Homem de Metal
1 Revolução
Notas iniciais
Espero que gostem e por favor deixe sua opinião!
Vida simples que se fala né? enfim, pra esses modismos da vida eu pouco ligo, afinal eles ocupam demais a mente das pessoas com o que pouco importa. Alguns pensam que eu sou tolo e deveria me soltar mais, mas a verdade é que eu não me encaixo nos padrões, não consigo viver nesse mundo totalmente desestruturado de uma forma como se tudo estivesse bem, vivemos uma crise e se as pessoas não derem mais atenção a isso, que é o que realmente importa, as coisas irão apenas piorar.
Meu nome é Enzo, tenho 23 anos e sou apenas um homem responsável com ideais revolucionários, possuo cabelos castanhos, olhos pretos e uma estatura bem comum.
Acabo de sair do trabalho e sigo em um ônibus até um museu de arte, minha cabeça está encostada levemente na janela e minhas mãos apoiadas no banco da frente, o ônibus está relativamente vazio, coisa até estranha no Brasil hoje em dia. Enquanto admiro os lugares por onde passo, recebendo em meu rosto uma leve brisa do vento, acompanhando de um prazeroso banho de sol, era uma cena perfeita para um fim de tarde.
Em meu lugar muitos estariam indo pra casa, indo ver a namorada ou indo praticar alguma forma de lazer, mas só que eu busco encher minha mente de coisas boas, interessantes, coisas que fortalecem o meu consciente e o meu subconsciente, parece tolo mas tenho uma ideia de revolução na minha cabeça e da forma que eu vivo parece até que isso tem que partir de mim.
Logo chego ao museu, recém aberto aqui em São Paulo, queria ter vindo antes mas tinha outras ocupações que me impediram.
Assim que eu entro logo me encanto, os pisos são bastantes brilhantes, o teto completamente de vidro, cheio de belos lustres, sem falar na quantidade de obras magnificas que preenchiam o local. Logo me interesso bastante por uma delas, parecia uma espécie de guerreiro com armadura no corpo cheio de sangue, empunhando uma espada. O lance é que a pintura foi feita de uma forma manchada, o que a deixou bastante interessante.
— Perfeito não é? — Diz um homem aparentemente velho que encosta de repente do meu lado.
— É magnifico. mas não sei se chega a perfeição. — Rebato analisando a fisionomia do homem.
O homem dá um leve sorriso ficando cabisbaixo, meio que reprovando a minha opinião.
— Esse é o cavaleiro branco. Segundo a história ele era um bastardo rejeitado pelos próprios companheiros por conta de sua compaixão para com os inimigos e por sua forma diferente de ver o mundo.
— Forma diferente? — Questiono
— Sim, ele não matava seus inimigos por achar que todos os seres tinham um proposito no nosso mundo, e que a morte era um fluxo que muitas vezes impedia isso. — Ao contar passamos a admirar a obra por alguns segundos. — De fato era um idiota, mas um grande guerreiro.
Fiquei admirado com a história daquela bela arte que parei para admirar, de fato foi o destino que me fez ficar de cara com ela.
— E o senhor quem é?
— Eric, doutor Eric. — Respondeu-me estendendo a mão. Achei um pouco arrogante da parte dele se apresentar com doutor, independente de ser um ou não, mas mesmo assim apertei sua mão, ele parecia um homem interessante.
— Me chamo Enzo, Enzo Avila.
— Se interessa por arte Enzo?
— Apenas me interesso por tudo que é diferente, gosto dessas ideias de revolução.
Por algum motivo Eric passa a olhar para mim admirado por alguns segundos, logo ele tira da mão um cartão pessoal e me entrega.
— Amanhã vai ter uma conferencia no laboratório em que eu trabalho, lá tem bastantes coisas diferentes, talvez te interesse, se quiser aparecer.
Ao me entregar o cartão logo ele se despediu e seguiu admirando outras obras pelo museu, foi bem estranho ele ser tão breve mas o convite dele parecia interessante e gostei da informação que ele me passou sobre o quadro.
Segui minha expedição pelo museu até que chegou a hora de eu ir embora, sem me dar conta já tinha anoitecido e do museu para minha casa era um pouco longe, sem falar que chovia muito.
Dia seguinte. 9 horas da manhã
Eu trabalhava numa empresa de vendas por telefone, basicamente eu vendia coisas pelo telefone, era um emprego bem chato mas levava pouco tempo do meu dia e eu recebia uma renda instável. O melhor de trabalhar lá era a convivência com o Deivid, um cara bem animado, meu melhor amigo e também o fato de eu ver a Rebeka todo dia, a única mulher que me dava algum tipo de atenção nessa misera vida que eu levo.
Hoje as vendas estavão fracas, eu ainda não tinha recebido nenhuma ligação, e estava bastante sonolento em minha mesa, de repente sinto uma mão tocar meu ombro, ao me virar percebo que era o Deivid.
— Iai cara. — Diz Deivid com animação de sempre
— Iai.. — Respondi com uma voz de sono
— Nossa cara, você ta morto.
