Hollywood

31 Capítulo Trinta


Notas iniciais
Oi, gente! Depois de uns comentários no último capítulo vim lembrar vocês desse trecho do capítulo 20 da história, narrado pela Bella. "Eu tive de tomar um remédio para dormir aquela noite, mas ainda assim tive uma noite inquieta. Então, eu estava sonhando, com o dia do meu casamento com James. Estava vendo meu reflexo em um espelho, eu usava um vestido de noiva, quando a porta do quarto que eu estava sozinha se abriu. Paul apareceu ali, trajando um terno, ele caminhou até mim e eu pulei em seus braços. — Você está aqui — eu murmurei para ele. Paul me beijou, ardentemente, cheio de paixão, como sempre foi entre nós dois. Nós ficamos agarrados, sentindo um ao outro. — Você não ama o James, Bella — ele falou em meu ouvido. — O largue de uma vez. — Não posso, ele é bom para mim. — Fique comigo — Paul implorou. — Você já me machucou muito. — Quem você ama, Isabella? — Ele olhou para meu rosto. A resposta era apenas uma. — Você, Paul, eu sempre vou te amar. Acordei em um sobressalto, me sentindo suada e nojenta, provavelmente tinha me esquecido de ligar o ar-condicionado. Esfreguei meu rosto com as mãos, tentando acordar de vez e levar para longe de mim aquele sonho. Eu ainda amava Paul, claro. Eu era uma fodida de sentimentos, para sempre apaixonada pelo cara mais babaca da história, enquanto tinha um noivo maravilhoso, mas não o amava tanto assim." Boa leitura!!!

Capítulo Trinta

Isabella Swan

"Por onde anda Isabella Swan?"

Eu fugi, depois de passar meses na clínica de reabilitação, depois daquela overdose que quase me matou. Foram anos fugindo, anos querendo escapar dos meus problemas.

Ou eu estava escondida na casa da família em Nashville, ou na de Los Angeles, ou estava viajando. Mas, eu estava fugindo de uma forma de outra, temendo uma nova queda.

Tanya dizia para mim:

— Você não vai poder fugir para sempre.

Era uma verdade, eu sabia. Mas, iria fugir o quanto pudesse, era muito boa nisso.

***

Meu coração parou. Minhas mãos suaram. Meus olhos se encheram de lágrimas.

Paul estava ali, perto demais de mim. Segurava a mão de uma garota, que mal devia ter vinte anos. Eu a reconheci, Julia Gaston, filha de um político.

— Isabella, vamos embora! — a voz de Charlie fez com que eu desviasse o olhar de Paul, mesmo que não quisesse.

— O quê?

— Vamos embora! — meu pai repetiu, já se colocando de pé, assim como Carmen.

— É melhor você ir logo, pela saída dos fundos — Tanya disse ao meu lado.

— Mas…

— Por que vocês estão a mandando embora? — Edward perguntou quando não consegui.

— Paul está aqui — Tanya respondeu para ele, irritada.

— Grande merda, ele não é o dono do lugar — Edward proclamou.

— Isabella, vamos embora! — meu pai falou, ignorando Edward.

— Não, não vou embora — falei, pigarreando. — Paul que se foda, não vou ir porque ele está aqui, nem deveria estar, conferi a lista de convidados e ele não estava nela, só a adolescente com ele. — Me levantei, ajeitando meu vestido e me voltei para Edward. — Temos pessoas para cumprimentar, mexa-se! — Estalei meus dedos para o músico.

***

Eu devia ter ido embora, depois da primeira vez que Paul olhou para mim naquele leilão e me lançou um sorrisinho malicioso percebi que deveria ter fugido, mas já era tarde demais para escapar. Tentei focar no trabalho, o real motivo para estar naquele lugar, mas nem isso conseguia fazer de verdade, por sorte Edward estava conseguindo se virar quando eu me distraia demais.

— Você me chamou de Riley três vezes — Edward reclamou depois que nos afastamos de cantor mais velho com quem estávamos conversando.

— Tanto faz — sussurrei. — A apresentação de itens para leilão já vai começar, melhor você voltar para a mesa, eu vou para o banheiro.

