Cassiopeia respirou fundo, encarando para a mala fechada à sua frente.

— Você terá que abri-la eventualmente. — Disse sua tia atrás dela.

Essa era a segunda semana dela com os Tonks, e as coisas estavam lentamente se encaixando. A adolescente tinha seu próprio quarto ao lado do da prima e estava se adaptando lentamente a ter coisas trouxas pela casa, e a irmã de sua mãe — junto com seu marido — a recebeu de braços abertos na casa.

Cassiopeia tinha as mesmas regras que Tonks quando se tratava delas; ela não tinha horário pra ir pra cama, mas não deveria haver barulho depois das dez da noite, e ela deveria estar em casa antes da meia-noite, a menos que avisasse antes. Meninos eram permitidos, mas a permissão para passar a noite não era concedida automaticamente e deveria ser discutida antes da chegada deles.

Sua tia era uma mulher carinhosa que sabia quase exatamente o que Cassiopeia estava passando, e estava ajudando sua transição da melhor maneira que podia. Ela estava até ensinando a sobrinha a cozinhar quando a menina chegava cedo o suficiente do trabalho para pegá-la fazendo o jantar.

— Você tem certeza de que nada vai pular e me comer? — Cas murmurou.

Ela vinha usando o que tinha de Hogwarts desde que chegara, e o baú a estava encarando desde então.

— Se eu ainda conheço minha irmã, não. — A mulher pousou a mão nas costas de sua sobrinha, esfregando um pouco para tentar consolá-la. — Ela é sua mãe, querida. Além disso, se algo estivesse prestes a acontecer, já teria acontecido. Já faz 2 semanas.

Cassiopeia assentiu devagar. Sim, ela estava certa; a mãe dela não tentaria machucá-la. O que ela estava pensando?

A garota estendeu a mão, finalmente abrindo o baú e descobrindo que o conteúdo era apenas… Coisas. Roupas, sapatos, joias e objetos que ela tinha em torno de seu antigo quarto ou em seu cofre.

— Ela mandou algumas roupas. — Andrômeda tentou soar alegre. — Vamos dar uma olhada.

“Algumas" não era exatamente a palavra que ela deveria ter usado. Quando as duas começaram a puxar as roupas da menina, ficou claro que tudo o que ela possuía estava lá. Logo, a cama estava completamente coberta de pilhas e pilhas de roupas e caixas e mais caixas de sapatos.

— Eu acho que é o suficiente. — Cassiopeia decidiu, parando. — Eu já sei que tudo está aqui, eu não preciso de mais provas.

Andrômeda apenas murmurou algo em confirmação, e ela se levantou, esfregando a nuca.

— Você pode me ajudar a pegar algumas coisas? — A garota loira questionou timidamente. — Vou colocar o resto de volta, mas preciso de ajuda.

Ela assentiu. Sua tia tinha sido nada menos que útil nos tempos em que Cassiopeia estava lá, e ela estava muito agradecida por aquilo; sem ela, a menina estaria perdida e sem-teto. Ela ainda estava, no entanto, muito desconfortável em estar com eles. Esta não era a sua casa, a cama não era a dela, ela estava vivendo com pessoas que havia acabado de conhecer e ela tinha que aprender coisas que pessoas mais jovens do que ela já sabia sobre a vida.

Era demais.

Os dois encheram o guarda-roupa com qualquer coisa que pudesse ser útil em seu dia a dia, e guardaram o resto de volta em sua bagagem novamente, colocando-o no canto da sala, caso ela precisasse novamente.

— Venha. — Ela se levantou. — Vamos preparar o jantar.

Cassiopeia seguiu-a para baixo, tentando o seu melhor para se animar. Jorge viria mais tarde e ela queria pelo menos tentar fazer alguma coisa para ser apresentada na refeição — mesmo que fosse cortas as batatas.

A verdade é… Cassiopeia não era boa na cozinha. Nas duas semanas em que vivia com a tia, a menina havia conseguido se queimar levando comida do forno e com água fervida, e cortava o dedo e a mão pelo menos uma vez toda vez que precisava cortar ou descascar alguma coisa. Andrômeda não permitia mais que ela chegasse perto do fogão sozinha, e, pelo que Cas havia tentado, sua única habilidade era fazer chá. Ela não podia nem dizer que conseguia aquecer leite, porque estava propensa a esquecer que o havia deixado no fogo e sempre acabava chegando depois de ele já ter derramando.

— Cassiopeia. — Andrômeda chamou o nome da sobrinha, fazendo-a voltar sua atenção para a tia enquanto tentava descascar a batata em suas mãos com o menor dano possível para si mesma e para o vegetal.

— Você planeja se juntar à ordem? — Sua voz foi cuidadosamente indiferente, embora Cassiopeia soubesse o que estava por trás disso.

Honestamente, a garota não sabia. Sim, ela apoiava a ordem — Merlin, ela teria desistido de toda a sua vida se ela não pensasse que a causa de Você-Sabe-Quem era vil e desprezível? — mas unir-se a eles era mais que apenas apoiá-los. Ela não era uma Auror ou lutadora, longe disso.

— Eu não sei. — A adolescente loira decidiu dizer. — Talvez um dia, se eles precisarem de mim. Se esta guerra continuar por muito tempo, sabe?

Ela murmurou algo em confirmação.

— Eu não sou tão boa lutando. — Ela confessou. — Estou bem com poções e organizações, eu pensei em ingressar no Ministério, mas não confio que elas sejam realmente uma opção segura. Meu pai tem muitas conexões lá, isso não é nada bom.

