Hollywood

47 Capítulo Quarenta e Seis


Notas iniciais
Olá! Eu ia postar esse capítulo só de noite, mas virei a madrugada escrevendo e aqui estamos haha Como não dormi, pode ter muito erro, perdoem a pessoa acordada por tanto tempo! Vou responder os comentários do capítulo passado assim que eu conseguir um tempo para isso, prometo. Por favor, não deixem de comentar. Ah, estamos na reta final da segunda fase da fanfic, que irá até o capítulo 50 (CINQUENTA) pela minha contagem, a que aparece os números do capítulo por extenso, não a do Nyah. —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre! —-- Boa leitura!

Capítulo Quarenta e Seis

Isabella Swan

“Isabella Swan é internada após overdose!”

Aconteceu na noite de uma sexta-feira, cerca de quatro semanas depois do vídeo do Escândalo Swan ser vazado. Minha mãe já estava fora da minha vida, Paul tinha me fodido, minha carreira tinha sido arruinada e eu me sentia uma puta, com mil doenças contagiosas que todos queriam jogar pedras para punir, eu já estava morta por dentro.

Naquela noite meu pai precisou ir trabalhar, em Los Angeles mesmo, ele tocaria só duas músicas no show de aniversário de um amigo de longa data e voltaria para casa. Ele não queria ir, tinha medo de me deixar só, eu o convenci a ir, não queria Charlie em casa quando acontecesse.

Não estava premeditado de fato, mas a cada noite quando eu tomava uma dose daquele remédio — receitado uma semana depois do Escândalo Swan quando meu pai arrastou um médico para casa, pois eu não dormia direito há dias —, pensava que seria mais fácil tomar tudo de uma vez e sabia que esse dia chegaria. Foi naquela sexta-feira, depois das minhas irmãs dormirem, depois que eu liguei para minha mãe e ela não me atendeu, depois que percebi que se eu morresse ela não se importaria.

***

Eu odiava Ed Cullen.

Pelo menos eu deveria o odiar, não me importar minimamente com ele e o colocar para fora da minha casa. Mas, eu era uma idiota e sabia que ele estava sofrendo.

Ainda tinha nojo dentro de mim pelo o que ele me disse no dia do funeral de Stefan, mas eu também tinha passado os últimos dias fodidamente preocupada com aquele filho da puta. Eu não sabia como era perder um amigo como ele perdeu Stefan, mas eu já tinha perdido muito na minha vida e podia imaginar como era o sentimento.

E eu queria, muito, não me importar com Edward, mas já tinha visto ele em muitos momentos de merda para saber que se continuasse o ignorando ele só ficaria pior. Ele clamava por atenção, ele se fazia de fodão super convencido e dono do mundo, mas era só um cara inseguro pra caralho.

Eu sabia bem como isso era, sabia como as coisas funcionavam na mente dele, pois era como funcionavam na minha e sabia para onde elas poderiam o levar. Ed Cullen não poderia morrer, a estrela gerando muitos dólares em minha conta teria de continuar viva. E, por mais que eu só tentasse pensar nele como alguém que trabalhava para mim, desde o funeral e suas palavras afiadas, eu tinha caído naquela merda de realmente o ter como um amigo como ele insistia desde meu retorno para Los Angeles.

Porra, eu era uma fodida amiga de Edward Cullen!

— Eu mereci isso — ele murmurou depois do meu tapa.

Eu assenti, minha mão ainda formigava por conta daquilo, segurei o pote com o bolo com ambas as mãos, contendo a vontade de socar Edward. Não só pelo o que ele disse na última vez que nos vimos pessoalmente, mas por sua bebedeira dias atrás.

— Podemos conversar agora? — perguntou, enquanto fechava e trancava a porta.

Não respondi, mordendo minha língua. Edward suspirou e se aproximou de mim, eu me afastei, mas me detive quando suas mãos encontraram meu rosto.

— Me desculpa — ele pediu, seus olhos verdes focados nos meus. — O jeito que te tratei e falei com você naquele dia foi muito errado, fodidamente errado. Você faz um monte por mim, não só como empresária, mas como amiga. Me ajudava em qualquer merda mesmo quando estava longe e eu já perdi a conta de quantas vezes me ajudou com minhas crises, mesmo logo quando nos conhecemos. E você me deixou cantar suas canções, que você mantinha em segredo por mais de uma década. Eu sei que você não pensa só em si mesma, me desculpe por ter dito aquilo.

Ele tirou suas mãos de mim, mas não desviou o olhar.

— E, porra, eu nunca deveria mesmo ter dito que a morte do Stefan era sua culpa. Ou que você era uma… — Ele engoliu em seco. — Puta, que teria fodido com ele mesmo após toda a merda que ele disse na festa.

Eu desviei o olhar, encarando o pote em minhas mãos.

— Você não faz ideia de como é ficar ouvindo essas merdas — sussurrei. — Eu lido com propostas de sexo que não quero desde os dezenove anos quando aquele maldito vídeo foi divulgado, sei que tem muita gente por aí dando em cima de você e falando coisas sexuais, mas é diferente comigo. Todo mundo pode ver aquele vídeo, ver as coisas que falo e faço, eles acham que por isso eu tenho a obrigação de fazer com qualquer um. — Olhei de volta para ele, que me escutava atentamente. — É divertido provocar e flertar, eu deixo você fazer isso comigo, mas é o ponto, eu permito. Stefan chegou já falando sobre gravar outro vídeo daqueles, sobre gozar na minha cara. — Senti as lágrimas nos meus olhos.

— Eu sei que ele estava errado de ter dito aquilo — Edward falou. — E se você nunca me perdoar por eu ter dito que você iria pra cama com ele mesmo após isso, eu vou entender.

— Não quero mesmo te perdoar. — Apertei com mais força o pote. — Quero te socar até você sangrar.

Ele deu um sorriso pequeno.

— Eu aceito.

— Vá se foder, Cullen.

Edward voltou a ficar mais perto, mas daquela vez beijou o topo da minha cabeça.

— Me desculpa, Isabella.

Respirei fundo e murmurei:

— Tudo bem, você estava em um mau momento. — Ele olhou para mim aflito. — Obviamente ainda está. Como se sente hoje?

— Melhorando — respondeu, seus olhos também tinham lágrimas.

Gesticulei com o pote e perguntei:

— Vamos comer? Apesar de você não estar merecendo. — Ele sorriu mais um pouco, eu sorri também e o fiz andar até a cozinha. Peguei garfos e nos sentamos ao balcão.

