Naruto não sabia dizer como se sentia. Em menos de meia hora perdeu tudo o que demorou anos para construir, foi humilhado, teve sua privacidade exposta, foi acusado de manipular e usar o corpo para chegar na posição que estava.

Quando assinou os papeis, pensou que odiaria Sasuke por tudo o que tinha acontecido, mas não conseguia, não tinha energia e disposição o suficiente para odiá-lo. Se ele e Danzou preferiam a falta de ética, não poderia fazer nada.

Tudo era um jogo, ele não sabia as regras e perdeu.

Naruto tentou sair sem fazer cerimônias, sem se exaltar ou chamar mais atenção a si mesmo do que o necessário.

Porém, quando percebeu quase um mês havia se passado e eles se encontraram novamente.

Sasuke a princípio, não se lembrava do casamento de Karin, não é como se ele não se importasse com um momento tão importante para ela, mas é que sua mente pensava em tudo menos nisso.

Era sempre em Naruto. Só lembrou que a ruiva se casaria quando ela ligou para ele perguntando se ainda iria depois de tudo o que aconteceu, já que Naruto estaria no casamento.

Ele estaria lá. Esse foi um dos motivos principais para estar sentado em um banco de madeira esperando Karin entrar pelas enormes portas daquela igreja, atrasada de propósito, porque gosta de fazer cena.

Naruto estava em um dos bancos da frente, do mesmo lado que ele, acompanhado de Kushina e Nagato, que conversavam alegremente. Pelo que ele ficou sabendo por algumas pessoas, Nagato estava namorando.

Essa distância entre os dois, onde era fácil para um não saber da presença do outro, continuou até que a cerimônia acabasse.

Karin chegou com exatos 30 minutos de atraso, Suigetsu chorou (se não chorasse é provável que ela desse meia volta), Minato entrou com ela, o homem mantinha o rosto sério, mas se dissessem qualquer coisa ele desabava de chorar, todos sabiam.

Então veio a festa. Música, bebida, gente reunida dançando mal com níveis altos de álcool no corpo e, o mais importante, uma oportunidade para falar com Naruto.

Ele não estava envolvido na comemoração familiar, estava sentado sozinho na mesa, com uma taça de champanhe e um pedaço de bolo intocado.

Sasuke não perder a oportunidade de se aproximar e obviamente foi rapidamente notado pelo loiro vestido de vermelho.

— Sasuke, não quero falar com você. Me deixe sozinho.

— Naruto... — Ele implorou. — Por favor.

— Está implorando o que?

— Que não me mande embora, que me escute.

— Ainda tem algo mais que precisa falar? Achei que já tivéssemos esclarecido nossas últimas questões mês passado.

Se pudesse voltar no tempo, ao invés de bater em Danzou, teria o matado.

— Eu... Naruto, eu não queria que tivesse sido desse jeito.

— É Sasuke, mas foi. — Olhando para ele, o homem que desejou por tanto tempo, depois de ter exposto de uma forma tão vulgar por uma pessoa que nunca havia visto na vida, de perder tudo o que tinha, não conseguiu evitar as lágrimas que vieram aos olhos, uma após a outra, rolando por seu rosto. — Você fez a única coisa que eu pensei que não teria coragem de fazer, Sasuke... eu achei que seria capaz de perdoar qualquer coisa que você fizesse, porque eu tinha fé em você, porque eu amava você...

— Não me ama mais?

Os olhos azuis que antes olhavam para os próprios pés voltaram a encara-lo, tristes, sem mais ódio, apenas melancólicos, decepcionados.

— Do que adianta amar alguém que nunca vai ser capaz de te amar de volta?

— Mas eu... merda, eu te amo desde a época que estagiávamos juntos, quando brigávamos sobre qualquer besteira, eu saí do estágio porque não sabia lidar com o fato de estar apaixonado por você.

Então como um passe de mágica, as lágrimas se transformam em risos. O coração de Naruto doía, ele se sentia tão mal. Não estava cansado de vê-lo se lamentar? Precisava de mais?

— Então no final é verdade o que todos falam? Sasuke Uchiha é um homem desprezível?

— Por favor, não faça isso comigo, Naruto, meu amor, não me odeie. — Uma lágrima solitária rolou por seu rosto, de puro desespero. — Eu não vou saber o que fazer se me odiar, não sei o que vou fazer se decidir que nunca mais quer me ver.

— E o que eu vou fazer? O que eu vou fazer, Sasuke? Continuar sentado esperando você querer me ver? Aceitar que me ama, mas me trata como seu pior inimigo? Não sou feito de ferro, não posso ser dobrado a sua vontade, não é justo o que faz comigo.

— Não disse que era justo.

— Mas insiste que eu aceite as coisas do jeito que estão.

— Eu só queria fazer alguma coisa por você...