— Pois é, ontem cheguei em casa tarde, mal dormi
— Chegou tarde? Vai me dizer que finalmente foi para uma noitada? — Brinca Deivid apertando com força e empalmando meus ombros.
— Não, não, ontem eu fui num museu longe de casa e sai de la tarde. — Respondi acompanhado de um leve gole de café.
— Ata, eu já iria te matar se você fosse farrear sem mim. — Disse Deivid finalmente soltando meus ombros. — Bom cara acho tenho que ir, parece que a Rebeka ta vindo em sua direção.
— O que? — Fiquei meio nervoso ao ouvir "Rebeka", de fato eu ficava meio nervoso sempre que conversava com ela, não sei o que era mas eu sempre ficava bastante quente perto dela.
— Aqui Enzo, o Otávio mandou te entregar isso. — Diz Rebeka estendendo a mão com alguns papéis.
— Certo, Obrigado. — Respondi aparentando meio nervosismo.
Rebeka sempre achava aquilo estranho e ficava com um olhar de interrogação em cima de mim.
— Parece que a noitada ontem foi boa hein
— No..i...ta.., não, não, é que eu não dormir bem essa noite.
— Sei. — Diz Rebeka, me olhando desconfiada. — Sábado a galera da empresa vai jantar junto naquele restaurante japonês, para se despedir antes do feriado, o Deivid vai, quero ver sua desculpa.
— Ah, é que, eu acho que vou ter que.. — logo sou interrompido pela Rebeka
— Eu não aceito não como resposta, quero te ver lá. — Após o convite meio forçado ela se retira.
Era estranho pra mim, ao mesmo tempo que eu não queria ir, eu queria. Saber que a Rebeka iria e queria que eu fosse era animador, mas eu não era muito acostumado com esse tipo de situação.
Fiquei pensando nisso no resto do plantão e logo deu a hora de eu ir embora. Já meio dia e meia e eu sentia que estava esquecendo alguma coisa.
— Enzo, me espera! — Ouço uma voz familiar me gritar. Ao me virar vejo que era Deivid, só podia, afinal eu não tinha muitos conhecidos.
— Bora no shopping comigo, tenho muito que comprar umas roupas cara, tô precisando. — Convida-me Deivid.
Logo me lembro do convite que o Doutor Eric tinha me feito um dia antes, e não estava muito interessado em ir ver o Deivid comprar roupas, apesar de ele ser meu amigo, logo preferir ir para a conferencia pela qual eu tinha sido convidado, seria muito mais interessante.
Fiquei sem jeito para rejeita o pedido do Deivid, mas ele até que entendeu bem e decidiu ir comigo, o que eu não sei se era algo bom ou ruim. Eu iria de ônibus, mas como estou com ele decidimos rachar um táxi para chegar mais rápido, já que o lugar não era muito longe.
O local da conferencia era magnifico, era um prédio com bastantes andares, todo de vidros espelhados, com uma sigla bem grande no centro: LPT.
Assim que descemos do carro Deivid se mostrou super impressionado, parecia uma criança vendo algo interessante. Logo adentramos o local, apresentei o cartão que eu recebi do Doutor Eric a um segurança e já estava rolando uma espécie de expedição pelo laboratório, apresentando tudo que se tinha por lá, a quantidade de pessoas era mínima, tinha-se apenas umas dez pessoas no local, parecia que aquela expedição era uma coisa apenas para vips ou talvez poucas pessoas tenham se interessado em ir.
O laboratório parecia ser de transmutação, pois eram apenas disso que eles falavam, células misturadas com isso e aquilo, animais geneticamente alterados e etc. Era coisa de cinema aquele laboratório, e se eu já estava impressionado imagine o Deivid, que arregalava mais os olhos a cada desviada que ele dava.
Ao fim da expedição o Doutor Eric levou todos para uma sala pequena, com uma maquina estranha no centro e outras ferramentas cientificas ao redor. De repente um telão se abre ao canto da sala, onde o Doutor Eric se encontra ao lado.
— A transmutação vem sendo muito estudada no nosso país ao longo dos anos, e chegamos a um novo estágio recentemente. A transmutação em humanos. Essa transmutação que desenvolvemos está sendo atualmente regida pela O.D.red, que é uma organização de revolução e discernimento militar. A ideia é unir moléculas do metal, com moléculas do ferro do corpo humano e com moléculas de DNA, fazendo com que a resistência dos soldados aumentem em até 10 a 20 vezes mais, é uma ideia inovadora.
— E acham mesmo que isso pode dar certo? — Questiono ao Doutor, quebrando o silêncio entre os telespectadores da palestras, todos passam a olhar para mim.
— As moléculas já foram testadas varias vezes e deu certo, só não foi aplicada diretamente em corpos humanos, por falta de voluntários. Mas as chances de dar certo são muito grandes.
Após as palavras do Doutor começo a caminhar para frente e todos seguem a me olhar com uma cara de espanto. Logo chego perto do Doutor, fico a uns 10 passos dele.
— Disse que não foi aplicada em humanos. Então vamos, teste em mim.
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