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25 De volta as orquídeas


Notas iniciais
E junto com o ano novo Um capítulo novo de Home ❤️

Cap 25 — De volta as orquídeas

Era cedo, Fabinho antes de ir pra mais um dia de trabalho,estava na casa do sogro, arrumando uma mesa farta de café da manhã pra Giane.

A menina vinha pelo corredor, coçando os olhos,ela não vê o marido. Até que parando de coçá-los, ela olha pra ele.

— "Ah, cê já tá aqui ?"

— "Nossa,essa recepção calorosa assim, logo de manhã ? Bom dia pra você também pivete."

Ela olha pra ele,e alguma coisa no sorriso sincero e no bom humor de Fabinho pela manhã,que também não era habitual,faz ela baixa a guarda.

— "Tá, desculpa vai cara. Foi mal."

Fabinho olha pra ela com uma expressão enigmática,mas sorri.

— "Você ? Pedindo desculpa ? Fácil assim ? Meu Deus,tá com febre,tá com febre." Ele se aproxima, colocando a mão na testa dela.

— "Engraçadinho você assim né ? Palhaço logo de manhã ?"

Fabinho sorri.

— "Tudo bem, tá desculpada."

— "Fácil assim ?"

— "Você bem que merecia,que eu fosse grosso com você. Que não aceitasse suas desculpas."

Ela ri.

— "Como se você nunca tivesse sido né ? Delicadeza em forma de menino."

— "Ha,ha. Falou a senhora passei na fila da delicadeza umas 10 vez. É grossa, cavalo grosso, que merecia e muito tomar um gelo,mas fazer o que,eu sou muito apaixonado."

Giane arregala os olhos, surpresa diante da declaração dele. Olha pra ele.

— "Se declarando assim pra mim a essas horas da manhã ? Cê tá querendo o que em cara ?"

Fabinho sorri,e se aproxima dela.

— "Você precisa mesmo que eu responda ?"

Ela não fala nada, até que procura algo pra desviar sua atenção. Acaba olhando a mesa cheia de coisas.

— "Caraca,quanta coisa." Ela se aproxima da mesa.

— "Tive que apelar, pra ver se você come. E não mata os meus filhos de inanição."

Giane revira os olhos.

— "Nossa,como você é exagerado garoto. Não tem ninguém aqui passando fome não tá ? Seus filhos são muito bem alimentados."

Fabinho sorri, gostando de ver ela irritada.

— "Tá bom. Tá bom. Não vamo discutir logo de manhã por besteira né ? Vem,senta aqui. Vamo comer."

Giane volta a observar a mesa,dessa vez,mais atentamente.

— "Assaltou a casa da dona Benta é Fraldinha ?"

Fabinho sorri pra ela.

— "Engraçadinha você né Emília ?"

Giane ri.

— "Palhaço."

— "E aí ? Vamo comer ? Ou você vai ficar aí me xingando ?"

— "Bora né ? Tô cheia de fome." Ela fala animada, pegando um pratinho e olhando a mesa.

Fabinho sorri.

— "É isso aí. Assim que eu gosto de ver você. Minha boa e velha maloqueira com apetite de uma draga."

Giane olha pra ele com a boca cheia de pão.

— "Draga é a mãe."

— "A sua,com certeza. Quando tava grávida de você,porque olha não sei quem cê puxou não. Tomara que meus filhos não comam assim, porque senão vou precisar abrir mais uma agência." Fabinho vê ela pegando mais pãezinhos na mesa,e enchendo o pratinho deles — "Duas talvez. Olha,aquela sua ideia de eu precisar de mais dez heranças,não é ruim não sabia ? Eu não sabia que eu ia casar com a Magali."

— "Fabinho cê não vai comer não ?"

— "Tá preocupada com a minha alimentação é ?"

— "Na verdade, eu tô querendo que você encha essa boca de comida e feche ela. E não me encha o saco.”

— "Ué,posso fazer que nem você,e falar de boca cheia né jumento ?" Ele ri,provocando ela.

— "Jumento,vou te falar quem é jumento. Vê se pode."

Fabinho sorri, olha a mulher que amava com ternura,e fica feliz ao ver ela cheia de apetite. E feliz,ao lado dele.

Ele se sentam pra tomar café com ela, minutos depois,a campainha toca. E Giane se prepara pra atender.

— "Relaxa aí maloqueira. Termina seu café,eu vou lá." Fabinho já se levanta, indo até a porta. Quando a abre,olha, e vê Bento,dando um sorrisinho debochado. — "Ah, é você flor ?"

— "E você Fabinho, tão cedo aqui ?"

— "Tô de enfermeiro em tempo quase integral, esqueceu ? E qual é em ? Te devo satisfação agora se tô ou não na casa do meu sogro ?"

— "Ei,calma cara. Foi só um jeito de dizer. Mas e a Giane ? Ela tá bem ?"

— "Tá ótima,a mesma maloqueira de sempre. Porque a pergunta ?"

— "É que…" Bento coça a cabeça e enrola pra falar."

— "Desembucha Zé Florzinha." Fabinho fala pra Bento, Giane sempre havia sido a intuitiva dos dois,mas ele não estava com boas intuições,mesmo que nunca tenha sido de ter essas coisas.

— "Eu vou precisar viajar,queria pedir pra Giane olhar a loja pra mim."

Fabinho olha pro cunhado surpreso.

— "Que ? Pirou flor ? Mas nem pensar."

— "E desde de quando você decide o que eu faço,ou deixo de fazer em fraldinha ?" Giane entra na sala, interrompendo os dois.

— "Giane,isso não tá em discussão."

— "Isso não tá em discussão ? Você pirou ou o que em cara ? Tá maluco em ? Surtou ou o que ? Você acha que porque eu tô grávida de um filho seu,você vai controlar a minha vida ?" Ela olha pra ele,com os olhos fulminantes de raiva.

— "Pra começar, você não tá grávida de um filho meu,ta de dois. E eu não controlo a sua vida porque você tá grávida dos meus filhos,Eu sou seu marido. Ou você já esqueceu ?"

Giane ri com deboche.

— "Ah,e a gente por acaso tá no século 18 ? Que você como meu marido, controla a minha vida ?" Giane o olha séria.

— "Giane, você sabe que não é isso. Eu não tô controlando a sua vida. Como se eu pudesse,e quisesse também né ? Não quero controlar nada. Você sabe. Você precisa se cuidar pivete, Não tô querendo controlar sua vida,tô querendo cuidar de você."

Giane olha pra ele,e tudo volta como cascata. Toda a raiva,e tudo aquilo que tava sentindo de magoa dele, por toda aquela situação.

— "Bento,me espera aí tá ? Eu me troco e a gente já vai."

Fabinho dá um sorriso debochado.

— "Ah,mas você não vai mesmo."

Giane vira pra ele brava.

— "Tá pra nascer o homem que vai me impedir. E se tentar,te desço a porrada. Tô grávida,mas ainda consigo enfiar um soco na sua cara." Ela olha pra ele com raiva,e se vira com mais raiva ainda.

Bento olha pros dois,e se sente mal por causar aquela briga.

— "Gente,por favor, não briguem. Eu falo com o tio Gilson, com seu pai Giane,ou outra pessoa. Tudo bem,eu não devia ter vindo mesmo aqui, te pedir isso."

— "Que isso,relaxa Bento." Giane pede ao amigo.

— "É flor, tá tudo bem. Você errou sim. Mas a Giane é que tinha que ter coincidências do estado que ela tá. E recusar sua oferta."

Giane olha pra ele,e ri incrédula.

— "Só que eu não vou me recusar a ajudar um amigo."

— "Só que isso não é hora de bancar a boa samaritana não,seu cavalo grosso. Garota teimosa. Você não tem que ajudar,cuidar e se preocupar com ninguém agora. Tem que cuidar,e se preocupar com você. E com os nossos filhos."

— "Ah claro, pra você é fácil né ? Nunca se preocupou com ninguém,nunca se importou com ninguém,nunca amou ninguém."

Fabinho a olha incrédulo.