— Tá.

— Não tente beber no meio do caminho.

— Eu não vou — resmungou, se afastando de mim enquanto eu já seguia para o banheiro.

Estava conferindo minha maquiagem quando ela entrou no banheiro, sorrindo de orelha a orelha. Parou perto de mim, ainda sorrindo e passou suas mãos por seus longos cabelos loiros e lisos, se olhando no espelho.

Eu tinha pesquisado mais sobre Julia Gaston no Google antes, enquanto andava com Edward pelo leilão. Filha mais nova de um senador, tinha 21 anos de idade, estava começando a atuar, já tinha papéis grandes, facilmente conquistados por ter um pai conhecido. As notícias mais recentes sobre ela eram daquela noite, onde ela levava ao leilão seu novo namorado, o astro Paul Lahote.

— Você deveria deixar esse cara — murmurei, olhando para Julia pelo espelho, o sorriso dela morreu e a garota olhou para mim.

— Como? — indagou, arqueando uma sobrancelha. Estávamos sozinhas no banheiro.

— Paul é um filho da puta, você deveria o largar — avisei.

Julia gargalhou, guardando seu batom na sua pequena bolsa de mão.

— Eu estou falando sério — insisti. — Você provavelmente não acredita que ele foi o responsável por aquele vídeo, mas…

— Ele não foi — Julia falou confiante, fazendo com que eu me calasse. — Você provavelmente gravou aquela merda para se promover, mas deu errado e se fodeu. Bom, o problema é todo seu, Isabella, não do Paul. Meu namorado é maravilhoso, você é uma vagabunda, aceite os fatos.

A raiva tomou conta de mim, em pensar que eu tinha tentado alertar aquela garota estúpida do mal maior que Paul representava. Naquele momento só desejei que ele a fodesse, ela merecia por ser tão burra. Mas, eu também quis arrebentar a cara dela, cheguei a andar para até mais perto de Julia, entretanto, a fala dela me impediu de socar sua cara.

— Vai me bater, Isabella? Faça isso e eu fodo com a sua vida para sempre, não se esqueça de quem sou filha.

Engoli em seco, fechando minhas mãos em punhos ao lado do meu corpo e me afastando de Julia.

— Foi o que pensei. — Ela sorriu para mim, acenou e deixou o banheiro.

Eu gritei, para extravasar a raiva que estava sentindo naquele momento. Não adiantou, quando deixei o banheiro ainda me sentia cheia de ódio.

Voltei para a mesa onde os outros estavam, sentando entre Edward e Tanya. Minha amiga me olhou preocupada, mas não disse nada, era melhor assim, eu não queria conversar com ninguém. No palco, a anfitriã da noite já discursava, também não dei atenção a ela, nem me senti com um minímo de tesão quando Edward passou a mão por minha perna pela fenda do meu vestido.

Eu só conseguia me manter olhando para Paul, que estava do outro lado do salão em uma mesa com a filha da puta da Julia, os pais dela e mais pessoas que eu estava pouco me fodendo. Toda vez que ele a beijava eu morria um pouco, toda vez que ela tocava no rosto dele eu queria a matar, quando Paul sorria para ela queria que ele sorrisse para mim.

— Você precisa ser mais discreta — Edward disse em meu ouvido. — Não pode matar o cara aqui.

Não, ele estava errado, eu não queria matar Paul, queria ele comigo. Qual era a porra do meu problema? Paul tinha destruído minha vida e eu ainda era apaixonada por ele? Eu tinha fodido meu cerébro com toda aquela cocaína que usei com Paul, essa era a única explicação para eu ser tão burra quando se tratava daquele homem.

— Vamos embora de uma vez, isso aqui está um saco — Edward reclamou, continuei calada, vendo Paul passar um braço por cima dos ombros de Julia. Ele me viu o olhando, sorrindo para mim rapidamente, antes de continuar a conversar com o senador Gaston. — Capitã?

— Cala a boca, Edward — exigi, ele bufou, mas se calou, poupando meus ouvidos.

