Hollywood

83 Capítulo Oitenta e Dois


Notas iniciais
Olá! Queria dedicar esse capítulo de todo coração a Chloe Less que lida com meus surtos diariamente, sem ela já teria feito a besteira de excluir a fic. Obrigada por tudo, amiga! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —-- Boa leitura!

Capítulo Oitenta e Dois

Isabella Cullen

"Isabella Swan fala sobre filha em post emocionante."

Eu a amava. Amava aquela garotinha crescendo dentro de mim. Não importava se ainda não tinha a carregado em meus braços, ou visto seu rosto, ela já tinha roubado meu coração.

***

Aquilo estava mesmo acontecendo? Minha irmã tinha terminado com Randall ou era uma alucinação? Eu mal dormi na última noite por estar no hospital e talvez todo aquele cheiro de álcool tivesse afetado minha mente.

— Bells, não é pra você sair espalhando isso — Alice chamou minha atenção quando me ouviu contar sobre para meu marido, que estava sorrindo, e minha sogra a respeito de sua separação. — Não quero que a notícia se espalhe assim.

— Você realmente terminou com ele? Tá falando sério? Eu tô grávida, não brinca com a minha cara!

— Isabella Cullen, não estou brincando, eu terminei com Randall na noite passada. Ia te contar na mesma hora, só que aí vi sobre Ed estar no hospital e não quis encher sua cabeça. Você é a primeira a saber, aliás. Vou ligar para o papai e a Ness depois e contar.

— Por que você terminou? — questionei e saí do quarto, fui conversar com ela no corredor, era horrível estar em um hospital, mas naquele momento só precisava falar direito com minha irmã.

— Preciso responder? Pensei que era óbvio.

— Jasper — sussurrei o nome.

— Também, né? Não só por ele, mas tá incluso no pacote. Eu não poderia casar com Randall enquanto gosto de outro, também não poderia porque não sinto nada pelo Dwyer. Eu vou surtar quando essa ficha cair direito, tô perdendo muito em dinheiro e poder ao terminar esse noivado, mas seria um erro enorme continuar isso e lá na frente me arrependeria bem mais.

— Como foi isso? O término.

— Nós tínhamos acabado de transar — contou. — Ele é até bom de cama — confessou. — Enfim, a gente tava lá deitado depois de tudo, ele começou a mexer no celular dele e eu no meu. Vi uma foto nova de Jasper no Instagram, uma mensagem da mamãe dizendo qualquer coisa sobre meu casamento, olhei para o anel de noivado e fiquei em pânico. Imaginei acabar grávida do Randall, com aquela mãe chata dele querendo dar palpite em tudo, ou não ter você e Ness no casamento… Porra, pensei em nunca poder dar um beijo no Jasper na frente de todo mundo, sabe? E aí pensei em você e Ed, vocês foram expostos, certo, mas estão segurando a barra muito bem. E você… caralho, Bells. Tudo que aconteceu na sua vida no passado foi um caos, mas agora está tão feliz. Eu preciso ser mais assim também, mais feliz de verdade, nem tô falando só de estar pra valer com Jasper, só o fato de não estar num relacionamento de mentira por interesse será bom.

Eu comecei a chorar, não me contive. Tentei disfarçar para as pessoas no corredor não me verem chorando, mas foi impossível, ao menos era um choro baixo e feliz.

— Bells, você tá chorando?

— Tô. Eu tô sim, mas é porque estou muito feliz por você, Alice.

Então, minha irmã começou a chorar também.

— Renée vai me matar, Isabella. E Randall ficou tão furioso, eu não sei o que vai ser de mim, posso acabar demitida.

— Isso você contorna, tá? Pode conseguir outro trabalho.

— É, isso eu posso dar um jeito, mas na raiva de Renée não. Eu sei que a odeia, só que ela é minha mãe e eu a amo, não quero que briguemos também.

— Alice…

Ela suspirou, parando de chorar.

— Vou falar com ela mais tarde. Eu preciso ligar para o papai e a Renesmee agora.

— Jasper já sabe?

— Não, estou assustada, nós estávamos muito intensos nos últimos tempos e eu sentia que ele queria algo tanto quanto quero, mas agora que pode acontecer tenho medo de dar tudo errado e perdê-lo.

