Hollywood

69 Capítulo Sessenta e Oito


Notas iniciais
Olá! Antes de tudo quero dizer que eu tive que dividir esse capítulo (ele tava ficando muito grande e eu ia demorar muito mais para postar tudo), então alguns spoilers que vocês possam ter visto no Facebook ou no Twitter serão cenas para o próximo capítulo, literalmente. Capítulo dedicado a Little Swan Potter, Louise Vasconcelos, mjslarkin, Kah Nanda, Tainasouz01, Lanara, Carol Amaral e Mia Renee que recomendaram a fic, mal posso acreditar que já temos 73 recomendações. Muito obrigada por isso, todas vocês são maravilhosas!! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —-- Boa leitura!

Capítulo Sessenta e Oito

Edward Cullen

"As polêmicas de Ed Cullen."

Eu sabia que seria uma polêmica quando assumisse o namoro com Isabella, todos estariam falando sobre nós dois e isso nos abalaria. No entanto, amava aquela mulher e já amava o nosso bebê, iria me manter o mais firme possível e suportar tudo por nossa família.

***

Eu estava tocando violão há algum tempo, minha mãe já tinha acordado — o que me indicava que já estava de manhã — e me checado algumas vezes. Ela levou comida para mim, mas recusei, no entanto, Esme deixou a bandeja com café da manhã na sala de música para eu comer quando sentisse fome.

Comer era a última coisa em minha mente, meu estômago parecia embrulhado demais para isso. Eu também não conseguia pensar em ir para o quarto dormir, provavelmente não dormiria até Isabella fazer aquele aborto e tudo estar feito de uma vez.

— Edward? — escutei Bella me chamar, rapidamente olhei em direção ao som da sua voz e a vi perto da escada.

— O que está fazendo aqui? — perguntei surpreso com sua aparição, deixei o violão no chão onde estava sentado e fiquei de pé. — Você não deveria estar em um avião indo para Chicago agora?

Ela concordou com um aceno de cabeça, notei o quão pálida estava e com o rosto abatido. Isso sem falar como seus olhos estavam tristes.

— Eu não vou mais viajar — murmurou. — Pelo menos não hoje. — Respirou fundo. — Digamos que vou tirar umas férias prolongadas, precisarei de mais uns dias para preparar tudo aqui e poder viajar. — Eu estava muito confuso, não conseguia entender nada.

— O que está tentando me dizer, Isabella?

— Não posso fazer isso — anunciou e começou a chorar. — Eu não posso, me desculpa — falou, levando uma mão até sua barriga.

Senti meu corpo todo perder as últimas forças restantes ao ouvir aquilo. Ela estava dizendo que não queria mais abortar, ela queria aquele bebê?

— Eu vou para Nashville, irei tirar férias e me esconder lá pelo resto da gravidez — declarou.

Caralho, ela queria o bebê. Bella queria o bebê também!

— Isabella...

— Me deixa falar! — exigiu me interrompendo, eu deixei. — Você não será afetado, acredite em mim. Tanya estará aqui cuidando da sua carreira, eu irei a auxiliar de Nashville. Quanto ao… — Suspirou e olhou para baixo, colocando a outra mão sobre a barriga. — Não precisa se preocupar com o bebê, eu direi a todos que foi uma inseminação artificial, uma produção independente.

O quê?

Ela soluçou alto, acabando por sentar-se em um dos degraus da escada. Chorava muito, de uma forma que me deixava péssimo, mas eu ainda estava paralisado.

— Só não posso fazer isso — falou. — Eu sei que ainda está no começo da gestação e que poderia ser resolvido facilmente agora, mas não consigo. — Afagou seu ventre. — Não posso lidar com a ideia de me desfazer do bebê… — Ela chorava sem parar. — Eu já o amo — disse em tom de confissão. — Amo mais ele do que já amei qualquer pessoa que passou por minha vida, meus pais, minha mãe, minhas irmãs, Tanya, Paul, James e mesmo você.

Porra, sim. Ela amava o bebê, eu também já amava!

— Eu sei que tínhamos planos e sei que você me ama, também te amo, muito, mas eu não posso tirar o bebê e sei que você não o quer e vai me deixar por isso. Me desculpa, por favor, me perdoa, mas eu quero ter meu filho.

Fechei meus olhos, apertando a ponta do nariz com os dedos. Me dei conta de que a nossa falta de comunicação nos fez acreditar que o outro não queria aquele bebê por dias. Deveríamos ter conversado, claramente.

— Vou para Nashville em uma semana, só voltarei quando o bebê tiver nascido, talvez só alguns meses depois do nascimento. Você não precisa conhecê-lo, nem nada disso, acho que assim será melhor. Eu não quero que ele sofra, não posso deixar meu bebê sofrer.

Ela não iria para Nashville, não sem mim.

Ouvi Bella chorar ainda mais alto e abri meus olhos, os seus estavam fechados. Andei até ela e me ajoelhei a sua frente, odiava ver Bella naquele estado, mas sabia que quando esclarecêssemos tudo as coisas melhorariam.

— Capitã, olhe para mim. — Mexi em seus cabelos, ela abriu seus olhos. — Eu vou com você para…

— Já falei que não farei um aborto! — ela me interrompeu, gritando. — Você se disponibilizando a ir comigo não muda nada.

— Porra, Bella! — gritei de volta. — Me deixa falar, merda.

— Não tem mais o que falar, eu já decidi.

— Eu não estou falando que irei para Chicago com você para que faça a porra de um aborto, estou dizendo que vou com você para qualquer lugar, que farei o que for preciso. Irei cuidar de vocês — falei com seriedade. — De você e do bebê.

— Ed…

— Me deixa falar! — exigi e ela se calou. — Eu sei que queria que você abortasse no começo, ainda estou assustado pra caralho com isso tudo, mas eu também quero ter esse filho, só não disse nada antes porque achava que você não queria.

Ela prendeu a respiração.

— Só que eu te entendo, Capitã. — Sorri. — Eu sei o que está sentindo. — Levei uma mão até sua barriga, me inclinei e beijei sua bochecha molhada por lágrimas. — Eu também já amo esse bebê.

Bella sorriu.

— Não faço ideia do que faremos, de como faremos, mas que se foda todo o resto. A mídia, Leah, minha carreira, o que dirão de mim. — Beijei o outro lado do seu rosto. — Eu quero você. Eu quero nosso filho. Que seja um escândalo, iremos enfrentá-lo juntos. Não vou deixá-la sozinha, Capitã.

Isabella segurou meu rosto e me puxou para um beijo, eu retribui. Segurei em suas costas e senti seu corpo pequeno, iria protegê-la de tudo. Ela e o bebê, eles eram minhas maiores prioridades.

Eu daria tudo de mim para ser um bom pai, iria me dedicar a isso mais do que já tinha me dedicado a qualquer coisa. Ia cuidar e amar aquele bebê, ia respeitá-lo e apoiá-lo.

— Nós temos que aprender a conversar mais, linda — sussurrei quando o beijo acabou, Bella continuava chorando. — Não nós comunicarmos direito quase fodeu com tudo.

Ela estremeceu em meus braços.

— Como você mudou de ideia? — perguntou, olhando para mim.

— Foi aos poucos, comecei a pensar demais sobre o bebê. Imaginando como ele seria… Como ele será! — me corrigi, ela sorriu. — Acho que terá seus olhos. — Beijei sobre sua sobrancelha esquerda.

— Caralho, nós vamos ter um filho — ela murmurou, soltando meu rosto e tocando em sua barriga. — Ou filha.

— Acho que é um menino — falei e beijei sua bochecha. — Porra, vamos mesmo ter um bebê! — Eu sorri.

— E como vamos fazer isso, Ed? — perguntou assustada.

— Vamos arrumar as malas agora mesmo e ir para Nashville, desaparecemos do mapa nos próximos meses e vamos ter o bebê em paz.

