Arseni nunca se imaginou um atleta. Em seus anos de Koldovstoretz, ele mal conseguia montar nas árvores, que sempre pareciam pesadas demais para levantar voo. Ele odiava as folhas voando em sua direção. Odiava ter que desviar de folhas e de bolas. Quadribol nas vassouras parecia tão mais fácil, ele pensava. Mas era uma tradição jogá-lo montado em árvores, e a escola não permitia que a quebrassem. Ele tentou ser artilheiro da casa em que estava na escola. Não funcionou, tinha pouca força. Então o colocaram no gol e no início ele era ruim, muito ruim, mas depois de um tempo, aprendeu a ser ágil e eles venceram alguns jogos.

Ele abandonou o time no sexto ano de escola. Não conseguia mais se focar no esporte. Tinha testes mais difíceis nas disciplinas que cursava, além de toda a história com Matviei tê-lo deixado deprimido.

Quando se mudou para a Inglaterra e foi chamado para a Academia, ele pensou que seria uma boa ideia jogar no time da escola. Suas circunstâncias pouco tinham mudado, é claro, e ainda tinha o empecilho da lua cheia, mas ele pensou que seria uma boa atividade extracurricular, especialmente porque o goleiro predecessor a ele tinha se formado no ano anterior. O time aceitou Arseni sem demora.

Quadribol em vassouras é de fato mais fácil. Ele consegue ser mais ágil e protege os aros com mais facilidade. Mas sempre se machuca nos treinos, uma vez que a goles muitas vezes lhe acertam as costelas. Ele não pensou nesse detalhe: sem as copas das árvores, seu corpo fica mais vulnerável. Não são poucas as visitas que faz ao hospital, especialmente quando treina depois da lua cheia. Ninguém na Academia sabe de seu segredo.

Ele torce para os Goblins da Polônia, mas não de maneira fervorosa. Gosta de acompanhar os campeonatos europeus, mas não se importa se o time não ganha – ao menos é o que diz aos outros, mas, na verdade, ele sente uma queimação no âmago quando seu time perde. Mas ele também sabe que não escolheu um bom time pelo qual torcer.