— Alice, ele tá apaixonado por você.

— Sei como ele se sente sobre o Edward.

— Eles se entenderam, são amigos.

Minha irmã voltou a chorar.

— Quer que eu vá até você?

— Não, seu marido tá no hospital e você grávida, não precisa de mais uma coisa para lidar. Vou ficar bem, garanto.

— Certo, qualquer coisa me liga.

— Okay.

— Alice, não esquece que você tem a mim, tá bom? Eu nunca vou te deixar só, sei que a gente vive tendo desentendimentos, mas amo você.

— Também te amo, Bells. — Eu podia imaginar seu sorriso ao ouvi-la falar aquilo. — Vai ficar tudo bem, né?

— Sim, ocasionalmente, depois tudo bagunçado novamente e o ciclo continua. Eu estarei lá nos momentos bons e ruins.

— Você é a melhor. Se cuida e manda melhoras pro Ed.

— Vou mandar, tchau!

— Tchau, irmã!

Finalizei a ligação e coloquei o celular no bolso da jaqueta que tinha colocado quando acordei, enxuguei minhas lágrimas e sorri um pouco mais. Minha irmã ficaria bem, eu tinha certeza disso.

Voltei para dentro do quarto e Edward foi logo perguntando:

— Alice tá com o Jasper?

Olhei com nervosismo para Esme, minha irmã não ia gostar daquele assunto sendo discutido por tanta gente.

— Vou pegar um café. — Minha sogra piscou para mim e deixou o quarto.

— Ele ainda não sabe. — Me aproximei de Edward, afastando a mesinha onde estava sua bandeja de café da manhã, ele já tinha comido tudo. — Alice tá bem nervosa.

— Isso vai passar quando eles se pegarem.

— Estou tão feliz que ela acabou o noivado. — Passei a mão pelos cabelos de Edward. — E pensar que nos planos de Renée era para eu ter sido a namorada, noiva e tudo mais dele.

Edward fez uma careta.

— Acha que isso poderia ter rolado?

— Se o Escândalo Swan não tivesse acontecido? Provavelmente, Renée conseguia tudo que queria de mim uma hora ou outra.

— Pensar nisso me deixa ainda mais enjoado.

Toquei em sua testa, mas a febre dele tinha ido embora de vez. Eu fiquei orgulhosa como me portei com Edward doente, não enlouqueci e fui totalmente sã. Certo, talvez pudéssemos ter lidado com a intoxicação alimentar em casa, mas tive medo de encher meu marido de remédios e fazer com que ele piorasse. Ainda assim, eu não tinha surtado com ele doente e sabia que não seria tão tranquilo com minha filha quando ela ficasse mal, mas saber que conseguia me manter calma mesmo com alguém que eu amava precisando dos meus cuidados era bom.

— Quer um pouco de água? — perguntei.

— Não — negou. — Tô cheio, se beber qualquer coisa capaz de enjoar mais. Que horas vou poder ir pra casa mesmo? Já tô farto desse lugar.

— Ainda é cedo, temos que esperar seus últimos exames.

— Saco — reclamou e fechou os olhos. — Por que essas coisas acontecem comigo?

— Porque você disse que minha comida em Malibu te daria intoxicação alimentar, isso se chama karma.

Ele gargalhou e abriu os olhos.

— Você é má, seu marido está doente em uma cama de hospital, seja boazinha.

— Estou sendo muito boa. — Mexi em seus cabelos novamente. — Acha que Alice e Jasper irão ficar bem juntos? Quer dizer, acha que eles vão mesmo se assumir?

— Você estava no nosso casamento? — indagou sorrindo. — Eles estavam presos em uma bolha só deles, aqueles dois estão apaixonados pra caralho, irão ficar bem e vão se assumir sim.

Inspirei fundo e assenti.

— Você está bem aqui no hospital? — quis saber.

Olhei ao redor e respondi sinceramente:

— Não, tudo me faz pensar na overdose e é aterrorizante, mas eu não te deixaria aqui. — Me inclinei e beijei seus lábios. — Na saúde e na doença, amor.

***

Rosalie apareceu antes do médico, estava preocupada com o irmão, mas quando chegou ao hospital Edward tinha voltado a dormir. Nós duas ficamos ali com sua mãe, até Esme precisar ir embora, precisava organizar tudo para a festa de Natal da ONG que aconteceria no dia seguinte.