O bolo de Esme tinha cheiro e aparência maravilhosos, além do mais eu estava faminta depois de uma noite insone. Tinha decidido ter uma noite de merda lendo o que falavam de mim na internet, eu ainda era uma vagabunda para a massiva maioria e Paul um santo.

O odiava mais a cada dia, às vezes me pegava pensando em ser o alvo de suas juras de amor online — ele postava muito sobre Julia —, mas quando lembrava daquele dia no depósito sentia nojo. E medo, ele era um monstro, tinha me machucado, me ameaçado, me feito mentir e colocar em mim mesma a coroa de vagabunda mor de Hollywood.

— Você estava tentando se matar quando bebeu? — perguntei para Edward.

— Queria que parasse de doer — murmurou olhando para o bolo.

— Eu devia encerrar o contrato com Leah por ela te expor dessa forma. — Edward me olhou em expectativa. — Mas você sabe que as coisas não funcionam assim, o namoro de vocês está indo muito bem. — Comi um pedaço do bolo antes de perguntar. — Você quer acabar com isso?

Ele pensou por um tempo e respondeu:

— Não, sei que está ajudando minha carreira e não é como se ela tivesse colocado a bebida na minha mão.

— Ela deixou exposta.

— Eu poderia ter roubado de você.

— Você não perderia seu tempo com bebida se estivesse comigo, estaríamos fodendo. Você estava transando com ela, não?

— Sim. — Fez uma careta, comendo um pedaço do bolo e falando de boca cheia. — Nem pergunta como foi.

— Imagino que tenha sido ruim. — Observei a mão dele enrolada em curativos. — Você quer cancelar a turnê, Edward?

— O quê? Não! — ele respondeu rapidamente. — Nem pensar, sei que as turnês são cansativas e eu vou acabar ela esgotado, mas preciso dessa turnê, de verdade. Você ainda está vindo, não?

— Estou — confirmei. — Mas não sei se você deve mesmo ir, talvez precise de mais um tempo na reabilitação, não quero que tenha mais problemas.

— Eu não preciso ir pra reabilitação, sei que vacilei, mas prometo administrar isso aqui fora. — Estava incerto de suas próprias palavras, mas eu sabia que ele precisava mesmo de sua turnê acontecendo para sentir que as coisas estavam em ordem.

— Ok, planejei as datas para você ter o maior tempo possível de intervalos grandes. Vou conversar com seu terapeuta, seu médico para ver qual dos dois pode ir junto e estar a sua disposição em casos de crise. Sua instrutora de Yoga e seu personal trainer devem ir também. E vamos cancelar quantos shows forem necessários se você estiver se sentindo mal, entendido? Pior do que você em uma reabilitação seria passar mal em pleno show, não queremos isso.

— Certo, como você achar melhor — falou. — Prometo que não vou me forçar a nada além dos meus limites. — Ele comeu mais um pouco antes de dizer. — Eu quero mesmo que essa turnê dê certo.

— Ela dará, mas não vamos te colocar em risco. — Afastei o pote do bolo dele antes de Edward comer mais. — Pare de pegar meu bolo, você já comeu muito.

— Só mais um pedaço. — Enfiou o garfo no doce.

— Sua mãe manda muito bem nisso, ela deveria ter a própria confeitaria — declarei.

— Então, falando na minha mãe, eu perguntei a ela porque não trabalhou com música.

— E aí?

— Pra começo de conversa, tinha um Elvis envolvido. — Olhei para Ed, interessada no que ele tinha para falar. — E ela era uma rebelde.

— Ok, preciso de mais detalhes.

***

Edward acabou de narrar a história de Esme e eu afirmei:

— Não acredito que sua mãe tinha um esquema de deveres de casa. — Ele riu, raspando o resto de cobertura do bolo. — E que ela tentou fugir, agora isso explica você ser um rebelde.

— Eu sei, nunca teria herdado uma característica dessas do meu pai. — Edward acabou com a cobertura e falou. — Chamei meu pai para o meu primeiro show.

— Ele vem? — perguntei, recolhendo a louça suja e largando na pia. Troquei a água e comida de Amy, ela ainda estava dormindo no meu quarto quando Edward chegou, mas deveria acordar logo.

— Não faço ideia, nós brigamos de novo, como sempre — ele murmurou. — Bom, o convite foi feito.

Eu apoiei meus braços no balcão, ficando perto de Edward. O músico percorreu seus dedos pela tatuagem que eu tinha em meu antebraço esquerdo, o Dente de Leão com suas pétalas voando até meu pulso, a mistura de algumas cores em aquarela por baixo e a frase escrita: Sometimes when you fall, you fly.

— Você fez isso…

— Depois que sai da reabilitação — completei. — Meio idiota, mas vi a frase em uma cafeteria em New York e gostei.

— As vezes quando você cai, você voa — ele sussurrou a frase, ainda tocando na minha tatuagem. — E o Dente de Leão?

— O tatuador disse que significava liberdade, otimismo e… Esperança, era tudo que eu mais precisava depois de todos aqueles problemas.

Edward assentiu, tocando na minha pele uma última vez antes de tirar seus dedos de mim. Seus olhos e os meus se encontraram, ele parecia que choraria a qualquer momento.

— Por que você quis se matar?

A pergunta dele me pegou de guarda baixa.

— Você não assistiu minha entrevista para Senna? — questionei, a resposta para aquela pergunta tinha sido dada lá.

— Assisti, mas gostaria que você fale sobre isso agora.

Afastei meu corpo do balcão, mas ainda olhava Edward nos olhos, eu não conseguia desviar o olhar. Por fim, respondi:

— Eu também queria que parasse de doer, Edward.

Assim como ele e sua bebida.

— Você tentou outras vezes? — perguntou.

— Você quer mesmo falar sobre isso? — perguntei.

— Sim, além do meu terapeuta e do meu médico não sou capaz de falar sobre isso com mais ninguém. Jasper não entenderia, minha mãe e minha irmã sofreriam mais com uma conversa franca sobre o assunto e meu pai está fora do jogo.

— Vamos lá pra sala. — Indiquei com um aceno de cabeça, nós fomos e nos sentamos juntos no sofá. Eu fiquei sentada de lado sobre o estofado, passando minhas pernas por cima das de Edward, ele apoiou uma mão em um dos meus joelhos, exposto uma vez que eu usava somente um short jeans e regata aquela manhã de domingo. — Eu nunca tentei de novo, de fato — respondi sua pergunta. — Mas já quis, várias vezes, quando acontece eu preciso dar tudo de mim para me lembrar de que não posso fazer algo assim, porque tem gente que sairia machucada e sofreria.

— Sua família.