— "O que ? Como é que é ? Depois de tudo o que a gente viveu junto,você tem a coragem de me dizer isso ? Inacreditável, inacreditável cara."

Bento se sente mal,e tenta apaziguar a briga dos dois.

— "Gente, não, tá tudo bem. Eu já vou,eu me viro."

— "Não Bento, eu vou com você."Giane fala se aproximando do amigo.

— "Não Giane, tudo bem,eu me viro."

Giane olha pro amigo de infância brava.

— "Você fica aí. Se você sair daí,eu juro que mesmo grávida, eu te desço a porrada." Bento arregala os olhos pra ela e ri.

Ela se vira, dando as costas pra Fabinho,entrando no quarto. Fabinho a segue.

— "Giane, por favor. Eu tô pedindo pivete. Não faz isso."

Giane coloca umas roupas na cama.

— "Pode parar,eu vou e pronto. Ridículo o que você fez lá na sala,e ainda na frente do Bento."

— "O Bento é nosso amigo de infância, conhece nós dois como a palma da mão dele,para de frescura."

— "Frescura ?" Ela ri incrédula. -"Seu babaca. Tudo pra você é frescura. Fica aí, me tratando como se fosse meu dono. Usando a minha gravidez e nossos filhos pra me controlar." Ela vai esbravejando e trocando de roupa, nem se importando que ele tá ali.

— "Te controlar ?" Agora é ele que ri incrédulo.

— "Isso mesmo. Você sabe muito bem que ninguém me controla, ninguém manda em mim. Casou comigo, sabendo disso."

— "Por que você acha que eu ri em ? Exatamente por isso. Porque eu sei que ninguém te controla. Aí de mim,se quisesse né ? Você me acusa de te controlar,quando eu nem tento,porque sei que é impossível. Eu nem quero te controlar também pivete. Nunca quis, você sabe disso.”

Ela termina de se vestir e vira pra ele.

— "Então para de tentar cara,ou seja lá o que você tá tentando fazer."

— "Eu tô tentando…" Fabinho da uma pausa. — "Tô tentando cuidar de você."

Giane segura as lágrimas,e tenta engolir o choro. Mas logo vira pra ele, com uma expressão fria.

— "Foi tentando cuidar de mim,me proteger,que você começou tudo isso." Fabinho olha pra ela chocado, e ela sai pelo corredor,limpando as lágrimas. — "Vamo Bento ?"

— "Giane não é melhor a gente esperar o Fabinho, você não vai nem se despedir…"

— "Vamo Bento ?" Giane fala seca.

— "Giane,não é melhor…"

— "Bento, você vai comigo ? Ou eu vou ter que ir sozinha ?"

Bento olha mais uma vez pro caminho do quarto, não vendo Fabinho vir,e se vira acompanhando ela.

Logo que eles saem, Fabinho aparece,e chora. Mas seca suas lágrimas, também se encaminhando pra sair.

Já do outro lado da rua, Giane para.

— "Giane,que foi ? Você tá bem ?" Giane se abaixa segurando os joelhos. — "Giane ?"

A menina respira descompassada e Bento acode.

— "Calma, Giane,calma. Você ficar assim não faz bem pros seus bebês,calma."

Giane chora. Num misto de dor e raiva. Bufando,ela tenta engolir o choro. Respira fundo como de estivesse tendo seus filhos.

— “Giane,calma. Pelo amor de Deus. Parece que você tá tendo os bebês.”

Respirando fundo,Giane olha pra ele.

— "Eu vou voltar pra casa, desculpa tá ?" Ela olha pra ele com o rosto molhado.

— "Giane, imagina,vai lá. Vem,eu te levo."

— "Não, não Bento, não precisa."

Giane atravessa a rua e o vê saindo pela porta. Abre o portão,e o se joga nos braços dele.

— "Desculpa,me desculpa Fabinho. Desculpa fraldinha.Desculpa. Eu fui uma idiota,desculpa." Ela chora soluçando.

Ele se afasta dela,mesmo com ela resistindo.

— "Calma, calma amor. Calma." Ele sorri pra ela, limpando suas lágrimas. Continuando com o rosto dela entre as mãos. Giane olha pra ele e não resiste o puxando pra um beijo. Fabinho fica surpreso,mas corresponde com toda a paixão.

Giane corta o beijo num estalo, levando a mão à boca.

— "Aí, não, não, não. Desculpa."

Fabinho ri.

— "Para com isso pivete, tá tudo bem."

Ela dá um sorriso fraco pra ele.

— "Acho que eu vou deitar. Acho que eu me estressei demais."

— "Desculpa pivete."

— "Não cara, você tava certo."

— "Vou conversar direitinho com o Bento pra você poder ir pra loja ta ?"

— "Não Fabinho, tudo bem,eu entendi."

— "Nada,em pequenas doses não faz mal. Pelo menos eu acho. Com organização,a gente faz dá certo." Ele sorri pra ela com ternura.

Ela sorri pra ele.

— "Você tá sendo incrível, sabia ?"

— "Que bom saber disso,quase fui linchado a meia hora atrás."

Giane sorri e da um tapinha nele.

— "Seu babaca."

— "Mas você me adora, mesmo babaca assim, Vai dizer que não ?"

Giane ri, balançando a cabeça.

O dia corre com normalidade. Giane havia ficado em total repouso pelo estresse ocorrido. Estava preocupada, em toda aquela situação, fazer mal aos filhos. Se algo acontecesse aos seus pivetinhos,aos seus maloquinhas,ela não se perdoaria.

Fabinho conversa com Bento,após o dia de trabalho. Combina,que ele ajudaria o rapaz com Giane,como fizeram lá atrás,quando se apaixonaram. O cunhado fica feliz com toda aquela situação,e torcia pro casal se acertar. Assim como Fabinho torcia por ele e Malu.

O dia corre, Fabinho havia ficado preso a uma reunião,indo pra um happy hour arrastado pelo cliente. Durante a festa,só mandava mensagens para o sogro pra saber como Giane tava.

Quando volta pra casa,já era tarde. Ela dormia com o travesseiro de grávida. Ele sorri, apaixonado. Deita um pouco com ela,faz carinho em sua cabeça,lhe dá um cheiro. E faz um carinho nela. Levanta, olha pra ela apaixonado. Sabia que ela podia acordar brava se o visse ali. Vai embora, dormir na casa da mãe.

***

A campainha da casa de Seu Silvério toca, Giane se encaminha pra atender. Ao abrir, revira os olhos, ao dar de cara com Fabinho sorrindo pra ela.

— "E ai, vamo ?"

Ela olha pra ele surpresa.

— "Vamo ? Pra onde ?"

— "Ué, pra acácia."

Giane bufa incrédula.

— "Fabinho, e a agência ? Cê não acha que não tá na hora de você parar com essa brincadeira, e voltar a trabalhar direito não ? Você não falou que ia falar com o Bento ?"

Fabinho revira os olhos.

— "E quem foi que disse, que eu não to indo pra agência ? Eu to sem mulher, sem filho, to com bastante tempo livre. E eu falei com o Bento,disse que o acordo era ficar com você lá. Ele topou." Fabinho sorri pra ela.

Giane revira os olhos.

— "Tá, tá, garoto. Cê quer ir comigo pra acácia, carregar caixa igual peão,como você diz,então vamo. Depois que cê perder sua agência por justa causa, não quero ninguém me culpando não, falo ? "Se é carregar caixa que você quer, ao invés de ficar sentado numa mesa confortável, o azar é seu." ela sai, batendo a porta, andando a caminho da loja. Ele sorri a seguindo.

Todo o pessoal da rua, observa os dois, curiosos. Todo mundo sabia que Giane havia voltado pra casa do pai, e Fabinho para a da mãe. Porém, não haviam os visto juntos ainda, desde então, acreditavam que ainda estavam brigados.

— "Giane, você e o Fabinho ? Vocês …" Tio Lili comenta, olhando os dois surpresos.

— “O Fabinho vai ajudar o Bento a cuidar da acácia, e eu também. Só isso gente." Giane se justifica, meio impaciente, com a curiosidade do pessoal.

— "Mas você voltaram ?" Odila pergunta curiosa.

