Hollywood

21 Capítulo Vinte


Notas iniciais
Olá, tudo bem com vocês? Quero agradecer pelos mais de cinquenta comentários no último capítulo, vocês foram incríveis! Esse capítulo é dedicado a kau porto que recomendou Hollywood, meus mais sinceros agradecimentos por isso, flor ♥ Boa leitura!

Capítulo Vinte

Isabella Swan

"Isabella Swan está grávida!"

James e eu tínhamos acabado de completar sete meses de namoro quando a mídia inventou que eu estava grávida, tudo porque um belo dia comi um pouco a mais no jantar e fiquei com a barriga saliente. Mas, eles não estavam nem aí para minha extravagância alimentar, preferiam noticiar que a vagabunda Isabella Swan estava esperando um filho.

Foi ai que James e eu tivemos a conversa mais definitiva do nosso relacionamento, aquela que contamos um ao outro que não queríamos ter filhos.

Como eu poderia ser uma mãe? Detestava crianças, eram barulhentas, grudentas, irritantes e só atrapalhavam. Além do mais, como eu seria uma mãe se todo meu exemplo materno veio da grandiosa Renée? Não, eu definitivamente não teria filhos.

Pessoas como Renée e eu não tínhamos nascido para sermos mães. Alguns caras simplesmente não deviam ser pais de maneira alguma também, Ed Cullen em minha opinião era uma dessas pessoas, até aquela bomba explodir em meu colo em um sábado de manhã.

***

Eu me abaixei para pegar meu celular do chão assim que Edward o deixou cair, aquele britânico filho de uma puta me pagaria trinta novos celulares se quebrasse o meu. Eu ergui meu corpo, vendo Edward em pânico.

— Isso é uma mentira, tem que ser uma mentira, Isabella!

— Me diga você! — exclamei de volta para ele. — Ontem fui dormir muito contente que a minha ideia da tatuagem aumentou as vendas de Endorfina, mas hoje acordo com essa merda de notícia em todos os lugares da internet. Agora, eu preciso que me diga se é realmente possível que essa mulher tenha um filho seu, ou ela é só uma aproveitadora querendo um pouco de fama — exigi saber.

— Nã-Não se-sei — ele gaguejou. — Não me lembro desse nome, mas a minha memória não é lá muito confiável.

— Tem uma maldita foto sua com ela. — Mexi em meu celular, que por sorte seguia intacto, mexendo no site para mostrar a foto de Edward onde ele estava junto da garçonete. Pelas informações que o site deu a foto tinha sido tirada na festa de aniversário de Stefan, o amigo DJ do Cullen, em fevereiro do ano anterior.

— Aqui! — Lhe mostrei a foto, ele fez uma careta.

— Continuo não me lembrando dela, mas claramente sou eu na foto.

— Claro que é você, idiota! — gritei, ele se encolheu.

Revirei meus olhos, agarrei o braço de Edward e o levei até a sala mais próxima, o jogando em um sofá. Permaneci em pé, voltei para o inicio da matéria e a li em voz alta.

— Ed Cullen se envolve em mais um escândalo! — comecei. — Laura Banks, garçonete de vinte anos, revelou hoje a paternidade do seu bebê de sete meses, ele é filho de Ed Cullen. Isso mesmo, aparentemente o cantor pop é papai! Laura contou que conheceu Ed Cullen na festa de aniversário de Stefan — grande amigo do cantor britânico — em fevereiro do ano passado, quando Ed ainda não estava namorando Lauren Mallory. Segundo Laura ela estava servindo na festa e pediu para tirar uma foto com Ed, a partir disso ele estava sempre pedindo que ela o servisse e os dois acabaram a noite dormindo juntos em um dos quartos da casa de Stefan, onde rolou a festa.

— Eu não me lembro de absolutamente nada dessa festa — Edward disse massageando sua testa.

— Cala a boca — ordenei, continuando a ler. — “Foi só aquela noite”, Laura nos contou, com nostalgia no olhar. Ela disse que quando descobriu sobre a gravidez Ed já namorava Lauren, então Laura teve medo de revelar sobre o bebê para o cantor e disse que esperaria ele nascer para contar tudo. Entretanto, quando o bebê nasceu Ed já estava noivo de Lauren e Laura hesitou mais uma vez em contar, principalmente por não muito depois o cantor ter agredido um paparazzi, ser preso e acabar meses internado em uma clinica de reabilitação. O bebê de Laura, que se chama Thomas, nasceu em novembro do ano passado e completou ontem sete meses.

— Bella, preciso de uma bebida, bem forte.

— Aparentemente foi a bebida que te colocou nessa — resmunguei, prossegui a leitura. — Laura tomou a decisão de expor a paternidade do seu filho junto ao nosso site. — Era um site de fofocas chamado Novas dos Famosos, claro. — Para que todos soubessem disso junto de Ed Cullen, procurando evitar que o cantor tente a silenciar de alguma forma. Ao finalizar nossa entrevista Laura disse “eu amo meu filho demais, quero que ele possa conhecer seu pai e espero que Ed ame Thomas como esse bebê iluminado merece”.

Bloqueei a tela do celular, o colocando no bolso de trás da minha calça.

— Capitã? — Edward olhou para mim desesperado.

— Ok, vamos ao que temos aqui. — Comecei a andar pela sala. — Há provas que você e Laura, por sinal, Laura, Lauren, você pega até mulheres de nomes parecidos — alfinetei.

— É, eu já comi uma ou duas Isabellas antes de você — rebateu, mas ele parecia fodidamente desanimado até para tentar me provocar.

— Como eu estava dizendo, há provas que você e Laura estiveram juntos na tal noite que ela alega ter engravidado, não consegue mesmo se lembrar de nada desse dia?

— Só lembro que acordei no dia seguinte com uma ressaca daquelas e que com certeza usei cocaína durante a festa — ele sussurrou. — E sim, eu tava dormindo em um quarto da casa do Stefan, mas sozinho.

Inspirei fundo.

— Ok, eu não acredito que você seja o pai desse bebê.

— Não? — ele perguntou esperançoso.

— Não! — Parei de andar. — Laura não teria esperado até esse bebê ter sete meses para extorquir dinheiro de você.

— É, mas ela poderia ter ganhado fama mais cedo — ele disse. — Isso provavelmente seria ainda maior se fosse revelado enquanto eu estivesse noivo. Então, por que esperar tanto tempo? Se ela estiver mesmo dizendo a verdade e que realmente ficou nervosa de falar antes, mas agora tomou coragem?

É, ele tinha um ponto.

— Bom, isso é algo que o teste de paternidade vai nos responder — falei por fim, Edward choramingou.

— Não posso ser o pai desse menino, ou de nenhum outro.

— Pensasse nisso antes de foder qualquer uma! — acusei, ele revirou seus olhos. — Agora nós temos que fazer esse teste de paternidade o quanto antes e esperar que esse resultado seja negativo, ou eu vou te matar, Edward.

— Ei!

— Ei, porra, nenhuma! — gritei de volta. — Estava indo tudo bem, as vendas de Endorfina estavam subindo e soltaram essa maldita noticia fodendo tudo, que pode levar o seu retorno à merda...

— Edward Anthony Cullen! — um grito alto cortou minha fala, olhei para trás e vi a mãe do pirralho entrando às pressas na sala, seguida de Rosalie.

Esme Cullen parecia prestes a matar alguém, naquele caso seu próprio filho.

— Mãe, não... — Edward se levantou do sofá, me colocando em sua frente, fazendo com que eu virasse um escudo humano, agarrando meus braços.

— Para de me segurar. — Tentei me soltar, mas ele estava determinado em se proteger.

— Um filho? — Esme parou na minha frente, seu olhar fixo no seu filho atrás de mim. — De uma menina que você ficou junto só por uma noite? Como você vai ter um filho com uma desconhecida?

— Mãe, um filho é sempre bem-vindo, independente de como...

— Ah, cala a boca, Rosalie! — Esme ordenou para a filha, fazendo com que eu risse. — E você cala a boca também! — ela ordenou para mim, fazendo com que minha risada parasse na hora.