— Especialmente. — Dei um pequeno sorriso. — Sei que meu pai e minhas irmãs são todos adultos, mas eles precisam de mim. E eu vi como eles sofreram depois da minha overdose, se eu tivesse morrido teria sido um golpe muito forte neles e não quero que eles passem por algo do tipo. Além do mais, eu sei que não quero morrer de verdade, só quero abafar a dor, isso é algo muito difícil de se lembrar na hora, mas é a verdade.

— Qual foi a última vez?

— Alguns dias atrás — sussurrei.

Eu não deveria falar aquilo, sabia que não, mas já tinha tido provas suficientes de que Edward e eu podíamos muito bem guardar os segredos um do outro. Era por isso que fodiamos, não? Eramos confiáveis.

— Lembra daquele dia que você veio aqui e eu estava com alergia?

— Não tinha alergia alguma, né?

— Não — confirmei. — Naquela madrugada eu me encontrei com Paul. — Edward me encarou surpreso. — Ele me ameaçou a dizer aquilo tudo sobre o Escândalo Swan. — Lágrimas cruzaram meu rosto, eu me sentia aliviada em finalmente compartilhar aquilo com alguém. — Ele tem mais vídeos meus.

— Puta merda, Capitã. — Apertou meu joelho, parecendo apavorado com aquilo.

— Iria vazar cada um deles se eu não assumisse a culpa do Escândalo Swan, ele pecisava disso para ter sua barra totalmente limpa, sua noiva estava sendo irritante com ele sobre o assunto e Paul precisa dela e do dinheiro do pai dela para os negócios que pretende construir.

— Você… Podia ter denunciado ele, sei lá, ter feito algo em retaliação!

— Não é assim que funciona, se eu tentasse algo contra Paul ele devolveria na mesma moeda, Edward.

— Você não teria mentido sobre aquilo — disse aflito, eu coloquei uma mão sobre a dele.

— Foi a melhor saída, se eu tentasse algo contra Paul ele jogaria pesado contra mim de volta, não só os vídeos, mas expor nosso caso.

Edward franziu o cenho.

— Com nosso caso você quer dizer…

— Você e eu.

— Ele sabe. — Edward deduziu.

— Ele sabe, provavelmente gravou nossa conversa quando me disse que sabia sobre você e eu fodendo por aí. — Funguei. — E eu já estava tão na merda naquele dia, com ele me ameaçando, me machucando. — Raiva iluminou os olhos de Edward. — Que eu confessei. Por isso precisei dançar conforme a música de Paul e assumir a culpa sobre tudo, ou o desastre seria muito pior.

— Você deveria ter deixado, não me importaria em ser exposto.

Ri, sem realmente achar graça.

— Eu não deixaria isso acontecer, não estamos dando duro na sua carreira para que ela se perdesse novamente por minha culpa.

— Não é sua culpa, é culpa do Paul.

— Tanto faz. — Tirei a minha mão da dele. — Está acabado agora, ele conseguiu o que queria e eu não fui mais exposta, nem você, nem ninguém próximo se prejudicou.

— Você devia fazer algo contra esse filho da puta, Isabella — disse furioso.

— Ele ainda pode retaliar, Paul é muito esperto, Edward. — Limpei as lágrimas do meu rosto. — E eu estou farta dessa briga com ele, está feito agora, só me resta esperar a poeira abaixar.

Amy apareceu na sala, o que distraiu Edward quando ela pulou no sofá ficando perto dele. Eu apoiei minha cabeça no encosto do sofá, vendo-o brincar com ela com uma mão, enquanto mantinha a outra sobre meu joelho, mexendo o polegar sobre minha pele.

— Pirralho?

Ele olhou para mim.

— Você não vai contar sobre isso para ninguém, vai?

— Não — murmurou. Amy pulou para o outro sofá, indo atacar seu ratinho de brinquedo.

— Nem vai querer bancar o super herói, certo?

Ele suspirou, ficou em silêncio pelo o que pareceu uma eternidade e respondeu:

— Não, mas alguém deveria quebrar a cara daquele filho da puta do Paul.

Não falei nada, fechei meus olhos e tentei me concentrar somente na mão de Edward em meu joelho.

— Bella?

— Sim.

— Preciso te contar algo. — Abri meus olhos, Edward me olhava. — Eu deveria ter falado antes, mas você estava envolvida no caos do escândalo e depois disso veio a morte do Stefan, então eu omiti a verdade de algo.

— Do que está falando?

— No dia da festa do programa de Alice — começou. — Renée não queria apenas que eu participasse do programa da sua irmã, ela me ofereceu um reality show próprio. E ela tentou me pegar.

— Ela o que? — gritei, ele fez uma careta.

— Ela deu em cima de mim, foi bem nojento.

Ah, puta merda, Renée tinha tentado foder com Edward? Aquilo era muito nojento mesmo, muito, muito!

— Eu a cortei rapidamente, óbvio — ele se apressou em falar, eu me senti enjoada e querendo vomitar todo o bolo que comi com a ideia dele e Renée fodendo. — Foi mal não ter dito nada antes, mas…

— Ok, fica quieto — pedi, tirando minhas pernas de cima das deles.

Porra, tão nojento!

— Alice sabe?

— Eu acredito que Renée não compartilhou nada disso com sua irmã. Mas, eu não contei para ninguém.

Assenti.

— Ela te beijou?

Nojento!

— Eca, não! — Ele estremeceu. — Ela é velha!

— Eu também sou — disparei, ele revirou seus olhos verdes.

— Muito diferente, não é, Capitã? Ela poderia ser minha mãe. — Fez uma careta que poderia estar muito semelhante a minha. — Não aconteceu nada, ela só provocou e falou do programa, eu a tirei do meu caminho e cai fora.

— Ela é uma filha da puta! — esbravejei. — Que nojo! — Renée tinha tentado pegar Edward, eu não devia estar surpresa o quão baixa ela era. — Você não quer esse maldito programa, quer?

— Não mesmo! — respondeu. — Seria um inferno, estar sob o olhar de câmeras direto. Além do mais, ter Renée como produtora de qualquer coisa? Não mesmo. Ela ia ficar tentando…Você sabe.

— Eca, para de falar nisso — exigi, Edward assentiu.

— Pode deixar. — Ele bocejou, eu notei como ele estava cansado no momento que bateu a minha porta, pálido, com olheiras e até parecendo mais magro.

— Por que você não vai para minha cama dormir um pouco? Precisa descansar.

Ele bocejou de novo.

— Não dormi nada noite passada.

— Imagino, vai pro quarto dormir um pouco, eu te acordo mais tarde para você dar o fora.