Edward e eu deveríamos ir, mas com ele doente não sabia se nossa presença continuaria de pé. Pouco depois de Esme sair o médico apareceu, acordamos Edward e falamos sobre sua alta.

Nada grave tinha sido apontado em seus exames, ele poderia viajar como perguntamos ao médico, mas tomando remédios por mais uns dias e evitando comer muita porcaria. Também fomos orientados a voltar e procurar por ele caso Edward voltasse a piorar.

Ed e eu voltamos para a mansão assim que tudo estava certo no hospital, Rosalie foi conosco. Precisava ir até a gravadora e continuar a edição do clipe e ela ficaria com o irmão.

— Você passou a noite no hospital, não deveria ir trabalhar — Edward reclamou enquanto eu me movia por nosso quarto terminando de me arrumar.

— Preciso, temos um prazo, lembra? — Calcei meus saltos. — Mas, não se preocupa, não vou voltar para casa muito tarde, tenho sessão com minha psicóloga, mas de lá venho direto para cá. Sua mãe disse que encontrou alguém para lidar com a casa, vai trazer ela hoje para ver se a contratamos. E mandei Irina falar com o pessoal da clínica veterinária, vão mandar um funcionário de lá vir buscar os quatro e eles serão avaliados para saber se podem viajar com a gente.

— Tá bom. — Ele que tinha se sentado na cama voltou a se afundar nos travesseiros. Pegou seu celular e falou. — Mamãe e Rose tiraram fotos nossas no hospital.

— Eu sei. — Remexi minha bolsa verificando se tudo que precisava estava lá. — Elas me enviaram também. Vai postar alguma?

— A que estamos dormindo, os fãs estão loucos, preciso acalmar os ânimos.

Com uma foto nossa não teríamos ânimos acalmados, mas não falei nada sobre isso.

— Tanya ou eu deveríamos ter feito isso de madrugada, mas queria ter certeza dos seus exames antes. — Segui até ele e beijei sua cabeça. — Descansa e nem pensa em comer besteira, não pode piorar.

— Vou me comportar — prometeu, me segurou junto de si e beijou minha barriga. — Oi, Donut, amo você.

***

Estava saindo da gravadora quando Alice me ligou, respirei fundo e atendi a ligação da minha irmã.

— Oi, voc…

Me calei ao ouvir o choro dela.

— O que aconteceu? — indaguei e entrei no carro, o motorista já mantinha a porta aberta para mim.

— Renée — sussurrou. — Ela foi tão má comigo. Veio aqui e ficou falando um monte de coisa, insistindo para eu voltar com o Randall.

— Você não fez isso, fez?

— Não, Bells. Mas ela ficou ainda mais furiosa por eu não fazer, saiu daqui mandando nunca mais a procurar. Eu não queria mesmo me afastar dela.

Engoli em seco, sem saber o que dizer sobre aquilo além de só falar mal de Renée. Entretanto, sabia que isso não ajudaria minha irmã em nada naquele momento.

— Randall acabou de me ligar — Alice voltou a falar. — Ele me demitiu, ou melhor, fez o pai dele me demitir. E vai mandar um segurança dele vir buscar todas as jóias que me deu, inclusive o anel de noivado, eu me sinto uma puta sendo tratada dessa forma.

— Alice, você não é uma puta.

Ela soluçou.

— Estou indo te ver.

Poderia cancelar com minha psicóloga, precisava ficar com Alice.

— Não, Bells.

— Sem essa, tô indo pro seu apartamento.

Desliguei e indiquei a mudança de rota para o motorista, enquanto isso ligava para minha psicóloga e remarcava nossa sessão. Cheguei ao prédio de Alice rapidamente, o que foi bom e logo estava batendo em sua porta.

Minha irmã estava segurando choro, mas quando me viu desabou. A peguei em um abraço e deixei com que ela chorasse, fechei a porta e a guiei para seu quarto.

— Ela nunca gostou de mim, não é? Nem quando eu era pequena — Alice disse entre lágrimas, sentada em sua cama. Estava ao seu lado, segurando firme em sua mão. — Você era a filha favorita, mas quando o Escândalo Swan aconteceu ela te desprezou e virei um estepe. Agora Renée me largou também, isso não é justo!

