A casa em frente a eles parecia exatamente com qualquer outra casa na rua, com um carro — uma coisa que Cassiopeia só sabia que existia porque Jorge mostrou a ela o exemplar que o pai dele possuía — que parecia exatamente como qualquer outro na frente das outras casas, mas Dumbledore parecia saber exatamente para onde estava indo, quando ele caminhou à frente dela para bater à porta.

O homem que a abriu era provavelmente o mais gordo que ela tinha visto até agora em sua vida, o suficiente para que ele não tivesse pescoço, mas a presença de Dumbledore era aparentemente suficiente para calá-lo, não dizendo nada quando os dois bruxos entraram na casa.

— Sr. Dursley, você provavelmente nunca ouviu falar da minha aluna Cassiopeia Malfoy. — O professor apontou para ela.

Cassiopeia olhou o homem trouxa da cabeça aos pés, notando rapidamente como seu rosto estava vermelho e pronto para explodir. De alguma forma, isso tornava tudo muito mais agradável para ela.

— Boa noite senhor. — Ela disse educadamente. — Obrigada por me receber em sua casa.

— Eu suponho que Harry não tenha lhe avisado sobre a minha visita. — Dumbledore notou. — Venha cá Harry. Vamos, desça. E você deve ser Petúnia.

A menina loira olhou para a mulher vestida com um robe e luvas de borracha que parecia ter acabado de ver um fantasma.

— E Dudley. Boa noite, boa noite. Esta é a senhorita Malfoy, estamos aqui para conversar com Harry.

Cas apenas acenou para os dois. O menino era uma cópia de seu pai, mas com o cabelo e os olhos da mãe. Era uma combinação relativamente esquisita.

— Vamos nos sentar Cassiopeia.

Ela obedeceu silenciosamente ao diretor e logo ele estava servindo os seis com hidromel.

— Não vamos embora professor? — Potter olhou entre os dois, claramente ansioso para sair da casa.

— Não, ainda não. Há algo que requer a atenção de vocês dois, um pequeno problema, se posso dizer assim.

Cassiopeia franziu a testa. Era algo a ver com Sirius? Ele era a única coisa que ela e Harry tinham em comum.

— Vejam só, nós encontramos o testamento de Sirius na semana passada e ele deixou tudo para os dois, para compartilhar em partes iguais.

Cassiopeia e o menino trocaram olhares. Era uma surpresa e tanto. Ela esperava que Harry ficasse com tudo e que talvez Sirius tenha lhe deixado alguns retratos de família, mas todos os seus pertences para compartilhar? Aquilo era uma novidade.

— A Ordem instalou-se lá por um longo tempo, mas ainda precisamos da autorização do proprietário para permanecer na casa. — Explicou ele, Cassiopeia estava pronta para interrompê-lo quando ele continuou. — Nós também tememos que possa haver um feitiço que permita que apenas uma pessoa de sangue puro seja dona da casa. Harry isso significa que você não é elegível.

Os dois se viraram para ela naquele momento e a família trouxa refletiu o fato silenciosamente.

— Bem. — Ela hesitou. — Se for isso, tudo bem. Quero dizer… Eu não me importo, a Ordem pode continuar ocupando a casa, não importa se é totalmente minha ou…

Mas a voz de Potter a interrompeu.

— Eu não quero a casa. — Disse ele, enfaticamente. — Você pode ficar com ela, eu não me importo.

Cassiopeia franziu a testa, confusa e um pouco incomodada. Era uma decisão rápida demais.

— Você tem certeza que…

— Eu tenho certeza. — Ele insistiu. — A casa é da sua família, sempre foi. O Sirius queria que passasse para alguém da família.

Ela negou a cabeça.

— Mas ele também queria passar ela para você!

Mas Potter não desistiu.

— Eu insisto.

A loira e o menino estavam prontos para continuar discutindo, mas Dumbledore interrompeu os dois.