Em algum momento do leilão, depois que meu pai já tinha arrematado um vaso de vinte mil doláres para Carmen, Tanya um colar de esmeraldas e Edward um taco de beisebol autografado — mesmo que ele tivesse dito que sequer entendia o jogo, só tendo arrematado o objeto porque o jogador apresentando aquela peça tinha uma voz que lhe causava dor de cabeça —, eu deixei a mesa, sem responder ao meu pai e Tanya onde estava indo quando eles perguntaram. Estava me sentindo sufocada, sem conseguir mais ficar um segundo ali dentro eu me dirigi até o jardim traseiro da mansão, apenas poucas pessoas estavam lá, a maioria seguranças.

Eu me sentei em um banco, respirando fundo e me amaldiçoando por ter esquecido minha bolsa e celular sobre a mesa lá dentro, mas não me importei em voltar para pegar. Só precisava de alguns minutos longe de toda aquela gente.

Fechei meus olhos, sentindo o vento em meu rosto. Então, senti mãos quentes em meus ombros e escutei a pessoa falando.

— É uma linda noite, não?

Paul, eu reconheceria sua voz até no inferno. Abri meus olhos e vi apenas os seguranças, os convidados que antes estavam lá fora não estavam mais.

— Me solta — sussurrei, com a voz vacilante.

Era a primeira vez que falava diretamente com ele desde a época do Escândalo Swan, nós já tínhamos nos cruzado uma porção de vezes, mas eu sempre fugia dele.

— Por que eu faria isso? — ele perguntou, continuando com suas mãos em mim, afagando minha pele com seus polegares. — Você passou a noite inteira de olho em mim, eu tenho certeza de que estava louca para que eu viesse até você.

— Me solta! — repeti, ficando de pé, fiquei de frente para Paul, que sorriu com malícia.

— Julia me contou sobre a conversinha de vocês no banheiro — ele falou, contornando o banco e ficando ao meu lado. — Você foi uma garota muito má falando de mim daquela forma, Isabella.

— Aquela babaca tem vinte e um anos, você não se enxerga? Tem mais de dez anos a mais que ela.

— Eu diria que você está com ciúmes, querida.

— Cala a boca! — exclamei entre dentes, começando a tremer e a querer chorar, Paul riu e agarrou meu pulso.

Antes que eu pudesse me dar conta do que ele estava fazendo, Paul começou a andar e a me fazer andar também. Ele me levou para depois da gigantesca piscina da mansão, então conseguiu abrir o banheiro que ficava junto à àrea coberta onde ficava a churrasqueira e me colocou para dentro.

— Paul, me deixa sair — exigi, o vendo trancar a porta.

— Por quê? — Ele se colocou na minha frente, impedindo minha passagem. — Sei que estava louca para ter um momento sozinha comigo, aqui estamos, linda.

— Eu te odeio.

— Você me ama. — Ele sorriu mais, se aproximou de mim e segurou em minha cintura. — Como dizia mesmo? Ah sim, eu vou te amar para sempre, Paul.

— Isso mudou quando você vazou aquele vídeo. — Estremeci quando ele beijou meu pescoço.

— Que vídeo?

— Você sabe do que estou falando.

— Não sei — negou. — Só sei que você continua usando o mesmo perfume, mesmo depois de todos esses anos.

Olhou para mim, seus olhos escuros tinham um brilho intenso. Eu comecei a chorar, ele voltou a beijar meu pescoço.

— Não chore, eu estou aqui, não era isso que queria?

— Eu devia matar você — sussurrei.

— Você me ama, você faria tudo por mim. Por isso, preciso pedir algo. — Segurou meu rosto, fazendo com que o olhasse. — Fique quietinha, ok? Se você voltar a mencionar aquele vídeo por aí, ou ficar falando mal de mim, eu ficarei tão chateado com você.

— Está com medo de Julia te largar?

— Você sabe como as coisas funcionam. — Beijou minha bochecha, eu perdi meu fôlego. — O pai dela está muito contente com nosso namoro, mas se Julia e eu terminamos ele não ficará mais feliz e tenho grandes planos com o dinheiro que ele tem, estou até pensando em montar minha produtora de filmes com o financiamento dele, você não acha isso um grande passo para mim?

Sim, era a porra de uma grande coisa.