Giane revira os olhos, Fabinho percebe a impaciência dela.

— "Gente, já chega né ? Pivete, me espera lá na van, que a gente já vai."

Giane entra no carro.

— "Vocês tem mais alguma pergunta jornal da casa verde ? Ou eu posso ir ?" Fabinho fala num tom debochado,mas com a cara séria.

— "Ai Fabinho, que isso ? A gente só quer que vocês se acertem." Odila fala ofendida.

Fabinho bufa revirando os olhos.

— "Ah tá. A mesma turma que se reuniu aqui, nesse mesmo lugar, pra fazer mutirão, pra convencer ela a tomar cuidado comigo,anos atrás ?"

— "Mas agora é diferente, é difícil ver vocês separados, e como se …"

— "Vocês se completassem." Renata afirma, chegando na roda.

— "E completa. Mas, se vocês querem ajudar, não se metam. A Giane não gosta de falar dessas coisas, e eu também não. Então…"

— "To incluída nisso ?" Renata pergunta rindo.

— "Você não. É amiga da cabeça dura, pode até ajudar. Agora já deu né ? To indo, Valeu." Ele entra no carro, sendo observados por eles.

— "E não é, que a Giane deu mesmo jeito nesse menino." Odila comenta, os vendo sair.

— "É, o ser humano tem mesmo jeito Odila" Comenta Lili, vendo o carro do casal sair.

— "E olha que esse aí,a gente duvidou em ?" Comenta Jonas.

Fabinho entra no carro.

— "E aí, aquietou esse povo ?" Giane pergunta.

Ele vira o rosto pra ela.

— "Relaxa maloqueira, ninguém mais vai encher seu saco."

Ela sorri fraco pra ele, que sorri de volta. eles vão pra loja.

***

Giane coloca um vaso de orquídea em cima do balcão.

— "E aí, lembra ?" Ela pergunta com um sorriso pra ele.

Fabinho sorri pra ela.

— "E tem como esquecer ?"

Giane revira os olhos.

— "To falando de montar o vaso, idiota."

— "To falando disso também. Cê ensinou com tanta delicadeza, que é impossível esquecer." Giane fecha a cara — Cê sabe que não vai ficar igual né ? Já faz tempo. E eu não sou de ficar regando plantinha, isso eu deixo pro Bento."

— "Só tenta,cara."

Fabinho bota a mão na massa, Giane sorri encantada. Ele levanta o olhar pra ela, que fecha a cara,pra disfarçar.

— "Cê vai ficar com essa cara de bunda ? Eu vou embora."

Giane bufa.

— "Cê disse que ia vir trabalhar comigo me ajudar. Não que era pra eu ficar de sorriso e simpatia, eu não sou a melzinha."

Fabinho ri.

— "Jura ? Nem tinha percebido." Ele fala,se afastando dela.

Giane fuzila ele com o olhar, Fabinho ri dela. ele joga um beijo pra ela, que se afasta bufando.

— "Olha,faz do jeito que você quiser,mas faz direito. Se esforça um pouquinho."

Giane o olha incrédula,por ele tá repetindo pra ela, as mesmas frases que ela lhe disse no passado.

— "Você é muito cretino, sabia ?"

— "E você pensa que eu não sei que é por isso que cê gosta ? " Ele sorri pra ela,que revira os olhos, mas acaba rindo também.

***

Fabinho observa ela borrifando água nas flores.

—"Hum,modelo, fotógrafa, e ainda uma bela de uma florista."

Giane revira os olhos, deixando escapar um sorriso. Mas não vira o rosto pra ele.

— "Que que é em ? Tá brincando de vaca amarela ? Vai ficar sem falar comigo é menina rebelde ?"

— "E sobra espaço ? Cê fala pra caramba, fala pelos dois. E eu não to afim de conversar fraldinha, então não enche.

Fabinho ri balançando a cabeça.

— "Mais cê é mala mesmo em garota ? Quer saber ? Então não fala, é melhor que não me da patada."

— "Isso, vamo curtir o silêncio." Giane se afasta dele — " Ai" Ela abaixa,segurando a barriga.

Fabinho se aproxima dela desesperado.

— "Giane que foi ?"

Ela senta.

— "Não sei, senti uma pontada."

Fabinho põe a mão na barriga dela, segurando suas costas.

— "Vem, vamo. Eu vou ligar pra Viviane."

— "Não Fabinho, para vai cara. frescura isso."

Fabinho revira os olhos.

— "Frescura nada, vem." Ele a pega no colo Giane, o estapeia em protesto.

— “Para Fabinho, para. Me solta,me põe no chão.”

— “Para de me bater pivete. Eu vou te derrubar.”

— “Então anda,me põe no chão.”

— “Quando a gente chegar em casa,eu ponho.”

***

Fabinho a coloca na cama, e já liga para a médica, que não demora a chegar, atendendo Giane.

— "E aí doutora ? O que ela tem ?" Fabinho pergunta a médica apreensivo

— "Calma Fabinho, foi só um mal estar. São bem comuns da gravides mesmo. Ela tá bem, seus filhos também, fica tranquilo. Qualquer coisa eu te aviso."

— "Brigadão ai doutora, brigado mesmo."

— "Olha, eu recomendo que o resto do dia ela passe em repouso. Mas amanhã já pode voltar às atividades, dar um almoço bem reforçado pra ela e poder descansar."

— "Tudo bem."

Ele a leva até a porta. Giane dorme na cama, ele fica ali sentado na cadeira, velando o sono dela, que acorda o vendo olhando pra ela.

— "Ih, que foi em garoto ?"

— "To só aqui ué, cuidando de você. Garota ingrata."

— "O que a doutora disse ?"

Fabinho sorri com ternura pra ela.

— "Relaxa, cê tá bem, nossos filhos também." Ele leva a mão até a barriga dela, fazendo carinho ali,sentindo os bebês mexem,sorri bobo..

— "Eles tão mexendo ... eles andam mexendo muito ?"

— "Não, só quando você tá por perto."

Fabinho alarga o sorriso.

— "Eles tem que aproveitar né ? Já que a mãe deles não facilita."

Giane fecha a cara.

— "Que que é em ? Vai começar ?"

— "Você é casada, não pega bem ficar ai sozinha desprotegida." ele joga a indireta.

— "Que você tem haver com isso em ?"

Fabinho ri.

— "No caso, tudo. Já que sou seu marido. Mas cê não sabe conversar."

Ela pega algo em cima da mureta,atacando nele.

— "Vai ! Sai ! Babaca !"

Fabinho sorri,e sai.

***

Fabinho volta, alguns minutos depois, com uma bandeja nas mãos.

— "Comida pra madame." Ele coloca a bandeja no colo dela — "Que papa na boquinha ? Tá com medo de quebrar a unha se pegar o garfo ?" Ele provoca, sorrindo pra ela.

— "Ha,ha pode deixar, eu me viro, idiota." ela pega o garfo, ele alcança a faca pra ela, que repara na cicatriz dele.

Fabinho repara.

— "Que foi ?"

— "Eu ... eu não gosto de olhar pra ela sabe ... pra sua cicatriz." Ela abaixa o rosto.

Fabinho olha pra ela confuso.

— "Porque ?"

Giane dá de ombros.

— "Ah, sei lá. Mesmo você tendo merecido na época, eu me sinto mal, sabe ? De saber que você vai carregar isso pra vida toda, e eu saber que fui eu que fiz." Giane da de ombros mais uma vez.

Fabinho sorri com ternura pra ela, puxando sua perna.

— "Lembra ? A gente brincando de rouba a bandeira. Eu te espetei com o cabo, fui que fiz."Ela sorri.

— "Essa é a vida Giane, aposto que cê tem mais um monte aí, que eu que fiz."

Ela sorri levantando o pé.

— "A pedra lembra ?"

Ele ri.

— "Coloquei pra você cair, e cê furou o pé."

Ele mostra o tornozelo.

— "O arame" ela diz rindo

— "É."

Ela mostra o joelho.

— "Quando cê me derrubou, e eu caí no caco de vidro."

Ele mostra as costas.

