamente para o lado quando Mikage apontou para o mar, que já dava para ser visto da rua em que estavam.

Hakuren se apaixonou por aquela imensidão azul assim que lhe botou os olhos. Se Teito e Mikage nunca haviam ido para a Oktoberfest, algo tão comum para ele, ele nunca tinha ido à praia, ordinária para os garotos; não podiam culpá-los.

– Podemos entrar? – perguntou com os olhinhos brilhando olhando para Mikage, sabia que Teito negaria de qualquer jeito. Não conseguiu mais tirar os olhos das ondas batendo contra a areia, o horizonte sem fim sempre se movendo contra a luz alaranjada do sol; tudo pra ele era novo e incrível.

– Não, não podemos!

– Qual é, Teito.

– Mikage – Teito o olhou, dessa vez com um leve desespero. Olhou para Hakuren, que ainda observava a praia com admiração, então olhou para o melhor amigo novamente, esperando que ele entendesse que não queria que o loiro soubesse seus motivos. Não ainda. – Por favor?

Mikage suspirou profundamente, derrotado. Sabia que não podia traí-lo desse jeito. Hakuren poderia voltar outra hora, afinal. Teve que segurar a barra pelo amigo.

– Ok, vambora, tá ficando tarde e a maré sobe daqui a pouco – disse e Hakuren o olhou indignado. Mas conteve-se ao olhar a expressão dos dois amigos, um suplicante e o outro pedindo compreensão, e, seguindo a boa educação e bom senso que sempre teve, concordou meio chateado.

– Ok... Posso voltar outro dia, não é?

– Prometo que te trago aqui amanhã mesmo – sorriu Mikage e bagunçou os longos cabelos louros do menino.

– Valeu – agradeceu, sorrindo ainda meio abatido, mas sabia que não poderia forçar seu mais novo amigo a fazer algo que não queria.

– Vamos pra casa, então? – perguntou Teito, após um longo olhar a um surfista que passava inocentemente pela rua, um olhar quase de ódio que deixou Hakuren ainda mais curioso.

– Bora – os dois concordaram e deram de ombros, seguindo em direção ao metrô, que era mais próximo que o ponto de ônibus.

No caminho de volta para casa, Hakuren não perguntou o porquê de Teito não gostar de ir à praia, conteve-se, perguntaria depois para Mikage ou, simplesmente, deixaria o amigo falar quando se sentisse mais à vontade. Mas não conseguia deixar a curiosidade de lado.

– Eu desço aqui, falou aí – disse Mikage, bateu na mão dos amigos e desceu numa estação que Hakuren não prestou atenção, só o que sabia era que estava longe de casa.

Os outros dois moravam perto um do outro, por isso tiveram mais tempo para conversar. Hakuren percebeu que Teito ficara um pouco abatido com a situação toda e não deixou de pensar que era por culpa sua, o que lhe deixou com um peso na consciência inimaginável. Talvez pudesse fazer algo a respeito...

Naquele dia, quando chegou em casa, nem se importou com a bronca de seu pai. Estava mais preocupado em relaxar em sua cama, após um banho longo e quente. Sentia-se feliz pelo dia que tivera ao lado de seus amigos. Podia considerá-los assim, não podia? Bem, ele já os considerava.

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Adormeceu com um sorriso no rosto, uma pitada de curiosidade na mente e dores por todo o corpo por ter andado tanto, mas feliz, afinal de contas.

Tão diferente da situação de um garoto a poucas esquinas de sua casa...

Fora dormir com cortes por todo o braço e machucados ainda sangrando nas coxas, que sabia que o faria ter dificuldade para andar no dia seguinte. Sentia-se culpado por estragar o passeio dos amigos por um motivo tão bobo, mas que lhe enfurecia tanto. E por isso precisava se punir, sim, precisava causar o máximo de dor em si mesmo quanto podia.

Ele era uma vergonha, uma escória da sociedade. Gente como ele devia mesmo era morrer e passar o resto da existência no inferno, deformados e pecadores.

Dois mundos completamente diferentes, que de alguma forma conseguiram se chocar naquela cidadezinha litorânea.

Desastre ou destino?


Notas finais
E aí, o que acharam? É estranho começar uma história sem que tenha aquelas paradas de prólogo e epílogo, mas assim é mais direto, não é? Gostaram do começo? p(>3<)q

Deixa eu ir logo avisando: Nunca fui para Hamburgo, não faço a mínima ideia de como é lá. O que eu fiz foi baseado em algumas pesquisas, mas inventei bastante coisa pra história, então se quiserem podem até ver como uma cidade fictícia. Tirando o bar xadrez, que realmente existe só que aqui em SP x3

FOI TÃO DIFÍCIL ESCREVER EM TERCEIRA PESSOA POR TANTO TEMPO ;A; Pra quem não sabe, eu prefiro 8495834 vezes escrever em primeira pessoa, é sempre um desafio quando escrevo em terceira, então imagina 12 capítulos? ;A; Me digam, ficou ruim? Tentei começar uma nova forma de narrar, mas não sei se ficou bom, então por favor me deem uma luz!

Desculpem os palavrões, mas eu basicamente me inspirei no meu dia a dia escolar, então era impossível conter as gírias, palavrões, "toques"... E também cito algumas bandas e tal, sei que é meio chato, mas faz parte do dia a dia né ): Espero que não se importem n_n

Tá, chega de falar. A história já está pronta e não pretendo adicionar mais nenhum capítulo, então vejo vocês sexta que vem sem falta! Pros mais antigos, isso lembra alguma coisa? x3 Bem, obrigada por lerem e, por favoooooor, deixem review falando o que acharam, primeiro capítulo é barra, né minha gente?

Beijos, até semana que vem!