Hollywood
44 Capítulo Quarenta e Três
Notas iniciais
Capítulo Quarenta e Três
Isabella Swan
“O clipe de Johnny Cash, parceria entre Charlie Swan e Ed Cullen, é lançado.”
Eu tinha uma porção de sonhos, ser uma cantora, casar, ter filhos. Todos eles caíram quando eu caí, tive de deixar a nova Isabella nascer, aquela que precisava viver conforme sua nova realidade, uma que era muito mais cruel.
A menina doce e perfeita morreu, a mulher que precisava pisar em pregos e não reclamar nasceu. Eu podia estar em uma tempestade, mas teria de me manter em meus saltos altos e não cair, pois ninguém iria me amparar.
***
As marcas das mãos de Paul em meus pulsos estavam começando a desaparecer, mas eu seguia as escondendo com maquiagem, agradecendo ao fato de terem bases boas o suficiente que conseguiam esconder aquilo. Eu sabia que as marcas estavam lá, claro, mas isso impediria os outros de saberem.
Era assim que eu lidaria com toda aquela situação, maquiaria a verdade conforme Paul queria. Ele teria Julia aos seus pés, eu teria o mundo inteiro pisando em mim novamente. Mas, aquela maquiagem ia impedir um problema maior, vídeos novos sendo vazados, meu caso com Ed sendo revelado.
Eu podia lidar com o mundo me culpando pelo Escândalo Swan, já era considerada a grande culpada mesmo, só iria o assumir publicamente. No entanto, eu não podia deixar mais vídeos íntimos meus sendo vazados, ou correr o risco de destruir a carreira de Ed por ter nosso caso exposto.
Estava ganhando muito dinheiro sendo a empresária dele, tinha colocado sua carreira no lugar. Se nós dois caíssemos eu perderia muito dinheiro, ele perderia toda sua credibilidade novamente e eu não sabia até quando ele seria capaz de se manter sóbrio depois de um novo escândalo em sua vida.
Também tinha meu pai, Kate e Riley. Minhas irmãs, Tanya e até mesmo o marido dela, Santiago, por tabela. Todos estávamos ligados, eu tinha de manter todos de pé, sem deixá-los associados a um escândalo catastrófico que seria se Paul fizesse tudo que estava ameaçando.
Porém, assumir a culpa de algo que tinha acontecido a mais de dez anos viria somente para cima de mim. Eu tinha passado os últimos dias analisando tudo isso e estava certa disso, muitos já achavam que eu era a culpada pelo vídeo vazado, outros achavam que eu como uma puta merecia ter sido exposta como fui, assumir a culpa seria minha rendição.
E eu estava falando por baixo dos panos com uma jornalista, ela me teria em seu programa para uma entrevista exclusiva depois de eu assumir minha culpa. Isabella Swan choraria em rede nacional, em horário nobre, arrependida demais de seus erros quando jovem.
Seria a pá de terra final sobre o Escândalo Swan, os abutres teriam mais alguns dias sobrevoando sobre as carniças, mas quando o corpo estivesse frio demais eles procurariam por outro. Eu estaria livre, o estigma estaria em minhas costas, mas estaria em fim livre das acusações.
Eu tinha ido até um supermercado vinte e quatro horas naquela noite, estava no estacionamento, trancada em meu carro. No porta malas tinha uma mala, no banco de trás Amy estava em sua casinha, no banco do carona ao meu lado minha bolsa e uma sacola com a única coisa que comprei no supermercado.
Peguei meu celular de cima do painel do carro, o texto já estava escrito, os prints já tinham sido tirados. Eu só precisava os compartilhar, não parei para pensar mais sobre minha escolha. Abri o Instagram e selecionei as fotos dos prints do bloco de notas, o texto falava por si só, então a legenda foi simples:
“Carta aberta sobre o Escândalo Swan.”
Selecionei as opções de compartilhar em todas minhas outras redes sociais, então publiquei. Meu coração começou a bater forte, naquele momento o mundo inteiro já tinha acesso aquele texto e a minha confissão de culpa.
“Cerca de treze anos atrás cometi um grande erro, isso aconteceu quando menti para todos ao meu redor sobre o Escândalo Swan. O vídeo nunca foi gravado ou divulgado por Paul Lahote, eu fui a única responsável por gravar e divulgar.
Isso aconteceu porque na época estava revoltada com Paul, por ter terminado comigo (um namoro que escondemos das câmeras, porque ele não queria que as pessoas achassem que estava se aproveitando da minha fama), por conta do término eu decidi expor o vídeo que tinha gravado de nós dois em um momento privado (vídeo esse que Paul não tinha ideia da existência) e jogar a culpa sobre meu ex-namorado. Queria o atingir, destruir sua carreira, me sentia vingativa pelo fim de um relacionamento e agi impulsivamente.
Alguns dias atrás reencontrei Paul Lahote em uma festa, tivemos uma rápida conversa, mas ele disse que me perdoava pelo o que eu tinha feito no passado se a culpa realmente fosse minha, como de fato é. Disse que estava muito feliz com sua noiva, como esperava que eu estivesse feliz também.
Por todos esses anos venho me sentindo muito culpada pela grande confusão que fiz, envolvendo não só minha família, mas principalmente Paul, o maior inocente nessa história toda. Receber o perdão dele me deu coragem de vir até aqui contar toda a verdade, me deu a coragem de finalizar uma história que nunca deveria ter começado.
Eu espero que Paul Lahote seja muito feliz, eu peço sinceras desculpas por tudo que causei.
Assinado: Isabella Swan.”
***
Tanya não tinha suspendido meu passe livre, o que me permitiu seguir direto para seu apartamento. Toquei a campainha, meio desajeitada, segurando a casinha onde Amy estava com uma mão e a sacola do supermercado em outra.
— Isabella! — Tanya exclamou quando abriu a porta, nervosa e com um tablet em mãos. — Acabei de ler o que…
— Antes disso, preciso te dar algo — murmurei, estendendo para ela a sacola do supermercado.
Tanya a pegou confusa, mas começou a rir no instante que viu o que tinha lá dentro. Uma caixa do Cereal Joy, o mesmo cereal que nos uniu quando tínhamos dez anos de idade.
— Esse cereal é tão ruim — ela disse, olhando para mim e rindo mais, eu ri também.
— É terrível! — afirmei, sentindo as primeiras lágrimas em meu rosto.
Tanya suspirou e indicou com a cabeça que eu entrasse, fiz aquilo. Nós duas fomos para a sala de estar, deixei Amy em um canto e sentei no sofá, Tanya sentou na mesinha de centro à minha frente, a caixa de cereal em suas mãos, o tablet deixado de lado sobre o móvel.
— Desculpe ter agido com você daquela forma — pedi. — Te tratando como uma qualquer como Irina e Leah, quando você é minha melhor amiga acima de qualquer outra coisa. Desculpa ter errado tanto com todo aquele lance do Riley…
— E do Edward.
— Não vai mais acontecer — prometi.
— Não vai mais foder com o Cullen? — indagou.
— Não isso! — respondi rapidamente. — Não vou mais deixar chegar ao ponto da imprensa especular que estou fodendo com qualquer um deles.
Tanya ficou muda, apenas me encarando por um longo tempo, até que perguntei:
— O que foi?
— Nada — sussurrou, voltando seu olhar para a caixa de cereal. — Também fui muito explosiva com você, Bella — falou. — Me desculpe por isso. — Se levantou da mesinha e me sufocou em um abraço. — Amo você!
— Também te amo! — A abracei de volta, chorando em seu colo baixinho.
— Por que você publicou isso?
— Por que você não me conta primeiro sobre o bebê que abortou?
Ela me soltou, largou o cereal sobre a mesinha e sentou ao meu lado.
— Não abortei, eu o perdi. — Esfregou seus olhos, mas não chorou. — Foi antes de eu deixar Los Angeles, quando estava na merda sem dinheiro.
Tanya tinha feito comerciais e fotos desde seus sete anos de idade, mas nunca emplacou como uma modelo. Seu pai tinha falecido quando ela era fez dezoito, o que a fez precisar procurar outros empregos que pagassem melhor — para ajudar sua mãe financeiramente —, foi quando ela cogitou trabalhar como uma atriz pornô, mas não teve coragem e foi para New York, onde acabou largando a ideia de ser modelo para virar uma garçonete, o que um tempo depois me fez a reencontrar.
