Homem-Formiga: Operação O'Grady

2 Heróis, mercenários e ovos


Notas iniciais
Encerrando a história com os capítulos 3, 4, 5 e epílogo.

Capítulo 3

Aquela tarde fora sufocante, tanto para Scott quanto para Bill. Ele estava passando por um treinamento intensivo com o uniforme do Homem-Formiga. Por que ele não pensara nessa possibilidade antes de aceitar? Esse era um dos dilemas enfrentados por Scott no momento. Ele estava realmente pensando na possibilidade de processar Pym por não alertá-lo de efeitos colaterais de suas partículas, como dores corporais e tontura. Mas era bobagem.

Ao final da tarde, Bill finalmente dera alguns minutos de descanso para Scott, alegando que tinha que fazer os preparativos para a fase final do treinamento. Ele deixara que Scott fosse para a cafeteria do outro lado da rua. Lá embaixo, uma surpresa aguardava Scott: Hope Pym estava na cafeteria. Ela levantou a mão aberta para ele ao vê-lo de longe, encenando um aceno.

— Senhorita Pym? Que surpresa.

Ela forçou o sorriso, da mesma forma que fizera da última vez que se viram.

— Olá, Scott. Vim aqui para saber sobre seu treinamento.

O tom de Hope mudou no final da frase, deixando uma mensagem clara para Scott: foram ordens do pai dela.

— Você lembra do meu nome. Que surpresa.

Hope revirou os olhos.

— Podemos voltar para o laboratório? — ela perguntou, ríspida.

— O prédio é todo seu. Literalmente.

Dando de ombros, Hope se levantou e arrumou o terno.

— Vou pagar meu café. Fique por aqui.

Scott seguiu Hope com os olhos. Ela era bonita, e mais jovem do que parecia quando falava. Era estranho que Scott viesse a pensar nisso, vista a forma como ela o tratava. Mas talvez fosse justamente isso que o atraía.

Quando Hope voltou, flagrou Scott a observando.

— Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou.

— Não — ele respondeu, constrangido. — Estava apenas pensando.

Apesar de estranhar aquela resposta, Hope não deu prosseguimento ao assunto, talvez com medo da resposta que poderia ter.

— Bom, vamos — ela chamou.

Lang se levantou e a seguiu para o prédio do outro lado da rua. Lá dentro, tentou iniciar uma conversa enquanto entravam no elevador e subiam.

— Posso te fazer uma pergunta?

Hope revirou os olhos.

— Tenho opção? Seja rápido.

— Você queria ser escolhida, não queria?

A pergunta a pegou de surpresa. Hope olhou para Scott com um misto de surpresa e apreensão estampado em sua face.

— Não entendi o que você quis dizer — ela disse, em uma última tentativa de se esquivar.

­— Você queria que seu pai escolhesse você para ser a sucessora. Você queria ser a Vespa.

Engolindo em seco, Hope tentou usar da irritação.

— Isso é uma pergunta? Me parece que está fazendo uma afirmação sem base.

— Não, agora eu vejo. É por isso que está me tratando tão mal. Está com inveja, porque queria estar no meu lugar.

O que aconteceu em seguida foi surpreendente para ambos. Hope agarrou o braço de Scott e o pressionou contra a parede com força.

— Você não tem o direito de falar sobre mim, está me entendendo? Se voltar a me atacar com suas acusações, temo que seu tempo como Homem-Formiga estará acabado.

Scott ficou boquiaberto, sem palavras.

— Caramba, você sabe lutar!

— Cinco anos de Krav Maga na melhor academia do país.

Ela parou por um momento e o encarou. Em seguida, roubou-lhe um beijo. Para sua surpresa, Scott retribuiu e a puxou para mais perto. E a inocência que a princípio havia deu lugar a fome e selvageria, como se ambos precisassem daquilo.

E a fome e a selvageria deram lugar ao constrangimento no momento em que a porta se abriu e Bill Foster os viu. Foster estava usando um uniforme de herói com as cores azul e cinza, e sua expressão mostrava que ficara envergonhado com o que vira.