— Valeu, Capitã — agradeceu, se colocou de pé, mas antes de se afastar beijou minha bochecha, o que fez com que eu me arrepiasse. Então, ele estava fora da sala, eu busquei por meu celular, que estava na estante e disquei o número de Alice.

— Oi! — ela atendeu sem fôlego, devia estar malhando ou transando. Torci pela primeira opção.

— Preciso que você dê um recado a Renée por mim. — Alice parou de respirar. — Diga a ela para ficar longe do Edward, ele não aceitará nenhum programa que ela tenha a oferecer. — Não esperei uma resposta da minha irmã, desliguei a chamada e devolvi o celular para onde ele estava antes.

Segui até meu quarto, Edward já estava deitado na cama, tinha tirado seus tênis e camiseta. Eu tirei meu short, ficando só de calcinha e regata, indo para a cama com ele, também precisava dormir.

O Cullen abriu os olhos, ainda não tinha dormido. Ele se moveu na cama, tentou me beijar, mas eu o impedi.

— Não.

— Nunca mais?

— Só por um tempo — sussurrei. — Você precisa se recuperar depois dos últimos dias e eu sei que te desculpei pelo o que aconteceu, mas realmente preciso esquecer primeiro aquilo que disse antes da gente voltar a foder.

Ele assentiu e beijou meu rosto.

— Me desculpa, de novo.

— Dorme. — Passei minha mão por seu rosto, ele fechou seus olhos, eu fechei os meus.

Ele não tentou me beijar de novo, mas me colocou contra seu peito e eu não me afastei. Edward começou a chorar, eu afaguei suas costas e o deixei chorar, ele precisava daquilo. Não era fácil ser amiga de Edward Cullen, mas eu não estava mais recusando o cargo.

***

Quando Edward e eu acordamos já era sete da noite, nós dois realmente precisávamos dormir. Ele logo foi embora, dizendo que precisava ir para sua casa e garantir a sua família que estava vivo, mesmo que ele tenha respondido mil mensagens de Esme e Rosalie assim que acordou.

Eu também tinha mensagens de Rosalie em meu celular, perguntando se seu irmão estava comigo, afinal nós duas vínhamos nos comunicando desde o funeral de Stefan quando Edward e eu brigamos. Falei com ela naquele dia, disse que não estava mais falando com seu irmão, mas que precisaria dela sendo minha informante, eu não contei o que tinha acontecido na nossa briga, mesmo com Rosalie querendo saber, mas ela topou me passar informações sobre Ed.

— Ed — falei antes de ele deixar meu apartamento. — Não estava rindo no funeral do Stefan, eu estava sorrindo porque lembrei do karaokê na festa de lançamento do clipe de Johnny Cash.

Ele prendeu a respiração e pareceu cheio de culpa.

— Não fiquei feliz com a morte dele, eu realmente sinto muito pelo o que aconteceu. — Toquei no braço de Edward, que voltou a respirar e levou seus lábios a minha testa.

— Me perdoa — disse baixinho.

— Eu já perdoei.

Ele beijou minha pele outra vez antes de se afastar.

— Preciso ir.

— Até mais.

Edward abriu a porta e saiu, eu a fechei e fui cuidar de reabastecer os mantimentos para Amy. Tinha um lugar para ir aquela noite.

***

Santiago abriu a porta, ele sorria de orelha a orelha.

— Olha só, Bella!

— Ei, tem tinta no seu rosto — observei.

— É, eu tenho uma filha de seis anos, isso é até pouco — ele falou rindo. — Não sabia que estava vindo — falou, me deixando entrar no apartamento.

— Não estava nos planos, Tanya está?

— Sim, lá no quarto da Tina.

— Você pode chamar ela para mim? — perguntei quando chegamos a sala de estar. — Preciso falar com ela.

— Claro — ele concordou. — Vai jantar com a gente? Vamos pedir sushi mais tarde.

A proposta era tentadora, mas eu ia voltar para casa depois de conversar com Tanya.

— Não, obrigada.

— Beleza — ele concordou e subiu as escadas, logo Tanya apareceu, também sorria e tinha o rosto e cabelos sujos de tinta.

— Bella!

— O que diabos vocês estão pintando lá em cima? — perguntei.

Ela riu e beliscou minha bochecha.

— Santiago e eu demos telas de pintura para Tina e estamos brincando com isso, talvez aconteceu uma guerra de tinta entre ele e eu.

— Nossa, muito adulto — provoquei, sentando no sofá, ela revirou os olhos, mas não parava de sorrir.

— O que veio fazer aqui? Vai ficar para jantar? Vamos pedir sushi — disse entusiasmada, sentando ao meu lado.

— T, precisamos conversar. — O sorriso sumiu do rosto dela.

— Sobre Paul?

— Sobre Paul.

Ela precisava saber, eu não podia mais deixar minha melhor amiga de fora.

***

Eu contei tudo, desde meu encontro com Paul no dia do leilão no ano anterior. Falei sobre quase ter usado cocaína aquele dia, falei que estar com Paul naquele dia me motivou a ir para a turnê com Kate. Contei sobre as ligações e mensagens de Paul quando voltei. Falei sobre ele me abordando na festa que nos encontramos. E principalmente, contei sobre o dia no depósito.

Tanya tinha me colocado no seu colo assim que acabei de contar, deixando com que eu chorasse em seus braços. Ela não disse nada a princípio, só ficou me consolando.

— Não podemos fazer nada? — perguntou por fim.

— Não.

— Ele pode estar blefando sobre os vídeos.

— Também pode ser verdade, não quero arriscar, T — murmurei, ela beijou minha cabeça. — Não faz nada, por favor — pedi.

— Bella…

— Por favor! — Ergui meu rosto para a olhar. — Promete.

Ela suspirou e disse:

— Não vou fazer nada, mas deveríamos. Quem mais sabe sobre isso?

— Só você e Edward.

Tanya me encarou surpresa.

— Edward?

— Sim.

— Por que você contou isso para ele? — Apenas dei de ombros. — Nem suas irmãs sabem?

— Não, Renesmee contaria para meu pai e ele mataria Paul com as próprias mãos, Alice iria ajudar a esconder o corpo.

Tanya assentiu.

— Era o que deveria acontecer mesmo.

— Tanya!

Ela bufou.

— Você confia que Edward não dirá nada disso para ninguém?

— Sim — respondi sem hesitação, Tanya me observou por um tempo e afagou meu rosto molhado por lágrimas.

— Amo você.

— Também te amo, obrigada por ser minha melhor amiga. — A abracei, chorando ainda mais por alguns minutos, foi quando ouvi a voz fina perguntar:

— Por que você está chorando, tia Bella? — Me afastei de Tanya e vi Valentina perto da gente no sofá.