— A sua carreira…

— Eu disse que estava pouco me fodendo para o resto, linda. O que importa agora é ficarmos juntos, além do mais, você já estava indo para Nashville, não? Eu vou junto.

— É diferente, eu ir sozinha não prejudicaria sua carreira.

— Isabella, eu vou ficar com você e o bebê.

— E eu quero isso — afirmou. — Quero mesmo, estou muito mais calma e feliz sabendo que o bebê e eu teremos você com a gente. Mas, precisamos pensar em sua carreira, não vou deixar ela acabar.

— O que você quer fazer? — questionei.

— Não sei, mas vou pensar em alguma coisa ainda hoje. Agora preciso comer algo, estou faminta, por sorte não enjoada.

— Vem. — A ajudei a levantar, fazendo com que Isabella sentasse no sofá, peguei o sanduíche preparado por minha mãe e o copo de leite da bandeja. — Acha que consegue comer isso? — Entreguei a comida para Bella e sentei ao seu lado.

— Com certeza — respondeu já dando uma mordida no sanduíche. — A última coisa que comi foram batatas e milkshake, só agora percebi a fome que estou sentindo.

— Você chegou a ir ao aeroporto? — indaguei afastando seus cabelos do rosto com uma mão, enquanto a outra repousava em sua coxa.

— Não — Bella respondeu de boca cheia. — Eu saí no meio da noite até um McDonald's, acabei indo para a casa de Renée…

— Renée? O que você foi fazer na casa dela, Isabella?

Ela respirou, comeu mais um pouco e depois de engolir, respondeu:

— Precisava falar com ela.

— Você contou sobre o bebê?

— Não, com certeza não. Mas, queria falar com ela, precisava ver se eu era realmente parecida com aquela mulher. Talvez seja em alguns aspectos, mas sei que sou bem diferente em outros. E não irei fazer com esse bebê o mesmo que Renée fez comigo, Ed, juro que não vou fazer. — Recomeçou a chorar, eu limpei seu rosto.

— Capitã, você vai ser uma ótima mãe.

Bella me encarou em pânico.

— Você ama dar ordens e colocar as pessoas no lugar delas, isso já é meio caminho para ser uma mãe — eu disse e ela riu. — Ok, também estou com medo de como vou me sair como pai, inclusive liguei para Carlisle de noite e ele sequer me atendeu, mas você não é Renée e eu não sou meu pai, não iremos cometer os mesmos erros deles.

Isso era o que eu estava me apegando naquele momento.

— E se formos péssimos pais como os nossos foram? E se acabarmos sendo piores que eles?

— O bebê vai ter muito o que falar na terapia — brinquei, ela bufou. — Mas acho que precisamos ser justos e perceber que cinquenta por cento dos nossos pais foram bons.

— Sua mãe foi mesmo ótima, ela é ótima — Bella afirmou.

— E seu pai também, apesar dele gostar de country — provoquei, o que a fez rir de novo. — Vai dar tudo certo, linda. — Beijei sua cabeça. — Agora coma! — exigi. — E depois vai dormir um pouco, precisa descansar.

— Não posso, preciso…

— Isabella, você vai dormir! — exclamei a interrompendo, ela revirou seus olhos. — Você está grávida e claramente não dormiu a noite toda, precisa descansar.

— Claro que eu não dormi, estava estacionada em uma praia pensando como ia criar um filho sozinha — disse de boca cheia.

— O que você ia fazer para explicar a inseminação artificial se o bebê fosse a minha cara? — Ela fez uma careta.

— Eu estava pedindo ao bebê para não ser parecido com você, talvez desse certo.

— Sim, porque é exatamente assim que funciona — falei rindo e tocando na barriga dela. — Eu ia surtar se você realmente não me deixasse participar disso.

— Mas você vai — falou e bebeu mais do seu leite. — Por favor, não dê pra trás — implorou.

— Eu não vou, somos uma família agora, linda. — Ela beijou minha bochecha e estava feliz.

Quis a pedir em casamento ali mesmo, mas me controlei. Não era a hora certa, faria aquilo com um anel bem caro e em um momento mais calmo.

— Falando em família — comecei, continuava com a mão sobre sua barriga. — Sua sogra vai pirar quando contarmos a ela sobre o bebê, você quer esperar mais alguns dias para isso?

Bella terminou de mastigar o pedaço de sanduíche em sua boca e respondeu:

— Não, quero contar logo pra ela, para sua irmã e meu pai. — Bebeu mais um pouco de leite e disse. — Meu pai vai ficar muito feliz.

— Você acha?

— Tenho certeza.

— Ele me detesta.

— Ele não te detesta. — Forcei uma risada. — Ele não te detesta muito — se corrigiu. — Mas, vai por mim, ele vai adorar saber que será avô. Se for um menino vai ficar perdidamente apaixonado pelo bebê.

Nós ficamos em silêncio enquanto ela acabava de comer e eu seguia afagando sua barriga.

— Quando vai nascer? — perguntei baixinho.

— Bom, se as contas estiverem certas será em julho.

— Ei, pouco depois do meu aniversário! — comemorei. — E antes do seu, ele já estará aqui no seu próximo aniversário, linda. — Comecei a encher o rosto dela de beijos. — Você consegue imaginar isso?

— Consigo e também estou imaginando que você terá esse bebê com vinte e quatro anos, enquanto eu terei com trinta e dois.

Revirei meus olhos e tirei da sua mão o copo já vazio.

— Isso não significa nada, Isabella.

— Significa que nosso filho vai nascer de uma mãe mais velha…

— Ok, chega. Acabe seu sanduíche, quero subir logo e contar para mamãe e Rose a novidade antes de você começar a falar sobre idades sem parar.

— Estou apenas constatando o quanto mais velha sou.

— Capitã, coma!

Ela resmungou, mas acabou de comer. Nós ficamos de pé, eu me livrei do copo e subimos.

Mamãe estava na cozinha quando chegamos lá, claramente apreensiva enquanto segurava uma xícara que pelo cheiro exalando parecia ser chá.

— O que está acontecendo? — ela perguntou preocupada, mas olhou para minha mão entrelaçada a de Bella e pareceu mais calma. — Alguém descobriu sobre vocês dois? Foi isso?

— Mãe, o Ed já acord… — Rose entrou na cozinha, terminando de colocar um colar em seu pescoço. — Bella, você está aqui! — minha irmã exclamou aliviada.

— Ela não está sozinha — falei sorrindo, Bella se aproximou mais, soltei sua mão e coloquei um braço sobre seus ombros.

— Tá, estamos vendo que ela está com você, Ed. Mas vocês dois estiveram estranhos durante dias e na última noite você estava lá embaixo chorando sem parar até dormir — mamãe falou ainda nervosa.

— Em alguns meses eu não vou dormir muito. — Bella riu baixinho entendendo o que eu queria dizer.

— Ok, chega desse jogo, o que está acontecendo? — Esme exigiu saber.

— A Bella tá grávida.

— Eu tô grávida.

Isabella e eu falamos juntos.

Rosalie gritou imediatamente, fazendo minha namorada se agitar em meus braços pelo susto. Logo ela estava abraçando Isabella, que se soltou de mim para retribuir o abraço da minha irmã.

Voltei a olhar para mamãe, que parecia em choque. Andei até ela e tirei a xícara de chá das suas mãos, ela começou a chorar e eu a abracei.

— Vo-Vocês…

— Está tudo bem agora, mãe — sussurrei afagando suas costas.

Ela se afastou um pouco para segurar em meus ombros, ainda chorando sorriu e eu sorri de volta.

— Você vai ter um filho!

— Eu sei, loucura! — Soltei uma risada nervosa.

Mamãe olhou para Bella, que estava chorando de novo nos braços de Rosalie.

— Querida, você vai ter um bebê! — exclamou e andou até Isabella, que Rosalie liberou de seus braços.

— Estou tão assustada — Bella murmurou recebendo o abraço de mamãe.

— Eu sei, é bastante assustador, mas você vai se sair muito bem, confie em mim.