— Não me mande calar a boca!

— Nem era para você estar aqui, Isabella, isso é um assunto de família — ela falou.

— Não é um assunto de família, essa tal de Laura deve ser só uma aproveitadora barata querendo grana em cima do Ed, esse bebê deve ser filho de algum desconhecido.

— Eu vou matar você — Esme me ignorou, falando para Edward.

— Mãe, eu, por favor, sei lá — ele falou de forma desconexa, sendo salvo por meu celular tocando, me livrei das mãos dele de uma vez por todas e peguei o aparelho, atendendo Tanya rapidamente.

— Alô.

— Vocês já podem vir — ela falou.

— Certo. — Desliguei logo. — Vá se vestir, nós vamos para a produtora ter um encontro com a tal Laura — falei para Edward, que me olhou confuso.

— Por quê?

— Precisamos discutir a situação — declarei. — Tanya entrou em contato com ela, a mulher já está na produtora.

— E o bebê? — Rosalie perguntou em expectativa.

— Eu lá sei desse bebê — cuspi as palavras para ela.

— Vou com vocês — Esme falou prontamente, enquanto Edward escapava dela para ir se arrumar.

— Não, você não vai — anunciei. — Nem você — completei para Rosalie. — Só iam tumultuar, não precisamos disso agora.

— Ele é meu filho, quero estar lá — Esme disse em um tom de exigência.

— Estaremos na minha produtora, se eu quiser proibir sua entrada posso fazer isso, então não me perturbe com o que você quer ou não.

— Deus, eu não deveria ter te colocado em nossas vidas — Esme falou.

— Pois é, aparentemente você assinou um pacto com o diabo quando me procurou. — Pisquei para ela, antes de deixar a sala e seguir até o lado de fora da mansão, para esperar Edward lá fora.

Bem na hora vi Emmett entrando, por ser segurança do Cullen ele tinha acesso aos códigos de segurança de todo o lugar. Olhei a hora em meu celular, ele estava atrasado, deveria estar lá desde uma hora antes, quando Felix deixou seu posto, eu definitivamente precisava reforçar a segurança de Edward.

— Você está atrasado!

— Eu sei, me desculpe, senhorita Swan. É que...

— Não me conte sobre sua vida — o interrompi antes de ouvir papo furado sobre a vida do segurança. — Apenas não se atrase novamente, ou eu te demito — alertei, já que eu tinha ido até ali de táxi. — Agora, tire um dos carros de Ed, nós vamos sair. — Eu também precisava contratar motoristas de fato.

— Pode deixar, farei isso — Emmett concordou, seguindo até a garagem.

— Capitã. — Olhei para trás, Edward estava saindo da mansão. — Eu peguei meu celular e vi uma foto do menino, ele parece comigo. — Bufei, eu tinha visto uma foto do garoto mais cedo, obviamente, mas não o achei parecido com Ed, até porque para mim as crianças pareciam todas iguais.

— Ótimo — debochei. — Parabéns, papai! — Agarrei seu braço, o fazendo andar até o carro que Emmett estacionou diante da gente, empurrei o Cullen para o banco de trás e entrei junto dele, avisando Emmett para onde deveríamos seguir.

A saída do condomínio foi infernal, uma vez que o lugar já estava cercado pela imprensa. Obviamente eles no seguiram, o que só me estressou mais.

— Oi, Tanya — a atendi quando Emmett parou em um sinal vermelho e Ed ao meu lado falava sem parar sobre não poder ser um pai.

— Bella, eu consegui que o pessoal de uma boa clinica viesse até aqui, já podemos realizar o teste de paternidade.

— Excelente, já estamos a caminho — avisei. — Você já viu o bebê? — perguntei, sentindo o olhar de Edward cravar em mim.

— Já sim, ele é tão fofinho, mas não acho que seja parecido com Ed.

Que ela estivesse certa sobre isso, Ed definitivamente não precisava de um filho aquela altura, principalmente um com uma garçonete qualquer dos tempos que ele estava se metendo em encrencas atrás de encrencas.

— Beleza, tchau.

— Tchau! — Nós desligamos juntas.

— O que ela disse? — ele me questionou.

— Que o bebê é sua cara — provoquei.

— Isso não é engraçado, Isabella.

— É muito engraçado. — Ri da cara dele. — Ah, já tem gente de uma clinica na produtora esperando para realizarmos de uma vez o bendito teste de paternidade.

— Eu não posso ser pai — Edward falou pela milésima vez. — Sequer sei como bebês funcionam, todo aquele lance de chorar, fraldas, mais fraldas sujas. — Ele empalideceu. — Eu tô ficando sem ar, abram as janelas — implorou.

— Não podemos abrir as janelas, gênio — falei. — Tem carros de paparazzis por todos os lados. — Suspirei, aquele dia seria um grande estresse, tentar contornar aquela situação do filho de Edward e mais tarde jantar com meu pai, a noiva filha da puta dele, os pais de James e a querida Victoria.

— Ei, Emmett — Edward falou com o segurança. — Pare na primeira igreja católica que encontrar — ordenou.

— O quê? — Emmett e eu indagamos juntos. — Que diabos está tramando, Ed? — questionei.

— Preciso de uma ajuda divina na minha vida, Isabella — ele falou, me olhando com certa histeria. — Por isso a igreja, eu preciso rezar.

— Me poupa! — resmunguei. — Emmett, só siga direto para a produtora e ignore essa loucura do Ed.

— Sim, senhorita.

— Emmett, você é meu segurança, me obedeça — Edward exigiu.

— Eu pago as contas dele — lembrei.

— Com o meu dinheiro — Edward disse.

— Eu administro sua carreira, sem mim você não teria dinheiro. — Edward gargalhou.

— Menos, dona do mundo, você acabou de chegar ao posto de minha empresária.

— E estou arrependida. — Bufei.

— Tem uma igreja na próxima quadra — Emmett murmurou do banco da frente. — Devo parar?

— Não!

— Sim!

Edward e eu respondemos ao mesmo tempo.

— Obviamente que não, sem tempo para paradas, ainda mais uma tão idiota quanto essa.

— Eu aumento em um por cento o valor do nosso último valor acordado — Edward disse sério para mim. — Para isso você só precisa parar de falar e deixar Emmett nos levar até a igreja para que eu possa ter uma conversa séria com Deus, Jesus, Maria e todos os santos.

— Dois por cento?

— Um — ele teimou.

— Nada feito.

— Puta que pariu, mulher, eu juro que salto desse carro em movimento, apenas aceite a porra do acordo — ele esbravejou.

— Tá, tá, que seja — cedi, já estávamos fodidos com toda aquela história mesmo. — Pode parar na maldita igreja, Emmett.

— Sim, senhorita.

— Sim, senhorita — Edward debochou do segurança. — Você deveria estar ao meu lado, Emmett, essa dai vai comer seu fígado no almoço qualquer dia desses.

Logo Emmett estacionava na frente da igreja, a parada surpresa até confundiu os paparazzis, já que alguns passaram direto. Emmett saiu do carro primeiro, abrindo a porta para mim e esperando Ed sair. Nós três praticamente corremos em direção à pequena igreja, onde fechei as portas para que ninguém entrasse, deixando Emmett do lado de fora.

— O que está acontecendo aqui? — o padre, era óbvio por conta das roupas que ele usava, se voltou para nós, deixando uma vassoura de lado.

Edward andou até o homem, que era baixinho, velho, careca e precisava de uma dieta urgente.

— Padre, eu preciso da sua ajuda! — Edward exclamou desesperado para o homem, agarrando uma mão dele entre as suas. — Pago o que quiser para você resolver meus problemas.

— Não é bem assim que…

— O dinheiro não resolve? E se eu me tornar um padre por um fim de semana? Que tal? Sou famoso, sua igreja viraria uma sensação!

