Notas iniciais
Minha primeira fic Dwen. Capítulo único, que espero que gostem!
Dakota narrando.

Era a melhor noite da minha vida nos últimos tempos, mas por um momento, pareceu um pesadelo.

Eu vi minha vida, passado, presente, futuro, tudo, passando bem na frente dos meus olhos, sem sequer estar morto ou bêbado. Estava naquele momento de “dê valor as coisas, antes que as perca”. E eu estava perdendo a coisa mais preciosa que já acontecera na minha vida: estava perdendo-a.

O novo integrante da Quinta Coorte, Percy Jackson, contribuiu para o fato de a noite estar ótima: ele, Hazel e Frank venceram os jogos, e tudo estava bem: comemorávamos e tudo mais, eu já pensava na dor de cabeça que daria à Gwen depois, quando ela tivesse que aturar meu ataque de hiperatividade, após uma boa quantidade de Tang. Quando percebi que algo estava faltando.

– Ué, cadê a Gwendolyn? – ela detestava ser chamada assim, mas eu não ligava: era meu papel, como melhor amigo, perturbá-la.

– Socorro! – dois campistas chegaram correndo, com uma garota na maca.

Não precisei que me dissessem nada, eu senti. Ela estava ali.

Desacordada, os belos olhos verdes fechados, um pilo cravado ao lado do corpo.Sangue para todo o lado. Morta.

– Não, não, não... – Frank falou o que eu pensava, o que eu sentia. Gwen não podia estar morta.

Eu via superficialmente os paramédicos nos afastarem, pedindo espaço, enquanto aplicavam nela todos os métodos possíveis para trazê-la de volta a vida. Tentaram fazê-la beber néctar, mas ela não se mexia, seu rosto estava cinzento.

Um dos curandeiros encarou Reyna, e sacudiu a cabeça. Senti meu coração dar uma parada.

– Será feita uma investigação. Quem quer que tenha feito isso... –Reyna começou seu discurso de pretora, mas eu não prestava atenção. Eu não via nada ao meu redor.

Até que, a luz no fim do túnel surgiu. Gwen arquejou, todos deram um passo para trás, assustados. Ela abriu os olhos, aqueles perfeitos olhos esmeraldas, e a cor voltou ao seu rosto.

– O q-que foi? – ela piscou. – O que todo mundo ta olhando? – ela era tão altruísta, que não percebia um pilo de dois metros de comprimento enfiado em si.

– Não pode ser. Ela estava morta. Ela tem que estar morta! – alguém disse.

– Eu prefiro-a assim! – respondi para a pessoa, que estava assustada.

Gwen tentou se sentar, mas não conseguiu.

– Havia um rio, e um homem pedindo... uma moeda? Eu me virei e vi que a porta de saída estava aberta. Então, simplesmente... saí. Não entendo. O que aconteceu? – todos estavam horrorizados e paralisados. Pareciam ter medo dela.

Eu estava prestes a ir ajudá-la, mas Frank estava mais perto e foi mais rápido.

– Não tente se levantar. Só fique de olhos fechados por um instante, está bem? – ele pede, irritantemente doce.

– Por quê? O que...

– Confie em mim. – e ela fez o que ele pediu.

Frank, com a ajuda de Percy e Hazel, retira o pilo. O ferimento imediatamente cicatriza. Zhang olha para Octavian, furioso, o que me deixa preocupado: Frank é sempre amável com todos. Coisa boa não teria ali.

Eu estava prestes a perguntar, quando uma voz estrondosa ecoou pelo local: A Morte está perdendo sua força. Isso é apenas o começo. Imediatamente entrei no modo de combate, sacando meu gládio e apontando para...

Um soldado de três metros de altura; Marte. Todos caíram de joelhos, até mesmo Gwen, menos Percy.

– Ei, você está bem? – perguntei à ela, aproveitando o fato de estarmos perto.