— Eu quero ser a madrinha! — Rosalie exclamou entusiasmada e correu para mim, fazendo com que eu precisasse de um bom reflexo para a segurar antes que ela fizesse com que fôssemos parar no chão.

— Não acho que vamos batizar.

— Não me importa, só quero o título. — Ela beijou meu rosto e logo estava me soltando para ir até Bella novamente. — Posso ser a madrinha? Diz que eu posso ser a madrinha! — implorou, Bella riu entre seu choro e mamãe a soltou.

— Não sei, Rose… Talvez Tanya vá ficar magoada se eu não a lhe deixar ser isso.

— Vocês resolvem isso depois — mamãe falou. — Já foi a sua médica? — questionou Bella.

— Já, mas a situação era outra — confessou, mamãe respirou fundo, mas não disse nada e concordou com um aceno de cabeça.

— Você precisa começar a se cuidar imediatamente, querida. E você tem que estar atento para ajudar Isabella em tudo, Edward! — exclamou para mim, eu assenti.

— Espera, como isso vai ser? — Rosalie perguntou confusa. — Vão se assumir agora?

— Vamos, só precisamos planejar tudo — Bella respondeu tensa.

— Depois que você dormir. — Andei até ela e segurei em sua mão que estava fria e tremendo. — Vamos resolver tudo depois.

— Antes de dormir ela precisa comer algo — mamãe afirmou.

— Eu já comi lá embaixo — Bella disse. — Acho melhor ir dormir mesmo agora, estou muito cansada.

Mamãe concordou com um aceno de cabeça.

— Ok, tome um banho e descanse, querida. — Afagou o rosto de Bella, limpando as lágrimas ali. — Eu vou te levar algo para comer de novo em três horas, você precisa se alimentar direito agora. Não pode ficar muito tempo sem comer, ou comendo porcarias. O bebê precisa de você para se manter bem. Entendeu?

— Entendi — Bella sussurrou com temor na voz.

— Mãe, pega leve — pedi. Ela suspirou, mas assentiu. — Vem, linda — falei com Bella. — Vamos pra cama.

— Rose, você pode ligar para minhas irmãs e dizer que estou aqui e estou bem? — Bella perguntou para minha irmã antes de sairmos da cozinha. — E pedir que elas falem com Tanya.

— Posso sim, vou fazer isso — Rosalie falou voltando a ficar animada.

Quando Bella e eu já estávamos saindo da cozinha ouvi minha irmã falando que achava que o bebê seria uma menina. Eu não fazia ideia do que seria, torcia para ser um garoto, mas no fim das contas sabia que o amaria da mesma forma independente de qualquer coisa.

***

Deixei Bella ir para o banheiro, enquanto isso eu expulsava todos os cães e gatos do meu quarto e até mesmo me aventurei em trocar os lençóis da cama. Não era algo que já tinha feito muito em meus vinte e três anos de vida, entretanto queria a cama totalmente limpa para Bella conseguir dormir.

Quando acabei com aquilo, mais ou menos já que os lençóis e fronhas estavam consideravelmente tortos, fui para meu closet pegar roupas para Bella usar. Ela tinha levado praticamente todas suas roupas que estavam na minha casa no dia anterior, então peguei uma cueca minha para ela e um dos meus moletons.

Fui para o banheiro e vi Isabella saindo do chuveiro, enrolada em uma toalha. Me aproximei dela e beijei sua testa, senti sua mão em meu braço esquerdo e ela suspirar baixinho.

— Trouxe isso para você vestir — falei mostrando as roupas. — Precisa de mais alguma coisa?

— Não, obrigada, Betty.

— Betty seria um bom nome pro bebê se fosse menina — falei, Bella fez uma careta. — Ou apelido para Elizabeth, o que me diz?

— Eu já sei qual será o nome, se for menino ou menina, já os escolhi.

Começou a se enxugar, eu apoiei as roupas na bancada da pia e questionei:

— E quais nomes você tem em mente?

— Se for menina será Emma, se for menino Charlie.

A careta se formou no meu rosto imediatamente.

— Nem pensar, até porque Emma é o nome da noiva do Carlisle.

Ela revirou seus olhos e vestiu a cueca.

— Eu tenho esses nomes escolhidos desde que era adolescente, não vou mudar de ideia porque seu pai arranjou uma Emma.

— Desde que era adolescente?

— É — respondeu e vestiu o moletom.

— Você sempre quis ter filhos — observei.

Bella assentiu, cruzando os braços na frente do corpo, ela estava na defensiva.

— Sim, isso meio que mudou quando rolou tudo aquilo do Escândalo Swan. Eu não queria mais ter filhos, porque achava que isso não daria certo e não seria uma boa mãe, mas mudei de opinião de novo. Ainda estou morrendo de medo do fato de ser mãe, de como posso ser insuficiente para esse bebê, mas vou me esforçar ao máximo pra tudo dar certo, você sabe. Enfim, me desculpa por não ter sido sincera sobre a questão de filhos antes, sei que estava por aí afirmando que nunca queria os ter, mas claramente não era toda a verdade, deveria ter sido honesta comigo mesma também.

Sorri, fiz com que ela soltasse seus braços e afaguei seu rosto.

— Está tudo bem agora, linda. Vamos ter esse bebê, quem sabe até mais bebês no futuro.

Ela mordeu seu lábio.

— Um surto de cada vez — implorou.

— Ok, hora de ir pra cama. — Segurei em sua mão e beijei outra vez sua testa.

Ela me abraçou, colocando o rosto em meu peito.

— Tá tudo bem, Capitã. — Afaguei suas costas.

— Vamos chamar o bebê de Charlie?

— Não, nem de Emma.

Ela me soltou e me encarou enraivecida.

— E sem discussões agora, já pra cama! — Estalei meus dedos e apontei para fora do banheiro, Bella riu, mas logo estava me beijando.

***

Como prometido três horas depois mamãe apareceu com mais comida para Isabella, ainda era cedo para um almoço, sendo assim ela levou ovos, torradas, frutas e suco. Bella recusou os ovos, dizendo que eles a enjoavam, comeu duas torradas, meia maçã e tomou o suco, imediatamente voltando a dormir assim que acabou.

Me livrei da bandeja e do resto de comida, também voltando a dormir. Os últimos dias tinham sido cansativos demais, seria bom recuperar as forças um pouco.

Quando acordei da próxima vez foi com Bella mexendo em meus cabelos, ela sorriu para mim e beijou minha bochecha.

— Que horas são? — perguntei ainda sonolento.

— Cinco da tarde — respondeu percorrendo um dedo por meu nariz. — Será que o bebê vai ter sardas como você, amor?

— Caralho, dormi muito — falei. — Quanto as sardas, não sei, mas espero mesmo que tenha seus olhos.

— Você estava cansado, precisava dormir. — Ela continuou mexendo no meu nariz. — Eu ia amar que o bebê tivesse seus olhos.

— Bom, vamos ter que esperar um pouco até saber como será. Por que não apostamos com quem ele ou ela será mais parecido?

— Sério? Vamos apostar sobre o bebê? Isso não é errado?

— Não acho que seja. Você já almoçou?

— Sua mãe me deixaria sem comer por tanto tempo? Claro que não. — Ela riu suavemente. — Aliás, ela teve que ir para a ONG, mas deixou comida para você, desça e coma um pouco, ok?

— Não quero, só quero ficar aqui com você. — Passei um braço por cima dela. — Quer dizer, com vocês — me corrigi. — Deve ser louco ter um bebê dentro de você.

— Sei lá, ainda é meio abstrato — confessou. — Acredito que vou achar mais louco quando o sentir se mexer. Quero dizer, sei que ele tá aqui e amo isso, mas deve ficar bem mais intenso tudo que estou sentindo quando eu sentir de fato a movimentação e a barriga estiver grande.

Levei minha mão até sua barriga e a vi sorrir para mim.

— Deita de barriga pra cima — pedi e ela fez isso.