— Eu tinha um namorado, Louis, um bartender tão na merda sobre dinheiro quanto eu — contou. — E engravidei dele, quando contei ele obviamente caiu fora e disse que não ia assumir. Meu pai já tinha morrido, eu estava precisando de grana urgente, minha mãe tinha dívidas e dívidas acumuladas e precisava da minha ajuda para pagar, mas decidi ficar com o bebê. — Ela olhou para uma foto da filha sobre uma mesinha ao lado do sofá e sorriu. — Eu não podia me desfazer dele ou dela, mas eu perdi uma semana depois de descobrir. Foi tudo muito rápido, parecia que em um dia tinha ficado sabendo sobre, no outro tinha o perdido. Depois disso cogitei virar uma atriz pornô, ia pagar bem, mas eu não pude fazer isso também. — Engoli em seco.
Fiquei calada, não sabia o que dizer.
— Nunca tive coragem de te contar, achei que você nunca entenderia o que eu sinto por ter perdido aquele bebê.
Assenti, ela estava certa.
— Santiago sabe?
— Sim, com certeza — respondeu. — Ele é a única pessoa que sabe, tirando o pessoal do hospital que me atendeu na época, e você agora. Nem pra minha mãe contei, não queria a deixar preocupada. Por isso não quero ter outros filhos, já passei a gestação da Tina inteira com medo de que algo acontecesse, não posso passar por isso de novo.
Ela respirou fundo.
— Por que você publicou aquilo, Bella?
— Foi necessário — respondi.
— Bella…
— Eu não posso dizer mais uma palavra sobre isso, Tanya — confessei. — Eu preciso que você aceite o que escrevi naquele texto como a verdade absoluta de agora em diante.
— O que Paul fez, Isabella? — perguntou baixinho. — Nós podemos fazer algo.
— Já está feito — afirmei. — Eu preciso que seja minha amiga agora e me ajude, também preciso que seja minha assessora de imprensa.
— Vou fazer o que você pedir, mas…
— Tanya, por favor! — implorei, segurando suas mãos. — Não tente nada, eu sei o que está fazendo.
— Eu não sei o que Paul fez ou falou, mas se ele machucar você vou matar aquele filho da puta. — Ela começou a chorar e me abraçou, eu a apertei em meus braços, buscando a consolar.
— Estou bem, eu tenho tudo planejado. Vou passar os próximos dias trancada na casa do meu pai, deixando a imprensa e o público sedentos por algo a mais além do que publiquei. Já estou fechando uma entrevista exclusiva com Senna Keef, onde vou falar de novo sobre o que está no texto publicado, sobre minha carreira e como mudei desde treze anos atrás. Um pedido de perdão será feito, eu irei chorar e ser o mais convincente possível.
— Você está pedindo perdão por algo que não fez! — Tanya exclamou furiosa.
— Foi a melhor saída, Tanya. — Beijei sua cabeça. — Agora preciso que você comece a cuidar de tudo, não podemos ficar sentadas aqui chorando. — A afastei um pouco, podendo olhar em seu rosto.
— Paul sabe sobre Edward e você? — indagou, eu não respondi verbalmente, nem com qualquer expressão corporal, mas ela sabia a resposta. — Você deveria parar com Edward agora, antes que seja tarde demais — alertou.
— Eu não vou. — Levantei e peguei o tablet, devolvendo para ela. — Você deve ter uma dezena de e-mails e mensagens para responder, não podemos deixar nada acumular.
***
Uma hora depois, quando Tanya tinha todas minhas primeiras instruções, eu peguei a casinha de Amy e seguimos de volta para meu carro. Quando cheguei em casa, o lugar onde cresci, meu pai estava acordado, assim como a puta mexicana.
— Onde você esteve? — ele gritou quando me viu entrar na sala. — Estou ligando para você há séculos.
— Precisei desligar meu celular.
— Por que você publicou aquilo? — meu pai perguntou transtornado. — Você enlouqueceu? Está usando drogas de novo? — Sua voz vacilou.
— Estou bem, papai — garanti. — Eu sei o que estou fazendo.
— Não, claramente não sabe, você não é culpada por aquela merda e está assumindo um erro que não é seu. Aquele filho da puta te fez fazer isso? Renée fez?
— Eu não faço mais nada que Renée manda, papai — respondi irritada. — E nem que Paul manda também — completei rapidamente. — Preciso que você aceite o que fiz, sem questionamentos, ok? É o melhor para todo mundo. — Apontei para Carmen sentada no sofá. — Inclusive para ela.
— Eu? — Carmen perguntou confusa.
— Sim, isso tudo será uma grande confusão nos próximos dias — voltei a falar com meu pai. — Mas é o melhor caminho.
— O que aquele filho da puta fez com você, Isabella Swan?
— Papai, por favor, confie em mim. Eu não vou lhe dizer nada que não precise saber, o que você tem que saber agora é que eu menti sobre o vídeo do Escândalo Swan no passado, mas que estou profundamente arrependida.
— Você não é a responsável por aquilo!
— Charlie? — Ele olhou para Carmen quando ela o chamou, fazendo com que eu olhasse também. — Bella é uma mulher crescida, se ela diz que sabe o que está fazendo você deve dar um voto de confiança.
— Por favor, Carmen, me poupe! — ele pediu furioso. — Você sabe muito bem que ela não merece votos cegos de confiança. — Revirei os olhos. — E sei que aquele filho da puta fez algo, eu preciso só ir lá e quebrar a cara dele.
— Papai, quando tive a overdose e estava no hospital o senhor disse que faria o que eu quisesse, não foi? — Ele abriu a boca para protestar, mas continuei. — Eu quero que o senhor fique quieto, que não tente nada contra ninguém, que se tiver que se pronunciar sobre isso seja só com minha aprovação. Faça isso por mim, ou pela Isabella que esteve naquele hospital e quase morreu, não importa qual escolha, mas só faça isso por sua filha.
Ele xingou, antes de sair da sala apressadamente para as escadas. Respirei aliviada, ele não faria nada, eu sabia disso. Não podia deixar Charlie ser dominado por vingança naquele momento, já tinha sido complicado demais durante todos aquele anos impedir que ele resolvesse o problema com Paul com as próprias mãos.
— Você precisa de algo? — Carmen me perguntou.
— Sim — respondi.
— Que eu fique quieta? — Ela sorriu.
— Olha só, você já está aprendendo seu lugar, querida madrasta! — parabenizei com ironia, me abaixando para tirar Amy da casinha. — Também preciso que você fique de olho no meu pai e faça toda sua mágica para o impedir de fazer algo.
— Vai parar de tentar sabotar meu casamento com Charlie?
— Eu até te ajudei com o vestido! — exclamei indignada, afagando os pelos de Amy. — Sou sua melhor madrinha…
— O que deu em você, Isabella? — o grito me interrompeu, olhei para trás e vi minhas irmãs, em seus vestidos de festa e raivosas.
— Ei, desculpe estragar sua festa, Alice! — zombei, eu ainda estava com raiva dela pelo lance da chantagem quando descobriu sobre Edward e eu fodendo. — Acho que minha nota deve ter tirado o foco de você, né?
— Foda-se a festa idiota da Alice! — Renesmee gritou, me pegando de surpresa. — Por que você fez isso?
— Não aguento mais responder isso — resmunguei. — Sei o que estou fazendo. — Coloquei Amy no chão, ela ficou entre minhas pernas, era tão leal.
— Assumindo a culpa por isso? Você não sabe, não! — Renesmee berrou, eu suspirei.
— Você e você. — Apontei dela para Alice. — Eu sou a irmã mais velha aqui e eu sei cuidar muito bem da minha própria vida. Agradeço a preocupação, mas não é necessária, está tudo sob controle.
— Não sei o que Paul fez agora — Alice murmurou. — Mas só dizendo que temos dinheiro suficiente para contratar assassinos de aluguel, isso seria resolvido rapidinho. Um tiro e pronto, ele já era.
— Alice! — Renesmee bateu no braço dela. — Ninguém vai pagar para matar o Paul, isso nos tornaria assassinos do mesmo jeito.
— Só falando. — Alice ergueu as mãos para cima e disse. — E sim, Isabella, você estragou a minha festa, quando Ness viu a publicação me fez largar tudo lá para vir com ela até aqui. Até o pobre Nahuel ficou para trás. — Ela seguiu em direção a saída da sala. — Vou pegar algo para comer, não pude comer o dia inteiro para caber nesse vestido.
— Eu vou ficar de olho no Charlie — Carmen disse e subiu.
— Como vocês sabiam que eu estava aqui? — perguntei para Renesmee.
— Você não atendia o celular, liguei pra Tanya e ela contou. Já que a Amy tá aqui devo supor que você vai ficar por um tempo?