— "A madeira que tinha o prego." Fabinho ri. — "Tia Salma ficou desesperada, achou que eu ia morrer." Os dois riem. — "Tá vendo ? Quem dera essa fosse a única cicatriz que cê deixou em mim. Mas, cê vai compensar tudo deixando minha marca no mundo aí, oh." ele aponta com a cabeça pra barriga dela. — "meus herdeiros perfeitos como o pai, pra ninguém botar defeito.

Ela ri.

— "Minha marca no mundo." Ela ri outra vez — "Como isso ficou brega e piegas cara."

— "Ué,tô só falando a real. Eu sou galã esqueceu.

— "Nossa,como você é metido."

— "É por isso que cê gosta vai ? Vai dizer que não ?"

Ele sorri, e se aproxima tocando a barriga dela. Ele sentem os bebês mexerem,sorriem emocionados, se olham profundamente. Fabinho aproxima seu rosto do dela, levando a mão na lateral. Giane fecha os olhos,e já sentia o hálito quente dele em seu rosto. Quando são interrompidos com a chegada de Irene, Plínio e Malu, eles sorriem,ao ver o casal junto,num momento de carinho. Giane desvia o olhar de Fabinho envergonhada, ele desvia tirando a mão do rosto dela, se vira pra família.

— "Que bom, vê que você tá melhor querida. Falaram aqui na rua, que você estava até trabalhando."Irene fala pra ela com carinho.

— "Que nada mãe, essa aí só manda. tava lá me explorando, mandando eu carregar caixa que nem peão, pensa que eu não sei,que só quer me explorar."

Giane revira os olhos.

— "E esse aí,como vocês perceberam, não mudou nada."

Irene sorri pra ele.

— “Mudou sim,e por sua causa querida.”

Giane sorri sem jeito, abaixando a cabeça, pra não encarar a sogra, e resolve cortar o clima que se instalou ali..

— "Que bom que a família buscapé chegou, que eu vou trabalhar né ? Afinal, tenho três bocas pra sustentar" Fabinho se levanta, dá um beijo rápido na cabeça de Giane,e vai saindo acenando pra família. — Tchau, tchau povo. Que eu tenho que vazar."

— "Ei, e sua irmã e sua mãe ? Não ganham beijo não ? É só direito de esposa ?" Malu reclama.

Giane ri da cara dele, ao ver revirando os olhos.

— “Tá, tá, suas melosinhas.” ele dá um beijo na testa de cada uma.

— "Agora, tchau,fui." ele sai pela porta,sendo observado por todas com um sorriso.

— "E você, minha filha ? Como tá ?" Irene pergunta, olhando com carinho para Giane.

Giane sorri sem jeito.

— "Ah, tô bem Irene."

— "Vocês dois, pelo visto, tão se entendendo,se é que já não se entenderam não é?"

— “Não Irene, eu ainda tô magoada,e com medo. Mas o Fabinho tá mostrando, que merece a cada dia,que eu perdoe ele. E eu vou perdoar, só que eu não quero forçar nada, entende ? Se eu voltar agora,não vai ser por completo. E na primeira briga que a gente tiver, vai tudo abaixo. Então deixa assim. Ele tá aceitando,tá entendo, não toca no assunto, não cobra, não fala nada. Só se contenta em ficar aqui perto de mim, cuidando dos filhos dele, foi isso que ele pediu pra não ficar longe, pra deixar ele cuidar da gente. E eu to deixando.” Giane dá de ombros,dando um sorriso fraco para a sogra.

***

Fabinho chega na agência contente. Encontrando Silva,Jonas e Bento,conversando sobre uma campanha.

— "Flor ! Você aqui ?" Fabinho pergunta com um sorriso debochado.

— "É cara,eu comecei a conversar com você sobre a campanha pra Acácia e nunca mais né ?"

Fabinho olha surpreso pra ele.

— "Cê tá levando mesmo a sério isso né flor ? Coloquei mesmo juízo na sua cabeça."

Bento vira pra ele, sem acreditar no que ouve.

— “Você ? Juízo na minha cabeça ? Fala sério né Fabinho ?"

Fabinho ri,fingindo uma expressão de arrependimento pelo que disse.

— "É cara,cê tem razão.Se eu tivesse mesmo colocado juízo na sua cabeça, cê tava lutando pela minha irmã. Não ia tá perdendo tempo."

Bento abaixa a cabeça,envergonhado.

— "Fabinho,por favor. Eu não vim aqui pra isso."

— "Tudo bem flor,eu também não. Mudando de assunto....” Fabinho mexe na bolsa pegando algo. — Eu trouxe um negócio pra Silvia."

— "Pra mim ?" Silvia pergunta,com um sorriso surpreso no rosto.

— "É, sócia.Você e o Erico tem segurado a maior barra aqui pra mim, enquanto eu to nesse momento complicado com a Giane. Eu só meio grosso, eu sei. mas eu achei que devia te agradecer de alguma forma. Não são flores que nem o Nelson,porque flores eu mal do pra maloqueira." Silvia ri. — "Mas acho que você vai gostar." Fabinho entrega um embrulho a ela.

—"Ah,Obrigada querido.Não precisava ! Você sabe que tudo o que tanto eu,como o Érico,estamos fazendo por você é de coração.”

Silvia agradece,pegando embrulho.

— "Então,eu sei Silvia,e agradeço. Olha,não sei bem dá presente. Dou de vez em quando pra Giane só. De resto,ela que me ajuda a escolher sempre. Esse inclusive. Mais eu mesmo,compro pra ela só. Porque aquela lá, se adula um pouquinho, ela já fica desconfiada, então."

Todos riem.

Silvia abre o embrulho, onde no conteúdo, tem vários dvds.

— "Eu pedi ajuda pro Seu Plínio. Esses dvds, são uma coletânea do documentário inédito que ele fez com o Steve Jobs. O que lançaram mesmo, é um dos mais premiados do mundo. Ele não foi lançado, ai como papai Plínio tem acesso a essas coisas antes dos meros mortais, ele achou uma boa ideia eu presentear você com isso." Fabinho dá um sorrisinho,dando de ombros,meio sem jeito.

— "Nossa Fabinho, que incrível." Silvia revira os dvds, levantando. —"Obrigado querido." Ela agradece, abraçando Fabinho com carinho.

— "Eu nunca te agradeci, Silvia. A Giane foi a responsável por eu mudar,ser essa pessoa que eu sou hoje. Foi a dedicação dela,paciência,carinho comigo,que me fizeram a pessoa que eu sou. Mas a Malu,minhas mães nunca me abandonaram, e a chance que você me deu, fez o profissional que eu sou hoje. falam aí né, que por trás de um grande homem, ter uma grande mulher, no caso meu caso, e do Érico mais de uma né ? E muito mais por nossa frente,que por trás. Mas aqui, você é mais importante que nós dois. Sem você, não sei o que seria dessa agência. Na verdade,sei. Seria uma zona.Brigado por tudo Silvia,de verdade mesmo. Valeu." Ele ri.

Silvia se emociona.

— "Ai Fabinho." ela o abraça com carinho.

Fabinho retribui.

— "Queria agradecer ai,pelo carinho e a confiança que você teve em mim. Que sempre teve."

— "Olha, não vou dizer que no começo, eu não te contratei com um pé atrás, contratei sim. Mas com o tempo,você foi ganhando minha confiança. E hoje é esse menino aí,que todos se orgulham." Ela pega a bochecha dele, como um bebe.

Fabinho sorri pra ela,se afastando.

— "Isso tudo, e depois eu sou o zé florzinha." Bento ri.

Fabinho mira Bento debochado.

— "Qual foi,fica na sua, flor. O papo ainda não chegou no bosque."

— "Isso é jeito de falar com cliente ?"

— "Zé florzinha me poupe tá ? E aí, como tá tudo aqui ?"

Bento ri dele.

— "Tudo bem,Fabinho."

Fabinho olha a movimentação em volta, vendo o ir e vir e a agência funcionando a todo vapor,e sorri orgulhoso,e tranquilo que tudo ia bem,mesmo sem ele ali.