Afaguei seus cabelos pintados de loiros, ela continuou chorando.

— Deveria ter me afastado dela antes, você, Ness, meu pai, sempre tentaram abrir meus olhos e sim, sei que sabia de como ela era e tudo mais, mas…

— Alice. — Ela olhou para mim. — Renée é nossa mãe, eu sei porque você nunca quis cortar laços com ela, ou porque está tão triste agora.

— Eu amo ela, você ainda ama?

— Amo o que ela foi um dia, ou aparentava ser. Eu queria que as coisas tivessem sido diferentes, porra, queria mesmo. Seria bom ter uma mãe, aquela mãe que achava ser maravilhosa, comigo durante minha gravidez.

— E se ela nunca mais falar comigo? E se eu casar também sem ela lá um dia? Ou se eu tiver filhos e eles nunca tiverem contato. — Me abraçou com força. — Por que ela é assim? Tão egoísta!

— Não sei, realmente não sei. — Devolvi o abraço. — Vocês ainda podem se entender — falei, ainda que duvidasse daquilo. — Só tenta dar um tempo, certo? Coloca sua cabeça no lugar.

— Ok. — Aceitou. — Só vou procurar por ela quando voltarmos de Nashville.

Desfez nosso abraço e murmurou:

— Ela perguntou se seu casamento tinha sido bonito, no domingo, quando a encontrei. — Pegou minha mão esquerda. — Aliás, cadê sua aliança?

— Em casa, junto com a de Edward. Tiramos ontem para ir ao hospital e não recolocamos, vamos ficar sem direto até revelarmos. Você não disse nada para Renée sobre o casamento, disse?

— Não, mas ela estava desconfiada, porque eu falei ter um compromisso secreto no sábado.

— É, sei disso, vi a mensagem que ela te enviou quando você me emprestou seu celular para eu falar com Edward.

Alice ficou com uma expressão culpada no rosto.

— Você não deveria ter lido isso, poderia estragar seu dia.

— Mas não estragou. Sabe, eu também vi uma mensagem que Jasper te enviou no sábado, perguntando se vocês poderiam ficar no apartamento dele.

Os olhos da minha irmã voltaram a se encher de lágrimas.

— Está morrendo de medo de tentar algo sério com ele, não é?

— Sim, não paro de pensar em todas as possibilidades do que pode rolar, todas são terríveis.

— Não, com certeza tem algumas dessas possibilidades que são boas, você só está muito ansiosa.

Ela desviou o olhar para nossas mãos ainda unidas.

— Alice, quando te contei sobre eu amar Edward você me deu muita força para ser sincera com ele. Até mesmo mandou uma mensagem só para se certificar que ele saberia o que eu sentia. Ou você fala o que sente para Jasper, diz que quer ficar com ele, ou vou ligar para o Whitlock e contar tudo.

Ela soltou minha mão, revirou os olhos e exclamou:

— Vá embora! — Se levantou. — Eu vou ligar e pedir para Jasper vir aqui, vou dizer que quero ficar com ele de verdade.

Sorri, de orelha a orelha. Feliz por ela, por Jasper também.

***

No carro, de volta para casa, fiquei alguns minutos em ligação com Tanya. Ela já tinha entrevistado algumas pessoas, incluindo Irina, para os cargos de agentes na produtora e estava me falando um pouco sobre os candidatos.

Quando encerramos a ligação aproveitei o celular em mãos para checar o Instagram de Edward, foi quando finalmente vi sua publicação com nossa foto no hospital. Esme tinha a tirado em algum momento da noite, depois que deitei na cama hospitalar com meu marido. Na foto também aparecia algumas das cartas que ele tinha recebido de pessoas que trabalhavam no hospital — ou mesmo de outros pacientes e acompanhantes — que descobriram sua presença ali.

A legenda da foto era:

"Estou bem, garanto.

Tive uma noite agitada começando com comer um hot dog no carro e acabei no hospital tomando remédios e fazendo exames, mas nada de outro mundo, só uma intoxicação alimentar. Já estou em casa e prometo me cuidar, talvez passe um tempo sem querer um hot dog, mas eu comeria uma lasanha agora (mãe, tudo bem? Quem sabe, né?).