– Não sei! Eu... eu nunca morri antes! É estranho, Dake! – ela sussurrou a resposta

– Vou tentar te tirar daqui! – eu disse, e ela sorriu.

– Essa aí devia estar morta, mas não está. – Marte diz, apontando para Gwen. – Os monstros que vocês combatem não voltam mais ao Tártaro quando são abatidos. Alguns humanos que morreram há muito tempo, caminham pela face da terra.

Era minha hora de intervir.

– Finja que ta passando mal! – sussurrei para Gwen.

– Com licença, todo poderoso senhor Marte! – me ergui

– Quem é você? E como ousa interromper meu discurso? – eu estava realmente com medo desse cara, mas não podia mostrar isso

– Sou Dakota, Centurião da Quinta Coorte, filho de Baco. – apresentei-me, fazendo uma mesura exagerada – Não tenho más intenções ao interrompê-lo, apenas gostaria de pedir sua permissão para tirar minha amiga daqui. Para que se recupere melhor. – apontei para Gwen.

– Certo, certo, pelo menos assim não irão mais me atrapalhar. – ele nos dispensou com um gesto de mãos.

– Venha, Gwendolyn! – lhe ajudei a levantar, recebendo um olhar de ódio dela, que eu ignorei. Passei um dos braços por sua cintura, sustentando a maior parte do seu peso.

Fomos para a Quinta Coorte, onde a coloquei em seu beliche, e me sentei no chão, perto de sua cabeça.

– Não me chame de Gwendolyn! – ela disse, tirando o cabelo do meu rosto – E penteei esse cabelo.

– Gwendolyn, você quase me matou! – eu disse, encarando seus olhos. – Você não sabe o susto que me deu.

– Desculpa, da próxima eu aviso que estou prestes a ser atacada! – ela ironizou, me fazendo revirar os olhos.

– Quem te atacou, Gwen? – minha voz estava mais doce que meu tang, mas eu não me importava. Ela merecia isso, mas eu só bancava o maluco perto dela.

– Eu... não me lembro, Dake. – ela parou de acariciar meu cabelo e olhou diretamente em meus olhos, como se pudesse ler minha alma – É como se o jogo tivesse sido apagado da minha mente. A última coisa que me lembro, é de você bêbado, reclamando dos jogos.

– Ah, claro, tinha que se lembrar da parte ruim!! – deitei minha cabeça no colchão

– Não é tão ruim assim! É engraçado, na verdade! – ela sorriu – Mesmo que isso me dê muita dor de cabeça!

– Gwen, você é um amor de pessoa! – sorri para ela – Acho que se não fosse por você, minha vida seria um inferno! Quer dizer, mais do que já é!

– Eu te entendo! Ser Centurião não é fácil! Por isso bebe tanto Tang? – ela perguntou, mas pareceu se arrepender – Desculpe, eu sempre quis saber o porquê disso.

– Tudo bem! Não há segredos entre nós, não é mesmo?! – ela concordou com a cabeça, e voltou a acariciar meus cabelos. – É também, mas tem um lado de mim, descontrolado, que tenta esconde várias coisas ao mesmo tempo, então, eu me encho de Tang com muito açúcar, para escapar desse lado da minha mente, Gwen.

– Por que faz isso, quando tem uma pessoa disposta a te escutar? – ela pergunta, os olhos verdes me sondando

– Talvez eu tenha medo dos meus sentimentos! – murmurei, baixo demais.

– Não devia! Eles fazem parte do que você é! – ela sorriu, me encorajando – Por que tem medo deles?

– Eles... são novos para mim! – confessei

– Dakota! Tenho algo sério para te contar! – ela diz

– Ai, meus deuses, o que é? – levanto tão rápido a cabeça, que acabo batendo com ela na escada do beliche – Ai! Gwen, você podia dormir para o outro lado do beliche! Gwen, cadê você? GWEN? – tava tudo girando, e eu estava em desespero.

– Para de gritar, Dakota! – ela segurou minha mão, e a levou até seu rosto. – Eu estou bem aqui!