— "Pelo visto tá tudo legal aqui né ? Não tô fazendo falta." Ele brinca.

Silvia ri do comentário dele.

— "Cê sabe que não é verdade, né Fabinho ? Você é muito importante aqui,faz muita falta. Ainda mais no setor de criação."

Fabinho olha pra ela, fingindo desconfiança.

— "Hum, sei. Tô achando que você tá falando tudo isso aí, só por causa que eu te disse esse monte de coisa legal."

Silvia sorri, apertando as bochechas dele,Bento ri.

— "Nem todo mundo é interesseiro igual você Fabinho."

Fabinho vira pra ele.

— "Na boa, que cê ainda tá fazendo aqui flor ?"

Todos riem.

— "Cadê o nosso web designer ?"

— “Ah, o Jonas tá doente. A Luz ligou hoje pra cá, e falou que vai levar ele no médico. A gente só precisa rezar pra ele não pegar atestado." Silvia diz preocupada.

— "Tem mesmo, porque eu não posso tomar as rédeas aqui ainda Silvia. Cê sabe, tem a maloqueira. Eu não posso deixar ela sozinha agora."

— "E como ela tá Fabinho ?" . Bento pergunta preocupado.

— "Bem melhor. Eu to fazendo ela comer, tá tudo indo." Ele dá um sorriso.

— "Desculpa pela loja, viu Fabinho ? Eu não devia ter pedido pra ela ficar lá. Sei lá,vai que o cheiro das flores enjoa ela, faz mal."

Fabinho bufa.

— "Hã ? Aquela lá,é bem capaz de ter desejo de comer plantas, de tanto que ama."

Bento ri.

— "É verdade, Giane adora flores mesmo. Pelo menos, cuidar delas."

— "Gosta de ganhar também. Mesmo fingindo que não liga."

— "Ela sempre ficou bem perto de flores."

Fabinho revira os olhos.

— "E a culpa é sua. Aí hoje eu que sou obrigada a aguentar."

Bento ri.

— "Cê adora Fabinho, confessa."

— " Eu amo a Giane,e tudo o que vem com ela. E você ter pedido pra ela ficar na loja,nem foi tão ruim,tá de boa. Eu tô ajudando ela,e isso tá ajudando,tá aproximando a gente."

Todos olham pra ele encantados,ele percebe cortando o assunto.

— "É, mas vamo falar de trabalho, né ? Afinal, eu não pago ninguém pra ficar fofocando."

— "Então Fabinho,eu tava falando pra Silvia,que a foto fico boa, mais o Slogan,não é a cara da Acácia. Não sei."

Fabinho olha pra ele admirado.

— "E o que você entende disso em flor ?"

— "Nada. De publicidade nada,mas entendo da minha loja. Sei o que combina ou não com ela."

Fabinho pega o material.

— "É,ficou boa essa foto,o Slogan hum, não tem mesmo haver com sua lojinha mesmo não."

— "Hum, acácia amarela hum ... pode deixar flor, eu arrumo um slogan bom pra você tá ? De graça.”

— "Não vai vim ideia idiota dai não né ?"

Fabinho sorri

debochado.

— "Cê vai gostar flor. Pode apostar."

— "O Fabinho é bom Bento, pode confiar nele."

— "É,flor, sua campanha vai ficar ótima."

***

Irene vai se despedindo de Giane.

— "Brigado por ter deixado a gente passar o dia com você, viu querida ?"

Giane sorri pra sogra.

— "Eu agradeço também Irene. De verdade,foi ótimo ter vocês aqui."

— "Olha, tenta perdoar meu filho, graças a você ele aprendeu a ser grato também ,a amar."

Giane sorri sem jeito pra sogra.

— "Eu preciso de um tempo Irene,um tempo pra mim,pra eu entender tudo isso,aceitar. Mas eu amo demais o Fabinho,demais mesmo. Nem sei dizer o quanto. Pode acreditar,que se ele tá sofrendo,eu também tô. Pelo meu sofrimento,e pelo dele. Também não tá sendo fácil pra mim,eu te garanto."

Irene sorri abraçando a nora.

— "É bom demais pra mim como mãe,ouvir isso, viu ? Fica com Deus querida."

Fabinho entra no quarto bem na hora,admirando a cena.

— "Hum, mamãe e mulher melozinha. Aonde eu fui amarrar meu burro em ?"

Giane serra os olhos pra ele,ainda abraçada a Irene.

— "E você já chegou enchendo o saco né ? Seu cretino."

Fabinho se aproxima,abraçando a irmã.

— "Hum,delicadeza em forma de menina."

Giane revira os olhos.

— “Porque você passou na fila da delicadeza umas dez vezes, né ?"

Malu e Irene sorriam se entre olhando.

— "Bom, a gente já vai indo, né Irene ?"

— “É,foi um dia maravilhoso, viu querida ? Eu já vou indo, tchau pra vocês."

— "Tchau." Eles dizem juntos.

— "Tchau gente." Malu dá um beijo nos dois, Irene também. Elas saem observando os dois.

— "Aonde você tava ?"

Fabinho sorri, travesso.

— "Resolveu tirar satisfação agora é maloqueira ?"

Giane revira os olhos.

— "To perguntando só,idiota."

— "Hum,cê vai dizer que não tá nem aí pra minha vida ?" Ele olha pra ela,com um meio sorriso nos lábios, provocando.

— “Eu falei isso ? Não, não torra meu saco não, falo ?"

— "É que antes de você sair,eu tomei meu remédio.

Queria saber, cê já tá na hora de tomar de novo, só isso."

Ele sorri pra ela.

— "Tudo bem." Ele olha no relógio.- "Cê já comeu?"

— "Almocei aquela hora que você saiu."

— "Giane,caramba, porque você faz isso em ?"

— "Não sei ! Não sei cara ! Não sei falo ? Eu não sinto fome, ai eu não lembro de comer. Cê quer saber ? É isso. Não sinto vontade de comer,se queria saber, é isso. Eu também queria entender." Fabinho fica quieto,se lembrando das coisas que o médico disse pra ele, mas não querendo contar a ela. — "Eu não entendo, não sei mais o que eu sinto."

— "Cê vai se arrepender Giane,se cuida caramba."

Giane revira os olhos.

— "Ai Fabinho, para. Que saco,ter que ficar levando bronca,sermão toda hora. Que droga isso, em ? Vou te conta." Ela quase grita.

— "Baixa o tom ! Você tem que aprender a admitir que tá errada,e pedir desculpas. Anda,pede desculpa. Você tá errada. Não tá se cuidando, e nem dos nossos filhos."

Giane bufa, levantando irritada, saindo do quarto. Fabinho bufa, indo atrás dela. A vê sentada no sofá, quieta. E senta ao lado dela.

— "Se continuar dando sermão, torrando a minha paciência, vaza."

Fabinho fica quieto um momento.

— "Tá com fome ?"

Ela fica quieta, sem olhar pra ele. Então responde.

— "To"

— “Então,desamarra essa cara,e vem. Eu como com você."

Giane se levanta junto com ele, eles vão pra cozinha. Ela se alimenta muito bem, arrancando um sorriso de satisfação dele.

— "Isso aí,come mesmo. Que eu quero meus pivetes bem gorduchos,quando pularem desse teu bucho aí."

Giane olha pra ele brava.

— "Bucho, bucho tem a sua mãe, babaca."

Fabinho ri dela.

— "Tá,chega de papo. Que eu quero ver você comendo ainda. E hoje eu vou vim jantar aqui,pra ver se você tá comendo direito."

— "Vai vim jantar aqui ? Mas eu te convidei ?"

— "Hum, e eu lá preciso de convite,pra vir jantar na casa do meu sogro ? Ainda mais que sou eu que vou trazer a comida ?" Ele dá um sorrisinho cara de pau pra ela.

Giane ri.

— "E eu lá quero sua comida ? Eu hein."

Ele a olha incrédulo

— "Ah,mas como é ingrata. Seu Silverio,vem aqui,sua filha é muito ingrata." Ele brinca fingindo que vai chamar o sogro. — "Mas bem que aquele dia você gostou né ?"

Giane ri e resolve provocá-lo.

