A primeira coisa que ocorreu a Cassiopeia ao abrir os olhos foi que ela não estava sozinha. Logo à sua frente, entre seus braços, havia um corpo morno e um pouco forte, que normalmente não estava lá em manhãs normais.

Depois de uma respiração funda, a loira logo identificou o perfume de Jorge, e relaxou.

— Ei. — O ruivo murmurou, grogue e confuso, apertando a namorada em seus braços, fazendo-a abrir um dos olhos para espiá-lo. — Bom dia.

— Acho que você está aqui mesmo. — Ela murmurou. — Bom dia.

Jorge riu e observou, silenciosamente, quando Cassiopeia moveu sua mão livre, para mover a bagunça alaranjada que seu cabelo formava em sua testa.

— Como você dormiu? — Ela questionou, se encolhendo um pouco e se apertando contra ele, buscando mais da sensação tão rara de sossego entre os dois.

Em resposta, ele tocou seu rosto, fazendo círculos em suas bochechas com o polegar.

— Olha… Você estava do meu lado e eu não tenho o Fred para me acordar roncando. — Ele notou. — Foi uma das melhores noites da minha vida.

Ela apenas soltou um risinho.

— Eu posso me acostumar com isso. — Ele moveu sua mão livre para segurar a dela. — Acordar do seu lado todos os dias…

Cassiopeia fechou os olhos. Ela podia se acostumar com aquilo também. Antes que a loira pudesse responder, o momento dos dois foi interrompido pela porta sendo aberta.

— Bom dia, crianças. — O senhor Tonks abriu um sorriso enorme, movendo o olhar entre o casal em busca de sinais de qualquer atividade entre os dois.

— Bom dia. — Cassiopeia se afastou de Jorge devagar. — Eu imagino que não é tão cedo quanto nós achávamos.

Eles deu de ombros.

— Não se preocupe, Andrômeda ainda está arrumando a mesa.

A loira empurrou os lençóis, para longe do corpo, hesitante. Ela não queria sair da cama, mas deixar a tia esperando não seria educado.

— Melhor escovar os dentes. — Ela lembrou o ruivo, mas seu tio ergueu uma das mãos.

— Você pode ir, Cassiopeia. — Ele instruiu. — Eu vou conversar um pouco com Jorge, não se preocupe.

Ela olhou para os dois, sentindo o rosto aquecendo de vergonha, mas não reclamou. Ela já estava no corredor quando ouviu a voz do marido da tia novamente, dessa vez mais séria que antes.

— Jorge, eu não tenho certeza se seus pais conversaram com você sobre o assunto, ou o quanto do tópico Hogwarts abordou… — Ele começou, e o som da porta sendo fechada interrompeu sua voz.

Merlin… Ela não gostaria de estar no lugar do namorado agora.

Quando Cassiopeia saiu do banheiro, ela parou em frente ao quarto da prima. Andrômeda havia lhe pedido para conversar com Tonks, na noite anterior, mas como ela estava dormindo quando a loira chegou, não teve essa oportunidade. Talvez ela estivesse acordada agora.

— Tonks? — Cassiopeia empurrou a porta. — Já acordou?

— Eu quero ficar sozinha. — Ela murmurou, alto o bastante apenas para a prima ouvir. — Vá embora.

A loira franziu as sobrancelhas. Aquilo não era muito normal.

— Ei. — Ela entrou, confusa, e fechou a porta atrás de si. — O que aconteceu?

Ela esperou por um longo momento, até que sua prima se virasse. Seu cabelo, normalmente cor-de-rosa, estava castanho claro e sem graça, algo muito incomum, seus olhos estavam inchados de chorar.

— Eu vou pegar a minha varinha. — Ela decidiu. — Quem eu preciso torturar?

Tonks sorriu, tristemente, em resposta.

— Você pode ser presa.

A moça mais nova só revirou os olhos, sentando-se na cama e movendo uma das mãos, para enrolar uma mecha de cabelo da prima entre os dedos. Ela realmente não sabia como confortá-la.

— Você lembra que Remo e eu jantamos juntos, no outro dia? — Tonks questionou. — Bem…

Cassiopeia sentiu uma onda de compreensão, ao finalmente entender o que estava acontecendo.

— Tonks… — Ela sussurrou.

Tonks respirou fundo.

— Ele me rejeitou. Disse que era muito velho pra mim, que eu sou uma criança e não sabia o que eu estava dizendo… Eu nunca me senti tão humilhada.

Os soluços dela praticamente incendiaram o peito de Cassiopeia de raiva, e a loira teve que se conter para não reagir imediatamente. Como ele ousava fazê-la se sentir daquela forma?

— Eu vou falar com ele, agora mesmo. — Ela decidiu.

Tonks segurou o pulso dela, antes que a loira pudesse reagir.

— Cas, você não pode forçar o Remo a gostar de mim.

Nisso ela estava certa. Mas Cassiopeia também não podia permitir que ele a tratasse daquela forma e que aquilo passasse sem, pelo menos, um pedido de desculpas.

— Não. Mas ele não pode te ferir desse jeito. Ele pode não te amar, mas isso não significa que ele pode te humilhar.

Em resposta, sua prima segurou sua mão entre as dela.

— Deixa ele. Por favor.

Cassiopeia respirou fundo, fechando os olhos e se acalmando um pouco.

— Você vem comer com a gente. — Ela afirmou. — Tia Andrômeda está preocupada. Saber que você está, pelo menos, comendo vai acalmá-la.

Ela moveu uma mão para o cabelo, empurrando-o para trás.

— Eu não quero ver ninguém. — Ela grunhiu.

— Eu não pedi. — Cassiopeia apontou. — Eu estou dizendo que você vem tomar café da manhã com a gente.

Tonks ergueu as sobrancelhas em surpresa, mas não disse nada quando a prima a puxou, para a sentar na cama, e pegou um pente no criado-mudo, desembaraçando seus cabelos da forma mais delicada possível. Assim que ela terminou, arrumou o cabelo da forma que a prima normalmente arrumava e logo a puxou pra fora da cama.

— Vai escovar os dentes. — Ela orientou. — Não me faça voltar aqui e te arrastar para fora.

Ela chacoalhou a cabeça, mas viu a sombra de um sorriso no rosto da amiga.

— Tudo bem. Eu vou.

E com aquilo, Cassiopeia finalmente se deu por tranquila e saiu.