Jorge estava inquieto na cadeira, nervoso por alguma razão que Cassiopeia não conhecia, e tanto o senhor Weasley quando Gui, Fleur e Fred a estavam encarando os dois de uma forma que não era nada normal. Era como se eles soubessem de algo que ela não sabia, e a sensação não era nada confortável.

A Sra. Weasley também parecia muito mais desconfortável e inconformada que o normal, e tudo era muito confuso.

— Está tudo bem? — Cassiopeia se virou para o namorado.

— Está. — Ele respondeu rapidamente. — Porque a pergunta? Parece que algo está errado? Eu pareço estranho? Eu não estou estranho. Ninguém aqui está estranho.

De novo, ela franziu as sobrancelhas, ainda mais confusa, e Gui revirou os olhos.

— Ele sonhou com você, e não foi nada inocente. — Fred afirmou, pegando uma batata em seu prato. — E agora ele não consegue nem olhar na sua cara.

A menina abaixou os olhos, sentindo o rosto completamente vermelho e quente, e Molly estapeou a nuca do filho.

— Fred, pare com isso. — Ela ralhou. — Não se preocupe, Cassiopeia, ele está só brincando.

Mas o gêmeo não se deu por vencido.

— Estou? Quem divide o quarto com ele sou eu. Ninguém aqui sabe o que eu tenho que passar.

Jorge corou e todo o resto da mesa desviou os olhos enquanto Molly repetia sua ação anterior.

— Fred está brincando. — Ela repetiu. — Não se preocupe.

O resto do jantar foi quieto, e quanto todos se puseram de pé, Artur foi rápido ao colocar um pouco de música para dissipar o clima pesado.

— Você quer dançar? — Jorge sugeriu. — Lá fora?

Cassiopeia olhou em volta, notando como todos estavam tentando não prestar atenção nos dois – mas falhavam miseravelmente. Jorge estava muito estranho naquela noite, era certo.

— Lá fora?

Ele trocou um olhar com o pai, e então olhou para ela.

— Lá fora. — Ele confirmou. — Vem.

Ele a guiou para o lado de fora com um sorriso e parou quando os dois chegaram ao jardim, onde a música ainda os alcançava.

— Aqui. — Ele ofereceu uma mão a ela. — É só uma dança.

Cassiopeia sorriu e segurou a mão dele, deixando-o guiá-la pelo grama ao som de um artista que ela não conhecia.

— Você está estranho hoje. — Ela afirmou. — Aconteceu alguma coisa na loja que eu não fiquei sabendo?

Jorge chacoalhou a cabeça rapidamente negando.

— Você brigou com os seus irmãos?

— Não. — Ele negou novamente. — Nós estamos bem.

Cassiopeia o olhou nos olhos, tentando entender o que ele estava tentando esconder. Jorge era sempre transparente.

— O que aconteceu, então? — Ela insistiu. — Alguma coisa está acontecendo. Você sabe que pode me contar.

Ele corou, e ela teve que se segurar para não sorrir com o vermelho pintando as bochechas dele.

— Você sabe que eu te amo, certo? — Ele indagou, a olhando nos olho. — Muito. Muito mesmo.

Foi a vez dela de sentir o rosto esquentar, e Jorge sorriu.

— E você sabe que eu… Eu te acho incrível, eu sempre achei e… — Ele limpou a garganta. — Sabe quando éramos crianças, no nosso primeiro ano em Hogwarts?

Ela confirmou silenciosamente.

— Bem, eu passei o primeiro mês todinho babando em cima de você. — Ele confessou. — E todo mundo esqueceu, e eu pensei que tinha esquecido, mas não esqueci.

Cassiopeia soltou um risinho e escondeu o rosto no pescoço dele.

— Jorge. — Ela murmurou. Cassiopeia não era boa expressando suas emoções, e não se sentia confortável em não saber o que estava acontecendo. — Porque está me dizendo tudo isso?

Ele parou e soltou as mãos dela, movendo procurando algo em seus bolsos.

— Eu… Quer dizer… Sabe... — Ele procurou por palavras no meio de sua busca. — Então.

Cassiopeia ergueu uma sobrancelha, esperando uma resposta, e ele parou e respirou fundo.