Sentei na cama e ergui o moletom que ela estava usando, deixando assim sua barriga à mostra. Não tinha crescido nada, mas eu sabia que até o fim da gestação a barriga dela estaria imensa.

— Oi, bebê — falei diretamente com a barriga. — Então, eu sou seu pai. Acabei de perceber como isso soou uma fala de Star Wars. — Eu ri e Bella também. — Você tá legal aí dentro? — Coloquei a mão no fim da barriga de Isabella. — Com certeza deve estar, sua mãe já está no modo mamãe leoa sobre você.

— Eu estou?

— Você está. — Olhei para Bella. — E eu amo isso, Capitã. Agora fica quietinha que é meu momento com o bebê. — Ela revirou os olhos, mas estava claramente animada. — Voltando ao nosso papo, bebê. Estou feliz pra caralho que nós temos você agora, o que é surpreendente porque o último filho que me apareceu eu surtei legal.

Bella gargalhou.

— Mas não se preocupa, o exame de DNA comprovou que ele não era meu filho mesmo. A minha herança vai ser toda sua, quer dizer, a menos que sua mãe e eu tenhamos mais filhos, só que você sempre será o primogênito. Ou primogênita. O que você é afinal? — Coloquei a outra mão na barriga de Bella. — Ok, vamos colocar as coisas em seu devido lugar desde já, certo? Você tem que nascer com os olhos da sua mãe, estou louco para ver isso. Pode ter minhas sardas, acho que ela vai gostar disso. Ah, não herde os pés ossudos dela.

— Edward! — Bella gritou.

— Quietinha, Capitã — pedi, ela resmungou. — Então, bebê, já sabe, né? Olhos castanhos, sardas e nada de pés ossudos. E pode deixar que eu vou escolher um nome legal para você.

— Os nomes já estão decididos, precisamos apenas descobrir o sexo — Bella se pronunciou.

— Estou vetando esses nomes, Bella.

— Você não tem esse direito.

— Claro que tenho, você não fez esse bebê com o dedo. Meu pau ajudou nisso, logo eu tenho cinquenta por cento de direito de opinar sobre o nome, vamos ter que escolher um que agrade nós dois.

— Eu tenho esses nomes escolhidos a vida toda, isso não é justo. Emma Cullen seria lindo, um nome curto, só que também clássico e bonito. E Charlie Cullen? Elegante pra caralho, nome de príncipe, Edward!

— Emma Cullen será o nome da namorada do meu pai quando eles casarem. Não vou aceitar esse nome de jeito nenhum, aliás, não vamos colocar seu sobrenome?

— Não sei. — Tocou na sua barriga também. — Provavelmente.

— Que seja, eu estava pensando em David se for um menino.

Bella fez uma careta.

— David é tão comum!

— Como se Charlie ou Emma fossem únicos!

— David com certeza é mais comum, cadê seu celular? Vamos pesquisar isso agora mesmo. O meu tá lá no carro.

— Meu celular tá na sala de música, mas tenho uma sugestão.

— Qual? — perguntou emburrada.

— Se for menino chamamos o bebê de David Charlie.

— Charlie David é melhor — teimou.

— Claro que não, David Charlie combina muito mais, Isabella.

— Combina nada e o segundo nome praticamente sempre é esquecido, ninguém te chama de Anthony ou me chama de Marie.

— Quer que eu te chame de Marie? Posso chamar se você quiser.

— Não, não quero que você me chame de Marie. Quero que nosso filho se chame Charlie, só isso.

— Linda, não — reclamei. — Ah! — gritei quando me dei conta de algo, ela me olhou apreensiva. — Você escolheu o nome do Woody, é minha vez de escolher o nome, eu venci!

— O quê? Não! — Se sentou, fazendo com que eu tirasse as mãos dela. — É diferente, estamos escolhendo juntos o nome do nosso filho, não do gato ou de um cachorro.

— Quer dizer que agora estamos escolhendo juntos, senhorita tenho esses nomes decididos desde sempre?

— Pirralho, eu amo esses nomes — ela choramingou. — Seja bonzinho com sua namorada grávida.

Eu ri da cara dela e segurei no seu rosto.

— Amo você, mas essa carinha bonitinha de choro não vai rolar comigo, Capitã. Estou realmente vetando Charlie e Emma.

— Então, eu veto David.

Bufei.

— Você é terrível, Isabella.

— E você me engravidou. — Deu de ombros. — Vai ter que lidar com a mãe do seu filho sendo terrível.

Ainda segurando seu rosto me aproximei mais dela e beijei seus lábios. Senti Bella sorrir durante nosso beijo, ela também colocou uma mão na minha nuca, infelizmente interrompeu o beijo rápido demais e sussurrou:

— Deixa pelo menos ser Emma se for menina?

Suspirei e abri meus olhos.

— Eu não posso ter uma filha com esse nome, minha mãe e Rosalie odiariam.

Bella assentiu.

— É, você tá certo, elas não iam gostar mesmo. Vamos precisar pensar em outro nome se for uma menina — cedeu.

— E outro nome se for menino, porque se não for David também não será Charlie.

— Eu ainda vou te convencer a aceitar o nome Charlie, amor. — Deu uma batidinha no meu ombro. — Agora vamos descer e comer algo, eu também já tô com fome de novo.

***

Nós descemos juntos para a cozinha, Bella ficou lá esquentando comida para mim e fazendo um sanduíche para si enquanto eu ia até o carro dela pegar seu celular que a mesma pediu, depois até a sala de música pegar o meu. Quando voltei para a cozinha ela me perguntou:

— Que tal um jantar hoje para contar pro meu pai sobre o bebê? Pode ser aqui?

— Claro, linda. — Beijei sua cabeça e tirei meu prato do micro-ondas. — Será um excelente momento para dizer a ele que o nome Charlie está vetado.

Ela revirou os olhos e deu uma mordida no seu sanduíche, pegou seu celular e o ligou. Depois sentou em um dos bancos do balcão, me juntei a ela, começando a comer também.

— Sua irmã, Ness e Tanya fizeram um grupo de mensagens para falar sobre o bebê.

— Você não está nele?

— Não, Tanya me mandou um print, ela parece bem animada que não vamos mais… Você sabe. Aparentemente elas estão escolhendo entre si quem vai ser a madrinha. Precisamos mesmo disso?

— Não quero batizar o bebê — falei. — Esse lance de empurrar ele para uma igreja quando não sabe nem falar, sei lá, não é legal.

— Eu não faço questão nenhuma disso. Só que Rosalie falou sobre ser apenas um título, talvez possamos fazer isso.

— E teria um padrinho?

— Talvez o Jasper?

Respirei fundo e comi mais um pouco.

— Não acho que Jasper vai se sentir confortável nesse posto.

Ela concordou.

— É, melhor não colocar ele em uma situação dessas. Que seja, resolvemos isso outra hora, tem algo mais importante para resolvermos antes — falou e deu uma generosa mordida no sanduíche que comia.

— Como iremos nos assumir?

Ela assentiu.

— É, isso com certeza é mais importante. Já tem algo em mente?

— Tenho — respondeu de boca cheia. — Então, precisamos dar um jeito no contrato com a Dolce & Gabbana, talvez possamos nos esconder em Nashville, mas você continuar trabalhando com eles, mas junto de Leah, mesmo que quebremos o contrato com ela e vocês não sejam mais namorados para o público...

— Me deixa te interromper — pedi, ela parou de falar e me ouviu. — Eu não vou continuar com a Dolce & Gabbana, não com o contrato que tenho com a Leah ao menos. Iremos marcar uma reunião com o pessoal deles, eu vou anunciar que quero me desligar deste contrato, se eles quiserem me manter sem a Leah vai ser ótimo, mas caso não queiram eu pago pela quebra de contrato.

— Edward, isso vai custar muito, muito, muito mesmo. O seu contrato com eles é o melhor que você tem!