– Ufa! O que tu quer me falar, criatura?? – perguntei, e mesmo sem enxergar com clareza, fiquei acariciando o rosto dela.

– Dake, acho que você está apaixonado! – ela disse, baixinho também

Fiquei pensando naquilo. A falta de ar momentânea que eu sentia sempre que ela me abraçava, ou simplesmente sorria, a vontade cada vez maior de impressioná-la, o susto que levei minutos antes.

–Acho que bem mais que paixão, Gwendolyn! – eu sabia que sorria. – Eu... tenho que confessar que sempre me sinto meio perdido longe dela. E me sinto perdido quando estou perto também, mas só ao ver seu sorriso, já me sinto melhor.

– Dakota, não sabia que você era fofo! – ela brincou e sorriu, e de fato eu me senti melhor.

– Eu sou um poço de fofura, Gwendolyn! – sorri para ela também.

– Pare de repetir tanto meu nome e me conte mais sobre sua amada! – ela pediu, deitando de bruços na cama.

– Ela é a pessoa mais otimista que já vi, sempre me apoiando, até mesmo quando me sinto errado. Ela consegue ver o que há de melhor em mim, mesmo que eu só veja meus defeitos. E sem dúvida, o melhor de tudo, são os seus olhos. – olhei diretamente para dentro dos mesmos – Eles fazem com que eu saiba que estou em casa.

– Awwn, que lindo, Dake! – ela diz, uma pequena lágrima escorrendo por seu rosto.

– Ela é mais linda! – meu sorriso se alarga – A única coisa que odeio, é a forma como a faço chorar. Seus olhos continuam lindos, mas isso me entristece.

– Mesmo quando ela chora de felicidade? – ela perguntou, um sorriso maroto brincando em seus lábios rosados.

– Não! Aí, eu a acho muito fofa! – eu não podia mais adiar as coisa, não é?! – Exatamente como ela está agora, Gwendolyn! – me inclinei e beijei seus lábios

E finalmente eu podia dizer que aquela estava sendo a melhor noite da minha vida. Finalmente tomara coragem suficiente para me declarar para uma garota que sempre esteve ao me lado, mas eu nunca tinha percebido o quão preciosa ela era.

– Não me chame de Gwendolyn! – ela disse, rindo, enquanto ainda me beijava.

– Tudo bem, posso te chamar de minha?

– Sua?

– Namorada? – pedi

– Assim, tão rápido, Dakota! Tá achando que eu sou fácil como essas outras garotas por aí?

– Ai, deuses! – eu ri. – Gwendolyn... o quê? Não pode ser oficial se eu não disser seu nome! – sorri – Eu sou um idiota, que só percebeu que te amava, depois que você quase morreu, mas felizmente, você voltou, e eu tive a chance de dizer isso. E, graças a essa experiência traumática, eu não quero mais adiar as coisas, então, me daria a honra de te namorar? De poder viver eternamente na imensidão de seus olhos esmeraldas? – fui o mais sincero que pude.

– Dakota, Centurião da Quinta Coorte, filho de Baco, eu estaria bêbada se dissesse... – é agora que sou rejeitado – Estaria completamente bêbada se não aceitasse! – ela deu o mais belo dos sorrisos, e me beijou mais uma vez. – Apenas, não me chame mais de Gwendolyn.

– Não preciso mais, tenho uma lista completa de apelidos carinhosos para lhe dar! – mordi seu lábio e rimos juntos.

E minha noite perfeita acabou com minha namorada/melhor amiga dormindo tranquilamente em meus braços, após declarações e mais declarações que chegaram atrasadas, mas a tempo de atingir seu objetivo.

– Eu amo você, Gwen! É a coisa mais preciosa do meu mundo! – sussurrei em seu ouvido, e me deliciei ao vê-la me abraçar mais forte e dormir como o anjo que era.

Notas finais
O que acharam? Vale a pena escrever uma fic maior??
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!