— Sim — respondi, sentando num sofá, puxando minha gatinha para meu colo. — Até domingo. Vou dar uma entrevista exclusiva, gravarei aqui na sexta.
— Por que fez isso, Bells?
— Eu não vou responder.
Ela suspirou, pegou seu celular de sua pequena bolsa e falou enquanto mexia nele.
— Renée esteve cercando o Ed na festa, não consegui impedir dele ser levado para o covil da bruxa, mas ele saiu antes de mim da festa sem sequer se despedir. — Ela me entregou seu celular, o número de contato de Edward estava selecionado. — Ele já ligou e mandou uma porção de mensagens pra mim e pra Alice perguntando sobre você, fala com ele.
— Ok. — Apertei o botão chamando pelo número de Ed.
— Vou ir comer algo também — ela anunciou antes de sair da sala.
— Ness, oi — Ed atendeu.
— É a Isabella.
— Caralho, Bella! — ele gritou. — O que diabos está acontecendo?
— Tanya irá te explicar, ligue pra ela — orientei.
— Eu já falei com a Tanya, já sei que tenho que fazer ou não. Quero saber é porque você fez o que fez!
— O que Renée queria com você? — desconversei.
— Me colocar no programa da Alice, o que mais? — reclamou. — Por que está assumindo a culpa daquele vídeo?
— Porque é a minha culpa — respondi. — Eu fiz aquilo para prejudicar Paul.
— Eu sei que não é a verdade.
— Essa é a verdade, Cullen. Vá dormir agora, você começa a gravar o clipe de Escândalo amanhã. E eu estou te dando publicidade grátis com tudo isso.
Ele riu, mas sua risada parecia revoltada.
— Isso tudo é uma grande estupidez, Isabella. Você não deveria assumir essa culpa.
— É minha culpa, eu gravei aquele vídeo e o divulguei.
— Nem por um caralho você fez isso! — exclamou e desligou na minha cara.
***
Não vi meu pai pelo resto daquela noite, também aproveitei que minhas irmãs estavam na cozinha para ir de uma vez para meu quarto, depois de pegar o resto das minhas coisas no carro. Precisava de um banho quente e tentar dormir um pouco, os próximos dias seriam longos demais.
— O que vocês estão fazendo aqui? — perguntei vendo Renesmee e Alice sentadas na minha cama, Amy tinha dormido sobre uma poltrona no canto do meu quarto, elas tinham trocado seus vestidos de festa por pijamas que aparentemente eram da época que eram adolescentes e deviam estar perdidos em seus quartos ali na mansão.
— Não vamos te deixar só — Renesmee respondeu. — Vamos todas dormir juntas.
— Como foi depois… — Alice não completou sua fala, mas seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ela estava pensando na minha overdose, quando voltei para casa depois da clínica de reabilitação, antes de ir viajar por aí, ela e Ness passaram a dormir comigo todas as noites.
Me aproximei das meninas, segurando no rosto de Ness e beijando sua cabeça, depois fiz o mesmo com Alice. Minha irmã começou a chorar, me abraçando com força.
— Eu não vou fazer nada daquilo de novo — prometi, afagando os cabelos de Alice, Renesmee me olhava preocupada. — Não vou deixar vocês duas, ok? Sei que precisam de mim.
Renesmee revirou seus olhos.
— Você também precisa da gente, Isabella!
Levei uma mão até seu rosto e varri para longe uma lágrima solitária, agarrada a mim Alice continuava chorando.
— Eu sei o que estou fazendo.
— Deixando Paul vencer? — Renesmee rebateu.
— Confia em mim. — Toquei de novo no rosto dela. — Sei o que estou fazendo. — Beijei novamente a cabeça de Alice, depois ergui seu rosto fazendo com que ela olhasse para mim. — Ei, eu estou bem, ok? — falei diretamente com ela. — Você não precisa se preocupar.
Alice assentiu, tentando parar de chorar, mas não conseguia.
— Bells? — Renesmee chamou por mim baixinho.
— Sim, Ness? — Ela começou a chorar pra valer, se levantou e me abraçou.
— Abraço em grupo! — Alice exclamou, se colocou de pé e se juntou a Ness e eu.
Fiquei sufocada entre as duas, mas naquele momento também me senti protegida.
***
Alice e eu fomos as primeiras na mesa do café na manhã seguinte, Renesmee tinha acordado mais cedo, mas estava na pequena academia que papai tinha em casa fazendo uma hora de esteira. Ele e Carmen ainda não tinham descido, mas minha irmã e eu não nos importamos em esperar ninguém para comer.
— Você sabe que eu tava mentindo, né? — Alice perguntou, jogando mais mel em cima de suas frutas, enquanto eu comia os ovos com bacon que pedi para a cozinheira preparar para mim.
— Sobre? — perguntei de boca cheia, Alice estava sentada bem ao meu lado.
— Sobre o lance da chantagem, nunca contaria para ninguém sobre você e Ed, mesmo se ele não tivesse ido até a festa ontem.
Olhei para Alice e sorri para ela.
— É, eu acho que sabia que era uma mentira sim, mas não brinque de me chantagear de novo.
— Não vou — jurou. — Então, não tivemos a chance de falar ainda sobre a performance sexual de Ed Cullen.
Eu ri.
— É tudo que você deve imaginar — contei. — Talvez um pouquinho mais.
— E Jasper?
— Por que você ainda fodeu com ele? Está por aí andando com ele como se fosse seu amiguinho gay, ele é bi, transaria com você em dois tempos.
— Bom, ele ainda não demonstrou qualquer interesse — Alice alegou. — E odeio dizer isso, mas estou tendo que segurar um pouco os chifres que coloco na cabeça do Randall, não posso deixar que ele desconfie das minhas traições.
— Você não precisa dele, Alice.
— Você sabe que preciso, mas assim como você não está me falando tudo sobre Paul, não vou falar sobre eu querer Randall me transformando um dia na futura senhora Dwyer para que eu herde o império da família dele.
— Isso é o que você quer, ou o que Renée fez você pensar que quer? — perguntei, levando um pedaço de bacon a boca.
— Assim como você, eu também sei muito bem o que estou fazendo.
— O que vocês estão cochichando? — Renesmee perguntou ao entrar na sala de jantar e sentou ao meu lado, tinha tomado um banho após sua corrida.
— Nada, você está bem? — perguntei a ela.
— Sim, por quê?
— Acordou muito cedo para correr — Alice disse.
Renesmee bufou.
— Não estou louca com meu peso, ok? Só queria extravasar energia — respondeu, ela vivia controlando seu peso regradamente, o que Alice e eu sabíamos ser algo ocasionado por Renée sempre falar do peso de Ness. — Ter que aturar a Renée ontem, toda essa história do Escândalo Swan é muito estressante, só precisava tirar minha cabeça disso por um tempo. — Começou a se servir, mesclando suas escolhas entre saudáveis e não. — Eu estou bem, Isabella. Você não vai me ver debruçada sobre o vaso vomitando o café da manhã.
— Nem brinca com isso. — Ela nunca foi bulímica, nem alcançou níveis extremos de magreza, ou foi diagnosticada sendo anoréxica, mas eu tinha medo de que a pressão que Renée impôs durante sua infância mostrasse resultados graves a qualquer momento.
— Te amo. — Renesmee beijou minha bochecha. — E estou muito bem, no momento vamos apenas pensar em você, precisa de algo?
— Não, vou passar os próximos dias aqui dentro, nadando, vendo filmes, evitando matar Carmen.
— Eu ouvi isso, Isabella! — Meu pai escolheu aquele exato momento para aparecer, junto da puta mexicana.
— Não falei nada — debochei, ele me ignorou, puxando uma cadeira para Carmen do outro lado da mesa, depois sentou à cabeceira.
— Pensou melhor sobre essa loucura toda? — ele me questionou. — Apague o que postou, diga toda a verdade, vamos contratar pessoas para investigar Paul…
— Não! — o interrompi, isso poderia conseguir algo para nós, de fato, mas Paul tinha muito contra mim e o tiro seria duplo. Eu não queria ser atingida e para isso não poderia o atingir. — Se você fizer algo assim juro que nunca mais olho na sua cara, pai — ameacei, ele bufou.
— Estou pensando no melhor para você, Isabella.
— Isso não é o melhor. — Indiquei a xícara a sua frente. — Tome seu café e não faça nada que eu não mandar.
— Nós precisamos de férias — Renesmee afirmou. — Mal vejo a hora de irmos para Nashville para o casamento e deixar todos os problemas para trás.
— Como se esse casamento não fosse o problema em si — Alice sussurrou ao meu lado.