— Ela está um pouquinho triste com algo, mas vai passar — Tanya disse para a filha, com suavidade em sua voz.

Valentina suspirou alto e olhou diretamente para mim.

— Vamos tomar sorvete, tia Bella — ela disse. — Vai ficar feliz com sorvete, eu sempre fico.

Eu tive de rir ao ouvir aquilo.

— Valeu, mas não vai rolar — respondi, ela ficou com um bico nos lábios, parecendo nada contente com a recusa. — Melhor eu ir agora — falei para Tanya.

— Não quer mesmo ficar para jantar?

— Não — neguei, ficando de pé.

— Ok. Tina, vai falar pro seu pai pedir o jantar, tá bom? E diga tchau para a tia Bella, ela já está indo embora.

— Tchau, tia Bella! — Tina exclamou ao agarrar minha perna, eu dei uma batidinha de leve em sua cabeça no gesto mais próximo de um carinho. — Vamos tomar sorvete outro dia?

— Claro! — debochei, Tanya me olhou com cara feia, mas não disse nada.

— Vai ser muito legal, tia Bella! — Tina comemorou e saiu correndo para a escada.

— Era melhor você ter ficado quieta, ela vai sofrer por não ir com você tomar o bendito sorvete — Tanya acusou.

— Estou a ensinando como as nossas expectativas nem sempre se tornam realidade — falei, seguindo com minha amiga até a porta.

— Bella. — Tanya me parou antes que eu pudesse sair. — O que você ainda sente pelo Paul? Ainda o ama? Ainda é apaixonada por ele?

Eu suspirei e me apoiei na porta.

— Acho que estou começando a tomar consciência de quão errado é sentir qualquer um desses sentimentos por ele — sussurrei. — Ele é um filho da puta, que me usou mais de uma vez e me machucou de várias formas.

— Você sabe então que não é saudável ser apaixonada por ele? Que tudo que ainda pode sentir por ele é só fruto da dependência que sente por ele pela forma como acabou, pela forma como ele te teve em suas mãos enquanto estavam juntos?

— Você acha que ele nunca me amou? — perguntei baixinho, sentindo meus olhos encherem de lágrimas.

Tanya respirou fundo antes de responder:

— Achar seria se eu tivesse alguma dúvida sobre e eu não tenho, tenho certeza de que ele nunca te amou. — Ela segurou em minhas mãos antes que eu pudesse desabar sozinha. — Você era só uma garota quando ele te conheceu, rica, famosa, com pais influentes. Renée o descartou e ele já tinha uma arma para usar se algo assim acontecesse, se ele tivesse continuado com você eu tenho certeza de que seria da mesma forma que é com Julia, apenas por interesse, apenas para benefício próprio. — Tanya limpou meu rosto, eu já estava com lágrimas na face.

— Eu seria a noiva dele? Sabe o quanto sonhei com isso?

— Eu não acredito que vocês ainda estariam juntos se tivessem noivado e casado — ela falou. — Paul teria usado e largado você em qualquer realidade, sei que isso deve ser muito difícil de ouvir, mas também acredito que você precisa ser exposta a verdade.

— Será que algum dia eu vou encontrar um cara que me ame de verdade? Não que esteja só querendo foder comigo, ou se aproveitar?

— James te amava — murmurou.

— E eu não o amava de volta, não da mesma forma. Sei que pareço durona, mas odeio me sentir sozinha e odeio a ideia de que vou morrer assim — confessei.

— Você não parece durona — ela falou. — Não para mim, pelo menos, provavelmente porque eu te conheço e já te vi de mil formas.

— Incluindo nua — tentei brincar, mas ainda estava deprimida.

Tanya riu.

— A questão é, sei que você quer alguém, foi justamente por isso que passou tanto tempo com James mesmo sem o amar como ele te amava. — Ela segurou em meu rosto. — Só não pense que Paul um dia irá mudar e ser o cara para você, ele não vai. E pensa bem, ok? Tenta se entender melhor, tenta sentir de verdade as coisas e as pessoas ao seu redor, seja mais verdadeira consigo mesma.

— Por que você não larga o Santiago e casa comigo? — brinquei, o que fez com que nós duas rissemos. — Eu me esforçaria para ser uma boa madrasta.

— Sinto muito, amo o Santiago, Bella. — Piscou para mim.

— Como você sabe que ama ele de verdade? Como se apaixonou por ele? — Ela sorriu.

— Quando eu o conheci, pessoalmente, sem ser por uma tela de TV o vendo em um personagem, ele me fez rir. Eu fui até ele, me apresentei e ele ficou chocado com a minha beleza — se gabou. — Eu disse meu nome e quando ele ia falar o dele se chamou de Tanya por estar nervoso, ele foi engraçado, doce, mas ao mesmo tempo estava fodidamente quente naquele smoking. — Eu já tinha ouvido a história antes, claro, mas na época não estava interessada nos detalhes romanticos da coisa. — Nós passamos o resto daquela noite conversando, eu sentia que poderia passar o resto da minha vida conversando com aquele homem sem cansar. E quando a noite acabou, Santiago me beijou e parecia certo, pareceu certo desde o primeiro momento para nós dois. Ainda sou apaixonada por ele, mas eu o amo agora, porque nós dois… — Ela parou para pensar tentando encontrar a palavra certa.

— Se completam?

— Não, eu não acho que se alguém precisa ser completado está pronto para amar outra pessoa.

— Paul e eu — percebi o que ela queria dizer. — Eu precisava completar uma parte minha e ele me deu isso, depois foi embora e eu fiquei com algo faltando.

Tanya assentiu.

— Amo Santiago porque ele e eu estamos lado a lado, mesmo quando algo dá errado e nos desentendemos, eu sempre sei que ele estará lá por mim e o contrário também. Há apoio, paixão, risos e é fácil. Nunca deve ser difícil amar alguém, pode ter dificuldades de fora, mas não de dentro, entre os dois deve ser fácil. — Ela me abraçou. — Você vai encontrar alguém.

— Vamos mentalizar, um cara japonês que faça sushi para mim todas as noites.

— Ou o dono de uma fazenda que te dê muito bacon — ela disse entrando na brincadeira.

— Porra, sim! — guinchei, adorando aquela ideia. — Ele deve amar fazendas mesmo e música country.

Tanya riu e eu olhei para ela.

— O que foi?

— Nada. — Balançou a cabeça e piscou para mim. — Você é doce.