— Bem, se é isso. Vocês ainda permitem que a Ordem permaneça na casa?

— Sim. — Ela afirmou, desta vez simultaneamente com Potter.

O diretor assentiu.

— Bem… Possuir a casa também inclui o Monstro.

Ela apertou os olhos por um momento. Monstro. Oh Merlin, o elfo era a definição de um pé no saco.

Com um movimento da varinha de Dumbledore, ele apareceu na frente dos dois, instantaneamente caindo de joelhos nos pés da Sonserina.

— O Monstro não quer Potter, o Monstro não o quer. O Monstro quer a senhorita Malfoy! — Ele se agarrou aos pés dela, esperneando como uma criança chorona.

Os olhos de todos, mais uma vez, caíram na garota loira.

— Isso significa que um de nós tem que ficar com ele? — Ela olhou para Potter.

Se ele estivesse insistindo em que ela tomasse a casa, ela certamente não manteria o elfo por perto.

— Vocês podem fazer o que quiser com ele. — Dumbledore explicou. — Minha sugestão é mandá-lo para Hogwarts, onde os outros elfos poderão supervisioná-lo. Ele possui informações demais sobre a Ordem.

Os dois adolescentes assentiram.

— Monstro, eu quero que você trabalhe com os outros elfos nas cozinhas de Hogwarts.

Ela deixou escapar um suspiro descontraído quando ele se foi e o professor continuou.

— Agora, precisamos decidir o que vai acontecer com Bicuço. — Ele prosseguiu. — Ele está ficando com Hagrid no momento, nós renomeamos para mantê-lo seguro. Algum dos dois deseja mudar algo em sua condição de vida?

O menino a seu lado olhou para ela e a moça balançou a cabeça.

— Hagrid pode ficar com ele. — Potter decidiu. — Bicuço gosta dele.

O professor confirmou.

— Bem, então terminamos. Vá pegar suas malas. Senhorita Malfoy, você pode ir para a Toca sozinha?

Cassiopeia assentiu e ele a observou depois de despachar a bagagem do garoto.

— Eu me sentirei mais seguro se você permitir que Jorge acompanhe você em casa hoje à noite. É um pouco tarde. Apenas diga a Molly e Andrômeda que eu pedi e eles provavelmente vão deixá-lo passar a noite.

Cassiopeia sentiu o rosto um pouco em constrangimento e puxou a varinha para fora.

— Adeus. — Ela disse educadamente, desaparecendo.

Quando a menina chegou na casa, tudo estava completamente em silêncio, mas a Sra. Weasley apareceu rapidamente depois de ouvi-la entrar.

— Cassiopeia? — Ela franziu a testa. — O que você está fazendo aqui? Todo mundo está dormindo.

A garota tentou sorrir em meio a seu desconforto, apertando o próprio cotovelo com a mão que não segurava sua varinha.

— Professor Dumbledore me mandou aqui e me disse para pedir para você dizer a Jorge para me levar para casa. Ele disse que você não se importaria se ele passasse a noite conosco, é muito perigoso para alguém ficar sozinho do lado de fora a essa hora e minha tia provavelmente está me esperando.

Andrômeda nunca dormia quando Cassiopeia ou Tonks não estavam em casa e ela não queria deixar sua tia esperando.

A ruiva apertou os lábios um pouco, mas confirmou.

— É claro, querida. Deixe-me apenas levantá-lo e pegar algumas roupas.

A garota esperou, e ela apareceu com um sonolento Jorge ao seu lado.

— Ei. — Cas olhou para o namorado, e ofereceu-lhe a jaqueta que ele havia lhe emprestado mais cedo. — Isso é seu.

Ele bocejou e ela pegou o braço dele com um sorriso tímido.

— Boa noite, senhora.

A mãe do ruivo dirigiu um claro olhar de desconforto aos dois, mas não protestou ou mudou de ideia.

— Boa noite. Eu vejo vocês amanhã.