Quero agradecer pela atenção que recebi no Hospital Geral de Los Angeles, a equipe que me atendeu foi excelente. Também quero agradecer aqueles que me mandaram cartas de apoio, estou com todas em casa e irei guardar as palavras de carinho que recebi.

Com certeza não poderia deixar de agradecer a todos que por aqui, ou em outras redes sociais me encheram de amor à distância. No instante que ficaram sabendo sobre eu estar no hospital com minha noiva ficaram preocupados, mas estavam pensando positivo e torcendo para estar tudo bem com Isabella, Donut e eu. Se você foi uma pessoa desejando algo de ruim para as duas repense suas ações imediatamente!

Agora, mãe, tô mesmo aceitando aquela lasanha, minha fome voltou. Mas, não poderia deixar de te agradecer por ir ficar comigo no hospital. Eu te amo.

Isabella, você é incrível e eu nunca me cansarei de dizer isso. Obrigado por cuidar de mim e ficar ao meu lado a cada segundo dessa última noite, linda. Te amo, amo nossa filha e como estou doente você deveria ceder, deixa Donut receber o nome que eu quero?

Agora vou descansar um pouco, se cuidem!"

Eu gargalhei, ele realmente achava que iria ganhar por estar doente? Nem fodendo, nossa filha se chamaria Catherine.

Ele teria resposta para aquilo por Instagram também. Sendo assim usei as fotos tiradas por Rosalie aquela manhã no hospital para meu post.

Na primeira eu segurava no pescoço de Edward e estava debruçada sobre ele, que se encontrava deitado na cama, com nossos olhares fixos um no outro. Na segunda a diferença era que estávamos nos beijando.

Ainda rindo da cara dele escrevi minha legenda.

"Não, Edward Anthony Cullen. E você sabe pra que, nossa filha não terá aquele nome.

E eu também te amo, pode contar comigo sendo sua parceira de madrugadas em hospitais. Porém, prezo pela sua saúde, então se cuide mesmo, nada de lasanha.

Obrigada por me deixar roubar um pedacinho da sua cama no hospital. Amo você, meu amor.

E obrigada a todo mundo que também se preocupou com Donut e eu, nós duas estamos bem. Ela manda um oi.

Beijos!"

Sorri e conclui a publicação. Afaguei minha barriga e falei para Donut:

— Catherine, tá? Nada de Caroline. Tenho certeza de que seu pai vai se contrabandear para meu lado antes mesmo do dia vinte e cinco.

***

Edward estava no quarto com Madonna quando cheguei em casa, sua irmã estava no primeiro andar em uma ligação com o namorado, ela mal tinha percebido minha presença.

— Oi, linda! — meu marido exclamou quando deitei do outro lado de Mads, ela na mesma hora apoiou sua cabeça na minha barriga, eu acariciei seu pelo. — O nome será Caroline.

Eu ri, mas não zombei da sua cara, sabia que ele não iria ganhar.

— Como foi com sua psicóloga?

— Não fui — admiti. — Alice estava mal e fui me encontrar com ela.

— Ela tá bem agora?

— Mais ou menos, Randall fez que o pai dele a tirasse da emissora, mandou recolher as jóias que deu para ela e pra completar Alice se encontrou com Renée, mas não foi nada bom, claro.

Edward suspirou.

— Falei com Jasper mais cedo — contou. — Não falei no assunto, nem ele, parecia ainda estar por fora dessa novidade.

— Sim, Alice ia ligar para ele ir a encontrar quando deixei o apartamento dela.

Fechei os olhos por um segundo, ele mexeu em meus cabelos.

— Você deve estar exausta.

— Um pouco, mas não posso dormir antes de falar com a governanta que Esme vai trazer aqui para conhecermos.

— Ok, falei com o veterinário dos quatro — falou. — Veio pessoalmente trazer eles de volta, estão todos bem para uma viagem. Podemos colocar todo mundo no jatinho e partir para Nashville.

Dei um sorriso imenso e abri meus olhos.

— Será o melhor Natal da minha vida, amor.

Ele assentiu e se moveu na cama para me beijar.

— Você está bem?