Coloquei as mãos no rosto, pensando em todas as formas que poderia matar Edward. Atropelado, arrancando seu coração com minhas próprias mãos, o sufocando, serrando seu corpo... É, eu tinha mil formas de matá-lo e me livrar daquele problema que era ser empresária daquele babaca de vinte e um anos, perderia minha foda garantida, mas podia lidar com isso.

— Eu não estou entendendo nada — o padre falou, liberei meu rosto bem a tempo de vê-lo se soltando de Edward. — Espera, você é aquele cantor... Ed Cullen, né?

— Sou, isso mesmo, padre — Edward confirmou. — Agora, é o seguinte, preciso que você interceda com Deus por mim e o faça me livrar da encrenca que me meti.

— Que seria? — o padre perguntou desconfiado, olhando para mim rapidamente, então olhando de novo, provavelmente tentando me reconhecer.

— Uma mulher está por ai dizendo que tenho um filho com ela, isso tem de ser uma mentira. Então, peça a Deus por mim esse milagre, ou me ajude a pedir. Porque, tenho que ser sincero, faz um bom tempo desde que falei com Deus pela última vez e preciso de uma forcinha.

— Por que você não gostaria de ser pai? — o padre perguntou, ficando de cara feia. — Ser pai é uma benção.

— Tanto que você escolheu ser padre para nunca ter filhos — falei, ganhando um olhar severo do homem.

— Isabella, calada! — Edward gritou comigo.

— Não grite comigo, ou me mande calar a boca!

Aquele filho da puta desgraçado! Ele podia gritar comigo e me dar mil ordens enquanto me fodia, mas longe disso era eu quem mandava em tudo, inclusive nele.

— Vocês não podem gritar aqui — o padre disse severamente, voltando a olhar para mim. — Você é aquela garota que grava vídeos indecentes? Senhorita, aquilo é muito errado, deveria se confessar.

Eu gargalhei.

— E você fica por ai na internet assistindo vídeos indecentes, padre? Bom, você também deveria se confessar.

— Não assisto, eu só...

— Claro, você não assiste, sei. — Cruzei os braços na frente do corpo.

— Pode me ajudar ou não? — Edward questionou o padre, já sem paciência.

— Não vou ajudá-lo a pedir a Deus que esse filho não seja seu — o padre disse em tom de sentença. — Você deve assumir essa criança e constituir uma família com a mãe dela.

— Nem fodendo! — Edward anunciou tão alto que sua voz ecoou por toda a igreja, chocando o padre.

— É melhor vocês irem embora agora — o padre ordenou.

— Nós vamos e é melhor você parar de assistir vídeos de sexo, padre! — Edward apontou o dedo para a cara dele. — Vai acabar queimando na porra do fogo do inferno.

O Cullen saiu de perto do padre, indo esperar na porta, enquanto eu me virava para o velho.

— Você e sua igrejinha ganharão uma bela doação se você se mantiver de boca fechada sobre tudo que rolou aqui, que tal? — Ele hesitou, mas assentiu. — Excelente, eu mandarei alguém da minha confiança aqui em breve. Se alguém te perguntar o que rolou aqui você dirá que a visita já estava agendada, que Ed Cullen é um generoso homem e veio lhe falar sobre a doação e buscar conselhos com você, ok?

— Ok.

— Bom, agora você pode voltar a varrer e ficar pensando em mim naquele videozinho indecente que você assistiu, boa punheta.

O velho ficou vermelho, inclusive na careca, mas não lhe dei tempo para mais tentativas de explicações. Segui até onde Edward me esperava, abri a porta e fomos jogados diretamente para uma quantidade absurda de câmeras voltadas para nós.

Fiz Edward ir na frente, deixando com que Emmett o escoltasse pela frente, enquanto eu andava atrás dele. O Cullen já estava acostumado a toda aquela merda, pelo menos de forma geral, ele simplesmente abaixou sua cabeça, ficou mudo e andou o mais rápido que pode até o carro. Também ignorei as perguntas, não era hora de dizer nada.

— Ir à Igreja foi uma péssima ideia — Edward declarou quando estávamos dentro do carro e Emmett se virava para nos tirar do tumulto.

— Você acha? — me remexi inquieta no banco.

— Eu não acredito que aquele padre assistiu o seu vídeo — Edward sussurrou, fazendo com que eu o encarasse. — Foi mal, não devia ter falado disso.

— É, não devia. — Engoli em seco ao pensar no vídeo do Escândalo Swan, eu podia ter brincado sobre com o padre, mas aquela porra ainda mexia comigo. — Emmett, nos tire daqui agora mesmo, ou até o fim do dia estará demitido.

***

Nós entramos na gravadora pela garagem, sem chances de que eu fosse encarar novamente todos aqueles fotógrafos filhos de uma puta. Eu praticamente tive de empurrar Ed até o elevador, então o fazer entrar na sala de reuniões onde encontramos Tanya, o pessoal da clinica, Alistair, dois advogados da produtora e por fim um homem que eu não conhecia, junto de Laura Banks, que carregava em seus braços um bebê loiro, como ela, claro que a garçonete era loira, tinha de ser.

— Por que diabos vocês pararam em uma igreja? — Tanya correu em seus saltos até mim, parando a minha frente.

— Ed quis uma ajuda divina — respondi, olhando para ele ao meu lado que encarava Laura e o bebê irritante, ele parecia que iria desmaiar a qualquer segundo, a garçonete o olhava com um sorriso imenso. Rindo, voltei minha atenção para Tanya. — E ai, quando saberemos que o pirralho aqui é papai?

— Cala a boca, Bella! — ela ordenou agitada.

Sério, quem mais ia me mandar calar a boca naquele fodido dia?

— Edward não pode ser o pai desse menino, seria uma confusão ainda maior do que já está sendo, eu juro que ser o teste der positivo peço minha demissão — alertou.

— Vai dar negativo, tenho certeza que ele não engravidou essa ai.

— Eu preciso ir embora — Ed falou, voltando à vida.

— Você precisa é aprender a parar de foder qualquer mulher que cruze seu caminho. — Bufei. — Tanya, quanto tempo para o exame de DNA sair?

— Cerca de duas semanas — ela respondeu, fazendo com que eu torcesse o nariz, era tempo demais.

— E se pagarmos a mais?

— Já tentei isso, Bella, não é uma questão de dinheiro é uma questão de não ter como apressar o trabalho, leva mesmo mais tempo.

— Povo lerdo — reclamei. — Que seja, duas semanas de especulação para a imprensa, será muito divertido — debochei. — E as vendas de Endorfina?

Os olhos de Tanya brilharam e ela sorriu.

— Por que você está tão animada? Elas não caíram ainda mais? — Edward perguntou saindo da sua bolha, enquanto continuávamos reunidos na entrada da sala.

— Não, pelo contrário! — Tanya exclamou, unindo uma mão a outra. — Ed Cullen está sendo o assunto mais comentado do Twitter, enquanto os fãs brigam entre si sobre quem acha que o bebê é seu filho, e sobre quem não acredita na história de Laura, elas estão ajudando a manter o seu nome em alta, logo a divulgar a música. O crescimento está a toda, eu acredito que se continuar assim podemos até bater recordes.

— Publicidade grátis, obrigada Laura! — comemorei, muito feliz com aquilo. — Ok, vamos à diversão. — Comecei a andar até o centro da sala, onde todos estavam sentados à mesa, escutando Alistair contar uma história qualquer de bastidores.

Parei atrás dele, colocando minhas mãos em seus ombros.

— Pode parar agora, Alistair — mandei, o fazendo se calar rapidamente. — Vocês — eu falei diretamente com o pessoal que sabia ser da clinica, duas mulheres vestidas em branco e um cara de roupas sociais, que era bonito pra caralho. — Podem esperar lá fora, nós precisamos ter uma conversa antes do exame.

O cara concordou com um sorriso e um aceno de cabeça para mim, falou com as enfermeiras e saíram da sala. Não antes de eu dar uma boa olhada no corpo dele, alto, certamente musculoso por baixo de suas roupas, cabelos castanhos bem aparados, nada de barba, olhos azuis e uma cara de mais velho e de que sabia foder direito, algo que eu queria muito comprovar.