É, ela não podia estar mais certa. Porém, Carmen, a puta mexicana, era o menor dos meus problemas por hora.
***
Depois do café da manhã minhas irmãs foram embora, logo depois os paparazzis chegaram, finalmente descobrindo onde eu estava escondida. Papai se trancou no estúdio, Carmen me deixou em paz indo para seu quarto, eu fiquei na varanda que levava ao quintal.
Sentei em um sofá que tinha ali, com Amy em meu colo e por fim liguei meu celular. A enxurrada de notificações estava ali, mas ignorei tudo e segui direto para o Twitter de Paul, que já tinha se pronunciado sobre.
“E a verdade está entre nós… Vamos abraçá-la!”
Foi a primeira coisa que postou sobre o caso, seguida de:
“Eu não guardo nenhum rancor da Isabella, sou um cara muito resolvido comigo mesmo e com os outros. O que aconteceu está no passado, a verdade está aí e pronto. Não desmoralizem o outro lado, Isabella assumiu seus erros e isso é louvável. Mais respeito e amor ao próximo!”
— Filho da puta! — xinguei, ele estava tendo tudo que queria, sua absolvição e ainda saindo como um mocinho, tudo continuava o mesmo.
Deixei o perfil dele, vendo meu nome em primeiro nos assuntos mais comentados do Twitter, seguido pelo de Paul e a palavra escândalo. Cliquei no meu nome, sendo atacada com o que pensavam de mim.
“Isabella Swan finalmente assumiu a culpa pelo Escândalo Swan.”
“Depois de anos Isabella Swan está arrependida? Vagabunda!”
“Antes tarde do que nunca, né, Isabella Swan? Paul Lahote finalmente pode ter sua imagem totalmente limpa.”
“Isabella Swan assumiu toda a putaria que fez.”
“Espero que Ed Cullen deixe de trabalhar com a puta da Isabella Swan.”
“Eu gostava tanto da Isabella Swan como atriz, queria que ela voltasse a atuar.”
“Isabella Swan se arrependeu, pediu desculpas e ainda tem gente chamando a mulher de puta, vocês são ridículos!”
Dei um pequeno sorriso lendo aquelas duas publicações, no meio da maioria me xingando. Mas, não permaneci muito mais tempo verificando aquilo e liguei para Tanya.
— Tudo sob controle — ela disse no instante que atendeu. — A entrevista já está confirmada. Kate, Ed e Riley proibidos de falarem algo sobre, troquei as senhas das redes sociais do seu pai por precaução. Não perdemos nenhum contrato até agora, na verdade tem até marcas querendo fechar com você por conta dos seus números em Instagram e Twitter terem triplicado em uma noite. Além disso, todos os jornalistas da cidade querem uma exclusiva. Ah, o álbum de Ed se beneficiou mesmo com isso! — disse desacreditada. — As vendas aumentaram, é o mais procurado no Google nas últimas cinco horas e todos estão muito ansiosos para terem mais informações sobre o clipe que ele começou a gravar hoje para Escândalo.
— Ele não está envolvido diretamente — falei, seria diferente se fosse um escândalo envolvendo Ed, o que aconteceria se Paul conseguisse nos expor, isso sim seria ruim para o Cullen. — O nome do álbum é Escândalo, a terceira palavra mais comentada no Twitter no mundo, ele vai vender ainda mais e com as vendas para turnê começando na segunda. — Eu ri. — Porra, vai entrar muita grana, Tanya.
— Como você está feliz se isso está sendo alcançado com você sendo crucificada?
— É diferente, no passado eu fui crucificada e perdi tudo. Agora estou sendo crucificada, mas ganhando rios de dinheiro. — Eu sorri, estava fodida por um lado, mas ganhando em outros. — E está um dia lindo — falei, observando o Sol brilhando. — Vou nadar um pouco, espero que ninguém esteja com drone ou helicóptero, mas evitarei fazer topless.
***
O primeiro dia trancada na casa do meu pai foi mais tranquilo do que pensei, mesmo com os paparazzis lá fora eu não estava estressada, passei a maior parte do meu tempo na piscina, com o celular desligado, sustentando meu sumiço. No fim do dia minhas irmãs voltaram, pedimos pizza e comemos com papai assistindo futebol americano, Carmen se desconvidou, o que achei maravilhoso. Ness e Alice dormiram comigo de novo.
No segundo dia eu já estava ficando farta de ficar presa lá dentro, mas as visitas começaram. Pela manhã Kate, passamos uma hora juntas, comigo a ouvindo reclamar da irmã, ela estava ali para que a imprensa visse que eu ainda estava próxima as minhas estrelas, para que o apoio delas viesse para mim. De tarde Riley me visitou, nós ficamos uma hora jogando xadrez, ele não ganhou uma partida.
Eu também recebi flores, de James. O bilhete, escrito por ele mesmo, dizia:
“Sei que não é culpada por isso, se precisar desabafar com alguém sabe onde me encontrar. Sinto a sua falta, acho que Norma Jeane também.”
Eu quis jogar as flores no lixo, odiava flores, mas Carmen não deixou e ficou com elas. Renesmee e Alice também voltaram naquela noite, eu ensaiei com Renesmee para minha entrevista que seria gravada no dia seguinte, na sexta-feira, pela parte da tarde. Alice preparou minha roupa e me comprou um colar com uma cruz de pingente.
— Não cite o colar em momento nenhum — ela disse ao colocar ele em meu pescoço. — Nem fale sobre Deus, Jesus, ou qualquer coisa ligada a religião, mas deixe com que eles vejam o colar e pensem em você sinceramente arrependida, tanto que agora está usando um adereço assim.
— Vocês vão para o inferno — Carmen que também estava na sala se pronunciou, papai — ainda bravo com tudo — estava trancado no estúdio.
— Nos encontraremos lá — Alice falou para ela, eu voltei a ensaiar com Renesmee.
***
No terceiro dia eu já estava tão estressada que nem queria sair do meu quarto na mansão, queria poder sair daquela casa, ir para a produtora trabalhar e talvez ir ver as gravações do novo clipe de Edward. Eu estava na cama, tentando ler um dos livros que tinha ali da minha adolescência, quando ouvi uma batida na porta.
— Entra! — gritei, Edward colocou a cabeça para dentro, de olhos fechados.
Larguei o livro de lado, era o dia dele me visitar.
— As paredes daqui também são cobertas de pôneis, Capitã?
Eu ri.
— Não, são apenas brancas.
Ele abriu seus olhos e sorriu.
— Graças a Deus, Capitã! — Entrou no quarto e fechou a porta, estava prestes a trancar quando notou a ausência de uma chave. — Cadê a chave daqui?
— Não faço ideia — menti, eu tinha a suspeita de que meu pai sumiu com elas, como fez quando eu voltei da clínica de reabilitação no passado, as chaves de nenhum lugar do quarto — incluindo banheiro e closet — estavam onde deveriam estar. Ele provavelmente estava com medo de eu surtar e me trancar lá dentro, o que podia me levar a algum ato inconsequente.
Edward assentiu, caminhou até minha cama e sentou ao meu lado. Tirou uma mecha de cabelo de perto do meu rosto, a colocando atrás da minha orelha.
— Você está bem?
— Estou. Como estão as gravações do clipe? — Ele gravaria até sábado de tarde.
— Ótimas, mas não vim falar disso, quero saber porque está assumindo a culpa daquele vídeo.
— Você tá sabendo dos números altos das suas vendas, né?
— Você fez isso para promover meu álbum? — indagou chocado.
— Não, mas foi uma excelente consequência. — Passei minha mão por seu peito, ele estava usando uma camisa azul escura de mangas longas, que estavam dobradas até seus cotovelos, calça jeans e sapatos, tinha óculos de Sol em uma mão e na cabeça seu boné estava virado para trás. — Você aderiu a moda do seu cunhadinho, chapa?
— O quê?
— O boné! — Eu gargalhei, Edward xingou e tirou o boné da cabeça, o jogando sobre minha cama junto com seus óculos.
— Não me compare aquele adolescente irritante do caralho. E não desconverse, o que está escondendo?
— Ed, se eu não falei para minha família e para minha melhor amiga não falarei para você.
— Quer saber? Que se foda! — exclamou, me pegando de surpresa quando me fez deitar na cama e veio por cima de mim, beijando meus lábios. Eu logo estava retribuindo, agarrando seus cabelos e colocando minhas pernas ao redor do seu corpo. Mas, tão rápido retribui, recobrei a consciência.
— Não podemos — murmurei, tirando meus lábios dos dele.
— Por que não? — Ele me olhou diretamente nos olhos.