— Eu sei disso, linda. Mas não vou continuar fingindo que estou com Leah, também não vou ficar sendo um modelo ao lado dela. Já devia ter encerrado esse contrato com eles há séculos, desde que começamos a namorar, mas você quis esperar e eu acabei concordando com isso, foi bom com a minha turnê acontecendo, como sei que você não estava nada pronta para falar sobre o namoro publicamente antes, especialmente depois do que houve com sua irmã. Só que agora a história é outra, se vamos fazer isso, ter o bebê, vai ter que ser certo. Vou pagar todo o dinheiro que a Dolce & Gabbana quiser, vou romper o contrato com a Leah e nós vamos para Nashville e ficamos lá até o bebê nascer para você ter uma gravidez o mais tranquila possível, porque por mais que por mim já teríamos nos assumido publicamente há meses, sei que a pressão que vai cair sobre a gente quando falarmos sobre o namoro será grande e acho mesmo que será melhor ficar um tempo escondidos na fazenda. Quando o bebê estiver conosco podemos expor nosso relacionamento e contar sobre nosso filho.

Bella largou o sanduíche sobre o balcão e ficou pensando por um tempo, até que disse:

— Ok, siga minha cronologia — ela pediu. — Consigo uma reunião com a Dolce & Gabbana o mais rápido possível, acho que podemos tentar te manter mesmo sem Leah, você é o famoso no fim das contas, ainda que eles estivessem amando o casal de conto de fadas que vocês dois representavam juntos. Resolvemos isso e quanto ao contrato com Leah, deixamos correndo, até você ter suas indicações ao Grammy.

Balancei a cabeça em negação.

— As indicações só vão sair sete de dezembro, é muito tempo.

— Menos de um mês, Edward — teimou. — Você nem precisa ficar grudado em Leah até lá, é só não anunciar o fim do namoro com ela. As indicações saem, você recebe as suas e antes mesmo do Natal rompemos o contrato com ela e você diz que o namoro acabou para o público.

— E vamos para Nashville depois disso?

— Sim.

— Você acha que vai conseguir esconder a gravidez até lá?

— Talvez, posso usar roupas mais largas se a barriga já estiver muito grande. A data prevista para inauguração da boate é em dois de dezembro, melhor eu não ir. O Grammy é em fevereiro, você pode vir de Nashville sozinho, dizer que está tirando um tempo na Inglaterra para compor, algo assim. Eu posso dar meu jeito e trabalhar de Nashville, dou conta, qualquer coisa Tanya e os outros aqui terão de se virar sem mim. E se perguntarem por mim mando a Tanya soltar que tô numa viagem pela Ásia.

— E depois que o bebê nascer?

— Nós diremos para todos sobre nosso relacionamento e o bebê, vamos falar que você traiu Leah comigo e eu engravidei.

— Odeio isso — resmunguei. — As pessoas vão te odiar por te ver como uma amante, vão ver o bebê como o fruto de uma traição.

— Pirralho, seria uma confusão muito maior se falássemos que seu namoro com Leah é falso. Dizer que foi uma traição será melhor, caso descubram que vou ter um filho seu antes do bebê nascer ao menos o contrato com a Leah já terá sido interrompido e não teremos problemas quanto a esse falso namoro.

— É, eu sei que assumir uma traição vai ser melhor que um namoro falso. Mas ainda odeio isso, não queria ver as pessoas te odiando de jeito nenhum. — Afinal, eu sabia que de qualquer forma Bella seria quem levaria a maior culpa por tudo.

— Eu vou superar — ela murmurou. — Eu estou fazendo terapia e tomando remédios para ficar na linha, não? Vamos confiar que isso não vai me desestabilizar muito.

Engoli em seco e segurei na mão dela.

— Vai dar tudo certo, amor — sussurrou. — Mais um pouco e vamos estar na fazenda, longe de todo mundo, em segurança e esperando o bebê.

— No seu quarto com papel de paredes de pôneis? — Ela sorriu, seus olhos estavam marejados.

— Sim, isso mesmo.

— Você está bem? — perguntei. — Sobre… Sobre si mesma? Sobre não querer machucar a si?

— Eu estou bem — garantiu. — Nervosa, muito, mas bem no geral. — Apertou mais minha mão na sua. — Eu vou te deixar saber caso fique mal, pirralho.

Senti meus próprios olhos se encherem de lágrimas. Levei a outra mão até sua barriga e beijei a bochecha de Isabella.

— Amo você, Capitã.

***

Bella organizou todo o jantar para aquela noite, além da minha mãe e irmã, estariam ali suas irmãs, seu pai e Carmen. Tanya e Santiago também estavam indo, sem Tina porque ela não conseguiria esconder o segredo da gravidez.

Eu mandei mensagem para Jasper e Alec, contando a novidade para os dois e os chamando para o jantar. No entanto, o segundo precisava ficar com seu filho e Jasper não me respondeu, ou sequer atendeu qualquer uma das trezentas ligações que fiz.

— Atena? — Bella falou aquela noite, estávamos no banheiro, eu colocando minhas lentes e ela arrumando seus cabelos com a chapinha que foi buscar na sua casa, onde também pegou algumas roupas.

— O quê? Quem é Atena? — perguntei confuso, já que até aquele momento estávamos falando sobre uma reunião que teríamos com a equipe da Swan Productions no dia seguinte e uma com Leah na sexta-feira.

— É uma ideia de nome pro bebê se for menina — falou sorridente. — Atena Cullen.

— Linda, você só tem sugestões feias!

— Edward! — Bateu no meu braço.

— Eu só tô falando a verdade, o nome é ridículo.

— O que me diz de Perséfone?

— Bella, para, o bebê pode acabar ouvindo esse monte de nome feio — dramatizei.

— Os dois são muito bonitos, você que não tem cultura para apreciar.

— Só falta você querer chamar o bebê de Afrodite.

— Não seria uma má escolha.

— Pode ir parando, mulher — exigi. — Nada de nomes de deusas gregas para nossa filha.

— Que seja, vai ser um menino e ela será Charlie mesmo.

— Não será Charlie.

— Eu vou registrar o bebê antes de você, não vou te dar tempo de colocar David.

— Você vai ter acabado de passar um bebê lá por baixo, Capitã, eu vou estar em melhor forma para conseguir fazer o registro primeiro.

Ela me olhou em pânico.

— O que foi?

— Pensei no parto.

— Não, não, não. — Tirei a chapinha da mão dela e coloquei sobre a bancada da pia. — Esquece isso, não vamos pensar no parto hoje, imagina que o bebê vai ser entregue por uma cegonha.

— Uma ave suja que pode passar doenças pro meu filho?

— Essa ave vai ser diferente, ela vai ser de diamantes.

— Diamante… Não, não vou chamar o bebê assim.

— Você cogitou isso mesmo que por um segundo? Caralho, Bella!

Ela apenas resmungou e voltou a arrumar seu cabelo.

— Charlotte! — ela exclamou depois de um tempo. — O nome da garota pode ser Charlotte, o apelido Charlie.

— Não, você está roubando!

— Não estou!

— Está sim, descaradamente.

Me impedi de dizer que achava o nome Charlotte bonitinho, mas o apelido Charlie com certeza não.

— Edward, vamos acabar chamando esse bebê de bebê pro resto da vida dele, temos que decidir o nome.

— Ainda faltam muitos meses até ele nascer, temos tempo.

— Quando nos dermos conta estaremos com ele nos braços e não vamos saber como chamaremos — protestou. — Charlotte Swan Cullen seria tão lindo e tem uma Charlotte em Orgulho e Preconceito da Austen.

— Por que não Jane?

— Eu gosto de Jane, mas você tem sua amiga Jane. Então, vamos manter Jane de segunda opção, em primeiro Charlotte.

— Jane pelo menos não tem apelido Charlie.

— Aceita logo, Edward.

Bella acabou de arrumar seus cabelos e sorriu para mim pelo espelho.