— Só cansado também, mas quero manter toda nossa agenda de amanhã de pé, tá? Vou até a sua médica para a sua ultrassom. — Era uma ultrassom importante, estaria mesmo mais calma com ele lá. — E quero ir para a festa da ONG também, vou te apresentar ao George.

— Animada para isso.

Nós ficamos conversando por mais um tempo, especialmente sobre o clipe, até Esme chegar. A mulher com ela, a candidata a governanta da casa, era pouco mais baixa que eu, usava saltos pequenos, uma calça preta, uma blusa vermelha e branca e um blazer preto de tecido leve. Ela era latina, olhos castanhos e cabelos encaracolados em um tom de mel, não saberia dizer se pintados ou não. Deveria ter seus quarenta anos, não menos que isso.

— Olá, sou Isabella Swan! — me apresentei quando chegamos a sala onde ela estava.

— Edward Cullen, mas pode ser só Ed — meu marido se apresentou e apertamos a mão da mulher.

— Nelly Martínez.

O sotaque dela parecia muito com o de Carmen.

— Sente — pedi indicando um sofá onde ela ficou com Esme, eu sentei numa poltrona e Edward ficou no braço dessa. — Seu currículo? — Apontei para a pasta em sua mão.

— Sim — ela confirmou e me entregou, abri e dei uma lida no currículo e documentações ali.

— Como se conheceram? — perguntei para minha sogra.

— Conheci Nelly logo no começo de carreira do Ed — Esme contou. — Ela trabalhava para um dos produtores do seu primeiro álbum, filho.

Edward assentiu e espiou os papéis em minha mão.

— Ele se dividia entre Inglaterra e Estados Unidos — Nelly falou. — Eu trabalhava na casa dele aqui em Los Angeles, mais com a esposa e filhos.

— Tópico importante! — exclamei e voltei a olhar seu currículo. — Deve saber que estou grávida, não estamos querendo te colocar no cargo de babá, sim de governanta, mas em alguns meses teremos uma criança aqui, então saber que você tem experiência é bom.

— Eu adoro crianças — garantiu. — Tenho dois filhos, não são mais crianças tem um tempo, mas… — Suspirou e sorriu.

— Qual a idade deles? — Segundo sua ficha ela tinha quarenta e dois.

— Alfonso tem vinte e um, ele está morando no México desde o último verão. Diego tem dezoito, está fazendo faculdade em Seattle.

— É casada? — Notei a falta de aliança em sua mão, mas Edward e eu também não estávamos com as nossas.

— Viúva, meu marido faleceu há três anos.

— Sinto muito — Edward, Esme e eu falamos juntos.

Nós conversamos com Nelly por mais um tempo, eu lhe enchi de perguntas sobre seus outros empregos. Fosse aqueles em casas, ou o tempo que ela passou trabalhando em hotéis.

Foi sincera ao falar que ainda estava trabalhando em um hotel, mas que adorou a proposta de Esme e decidiu fazer a entrevista. Eu também fui sincera ao falar que antes de a contratar faria seu nome passar por uma análise de segurança, querendo ter certeza de que ela poderia trabalhar conosco.

A dispensei por aquele dia, prometendo que após o ano novo entraríamos em contato para dar uma resposta. Esme e Rosalie, que ainda estava pendurada no telefone com Emmett, foram embora logo depois.

— Vamos precisar de babás — Ed disse quando ficamos sozinhos.

— É, vamos, né? — falei nervosa.

Ele afagou meu rosto.

— Mas, nós vamos ser presentes. — Inspirei fundo. — Não quero nossa filha sendo criada por babás.

— Nós seremos presentes, podemos levar ela para todas as turnês e antes dos cinco anos a garota já terá sua própria turnê agendada, vai fazer mais sucesso do que faço.

Eu ri de sua piada, ele sorriu.

— E se ela não gostar de música? — provoquei, Edward fez uma careta e encarou minha barriga.

— Donut, você pode não virar cantora, mas nessa casa temos uma regra que é amar música!

— Já tá dando sermão nela? — Toquei em seus cabelos bagunçados.

— Ela precisa saber as regras.

— Edward, nós vamos mesmo ter que aplicar regras — sussurrei pensando naquilo. — Imagina quando ela for adolescente e estiver por aí causando. Só que nem me inventa de ser um pai ciumento e querer proibir ela de namorar.