— "Aquele dia,eu não tinha opção."

Fabinho olha pra ela de novo, sem acreditar.

— "Ah é ? Da próxima deixo você com fome,ingrata. Ingrata. Que ingrata cara."

Giane sorri pra ele.

— "Babaca."

— "Maloqueiro."

— "Imbecil,ridículo."

Fabinho ri, se aproximando dela.

— "Vou pra casa,ajudar minha mãe."

Giane se entristece,não só por ele ter dito que irá embora,mas pelo fato de ter chamado a casa da mãe de casa. Mesmo que a casa do pai fosse ser pra sempre a sua casa,e ela sabia, que a casa de Dona Margot fosse ser pra sempre a casa de Fabinho,ela não se sentia mais na sua casa. Pois, sua casa era a casa deles,a casa que construiu com ele. E era triste saber,que pra ele não era assim. Que a casa da mãe voltará a ser a sua casa, como a do pai,jamais voltaria a ser a dela.

Ele se aproxima, pra dar um beijo no rosto dela, que esquiva. Com a cara fechada.

— "Vai ! Vai ajudar sua mãe"

Ele a olha sem entender

— "O que eu fiz agora em ? Posso saber ?"

Giane desvia o olhar dele.

— "Você não fez nada. Só vai ! Vai,anda logo."

Fabinho abaixa a cabeça triste,se afastando.

— "Eu vou pra casa da minha mãe, se você não quiser jantar, tudo bem. Eu trago a comida e vou embora." ele vai saindo.

— "Meu pai pode fazer comida."

Fabinho fica ainda mais triste.

— "Tudo bem,então. Tchau pivete,se cuida."

Fabinho se afasta, triste.

— "Fabinho !" Ele se vira.- "Que horas você vem ?"

Ele tenta conter um sorriso.

— "Como assim que horas eu venho ? Achei que cê não quisesse …"

— "Eu tô ... tô com vontade de ... comer a comida da sua mãe. Tô com vontade,acho que deve ser essas parada de desejo aí."

Fabinho abre um sorriso enorme pra ela.

— "Não sei ! Daqui a algumas horas. Mas eu prometo que eu

venho."

— "Tá bom, eu vou esperar. Tchau fraldinha."

Fabinho sorri de novo.

— "Até mais tarde, pivete." Ele vê ela se

levantando, indo pra dentro.

— "Minha pivete."

***

As horas passam, Giane espera Fabinho agoniada no sofá. Ela tava arrumada, não como pra um jantar formal, mas muito mais que pra um jantar comum. Estava com lápis nos olhos,os cabelos com um arquinho, um bata azul e um legue preta, com sapatilhas. Ela bufa impaciente,pela enésima vez. Quando ouve a campainha, pulando do sofá.

— "Até que enfim."

Seu Silvério abre a porta. Fabinho entra com a mãe,dando um sorriso radiante ao ver Giane, mais a provoca.

— "E cadê a maloqueira em ?" Ele balança a cabeça, fingindo procurar ela.

Giane revira os olhos.

— “Larga de ser idiota,garoto.”

Ele se vira,olhando pra ela.

— "Nossa, é você pivete ? Nem te reconheci. Tava procurando meu moleque de rua." Ele sorri debochado.

Giane revira os olhos.

— "Aí,dá um tempo vai fraldinha,até parece que nunca me viu arrumada."

— "Pra um simples jantar em família,não mesmo."

Giane balança os ombros.

— "Eu to feliz,e quis me arrumar. Só isso. Eu ando me sentindo meia feia, acho que a gravidez tá me deixando meia baranga. Sei lá." Ela dá de ombros.

Fabinho sorri com ternura, se aproximando dela,arrumando seu arquinho.

— "Se toda grávida fosse baranga que nem você, as barangas iam querer engravidar de 9 em 9 meses pivete. Larga de besteira, vai."

Ela sorri pra ele.

— "Não fala besteira você,vai garoto."

— "Tô falando sério pivete, você tá linda. Cê ganhou um ar maduro,um ar de mãe, sem perder seu lado maloqueira,seu jeito de moleque de rua. Que esse aí,nem se você quiser perder né ?"

Giane sorri sem jeito, abaixando o olhar. Margot sorri com as declarações do filho.

— "Essa é a declaração mais grossa, que eu já ouvi na minha vida."

— "É ? Achei que a declaração mais grossa que você tinha ouvido na sua vida, é quando eu disse que tava sentindo sua falta,quando você resolveu me evitar porque tinha me beijado."

Giane olha pra ele,e balança a cabeça.

— "Segunda maior então, vai fraldinha."

— "Não posso ser muito fofo com você, você é um cavalo grosso."

— "É ? Não tá funcionando não então, em cara ?"

— "É ? E eu posso saber porque ?"

— "Porque eu achei fofo o que você disse." Ela fala meio pra dentro.

— "Que ? Fala pra fora que eu não ouvi nada." Ele sorri,pra provocar ela.

— "Eu falei,que achei fofo o que você disse garoto."

— "Olha,mas até na hora de fazer um elogio, ela é grossa. Fala a verdade, cavalo grosso que eu casei cara,fala sério."

Giane ri.

— "Meu filho tem razão, querida. É muito bom te ver assim,tão bem,em pé,mais saudável."

Giane sorri pra sogra.

— "Eu queria agradecer a senhora dona Margot,suas sopas fizeram esse milagre. Única coisa que eu consegui comer,sem seus netos me fazerem botar pra fora."

Fabinho bufa revirando os olhos.

— “Mais é falsa essa pivete. Olha mãe, ela reclamava todos os dias quando eu levava sua sopa pra ela.

Giane vira pra ele,bufando, o enchendo de tapas.

— "Ai, cala a boca garoto."

Ela vira pra sogra.

— "Dona Margot olha,sua sopa tava uma delicia. Seus netinhos piram nela ,sinto os maloquinhas fazerem sambódromo aqui dentro.”

Margot sorri com doçura pra ela.

— "Oh minha querida,eu fiz com muito carinho."

— "É pivete, minha mãe usa o mesmo tempero que eu uso pra cozinhar pra você."

Giane vira pra ele,encarando desconfiada.

— "Você ? Usando o mesmo tempero da sua mãe ? Conta outra fraldinha."

Fabinho olha pra ela fingindo não entender.

— "Qual é ? Cê acha que eu aprendi a cozinhar com quem ? Uso o tempero dela."

— "É ? Qual o tempero ?"

Fabinho ri debochado.

— "Sazon, tempero de amor."

Giane ri,balançando a cabeça.

— "Você é mesmo muito cretino né garoto ? Fala a verdade gente, é um cretino né não ?"

— "Hum, por que eu sou cretino ? Por eu falar que te amo ? Tá bom,não falo mais, fico me declarando, e só recebo patada."

Giane ri do drama.

— "Tá, chega de drama vai fraldinha. Vamo comer que eu to morrendo de fome."

— "Tem horas que não come nada, aí depois, fica morrendo de fome. Vai entender essa garota."

Giane bufa.

— "Ai Fabinho, cala a boca vai ? Pelo amor de Deus."

— "Então vamo alimentar meus netos ? Que a mocinha aí, vai acabar é devorando meu filho desse jeito."

Todos dão risada.

— "É mãe, salva minha vida."

Giane ri, revirando os olhos.

***

Eles se sentam na mesa. Giane muda o lugar onde era de costume dela sentar, não queria pagar de casalzinho feliz com Fabinho. Topou o jantar, mas isso não mudava nada. Não , completamente. Era só mais um momento de calmaria, no meio da tempestade. Seu Silvério olha, estranhando a filha ocupar o lugar de Margot a mesa. Ele percebe a intenção, e a expressão triste do genro ao ver Giane se sentar ao seu lado. Seu Silvério então, troca de lugar. Recebendo um olhar surpreso de Giane, e um sorriso de Fabinho. Margot ocupa o lugar que originalmente era de Giane, e Seu Silverio o de Fabinho.

— "Achou que ia fugir de sentar de casalzinho comigo é maloqueira ?"

Ela fica um tempo quieta, até responder.