— Até porque se você aceitar que o nome seja Charlie o papai vai te ter como genro favorito.

— O outro genro que ele tem é o Randall, grande competição. Ei, pensei em outro nome para garoto!

— Randall? Nem fodendo.

— Não, claro que não. George.

Bella assentiu, parecendo considerar.

— Obviamente ainda prefiro Charlie, mas George é um bom nome, como pensou nele?

Eu respondi, contando sobre o garoto da ONG, falando também como ele tinha sido importante para me fazer pensar sobre ser um pai.

***

Renesmee foi a primeira a chegar, desconsiderando minha mãe que voltou da ONG com Rosalie, que tinha ido para a faculdade de tarde, mais cedo. A irmã mais nova de Bella não parava de sorrir, também falava muito alto e já tinha mil sugestões de nomes para o bebê.

— Francine.

— Odiei — Bella e eu falamos juntos.

— Érica?

— Não, não gosto — eu disse.

— Na verdade, estamos pensando em Charlotte — Bella se pronunciou.

— Esse nome é lindo! — mamãe exclamou do sofá que estava sentada com Rosalie. — Eu amei esse, muito mesmo.

— Você não pode dar esse nome — Renesmee falou irritada para a irmã.

— Por que não?

— Porque se um dia eu tiver uma filha será esse o nome dela, você não lembra que eu vivia chamando todas minhas bonecas de Charlotte e falando que seria o nome que daria pra minha filha? Já sei até o apelido, vai ser Lô.

Merda, Lô era um bom apelido!

Bella fez uma careta.

— É, eu lembro disso agora. Mas você bem que podia liberar o nome pra mim, né? Te deixo ser a madrinha.

— Epa, isso não é justo! — Rosalie se manifestou e ela e Ness começaram a debater sobre quem deveria ser a madrinha do bebê.

Bella apenas riu e me abraçou, beijei sua cabeça e me diverti vendo a briga das nossas irmãs. Sabia que quando fôssemos para Nashville elas estariam longe pela maior parte do tempo, eu sentiria falta delas, mas ainda preferia levar Bella e o bebê para um lugar afastado e seguro.

***

Tanya e Santiago chegaram ao mesmo tempo que Alice, a melhor amiga de Isabella a abraçou e começou a beijar seu rosto imediatamente. Enquanto eu recebia das mãos de Santiago um livro que se chamava "Pai Grávido".

— Você vai precisar — ele disse em um tom de voz bem humorado, eu torci o nariz vendo o tamanho daquele livro.

— Eu quero ser a madrinha! — Tanya exclamou quando me abraçou.

— Por que eu deixaria uma tirana chata como você ser a madrinha do meu filho? — A afastei e ri da sua cara.

— Edward. — Tanya beliscou meu braço, eu ri mais.

— Eu quero dizer que seria um ótimo padrinho — Santiago se manifestou. — Já tenho uma filha, vou saber lidar com outra criança muito bem.

— Somos um casal, tem que ser nós dois! — Tanya disse para Bella, que estava com as mãos sobre sua barriga.

— Emmett pode ser padrinho comigo — Rosalie falou.

— Ótimo, só porque eu sou solteira — Renesmee resmungou.

— Vocês duas já serão tias de sangue, ser madrinha é tudo que me resta — Tanya falou para Ness e Rosalie.

— Você não vai entrar nessa disputa, Alice? — mamãe perguntou para a Swan que estava quieta.

— Ah não — ela murmurou. — Eu tô bem sendo só tia.

— Menos uma — Tanya sussurrou e abraçou Isabella de novo. — Você vai ter um bebê!

Bella começou a chorar, Santiago disse baixinho para mim:

— Boa sorte com as mudanças de humor, elas vão te deixar louco.

***

Todos foram para a cozinha, enquanto esperávamos Carmen chegar com Charlie. Bella queria pedir sushi para o jantar, mas minha mãe e Tanya alegaram que ela deveria evitar carne crua, especialmente antes de fazer exames para saber mais sobre sua saúde, foi assim que a Capitã acabou pedindo comida italiana para todo mundo.

— Com certeza tem que ser Charlie — Ness falou.

— Eu prefiro David — Santiago deu sua opinião quando começamos a falar com eles sobre os nomes.

O interfone tocou, mamãe o atendeu e anunciou que era Charlie e Carmen. Ela esperou um pouco e foi os recepcionar, Bella me lançou um olhar ansioso e eu segurei em sua mão.

Não demorou nada para Charlie surgir na cozinha, com Carmen ao seu lado. O Caipira, como quase sempre, estava usando seu fiel chapéu e naquela noite até calçando botas que eram bem barulhentas.

— Boa noite! — ele falou e abraçou Alice que estava perto da entrada.

— Oi, gente! — Carmen acenou para todo mundo.

— Qual a ocasião especial para o jantar? Bells falou que era para comemorar algo — o Caipira disse.

Bella levantou da cadeira que estava, eu também levantei e envolvi seu corpo com um braço.

— Papai, eu estou grávida — ela contou feliz.

Carmen gritou, tão alto que meu ouvido doeu. Charlie ficou mudo, enquanto soltava a mão da sua esposa e tinha seus olhos cravados sobre a filha.

Isabella se soltou de mim e andou até ele, ela o abraçou e automaticamente Charlie começou a chorar nos braços dela. Eu vi Alice se afastar e o mais discretamente que ela conseguiu sair da cozinha, algo de errado estava acontecendo com a apresentadora.

— Bells, você está grávida — Charlie disse no meio do seu choro, ele desfez o abraço e segurou no rosto da filha com ambas as mãos, beijando a cabeça dela. — Você terá um bebezinho, filha. Isso é perfeito!

— Eu acho que é um menino, papai — ela falou, também estava chorando novamente. — Se for um garoto vamos chamar ele de Charlie.

— Não vamos coisa alguma — reclamei.

Charlie e Bella me encararam, o mesmo olhar raivoso em seus olhos.

— Quero falar com você em particular, Cullen! — Charlie exclamou de forma rígida, que querendo ou não me deixou um tanto quanto assustado, parando de chorar.

— Papai… — Bella murmurou.

— É só uma conversa, Isabella — Charlie alegou e indicou que eu o seguisse.

Resmunguei baixinho e segui o velho por minha própria casa, nós entramos em uma sala e ele fechou a porta.

— Eu vou matar você — foi a primeira coisa que ele falou. — Se minha filha ou meu neto sofrerem por conta de qualquer irresponsabilidade sua, eu vou te matar, com minhas próprias mãos, Cullen.

— Eu não vou machucar eles de forma alguma — deixei bem claro.

— Acho bom honrar suas palavras, garoto… Não, você não é mais um garoto agora, vai ser pai, tem que honrar suas calças também e ser um homem.

— Calma, vovô — provoquei vendo seu rosto vermelho, Charlie me encarou com mais raiva. — Eu juro que vou ser o melhor pai para meu filho e o melhor parceiro para sua filha — falei em minha defesa.

— Você pretende pedir Isabella em casamento? — indagou cruzando os braços.

— Sim, mas não porque você está claramente pronto para me ameaçar sobre. Eu já queria a pedir em casamento antes, estava esperando o contrato que tenho com Leah acabar para isso, mas não vou pedir Bella em casamento hoje. Preciso de um anel, planejar tudo direito, quero que seja perfeito, não vou fazer isso de forma apressada.

— Certo — Charlie concordou. — Você tem a minha benção.

Eu gargalhei.

— Não pedi sua benção, Caipira. Além do mais, sua filha ficaria muito puta se soubesse que você está por aí bancando o pai do século dezenove dando bençãos em nome dela.

Charlie revirou seus olhos.

— Que seja, cuide bem do bebê e da minha filha ou eu acabo com você, Cullen — ameaçou novamente e saiu da sala primeiro, o segui com uma distância segura.

— Tudo bem? — Bella questionou quando entramos na cozinha, ela estava perto da entrada com Carmen, os outros estavam sentados à mesa conversando.