— Então. — Ele começou novamente, desta vez mais devagar. — Eu não sei o futuro. Nenhum de nós sabe, e… — Ele respirou fundo novamente. — Eu estou nervoso pra caramba!

Ela apenas sorriu gentilmente e estendeu a mão, tocando seu rosto e acariciando sua bochecha com carinho.

— Eu sei.

— Me desculpe. — Jorge abriu um sorriso pequeno. — Eu não sei o que dizer. Eu pensei que sabia, mas tudo sumiu da minha cabeça.

Cassiopeia esperou em silêncio e Jorge lambeu os lábios.

— Eu te amo e eu quero passar a minha vida toda com você. — Ele finalmente declarou e puxou algo do bolso. — E eu quero me casar com você.

Quando ele abriu a mão, os olhos dela se arregalaram ao ver o anel que ela escondia.

Cassiopeia soltou uma exclamação e Jorge esperou em silêncio enquanto ela processava o que ele havia acabado de dizer.

Ele queria se casar com ela? Jorge queria se casar com ela.

— Sim. — Ela finalmente confirmou, se sentindo mais calma. — É claro!

Ele soltou uma respiração de alívio, e deslizou um anel no dedo dela, sorrindo. Não era nada grande, caro ou chamativo, apenas um pequeno anel com uma pedra que fazia o cinza nos olhos de Cassiopeia ainda mais chamativo, e ela sabia que ele o havia escolhido com carinho.

— Eu… Uh… — Ele puxou outro anel em seu bolso, entregando a ela com um sorriso tímido. — Peguei isso aqui emprestado pra olhar o seu tamanho.

Ela olhou pra baixo e riu, reconhecendo um de seus anéis e o colocando num dos dedos da mão oposta.

— Será que eu posso te beijar agora? — Ele perguntou, quase envergonhado.

Ela soltou um riso.

— Venha aqui. — Ela pôs os braços nos ombros dele, puxando Jorge para perto.

Ele a beijou com um sorriso, segurando-a pela cintura e ainda estava abertamente quando os dois se distanciaram.

— Nós precisamos encontrar uma casa. — Ela afirmou. — Com pelo menos dois quartos.

Cassiopeia se virou para a porta dos fundos da casa, onde todos estavam assistindo os dois.

— Vocês podem respirar agora. — Ela riu. — Eu disse sim.

Gui, Fred e Fleur celebraram, e a moça bateu palmas com alegria enquanto o Senhor Weasley abraçava a esposa, que não parecia exatamente feliz.

— Nós vamos nos divertir tanto escolhendo seus vestidos. — Fleur correu até ela, puxando a loira dos braços de Jorge e a abraçando apertado. — E o tema do seu casamento. As suas flores! Você vai ficar tão linda com flores!

Cassiopeia tentou manter o próprio sorriso, um pouco assustada com a excitação da cunhada.

— E nós podemos decorar o lugar com jacintos. — Ela continuou. — E colocar flores no seu cabelo. E as madrinhas podem carregar buquês com as mesmas flores da decoração. Quantas você planeja ter?

Ela se virou para Fleur, confusa por um momento.

— Como?

— Você provavelmente deve ter duas, certo? Gina e Tonks. Elas podem usar vestidos de cores iguais.

Cassiopeia pensou por um momento, lembrando-se de mais um detalhe.

— Acho que sim. — Ela confirmou. — Mas não só as duas, eu quero Hermione também. Nós passamos por alguns momentos importantes juntas alguns meses atrás. Não dá pra passar por uma experiência de quase morte com alguém e não reconhecer essa pessoa como importante, sabe?

Fleur confirmou com a cabeça.

— E tem você, é claro.

A francesa corou, e Cas pôde ver Gui sorrir de longe enquanto ele conversava com Jorge.

— Eu? — Ela indagou. — Tem certeza?

— Claro. — Cassiopeia confirmou o óbvio. — Mas eu também vou precisar bastante da sua ajuda, eu não entendo nada sobre casamentos.

Assim, o sorriso dela cresceu ainda mais.

— Vamos subir. Eu tenho várias ideias que não vou usar no meu casamento, mas são perfeitas.

Cassiopeia se virou para Jorge, nervosa, e ele deu de ombros.

— Venha. — Fleur insistiu. — Você vai amar tudo!