Meu marido revirou os olhos.

— Eu pegava as meninas atrás da igreja, que moral tenho para proibir namoros? Não se preocupa, serei um pai moderno e irei a orientar, mas não sufocá-la.

— Moderno sei que será, quando ela tiver catorze você ainda nem terá quarenta, enquanto eu…

— Não, nem começa com esse lance de idade, Isabella. — Começou a me beijar, eu esqueci o que estava falando e me concentrei em seus lábios.

***

Acordei na manhã seguinte depois de Edward, meu marido estava no banho e escutava uma playlist dos anos 80. O ouvia cantar alto do chuveiro, o que me fez sorrir, mas preferi ficar mais um tempinho na cama a me juntar ele.

Peguei meu celular e vi que tinha recebido uma mensagem de Alice, apenas uma foto. A imagem era de dentro da banheira de seu apartamento, parecia ter sido tirada aquela manhã, eu podia ver as pernas de Alice e as de Jasper.

Eu ri e liguei para ela, que me atendeu no meio de um gemido.

— Não me diz que atendeu a ligação enquanto fode, Alice — implorei.

— O quê? Não, eu não tô transando, tô tomando café da manhã, Isabella.

— Podemos largar a comida e transar. — Ouvi Jasper falar ao fundo.

— Eu mal consigo andar — Alice disse para ele.

— Obrigada pela informação — agradeci ironicamente, foi a vez dela de rir. — Vocês se entenderam?

— Sim — Alice parecia verdadeiramente animada. — Estamos bem. Ah, ele quer falar com você.

— Ok.

— Cullen. — Jasper pegou o telefone, amei ouvir meu novo sobrenome, mal via a hora de poder o usar oficialmente. — Alice me chamou para passar as festas em Nashville, mas nós não queremos voar juntos ainda, até porque Randall e ela vão postar daqui a pouco sobre o término, enfim, posso ir com você e Ed?

— Claro que pode, pede pro Edward te mandar o horário certo depois, tá?

— Beleza, falo com ele. Te devolvendo pra Alice.

— Oi, Bells.

— O que você e Randall irão postar?

— Um texto pronto da assessoria de imprensa dele, curto e objetivo, falando que estamos nos separando amigavelmente. — Bufou.

— E sobre a demissão?

— Irá ser anunciado depois do Natal. Preciso começar a entrar em contato com outras emissoras logo, pra foder tudo nem tenho qualquer direito sobre o programa que fazia lá, vou precisar de algo novo.

— Vai conseguir algo, alguma coisa muito melhor. Agora, sobre você e Jasper, é namoro…

— Jasper, já volto — Alice falou para ele, fiquei calada esperando-a dizer algo, ouvi uma porta abrir e fechar antes disso. — Nada de namoro, ainda. Decidimos curtir os próximos dias em Nashville longe da loucura de Los Angeles e ver no que dá.

— Bom, Edward e eu começamos a namorar lá, é um bom lugar.

— Vocês estão bem?

— Estamos, ele já está ótimo.

— O bebê?

— Faminto. — Percebi a fome que eu estava sentindo. — Me avisa quando chegar a Nashville, vai agora de manhã, né?

— Sim, às dez. Eu te aviso sim, vai comer.

— Tchau, te amo.

— Também amo você.

Edward saiu do banheiro bem na hora que joguei o celular sobre a cama, estava secando seus cabelos com uma toalha e enrolado em outra, tinha um sorrisinho suspeito na cara.

— O que foi?

— Nada, só estou pensando no seu presente de Natal.

— Me dá uma dica.

— Nem fodendo. — Seguiu para o closet.

Revirei os olhos, ele era tão irritante. Tinha recebido há tempos mais que uma dica do meu presente, um novo cachorro, quando me ouviu falar com sua mãe sobre. Eu estava desconversando sobre, mas não seria uma grande surpresa.

Pensando no cachorro peguei meu celular novamente para checar se estava tudo certo com a adoção, decidi qual adotar na lua de mel, no instante que Edward colocou Hey Jude para tocar no carro. Um dos cachorros que eu estava em dúvida se chamava Jude, ele não era minha primeira opção por ser bem mais velho e já até responder por um nome — o que impediria Edward de escolher —, mas era fofinho e quando escutei a música senti que tinha sido um sinal para o escolher.