Hope empurrou Scott e se afastou rapidamente.

— Foster... Oi. Vim acompanhar o treinamento — disse Hope, tentando amenizar a situação.

— Claro, veio acompanhar o treinamento... Bem de perto, cá entre nós.

Sem perguntar antes, Bill entrou no elevador e pressionou o botão.

— Vamos para o antepenúltimo andar.

Dentro do elevador, os três não trocaram palavras, apenas quando a porta tornou a se abrir. O andar era, na verdade, ocupado inteiramente por uma enorme sala de metal, que, pela altura, ocupava mais dois andares para cima.

— Scott Lang, vista seu uniforme. Antes de ir para a missão, irá passar por um último teste: deve enfrentar a mim, o Golias!

Capítulo 4

Vestindo seu informe de Homem-Formiga, Scott Lang estava parado de um lado da sala. Do outro lado, Bill Foster, com sua roupa de Golias, continuava imponente, se mostrando desafiador.

— Venha, Scott. Vamos batalhar. Sua vitória será prova o suficiente de que recebeu seu treinamento como devia e que será capaz de executar sua missão com esplendor.

Scott ajeitou seu capacete e ativou o encolhimento. Quando ficou de tamanho pequeno, começou a pensar em como faria para derrubar Foster. Não havia nada na sala que pudesse usar para atingi-lo, então teria que usar da força bruta.

Em um primeiro movimento, correu na direção de Foster e deslizou por entre suas pernas, escapando de um chute. Agarrou-se à canela dele e começou a escalar. Bill, porém, pegou Scott pela mão e o jogou longe.

Então, Golias ativou seus poderes e, ao contrário de Scott, que encolhia, aumentou de tamanho, ficando um pouco menor que a sala.

— Caramba — disse Scott. — Como o prédio aguenta você?

Bill sorriu.

— A estrutura foi feita especialmente para aguentar o peso de alguém de tamanho até, pelo menos, a altura desta sala.

Assim que terminou de falar, Bill avançou na direção de Scott a passos largos. Aproveitando a desvantagem de visão que o tamanho ocasionava para Golias, o Homem-Formiga correu por entre as pernas de Foster e se ergueu, escalando a perna.

Foi uma tarefa árdua, visto que os músculos da perna de Bill representavam um “relevo” muito ondulado e a roupa era extremamente justa. Finalmente, chegou ao abdômen de Bill, que foi a parte mais difícil de subir.

Empenhado em derrubar Scott, Bill passava a mão sucessivamente pelo corpo, tentando acertar o Homem-Formiga, que escapava com saltos. Lang chegou à região do tórax, onde a subida se tornou ainda mais complicada.

Com saltos longos, chegou aos ombros do Golias. Teve que agir rápido, pois Bill quase o acertou com um tapa. Em mais uma tentativa de derrubá-lo, Foster se inclinou para frente. Scott se agarrou nos cabelos escuros do Golias que estavam à mostra e aguentou firme. Escalou até a nuca e chegou ao topo da cabeça.

Um movimento repentino de Foster para trás foi suficiente para lançar Scott no ar. O Homem-Formiga tentou se agarrar em algo, mas estava caindo. Foi quando o Golias o pegou com uma mão, logo obscurecendo sua visão com a outra. Scott agora estava preso entre as mãos de Bill.

O ar era pouco no espaço comprimido entre as mãos do Golias. Qualquer um com o mínimo e claustrofobia estaria surtando. Apesar da dificuldade de respirar, Scott pensou em uma forma de escapar, buscando a resposta em seu treinamento.

Então, lembrou-se de quando fora largado em meio a um formigueiro para ver as formigas de perto e a terra desabara sobre si. Naquela hora, pensara que iria morrer, mas a solução fora simples: apenas retornou ao tamanho tradicional.

Em um último alento, Scott pressionou o botão para voltar ao seu tamanho normal. Com esforço, conseguiu abrir um espaço maior entre as mãos, o suficiente para fugir. Pulou para fora, por pouco se pendurando na ponta do dedo médio de Bill.

