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17 XVII
Cassiopeia afundou as mãos nos bolsos, tentando mantê-las, e a si mesma, quentes.
Depois de conversar com Harry por alguns dias e definir um orçamento — e ativamente discutir e brigar com ele sobre mantê-lo o mais baixo possível — ela estava em Londres, buscando uma casa que se encaixaria com as necessidades dela e dos gêmeos.
Ela estava fazendo tudo por trás das costas de Jorge e não podia negar. Com o casamento se aproximando, a ideia de se mudar para o apartamento em cima da loja parecia pior e pior. Ela havia visitado o lugar várias vezes — era onde parte do estoque ficava — e ele praticamente não tinha espaço para uma cozinha pequena, e o banheiro não podia ser maior que dois metros quadrados. Eles não precisavam de muito espaço, dois quartos com uma sala que também servia como cozinha era o bastante para eles, mas o apartamento era impossível.
E aqui estava ela, analisando a casa sozinha, sem ele. Jorge era orgulhoso demais para permitir que ela comprasse uma casa sozinha, e seria muito mais fácil simplesmente informá-lo da decisão do que pedir sua permissão.
O dono — um homem mais velho, provavelmente nos seus 50 anos — mostrou o lugar rapidamente. Era uma casa com dois quartos, uma cozinha mobilhada, uma sala com sofá e dois banheiros — sendo que um deles era parte de uma suíte, com o quarto de casal. Era pequeno — especialmente para o que ela estava acostumada —, mas era boa o bastante como uma primeira casa.
— Como podemos discutir o pagamento? — Ela questionou quando dois se aproximaram da porta. — Eu planejo me mudar no Natal.
O homem a olhou, surpreso.
— Quando quiser. Podemos ir a Gringotts e negociar tudo.
— Na verdade, eu quero pagar de uma vez só. — Ela o corrigiu. — Hoje.
. . . .
— Eu quero ver a casa. — Tonks declarou. — Você tem que me levar lá.
— É pequena. — Cas simplesmente respondeu, se abaixando para ver o frango dentro do forno. — O banheiro do corredor só cabe uma pessoa de cada vez e o quarto do Fred quase não tem espaço para o guarda-roupa dele com a cama lá dentro. Eu nem sei se o colchão vai ser grande o bastante para ele, acho que foi feita para uma criança.
Ela revirou os olhos, mas Cas podia ver a alegria em seus olhos.
— Bem, A maioria dos casais mora com os próprios filhos, não com o cunhado.
Ela deu de ombros.
— Não é justo separar os dois. — Ela notou, lavando as mãos na pia. — Eu não me importo de Fred estar lá. Ele viria morar com a gente mesmo sem um quarto pra ele, ele dormiria no chão ou no sofá. Eu só arranjei um lugar mais confortável para ele dormir.
Tonks riu.
— Bem, eu vou visitar o lugar antes de você se mudar. — Ela decidiu. — Você vai precisar de ajuda com as suas coisas.
Cas ergueu as sobrancelhas, curiosa.
— Tipo o dois baús que eu trouxe?
Sua prima revirou os olhos, e Cas usou a varinha para tirar a comida do forno, desamarrando seu avental, procurando qualquer sujeira em sua roupa.
— Como estou?
— Linda.
Ela sorriu para Tonks, enviando toda a comida para a casa nova e aparatando.
Cas organizou a mesa com a comida que havia preparado com a ajuda da tia e da prima, certificando-se que tudo estava certo antes de aparatar na toca.
— E aí está ela. — Fred exclamou assim que ela entrou na casa. — Jorginho estava ficando careca aqui porque você sumiu.
Ela riu, mas antes que ela pudesse continuar o caminho para dentro da casa, Jorge apareceu e a abraçou, rapidamente a beijando.
— Ei. — Ele sussurrou. — Eu estava preocupado. Pensei que tinha esquecido de mim.
Ela apenas sorriu.
— Pronto para a sua surpresa? — Ela questionou, puxando o cachecol do próprio pescoço.
Ele confirmou.
— Pronto e ansioso.
Ela riu e amarrou o cachecol em volta dos olhos dele.
— Promete que não vai tentar olhar?
Ele bufou, e ela praticamente podia ouvi-lo revirar os olhos, as Jorge apertou a mão da noiva.
— Eu prometo.
Cas o segurou apertado enquanto os dois aparatavam para a casa nova. Seu coração estava acelerado quando eles chegaram, e ela esfregou as mãos no vestido antes de desfazer o nó que mantinha os olhos dele cobertos.
— Pronto? — Ela indagou.
— Pronto.
Ela deu um passo para trás, mordendo seu lábio inferior e observando a reação de Jorge.
— E onde nós estamos? — Ele perguntou, claramente confuso.
Cassiopeia respirou fundo, torcendo para que aquela fosse só a primeira reação dele, e tudo melhorasse.
— Essa é a nossa casa.
Os olhos de Jorge mudou lentamente de confusa para surpresa, e então confusa de novo, e então lentamente para compreensão, e sua boca abriu e fechou devagar algumas vezes antes de ele finalmente falar alguma coisa.
— Você alugou essa casa?
Cas sentiu o rosto quente, e olhou em volta.
— Na verdade. — Ela o corrigiu devagar. — Eu comprei a casa semana passada.
As sobrancelhas de Jorge se ergueram rapidamente, e ele a encarou com a boca aberta e os olhos arregalado.