— Sem chave, lembra? — Sai debaixo dele e me sentei na cama. — Meu pai, a puta mexicana ou algum empregado da mansão pode aparecer aqui.
Edward resmungou e se deitou de costas na cama, olhando para mim.
— Por que está aqui e não no seu apartamento?
— Aqui é mais seguro, mesmo com os paparazzis lá fora. E tem espaço para eu não me sentir tão presa pelos dias que ficarei reclusa, mesmo que eu já esteja bastante entediada. Pelo menos a Amy está se divertindo lá fora no quintal.
— Falando nos paparazzis — Edward disse pegando seu celular do bolso. — Vamos ver se eles tiraram uma boa foto minha.
— Ah pirralho, lamento te dar uma notícia tão arrasadora assim, mas você é feio e os paparazzis conseguem fazer milagres.
— Você não é engraçada — ele falou e ficou mexendo em seu celular, peguei meu livro de volta para folhear, até que Ed riu alto de algo.
— Que foi? — Larguei o livro de novo.
— Ok. — Ele se sentou na cama, ainda rindo. — Descobri esse perfil no Twitter um tempo atrás, você provavelmente não gostará, mas ele é muito engraçado. — Virou o celular para mim, eu vi a postagem de uma tal de Isaward Swullen, cuja foto de perfil era uma minha olhando para Edward, pelas roupas nos reconheci no leilão que fomos juntos no ano anterior. A publicação, com uma foto de Edward chegando a casa do meu pai algum tempo atrás, pois os paparazzis trabalhavam rápido, dizia:
“O Ed foi visitar a Isabella na casa do pai dela, ele é um fofo!”
— Nós temos uma conta de fã? Uma maluca que nos acha um casal? — gritei, Ed revirou os olhos.
— Grita mais alto pra ter certeza de que todos os paparazzis ouviram, Capitã!
— Por que você não me falou isso antes? — indaguei, vendo-o guardar o celular no bolso.
— É uma bobagem, Bella — disse. — O perfil tem tão poucos seguidores, ele só deve aparecer mais para mim agora porque eu cliquei nele uma vez. Enfim, não há com o que se preocupar, deve ser só uma adolescente besta, ou uma velha desocupada. Nem acha que somos um casal, ela só acha que deveríamos ser um.
— Não importa, temos que fazer esse perfil cair. É perigoso, pode nos expor!
— Não tem o que expor, o que iriam expor? — questionou. — Nossa relação de trabalho? É a única coisa que temos — falou com tanta confiança que talvez se eu não tivesse o conhecimento da verdade sobre teria acreditado.
— Sua atuação melhorou muito.
Ele sorriu.
— Alison falava bastante sobre as aulas de teatro que fez.
— E você prestava atenção?
— Aparentemente. — Deu de ombros.
— Que seja, eu ainda quero me livrar desse perfil.
— Capitã, pensa bem, se você der moral pra esse tipo de gente eles crescem. Não dê bola, ou aí sim essa história de quererem, ou acharem que somos um casal vai crescer.
Eu senti meu estômago revirar com a ideia de Edward e eu como um casal, era nojento. Ele não era nada além do cara com quem eu fodia, só isso.
— Ok, não farei nada por enquanto, mas vou monitorar essa conta! — alertei.
— Você que sabe, Capitã.
— Como foi na festa da Alice?
Ele bufou.
— Sua mãe é mesmo um saco.
— O que ela fez?
— Tentou me convencer a participar do programa da sua irmã, mas neguei como prometi. — Piscou para mim, se aproximou e beijou meu rosto. — Melhor eu ir agora, tenho que estar na locação do clipe em meia hora e ainda vou pegar Leah no apartamento dela.
— Você tentou foder ela de novo depois do desastre do boquete?
— Não mesmo. — Ele se levantou, pegou seu boné e óculos escuros, os colocando. — Não vale a pena. Até mais, Capitã.
Apenas acenei, mas quando ele chegou a porta eu dei um pulo da cama. Impedi Edward de abrir a porta e o beijei, eu precisava de alguma coisa interessante para aguentar o resto do meu tempo de reclusão.
Eu me coloquei entre a porta e o corpo dele, fazendo com que nossos corpos fossem a barreira necessária para prender a porta caso alguém decidisse ir até ali. Ainda beijando Edward eu levei sua mão até o interior do vestido que usava, ele sabia muito bem o que fazer, apenas afastou minha calcinha para o lado e começou a me masturbar.
Nós paramos de nos beijar, ele apoiou sua testa na minha, enquanto me tocava como sabia fazer muito bem. Quando estava quase gozando segurei no rosto dele, Edward beijou minha bochecha, meu queixo e quando beijou meus lábios novamente foi o momento que gozei em seus dedos.
— Valeu — agradeci. — Eu estava precisando disso.
Ele riu.
— Bom, eu vou ter que lidar comigo mesmo depois, muito obrigado, Capitã — debochou.
— Não por isso. — Esfreguei minhas mãos sobre sua camisa, aos poucos ele foi tirando seus dedos de mim e os colocou na minha boca, eu os chupei.
— Preciso mesmo ir agora, Isabella.
— Eu sei. — Me afastei dele e da porta.
— Se cuida — pediu.
— Eu vou. — Ele me beijou uma última vez antes de sair, eu suspirei, queria ter saído junto e ido assistir as gravações do clipe.
Voltei para a cama, peguei meu celular, o liguei e entrei no perfil de Isaward Swullen.
***
Eu usava um vestido laranja vibrante, mas comportado, sem decotes, indo até meus joelhos e sem marcar demais. Meus cabelos estavam presos em um semi coque, já que alguns fios caíam soltos. Minha maquiagem era leve, o batom cereja que eu usava não era tão forte assim. Meus saltos não era nada altos. A única joia que usava era o colar com a cruz que Alice me deu.
Ela e Renesmee estavam ali, Tanya também, assim como meu pai e sua puta mexicana. Eu estava pronta para a entrevista, nada nervosa, provavelmente porque estava dando uma nota para aquilo acontecer segundo meus termos e porque o programa seria editado no dia seguinte sob os olhos atentos de Alistair.
— Podemos começar, Isabella? — Senna Keef, a apresentadora, me perguntou. Era uma mulher baixinha, negra, de cabelos curtos e lisos, tinha trinta anos. Seu programa, o The Senna Keef Show, era exibido aos sábados, tinha dois anos de exibição e já era um sucesso. E bom, eu tinha uma pequena história com Senna, na época que ela era só uma atriz muitos anos atrás, nós ficamos em uma boate em Madri, apenas uns beijos, mas ela era casada agora e eu sabia que seu marido, um diretor de cinema importante, sequer desconfiava do passado com garotas da sua esposa. Ela tinha sido muito solícita em me atender e nosso segredinho de Madri ficaria muito bem guardado pelo resto de nossas vidas.
— Claro — respondi, arrumando minha postura.
Estávamos gravando numa das salas da casa de papai, apenas Senna e eu apareceriam, então toda minha família, minha melhor amiga e a garota de programa do meu pai estavam atrás das câmeras junto a equipe do programa.
A câmera começou a gravar, Senna fez as apresentações necessárias, dizendo que naquela noite os telespectadores veriam uma entrevista exclusiva com a empresária Isabella Swan. Então, ela começou a falar comigo e eu estava sob as lentes da câmera também, era a primeira vez em anos que eu dava uma entrevista daquele tipo.
— Isabella, é um prazer te ter em meu programa — ela disse e apertou uma mão minha. — Muito obrigada por ter aceitado dar essa entrevista para mim, querida.
— Eu que agradeço o convite, Senna — falei cordialmente, então separamos nossas mãos e ela se voltou para a câmera, com uma ficha em mãos, ela disse todo meu currículo como atriz, desde meu primeiro trabalho, até Zoe em Malibu.
— No que vem trabalhando ultimamente, Isabella? — ela quis saber, sorrindo para mim. Eu sabia que o assunto Paul ficaria para o final.
— Agora sou uma empresária, eu tenho uma produtora chamada Swan Productions, que agencia a carreira de quatro cantores. Charlie Swan, meu pai. — Sorri orgulhosa. — Kate Allen, Riley Biers e Ed Cullen.
— Como é esse trabalho?
— É sensacional! — respondi animada, era uma verdade, eu amava o que fazia, mesmo com o estresse diário. — Como toda carreira tem os momentos bons e os ruins, mas sou tão grata por tudo que vivo sendo empresária desses artistas tão incríveis — respondi, tocando na cruz do meu colar.
— Quais momentos são os ruins?