O Golias levou a mão para perto da face.

— Oi — disse Scott, acenando.

Como um humano tentando se livrar de um inseto em sua mão, Foster balançou sua mão com força, arremessando Scott por cima de seus ombros. O Homem-Formiga escorregou pelas costas largas e musculosas de Bill, e se agarrou ao cinto com a inicial do codinome Golias. Com dificuldade, se balançou para cima e para baixo repetidas vezes, fazendo o cinto escorregar pelas pernas de Bill.

Quando chegou ao chão, apertou o cinto em volta das canelas do gigante, fazendo-o tropeçar ao tentar erguer um pé para pisar em Scott. Rapidamente, o Homem-Formiga se jogou no chão e rolou para o lado, sobrevivendo por pouco à queda do Golias. Então, subiu no corpo deitado de Foster e foi até o ouvido.

— Acho que alguém ganhou — disse.

O Golias sorriu, voltando ao tamanho normal. Quando ambos estavam em sua estatura costumeira, se aproximaram de onde Hope Pym estava.

— Parabéns, Scott — disse Bill, com um sorriso genuíno no rosto. — Você se mostrou capaz de ir para a missão. Sugiro que tome um banho nos vestiários do piso de baixo e vista uma roupa, pois precisa estar preparado para sair nesta noite.

Capítulo 5

Era chegada a hora de partir. Scott estava usando uma jaqueta de couro preta, a fim de usar da cor escura para não ser notado. Quando desceu para o térreo do prédio, o carro que o esperava não era nem de longe a Lamborghini de antes, mas um tradicional táxi amarelo de Nova York. Quem estava dirigindo era o segurança de Pym que estivera no hospital mais cedo.

— Olá, senhor Lang. O patrão Pym disse para deixa-lo na rua que cruza com a do seu destino, e busca-lo horas depois naquele mesmo local. Caso você não esteja lá quando eu chegar, aguardarei sua chegada.

Scott assentiu e se sentou no banco traseiro. Por baixo da jaqueta e da calça, já estava com o uniforme do Homem-Formiga. Levava consigo uma sacola, onde estava seu capacete. Planejava deixar tudo sob uma caçamba de lixo para pegar de volta na saída.

Como dito, o motorista deixou-o na rua que cruzava com a rua do objetivo. Entrou em um beco entre prédios, onde havia uma lixeira grande. Tirou sua calça de moletom e a jaqueta de couro e colocou dentro da sacola, agora vazia, e jogou a sacola para debaixo da lixeira. Colocou o capacete de Homem-Formiga e se encolheu.

Agarrou-se a um cano e escalou até chegar ao topo. Então, pegou uma folha de árvore e pulou do prédio. À sua frente estava o motel onde deveria estar Eric O’Grady. Planando com a folha, aterrissou no telhado do motel. Lá embaixo, viu um carro com as janelas completamente escuras parar em uma vaga no estacionamento.

Dois seguranças desceram do carro, tentando ocultar um homem de jaleco: Elihas Starr, o Cabeça de Ovo. Scott escutou com atenção Elihas dizer que deveriam ir ao quarto 23, e rapidamente pulou para dentro de um cano. Deslizou pela parede de dentro do tubo de plástico e entrou dentro do prédio. Pelo sistema de encanamento, chegou até o ralo do tal quarto de número 23.

Soltou o ralo e se viu em uma banheira. Olhou para a ducha de banho, que estava jogada no fundo da banheira, e escalou pelo cabo para fora da banheira. Correu em direção à porte e passou por baixo. Então, o viu.

Eric O’Grady estava assistindo à televisão, sentado no sofá ao lado do uniforme de Homem-Formiga, que fora posicionado intencionalmente para parecer um humano. Lang olhou fixamente para a perna de Eric e mandou uma formiga naquela direção. Fora treinado para se comunicar com as formigas através do capacete.

Discretamente, uma formiga subiu pelo sapato de O’Grady e o picou na canela.