Oh, porra! Eu estava perdida desde que comecei a foder com Edward, pensando em dar para qualquer outro.

James não merecia isso, eu estava sendo uma...

— Olá, Laura! — falei com a mulher loira, que realmente aparentava a idade que tinha, só vinte anos. Seus olhos azuis eram de fato bem claros, seu rosto fino e seu corpo magro, mesmo que ela tivesse tido um filho a menos de um ano.

Filho aquele que estava adormecido em seu colo, eu olhei bem para a cara dele, buscando por semelhanças com Ed, mas o achei mais parecido com Laura.

— Olá, Isabella! — Laura falou comigo, em um tom de voz baixo, provavelmente para não acordar o moleque em seus braços.

— Ed. — Olhei para trás, onde ele continuava junto de Tanya. — Venha até aqui!

Ele negou, mas Tanya segurou no braço dele e o fez se mover para frente, o largando ao meu lado, enquanto ela ficava do outro.

— Oi, Ed! — Laura falou com ele, sorrindo e toda boba. Ou fingindo estar, eu votava nessa opção.

— O-Oi — Ed gaguejou, olhando para o bebê. Ele agarrou as costas da cadeira a sua frente, rapidamente se sentando nela. Larguei os ombros de Alistair e fui sentar do outro lado de Ed, Tanya ficou junto de mim.

— Bom, aqui estamos todos nós — falei, balançando em minha cadeira, olhando diretamente para a mulher do outro lado da mesa. — Então, Laura, vai admitir agora que esse menino não é filho de Ed, ou irá esperar o teste de paternidade expor sua mentira?

— Não fale dessa forma com minha cliente, senhorita Swan — o homem junto de Laura falou, ele era um cara feio, diferente do homem bonito da clinica. Tinha cabelos loiros que pareciam muito secos, seus olhos eram castanhos e ele era novo, ainda com espinhas na cara, além de ser magrelo.

— Quem é você mesmo?

— Ronald Parker, advogado da senhorita Banks — ele se apresentou com pompa na voz, estendendo uma mão para mim, que eu com certeza ignorei.

— Que legal e você está fugindo das aulas do ensino médio nesse momento, Ron? — provoquei, fazendo o carinha corar, sério, ele provavelmente tinha uns vinte e cinco, mas parecia ter dezoito e morar no porão da casa dos pais.

— Eu...

— Laura — o interrompi, voltando a falar com a mulher. — E ai? Prefere acabar logo com esse show agora?

— Não há show algum. — Ela olhou para Edward, que balançava suas pernas sem parar. — Ed Cullen é pai do Thomas. — Sorriu para o bebê. — Ele é lindo, não é, Ed?

— Nem fodendo que sou o pai desse menino — Ed disse, balançando as pernas mais rápido ainda, apoiando os cotovelos na mesa e colocando o rosto entre as mãos.

Merda, ele estava na borda de uma crise de ansiedade, o que não era nada bom com tanta gente estranha na sala.

— Vamos discutir valores de pensão agora, senhor Cullen? — Ronald perguntou para Edward.

— Fique caladinho, Ronald — mandei, o deixando chocado. — Quem faz perguntas e toma todas as decisões aqui sou eu — esbravejei. — Nós não trataremos de valores hoje, até porque eu tenho absoluta certeza que esse menino não é filho de Ed. — Apontei para o garoto. — Sem o resultado do teste de paternidade confirmando o positivo, que sei bem ser inexistente, Ed não dará um dólar que seja para vocês, mas ele pode tirar umas fotos de graça — brinquei.

— Mas... — Ronald tentou falar algo, se calando quando olhei severamente para ele.

— Laura? O que acha? — falei com ela, vendo-a hesitante.

— Podemos fazer o teste de uma vez — ela murmurou.

— Tanya, chame o pessoal da clinica — falei com ela, que prontamente saiu. — Senhores, não precisaremos mais dos trabalhos de vocês hoje — me dirigi aos advogados da produtora, eles concordaram e Alistair os levou para fora.

Ed ao meu lado continuava se mexendo sem parar da cintura para baixo, com o rosto enfiado entre as mãos.

— Cullen, preciso que você respire — sussurrei para ele, colocando uma mão em sua coxa, ele não deu qualquer sinal de estar prestando em mim. Então, aproveitei que Laura e o adolescente Ronald estavam tendo sua própria conversa em voz baixa do outro lado e deslizei minha mão até o pau de Edward, rapidamente, apenas o suficiente para ele despertar do seu transe, antes que eu voltasse a colocá-la longe do corpo dele.

— Capitã! — Ele estava prestes a chorar.

— Preciso que você aguente só mais uns minutos antes de surtar, ok? — Ele negou. — Por favor, eu juro que você pode surtar tudo que quiser depois, mas agora não.

A porta da sala se abriu, Tanya voltou com o pessoal da clinica e Alistair. Eu levantei da minha cadeira, indo até o cara gostoso, que certamente era quem estava coordenando a situação.

— Olá, não fomos apresentados ainda, como se chama? — Apertei a mão dele, o homem tinha um belo aperto, eu tive que me conter de imaginar aquela mão puxando meus cabelos, enquanto era fodida.

— Steve Miller — respondeu, sua voz era grossa.

Porra!

James, James, James. Fiquei lembrando do nome do meu noivo, eu não poderia sair por ai o traindo com todo cara, na verdade, devia tomar vergonha na cara e parar de o trair com Ed também, mas o pirralho ainda estava me defendo algumas fodas.

— Certo, Steve. — Separei nossas mãos. — Acredito que Tanya já lhe explicou tudo e que nossos advogados fizeram vocês assinarem alguns documentos importantes, correto?

— Sim, senhorita Swan.

— Perfeito, tudo que viram e ouviram aqui é extremamente sigiloso, assim como o resto do trabalho de vocês. Façam o que tem de fazer e sejam rápidos, mas não cometam um erro sequer. Alistair?

— Sim, chefe?

— Quero que grave toda a coleta do exame em seu celular. — Olhei para cada um na sala de reuniões, Edward tinha voltado para sua posição de surto. — As imagens não serão divulgadas, mas se qualquer um aqui dê motivos para isso e invente mentiras a respeito dessa coleta, eu as publicarei com muito gosto e pagarei mais contente ainda por ter exposto a imagem de qualquer um sem permissão. Agora, ao trabalho! — estalei o dedo para todos.

Andei até Edward, enquanto o pessoal da clinica começava a se preparar, com supervisão de Alistair e Tanya. Laura e Ronald voltaram a conversar, mas ela estava focada no bebê em seu colo.

— Cullen, vamos, reaja. — Cutuquei suas costas. — Eu retiro aquele um por cento a mais da minha conta se você ficar melhor agora.

— Pode ficar com ele — falou para mim, a voz enrouquecida.

Bufei, o puxando para longe daquela cadeira e o levei para fora da sala de reuniões, ele sequer protestou. No corredor, conversando como três fofoqueiras estavam Irina, Leah e a assistente de Tanya que eu vivia esquecendo o nome.

— Vão procurar trabalho para fazer e se não encontrarem podem assinar suas demissões — ameacei, fazendo com que elas rapidamente caíssem fora para o elevador.

— Bella. — Edward se agachou no chão, respirando com dificuldade. Me ajoelhei junto dele, segurando seu rosto em minhas mãos, sua pele estava gelada.

— O filho não é seu — falei.

— Você não pode afirmar isso.

— Eu estou falando que não é, então não é. — Ele franziu a testa, eu soltei seu rosto. — Esse resultado não dará positivo nem mesmo que isso seja verdade, ok? Eu subornarei a clinica para que o único resultado seja negativo e se Laura e o advogado adolescente dela quiserem contestar isso darei um jeito de os manter calados.

— Vai mandar matá-los?

Eu ri.

— Não, Ed, eu darei uma grana para eles calarem a boca e sumirem. Ela é uma garçonete e ele um advogado de merda, vão se contentar com pouca coisa e eu posso ameaçá-los com muito mais.