— Então, você será uma boa menina e ficará longe de Julia e da família dela, querida. — Ele tocou meus lábios com os seus rapidamente, o suficiente para eu ter mais lágrimas em meus olhos. — Porque, eu juro, que se você fizer algo contra mim, farei algo muito pior do que já fiz.

— Tipo? — Ele não respondeu logo, levando seus lábios até meu decote, eu gemi alto, agarrando seus braços enquanto o sentia me beijando. Paul me segurou pela cintura novamente, erguendo meu corpo e me colocando sentada sobre a bancada da pia.

Enfim me beijou como eu queria, ter seus lábios nos meus depois de todo aquele tempo era simplesmente um sonho se realizando. Sim, eu deveria estar lutando contra o homem que me amaldiçoou, mas ele também tinha me enfetiçado desde o primeiro momento.

De olhos fechados eu me deixei aproveitar, aquilo parecia mesmo um sonho, um que a qualquer momento poderia acordar. Paul revezava seus beijos entre meu decote e meus lábios, eu me sentia quente, louca para o ter beijando cada centimetro de pele meu, mas, ele não fez isso, porém sussurrou em meu ouvido:

— Aquele não foi o único vídeo, querida.

Como?

Eu o empurrei para longe de mim, o encarando chocada.

— O que você disse?

— Você ouviu. — Acariciou minha bochecha. — Eu tenho ao menos mais três vídeos seus, você no banho, você cheirando cocaína na sua casa em Malibu, ah, tem até você pedindo pra eu comer seu cu em um carro, depois me pagando um boquete.

Não, não era possível, ele estava mentindo, né?

— Por isso, é bom você ficar quietinha na sua como recomendei. Porque se eu me foder, farei questão de vazar cada um desses vídeos.

— Você está mentindo!

— Pague para ver, querida! — Piscou para mim. — Agora se recomponha — instruiu. — E eu não irei te foder hoje, mas talvez te faça uma visita em breve, sinto a falta de você chupando meu pau.

Eu continuava paralisada no mesmo lugar, Paul tinha mais vídeos meus, mais vídeos que só me destruiriam mais.

— Também acho que você sente falta de cocaína, não? — Tirou algo de seu bolso, um saquinho com a droga, colocou sobre meu colo e sorriu. — Divirta-se essa noite um pouco, quem sabe você pode me ligar depois e combinamos de nos encontrar essa madrugada e a usamos juntos. — Mexeu no armario do banheiro, pegou um pedaço de papel higiênico e um lápis de olho esquecido ali, anotou seu número e o deixou junto ao saquinho de cocaína. — Me ligue, querida.

Arrumou seu smoking, limpou sua boca e saiu, me deixando para trás. Passei um longo tempo encarando seu número, ao ponto de o decorar, assim como tentando ceder a cocaína em meu colo.

Até que desisti, eu usaria. Só um pouquinho não me faria voltar a cheirar como antes, certo?

Joguei o papel com seu número fora — já tinha o decorado mesmo —, tranquei a porta e abri o saquinho com a droga, a despejando sobre a bancada pia. Eu alinhei uma carreira com o mesmo lápis que Paul tinha anotado seu número, estava me curvando para cheirar quando ouvi uma batida na porta.

— Isabella?

Era Tanya, ela me mataria se me visse usando aquilo. Eu rapidamente empurrei tudo para a pia, ligando a torneira e deixando a àgua lavar a droga, lavando minhas mãos também.

— Oi? — Abri a porta para Tanya.

— O que está fazendo aqui?

— Vim usar o banheiro, não é óbvio?

— Esse não é o banheiro da festa — respondeu, olhando para trás de mim. — Paul estava aqui com você?

— Claro que não.

— O seu batom está borrado.

Engoli em seco.

— O que você fez? Não transou com aquele cara, né? — Entrou no banheiro, tinha minha bolsa em sua mão, tirou de lá meu batom, pegou um pedaço de papel e começou a refazer minha maquiagem.

— Eu não estava com Paul — continuei a mentir.