— Quando algo que estavamos planejando não acontece como queríamos. Por exemplo, na última turnê da Kate tivemos um problema logo no primeiro show com o maquinário que a faria sobrevoar o público, isso foi ruim, era algo que todos estavam animados para por em prática. Mas nós conversamos e Kate teve a brilhante ideia de andar entre o público. — Algo que eu surtei, mas ela chorou e me convenceu. — Tinha toda uma grande questão de segurança envolvida, então precisamos trabalhar o dobro para fazer isso acontecer, mas transformamos um acontecimento ruim, que foi a falha do maquinário, em algo muito bom, pois Kate estava ali, interagindo diretamente com seu público. Levamos isso para o resto da turnê e eram os melhores momentos dos shows. Sei quão emocionada Kate ficava nesses momentos, eu me sentia tão emocionada vendo todo aquele amor.
— Quais dos cantores trabalhando com você é o mais fácil de trabalhar?
— Ah, todos eles são ótimos, mas eu tenho de confessar que Riley é mais tranquilo dos quatro. E eu sinto que ele é como um irmão mais novo, sabe? Sempre estamos de acordo com tudo.
— Quer dizer que nem sempre está de acordo com os outros?
— Eu estaria mentindo se dissesse que todos sempre estamos na mesma página.
— Qual te dá mais trabalho?
— Meu pai. — Mentira, era Edward, mas eu podia falar do meu pai com mais liberdade. — Mas, pai e filha sempre se desentendem, isso acontece no trabalho também.
— E como tem sido trabalhar com Ed Cullen?
— Ed é um cantor fantástico! — exclamei. — Trabalhar com ele é ótimo.
— Como foi ter Charlie e Ed gravando uma canção que você compôs?
— Ainda é inacreditável, em pensar que logo o clipe vai estrear torna tudo mais louco. Mas, eles fizeram um ótimo trabalho com o que fiz, estou realmente muito animada com tudo isso.
— Você já compôs outras canções? Pensa em compor mais?
— Eu já tenho algumas coisas escritas — confessei. — E acredito que ainda vou trabalhar em mais, na verdade Ed já me pediu ajuda em uma canção e ainda estamos um pouco bloqueados com o desenvolvimento dela. — A melodia que ele pensou em Nashville e nunca levamos para frente.
— E você pretende gravar um EP? Ou mesmo um álbum?
— Ah não! — neguei, rindo e deixando a risada soar nervosa. — Eu gosto dos bastidores, é onde me sinto bem.
— No que se inspira para compor suas canções?
— Na vida, ela tem muito para inspirar.
— Alguma canção sobre James Klein? Seu ex-noivo, com quem terminou algum tempo atrás.
— A última que escrevi tem um pouquinho dele — respondi, perdendo o sorriso em meu rosto, tudo premeditado.
— Vocês estavam juntos por anos, noivos e pareciam felizes juntos, por que terminaram?
— Percebemos que não estávamos no mesmo momento em nossas vidas — contei. — Mas foi uma relação de mais de três anos, que fui muito feliz. James é um homem maravilhoso e tenho um carinho e respeito por ele que vão durar a vida toda, não casamos ou passaremos o resto da nossa vida juntos, mas isso não anula o fato de ter sido um namoro bom para nós dois.
— Nenhuma chance de reconciliação?
— Não. — Sorri docemente. — Mas eu sei que mesmo não juntos, sempre vamos continuar amigos um do outro.
— E você está apaixonada por alguém agora? — ela me perguntou.
— Não — respondi. Eu não estava, não sentia mais isso por Paul, ou estava muito perto de me convencer totalmente disso. A cada dia odiava mais aquele verme. — Estou apenas vivendo, passando um tempo comigo mesma, com amigos e família.
— E você está feliz?
— Sim! — menti, eu não estava, não o suficiente ao menos. — Muito feliz, a vida tem entrado nos eixos. — Toquei novamente na cruz.
— Isso nos leva ao texto que você publicou em suas redes sociais essa semana — Senna disse. — Por que não falamos um pouco disso?
— Claro, eu acho mesmo que preciso falar sobre — falei, limpando uma lágrima que deixei cair.
— Como foi seu namoro com Paul Lahote?
— Foi maravilhoso, ele era doce, gentil, um verdadeiro príncipe comigo.
— Por que terminaram?
— Ele terminou comigo, porque eu tinha muito ciúmes dele — contei a mentira que criei, limpando mais uma falsa lágrima. — Mesmo sem ter motivos para isso, porque Paul nunca me traiu, sei que ele nunca trairia, mas na época eu era uma jovem tola e não pensava direito, não reconhecia como ele era maravilhoso e arrumava confusão com Paul por tudo. Eu não merecia Paul, essa era a verdade, ele era bom demais para mim. E bom, os ciúmes foram parte do motivo dele terminar comigo, a outra parte foi o fato de na época eu ser usuária de drogas e alcoólatra. Paul tentou me tirar dessa, ele sempre estava pronto para me ajudar e sugeriu reabilitação, quis falar com meus pais sobre, mas eu era tão teimosa e nós acabávamos brigando por isso também. Eu entendo agora que ele fez de tudo para me ajudar, mas ele estava praticamente sozinho lutando por aquele relacionamento e por mim, chegou ao seu limite e acabou o namoro. Acredito que eu teria feito o mesmo em uma situação inversa.
— Por que vocês não assumiram o namoro?
— Foi um namoro rápido, Paul queria esperar mais um pouco antes de sermos expostos. Nos conhecemos no set de filmagens de Zoe em Malibu, logo estávamos juntos, mas ele não queria que ninguém pensasse que estava se aproveitando de mim para se firmar no meio. O que é tolo de se imaginar, tudo que ele sempre alcançou em sua carreira foi por seu talento nato como ator.
— E por que você gravou aquele vídeo?
— Eu estava bêbada quando decidi aquilo, sei que não retira meu erro, mas na época eu sempre estava bebendo ou me drogando. No dia pensei que seria divertido gravar o sexo, mas não contei para Paul, pois sabia que ele não acharia aquilo certo, então fiz tudo escondida.
— E quando Paul Lahote acabou o namoro você decidiu vazar o vídeo?
— Sim. — Outra lágrima, depois mais uma. Acho que aquela altura eu estava chorando de verdade, de raiva de Paul. — Eu estava com tanta raiva por ele ter me deixado, que decidi destruir sua vida. — Coloquei o rosto entre as mãos, ficando assim por um tempo para dramatizar mais. — Eu me arrependo tanto por isso — falei quando tirei minhas mãos da frente do meu rosto. — De ter exposto Paul e minha família dessa forma, de ter tentado incriminar um inocente, de ter gasto o tempo da polícia, advogados e de tantas outras pessoas envolvidas na investigação.
— Você nunca pensou em contar a verdade antes?
— Um milhão de vezes, mas eu tinha tanta vergonha.
— Nos conte sobre a overdose que teve — pediu, eu respirei fundo.
— Foi em um dia que me senti tão culpada pelo que fiz — falei. — E não tinha coragem de contar para ninguém a verdade, não sabia o que fazer da minha vida e quis me matar.
Mais lágrimas, aquelas eram reais. Aquela era a primeira entrevista que eu dava sobre a overdose e minha tentativa de suicídio, eu praticamente não falava sobre aquilo com ninguém.
— Eu tive tanta sorte de escapar daquela com vida. — Toquei de novo na cruz em meu pescoço.
— Mas esperou todos esses anos até conseguir falar.
— Foi e isso foi ainda mais errado da minha parte, pois sustentei essa mentira por mais de dez anos, inclusive da minha própria família. E fiz com que por todo esse tempo algumas pessoas desacreditarem em Paul, que sempre foi inocente.
— Por que falar a verdade sobre o Escândalo Swan só agora?
— Eu tomei coragem quando Paul veio falar comigo alguns dias atrás em uma festa, ele foi tão bondoso em me perdoar, sem nem eu pedir desculpas. E tão respeitoso em dizer que queria que eu fosse feliz… E, sim, ele e Julia são um casal e tanto, combinam muito e nós podemos sentir o amor os envolvendo. Foi quando percebi que eu precisava assumir meus erros de uma vez por todas, pois eu nunca seria feliz de verdade guardando esse segredo.
— O que sente por Paul Lahote hoje, Isabella?
— Admiração, ele é um ser humano tão iluminado. — A cruz outra vez. — Um excelente ator e sei que será um marido incrível para Julia. Ele só merece coisas boas, por ter um coração tão bom.
Olhei diretamente para a câmera.