Ele assentiu.

— Eu não preciso ser pai daquele menino de jeito nenhum, certo?

— Menino? Que menino? — debochei, ele riu baixinho. — Excelente, você está melhor, vamos acabar com isso de uma vez.

Nós levantamos e voltamos para a sala.

— Já podem coletar as amostras de Laura e do bebê? — Tanya perguntou quando entramos no local.

— Podem — concordei, Edward voltou a se sentar na cadeira de antes e eu fiquei em pé perto dele.

Alistair estava gravando tudo como exigi, ele filmou as duas enfermeiras se aproximando de Laura e do bebê. A amostra usada para a analise seria saliva, o que foi excelente para mim, uma vez que odiava tudo relacionado a médicos e afins e ver sangue seria terrível. Elas começaram retirando a amostra de Laura, a armazenando em segurança no meio das suas parafernalhas.

— Coitadinho, ele vai acordar — Laura se queixou quando chegou a vez de Thomas, lentamente demais para meu gosto ela abriu a boca do menino, deixando com que uma das enfermeiras recolhesse saliva dele, como a garçonete falou, naquele instante o menino despertou, chorando. Edward se moveu na cadeira para mais longe da mesa, ficando consecutivamente mais longe do bebê do outro lado.

— Mantenha o controle — falei para só que ele me ouvisse, o que não era muito difícil considerando o choro alto e de doer os ouvidos do filho de Laura.

Em algum momento aquela criança olhou em nossa direção, ele tinha olhos azuis como os de Laura, por sorte não eram verdes, ou isso poderia o ligar mais facilmente a Edward, ainda que não fosse filho dele.

— Faça ele se calar — falei para Laura, enquanto as enfermeiras terminavam de armazenar a amostra coletada do bebê.

Ela resmungou algo que não fui capaz de ouvir, mas quando me dei conta já estava erguendo parte de sua blusa e colocando o bebê em seu peito para que ele mamasse. Aquilo era fodidamente nojento, deveria ser proibido de acontecer em público. Eca, um nojo!

Mas, pelo menos calou a boca daquele bebê chato.

Logo as enfermeiras se aproximaram de Edward, que obedientemente deixou com que a loira coletasse sua saliva, eu não perdi também como ele piscou para ela no fim do processo. O Cullen não tinha jeito algum, definitivamente.

Assim que todas as amostras estavam guardadas em segurança, Steve explicou sobre o exame e reforçou o que Tanya tinha contado antes, teríamos que esperar as duas semanas para obtê-lo. Por fim, eles foram embora, com Alistair os acompanhando.

— Não quer mesmo começar a tratar de números agora, senhorita Swan? — Ronald insistiu.

— Você está falando das contas da sua classe de matemática?

Edward sufocou uma risada.

— Tanya, por que não leva Ronald para tomar um café, ou apenas o tira da minha frente?

— Ok. — Ela indicou a saída para Ronald. — É para você vir comigo, agora! — Tanya falou impaciente, ele bufou, mas a seguiu, deixando Laura, o bebê grudado no seu peito, Edward e eu sozinhos na sala.

— Agora é a hora que você fala a verdade de uma vez por todas, Laura — declarei, apoiando minhas mãos na mesa.

— Thomas é filho do Ed.

— Conta outra.

Ela inspirou fundo, ficando em silêncio por um tempo, olhando para o filho.

— Eu não queria fazer isso, tá legal? — falou por fim, eu sorri, tinha vencido, ela estava me dando a verdade.

— Ele não é meu filho? — Edward perguntou, ficando de pé e abrindo um sorriso imenso.

— Não — Laura respondeu. — Ele é filho de um garçom que estava servindo a festa naquela noite, ele me deu uma carona e nós transamos no carro dele, aí acabei grávida. Quando descobri e fui contar para ele, o cara caiu fora e se mudou pra Seattle.

— Tá, tanto faz o que esse cara fez, eu não me importo — Edward declarou. — Não há chance alguma desse menino ser meu filho, certo? Sequer fiquei com você, não é isso?

Laura revirou os olhos.

— Nós nos beijamos e você me levou para um quarto, mas você estava super chapado e brochou quando deveria me foder — ela acusou, a sala recaiu em um silêncio profundo, até que eu absorvesse aquele fato e começasse a gargalhar, ganhando um olhar zangado de Edward.

— Você brochou, Betty!

— Cala a boca, Bella! — ele reclamou.

— É, isso foi o que aconteceu, então sem chances daquele teste dar positivo, não tem jeito algum de Ed ser o pai do Thomas — Laura recomeçou a falar. — Só entrei nessa porque o Ronald, que é meu namorado desde o começo do ano, mais ou menos, está atolado em dívidas de crédito estudantil e precisava desesperadamente de dinheiro para pagar. Ai, um dia desses vimos falando de você na TV e eu contei a história daquela noite, Ronald planejou tudo, toda a mentirinha e falou com o pessoal daquele site que pagou uma boa grana para a gente.

— Eu disse que ela era uma interesseira, não falei? — indaguei Edward, que ainda estava remoendo o fato de ter brochado. — Agora, Laura. — O bebê parou de mamar, ela se cobriu e manteve o menino em seus braços, ele ficou batucando na mesa diante de si. — Essa sua mentira tem prazo de validade para acabar, eu recomendo que você seja esperta e escute minha sugestão.

— Vai me mandar não dar mais entrevistas?

— Pelo contrário. — Edward e ela me olharam confusos. — Essa sua mentira colocou o nome de Ed Cullen em alta e está fazendo as vendas da nova música dele aumentarem, isso me deixa muito feliz. Dessa forma, eu espero que você continue dando entrevistas, contando por aí o mesmo que contou na primeira e talvez acrescentando o quão gentil e doce Ed foi com você naquela noite. Também falando que hoje ele foi um perfeito cavalheiro, disposto a assumir a paternidade do menino se o resultado der positivo. Eu mandarei um advogado até você na segunda, com alguns acordos do que estamos falando agora, que tal? Você me dá a publicidade para o Ed e eu molho a sua mão.

— Eu devia falar com o Ronald...

— Acredite em mim, ele aceitaria isso logo, mas não discuto com adolescentes.

— Ele tem vinte e seis — ela disse.

— E cara de dezesseis. Agora, esse é o nosso trato, você faz tudo que falei e depois quando o exame sair, Ronald e você podem contar a verdade de vocês para a imprensa, que fizeram isso para lucrar com o dinheiro que ganhariam com as entrevistas fornecidas. Vá por mim, isso te dará mais visibilidade e você acabará em um programinha de TV, logo terá mais grana.

— Certo, eu aceito tudo — Laura concordou prontamente.

— Tem mais uma coisa — Edward se manifestou. — Quando você for falar para todos sobre a verdade dessa noite dirá que não tivemos nada além de beijos, fomos para o quarto, mas eu tinha bebido demais e dormi.

— Entendi. — Laura bagunçou os cabelos do filho. — Você não quer que eu conte para ninguém que brochou.

— Isso nunca aconteceu! — Edward protestou.

— Ok, ok, acabou a discussão. Laura, você, o menino e o adolescente precisam dar o fora daqui agora. Vou te levar até Ronald. Você pode ir me esperar na minha sala — falei para Edward.

Ela pareceu muito contente em ouvir isso, se colocou de pé ainda sustentando o moleque em seus braços, pegou uma bolsa do chão e se encaminhou até a saída. Mantive uma distância segura dela e principalmente do bebê, sem querer que o menino sequer encostasse em mim.

Logo achamos Tanya e Ronald, rapidamente expliquei como as coisas funcionariam para os dois. O adolescente ainda tentou propor redigir o contrato, mas deixei bem claro que aquilo não aconteceria e mandei ele e Laura caírem fora logo, para que levassem aquele bebê.

— Ainda tá cheio de gente ai fora — Tanya falou para mim. — Você e Edward já vão embora?

— Não, preciso conversar com ele sobre algumas coisas para o clipe de Endorfina.