— "Não tava fugindo de nada, sentei no primeiro lugar que vi." mente ela

— "Tá pivete,tudo bem. Seu plano não deu certo mesmo." Ele ri,se sentando, provocando ela.

Giane revira os olhos, arrancando um sorriso de Fabinho. Eles vão jantando como a família feliz que eram.

***

Bento vai indo pra casa. No caminho,se depara com Malu se despedindo de Maurício, na frente do carro dele.

— "Brigado viu Mau ? Foi muito bom conversar com você, matar a saudade. Ter de volta meu amigo." Ela sorri pro rapaz.

Mauricio sorri pra ela.

— "Independente de com quem a vida decidiu que a gente ia ficar Malu, eu e você sempre vamos estar juntos,como amigos."

Ela sorri,voltando a abraçá-lo. Ele então entra no carro. Ela o observa ir,quando vira pra ir pegar seu carro, em frente a casa de Margot,se depara com Bento. Se vira pra dar meia volta,mais escutar ele dizer:

— "Malu espera, será que a gente pode conversar?"

***

Giane come a comida da sogra com vontade, indo pro segundo pedaço.

— "Oh querida, você não sabe como eu fico feliz de ter tão bem, com apetite, se alimentando direito."

— "Eu agradeço a senhora, por essa comida maravilhosa. Tá fazendo eu me alimentar melhor. Essa lasanha tá maravilhosa,vou até comer mais um pedaço." Ela fala,já colocando no prato.

— "Fala isso não mãe, senão nunca mais vai para de cozinhar pra essa daí." Ele sorri,feliz que sabia que ia provocar ela.

Giane bate nele.

— "Para garoto." eles ouvem o barulho de carro saindo, Giane preste atenção. — "Ué ? Quem tá chegando ?" Ela se levanta, indo até a janela, vendo o carro de Maurício saindo.

— "Ué, o carro do Maurício aqui na casa verde ?"

— "Que foi pivete ? Tá preocupada com alguma coisa ?"

— "Com o Bento. Será que o Maurício veio falar com ele ou tava com a Malu ?"

***

Bento abre a porta, dando passagem pra ela, que entra se virando logo pra ele.

— "O que você quer em Bento ?"

Bento se aproxima dela.

— "Porque você tá me tratando assim em Malu ?" Bento olha pra ela,sem entender a rispidez.

Ela vai observando a casa saudosa.

— "Você sabe Bento, você não confia em mim."

— "Pelo visto eu tenho motivo. A gente mal brigou, e você já tá grudada no grande amor da sua vida."

Malu bufa, soltando uma risada.

— "Como você é ridículo. O Maurício é meu amigo,só isso."

— "O Maurício nunca foi só seu amigo Malu,nem nunca vai ser.”

— "Bento, fala logo. O que é que você quer ?"

Bento se aproxima dela, tocando seu rosto com carinho.

— "Eu quero que você volte pra casa."

— "Você confia em mim ? Se eu disser pra você que eu volto, você vai esquecer essa história de fantasma do passado do Maurício e da Amora ?"

Bento vira de costas pra ela.

— "Como ? Como eu posso fazer isso ? Se a gente tem uma briga, e você já corre pros braços do cara ?”

Malu bufa, batendo os braços, incrédula. Já pegando sua bolsa pra sair.

— "Como você é ridículo."

— "Vai lá, ele pode te dar tudo que eu não posso mesmo, uma mansão no jardins talvez."

Malu para,virando pra ele.

— "Como se eu ligasse pra isso né ? Tchau,Bento."

***

— "Ai, mais como é burro esse cara. Fala serio." Giane que ouve toda a briga no esconderijo de sempre,e reclama do amigo.

Fabinho vem vindo, sorrateiramente atrás dela.

— "Que coisa feia em ?"

Giane se vira meia assustada, colocando o dedo na própria boca, em sinal para que ele fique quieto.

— "Shiu, Feia tá a coisa aí dentro. Cara, como o Bento é burro, paspalho. Fica desconfiando da sua irmã, otário. A vontade que eu tenho é socar a cara dele, sabia ?"

Fabinho ri.

— "Cê quer ajudar eles,aposto."

— "Só uma ajudinha, já que esse mané não enxerga nem o que tem na frente dele, escrito em negrito."

— "Tá, eu te ajudo. agora não tem nada que ficar aqui né ? Vamo bora." Ele faz sinal com a mão pra ela, pra irem. Mas ela volta a virar de costas pra ele,voltando ao ouvir dentro da casa.

— "Bora garota." Fabinho a puxa pela cintura, recebendo tapas dela, e mesmo assim não a solta, e vai puxando ela pra longe da janela.

***

— "Ah é, porque eu ligo muito pra isso né Bento? mansão, dinheiro, eu cresci com uma mãe que só pensava em dinheiro, eu não sou assim. Eu não sou a sua Amora não."

— "Ah claro, você tem que falar da Amora né ?"

— "Ué, você pode falar do Maurício, e eu não posso falar da Amora ?"

— "A minha história com a Amora acabou.”

— "A minha com o Maurício também."

— "Ah é ? Não é o que parece."

Malu leva a mão em sua bolsa, falando enquanto vai saindo:

— "Muita coisa não é o que parece. Você mesmo, O Bento que eu amo, também me mostrou ser um, e agora é outro. E ele não é o cara por quem eu me apaixonei. Me dá licença, eu vou embora." Ela sai. Bento bate na mesa, chorando. Malu seca as lágrimas, se encaminhando pro seu carro.

***

Fabinho se senta na ponta da mesinha de centro, enquanto Giane está a sua frente esparramada no sofá afundada

— “Oh, seu remédio. Eu comprei mais.”

— “Mais ainda tem”

Ele a olha surpreso.

— “Como ? Já era pra ter acabado. Cê tomou o de hoje ?

— “Não.”

— “Giane não pode esquece, isso é coisa séria.”

— “Se você se preocupasse mesmo comigo, como adora se gabar aí, tinha lembrado pra mim. Mandado mensagem, ligado pro meu pai. Mas não, agora só quer saber de trabalho. Deve ter uma coisa muito interessante lá né ?”

Fabinho ri da crise de ciúmes explícita dela

— “Larga de ser boba garota.”

— “Aposto que cê tá lá, cheia de piriguete ordinária fuxicando sua vida. ai Fabinho isso, ai Fabinho aquilo, vê se isso é papel que se faça.”

— “Eu to trabalhando, só isso. E o quem fala, não lembra não, você acabando de ir fuxicar a vida alheia, agorinha mesmo.”

— “Cê vai ficar tacando isso na minha cara ? Eu to tentando ajudar sua irmã, e aquela mula empacado se entenderem.”

— “Giane olha só, deixa eles. A gente já tem problemas demais, pra ficar se metendo no dos outros.”

Giane não acredita no que ouve.

— “Ela é sua irmã,cara ? Você não quer ver ela feliz?”

— “Claro que eu quero. Só que acho que eles tem que resolver isso, a gente tem que cuidar da nossa vida.”

Giane olha pra ele incrédula.

— “Ah claro, por que voce não precisou dela para sair da cadeia né ? Pra te ajudar quando precisava, então foi por isso que eu ouvi aquela conversa, pra ajudar.”

— “Eles tem que se resolver Giane.”

— “Não Fabinho, não é assim não. Porque na hora de pedir ajuda pro Bento comigo, você pede né ? Na hora de ajudar, não ?”

Fabinho levanta bravo.

— “Qual é a próxima fala agora ? Que eu não amo ninguém, não me importo com ninguém.”

— “É o que tá parecendo,sabia ?”

Fabinho ri incrédulo saindo.

— “Muita palhaçada.” Fabinho se levanta,se encaminhando pra saída.

— “Você vai sair daqui falando assim comigo ? Cê vai falar assim comigo ? Fabinho ? Fabinho .... oh Fabinho.”

Seu Silvério entra.

— “Que foi filha ?”

— “Esse moleque, se estressa com qualquer coisa. tem ataque doido, depois fala que eu que não sei conversar. idiota, mó maluco cara.”

Seu Silvério ri da expressão de angústia dela, por debaixo do desdém.