— Não sou doce. — Revirei meus olhos. — E falando em doce, estou caindo fora, antes da sua filha me fazer tomar sorvete com ela.

— Ela te adora, você poderia ser melhor com a Tina.

— Ela é uma gracinha, longe de mim — provoquei. — Te vejo na produtora amanhã.

— Ok, se cuida… Você está bem?

— Sim. — Sorri para ela. — Foi bom contar sobre tudo isso para alguém.

— No caso Edward e eu.

— É, Edward e você.

***

Eu tinha acabado de voltar para meu apartamento, quando Alistair apareceu com documentos sobre a campanha publicitária que Edward faria com Leah para a Dolce & Gabbana.

— Olha o quanto de zero nesse cachê! — Alistair disse me mostrando o contrato que eu revisaria, depois os advogados e por fim Edward e sua falsa namorada assinariam.

— Eu vou tirar uma semana de férias em Bora Bora com a minha parte disso — decidi, Alistair riu.

— Como se você não pudesse passar um ano em Bora Bora sem sequer perder metade da sua fortuna — ele provocou, me fazendo rir, estávamos na cozinha vendo o contrato.

— Senti mágoa na sua fala, Alistair? Não estou te pagando bem o suficiente? — provoquei.

— Sem mágoas, chefe. Mas, eu amaria um aumento. — Sorriu largamente para mim.

— Vou pensar no assunto — respondi e peguei um vinho pra abrir. — Vamos comemorar os milhões desse cachê!

***

Alistair e eu fodemos, eu tinha que ter percebido que a noite acabaria assim quando peguei o vinho. Ou quando o convidei para ficar e pedi pizza para o jantar, ou quando eu calei a boca dele com um beijo quando ele falava sem parar sobre um novo cantor de Vancouver que eu deveria ouvir e pensar em agenciar.

Nós fodemos primeiro na cozinha, depois na sala, acabamos no meu quarto. Eu não tinha excedido no vinho, então todo o sexo foi porque realmente quis.

Foi bom, não maravilhoso, mas bom. E ele tirou a minha mente de todos os últimos problemas por algumas horas.

— Preciso ir — ele disse depois de me fazer gozar pela terceira vez, voltando para o quarto depois de pegar suas roupas esquecidas na cozinha.

— Beleza — falei já sonolenta, o vendo ir rapidamente no banheiro antes de voltar para o quarto. — Não conte pra ninguém — alertei, ele riu.

— Até parece, Bella — falou. — Você sabe que sei guardar segredos muito bem.

— Então, obrigada pelo sexo. — Estendi uma mão para ele, que devolveu o High five.

— Eu que agradeço. — Piscou para mim. — Ainda quero aquele aumento.

— Estou me sentindo usada — debochei, ele apenas riu e deu um tapa na minha bunda nua. — Sério, caí fora! — ordenei antes que eu voltasse a puxá-lo para cama.

— Você quem manda, Chefe.

Ele foi, depois eu fui trancar a porta e coloquei Amy no meu quarto. Fui tomar um banho e quando saí de lá, pronta para me jogar na cama e dormir, Renesmee me ligou.

— Eu vou me casar! — ela gritou antes que eu pudesse dizer algo. — Estou noiva, vou me casar, estou noiva. Nahuel fez o pedido, foi tão lindo, ele é tão perfeito, eu nunca me senti tão feliz.

— Você vai casar?

— Eu vou casar! — gritou mais. — Você e Alice serão as madrinhas com Lucy e Carmen. Ou eu deixo a Carmen no lugar de você sabe quem junto com o papai? Ainda não sei, só sei que vou me casar. Queria casar hoje mesmo, eu devia ir pra Vegas? Eu vou casar!

Oh porra, minha irmãzinha ia mesmo casar, antes de mim. Eu ia morrer só, já era uma certeza, nunca acharia um japonês sushiman, que teria fazenda de porcos, com muito bacon para me dar e um amante de música country.

***

Eu estava em uma ligação com Edward quando entrei no carro de Alice, nós duas iríamos para um jantar na casa de Renesmee — onde meu pai, Carmen e Lucy, colega de trabalho e amiga de Ness também estariam — e Nahuel para comemorarmos o noivado deles naquela segunda-feira. Ela, Renesmee, daria uma grande festa de noivado — como me contou em uma das milhões de mensagens que enviou durante o dia para falar mais sobre seu recém pedido de casamento —, mas isso só aconteceria no próximo mês quando eu já estaria viajando com a turnê de Edward, Ness não estava feliz com minha ausência nessa data, mas era o dia que seria melhor para ela, Nahuel e a família dele que viria do outro lado do país.

— E a sua mão? — questionei Ed.

— Melhorando, mas ainda incomoda muito pra tocar, então os ensaios hoje foram basicamente canto e um pouco de dança, mas eu cansei muito rápido dessa última parte e fiquei mais no canto — disse frustrado.

— Pega leve, a turnê é daqui a alguns dias e se você quer manter todas as datas tem que se preservar agora.

— Oh, você está falando com Edward? — Alice perguntou empolgada começando a dirigir. — Vão foder hoje?

— Alice! — gritei com ela, Edward riu.

— Falo com você amanhã, Cullen.

— Tá ok, não mata a Alice.

— Não vou… Quer dizer, não prometo nada. Tchau! — Desliguei.

— E aí? Quer uma carona pra casa dele depois do jantar?

— Não, não quero — respondi, checando minha maquiagem na câmera do celular. — Adivinha com quem fodi ontem.

— Edward?

— Não — resmunguei. — Outra chance.

— Jasper?

— Não, eu não falo com o Jasper desde o dia da festa, aliás — contei.

Alice e Renesmee me arrastaram para uma boate na sexta-feira, eu realmente não queria ir, mas elas ameaçaram me levar de pijama e eu me vi obrigada a me produzir e ir com elas. Alice também tinha convencido Jasper a ir, ele chegou depois da gente, nós passamos um bom tempo conversando, enquanto minhas irmãs curtiam, boa parte da conversa foi sobre Edward, que mais tarde — quando Jasper já tinha saído da festa com um amigo maquiador de Alice — naquela noite encheu a cara. Minha irmã, Alice, também tinha tirado uma foto de Jasper e eu no celular dele e postado com uma legenda que alguns interpretaram como se estivéssemos namorando, inclusive a fã do Twitter, Isaward Swullen, que queria que Edward e eu fossemos um casal tinha postado em sua conta a foto com uma legenda de pura tristeza.

“Não pode ser que Isabella está namorando justamente o melhor amigo do Ed, espero que seja mentira.”

— Não sei quem mais chutar — Alice falou.

— Alistair.

