Holofote

58 Capítulo 61


Minha reclamação foi abafada por mais um beijo estarrecedor, que não poderia ser medido, ele fora feito precisamente para desnortear e tirar todos os pensamentos, quase todos, ao menos todos que buscavam o bom senso, porque os demais, que incluíam o quanto eu estava fervendo por ele, ah, esses sim, ainda estavam todos aqui, dançando em minha cabeça e pulsando a cada lambida que sentia de sua língua sobre meus lábios.

Eu correspondia em grau e número ao seu desejo, mas as sirenes de emergência ressoavam em minha cabeça ALERTANDO que estávamos indo longe de mais, que os limites haviam se perdido e que a coerência já não fazia parte de nenhum pensamento CONSEQUENTE.

Ao fundo ouvi novamente a música já conhecida do toque do celular dele, aos poucos, conforme me trazia a realidade o barulho ficava distinto e sonoro. Como se despertasse dei-me conta da posição nada ORTODOXA em que estávamos, menos ainda enquanto minhas mãos agarravam com força sua camiseta o puxando ainda mais para mim.

Sentia seus dentes em meu pescoço, sentia o roce de sua língua e seus beijos embriagantes em minha nuca. — Jake.. Oh! Jake, para. –

Foi minha tentativa falha de parecer autoritária e decidida para não levar aquilo mais adiante.

– Essa não é a palavra correta! Lembra? – Ouvi Jake dizer com a voz abafada em meu pescoço, sorrindo pícaro divertido pela minha tentativa.

– O cel .. O celular! – Nunca foi tão difícil formular palavras, acho que estou regredindo na escala da evolução.

Quando senti Jake se mover e sair um pouco de cima de mim, meu coração deu saltos, não sei se pela falta de seu corpo quente, ou em alívio pelo que não iria vir.

Ele se debruçou até alcançar o seu celular e o jogou por cima do sofá. Eu acompanhei seus movimentos abismada, o celular bateu na parede e caiu no chão em algumas partes. O silêncio novamente se fez.Olhei para Jake boquiaberta, e ele estava com um grande e malandro sorriso.

– Pronto, problema do celular, resolvido! –

Ele só poderia estar brincando néh! Minha pergunta retórica foi respondida imediatamente, quando ele me puxou para mais um beijo devastador. Ele não estava brincando, definitivamente.

Dei-me por vencida, e aproveitei cada nova carícia e investida dele. O coração tem motivos que a própria razão desconhece.E essa é a mais pura verdade, esse não era meu lado racional, e de tudo não era certo o rumo que as coisas estavam tomando, mas se eu me importo? NÃO!

Levei minhas mãos aos seus cabelos, amaçando-os e segurando-me a eles, enquanto a boca de Jake saqueava a minha.

– J.. JW! – Ao ouvir essa voz, foi como se levássemos um choque. Nos repelimos e Jake acabou caindo do sofá.

– Hey, cara, eu ia perguntar porque não atendeu ao telefone, mas eu já vejo os motivos! Haha. – Claro Shark estava tirando sarro, eu estava vermelha como um pimentão e Jake ria atrás do sofá, levantando e sentando-se ao meu lado.

Por favor um buraco gigante para eu me esconder, aqui, agora!

– Ah eu nem notei mesmo! – Falou Jake rindo para Shark, que sorriu abertamente, em um daqueles momentos de reconhecimento masculino, típico.

Será que eu posso vomitar agora?!

– Vamos está na hora! – Avisou Shark.

– Vou esperar aqui fora, 5 minutos. Valendo! E se demorarem eu volto, sem gracinhas!

Eu fui correndo para o banheiro, e claro Jake também, brigamos um pouco pelo secador, eu peguei a pasta de dente dele, ele escondeu minha escova, coloquei um tênis, ele também e alguns minutos depois estávamos saindo, como se nada tivesse acontecido.No elevador, enquanto descíamos para a sala de conferência do Hotel, senti seus dedos tocaram de leve minha mão, ele passou seus dedos sobre os meus e entrelaçou nossas mãos, eu não pude evitar um grande sorriso dentro de mim.

Olhei para ele, que encarava a porta do elevador fixamente, com sua expressão INALTERADA, mantive-me quieta também, mas eu pulava por dentro.Sei que deveríamos ser reservados para esses tipos de carinhos, ainda mais em público, mas ele tomou a iniciativa, e eu estou nas nuvens!

Descemos alguns andares antes e fomos pela escada privativa, Shark disse que havia grande movimentação de repórteres e fotógrafos e não queríamos criar mais confusão do que essa que já estava formada.Entramos em uma das salas atrás do palco, onde Will e Ellen, Ally e mais algumas pessoas nos aguardavam.

Will conversava com Ally se eu deveria entrar com Jake ou não, e nós ficamos ali sentados esperando eles resolverem os últimos detalhes.Shark pediu que às pessoas se retirassem e ficamos apenas nós 6 na sala.

– Ok, JW, a história você já sabe como tem que explicar, não responde outras perguntas eles já foram avisados para não excederem o limite, não fala sobre a Katharine, responde só sobre agenda e shows, não fala sobre o Aeroporto, não da detalhes, só por cima, rápido, não enrola, e não responde perguntas repetidas. Certo? –

Soltou Will como um tsunami, se fosse eu já tinha esquecido de metade dos PONTOS dele.Jake confirmou com a cabeça.

– Alguma dúvida? – Perguntou Will olhando para mim, Ellen, Shark, Ally e voltando para o Jake.

– Não. – Respondeu Jake, e Shark saiu para confirmar o acesso a sala

. – Ah, na verdade tenho sim!

– Fala. – Disse Will.

– Eu preciso de um celular novo! –

– Mas e o seu? – Perguntou Will fazendo cara feia, já conhecia muito bem Jake, o suficiente para saber que ele tinha aprontado.

– Eu fui atacado! – Começou Jake.

– É verdade, alienígenas, entraram em contato comigo, e sabe, eles queriam abduzir você – Contou, apontando para o Will. – Eu pedi, “Poxa, não levem o Will ele é um cara tão legal, peguem o meu celular mais deixem ele em paz”, então eu convenci os ETS a te deixarem e bem, isso me custou meu celular, mas sabe é isso que os heróis fazem se doam pelos outros, e eu não estou arrependido da troca, o importante é que salvei sua vida... –

– Vamos? – Interrompeu Shark.

– Jake, o que você fez com o seu celular? – Perguntou Will revirando os olhos, enquanto nos ríamos.

- Ah, e a propósito Will, de nada por salvar a sua vida! – Disse Jake rindo enquanto saia da sala, e nós seguíamos atrás dele.

No corredor para chegar a grande e espaçosa Sala de Convenções, encarei Jake, que também me olhava como se medisse minha reação para o que estava por vir, eu lancei um sorriso amarelo pouco convincente, e ele me devolveu um grande sorriso confortante e um olhar encorajador, sei que deveria ser ao contrário, afinal era ele que estaria enfrentando o mundo de jornalistas e não eu, mas mesmo assim ele ainda se mostrava preocupado comigo, isso acalmava as borboletas que brigavam em meu estômago.


Notas finais
Gente correndo mto, semana que vem eu volto com mais um cap, com mais tempo espero. beijos amo vcs.
morro de saudades. e amei os reviews!
Beijos. Titia Sil.