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1 Something extremely familiar


Notas iniciais
Eu acho que não tem nenhuma outra fic RokuShion Nyah e acho isso injusto, eles são meu OTP, apesar de todo a dor que me causam. E essa ideia surgiu enquanto eu rejogava o days, mas só consegui escrever esses dias porque estou viajando na praia e sabe como é a inspiração.
De toda forma, melhores explicações nas notas finais.

– Eu te disse que era bonito, Roxas! – exclamou Xion, parecendo triunfante.

A garota correu na frente e se abaixou para pegar um pouco de areia nas mãos, observando enquanto escorria entre seus dedos. Roxas nunca a vira tão animada, nem mesmo quando tomavam sorvete juntos.

Hesitante, Roxas caminhou até a areia e a tocou. Era tão macia...

– Isso porque não fomos até o mar ainda, venha!

Xion novamente correu na frente (ou tentou, não era fácil correr na areia) e parou próxima ao mar. Seus olhos estavam brilhantes enquanto ela olhava o horizonte. Seu curto cabelo preto balançava com a brisa e fazia cócegas em seu rosto. Ela sorria.

– Você parece gostar muito daqui – comentou Roxas, parando ao seu lado.

– Eu não sei bem por que, mas sinto algo familiar. O barulho das ondas, as conchas na areia, tudo aqui me faz sentir bem.

– Estranho, eu quase sinto a mesma coisa...

– Talvez seja algo relacionado ao nosso passado – o sorriso de Xion se alargou. Pensar que descobrira algo relacionado ao seu passado era um grande passo.

– Talvez – Roxas sorriu-lhe também.

Um do lado do outro, passaram um tempo observando a paisagem. Quase não tinham tempo para tais privilégios, estavam sempre tão ocupados com o trabalho que se acostumaram apenas com a paisagem vista enquanto tomavam sorvete.

– Ei, Roxas, vamos entrar no mar? – Xion quebrou o silêncio sem tirar os olhos do ponto distante.

– Mas nem ao menos temos roupas...

Essa não era sua maior preocupação, a verdade é que estava com um pouco de medo. As ondas formavam-se grandes e quebravam com violência. Além disso, nunca havia entrado no mar. Mas não queria admitir que estava com medo.

– Vamos ficar apenas no raso – a garota já tirara as botas e acomodava-as ao seu lado.

– Xion... – Roxas começou a advertir, mas ela já estava molhando os pés.

A água estava gelada, mas não impediu Xion de entrar mais. Primeiro o calcanhar, depois as coxas, a cintura, e, quando viu, a água lhe batia nos ombros. Não pretendia entrar tanto, seu casaco molhado grudava ao seu corpo, mas ela nem parecia ligar. Virou-se para gritar para Roxas que ainda estava no mesmo lugar de antes:

– Não vai entrar? Está muito bom.

Roxas iria responder-lhe que preferia ficar onde estava, apenas assistindo ela se divertir, mas as palavras morreram em sua boca quando ele avistou a onda que se formava atrás de Xion. Era grande, muito grande, e ele apenas teve tempo de gritar seu nome.

– Xion!

A garota virou-se e foi surpreendida pela onda que atingiu-lhe em cheio, derrubando-a. Ela girou debaixo da água e sentiu-se ser sugada com uma força absurda. Tentou colocar os pés no chão para segurar-se e poder se levar, mas não encontrou chão, apenas o vazio preenchido por mais água.

Deveria estar no meio do mar agora, a correnteza parecia estar mais forte. E ela não tinha forças para nadar. O casaco era pesado e puxava-a para baixo. Sentia que afundava cada vez mais rápido.

Uma voz ecoava em seus ouvidos, estava abafada pela água, mas ainda conseguia ouvir. Chamava seu nome, era Roxas. Quem sabe a estava procurando, preocupado.

A ideia de morte passou por sua cabeça pela primeira vez. Enquanto afundava cada vez mais rápido ela perebeu: iria morrer. Sozinha na escuridão, sem nem ao menos poder se despedir. Talvez fosse o castigo por ser tão teimosa.