Ela tirou os olhos da pista para me encarar.

— Você tá de brincadeira?

— Não, você não se importa, né?

Ela gargalhou.

— Eu definitivamente não me importo, Bells — respondeu ainda rindo. — Sabe que Alistair e eu só fodiamos. Você gostou?

— É, foi bom. — Dei de ombros. — Não acho que vá repetir, no entanto. Cadê aquela mala do seu namorado mesmo? — perguntei me referindo a Randall Dwyer, não queria ele ali, mas queria saber por onde o filhinho do chefe de Renée andava.

Alice respirou fundo, qualquer sorriso morrendo do seu rosto.

— Ele tá me traindo.

— O quê?

— Encontrei um sutiã que não era meu no apartamento dele hoje de manhã — respondeu, olhando fixamente para a pista.

— Você o confrontou?

— Não, eu joguei o sutiã no lixo.

— Você está bem?

— Não, tô com medo dele me trocar por quem quer que seja essa vagabunda e eu perder minha mina de ouro.

— Alice…

— Olha, sei o que você vai falar e te digo que será uma discussão sem final, não vamos entrar nessa.

— Você quem sabe.

— Enfim, ele tá num jantar de negócios hoje, não pode vir. Está começando a ter mais controle na emissora, o que é muito bom. — Ela olhou para mim rapidamente. — O que era aquela ligação sobre Renée ontem? Eu juro que não sabia que ela estava ofertando um programa para Ed, pensei que só o convidaria para o meu.

— Só faça sua mãe ficar longe. — Liguei o rádio. — Não quero problemas com Renée, mas se ela me tirar do sério vai ter. — Música preencheu o carro, Alice e eu calamos a boca.

***

Renesmee estava muito feliz, eu nunca tinha a visto tão feliz até aquele dia. Minha irmã não conseguia parar de sorrir, de exibir seu anel de noivado e agarrar Nahuel.

Para não estragar o dia perfeito da minha irmã, eu seque briguei com Carmen aquele dia e ainda cortava Alice quando ela tentava provocar a puta mexicana. Eu queria que Renesmee continuasse sorrindo, ela merecia.

— Vou casar no Plaza em New York — ela falou para mim após o jantar, estávamos na cozinha, todos os outros na sala batendo papo, pegando mais um pouco de vinho para nós duas. — Em maio, então isso vai acontecer só ano que vem. Na verdade, eu já tenho a data pré agendada.

— Já? — perguntei surpresa.

— Sim! — Ela sorriu mais. — Liguei para lá hoje de manhã, fiz a noiva chorona e consegui que eles me dessem uma data, mesmo que o lugar seja tão disputado, especialmente nessa época do ano. Enfim, eles queriam me empurrar uma segunda-feira, acredita? Dia vinte e sete, mas eu disse que nem pensar, queria um sábado e ponto final, foi aí que comecei a chorar e consegui o dia vinte e cinco. Daqui a exatamente um ano eu já vou estar há só um mês e dois dias do meu casamento.

— Nossa, você está mesmo contando — observei, ela riu alto.

— Claro que estou, será o dia mais perfeito da minha vida. Vou usar um vestido de princesa, você, Alice e Lucy estarão lá por mim usando lavanda. — Eu não gostava de lavanda, mas aceitaria por ela. — Papai vai me levar ao altar e eu vou casar com o amor da minha vida e me tornar a senhora Cortez.

— Vai mesmo usar o nome de casada?

— Vou! — Bateu palmas. — Ness Cortez, não é lindo? Deus, eu mal vejo a hora de estar casada e de ter bebês com Nahuel.

— Ei, calma! — exigi. — Uma coisa por vez. — Ela riu e me abraçou.

— Estou tão feliz.

— Eu sei, consigo ver. — Afaguei suas costas. — Percebi que você excluiu a Carmen da lista de madrinhas, o que isso quer dizer? — Renesmee me soltou e olhou para mim.

— Ela estará com papai no lugar da Renée.

— Você não vai convidar a Renée?

— Ela receberá um convite — disse ainda sorrindo, mas um sorriso menor daquela vez. — Mas, não terá seu nome nele chamando ninguém para meu casamento, nem estará na primeira fila. Se for, será somente uma convidada normal como qualquer outro.

— Renesmee…

— Nós a odiamos, Bells. Não só você, sim você e eu. Tivemos a pior mãe da história e ok, temos de ser fortes e lidar com isso, né? Eu estou lidando, não vou a botar em uma posição de destaque em meu casamento só porque alguns anos atrás ela me colocou no mundo, não quando um tempo depois ela foi uma vadia com toda essa família. Menos Alice, mas isso é problema da outra irmã, não nosso. Nós duas sabemos viver bem sem Renée, não sabemos?

— Sim?

— Sim, nós sabemos! — Ela bateu sua taça na minha. — E se você me pedir para não convidar Renée, eu farei isso.

— Você tá falando sério?

— Tô sim, basta dizer as palavras.

— Não convide Renée para seu casamento — pedi, eu não queria estar tensa e com medo de cair em uma briga com Renée no dia perfeito de Renesmee.

— Que assim seja! — Renesmee declarou e mais uma vez bateu sua taça na minha. — Nada de Renée no meu casamento.

Eu soltei um riso nervoso, Renesmee beijou minha bochecha.

— Te amo, Bells.

— Também te amo, Ness!

— Vocês duas estão aqui há um tempão, já acabaram o vinho? — Nahuel perguntou em um tom de brincadeira ao entrar na cozinha.

Renesmee se afastou de mim e pulou nos braços do noivo, o puxando para um beijo. Eles pareciam perfeitos juntos, não tinha dúvidas de que teriam mesmo um casamento perfeito, era bom eu me acostumar a ideia de usar um vestido lavanda.

***

Alice e eu conseguimos velhas fotos de Renesmee criança, adolescente e bebê em um álbum de fotos que ela tinha em sua casa — sem nenhuma de Renée, por sorte, ou minha irmã tinha retirado do álbum as que ela aparecia — e usamos duas delas, junto com a foto que ela nos enviou no dia anterior de sua mão e seu anel de noivado para darmos os parabéns pelas redes sociais. A própria Renesmee e seu noivo tInham anunciado em suas contas mais cedo aquela noite, então já poderíamos fazer aquilo.

Eu escolhi uma foto de Renesmee por volta dos seus sete anos de idade, onde nós duas — eu com meus dezessete anos — estávamos em um casamento de um amigo de papai, onde Ness era a daminha. Postei aquela foto junto a da sua mão e seu lindo anel de noivado.

