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3 Após a terceira Maria
Notas iniciais
Cavaleiros do Zodíaco e seus personagens pertencem à Masami Kurumada e empresas afiliadas (Toei, Bandai, etc...).
A personagem Tamara (Tamy) é de autoria de Wanda Scarlet. Todos os direitos reservados à mim.
A personagem Tamara (Tamy) é de autoria de Wanda Scarlet. Todos os direitos reservados à mim.
— O que é um pecado, Tamy? — O que mais poderia ser? Um jovem lindo como você bebendo sozinho, isso é um pecado... Tamara, ou Tamy para os íntimos, era a barmaid daquela boate. — Mas eu não estou sozinho, tenho você. – e alargou o sorriso nos lábios lançando um daqueles ‘olhares fatais’ que só homens que têm certeza do quanto são bonitos possuem. — Ah...cavaleiro! – repreendeu ela – Nem começou direito a noite e você já vem com essa conversa pra cima de mim? Ele tomou um gole da bebida e riu baixinho. — É verdade, você já deve estar cansada das minhas indiretas, não é mesmo? Vou ser mais específico... – olhou-a significativamente – Que horas termina seu turno? A moça riu e tocou de leve a ponta do nariz do rapaz num gesto carinhoso. — Engraçadinho! Você sabe que nunca revelo meus horários. – estreitou os olhos e sorriu – Trabalho aqui há muito tempo e te conheço a mais tempo ainda para esse tipo de abordagem funcionar comigo, não acha? Olhou-a com um brilho de falsa decepção nas grandes pupilas claras. — Quer dizer que você não gosta de mim? Ela teve que cair na risada. Aquele rapaz tinha o rosto tão angelical quanto atraente, ou seria atraente porque é angelical? De qualquer forma, aqueles olhinhos podiam amolecer qualquer coração! Isso se o coração em questão não pertencesse à Tamara. — Você sabe ser persuasivo, né?! Agora entendo como até a mais séria das mulheres não consegue resistir a esse seu charme encantador. Suavizando a expressão e sorrindo também, o rapaz disse: — Mas embora você não seja séria, ainda resiste. O que me diz? — O que eu te digo é que deveria olhar para trás. Tem uma loira muito bonita te secando desde que chegou. – e indicou com o olhar uma mulher às costas dele. O cavaleiro só olhou por cima do ombro franzindo o cenho para a mulher que o observava de maneira cobiçosa. Depois virou-se para frente e voltou a tomar a sua bebida calmamente. Aparentemente aquele gesto aborrecera a loira, pois essa fechou a cara e desviou seu olhar, visivelmente irritada. — Por que fez isso? – perguntou a moça não entendendo a atitude do rapaz – Não a achou bonita? — Achei bonita sim. — E por que a dispensou? — Não estou interessado em loiras. – foi a resposta mal humorada dele. — Sei... – estreitou os olhos lendo nas entrelinhas e adivinhando o motivo daquelas palavras – Ainda com dor de cotovelo? — De quem? – perguntou fingindo não entender de quem ela falava. Se meia palavra pra um bom entendedor bastava, o mesmo valia para um meio olhar. O que ele lhe lançou cumpriu bem o papel. Não estava a fim de falar a respeito daquilo! — Então a morena na pista de dança faça mais o seu tipo. Ela também não tirou os olhos de você nem por um instante. Dessa vez o rapaz nem se deu ao trabalho de olhar a mulher que a barmaid lhe indicava discretamente. Limitou-se a levantar e abaixar os ombros em sinal de descaso. — Hunf... Deixa ela lá olhando o quanto quiser. Isso é só o que terá de mim. — Santo mau humor!!! – exclamou ela sorrindo – Se não está procurando companhia, por que veio aqui hoje? Só pra beber? — Vim porque você é uma pessoa adorável e trata muito bem os clientes, principalmente os amigos. Seria um crime negar-me sua simpática companhia. – respondeu transbordando de sarcasmo, sem contudo deixar de sorrir charmosamente para ela. — Ah amorzinho! Então era isso que você faz toda noite? – fingiu estar comovida – Achei que estava só procurando uma desculpa para não voltar para aquele apartamento grande e vazio... A alfinetada acertou em cheio, pois ele desviou o olhar sem responder nada. Tamy sabia que tinha tocado na ferida certa. — Por que você não vai lá e se acerta com seu irmão de uma vez?! Não agüento te ver agindo dessa maneira irresponsável e infantil!!! – exaltou-se indo direto ao ponto – Já de tempo mais do que suficiente para vocês dois se acertarem e voltarem a ser uma família! Você deveria acabar com esse... – interrompeu a bronca de repente, os olhos perspicazes desviando-se para a outra ponta do balcão – Com licença. – falou ela já se dirigindo para o local atender o cliente recém chegado.