— Tudo bem, Bells. — Charlie a abraçou e beijou sua bochecha.

— Parabéns, Ed! — Carmen disse feliz ao me abraçar.

— Valeu, Carmen.

Bella olhou para mim animada e perguntou:

— Você está aceitando o nome Charlie agora?

— Não, linda.

— É o melhor nome — Charlie falou, Carmen riu, indo para os braços do marido quando Bella se soltou dele.

— Eu prefiro David.

— É ridículo, continue insistindo em Charlie, Bells.

— Pode deixar, papai.

Eles não iriam vencer aquela, seria vitória para o time Cullen, não Swan.

***

Alice ainda não tinha voltado para a cozinha quando o jantar chegou, eu disse para Bella que iria atrás de sua irmã e a deixei ali com os outros. Nossa conversa de grupo se dividia entre contarmos sobre como seria a questão de nos assumirmos e debates sobre os melhores nomes.

Com Amy me seguindo encontrei Alice na sala de música, ela estava falando no celular com alguém, então eu fiquei parado na porta. Onde ela estava sentada não conseguia me ver, assim como eu não podia ver seu rosto, mas sua voz era baixa e triste.

— Me liga, ok? Por favor, não precisamos falar sobre isso, só me liga.

Ela tirou o celular da orelha e a ouvi chorar baixinho em seguida. Suspirei e me aproximei dela, Alice me encarou surpresa e rapidamente começou a limpar seu rosto.

— Ei, eu estou com um pouco de dor de cabeça, estava aqui dando um tempo da confusão lá na cozinha — disse tentando soar positiva, mas suas lágrimas continuavam lhe contrariando.

Sentei ao lado dela e perguntei:

— Estava falando com o Jasper? — Alice tirou a tentativa de sorriso de seu rosto e assentiu, chorando mais.

— Com a caixa postal dele — sussurrou.

— Ele também não me atende — falei, Alice soluçou e olhou para o celular em suas mãos.

— Eu não estou triste pelo bebê — ela falou. — Minha irmã obviamente tá muito feliz com a escolha dela, você também, isso é ótimo. Eu tô triste por outras coisas.

— Jasper?

— Também. — Deu de ombros. — Sei lá, tá tudo diferente, de como imaginei anos atrás, meses atrás, dias atrás. — Ela me olhou e sorriu. — Eu vou matar você se minha irmã sofrer por sua culpa, ou se você fizer meu sobrinho sofrer.

Sorri para Alice.

— Seu pai já me ameaçou, está tudo bem — garanti.

Ela assentiu.

— Você deveria terminar com o Randall — sugeri, ela revirou seus olhos. — Alice, você claramente gosta do Jasper.

— Eu prefiro David — ela falou desconversando. — Charlie só consigo pensar no bebê de bigode.

Aquilo me fez rir, mas Alice ainda estava claramente triste.

— Eu estou falando sério, Alice, você deveria terminar com o Randall.

Ela passou as mãos pelo rosto, balançou a cabeça em uma negativa e se levantou.

— Vamos voltar para a comemoração, Ed.

— Você vai terminar com o Randall? — Fiquei de pé.

— Eu não vou fazer isso.

Ela sorriu novamente, aquele era um sorriso mais animado.

— Você está pronto para trocar fraldas sujas?

Não, eu não estava, mas iria aprender.

***

Quando todos foram embora arrastei Bella para meu quarto, convencendo Shrek a ser um bom garoto e ficar fora, ela estava claramente cansada e precisava dormir. Nós tomamos um banho juntos e fomos para a cama, porém, mesmo cansada ela estava bem alerta.

— E se o bebê nascer com algo?

— O quê? — perguntei, abrindo meus olhos e vendo o seu olhar preocupado.

— A dose do meu remédio está alta, pode ter afetado algo na formação do bebê — sussurrou nervosa. — Liguei mais cedo para meu psiquiatra e consegui uma consulta para amanhã, mas estou com medo do que já pode ter acontecido até aqui. E se eu continuar tomando o remédio e mesmo em uma dose baixa fizer algum mal para o bebê? Se ele nascer com algum problema por isso?

Uma lágrima rolou por seu rosto, eu rapidamente a limpei com meus dedos, me aproximei mais de Isabella e beijei seu rosto.

— Vai ficar tudo bem, Capitã. Amanhã você terá sua consulta e seu médico irá a tranquilizar, depois consiga uma consulta com sua ginecologista para termos certeza de que está tudo bem com o bebê.

— E se eu tiver que parar o remédio? Minha médica falou que ele pode ser tomado durante a gestação, que eu só deveria diminuir a dose, mas e se ainda assim acontecer algo com o bebê? Eu não quero que nada aconteça com ele, amor, mas estou morrendo de medo como ficarei sem esses remédios.

Eu sentei na cama, fazendo com que Isabella também sentasse. Os lábios dela tremiam, segurei em suas mãos e pedi que ela respirasse comigo, ela aceitou e seguiu minha respiração, alguns minutos depois parecia mais calma.

— Quer um pouco de água?

— Não, tô bem — respondeu. — Desculpa surtar.

— Ei, não peça desculpas por isso — falei e beijei suas mãos. — Você tem direito de se preocupar com o bebê, todo o direito, Bella. Mas vai ficar tudo bem, ok? Independente do cenário, nós vamos fazer tudo ficar bem.

Ela concordou com um aceno de cabeça e olhou para nossas mãos unidas. Eu beijei sua testa e a senti soluçar junto de mim.

— Respira, linda.

Isabella respirou.

Soltei uma mão, levando-a até a barriga de Bella.

— Tudo bem por aqui? — perguntei falando com o bebê, o que fez Bella rir.

— Ele está bem, acho que só preocupado que você não vá aceitar que Charlie seja seu nome.

Me afastei um pouco dela para a olhar melhor e falei:

— Ele vai ter um nome muito melhor.

Bella fez um biquinho, eu apenas sorri e beijei seus lábios. Nós separamos e ela segurou meu rosto, ainda parecia nervosa, mas seu sorriso era verdadeiro.

O celular dela acendeu na mesinha ao lado da cama, ela resmungou e pegou o aparelho, seu sorriso desapareceu.

— O que foi, linda? — Afastei seu cabelo do seu rosto e ela me encarou, novamente muito preocupada.

— Richard está me mandando mensagens.

— Richard? — eu gritei, ela engoli em seco e ela assentiu me mostrando a tela do seu celular.

Richard Buttler: Estarei em Los Angeles no fim de semana, você deveria ir me encontrar no hotel após a festa que eu estarei.

Charlie tinha dito algo sobre ele e Carmen irem para uma premiação no sábado, era para jornalistas e Richard estaria lá.

Richard Buttler: Me responda assim que ler esta mensagem.

Bella desligou o celular e o devolveu para a mesinha.

— Temos que fazer algo para tirar esse cara da sua cola — falei furioso.

— Amor, precisamos tomar muito cuidado agora — ela disse. — Os próximos dias são cruciais, não podemos te fazer perder as indicações para o Grammy, ou arriscar que descubram sobre a gravidez antes de resolvermos tudo sobre a Dolce & Gabbana e Leah. Eu vou apenas ignorar Richard, ele não vai vir atrás de mim.

— Ele já está atrás de você! — exclamei. — Você tem que pedir uma medida de restrição, qualquer coisa assim, para manter esse velho longe.

— Edward, não podemos fazer nada agora, eu não posso fazer nada que me exponha.

— Eu... — Saí da cama. — Desculpa, linda. Tô nervoso, preciso fazer algo para tirar isso da minha cabeça, vou descer e tocar um pouco.

— Não, vem cá. — Ela me puxou de volta pra cama e me beijou demoradamente. — Vou te fazer uma massagem e você vai relaxar.

— Isso significa sexo?

Fazia um bom tempo desde a última vez que transamos.

— Não, foi mal, significa só uma massagem mesmo. — Beijou meu ombro. — Mas você vai se sentir melhor depois.