***

No dia seguinte, Giane arruma as caixas na frente da van. Tendo dificuldade com algumas pesadas, quando vê Fabinho erguendo uma delas, ela olha pra ele, que sorri pra ela.

— “Parou de frescura ?”

— “Não achei que aquela discussão boba, era motivo pra gente ficar de cara virada do outro.”

— “Não é mesmo.”

Ele sorri pra ela.

— “Então por isso eu to aqui vamo trabalhar ?”

— “E a agência ?”

— “Nossa que anda muito preocupada com a agência em ? Que que é,tá com medo que eu não pague pensão pros nossos filhos ?”

Giane revira os olhos.

— “Que mané pensão garoto, e eu lá preciso do seu dinheiro ?

Fabinho olha pra ela surpreso.

— “Desculpa, esqueci que você é famosa e rica.”

Giane bufa.

— “Fora que, é um casal separado que paga pensão. Por acaso,você tá querendo se separar de mim ?”

— “Prefiro morrer antes.”

Giane ri,baixando a cabeça.

— “Chega papo vai cara,vamo trabalhar,vai.”

Fabinho sorri, ajudando ela.

***

Malu senta, encolhida no sofá, olhando pro nada, quando ouve a voz da avó, a chamando.

— “Maluzinha, olha quem veio te ver.”

Malu levanta o olhar, vendo Mauricio, dando um sorriso pra ele, que se aproxima do sofá, se jogando em seus braços.

— “Mau ! Que bom que você tá aqui.”

— “Eu dormi preocupado com você, senti que tinha alguma coisa errada.”

Malu respira fundo, triste.

— “E tem. Mas senta, toma café aqui, a gente conversa.”

***

Bento serve café numa xícara, na cozinha de Salma, quando ela e Gilson entram.

— “Tia,eu vim pegar café. Lá em casa não tem. Aliás, lá em casa, não tem mais nada desde que a Malu saiu de lá. Não tem mais vontade pra nada, eu nem sei se tem mais eu dentro daquela casa.”

— “Você e a Malu, vocês ainda não se entenderam ?”

— “Não tia, a gente conversou ontem, mas deu tudo errado.”

— “Bento vocês se amam. Lutaram tanto por isso. abriram mão de pessoas importantes pra vocês, acham mesmo que esse amor não era pra ser filho ?”

— “É tia, mais acho que a Malu ainda tem algo muito forte com o Maurício, e eu não to preparado pra aceitar isso.

— “Só cuidado pra não perder essa menina, ela te ama de verdade, e sem ela você vai sofrer.”

— “Eu sei tia.” Ele termina o café saindo triste.”

— “Eles tem que se entender Gilson, quando será que o nosso menino vai parar de sofrer em ?”

— “Logo Salma, logo.”

***

Giane arruma um vaso de plantas na entrada da loja. distraída,não vendo a entrada de Conrado, que sorri malicioso, ao ver ela, se aproxima soprando perto do pescoço dela.Giane se vira assustada, sabia que não era Fabinho.

— “Epa, calma, te assustei ?”

Giane bufa nervosa

— “Não, imagina, um idiota aparece aqui, assopra o meu ouvido, e eu nao vou me assustar não. Claro que eu me assustei.”

— “Percebi que seu maridinho não tem o hábito de fazer isso com você, não é surpresa.” Fala coladinho no seu ouvido. Ele se aproxima dela de novo, Giane o empurra com mais força.”

— “Não encosta em mim, que te arrebento.”

Conrado ri, se aproximando dela de novo.

— “Sabia que eu adoro esse seu jeito ? Eu acho que se você fosse que nem as outras, eu nem olharia pra você, mesmo você sendo bem gostosinha.”

Giane fecha a cara dando um tapa no rosto dele.

— “Nunca mais na sua vida, ouse abrir essa boca pra falar qualquer coisa pra mim. Eu tenho nojo de caras como você. Eu tenho nojo de você,nojo.”

Conrado segura o braço dela, a puxando pra si.

— “Não é o que eu fiquei sabendo. Antes do seu maridinho ser esse empresário de sucesso, ele era como eu ? Não era ? Na verdade, fiquei sabendo que ele era um bandido.”

Giane bufa com um sorriso debochado.

— “Mesmo que o Fabinho fizesse o dobro de coisas que ele fez no passado, ele seria melhor que você. O Fabinho nunca seria igual a você, nunca. O Fabinho é duas vezes, o homem que você nunca vai ser. Nunca, entendeu ?”

Conrado segura os dois braços de Giane, que o encara assustada. Nessa hora Fabinho entra perguntando:

— “Pivete onde fica mesmo o ... o que esse cara tá fazendo aqui ?” Fabinho olha Conrado com fúria no olhar.

— “Hum, pelo visto os boatos são mesmo verdade, tô mesmo lidando com um bandido.”

Giane se enfurece e quando vai dar um chute nele, Fabinho se aproxima e ela o empurra.

Fabinho se aproxima dele segurando seu colarinho.

— “Quer pagar pra ver ? Da o fora daqui. Eu não quero mais você perto da Giane perto de mim, entendeu ? Fabinho joga ele pra fora da loja.”

— “Eu tô só te dando um aviso, eu vou acabar com você.”

— “Dá o fora daqui.”

Fabinho o observa sair, voltando, e olhando pra Giane assustada,se aproximando dela.

— “Cê tá bem ?”

Giane confirma com a cabeça, ele se aproxima abraçando ela.

— “Antes eu achava que era só capricho de um mauricinho mimado, mais um tô começando a ficar com medo desse garoto. Ele me deixou apavorada,eu nem me reconheci, porque eu devia ter dado um chute nele,mas eu paralisei.”

Fabinho segura o rosto dela entre as mãos

— “Esse cara não vai fazer nada com você, eu mato ele antes disso.”

Giane sorri pra ele, deitando a cabeça em seu peito, o abraçando

— "Não fala isso nem brincando. Se você mata esse idiota,você vai preso. E o que eu faço em ? Vou criar nossos filhos sozinha ?"

— "Te garanto que não vai faltar riquinho,almofadinha pra candidato a pai."

Giane dá um soco nele.

— "Não fala besteira, garoto."

— "Cê tá bem mesmo ? Não quer ir pra casa ?"

— “Não. Eu to bem. Brigado por cuidar de mim."

Fabinho aperta ela mais forte, em seus braços.

— "Eu vou cuidar de você sempre.Sempre maloqueira,sempre.”

Giane o aperta mais forte nos braços, os soltando, secando as lágrimas, dando tapinhas no peito dele.

— “Agora já passou o susto, vamo trabalhar né ?”

Fabinho sorri. Era muito tempo de convivência,uma vida toda. Conhecia o jeito dela, sempre quando brigavam, ela cedia, mais fugia depois. Ela era assim,essa era sua maloqueira. Mais sabia, a conhecia, e sabia mais ainda, que tava amolecendo ela. E que não ia demorar, ela ia voltar pra ele. Com um sorriso no rosto ele volta a ajudá-la.

Notas finais
*** Fabinho falando frase do Elano sim,porque a gente trabalha com crossover dos otp. Sou cria Maria Adelaide Amaral então sempre vai ter referências aqui,e outras fics minhas. E a Emília é icônica né ? Vai ser muito lembrada aqui. No esboço desse capítulo, não tinha essa briga deles. Mas numa das edições que eu fiz,eu resolvi acrescentar. Eu gosto quando Fabine briga, mesmo dando um aperto no peito. "Como Isabelle disse uma vez,acho que isso que é o legal desse casal,esse fogo." Em todos os sentidos né ? Gostei de toda a sequência e do desenrolar da briga. E vocês ? O que acharam ? Como eu falei,amo a sequência da briga. Ah, quando ela vai atrás dele e beija. Aí gente,tudo pra mim. Eles voltando pras orquídeas 😍 foi aonde tudo começou eu não podia deixar de fora essa ceninha. Essa conversa deles sobre as cicatrizes,foi das cenas que eu mais amei escrever. Eu amo demais. Essa parte dos lugares da mesa,foi uma das coisas que mais amei escrever nesse capítulo..
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.