— Ok, qualquer coisa é só me chamar — ela disse. — Vou estar na minha sala publicando nas redes sociais dele sobre o caso e lidando com tudo isso.

— Bom trabalho, sei que vai ser muito divertido — brinquei, seguindo com ela até o elevador.

— Eu quero um aumento — ela se queixou, me fazendo rir. — E férias em Ibiza.

— Ah, lembra quando a gente...

— Melhor nem lembrar — ela me interrompeu. — Ei — ela falou baixinho quando entramos no elevador vazio. — Você e Edward não estão fodendo de novo, estão?

— Não, claro que não estamos — menti.

Tanya me observou atentamente, mas não falou mais nada. Era melhor assim, ela não tinha de se meter em minha vida e eu me sairia melhor fodendo às escondidas com Ed sem absolutamente ninguém sabendo.

No dia anterior, com James em meu apartamento — depois do que Edward e eu fizemos no carro com meu noivo falando comigo por ligação — foi difícil manter o segredo oculto, a cada vez que ele me beijava ou tocava em mim me sentia muito culpada, mas ao lembrar o quão bom era foder com Edward eu não conseguia pensar em colocar um ponto final no nosso casinho, pelo menos não até ele me foder de todas as formas prometidas. O que eu esperava que fosse logo, mas infelizmente não seria aquela noite, uma vez que eu tinha aquela porra de jantar para comparecer.

Tanya seguiu para sua sala, eu fui para a minha, Irina estava no seu lugar trabalhando como mandei. Entrei na minha sala e Edward que estava deitado no sofá pulou, indo até mim e trancando a porta.

— Não sou pai, Capitã! — comemorou.

— Eu disse que não seria.

— Não espere que eu não surte quando você apareceu furiosa na minha casa, prestes a me matar, e contou que eu tinha um filho.

— Não foi bem assim.

— Que seja, o que importa agora é que eu não sou pai de ninguém.

— E que Endorfina está vendendo como água, aliás, nós temos de falar sobre Endorfina.

Edward sorriu maliciosamente, colocando meu corpo contra a porta e o seu. Eu engoli em seco, sabendo muito bem o que ele queria.

— Eu sei, você deve tá louca para eu te comer depois do que fizemos no carro ontem — ele disse cheio de si. — Vamos foder agora mesmo e liberar um pouco de endorfina.

— Não vamos foder hoje.

— Não? — ele fez uma careta.

— Não — afirmei.

Edward bufou.

— Eu devia ir atrás daquela enfermeira loira gostosa. — Ele voltou a sorrir, colocando uma perna entre as minhas, pressionando seu corpo contra o meu. — Ou que tal você usar um jaleco e jogarmos um joguinho safado, putinha? Você é a enfermeira, eu o médico e brincaremos de hospital.

— Não, não, não — falei aterrorizada.

— O que foi? — Edward perguntou.

— Eu odeio médicos e hospitais — murmurei.

Ele gargalhou da minha cara, eu o empurrei.

— A poderosa Isabella Swan tem medo de algo? — perguntou divertido. — Quem diria.

— Cala a sua boca! — ordenei.

— Por que tem medo de hospitais e médicos?

— Todo mundo deveria ter! — declarei, indo sentar no meu lugar, deixando Ed pegar um à frente da minha mesa. — Aquele cheiro ruim, aquele branco todo, nada legal. — Estremeci só de pensar, principalmente porque algumas das minhas piores memórias eram de um hospital, depois da overdose que quase me matou. — Mas, nós temos de falar sobre o clipe de Endorfina.

— Pode mandar. — Edward começou a rodar na cadeira, inquieto como era.

— Pare de rodar.

— Você acaba com toda a diversão, Capitã.

— Edward, eu tenho um jantar com meu pai, a madrasta que odeio, meus sogros e uma amiga irritante de James hoje para comemorar meu noivado, pare de me tirar do sério, já tivemos isso demais com toda essa história de filho.

— Tá, tá. — Ele parou. — Posso ir ao jantar?

— Claro que não.

— Eu podia sentar ao seu lado e fazer o que fiz no carro ontem, só que dessa vez com todo mundo por perto, incluindo seu noivo.

— Se concentre! — Evitei pensar na proposta absurda dele. — Eu acho que devemos usar de fato minha irmã no papel da bailarina do clipe, ela está em forma perfeita para a personagem e dançou balé por muitos anos.

— Por mim tudo bem. — Deu de ombros. — Renesmee é legal, diferente de você é simpática. Alice também, mas eu tenho outros interesses na segunda garota Swan.

Ignorei seu comentário sobre Alice, continuando a falar.

— Alguma sugestão de quem poderia ser o lutador? Ontem pensei em Demetri...

— Não mesmo! — ele me cortou. — Não quero aquele lá atuando em meu clipe.

— Ele é namorado da sua irmã, seria uma boa forma de colocar isso em mais evidência, além do mais ele é muito famoso.

— Foda-se, não!

— E quem podemos colocar no lugar dele? — Não insisti em Demetri, sem querer me estressar mais.

— Alec Volturi — Edward falou. — Ele também treina boxe, é uma ótima para o clipe e é quase tão famoso quanto Demetri.

— E o pai dele é um diretor renomado, se conseguirmos Aro Volturi mencionando seu clipe por ai seria uma boa — falei, pensando em como Aro gostava de babar ovo em seus filhos nas redes sociais e entrevistas, em algum momento falaria sobre o clipe de Endorfina.

— Ele poderia dirigir o clipe — Edward falou esperançoso, eu ri alto.

— Não, ele cobraria uma fortuna e não temos todo esse dinheiro no caixa da produção do clipe. Estava pensando em Sean Turner, ele dirigiu o último clipe de Kate e foi um sucesso.

— Ok, quando gravaremos?

— Isso eu ainda não sei, mas organizarei uma reunião segunda-feira com todos os envolvidos. Agora você cai fora da minha frente, ainda tenho que trabalhar.

— Nossa, que gentil. — Ele se levantou. — Mais alguma ordem?

— Evite a internet, não precisa postar nada nas redes sociais, Tanya está controlando tudo.

— Sim, senhora Capitã. Vou passar o resto do fim de semana quieto na minha casa curtindo a recuperação da minha tatuagem.

— Um milagre, Ed Cullen sendo obediente. Ser pai te transformou.

— Não brinque com isso. Adeus, Capitã!

— Tchau.

— Bom jantar, espero que você não morra de tédio.

Eu esperava não matar Victoria, ela que se comportasse e ficasse longe de James.

***

Para o jantar eu optei por um vestido azul marinho, que parava na metade das minhas coxas, era acentuado com a saia solta, decote frontal e nas costas, com alças grossas e que fazia com que eu ficasse gostosa para caralho. Deixei meus cabelos soltos e ondulados, fodidamente hidratados, na verdade a cabelereira que contratei para isso deixou, enquanto o maquiador caprichou na minha maquiagem de lábios, deixando-me com eles incrivelmente vermelhos.

Eu estava terminando de calçar meus saltos, depois de dispensar o maquiador e a cabelereira, quando a campainha tocou, era James. Peguei meu celular e rapidamente fui abrir a porta para meu noivo, que estava lindo usando camisa social azul clara, com as mangas dobradas e uma calça jeans escura, em seus pés sapatos pretos.

— Oi, Baby! — ele falou, antes de tocar seus lábios nos meus, ele estava cheirando muito bem.

— Oi, amor. — Afaguei seu rosto. — Podemos ir, já estou pronta.

Ele me olhou de cima a baixo, sorrindo.

— Você está linda, noiva.

— Você também está lindo, noivo. — Pisquei para ele, arrumando uma mecha do meu cabelo, o que o fez segurar em minha mão.

— Vai precisar do seu anel de noivado hoje, Baby — ele lembrou.

Claro, era meu jantar de noivado, eu não poderia ir sem a peça principal que era o anel.

— Eu vou buscá-lo.

— Certo.

Voltei até meu quarto, peguei o anel, respirei fundo algumas vezes e o coloquei no meu dedo. Olhei para Norma Jean em minha cama, ela podia me odiar, mas quando dava sempre deitava lá.

