Cassiopeia afundou as mãos nos bolsos, tentando mantê-las, e a si mesma, quentes.

Depois de conversar com Harry por alguns dias e definir um orçamento — e ativamente discutir e brigar com ele sobre mantê-lo o mais baixo possível — ela estava em Londres, buscando uma casa que se encaixaria com as necessidades dela e dos gêmeos.

Ela estava fazendo tudo por trás das costas de Jorge e não podia negar. Com o casamento se aproximando, a ideia de se mudar para o apartamento em cima da loja parecia pior e pior. Ela havia visitado o lugar várias vezes — era onde parte do estoque ficava — e ele praticamente não tinha espaço para uma cozinha pequena, e o banheiro não podia ser maior que dois metros quadrados. Eles não precisavam de muito espaço, dois quartos com uma sala que também servia como cozinha era o bastante para eles, mas o apartamento era impossível.

E aqui estava ela, analisando a casa sozinha, sem ele. Jorge era orgulhoso demais para permitir que ela comprasse uma casa sozinha, e seria muito mais fácil simplesmente informá-lo da decisão do que pedir sua permissão.

O dono — um homem mais velho, provavelmente nos seus 50 anos — mostrou o lugar rapidamente. Era uma casa com dois quartos, uma cozinha mobilhada, uma sala com sofá e dois banheiros — sendo que um deles era parte de uma suíte, com o quarto de casal. Era pequeno — especialmente para o que ela estava acostumada —, mas era boa o bastante como uma primeira casa.

— Como podemos discutir o pagamento? — Ela questionou quando dois se aproximaram da porta. — Eu planejo me mudar no Natal.

O homem a olhou, surpreso.

— Quando quiser. Podemos ir a Gringotts e negociar tudo.

— Na verdade, eu quero pagar de uma vez só. — Ela o corrigiu. — Hoje.

. . . .

— Eu quero ver a casa. — Tonks declarou. — Você tem que me levar lá.

— É pequena. — Cas simplesmente respondeu, se abaixando para ver o frango dentro do forno. — O banheiro do corredor só cabe uma pessoa de cada vez e o quarto do Fred quase não tem espaço para o guarda-roupa dele com a cama lá dentro. Eu nem sei se o colchão vai ser grande o bastante para ele, acho que foi feita para uma criança.

Ela revirou os olhos, mas Cas podia ver a alegria em seus olhos.

— Bem, A maioria dos casais mora com os próprios filhos, não com o cunhado.

Ela deu de ombros.

— Não é justo separar os dois. — Ela notou, lavando as mãos na pia. — Eu não me importo de Fred estar lá. Ele viria morar com a gente mesmo sem um quarto pra ele, ele dormiria no chão ou no sofá. Eu só arranjei um lugar mais confortável para ele dormir.

Tonks riu.

— Bem, eu vou visitar o lugar antes de você se mudar. — Ela decidiu. — Você vai precisar de ajuda com as suas coisas.

Cas ergueu as sobrancelhas, curiosa.

— Tipo o dois baús que eu trouxe?

Sua prima revirou os olhos, e Cas usou a varinha para tirar a comida do forno, desamarrando seu avental, procurando qualquer sujeira em sua roupa.

— Como estou?

— Linda.

Ela sorriu para Tonks, enviando toda a comida para a casa nova e aparatando.

Cas organizou a mesa com a comida que havia preparado com a ajuda da tia e da prima, certificando-se que tudo estava certo antes de aparatar na toca.

— E aí está ela. — Fred exclamou assim que ela entrou na casa. — Jorginho estava ficando careca aqui porque você sumiu.

Ela riu, mas antes que ela pudesse continuar o caminho para dentro da casa, Jorge apareceu e a abraçou, rapidamente a beijando.

— Ei. — Ele sussurrou. — Eu estava preocupado. Pensei que tinha esquecido de mim.

Ela apenas sorriu.

— Pronto para a sua surpresa? — Ela questionou, puxando o cachecol do próprio pescoço.

Ele confirmou.

— Pronto e ansioso.

Ela riu e amarrou o cachecol em volta dos olhos dele.

— Promete que não vai tentar olhar?

Ele bufou, e ela praticamente podia ouvi-lo revirar os olhos, as Jorge apertou a mão da noiva.

— Eu prometo.

Cas o segurou apertado enquanto os dois aparatavam para a casa nova. Seu coração estava acelerado quando eles chegaram, e ela esfregou as mãos no vestido antes de desfazer o nó que mantinha os olhos dele cobertos.

— Pronto? — Ela indagou.

— Pronto.

Ela deu um passo para trás, mordendo seu lábio inferior e observando a reação de Jorge.

— E onde nós estamos? — Ele perguntou, claramente confuso.

Cassiopeia respirou fundo, torcendo para que aquela fosse só a primeira reação dele, e tudo melhorasse.

— Essa é a nossa casa.

Os olhos de Jorge mudou lentamente de confusa para surpresa, e então confusa de novo, e então lentamente para compreensão, e sua boca abriu e fechou devagar algumas vezes antes de ele finalmente falar alguma coisa.

— Você alugou essa casa?

Cas sentiu o rosto quente, e olhou em volta.

— Na verdade. — Ela o corrigiu devagar. — Eu comprei a casa semana passada.

As sobrancelhas de Jorge se ergueram rapidamente, e ele a encarou com a boca aberta e os olhos arregalado.