Uma batida suave na porta da cozinha fez as duas virarem a cabeça na direção do som e Tonks entrou no cômodo com um sorriso.

— Eu vejo que você passou por uma batata inteira com a mão intacta. — Ela notou e sua prima revirou os olhos. — Parabéns.

— Cala a boca. — Cassiopeia sentiu suas bochechas se aquecendo.

— Não a provoque, Dora. — Sua tia disse sem desviar os olhos de suas próprias tarefas. — Sua prima está tentando o seu melhor.

Mas os dois apenas sorriram. Era bom viver com Tonks, Cas podia entender um pouco do lado de Draco em seu relacionamento, com ela tentando superprotegê-lo, mas ainda provocando o irmão para se divertir, às vezes.

— Então… — Tonks limpou a garganta. — Você está fazendo o jantar.

— Sim.

— E Jorge vem jantar conosco.

— Sim.

Ela hesitou um pouco, e Cassiopeia virou-se para olhar em sua direção, notando como seu cabelo estava mudando de cor várias vezes, uma seguida da outra.

— Eu estava pensando se poderíamos ter Remus também.

A loira franziu a testa para si mesma em como ela estava tentando parecer indiferente.

— Não vejo nenhum problema, mas não estamos fazendo nada de especial.

A metamorfaga abriu um sorriso suspeito.

— Tenho certeza que não será um problema. — Ela assegurou as duas na cozinha antes de se levantar de repente e sair.

Bem, Cassiopeia certamente a interrogaria sobre isso depois.

Cas terminou de descascar os vegetais com um único acidente antes que sua tia a mandasse para o quarto para "se arrumar para Jorge", o que para a garota era um tanto inútil; ela trabalhava com Jeorge, os dois se viam diariamente e, muitas vezes, completamente sujos e desarrumados. Ainda assim, ela não protestou e caminhou até o quarto de qualquer maneira.

— Eu não posso acreditar que ela realmente deixa você fechar a porta comigo aqui. — Jorge sentou-se na cama da namorada com um salto bobo e brincalhão.

— Eu ainda não consigo acreditar que ela até me deu um quarto. — Ressaltou Cassiopeia, suspirando.

Verdade seja dita, ela não podia esconder as coisas de Jorge e logo depois de se mudar ela disse a ele sobre o que ela realmente planejava fazer depois da morte de Sirius. Ele estava ferido, é claro, mas não segurou contra ela por muito tempo.

— Mas ela fez. — Ele lembrou a menina loira e chegou a puxá-la em seus braços e no colchão confortável. — E é ótimo. A privacidade também.

O namorado moveu os lábios até o pescoço dela, e a loira não pôde deixar de rir em resposta enquanto a pele dele fazia cócegas na dela.

— Jorge… — Ela choramingou um pouco. — Eles estão literalmente no final do corredor.

— E daí? Eu não estou fazendo nada de errado.

Mas ele estava fazendo com que ela quisesse fazer tudo o que pudesse ser considerado errado.

Suavemente, sua mão se moveu para o rosto de Cassiopeia e ele tomou seus lábios em um beijo, logo segurando seu corpo contra o dele com um forte aperto.

— Mamãe quer que você almoce conosco neste fim de semana. — ele disse entre beijos. — E Gui quer nos apresentar a sua nova namorada.

Cassiopeia tentou respirar, pulando um pouco quando sua mão envolveu-se em sua coxa timidamente debaixo o vestido. Era a primeira vez que ele tentou fazer esse contato com ela.

— Está tudo bem? — Ele sussurrou.

Cassiopeia abriu os olhos para encontrar os dele.

— Com a namorada do seu irmão? Eu não sei, eu não a conheço.

— Não. — Ele riu. — Eu tocando você. — Ele fez círculos em sua pele. — Aqui.

A garota lambeu os lábios.

— Sim. Totalmente bem.

Ele voltou a beijá-la, ao que sua namorada retribuiu entusiasticamente.

Cassiopeia não tinha certeza de quanto tempo se passara desde que eles se deitaram, mas a garota havia acabado de construir coragem o bastante para colocar a mão debaixo da camisa dele quando uma batida na porta fez os dois se afastarem e o rapaz cair no chão do quarto.

A porta se abriu e o marido de sua tia entrou ali com um sorriso educado, mas com um olhar forte no rosto.

— Acho que é hora de encerrar a noite. — Disse o sr. Tonks educadamente, mas ainda não deixando espaço para protestos. — Sua mãe vai ficar preocupada se você chegar em casa muito tarde, Jorge.

Com o rosto tão vermelho quanto seu cabelo, o namorado de Cas se pôs de joelhos, fazendo com que sua cabeça aparecesse atrás da cama.

— Claro senhor.

A loira sentiu o rosto todo queimando de vergonha e levantou-se da cama, arrumando o vestido.

— Eu te acompanho lá fora.

O Sr. Tonks sorriu novamente para os dois adolescentes, ainda segurando a porta aberta e esperando enquanto George se recompunha e a seguia para fora do quarto.

Cassiopeia levou o namorado para fora da casa silenciosamente, onde finalmente era possível aparatar, e ele se inclinou para beijar seus lábios antes de pegar sua varinha em sua mão.

— Vejo você no trabalho amanhã. — Ele sorriu.

— Tchau.

E com isso, ele se foi.