— Ai! — reclamou Eric, sentindo a picada.

Antes de ser vista, a formiga continuou subindo e mordendo a perna dele por debaixo da calça.

— Caramba!

Irritado, O’Grady puxou a barra da calça para cima, vendo as picadas.

— Mas que droga! Melhor eu dar um jeito nisso antes que o doutor chegue.

O alvo de Scott se levantou e correu em direção ao banheiro. Foi o momento oportuno para Scott ativar o encolhimento do traje, que estava repousado sobre o sofá. Puxou a versão encolhida para debaixo do sofá, onde também entrou.

Quando O’Grady retornou, ficou irritado.

— Não! O que vou dizer para Cross agora?

Foi nesse momento que bateram à porta. Eric olhou pelo “olho mágico” e viu a imensa cabeça de ovo de Elihas Starr.

— Ah, doutor Starr! Só um minuto! — gritou através da porta.

Pegou a arma colada sob a mesa e colocou no bolso. Olhou em volta mais uma vez, sem resultado. Então, pegou a chave do quarto e abriu a porta.

— Olá, doutor! Escuta, já pego seu traje. Por que não espera no sofá? — disse O’Grady, com o desespero claro em sua face.

— Certo. Não demore! — alertou Cabeça de Ovo.

Eric engoliu em seco e foi para o quarto. Não sabia mesmo onde estava o uniforme. Ele havia o deixado logo em cima do sofá, quando fora picado por uma... por uma formiga. As coisas começaram a se esclarecer para Eric.

Se tivesse sorte, poderia enrolar Starr a tempo de olhar embaixo do sofá. Tinha certeza de que o enviado de Pym estava lá.

— Doutor Starr, venha aqui um pouco! — chamou.

Cabeça de Ovo apareceu à porta.

— Não pretende me entregar o uniforme?

— Sim, só observe isto. Aquele carro não parece suspeito? — perguntou O’Grady, apontando pela janela.

Elihas ajeitou os óculos e estreitou os olhos. Enquanto o doutor analisava aquele carro, Eric foi para a sala e virou o sofá. Então, foi acertado em cheio por um chute de Scott Lang, que voltou ao tamanho normal.

Eric caiu sobre a televisão, fazendo barulho. Os dois seguranças de Elihas entraram correndo para ver o que tinha acontecido. Scott se encolheu e pulou em um, derrubando-o e conseguindo impulso para derrubar o outro. Então, foi até O’Grady. Foi então que o surpreendente aconteceu. Atrás de Scott, algo explodiu, arremessando-o pela janela junto de Eric.

Caído no estacionamento, levantou os olhos. No buraco onde outrora estivera a janela, um homem com roupa vermelha colante desenhada com uma enorme cruz branca apontava uma arma na direção de Scott, enquanto segurava o uniforme roubado com a outra.

— Homem-Formiga, meu nome é Fogo Cruzado. Entregue-se ou matarei você.

Capítulo 5

Scott ficou de pé e levantou as mãos, fingindo rendição.

— Ei, está bem. Mantenha a calma. Estou bem aqui.

— Vire-se de costas e coloque a mão atrás da cabeça; em seguida, fique de joelhos. O mesmo serve para você, senhor O’Grady.

Eric olhou de relance para Scott, enquanto ambos seguiam as ordens de Fogo Cruzado. Cabeça de Ovo surgiu ao lado do algoz de Lang e O’Grady, com um sorriso no rosto.

— Ah, vejo que conheceram Fogo Cruzado. Ele é um mercenário sanguinário. Veja que características belas: elas rimam!

Vendo que sua piada intelectual não arrancara as risadas esperadas, Elihas Starr ajeitou os óculos.

— Sabe, Eric, eu presumi que você fosse falhar. Por isso, pedi para que Fogo Cruzado ficasse por perto. Deixei uma granada com cada segurança, para que a ativassem se fossem derrubados. Seria o sinal que o mercenário precisaria.