— Você o quê? Quando? Como? — Ele repetiu, olhando em volta. — Como?

Ela respirou fundo. Tudo bem, ele estava surpreso. Ela estaria surpresa se fosse ele, também.

— Bem, eu e Harry conversamos e escolhemos uma quantia que eu podia tirar da nossa herança, e como eu paguei a casa de uma vez só, eu consegui algum desconto e não precisei pagar juntos e coisas do tipo. — Ela explicou e o rosto dele não mudou enquanto ela falava. — Eu terminei de assinar tudo, e a casa é minha agora, mas assim que você assinar alguns documentos, vai ser nossa.

Jorge piscou devagar.

— Quando foi que você ficou boa com dinheiro? — Ele exclamou.

Ela sentiu as bochechas se avermelharem. Não era novidade que Cassiopeia não era exatamente a melhor pessoa para lidar com dinheiro.

— Meu tio me ajudou com a maior parte. — Ela deu de ombro. — Você quer dar uma olhada na casa?

Ele apenas continuou parado e moveu a mão para o próprio cabelo.

— O que tem de errado com o apartamento? — Ele finalmente indagou. — Porque comprar uma casa?

Ela respirou fundo.

— Jorge, o apartamento não tem espaço para nós dois ao mesmo tempo. — Cas afirmou. — Se eu ficar na ponta dos pés, bato minha cabeça no teto.

Ele abaixou os olhos, envergonhado.

— Você é alto. — Ele murmurou. — Acontece com gente alta.

Cassiopeia suspirou. Ele estava defensivo, ela estava esperando aquela resposta. Cas e Jorge se conheciam há anos, e se havia algo que ele era, era orgulhoso, e ela entendia aquilo muito bem, já que não era muito diferente.

— Você está assim porque eu comprei a casa? — Ela indagou, sendo direta com ele.

Jorge a encarou em silêncio por um momento, e ela pode ver como ele debatendo internamente como deveria responder a ela.

— Sim.

Cassiopeia confirmou lentamente.

— Tudo bem. — Ela confirmou. — Como você acha que podemos compensar por isso?

Jorge a encarou com surpresa.

— Compensar?

— Eu comprei a casa e agora nós estamos desiguais. — Ela explicou. — Como você quer compensar por isso e não deixar que isso nos acompanhe na nossa vida de casados?

Jorge olhou em volta e então para ela.

— Eu vou pagar as contas. — Ele decidiu. — E os impostos.

Cassiopeia pensou por um momento. Era uma boa ideia.

— Por quanto tempo?

— Pelos primeiros cinco anos. — Ele declarou. — E aí nós podemos dividir tudo.

— Okay. — Ela concordou.

Os dois ficaram em silêncio pelo que pareceu uma eternidade, até ela sorrir para ele.

— Quer ver a casa agora?

Jorge corou, mas confirmou silenciosamente, embora Cas pudesse ver como ele estava curioso e animado.

Ela não precisou mostrar a sala, já que toda a conversa dos dois havia sido lá, mas ele estava claramente feliz em vez que a cozinha ela grande o bastante para duas pessoas cozinharem sem se apertar, e tinha uma mesa de jantar com quatro cadeiras.

Cas mostrou o banheiro do corredor sem muito animação. Ele era pequeno, embora o outro não fosse exatamente grande, e Jorge pareceu feliz com a ideia de não precisar dividir o banheiro com outras oito pessoas.

— Esse é o nosso quarto. — Ela abriu a porta, deixando ele entrar.

Não era enorme, e de acordo com Ted, ele era do mesmo tamanho do quarto de Cassiopeia na casa dos Tonks, que era um quarto de hóspedes antes de ela se mudar.

— Nós vamos precisar de uma cama nova antes de vir pra cá. — Ela notou.

O quarto tinha uma cama, mas Cas não estava animada com a ideia de dormir no colchão de outra pessoa.

— Eu cuido disso. — Ele a assegurou. — Aquilo é outro banheiro?

Ela confirmou e ele entrou no cômodo com um olhar surpreso. Ela maior que o primeiro, com uma banheira e um chuveiro.

— Esse lugar é incrível. — Ele se mudou pra ele. — Sabe ele é…

— Nosso. — Ela completou a frase dele. — Eu sei.

Jorge sorriu e andou até a noiva, pronto para erguê-la em seus braços quando ela o parou.

— Você não viu o último quarto. — Ela o lembrou.

Ele franziu o rosto, mas a seguiu de qualquer forma, erguendo uma sobrancelha para a porta fechada ao lado do quarto principal.

— Escritório?

— Pode ser. — Ela deu de ombros, girando a maçaneta. — Mas que tal chamarmos de quarto do Fred?

O olhar nos rosto de Jorge era de puro choque, e Cas soltou uma exclamação quando ele finalmente a ergueu em seus braços.

— O Fred tem um quarto?! — Ele exclamou, quase numa pergunta.

— Eu nunca deixaria você se mudar pra um lugar sem espaço pra ele. — Ela riu.

Jorge pôs a noite no chão e beijou apaixonadamente.

— Você é maravilhosa, sabia? — Ele segurou o rosto dela. — Eu não acredito que eu encontrei alguém tão maravilhosa na minha vida.

Ela apenas sorriu e segurou sua mão.

— Venha. Nós podemos nos beijar mais depois. O jantar está esperando.