— Você precisa dormir.

— Estou bem, coloca uma música pra tocar, vou pegar um óleo de massagem no banheiro.

Ela saiu da cama e eu fiquei, ainda pensando nas mensagens de Richard.

***

Bella dormiu primeiro, eu ainda estava ligado demais para isso, mesmo após a massagem dela. Fiquei apenas a observando e tentando focar nas partes boas daquele dia, nós ficaríamos com o bebê, nós estávamos bem novamente um com o outro e em pouco tempo o contrato com Leah acabaria e eu estaria com Bella bem longe das fofocas de Los Angeles.

— Você está mesmo bem? — perguntei ao colocar a mão sobre a barriga de Bella, falando com o bebê. — Os próximos dias serão um pouco estressantes, até nós três irmos para Nashville e tudo se acalmar por um tempo, você precisa ficar bem, por favor.

Afaguei mais a barriga de Bella e olhando para seu rosto a vi dormindo tranquilamente, também sorri por ela estar usando justamente um moletom com estampa do meu último álbum. Não resisti e peguei meu celular ao lado da cama, tirei uma foto dela dormindo, apaixonado por minha namorada ainda mais.

Ainda com o celular em mãos entrei no Twitter e postei lá apenas uma frase, mas que resumia como eu estava me sentindo.

"Melhor dia da minha vida!!!"

Logo fãs começaram a responder, curtir e tudo mais.

Uma fã disse:

"Pediu a Leah em casamento, não foi?"

E no meio de tantas pessoas querendo saber o que estava rolando Isaward Swan falou:

"Conta o que aconteceu, Ed."

Fazia tempo desde a última vez que eu tinha entrado no perfil daquela pessoa, Isabella também deveria estar há bastante tempo sem verificar aquela conta já que não falou mais sobre comigo.

Aproveitando a insônia entrei no perfil e fiquei vendo tudo, imaginando como aquela pessoa ia surtar quando Bella e eu nos assumíssemos publicamente. Para completar, com um filho.

***

Eu iria para a produtora com Bella na manhã seguinte, para que tivéssemos nossa reunião com Tanya, Jéssica e Alistair. Acordei já ouvindo Isabella no banheiro, ela estava vomitando e amaldiçoando.

— Não vamos ter mais filhos, só vou passar por isso uma vez. Enjôo de merda!

— Você quer que eu te traga água com limão?

— Já deveria ter feito isso — disse em um tom de voz irritado.

— Ok — murmurei e rapidamente sai do banheiro.

Ao entrar na cozinha me deparei não só com minha mãe, mas com Leah também.

— Oi, Ed — a garota falou comigo.

— Tanya não te ligou dizendo que você não precisava vir hoje? — indaguei.

Antes de Bella desistir de abortar minha agenda para aquele dia seria com Leah, um passeio idiota por Los Angeles. Porém, isso não aconteceria mais, os planos eram outros.

— Ela ligou, falou que nossa agenda para os próximos dias vai mudar, certo? — perguntou confusa. — Também me contou sobre a reunião de amanhã, mas eu deixei algumas roupas aqui que vou precisar, só vim buscar isso.

— Pegue o que tem de pegar e saia — ordenei.

— Edward! — mamãe chamou minha atenção. — Seja mais gentil.

— Por favor — completei e revirei os olhos.

— Claro, eu vou pegar tudo agora e logo saio — Leah disse e deixou a cozinha.

Comecei a me mover pela cozinha preparando a água para Bella.

— Você precisa ser tão estúpido com a Leah? — mamãe me questionou aos sussurros.

— Ela aqui em casa pode deixar Bella mal, só estou evitando que minha namorada grávida fique irritada por algo que pode ser impedido — respondi também sussurrando.

— Como Isabella está?

— Vomitando, vou levar isso pra ela. — Indiquei a água com limão.

Com tudo pronto sai da cozinha, estava subindo a escada enquanto Leah descia. Ela parou no meio dos degraus, interrompendo minha passagem e falou:

— Edward, eu…

— O quê? — questionei quando ela ficou quieta, estava séria.

— Nada. — Forçou um sorriso. — Só queria dizer de novo que sua apresentação no evento da ONG foi bem legal, você é um excelente músico.

— Tá legal, valeu — agradeci e voltei a subir pelo espaço vago na escada.

— Até amanhã — Leah se despediu.

***

Bella tinha que pegar alguns documentos em sua sala quando chegamos a produtora, eu fiquei esperando por ela no elevador mantendo a porta aberta e apenas assentindo para o falatório de Irina. Quando a assistente falando demais — sobre estar animada com todas as minhas possíveis indicações ao Grammy — me cansou e a demora de Isabella também, eu desisti de segurar o elevador e entrei na sala da Capitã.

A empresária estava com suas mãos sobre a mesa, cabeça baixa e olhos fechados. Aquilo imediatamente me preocupou, fechei a porta e perguntei:

— Linda, tudo bem?

Ela abriu os olhos e ergueu a cabeça.

— Sim, só um pouco de enjôo — murmurou e deu um sorriso, mas ele não era nem um pouco feliz de verdade. — Vamos para a reunião — falou se afastando da mesa.

— Os documentos — lembrei ela daquilo. — E seu celular está ali. — Apontei para o aparelho em cima da mesa.

— Hum, claro. — Bella o pegou, depois mexeu em uma gaveta e tirou a pasta com os documentos que precisaria.

— Isabella, está tudo bem?

— Sim, tudo bem.

Ela estava mentindo, eu sabia.

— Nós falamos sobre nos comunicarmos melhor, me diga o que foi, antes de entrar aqui você estava bem.

— Nada com o que você precise se preocupar, amor.

Ela continuava mentindo.

— Isabella, não vamos sair dessa sala até você dizer o que aconteceu para te deixar nervosa.

— Edward…

— Diga — insisti, ela suspirou, mexeu em seu celular e me entregou ele.

— Richard mandou mais mensagens.

Senti meu corpo tensionar ao ouvir aquilo, peguei o celular dela e li as mensagens.

Richard Buttler: Você deveria me responder de uma vez, Isabella.

Richard Buttler: Estou apenas pedindo que venha me ver no hotel, como um velho amigo da sua família.

Richard Buttler: Venha até mim, você não se arrependerá.

Richard Buttler: Sabe, amigos devem ser bem tratados. Não me faça ficar chateado com você.

— Chega, eu vou ligar para a políci…

— Não! — Bella tirou o celular de mim. — Nem pensar, eu já falei mil vezes que não quero isso.

— Ele está te assediando, claramente te ameaçando!

— E ele não é o primeiro, nem vai ser o último a fazer isso — sussurrou. — Não posso denunciar todos os caras que tentam algo comigo, eles se multiplicam, sempre irão existir por aí graças aquele vídeo de merda. Richard é um jornalista respeitado, não vou entrar em guerra com ele, isso só me prejudicaria e eu não posso deixar isso acontecer justo agora, se eu envolver justiça e advogados nisso iriam revirar minha vida tentando fazer o jogo virar e me colocarem como a vilã.

— Ao menos mostre essas mensagens para seu pai, faça com que ele mantenha Richard longe de você.

— Não vou envolver meu pai, ele perderia a cabeça com isso facilmente.

— Alguém precisa parar Richard, ele pode interromper as mensagens e ir atrás de você pessoalmente como aconteceu durante a turnê.

— Vou contratar seguranças para mim — ela murmurou. — Isso te deixa mais calmo?

— Isso te deixa mais calma?

— Sim, estava com medo dele me procurar pessoalmente outra vez — confessou.

— Por isso deveria o denunciar. E se Richard souber sobre nós dois?

— Ele não sabe, Edward.

— Ele pelo menos deve desconfiar.

— Falta pouco para quebrarmos seu contrato com Leah, nada vai dar errado até lá — disse confiante.

Eu não tinha a mesma convicção, temia que perdêssemos o controle de tudo tão perto do fim.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 03.10.19