— Paul Lahote é um bom homem, que foi injustamente acusado por algo que nunca cometeu. Eu nunca pedirei perdão o suficiente por meus erros com ele, mas nunca mais levantarei qualquer mentira sobre Paul. — Comecei a chorar novamente, sem esconder o rosto daquela vez. — Me desculpe, Paul, sinto muito por tudo que fiz, por colocar seu nome em um Escândalo. Espero que você seja muito feliz, merece toda a felicidade do mundo.
***
A noite depois da entrevista e o dia seguinte, quando ela seria exibida, foram infernais. No instante que a entrevista acabou e a equipe da produção foi embora, eu desabei em lágrimas, naquela noite dormi no sofá, chorando no colo do meu pai.
Passei o sábado com minhas irmãs grudadas em mim, mas eu mal conseguia dizer qualquer coisa, me sentia exausta fisicamente e psicologicamente. Liguei meu celular aquele dia por meia hora, apenas o suficiente para ver no Twitter de Senna uma publicação sobre a entrevista.
“Hoje a convidada especial do programa The Senna Keef Show é a empresária Isabella Swan!”
Eu desliguei meu celular após ver minha foto sorridente que usaram na divulgação, não aguentava ver aquele sorriso quando tudo dentro de mim desmoronava.
***
O meu celular estava ligado tocando música, enquanto eu estava sentada próxima a janela do meu quarto naquele domingo. Amy estava no quintal, podia vê-la, brincando com um ratinho de brinquedo que Carmen comprou para ela aquela manhã quando saiu para fazer compras com Renesmee. Elas estavam naquele momento na piscina, Alice estava jogando pôquer com papai em algum lugar da mansão, já achavam seguro me deixar sozinha, uma vez que a entrevista exibida no dia anterior tinha se saído exatamente como planejei.
Comigo assumindo a culpa, as pessoas acreditaram em mim pela primeira vez em anos, os ataques diminuíram e os urubus sobrevoando estavam começando a se dispersar. E as marcas continuavam me procurando, mas eu não iria virar garota propaganda de nada, mesmo com os cachês altos oferecidos.
A canção que eu escutava foi interrompida pelo som de uma notificação, o que me fez pegar o celular. Eram mensagens novas de Edward, eu abri nossa conversa para as ler.
Ed Cullen: Precisamos conversar.
Ed Cullen: É URGENTE!
Suspeitava o que era, então resolvi ligar para ele.
— Eu não vou dar uma festa com o tema roça na minha casa! — ele gritou quando eu atendi.
— O clipe é com influências country, a música e você a gravou com um um dos maiores cantores de country, a festa será country, pirralho.
— Nem fodendo.
— Ed, você sabe que discutir comigo a essa altura é perda de tempo, certo? — Foi o motivo que até ali o fiz pensar que a festa não teria tema nenhum, omiti até de sua família, mas teria sim e todos receberam convites os mandando ir a caráter, eu estava até surpresa de ter conseguido esconder de Edward por todo aquele tempo.
— Eu não vou usar essas malditas botas, esse chapéu que a figurinista trouxe para mim.
— Estou no viva-voz?
— Não.
— Bom, use suas botas, seu chapéu. Como recompensa tudo que vou usar quando todos forem embora será somente minhas botas e meu chapéu, o que acha disso, caubói?
— Eu te odeio! — Desligou na minha cara, mas eu sabia que tinha vencido.
***
Ganhar minha liberdade naquele dia era tudo que queria, depois de dias presa, finalmente poderia sair. Minha família e a puta mexicana, iriam para a festa na casa de Ed, mas eu fui na frente, queria chegar antes dos convidados para ter certeza de que estava tudo certo por lá.
Os paparazzis continuavam na frente da casa do meu pai, mas em menor número. Por isso, nem chegou a ser estressante de fato sair de lá, entrei no carro que tinha ido me buscar e segui para a casa de Edward.
Eu estava usando naquele dia um short jeans curto, com uma blusa branca, um lenço no pescoço preto e branco, meus cabelos soltos, um chapéu preto no topo da minha cabeça. Em meus pés as botas que Ed me deu de presente e em meu pulso esquerdo a pulseira de diamantes que ganhei dele, além dos brincos.
Rosalie foi quem abriu a porta da mansão para mim, usava botas de cano curto, um vestido florido e uma jaqueta, também tinha um chapéu, ela e Esme, assim como Leah, receberam roupas da nossa equipe para aquele dia. Passei por ela sem conversa alguma, indo até o quintal onde a festa aconteceria, Tanya e Alistair estavam lá coordenando tudo, também já em suas roupas de festa para aquela noite.
— Cadê o Ed? — perguntei para minha amiga, dando uma olhada na decoração, o ar de fazenda estava ali.
— Lá em cima terminando de se arrumar — ela respondeu impaciente. — Ele tem estado uma diva o dia inteiro.
— Vou o colocar na linha — prometi, seguindo de volta para o interior da mansão, Rose estava lá com Esme, que usava um vestido branco e botas, e Leah, que usava uma saia longa com estampa de oncinha, com uma fenda na lateral e uma blusinha de alcinha que deixava parte de sua barriga à mostra, ela também tinha um chapéu.
— Olá, Isabella! — Esme me cumprimentou.
— Oi. — Parei perto de Leah que tinha um sorriso nervoso no rosto. — Está tudo bem, Leah?
— Sim, tudo ótimo — respondeu.
— Excelente, espero que não tenhamos nenhum problema, né?
— Não teremos — garantiu.
Ela sabia muito bem que eu estava falando sobre sua tentativa de foder com Ed, aquilo poderia causar problemas no namoro falso e eu não podia deixar o teatrinho que construí ser abalado.
— Bom ouvir isso. — Bati um dedo na ponta do seu chapéu e segui o caminho que fazia até o quarto de Ed, entrei sem bater, aproveitando que a porta não estava trancada. — Oi, Betty!
Ele saiu do seu closet, com uma expressão furiosa no rosto. Estava usando suas roupas para a festa, uma camisa branca de mangas longas, com um colete preto por cima, que tinha suas iniciais bordadas, calça jeans escura e justa, botas marrons e um chapéu preto. Eu não podia negar quão gostoso ele estava, queria que me fodesse de uma vez.
— Eu odeio você, Isabella! — anunciou, apontando para si mesmo. — Já gravei o clipe na roça, já aturei seu pai e ainda terei que vestir isso? E meu quintal está uma verdadeira fazenda.
— A decoração está muito boa — falei.
— Que se foda, odeio essa merda toda!
— Bom, agora terá de lidar com isso, querendo ou não.
Ele suspirou e apertou a ponta do seu nariz.
— Não fique bravinho, Cullen. Mais tarde quando todos forem embora você vai me foder e vai gostar muito. — Ele me olhou atentamente, seus olhos pairando sobre minhas botas, então sorriu.
— Ok, pode ter algo de bom no tema roça. — Se aproximou de mim e tocou em meu pulso, onde a pulseira que me deu estava. — Ela fica boa em você.
— Diamantes e eu combinamos muito bem. — Sorri triunfante.
— Tenho uma surpresa.
— Um colar?
— Não. — Ele riu. — Vem comigo, Capitã. — Segurou minha mão e me puxou para fora do quarto, mas eu me desvencilhei do seu toque antes de que alguém nos visse.
— O que está tramando?
— Você já vai ver.
— Cadê o Shrek e a Mads?
— Os mandei para um hotel de cachorros pelo dia — contou. — Não queria eles no meio da bagunça, desce mais rápido, Isabella! — exigiu quando eu estava no meio da escada.
— Calma!
Logo estávamos no quintal, Edward andou até o palco — ele e meu pai cantariam Johnny Cash antes da exibição do clipe no telão ali atrás no momento que o vídeo fosse publicado — e me fez subir com ele, me colocou perto do microfone e disse algo para o cara cuidando do som. Então, eu vi nos monitores na frente do palco a palavra Karaokê e ri.
— Não, Edward! — falei, sabendo que aquilo era ele arranjando um meio de eu cantar.
— Por favor, por favor, por favor — pediu, seus olhos brilhavam e ele sorria. — Eu canto com você se quiser, só uma música.
— Por quê?
— Você passou dias turbulento essa semana, precisa de diversão.
Suspirei, assentindo por fim.
— Okay, eu topo! — Edward sorriu ainda mais. — Qual música?
— Isso será uma surpresa, Capitã!
— Que seja. — Peguei meu celular do bolso e tirei uma foto do microfone, decidi postar, a legenda foi:
“Lá vamos nós!”