O que eu poderia dizer? Que mesmo depois de todos aqueles anos ainda era uma massinha de modelar nas mãos de Paul? Ou contaria sobre os vídeos extras? Tanya não poderia resolver aquele problema, ninguém poderia, se fosse mesmo verdade Paul teria cópias de segurança e não poderia arriscar que ele vazasse nenhuma delas.

— Que seja! — Tanya exclamou nervosa. — É melhor você e Edward irem embora de uma vez, já mandei o carro de vocês voltar.

— Ok, obrigada. — Sorri para ela, que me olhou preocupada, mas não disse mais nada.

Tanya entregou minha bolsa, eu a abri e guardei meu batom lá dentro, vendo meu celular. Se eu estivesse com ele, quem sabe, poderia ter conseguido gravar Paul falando sobre os vídeos e ter algo para o ameaçar também, mas eu era muito azarada, não?

— Bella?

Olhei para Tanya.

— Você está bem?

— Muito bem.

Era uma mentira, claro.

***

Tanya e eu voltamos para o interior da mansão, as apresentações de itens a serem leiloados tinham acabado. Eu segui com minha amiga até nossa mesa, enquanto tocava Sweet Caroline, olhei para a pista de dança e vi Paul dançando com Julia, eu me senti uma merda, ainda mais.

— Ed, você e Bella já vão embora — Tanya anunciou quando chegamos à mesa.

— Finalmente! — Edward comemorou, se colocando de pé.

Eu segui para fora da mansão na frente, sem me importar em dar tchau para ninguém. Logo Ed e eu estávamos na limusine, ele se encarregou de dizer para o motorista nos levar para minha casa, não me importei. Também não me importei em prestar atenção em nenhuma palavra sua durante o caminho, só conseguia pensar em Paul.

Quando chegamos ao apartamento minhas mãos tremiam tanto que eu mal conseguia abrir a porta, Edward tentou abrir por mim, mas lhe lancei um olhar severo e ele se afastou um pouco. Mas, consegui abrir e entrei primeiro, jogando minha bolsa no chão, Edward entrou e fechou tudo.

No instante que o inglês se virou para mim eu o ataquei em um beijo, colocando seu corpo contra a porta, passando a mão por sua barriga por cima de seu smoking, a outra tocando seu pau por cima de sua calça. Mas, ele não era Paul.

Eu me afastei dele, me sentindo perdida.

— Preciso de uma bebida — falei, antes de sair do hall de entrada do apartamento, seguindo caminho até a cozinha.

Eu peguei um dos vinhos que tinha ali, um que comprei depois da vez que Alice esvaziou todas minhas garrafas. Enchi uma taça até a borda, precisava beber. Bebi um gole, mas logo atirei a taça no chão e gritei, puxando meus cabelos do coque e sentindo o choro preso em minha garganta.


— Que merda é essa, Capitã? — Edward perguntei assustado, ao aparecer ali na cozinha.

Eu não respondi, só comecei a chorar. Meu coração batia rápido, minhas pernas estavam começando a fraquejar e só conseguia pensar em Paul me ameaçando, eu me agarrei ao balcão para não cair e fechei meus olhos, querendo que tudo desaparecesse.

— Você se feriu com o vidro? — Edward perguntou, ficando mais perto de mim.

— Vai embora — falei.

— Que diabos aconteceu?

Eu balancei a cabeça em negação, chorando mais alto. Minhas pernas vacilaram mais e naquele momento teria caído, mas Edward segurou em minhas costas, me mantendo de pé.

— Porra, o que você tem? — ele gritou comigo, sua voz era tão apavorada como quando estava tendo suas crises.

— Vai embora — repeti, me soltando dele, Edward não poderia me ajudar, ele não sabia cuidar nem de si mesmo.

Deixei a cozinha, mal conseguindo andar. Parei na entrada do apartamento, peguei meu celular de dentro da bolsa e liguei para James, Edward me olhava a alguns passos de distância.

Eu me sentei no chão, encarando meus pés. James atendeu logo.

— Jimmy — sussurrei.

— Baby? O que aconteceu? Você está machucada? — ele indagou preocupado, estava em um lugar muito barulhento, mas ainda conseguia o ouvir.