— Você não fez porra nenhuma por mim. Você está aqui, zombando da minha cara, quando só ganhou nessa história, você ganha desde o dia em que nos conhecemos, mas eu ainda insisto em te escutar, com meu coração exposto, como a minha intimidade exibida como se fossem malditas provas de um crime, sabe por quê? Porque eu amo você, por causa disso achei que você não seria capaz de ser o homem que estampa as revistas. Deveria mesmo te agradecer?

— Você fala assim, mas não sabe o desespero que eu senti quando te vi no meu primeiro dia aqui. Quando percebi que estava se matando.

— O que? Eu... eu estou bem, seu idiota.

— Bem? Naruto a quanto tempo você não saí do escritório e vai ao menos almoçar? Você mal dorme, não come direito, vive trancado dentro daquele prédio tem 3 malditos anos, acha que ninguém percebeu? Que sua mãe, que a Sakura, Karin e eu não ficamos preocupados? Quando te vi só consegui pensar que se não fizesse nada você ia acabar morrendo.

— Então tudo isso foi resultado da sua preocupação? Há, imagina se você realmente me odiasse!

— Naruto entenda de uma vez, eu não planejei isso! Não era para o Danzou participar dessa reunião! Eu fui sozinho e ia fazer aquilo sozinho, não tinha ideia de que ele estava trabalhando nisso pelas minhas costas.

— E como você quer que eu acredite nisso? Quando tudo aponta que você é um canalha?

— É — Ele ri. — Eu sei que tudo indica que eu sou um canalha.

— Então por que está rindo?

— Porque Itachi estava certo, você realmente não tem uma visão muito boa de mim.

— Você me deu a oportunidade de ter qualquer outra visão sobre você?

— Não, exatamente por isso que ele está certo, porque eu preferi me fazer de cego e surdo para tudo o que diziam de mim ao invés de contestar as mentiras, mas não me importo com o que as outras pessoas pensam, o que acreditam que eu faço, a única vez que eu desejei ter aberto a boca para contar a verdade foi com você.

— Quando percebeu que seu barquinho estava afundando? Só aí você chegou a cogitar a ideia de me contar a verdade?

— Não, meu amor, não. Eu quero te contar a verdade a muito mais tempo.

— Então por que apenas não contou?

— Porque pensei que você não acreditaria.

— E o que o faz pensar que agora, depois de tudo o que aconteceu, eu vou acreditar?

— Eu não acho que você vá acreditar, mas mesmo que você não acredite, é melhor desaparecer da sua vida sabendo que consegui te dizer a verdade.

As mãos do dois permaneceram entrelaçadas o tempo todo, mesmo que Naruto estivesse chateado, mesmo que Sasuke não acreditasse que pudesse ser perdoado e que nunca conseguiria conquistar a única coisa que desejava. Mesmo assim eles se recusavam a abandonar um ao outro, por isso Naruto escutou atentamente cada coisinha que Sasuke tinha para lhe dizer.

Cada detalhe sobre seu noivado fracassado e as mentiras contadas sobre ter traído a Hikari, que ele não estava em uma festa bebendo e dando uma de doido, que não ficou com Ino Yamanaka muito menos com o marido dela, Sai. Ele tinha saído com Suigetsu para tentar comemorar o noivado dele com Karin, mas encontraram com o casal e decidiram curtir juntos.

Esse era só um dos vários maus entendidos, mas entre eles haviam verdades, como o histórico de humilhações nas negociações, Sasuke disse que conforme foi crescendo, foi algo que perdeu o controle, pessoas como Danzou, sujos e cheios de mau-caratismo, cresceram a sua sombra, agindo dessa forma agora pelas suas costas.

E, mesmo que não quisesse, Naruto acreditou em cada uma das coisas que escutava porque, querendo ou não, era o que esperava ouvir durante 3 anos.

Quando Sasuke terminou de falar, o silêncio perdurou de novo. Durante 2, 3, 10 minutos antes de Naruto o rompesse.

— Eu acredito em você.

Quando aquelas poucas palavras saíram da boca de Naruto, Sasuke pensou por um momento que estava preso dentro de um de seus sonhos, mas parecia irrealista demais até para eles, porque sempre que dormia, sempre que Naruto aparecia em seus sonhos, era o rejeitando.

Mas não, contra todas as suas expectativas, ele acreditava na sua história. Acreditava que não era um idiota completo, que não queria humilhá-lo, que, em partes, não é um canalha.

— Então... eu... — Naruto sorri e aperta mais suas mãos contra as dele.

— Vamos curtir a festa, Sasuke, temos todo o tempo do mundo para decidir o que vamos fazer depois.

Sasuke também não conseguiu evitar sorrir ao beijar os nós dos dedos do Uzumaki, concordando com ele. Estava certo, tinham todo tempo do mundo agora que as coisas estavam esclarecidas, o que quer que tenham para resolver agora, podem fazer a qualquer momento.

Afinal, Sasuke está em uma viagem de negócios sem data de retorno.

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