Que engraçado, morrer em seu dia de folga, um dia que deveria ter sido especial para ela e Roxas, mas a única coisa que conseguira fora estragar tudo. Simplesmente por ser teimosa demais. Enquanto afundava, sua curta vida passava diante de seus olhos. Realmente uma vida curta, mas fora feliz nesse pouco tempo. Conhecer Roxas, Axel, e até mesmo Riku que fora tão rude com ela de início.

Conseguiu ainda esboçar um sorriso com as memórias. Sim, tivera uma boa vida. Seu único arrependimento era não ter descoberto mais sobre seu passado e quem ela é. Mas talvez não estivesse mesmo destinada a descobrir.

– Xion!

A voz estava acima dela, ou era apenas delírio. Seu fôlego já estava acabando, será que ainda poderia ser salva? Seus olhos apenas viam o brilho que vinha de cima, o sol provavelmente. Mas uma figura surgiu. Apenas via borrões, não conseguia focalizar o rosto, mas viu bem os cabelos loiros de Roxas. Ou estavam de uma cor diferente? Talvez coisa da água...

Ele se aproximou e a puxou para si, envolvendo-a com os braços. E ela automaticamente abraçou-o com força. Não queria morrer, não agora, não ali. Ela apenas podia se agarrar à Roxas.

Por um momento, apenas um breve momento, pôde visualizar os cabelos de Roxas. Não estavam mesmo loiros, mas sim castanhos, como os de alguém que ela conhecia... O nome surgiu em sua mente, mesmo que ela não se lembrasse bem dele:

– So...ra... – tentou chamá-lo, mas apenas bolhas saíram de sua boca.

Sua mente voltou a ficar clara depois que estava totalmente fora da água. Roxas inclinava-se sobre ela, os olhos cheios de preocupação, mas ela não conseguia dizer que estava tudo bem, sua garganta doía como nunca, seus olhos ardiam intensamente e fios de cabelo molhado grudavam em seu rosto. O loiro percebeu que ela acordara e abraçou-a com um movimento rápido. Xion se surpreendeu, mas logo se reencostou no peito do outro, aproveitando o calor que emanava deste.

– Obrigada, Roxas – a voz saiu rouca, mas conseguiu dizer.

– Não me agradeça, foi minha culpa...

Ela fez um sinal com a mão para ele parar. Depois teriam muito tempo para discutir de quem era a culpa – que era dela, claro. – agora apenas queria descansar. E ele pareceu percebeu, pois parou de falar e ficou ali, apenas afagando sua cabeça.

A imagem do outro garoto que pareu estar no lugar de Roxas por um tempo – Xion já não se lembrava do nome – poderia ter sido coisa de sua cabeça, era muito estranho pensar nisso, e não era algo que queria fazer no momento.

De toda forma, estava feliz por Roxas a ter salvado, concentrava-se apenas nesse fato.

– Vamos para casa – essas palavras de Roxas lhe proporciou um sentimento familiar, o mesmo que sentia na praia, e ela novamente não entendia isso, mas queria ser capaz de entender no futuro.

Antes de saírem, Xion se abaixou para pegar uma concha na areia. Talvez fosse bom guardar uma lembrança daquele dia.

Notas finais
Em uma parte do Days a Xion diz que a praia lhe causava um sentimento familiar. Justamente porque isso estava nas lembranças do Sora. E acredito que o Roxas também tenha esses sentimentos, uma vez que é nobody do Sora.
Anyway, minha ideia principal era fazer a Xion ver a imagem do Sora no Roxas quando fosse salva, mas pensei que ficaria muito forçado e deixei ela ter só um leve deslumbre. Ah acho que deu pra entender.
Me sinto feliz por finalmente escrever KH, é meu jogo favorito então eu vou tentar trazer mais fics. E qualquer erro na história, na escrita, sei lá, diga nos reviews. Deixe review de toda forma, sou carente çwç
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!