— Não, não, eu estou bem — disse. — Mas… Topei com o Paul na festa — contei. — Preciso que venha para meu apartamento, agora — falei, chorando mais. — E-Eu — gaguejei. — Preciso de você, amor, por favor, venha até mim.

Eu precisava, eu precisava de James, muito. Quase transei com Paul, quase cheirei cocaína, tinha de colocar minha mente no lugar.

— Estou indo agora mesmo, Baby — James prometeu. — Amo você, não se esqueça disso.

Sorri ao ouvir sua fala.

— Eu te amo — disse, então desliguei, largando o celular ao meu lado.

Eu coloquei meu rosto entre as mãos, meu corpo todo tremendo, me sentia vulnerável e com frio. Sozinha.

— Vai embora, Edward! — ordenei. — Vai embora — falei mais uma vez.

Ouvi Edward se mexer por fim, ele passou por mim, abriu a porta e saiu.

Acabei deitada no chão, chorando sem parar, me sentido usada, suja. Ainda estava naquela mesma posição quando James chegou, uma vez que Edward tinha saído e eu não tinha trancado a porta, meu noivo conseguiu entrar sem impedimentos.

— Deus, Bella! — James se ajoelhou no chão junto de mim, erguendo meu corpo, fazendo com que eu sentasse.

— Jimmy.

— O que aquele maldito disse para você, Baby?

Eu apenas solucei, não podia falar, não podia falar para ninguém.

— Ok — James disse, me colocando em seu colo e me tirando do chão. — Não precisa dizer, só precisa saber que sempre estarei aqui por você, Baby.

Sabia disso, por isso me senti ainda pior.

***

James me fez tomar um banho, depois me colocou na cama e deitou junto comigo. Ele não me pressionou a falar mais sobre Paul, só ficou deitado ali comigo, até que dormiu. Eu não dormi, não sentia sono algum.

Só conseguia pensar em Paul e eu naquele banheiro, nele me beijando, na cocaína que quase cheirei, nele dançando com Julia como se fosse o casamento dos dois. Aquilo tudo me deixava ansiosa, como não me sentia há séculos.

Aquilo tudo me fez tomar uma decisão, sai da cama, deixando James dormindo. Fui até o hall de entrada do apartamento, onde meu celular ainda estava, eu o peguei e fiz uma ligação.

***

James entrou na cozinha na manhã seguinte sendo seguido por Norma Jeane, eu estava tomando um copo de café. Meu noivo parou do outro lado do balcão, seus olhos azuis me avaliando atentamente.

— Quer comer algo? — perguntou.

— James, tenho que te contar algo.

***

Tanya falava sem parar, enquanto eu estava sentada à minha mesa na produtora, apenas a escutando e rabiscando em uma folha de papel desenhos sem sentido algum. Minha amiga não estava nada contente, mas eu não me importava com o humor dela.

— Você só tomou essa decisão por conta do que quer que seja que aconteceu naquele leilão.

Dei de ombros.

— Isabella, o que aconteceu naquele banheiro?

Eu não respondi, nunca responderia.

***

Edward abriu a porta para mim, sorrindo de orelha a orelha, naquele dia quente de julho.

— Feliz dia de Endorfina! — ele gritou, eu entrei em sua casa.

— Cadê o Shrek? — Senti falta do cachorro me atacando.

— Minha mãe levou ele ao veterinário — contou, ficando na minha frente, ainda sorridente. — Assisti a entrevista do Alec e da sua irmã mais cedo, eles foram ótimos. Mal vejo a hora do clipe sair, você vai ficar aqui esperando para assistir comigo? — Olhou o celular em sua mão. — Só falta umas duas horas, podemos aproveitar até lá, se é que me entende. Aliás, eu não te vejo desde o dia do leilão.

— Não, eu vim conversar sobre negócios.

— A boate?

— Não, esqueça a boate. — Edward me olhou confuso. — Eu vou acompanhar Kate na nova turnê dela que começa depois de amanhã.

Ele se surpreendeu.