***
Minutos antes de dar meia-noite, Ed e meu pai subiram no palco para cantar. Os convidados daquela noite eram amigos, familiares e patrocinadores, não tínhamos fãs — mas a apresentação deles estava sendo transmitida ao vivo por suas redes sociais —, nem jornalistas no meio.
Apesar dos dois viverem se desentendo, eram bons no palco e cantaram Johnny Cash de forma perfeita aquela noite. Assim que a canção acabou eles deixaram o palco e todos se concetraram no telão, onde o clipe de Johnny Cash começou a ser exibido. O resultado final também ficou perfeito, o que me deixou em êxtase, minha música tinha um clipe e ele era maravilhoso.
— Obrigada! — agradeci Ed quando ele foi até mim depois da apresentação do clipe.
— Por? — perguntou confuso, tirando o chapéu de sua cabeça.
— Por ter insistido para gravar minhas canções — sussurrei. — Parece que isso não é nem verdade! — Apontei para o telão, outra música tocava, mas na tela ainda víamos cenas do clipe.
Edward sorriu e assentiu.
— Eu que agradeço por ter me deixado gravar suas canções, Capitã. Elas são maravilhosas! — Eu quis o beijar naquele momento, mas não podia por conta de toda aquela gente por perto.
— Ed! — o grito nos fez olhar para Stefan, que Edward tinha convidado para a festa, ele segurava uma garrafa de cerveja em mãos e se aproximou da gente. Não tínhamos como não servir álcool na festa, mas eu estava de olho em Ed e Tanya tinha proibido todo mundo do bar montado ali de dar algo que não fosse água ou refrigerante para o Cullen. — E aí, gostosa? — Stefan piscou para mim e eu quis dar um tapa na cara dele, era um idiota, Ed sempre fazia alguma merda com ele por perto, como quebrar o pé, ou trair a namorada. Quando o vi chegar na festa aquele dia quis o expulsar, mas seria um tumulto.
— O que você quer, Stefan? — Edward perguntou.
— Meu papo é com a sua empresária gostosa — falou rindo para Edward, se voltando para mim, estava claramente bêbado. — Vi a sua entrevista ontem, se quiser gravar sexo comigo é só pedir que topo na hora. Posso te foder agora mesmo, quer que eu goze na sua cara ou no seu rabo? Sua boceta fica por último.
Eu prendi a respiração, chocada com o que ele tinha falado. Não era nem de longe a primeira vez que um homem que eu não estava envolvida de alguma forma me tratava daquele jeito, mas ainda era nojento de qualquer forma.
— Então, o que vai ser? — Stefan insistiu.
— Cala a porra da sua boca e vai embora! — Edward ordenou com raiva. Stefan e eu nos voltamos para ele, seu amigo riu.
— Qual é, cara?
— Stefan, vá embora agora, ou eu chamarei os seguranças para te colocarem para fora daqui — Edward disse entredentes. — Você está bêbado e sendo um filho da puta com a Bella, não vou permitir isso.
— Você é uma bichinha, Cullen, isso sim! — Stefan exclamou revoltado. — Tô caindo fora mesmo, pede pra algum macho escroto bater uma punheta pra você, seu bicha! — Enfiou a garrafa de cerveja na mão de Edward e seguiu para longe, vi Emmett por perto e indiquei com a cabeça que ele devia o seguir, depois arranquei a garrafa da mão de Edward.
— Ele é um babaca, desculpe por isso, Bella — pediu.
— Ele está bêbado. — Dei de ombros.
— Isso ainda faz dele um babaca. — Bufou e vi que ele estava começando a se agitar demais com um pé batendo sem parar no chão e mexendo uma mão sem parar no cabelo.
— Que tal irmos cantar agora? — sugeri, vendo um pequeno sorriso se formar nos seus lábios.
— Vamos nessa, Capitã!
Seguimos até o palco juntos, no meio do caminho me livrei da garrafa de cerveja de Stefan, eu não estava bebendo aquela noite e depois da minha entrevista no sábado passaria a evitar beber em público. Ed falou com o cara do som novamente, a música que tocava foi interrompida e Ed falou em um dos microfones.
— Olá, primeiramente queria agradecer mais uma vez pela presença de todos aqui para o lançamento do clipe de Johnny Cash. Nenhum de nós estaria aqui hoje para prestigiar este videoclipe se a canção não tivesse sido escrita pela minha empresária. — Apontou para mim, eu sorri e senti minhas bochechas corando quando Ed e todos os outros aplaudiram. — Ela fez um excelente trabalho na composição, mas também é uma excelente cantora e essa noite aceitou cantar uma música comigo. — Ele fez um sinal para o cara do som e vi o nome da música no monitor a minha frente, tentei não rir, mas soltei uma risadinha.
Ele tinha escolhido Fuck You da Lily Allen. Nós dois nos posicionamos diante os microfones e Edward indicou que eu deveria começar cantando.
— Look inside. Look inside your tiny mind. Now look a bit harder. ‘Cause we’re so unispired. So sick and tired. Of all the hatred you harbour.*
— So you say. It’s not ok to be gay. Well I think you’re just evil. You’re just some racist. Who can’t tie my laces. Your point of view is medieval* — Ed cantou sozinho aquela parte, então o refrão cantamos juntos. — Fuck you (fuck you). Fuck you very, very much. ‘Cause we hate what you do. And we hate your hole crew. So please don’t stay in touch.*
Depois do refrão não conseguia parar de sorrir, foi sorrindo que cantei o resto da canção com Edward. Quando acabou ele foi o líder de uma nova salva de palmas, enquanto dizia ao microfone.
— Essa foi Isabella Swan, senhoras e senhores!
Fiz um gesto de reverência ao público, depois abracei Ed rapidamente em agradecimento. Eu ainda estava louca para o beijar, mas ainda não podia.
***
Quando a festa acabou, a equipe de limpeza começou a entrar em ação para tirar toda a decoração e levar para bem longe o resto de bebidas, maços de cigarros esquecidos e o lixo todo. Já era quase cinco da manhã, depois que Ed e eu cantamos no karaokê todos se animaram e quiseram cantar também, ele cantou tanto com diversos convidados, que estava até mesmo rouco e começando a reclamar de dor de garganta.
Então, enquanto a casa ainda estava movimentada com a equipe de limpeza — sendo supervisionada por Tanya e Alistair —, sugeri que Ed e eu fossemos para sua sala de música. Sua mãe, irmã e falsa namorada ainda estavam lá fora e acordadas, quando elas fossem dormir e Tanya tirasse todo mundo de casa, ele e eu poderíamos foder.
— Porra, não aguentava mais um minuto em pé! — me queixei quando sentamos no sofá, isso porque os saltos das minhas botas nem eram tão altos assim. Ed puxou minhas pernas para cima do seu colo e começou a tirar minhas botas. — O que está fazendo, pirralho?
— Vou fazer uma massagem — falou, deixando as botas no chão. — O fisioterapeuta que cuida do meu pé sempre faz uma que melhora muito a dor.
— Oh, puta merda! — gemi quando ele apertou meu pé direito em suas mãos. — Eu acho que preciso conhecer seu fioterapeuta — falei, gemendo mais quando Edward continuou a massagem.
— Ele é velho.
— Quão mais velho?
— Sei lá, uns quarenta anos?
— Isso não velho demais para mim. — Ele riu, tirou seu celular do bolso e jogou para mim.
— Coloca algo para tocar.
Fiz o que ele mandou, colocando em uma playlist no seu Spotify de músicas antigas, deixando no aleatório. A primeira música, para meu tormento, foi God Only Knows. Ela me fazia pensar em Paul, a última pessoa que queria em minha mente. Eu estava quase surtando, quando ouvi Ed começar a cantar.
— I may not always love you. But long as there as stars above you.* — Ele tinha fechado seus olhos, a cabeça tinha sido repousada no encosto do sofá e continuava massageando meus pés. — You never need to doubt it. I’ll make you so sure about it.*
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Porra, eu não podia esperar mais um segundo para o beijar. Tirei meus pés de suas mãos, o que fez com que ele me olhasse, logo eu estava sobre seu colo no sofá, segurando seu rosto e o beijando, era tudo que queria durante toda a noite.
Porém, fomos interrompidos. Meu celular tocou no bolso do meu short.
— Não atende — ele pediu quando afastei nossos lábios.
— Pode ser a Tanya — sussurrei e peguei o celular, como imaginei era minha amiga, atendi a ligação. — Oi.
— Bella — falou, estava nervosa. — Acabei de ficar sabendo, aconteceu um acidente.
Olhei para Edward, que sorriu para mim e afastou uma mecha de cabelo do meu rosto.
— Com quem? — perguntei, temendo sua resposta.
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