— Estou fazendo a coisa certa? — perguntei a ela, que me ignorou. — Obrigada pelo conselho muito útil — praguejei.

— Bella, vamos! — James gritou da sala. — Mal vejo a hora de contar ao seu pai que vamos casar.

Encarei o anel em meu dedo, sentindo meu estômago embrulhar.

— Eu também, Jimmy — gritei de volta para ele. — Mal vejo a hora — falei para mim mesma.

***

James estava dirigindo aquela noite, enquanto íamos para a casa do meu pai — onde meu noivo também prepararia nosso jantar — conversávamos sobre quão ansioso ele estava para ver seus pais e Victoria — eca! —, como ele esteve trabalhando o dia todo e seus pais e Victoria só tinham chegado à Los Angeles no fim da tarde, eles ainda não tinham se encontrado. Nós também falamos sobre o caso do “Bebê Cullen” que era como a internet estava chamando, comigo tomando cuidado sempre que falava qualquer coisa de Ed, temendo que uma palavra a mais fosse fazer Jimmy descobrir sobre meu sexo com o músico.

— Eu esperei muito por esse jantar — James falou me ajudando a sair do seu carro quando chegamos à casa do meu pai.

— Eu mal posso esperar para voltarmos até meu apartamento e transarmos — disse para ele. Não transávamos tinha dias, na noite passada ele acabou pegando no sono cedo, o que até foi bom para mim, porque eu ainda me sentia um pouco suja pelo o que tinha feito com Edward.

— Claro, Baby. — Ele segurou em minha mão e caminhamos até a entrada da mansão, onde uma empregada já mantinha a porta aberta para nós.

Nos dirigimos até uma das salas do local, onde meu pai estava com aquela puta mexicana que ele ousava chamar de noiva. Carmen usava uma calça preta de tecido fino larga e uma blusa cropped vermelha, com saltos mais altos que os meus, enquanto seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça. Meu pai, por outro lado vestia suas roupas de sempre, botas, calça jeans e camisa xadrez, obviamente seu chapéu favorito na cabeça.

— Vocês chegaram! — papai comemorou, ele estava sendo servido com uma dose de uísque por Carmen, que sorriu também quando nos viu. Falsa, dissimulada! — Estava muito ansioso para saber o motivo desse jantar com os pais de James, apesar de desconfiar. — Ele andou até a gente, James ergueu minha mão esquerda que estava na sua, mostrando a Charlie meu anel. — Isso! — papai gritou, tão empolgado que me deixou entusiasmada também.

Eu estava fazendo a coisa certa ao me tornar noiva de James, ele era perfeito e até meu pai sabia disso.

— Parabéns, Bells! — Papai me puxou para um abraço apertado.

— Obrigada. — Dei batidinhas em suas costas.

— James. — Papai abraçou meu noivo. — Eu sabia, sabia, no dia que você pediu meu iate emprestado sabia que seria para isso.

— Desculpe não ter pedido a mão de Bella primeiro para você, Charlie — James falou solenemente. — Mas, você é um fofoqueiro — disse, fazendo meu pai rir alto. — Iria contar para Isabella.

— Ia mesmo, não sei guardar segredos — ele anunciou, apertando minha bochecha.

É, eu saber guardar segredos muito bem tinha sido algo que herdei de Renée, certamente.

— Ei, meus parabéns! — Carmen se aproximou, fazendo com que eu fechasse a cara imediatamente.

— Muito obrigado, Carmen — James assumiu a fala, recebendo o abraço dela, assim que ele a soltou colei em seu braço.

— Já sabem quando irá ser o casamento? — ela perguntou.

— Poderíamos fazer um casamento duplo — meu pai disse.

— Nem pensar — interrompi sua ideia absurda, até porque ele não chegaria a casar com Carmen. Alistair estava vasculhando o passado dela, encontraria algo e seria o suficiente para meu pai a largar. — E nós nos casaremos no nosso aniversário de cinco anos de namoro, daqui a uns dois anos — respondi.

Ouvimos a campainha e eu mordi minha língua, propositalmente. Victoria estava ali, ela e Carmen na mesma noite era demais para minha sanidade. Era uma pena que minhas irmãs estavam ocupadas e não estavam ali, poderiam me conter de matar a puta mexicana, ou a nova iorquina.

A empregada abriu a porta prontamente, o que logo deixou com que os pais de James, Anelise e Petrus Klein entrassem na sala. Meu noivo era a versão mais nova do seu pai, então o que os diferenciava era apenas o fato de Petrus estar com os cabelos totalmente grisalhos. Anelise também era loira de olhos claros, mas ela vinha pintando seus cabelos de preto nos últimos anos, James disse que era algo sobre uma crise de meia idade.

Ambos vestiam roupas chiques, mas não formais demais para destoarem por completo — se esquecêssemos meu pai vestido pronto para um dia na fazenda — dos demais. Mas, eu não dei muita atenção para eles, já que a pessoa que estava me tirando do sério antes mesmo de chegar aquele jantar era Victoria.

Ela era uma ruiva alta, olhos azuis, algumas sardas pelo rosto que aquela noite ela mascarava com maquiagem. Usava uma saia branca longa, rodada, como se tivesse saído de um filme antigo, com uma blusa preta, com um discreto decote e sapatos de saltos não muito altos.

— James! — Ela ultrapassou os pais dele, correndo até meu noivo, que me largou para receber o abraço daquela mulher. — Como senti sua falta — ela falava enquanto se abraçavam, de uma forma que me incomodava para caralho.

— Também senti muitas saudades, Vick — ele disse, beijando o rosto dela. Se apertaram mais um pouco naquela porra de abraço e se soltaram. — Mãe, pai! — Ele foi receber os abraços e saudações dos dois.

— Bella! — Qualquer vestígio de sorriso do rosto de Victoria morreu quando ela olhou para mim.

— Olá, Victoria. — Estendi uma mão para ela, que forçou um sorriso e devolveu o aperto, eu apertei com toda minha força, vendo-a fazer uma careta por aquilo. — Como foi seu voo?

— Excelente.

— Uma pena — sussurrei, se ela ouviu não disse nada, mas eu já estava indo até meus sogros. — Petrus, Anelise, que bom ver vocês. — Abracei a mulher e ganhei um beijo no rosto do meu sogro.

— Nós estamos tão felizes com esse noivado — a mãe de James falou após ela e o marido, assim como Victoria cumprimentarem meu pai e Carmen, agarrando minha mão e olhando para o anel. — Olha que anel lindo, você tem um gosto incrível, James — parabenizou o filho.

— Na verdade, Vick me ajudou a escolher.

Como? Gritei em minha mente. O meu anel de noivado tinha sido escolhido com a ajuda daquela puta?

— Eu ia mandando as fotos e ela opinando — James terminou de contar, me lançando um olhar apreensivo.

— Então, você tem um bom gosto, querida — Anelise disse carinhosamente para Victoria, que sorriu para ela.

— É, um excelente gosto — ironizei, pensando em jogar a merda daquele anel no lixo e exigir que James me desse um novo, com uma pedra muito maior.

— James me disse que estão planejando o casamento só para daqui a dois anos — Anelise falou. — Mas, estou ansiosa demais para que casem logo e tenham filhos.

Filhos? Quê? Que merda!

— É, eu também estou ansioso por isso, mãe — James falou, me abraçando e sussurrando em meu ouvido. — Conversamos sobre isso depois do jantar — prometeu.

Sim, era bom mesmo que conversássemos, tínhamos muito o que falar.

***

O grupo todo logo convergiu para a cozinha, para que estivéssemos junto de James enquanto ele cozinhava para nós. Ele tinha dito para meu pai dispensar as cozinheiras, então a cozinha era toda dele, até Carmen começar a ajudá-lo e logo depois Victoria, claro.

Meu pai e Petrus não demoraram muito por lá, indo para a sala beber e falar sobre qualquer coisa. Eu fiquei sentada a mesa da cozinha com Anelise, enquanto conversamos entre nós duas e com os que estavam cozinhando. Quer dizer, ela conversava, eu estava irritada com James e com a raiva de sempre sobre Carmen e Victoria.

