Home Alone
1 Prólogo
Notas iniciais
A minha Picape reclamou quando eu a estacionei na frente de casa. Na verdade, ela era perfeita para mim porque, assim como eu, ela reclamava por qualquer coisa, então era de se esperar que ela reclamasse depois de pouco mais de três horas na estrada de Forks a Seattle.
No começo da semana, Charlie, o meu pai, havia me ligado com uma voz quase inexistente, mas negou com veemência que estivesse doente ou precisando de alguma coisa. Conhecendo-o como eu conhecia, era muito possível que Charlie estivesse à beira da morte e ainda assim insistiria que estava tudo bem.
Eu tinha arrumado as malas assim que desliguei o telefone e depois de um beijo em meu namorado, James – que sempre apoiou as visitas ao meu pai –, fui para Forks ver se estava realmente tudo bem como Charlie havia garantido. Além disso, a última vez nós nos vimos tinha sido há mais de um mês, antes das minhas aulas do mestrado em Literatura na Seattle University começarem.
Era uma quinta-feira, eu só perderia as aulas daquele dia e do dia seguinte, e estaria de volta a Seattle no fim de semana. Mas, ao chegar a Forks, eu fiquei aliviada ao constatar que Charlie não estava mesmo morrendo nem nada. Preparei uma sopa e comida para o resto da semana e, na sexta de manhã, Charlie praticamente me expulsou de Forks com a justificativa de que não me deixaria perder mais um dia de aula por causa dele.
Assim, eu tinha chegado em casa antes do almoço, a tempo de tomar um banho, comer alguma coisa, e ir para a universidade. Enviei uma mensagem a James antes de sair de Forks, mas não tive resposta, então imaginei que ele não tivesse visto.
Meu namorado era advogado numa agência cujo dono era seu pai, então os horários eram flexíveis para ele. Às vezes ele trabalhava madrugada a dentro, depois tirava um dia de folga. Imaginei que aquele era um desses dias e James não tinha visto a minha mensagem porque ainda estava dormindo. A minha teoria foi corroborada pelo carro dele estacionado na garagem, indicando que ele não tinha ido trabalhar ainda.
Entrei em casa, joguei a mochila em um canto qualquer da sala e comecei a me despir para o banho. Uma das melhores partes de morar só com o meu namorado era a liberdade de andar pelada pela casa.
Antes de me dirigir ao chuveiro, fui ao quarto acordar James com um bom dia; já que aparentemente não tinha me ouvido entrar, com certeza estava dormindo. E foi aí que as coisas começaram a despencar como uma montanha-russa descendo em alta velocidade.
A primeira coisa com a qual me deparei não foram os fios loiros de James espalhados no travesseiro dele; eu, de cara, me deparei fios ruivos, longos, espalhados pelo meu travesseiro. Passado o susto inicial, observei a cena completa e tudo ficou pior. Afinal, só parecia haver uma explicação lógica para James estar na nossa cama, dormindo até tarde com uma ruiva bonita e seminua ao seu lado.
— Que merda é essa?! — Perguntei retoricamente com uma voz aguda que acordou os dois. James saltou da cama assustado, o olhar tão aterrorizado quanto o meu devia estar.
— Bella? O que você tá fazendo aqui? — Foi a pergunta infeliz que, em segundos, me fez decidir jogar algumas roupas numa mala e sair de casa sem ter nenhum outro lugar certo para ir.
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