Fogo Cruzado jogou a arma para cima, girando-a, e a pegou de volta.

— Voilá — disse Starr. — Cá estamos nós.

Mentalmente, Scott começou uma contagem regressiva. Esperava que sua mensagem tivesse sido recebida por Hope através das formigas. Três. E Fogo Cruzado desceu de sua posição. Dois. E Cabeça de Ovo também desceu, se apoiando no ombro do mercenário. Um. E um carro entrou derrapando no estacionamento.

O carro freou bruscamente, e Hope Pym e o segurança de Hank pularam para fora, com pistolas na mão apontadas para Elihas Starr e Fogo Cruzado.

— Afastem-se. Homem-Formiga, venha para cá — pediu Hope.

Scott diminuiu e pulou para perto deles.

— Agora, quanto a vocês... — começou Hope.

Elihas pegou o uniforme de Homem-Formiga e começou a correr, enquanto Fogo Cruzado pegava Eric O’Grady por trás e o usava de escudo humano.

— Droga — xingou Hope. — Vocês dois, cuidem deles. Eu vou atrás do Cabeça de Ovo.

Surpreendendo a todos, Hope encolheu de tamanho, revelando um uniforme de Vespa. Rapidamente, ela voou na direção de Cabeça de Ovo. Scott e o segurança se entreolharam. Quando o Homem-Formiga se encolheu e escorregou sob as pernas de Eric e Fogo Cruzado, servindo de breve distração, o segurança atingiu a arma na mão do mercenário, derrubando-a.

Com uma agilidade surpreendente, Fogo Cruzado deu um mortal para trás e pegou sua arma de volta. Enquanto subia pelo prédio, disparou para trás na direção de Scott, que acabara de crescer. Em um gesto de sacrifício, o segurança se colocou na frente da bala, sendo acertado com tudo no peito.

Ele caiu para trás, olhando fixamente nos olhos de Scott, que parecia chocado. Então, os olhos do segurança perderam o foco, sinalizando a morte.

Eric O’Grady tentou fugir, mas o Homem-Formiga foi mais ágil em se encolher e o pegar com um chute nas costas. Pegou O’Grady e o colocou no banco de trás do carro. Então, viu Hope retornar voando ao longe, com o uniforme roubado em mãos.

— Starr fugiu, mas recuperei o...

Ela parou de falar ao vero corpo.

— Meu Deus...

— Foi Fogo Cruzado — disse Scott. — Ele fugiu. Mas consegui segurar O’Grady aqui.

Hope pegou sua pistola e apontou para Eric. Estava furiosa. O’Grady, assustado, tentou se mover, mas estava dolorido demais devido ao chute de Scott que levara nas costas.

— Hope, não há necessidade — pediu Scott.

— Ele começou tudo isso, Scott.

— Não é verdade. Você sabe disso, Hope. Se há um culpado, é Darren Cross.

— Mas o segurança, ele...

— Morreu para me salvar. De Fogo Cruzado, não de Eric. Ele é inofensivo.

Lentamente, a filha de Hank Pym abaixou a arma.

— Eu dirijo — disse Scott. — Você pode dormir no banco do passageiro, se quiser. Vai te fazer bem.

Nervosa, Hope desabou sobre Scott. Ele a puxou em um abraço, que se prolongou em um beijo. O olhar impaciente de Eric sobre eles os fez se afastar.

— Vamos, Hope — pediu Scott.

Epílogo

No dia seguinte, os noticiários anunciavam o desastre como uma falha de segurança. A história era razoavelmente convincente: um vazamento e gás num quarto ocasionara a explosão, que deixara três mortos. Como fora tudo carbonizado, não havia nada a ser investigado pela polícia.

Scott estava na entrada do prédio do laboratório de Pym. Acordara naquela manhã com uma mensagem de Hope, pedindo que ele passasse por lá. Ela o aguardava em frente ao elevador. Os dois subiram, sem se conversar uma vez sequer. Então, chegaram ao andar onde ele treinara no dia anterior.