James não tinha ficado feliz com minha decisão de passar tanto tempo viajando, mas ele era um cavalheiro e nunca se meteria em minhas escolhas, especialmente as do trabalho, também prometeu que sempre que pudesse viajaria até mim, assim como eu prometi ir até ele durante os intervalos dos shows. Tanya estava revoltada, já que ela e Alistair ficariam encarregados de cuidar de Edward e Charlie sozinhos comigo fora, mas também estava puta por eu estar escondendo dela o que tinha acontecido entre Paul e eu naquele banheiro.

— Você está fugindo, de novo, por conta daquele cara — ela disse irritada.

Eu estava. Mas, eu não voltaria atrás, queria sair de Los Angeles pelo máximo de tempo possível, queria evitar qualquer encontro com Paul, fosse ele por acaso, ou comigo cedendo e ligando para o ator. Também precisava ocupar minha cabeça e parar de pensar em usar cocaína de novo, a turnê me consumiria, me faria focar em outras coisas e esquecer aquilo.

— Pensei que Alistair iria com ela — Edward falou.

— Ele iria. — Isso foi um dos motivos que me fez brigar com Kate alguns dias atrás, quando Edward me ligou pedindo que eu acabasse com Demetri. Ela tinha dito que desde que comecei a empresariar Ed tinha esquecido dela, que aquela era uma turnê grande, iria durar mesmo muitos meses, só acabando em fevereiro do ano seguinte, e que precisava de mim perto para garantir que tudo desse certo. Kate ficou muito feliz quando liguei naquela noite do leilão, avisando que iria viajar com ela. — Mas, eu preciso ir e cuidar de Kate.

— Que seja. — Edward revirou os olhos.

— Tanya e Alistair ficarão de olho em você. — Ele revirou os olhos mais. — E eu estarei sempre com meu celular em mãos, qualquer coisa é só ligar e cuido do que quer que seja, certo? — Edward assentiu, ainda carrancudo.

— Ok, eu fico com Tanya a Tirana, quando você voltar ela vai ter me matado. Quando você volta mesmo?

— A turnê acaba em fevereiro, no dia dez, mas eu vou viajar para a África do Sul com James em férias até o começo de março, estarei aqui quando seu álbum for lançado.

— Faça bom proveito da sua casa nova. — Piscou para mim. — Apesar de eu achar que isso é impossível com seu noivinho mestre cuca.

Não falei nada, não estava com espiríto de debater, ou de provocar.

— Quando você viaja?

— Em algumas horas.

— Ainda dá tempo da gente ir até meu quarto e eu te prender à minha cama com gravatas, não? Você vai precisar de uma boa foda antes de partir.

— Isso não vai mais acontecer, nós dois transando — falei, Edward riu, mas o ignorei. — E eu preciso ir embora agora, tenho que acabar de arrumar minhas malas.

— Ok, tchau — falou, abrindo a porta para mim.

— Não se meta em problemas — exigi, ele bateu continência para mim.

— Serei um anjo, Capitã.

***

Tirei meus fones de ouvido, depois de assistir pela milésima vez o clipe de Endorfina, tinha ficado maravilhoso, mesmo com o enredo clichê pensado pelo Cullen. Desliguei meu celular, o guardei na bolsa e fechei os olhos.

Em breve o avião decolaria e eu estaria bem longe de Los Angeles.

Notas finais
E assim acaba a primeira fase de Hollywood, serão três ao todo. O próximo capítulo/próxima fase vai começar em março de 2018, o de hoje terminou em julho de 2017, só para que fique claro. Um adendo, que ja falei antes, mas é bom ressaltar, Hollywood será uma fic LONGA. Antigamente eu me importava muito com o tanto de capítulos que as minhas fics tinham e tentava deixar tudo com mais cara de livro possível, mas hoje em dia escrever para mim é mais terapia do que já foi no passado (hoje em dia nem quero mais escrever livros para publicar como um dia quis), então eu priorizo muito o que estou achando das histórias e faço elas para me agradarem em primeiro lugar sim haha Entendo perfeitamente quem não gosta de histórias muito longas e tudo mais, porém Hollywood é uma fic assim e não vai mudar. Enfim, não sei quem vai continuar lendo a fic depois de tudo isso, mas se uma pessoa continuar lendo eu continuarei postando. Beijos! Lola Royal. 11.11.18