— Eu adoraria ter pelo menos um casal de netos — Anelise retomou o assunto de filhos, fazendo com que minha garganta fechasse, mas não falei nada, Carmen por outro lado falou:

— Charlie e eu queremos ter um filho, ia amar uma menina, mas um menino seria tão especial.

— Claro, já pensando no golpe completo — resmunguei.

— O que disse, querida? — Analise me perguntou.

— Nada — menti. — Então, James, quantos filhos teremos? — o pressionei, ele parou de cortar qualquer coisa para me olhar.

— Quantos você quiser, Baby — respondeu, soando nervoso.

— Vá se preparando, eu irei querer cinco — ironizei.

— Ah, isso seria muito bom — Anelise disse animada, batendo palmas.

— Claro, uma creche — continuei ironizando, ela não parecia perceber.

— Ei, Bella? — Carmen me chamou. — James disse que precisaremos de um vinho para o jantar. Que tal irmos o escolher juntas na adega?

— Preferia quebrar um dente, vou conversar com meu pai e Petrus. — Levantei da cadeira que estava, pegando meu celular e copo de uísque que tinha me servido mais cedo.

Eu estava a caminho da sala que meu pai e meu sogro estavam, quando meu celular tocou, era uma mensagem de Edward.

Ed Cullen: Se você quiser fugir desse jantar entediante estou sozinho em casa, pronto para te amarrar.

Proposta tentadora, mas eu não poderia fazer isso.

Capitã: Apague a mensagem!

***

O jantar pareceu perfeito para todos, menos para duas pessoas. Eu, que estava furiosa com James pela história do anel e a mais absurda ainda sobre filhos. E Victoria, que estava claramente incomodada por estar ali.

Quando aquela merda de jantar acabou, Petrus, Anelise e Victoria foram embora juntos para o hotel que estavam. James e eu iriamos almoçar com os três no dia seguinte — que divertido —, já que seus pais iriam embora de volta para New York no começo da noite de domingo, pois segunda precisavam trabalhar, eles mexiam com imóveis na cidade. Eu queria mesmo que Victoria fosse com eles, mas ela ainda não tinha uma data para ir embora, já que estava de férias até o fim de junho.

— Eu não quero um filho, James! — gritei no instante que ele entrou no carro.

— Bella, por favor, não surta — ele pediu, ligando o carro.

— Como você não quer que eu surte? Sabe muito bem que nunca quis filhos, James, não é porque estamos noivos e vamos casar que mudei de ideia. Por que você mudou de ideia? — Ele já estava dirigindo para longe da casa do meu pai.

— Não mudei de ideia, Bella — James falou seriamente. — Nunca quis ter filhos também, não é agora que quero ter. Só concordei com o que a minha mãe falou para não estragar o jantar com ela brava comigo e também com você, porque não pretendemos ter filhos. Eu sou filho único, mamãe e papai não puderam ter mais filhos e isso mexeu com ela, é louca para ter netos. Na hora certa ela saberá que não teremos filhos, mas por enquanto vamos manter as aparências.

— Não gosto disso.

— É, Bella, sério? — ele perguntou irritado, o que me pegou de surpresa, já que não era comum de James levantar a voz para mim. — Eu também faço um monte de coisa que não gosto, mas entendo que é importante para você e não fico reclamando.

— Tipo? — o confrontei.

— Tipo esconder que estamos noivos.

— Sabe que não quero isso exposto ainda.

— Sim, é exatamente disso que estou falando. Por mim eu já tinha dito para cada pessoa no mundo que casaremos, mas entendo o seu lado e respeito. Por isso estou pedindo que respeite o meu e só finja para minha mãe que teremos filhos, não se preocupe, eu nunca pediria para você ter um filho que não quer.

— É, você apenas gosta de pedir coisas para Victoria.

James resmungou.

— Ela é minha amiga e me ajudou com o anel, isso não é um crime, Isabella.

— Ela gosta de você! — gritei.

— Ela é minha amiga, já falei isso mil vezes — ele gritou de volta, fazendo com que eu sentisse uma onda de calor se espalhar por meu corpo, eu estava ficando muito excitada com James gritando comigo daquele jeito.

— Para o carro e vamos foder — sugeri, tocando na coxa dele, mas James afastou minha mão.

— Não vamos fazer isso — ele disse. — E eu não vou dormir no seu apartamento hoje, estou com dor de cabeça e cansado, vou para o meu, amanhã te pego para o almoço.

— Jimmy...

— Por favor, Isabella, fique quieta — pediu.

Eu fiquei, mas peguei meu celular e mandei uma mensagem para Edward.

Capitã: Em uma hora estou na sua casa, espero que me amarre com força.

Ed Cullen: Mudanças de planos, Capitã, estou ocupado com uma garota agora, aquela loira da festa do meu show. Eu te amarro outro dia.

Ótimo, meu noivo não ia me foder, nem meu amante.

***

Eu tive de tomar um remédio para dormir aquela noite, mas ainda assim tive uma noite inquieta. Então, eu estava sonhando, com o dia do meu casamento com James.

Estava vendo meu reflexo em um espelho, eu usava um vestido de noiva, quando a porta do quarto que eu estava sozinha se abriu. Paul apareceu ali, trajando um terno, ele caminhou até mim e eu pulei em seus braços.

— Você está aqui — eu murmurei para ele.

Paul me beijou, ardentemente, cheio de paixão, como sempre foi entre nós dois. Nós ficamos agarrados, sentindo um ao outro.

— Você não ama o James, Bella — ele falou em meu ouvido. — O largue de uma vez.

— Não posso, ele é bom para mim.

— Fique comigo — Paul implorou.

— Você já me machucou muito.

— Quem você ama, Isabella? — Ele olhou para meu rosto.

A resposta era apenas uma.

— Você, Paul, eu sempre vou te amar.

Acordei em um sobressalto, me sentindo suada e nojenta, provavelmente tinha me esquecido de ligar o ar-condicionado. Esfreguei meu rosto com as mãos, tentando acordar de vez e levar para longe de mim aquele sonho.

Eu ainda amava Paul, claro. Eu era uma fodida de sentimentos, para sempre apaixonada pelo cara mais babaca da história, enquanto tinha um noivo maravilhoso, mas não o amava tanto assim.

Porra, eu amava tanto Paul que um dia pensei em ter filhos com ele, por mais que alegasse por ai que nunca tive aquela vontade. Mas, tive vontade com Paul, eu queria tudo ao lado dele, incluindo uma família.

— James, James, James — fiquei repetindo o nome para mim mesma, naquele instante tomando uma decisão. Estava na hora do mundo saber do meu noivado, estava na hora de eu parar de me esconder.

Peguei meu celular da mesinha ao lado da cama, selecionei uma foto minha e de James tirada no jantar e a compartilhei com a legenda: Eu amo você, Jimmy. Obrigada por ter sido meu namorado durante esses três anos, mas agora estou muito mais feliz que somos noivos.

Brega demais, entretanto eu precisava ser um pouquinho. Logo que a postei vi comentários, mensagens e tudo mais chegando. Apenas os ignorei, ainda eram três da manhã, eu tomaria um banho e voltaria a dormir, mas me parei quando meu celular tocou e vi que era Alistair ligando, tive de atender.

— Se for sobre a foto com Jimmy...

— Não — ele me interrompeu. — Mas, parabéns por isso — falou. — Estou ligando porque acabei de descobrir o que você queria.

Sentei na cama com tudo, prestando atenção a cada palavra dele.

— Sobre Carmen?

— Isso mesmo — ele confirmou. — Pronta?

— Com certeza.

— Há alguns anos ela engravidou de um senador e abortou, a melhor parte? Carmen era uma garota de programa.

Sorri, me sentindo vitoriosa. Poderia não querer filhos, mas seria uma excelente filha ao salvar meu pai daquela vagabunda.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 23.08.18