— Você o quê? Quando? Como? — Ele repetiu, olhando em volta. — Como?
Ela respirou fundo. Tudo bem, ele estava surpreso. Ela estaria surpresa se fosse ele, também.
— Bem, eu e Harry conversamos e escolhemos uma quantia que eu podia tirar da nossa herança, e como eu paguei a casa de uma vez só, eu consegui algum desconto e não precisei pagar juntos e coisas do tipo. — Ela explicou e o rosto dele não mudou enquanto ela falava. — Eu terminei de assinar tudo, e a casa é minha agora, mas assim que você assinar alguns documentos, vai ser nossa.
Jorge piscou devagar.
— Quando foi que você ficou boa com dinheiro? — Ele exclamou.
Ela sentiu as bochechas se avermelharem. Não era novidade que Cassiopeia não era exatamente a melhor pessoa para lidar com dinheiro.
— Meu tio me ajudou com a maior parte. — Ela deu de ombro. — Você quer dar uma olhada na casa?
Ele apenas continuou parado e moveu a mão para o próprio cabelo.
— O que tem de errado com o apartamento? — Ele finalmente indagou. — Porque comprar uma casa?
Ela respirou fundo.
— Jorge, o apartamento não tem espaço para nós dois ao mesmo tempo. — Cas afirmou. — Se eu ficar na ponta dos pés, bato minha cabeça no teto.
Ele abaixou os olhos, envergonhado.
— Você é alto. — Ele murmurou. — Acontece com gente alta.
Cassiopeia suspirou. Ele estava defensivo, ela estava esperando aquela resposta. Cas e Jorge se conheciam há anos, e se havia algo que ele era, era orgulhoso, e ela entendia aquilo muito bem, já que não era muito diferente.
— Você está assim porque eu comprei a casa? — Ela indagou, sendo direta com ele.
Jorge a encarou em silêncio por um momento, e ela pode ver como ele debatendo internamente como deveria responder a ela.
— Sim.
Cassiopeia confirmou lentamente.
— Tudo bem. — Ela confirmou. — Como você acha que podemos compensar por isso?
Jorge a encarou com surpresa.
— Compensar?
— Eu comprei a casa e agora nós estamos desiguais. — Ela explicou. — Como você quer compensar por isso e não deixar que isso nos acompanhe na nossa vida de casados?
Jorge olhou em volta e então para ela.
— Eu vou pagar as contas. — Ele decidiu. — E os impostos.
Cassiopeia pensou por um momento. Era uma boa ideia.
— Por quanto tempo?
— Pelos primeiros cinco anos. — Ele declarou. — E aí nós podemos dividir tudo.
— Okay. — Ela concordou.
Os dois ficaram em silêncio pelo que pareceu uma eternidade, até ela sorrir para ele.
— Quer ver a casa agora?
Jorge corou, mas confirmou silenciosamente, embora Cas pudesse ver como ele estava curioso e animado.
Ela não precisou mostrar a sala, já que toda a conversa dos dois havia sido lá, mas ele estava claramente feliz em vez que a cozinha ela grande o bastante para duas pessoas cozinharem sem se apertar, e tinha uma mesa de jantar com quatro cadeiras.
Cas mostrou o banheiro do corredor sem muito animação. Ele era pequeno, embora o outro não fosse exatamente grande, e Jorge pareceu feliz com a ideia de não precisar dividir o banheiro com outras oito pessoas.
— Esse é o nosso quarto. — Ela abriu a porta, deixando ele entrar.
Não era enorme, e de acordo com Ted, ele era do mesmo tamanho do quarto de Cassiopeia na casa dos Tonks, que era um quarto de hóspedes antes de ela se mudar.
— Nós vamos precisar de uma cama nova antes de vir pra cá. — Ela notou.
O quarto tinha uma cama, mas Cas não estava animada com a ideia de dormir no colchão de outra pessoa.
— Eu cuido disso. — Ele a assegurou. — Aquilo é outro banheiro?
Ela confirmou e ele entrou no cômodo com um olhar surpreso. Ela maior que o primeiro, com uma banheira e um chuveiro.
— Esse lugar é incrível. — Ele se mudou pra ele. — Sabe ele é…
— Nosso. — Ela completou a frase dele. — Eu sei.
Jorge sorriu e andou até a noiva, pronto para erguê-la em seus braços quando ela o parou.
— Você não viu o último quarto. — Ela o lembrou.
Ele franziu o rosto, mas a seguiu de qualquer forma, erguendo uma sobrancelha para a porta fechada ao lado do quarto principal.
— Escritório?
— Pode ser. — Ela deu de ombros, girando a maçaneta. — Mas que tal chamarmos de quarto do Fred?
O olhar nos rosto de Jorge era de puro choque, e Cas soltou uma exclamação quando ele finalmente a ergueu em seus braços.
— O Fred tem um quarto?! — Ele exclamou, quase numa pergunta.
— Eu nunca deixaria você se mudar pra um lugar sem espaço pra ele. — Ela riu.
Jorge pôs a noite no chão e beijou apaixonadamente.
— Você é maravilhosa, sabia? — Ele segurou o rosto dela. — Eu não acredito que eu encontrei alguém tão maravilhosa na minha vida.
Ela apenas sorriu e segurou sua mão.
— Venha. Nós podemos nos beijar mais depois. O jantar está esperando.
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