Holy Ground
1 I: when you already know
Notas iniciais
Sagrado (adjetivo)
1. Merecedor de veneração, de respeito; venerável, respeitável.
and that was the first day...
Lily Evans sempre foi uma pessoa muito honesta.
Era muito claro em sua mente o que ela gostava, as coisas que ela amava, o que ela não suportava, e tudo que odiava nesse mundo. Porém, quando se tratava de James Potter, ela não fazia a menor ideia de como se sentir.
Era como se James conseguisse embaralhar todo e qualquer certeza que ela acreditasse existir nesse mundo. Como se a energia dele, tão visceral, intensa e explosiva, se misturasse com a de Lily, deixando apenas o caos depois de um furacão em sua cabeça. E ela definitivamente não gostava da sensação de não estar no controle de seus sentimentos.
Em manhãs ruins ela não suportava as piadinhas dele durante a aula. Odiava o sorriso maroto e como às vezes ele tinha capacidade de tirar relutantes sorrisos da boca dela. Mas gostava, raramente, de observa-lo de longe, sempre com os cabelos bagunçados e como os olhos dele se iluminavam ao encontrar com os dela,
Para uma pessoa sempre tão honesta com tudo, Lily torcia para que James não percebesse a vermelhidão se espalhando em seu rosto quando ele a cumprimentava com um “Ei, Evans!”. Talvez, o que ela mais odiasse nisso tudo era como seus sentimentos pareciam transbordar em seu peito.
Quando se irritava com a imaturidade dele e as pegadinhas que ele e os amigos espalhavam por Hogwarts, ela jurava que ele jamais saberia que às vezes, só às vezes, ele dominava os pensamentos dela.
Ou que muitas vezes quando ela negava qualquer tipo de convite que ele fazia, sua mente gritava para ela dizer sim.
James Potter também era uma pessoa bem honesta. Mas ao contrário de Lily que tinha a necessidade de super analizar todos os seus sentimentos até ter certeza deles.
James abraçava o caos.
Abraçava com força o inserto e as sensações que borbulhavam em seu peito. Isso fazia com que ele errasse muito. Afinal, nem todas as primeiras impressões são as mais adequadas de externalizar, mas ele também não tinha medo de voltar atrás. Do mesmo jeito que esquentava, tinha a capacidade de esfriar e seguir em frente.
Menos com Lily, jamais seria capaz de seguir em frente quando se tratava dela.
Mesmo com todos os olhares tortos que recebia da garota, os suspiros de desdem e os olhos revirados, seu interesse parecia jamais cessar. Era como uma força natural ele sempre querer gravitar sob a órbita da ruiva.
Emocionado? Demais.
Mesmo já quase desistindo de ter seus sentimentos correspondidos, ele continuava buscando por migalhas de atenção. Sorrisos roubados, olhares trocados, toques tímidos.
Até que um dia Lily o chocou e mudou o curso da estranha dinâmica entre os dois.
Era sexta-feira e James havia acabado de voltar do treino de quadribol. Estava com uma mistura de cansaço e animação, pois tinha um motivo coerente para falar com ela: Lily Evans.
A ruiva havia esquecido seu cachecol na aula de História da Magia naquele dia e James havia o guardado para poder entregar-lhe, porém, não haviam se visto mais ao longo do dia. Isso fez com que James pensasse mais em Lily do que o costume. Cada vez que virava um dos corredores esperava ver a ruiva, mas o universo parecia não conspirar com aquilo.
Era tentador também pensar em como o perfume dela estava impregnado naquele pequeno emaranhado de lã e na cabeça dele para sempre.
Passou a tarde se segurando para não cheirar o cachecol, já que Remus havia dito que ele parecia um maníaco e isso só faria Lily se afastar mais ainda dele.
Então, como se Melin e todas as divindades existentes houvessem escutado suas preces, assim que chegou no salão comunal, se deparou com a garota lendo ao lado da fogueira. Pode perceber a postura dela enrijecer, enquanto ainda ela ainda encarava o próprio livro.
— Evans, você… —
— Sim — ela o cortou, sem levantar os olhos de seu próprio livro. Não consiga em suas reações, caso cruzasse o olhar com o dele naquele momento.
James assumiu um semblante confuso.
Sim?
— Mas eu nem falei nada... —
— Você ia me chamar para ir em com você, certo? — ela o interrompeu mais uma vez , fechando o livro, mas ainda não olhando diretamente para o Potter, mas sabia que o homem estava surpreso. — Você pula a conversa quando já conhece o lugar que ela vai te levar.
— Na verdade eu ia falar que você deixou seu cachecol na sala — James comentou estendendo para ela o tricô vermelho e amarelo.
Se Lily pudesse aparatar dali e nunca mais voltar, ela com certeza faria isso.
A garota havia passado a semana inteira pensando que talvez não fosse tão ruim assim aceitar sair com James. Estava pensando dele mais do que gostaria, portanto, seria uma medida para tira-lo de seu sistema. Afinal, ele tinha
Assim que pegou o cachecol da mão dele, não pode evitar de rir de si mesma. Como pode ser tão idiota?
— Me desculpa — Lily pediu, logo massageando as têmporas. — Achei que você fosse… você sabe… me convidar para sair mais uma vez.
James lutou contra um sorriso, enquanto procurava algum lugar para se sentar. Não era possível que aquele momento havia finalmente chegado. Suas pernas estavam trêmulas com a adrenalina que percorria o seu corpo.
— Mas se eu te chamasse mesmo… — ele engoliu seco. — você ainda sim aceitaria?
Lily permaneceu em silêncio apenas o observando acomodar-se ao seu lado no sofá. Queria provoca-lo sobre o cabelo bagunçado e o suor que escorria ainda pelo rosto dele após do treino. Ou como ele ficava até que bonito ainda de uniforme.
— Agora, pensando bem — ela ponderou, o que fez James murchar um pouquinho. — Não sei, não da para facilitar as coisas para você Potter.
— Jamais esperaria algo assim de você, Evans — ele riu, jogando a cabeça para trás como uma criança feliz.
Lily não pode evitar sentir seu estomago encher-se de borboletas.
Então eles teriam um encontro.
And, darling, it was good
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