— Aproveita e me traz outra dose. – pediu ele ao que a moça só fez um sinal com a mão de que tinha ouvido. Tamy era uma boa moça, mas definitivamente não entendia que a relação com o irmão não ia mudar tão cedo... Mas mesmo assim, ouvia calado as opiniões, ou sermões, que ela exprimia sem qualquer cerimônia. Eram amigos desde que o cavaleiro começara a freqüentar aquela boate depois que retornou para a Grécia, tinham uma intimidade grande. O fato de a ruiva ser sua vizinha de apartamento também era um agravante para o relacionamento entre os dois tornar-se uma sólida amizade. Lembrava-se da época em que a conhecera... Naquele tempo achava que nenhuma mulher tinha motivos para resistir aos seus encantos quando se mostrava interessado. Mas Tamy o fez lembrar que não era bem assim que a banda tocava. Ficara irritado com a maneira esguia com que a moça rejeitava suas investidas, afinal, era uma mulher bonita e agradava-o em vários aspectos. O mais natural era que desse em cima dela, mas o fato da barmaid não estar interessada nele feriu seu orgulho masculino. Agora estava tudo bem, aprendera a ser amigo da ruiva sem qualquer segunda intenção. Embora não pudesse evitar as esporádicas indiretas, e diretas, que dirigia a ela só pra provocá-la. Era divertido duelar nesse campo com uma oponente como Tamy. Nesse momento apareceu novamente, com movimentos rápidos e precisos, nascidos de meses de prática, serviu mais uma dose para o cavaleiro. — Terceira Maria, vizinho. – avisou ela ao terminar de completar a dose – Espero que também esteja contando. — Só isso? – surpreendeu-se sorrindo e tomando um pequeno gole – Me avise quando chegar à Antares. Era uma brincadeira entre os dois. As doses que o cavaleiro tomava eram representadas conforme o número de estrelas das constelações. — Não me provoque cavaleiro... – ameaçou – Não quero que se repita o seu episódio de Sargitário do mês passado. – referia-se à vez em que ele bebera além da conta. Levá-lo para casa e cuidar dos sintomas do porre, bem como da ressaca no dia seguinte, não era algo que Tamy gostaria de repetir. — Ahhhh... mas foi a primeira vez que dormimos juntos na mesma cama! E eu nem me lembro direito de como foi... – argumentou em tom de falso desapontamento sobre o fato dela ter pernoitado no apartamento para cuidar dele. — Fazer o quê, né bronzeadinho?! Agora já foi. – respondeu rindo enquanto voltava ao trabalho de servir os outros clientes que se aproximavam do balcão. O movimento da boate estava esquentando. Enquanto bebia, olhava o reflexo de seu rosto no espelho atrás das bebidas na parede. Realmente parecia péssimo! Tudo culpa daquele terrível humor que resolvera instalar-se dentro de si. Olhou para a barmaid que atendia outras pessoas até que ela notasse seu olhar e virasse para vê-lo. Com um aceno de cabeça, Tamy confirmou que entendera o gesto de levantar-se e colocar umas notas sob o copo ainda com mais da metade da dose. Ele estava de partida. Acenou para a moça e foi embora saindo da boate para a noite alta de lua que despontava lá fora. “Você precisa tomar jeito, Shun de Andrômeda!” repreendeu-se em pensamento enquanto rumava de volta para o apartamento vazio que o esperava. Lembrou-se de Tamy e seu riso de milhões de significados, sorriu interiormente. “Numa noite como essa, é mesmo um crime negar-me sua adorável companhia.”(Wanda Scarlet)
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