Homem Puro, Homem Santo
2 Ela
Notas iniciais
O olhei com desejo, não com o desejo carnal, entre dois seres que se amam, mas com um desejo de corrompê-lo. O pobre mortal, entretanto, me cobiçava como um cego almeja a luz, como um tolo em busca do verdadeiro amor.
Homem puro... homem santo... Não existe tal coisa nesse mundo. Eu o via desesperado a me possuir e ria as suas custas, queria fazê-lo acreditar que aquilo tudo era um jogo, queria mostrá-lo minha crueldade para com a raça humana, porém, ninguém me avisara sobre a ingenuidade dos homens.
Quanto mais meu riso se alastrava pelo quarto dos sonhos mais o mortal acreditava em meu desejo carnal para com ele e facilitava meu trabalho. Por um momento, parei e o fitei, em minha mente eterna uma faísca de consciência e indagação. Estariam todos os homens da Terra tão corrompidos ao ponto de enxergarem apenas a sua própria luxúria?
A brincadeira perde a graça, então, questionamentos não devem ser feitos, especialmente pelo diabo. O corpo afeminado e curvilíneo onde me encontro sente dores, muda de forma para expressar a perda de identidade, mas não me importo, não tenho motivos para isso.
Quando ele termina com o recipiente, eu o mato. Um deslize da lâmina no pescoço acaba com a vida do homem logo após eu o corromper, consigo ouvir os gritos de súplica dele ecoando no fogo.
A dor alastrando no corpo patético e frágil dele enche-me de prazer, sopra nova energia para dentro de mim. Cada grito um sorriso, cada lágrima uma garrafa cara de uísque, sorte a minha o diabo não ficar bêbado.
Adotar este corpo feminino por um tempo não me parece uma ideia tão horrível, ele me parece útil o suficiente para mantê-lo por perto, talvez o atendente do bar se interesse.
Fale com o autor