Segurando uma cadeira de rodas vazia, Janet van Dyne estava parada em frente ao elevador. Ao seu lado estava Eric O’Grady. Os dois observavam Bill Foster, como Golias, auxiliar no treinamento de alguém com um uniforme que consistia nas cores amarelo e preto. Era um tanto quanto mecanizado, e tinha algumas pequenas “garras” presas às costas.

— Esse é...? — começou Scott.

Janet sorriu e assentiu. Ao ver que Scott chegara, Golias voltou ao tamanho normal e se aproximou junto do homem de uniforme preto e amarelo. Quando este último tirou o capacete, se revelou como Hank Pym.

— Scott — ele sorriu, apertando a mão de seu sucessor como Homem-Formiga.

— Doutor Pym, você está andando?

— Tecnicamente não. Continuo naquele estado debilitado. Esta roupa, porém, que chamo de Jaqueta Amarela, é completamente mecanizada, então consigo me movimentar perfeitamente bem com ela através de estímulos transmitidos por meu cérebro. Mas deixe para lá, ainda é apenas um protótipo.

Ele se sentou na cadeira de rodas, e soltou um suspiro de alívio. Aparentemente, ainda que com a ajuda do uniforme, ficar de pé era difícil e exigia muito de Hank.

— Antes de qualquer coisa, quero agradecer a você pelo serviço que me prestou. Você cumpriu sua missão com sucesso.

— Obrigado, doutor. Mas Elihas Starr teria levado o uniforme se não fosse por Hope.

— Ah, entendo. Ainda assim, quero parabenizar você por suas habilidades de combate. Conversarei com Hope mais tarde.

Hank dirigiu um olhar apreensivo para a filha.

— Por isso me chamou? — perguntou Scott. Era final de semana, portanto era seu dia de ficar ao lado de sua filha, Cassie.

— Ah, não, perdão. Tenho uma proposta para vocês.

O uso do plural fora inesperado.

— Sim, vocês. Hope, acho que já é hora de você se tornar a Vespa. O doutor Foster se disponibilizou a treinar vocês para usar o uniforme.

Scott e Hope se entreolharam, felizes.

— Mais uma coisa. O senhor O’Grady irá treinar com vocês. Depois de uma longa conversa nesta noite, resolvi mantê-lo por perto.

Em seguida, Hank apertou o braço de Janet, sinalizando que deveriam ir. Ela guiou-o para dentro do elevador.

— Podemos começar? — perguntou Bill Foster.

— Não — negou Scott. — Minha filha. Tenho que ficar com ela hoje.

— Certo. Nos vemos na segunda-feira, portanto.

Apressado, Scott apertou o botão do elevador. Quando este chegou, Hope e Eric entraram também. A tensão continuava a existir ali, mas, desta vez, direcionada a O’Grady.

— Escutem — pediu Eric. — Sei que vocês não confiam em mim. É completamente compreensível. Afinal, foram mandados para ir atrás de mim, me capturaram e agora serão obrigados a ficar ao meu lado nos treinamentos. Só... eu conversei com Pym hoje mais cedo. Pedi perdão e uma chance. Sei que ele não confia em mim, e que serei observado a todo tempo por Foster, mas... peço que tentem me dar uma chance, está bem? Prometo que verão que estou decidido a ajudar vocês.

Hope engoliu em seco, apreensiva. Foi Scott quem respondeu.

— Está bem. Vamos te dar uma chance.

Então, a porta do elevador se abriu e Scott saiu, apressado.

Enquanto isso, Cabeça de Ovo entrava no laboratório de Darren Cross. Para sua surpresa, uma figura com uniforme amarelo estava junto de Cross. Ao ver Starr, Darren disse:

— Elihas? Este é o Cientista Supremo da I.M.A. Estamos iniciando uma parceria. Eles são capazes de resolver meu problema. A propósito, você está demitido.

Notas finais
O visual de Jaqueta Amarela é o mesmo do filme, apesar de Hank Pym vir a assumir esse nome por aqui. Espero que tenham gostado! o
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!