A legenda foi:

“Minha irmã sendo uma daminha alguns anos atrás e minha irmã hoje noiva, eu estou tão feliz por ela estar tão feliz. Mal posso esperar pelo seu casamento perfeito, caçula!

Meus parabéns pelo noivado @NessSwan e @NahuelCortez”

Alice escolheu uma foto dela criança, com uma Renesmee ainda bebê. A postou, junto com a bendita foto do anel de Ness, a legenda era:

“Não posso acreditar que minha irmãzinha vai casar! Quando ela deixou de ser um bebê?

Parabéns pelo noivado @NessSwan e @NahuelCortez”

Como o jantar tinha sido logo no começo da noite, não demorou muito mais para Lucy ir embora, depois meu pai e sua puta mexicana também foram. Restando só Alice, eu e o casal que não conseguia se largar.

— Eu tô carente — confessei para Alice, ela riu, sua cabeça estava apoiada no meu ombro enquanto mexia em seu celular, no outro sofá Renesmee e Nahuel pareciam que estavam tentando sugar a alma um do outro por um beijo. — Você acha que fiz bem minando meu noivado com James? Ele era bom de forma geral, eu acho que sinto falta dele de vez em quando, ele era legal. Eu vou ligar para o James — falei, Alice arrancou meu celular da minha mão.

— Nada de ir foder com o ex, Isabella! — me repreendeu.

— Mas…

— Você não tá carente, só quer sexo, liga para o Cullen — sussurrou.

— Não, não quero.

— Nossa, se você não quer eu quero, posso ligar?

— Não, não pode! — exclamei. — Só não quero porque a gente brigou semana passada e tô deixando ele afastado um pouco. — Mais ou menos, pelo menos em questão de sexo, já que agora éramos de fato amiguinhos.

— Você complica tudo — Alice disse irritada, me devolveu meu celular, mas me fez ficar de pé. — Vou te levar para casa, Renesmee, estamos indo embora!

Renesmee não respondeu, ela estava ocupada demais para isso.

***

Alice não estava me levando para casa, percebi isso quando notei ela pegando o caminho totalmente errado para o prédio que eu morava. A loira irritante se recusou a dizer para onde estava me guiando, me ignorando enquanto cantava as canções dos anos oitenta da playlist que ela colocou para tocar.

Então, depois de um caminho de tortura para mim que não sabia o que estava acontecendo, ela parou o carro na frente de um prédio de luxo, mas não sabia quem morava ali, ao menos não me lembrava naquele momento.

— O que estamos fazendo aqui? Quem mora aqui?

Ela sorriu.

— Laurent, boba!

— E por que me trouxe aqui?

— Porque você precisa de uma foda com um cara diferente, não ir ter um flashback com seu ex entediante e como Ed está fora do jogo, você vai foder com o Laurent.

— Não vai acontecer, ele e eu somos amigos há anos, vocês namoraram…

Alice gargalhou, me interrompendo.

— Tem séculos desde que eu namorei o Laurent e durou uns dois meses. — Ela pegou sua bolsa e tirou quatro camisinhas, entregando para mim, quando não quis as pegar ela enfiou na minha bolsa. — Vá lá e foda o Laurent, depois você pode me agradecer.

— Ele é tão bom assim?

— Maravilhoso! — ela exclamou. — Só não sai daqui de manhã como foi com Riley.

— Nem transei com Riley.

— Que seja, só fode e cai fora antes que alguém te flagre e sobre mais merda para cima de você. O número do apartamento dele é 1018.

— Quer saber? Você tá certa, eu vou foder! — exclamei e deixei o carro dela.

Ligar para James seria idiota, eu não faria mesmo isso.

Entrei no prédio, falei com o porteiro que entrou em contato com Laurent e eu recebi permissão de subir até o andar do apartamento dele. No elevador tirei o blazer que eu estava usando, já que tinha ido para o jantar do trabalho, o enfiei na minha bolsa e fiquei só em minha saia lápis, meus saltos, cabelos presos em um coque e uma blusinha de seda que tinha um decote valorizando meus seios.

— Bella, o que você está fazendo aqui? — ele perguntou confuso ao abrir a porta, usava só uma calça moletom e eu podia perceber que estava sem cueca, acesso fácil. — Aconteceu algo?

— Não — respondi no meu melhor tom de voz provocativo. Entrei no apartamento dele, ele tinha se mudado, eu nunca tinha ido naquele antes. Laurent trancou a porta e se voltou para mim, dando um sorriso de compreensão. — Alice me trouxe aqui, ela queria que eu me divertisse essa noite e disse o quão divertido você é. — Aquilo deixava claro minha intenção ao bater na porta dele. — Belo apartamento.

Ele assentiu e se aproximou.

— Você ainda nem viu o quarto.

— Você vai me mostrar?

— Você quer isso, Bella? — Tocou no meu rosto.

— Sim — respondi.

— Vamos lá. — Ele segurou minha mão, me puxando para a escada.

Eu ia foder e pretendia acabar com todas as camisinhas que Alice me deu aquela noite.

***

Laurent chupava meu seio esquerdo quando gozou, eu já tinha gozado antes com ele me masturbando. Estávamos só na primeira rodada do sexo, Alice estava certa, ele fodia bem, maravilhosamente bem.

— Deus, Bella! — ele exclamou, eu sorri e sai de cima dele, me jogando ao seu lado na cama. — Se eu soubesse que você fodia tão bem teria te mostrado meu quarto o mesmo dia que comprei esse lugar.

Ri, o vendo sair da cama e caminhar até o banheiro. Ele passou um tempo lá, antes de colocar a cabeça para fora e perguntar:

— Isso é só por uma noite, não é?

— Sim!

— Ótimo, você é maravilhosa, mas…

— Laurent, eu só vim foder, você não precisa me dar desculpa alguma.

— Certo, eu já volto. — Entrou no banheiro de volta e fechou a porta.

Peguei meu celular e mandei a mensagem de agradecimento para minha irmã, depois vi a que Ed tinha me mandado alguns minutos antes.

Ed Cullen: Eu odeio esse maldito jogo e essas malditas fases com bombas!

Eu ri, sabia que ele estava falando de Candy Crush.

Capitã: Passo de fase para você amanhã, vou ir assistir seu ensaio.

Larguei o celular de volta na minha bolsa e chamei por Laurent.

Notas finais
“Ai, a Bella transa com todo mundo.” Transa sim, transa mesmo, ela é solteira (não que ela comprometida tenha sido um problema antes) e pode transar com quem quiser. No mais, lembrem que o nosso querido e super correto Edward também transa com todo mundo. Com isso eu digo, tchau e beijos! Lola Royal. 26.01.19