Infelizmente não poderíamos estar de fato com Jude no Natal, já que iríamos estar em Nashville, mas tinha falado com o pessoal do abrigo e o pegaria quando voltasse. Porém, no dia vinte e cinco Edward ganharia uma foto dele e alguns presentes extras que eu tinha pedido online, junto com outros presentes da nossa lista para amigos, família e colegas de trabalho.

***

Edward e eu fomos para a gravadora, eu terminaria junto com o pessoal de lá a edição aquele dia e o queria ali para ver tudo logo. Nós também preparamos um teaser que seria divulgado no Instagram de Edward e no meu no dia seguinte, avisando sobre o lançamento que aconteceria na manhã de Natal.

Quando tudo sobre clipe e teaser estavam certos Edward e eu fomos até o consultório da minha médica, não poderíamos perder aquela consulta. A ultrassom daquele dia era mesmo muito importante, uma translucência nucal, que nos diria as chances de Donut ter alguma malformação ou síndrome.

— Estou desesperada — cochichei para Edward na sala de espera do consultório, ele tirou os olhos de seu celular e focou em mim. — E se Donut tiver algo, amor? Eu não me importo, juro que não, mas será mais munição para as pessoas falarem mal dela.

Edward guardou o celular no bolso e afagou meu rosto.

— Ela vai ficar bem, tá? Não importa se tiver algo. Nós vamos deixar claro para ela, todo dia, que algumas pessoas podem ser cruéis, mas isso define elas, não nós mesmos.

Assenti, tocando na mão dele sobre minha face. Edward tinha amadurecido tanto, assim como sabia que eu tinha mudado muito em vários aspectos.

— Donut já é maravilhosa, Capitã. — Eu sorri. — Ela continuará sendo incrível, independente de qualquer coisa. — Beijou a ponta do meu nariz, aquilo me fez corar.

Edward me puxou para si fazendo com que eu apoiasse a cabeça em seu ombro, colocou uma mão em minha barriga e ficamos assim até sermos chamados para ir falar com minha médica. Madeleine nos recebeu animada, oferecendo biscoitos de natal e tudo mais.

Nos perguntou como estava indo tudo e foi tão carinhosa e tranquila falando comigo, que me fez sentir mais calma. Passei por mais alguns exames antes de irmos para a ultrassom, Edward estava ao meu lado, sua mão segurando a minha e afagava a palma com seu polegar.

— Alguma novidade sobre o nome dessa garotinha? — Madeleine perguntou enquanto espalhava gel sobre minha barriga, ela estava definitivamente maior e isso me deixava ansiosa, mas também feliz porque significava que minha filha estava crescendo junto.

— Vamos bater o martelo no Natal — Edward respondeu. — O nome que quero, Caroline, irá vencer.

Bufei, Madeleine riu e logo iniciou a ultrassom. O som do coração de Donut logo preencheu o ambiente, eu comecei a chorar no mesmo instante.

Edward sorriu para mim e deixou um beijo na minha testa.

— É meu som favorito — declarei olhando para o monitor, foi tão fácil identificar a minha garotinha, ela estava mesmo maior.

— Como ela está? — Edward perguntou para a médica.

— Aparentemente tudo certo, mas vou fazer as medições certinhas.

— Linda, eu já acho que ela é sua cara! — Edward exclamou, fazendo Madeleine e eu rirmos.

Enquanto fazia as medições Madeleine ia nos explicando tudo, a cada número que ela falava e estava dentro do esperado meu coração ia relaxando. E eu não conseguia parar de olhar para meu bebê, pensando que no próximo Natal já a teria em meus braços.

— Está tudo certo com ela — Madeleine garantiu por fim. Eu aproveitei mais um pouco do som que vinha do coração de Donut.

— Amo você, linda — Edward sussurrou no meu ouvido e depois de ouvir isso o beijei.

***

Enquanto o cabeleireiro cuidava do meu penteado, para a festa daquela tarde na ONG, estava com o celular em mãos. Tínhamos saído do consultório com imagens da ultrassom e decidi que iria postar algo, Edward tinha tirado uma foto minha segurando uma das imagens e essa era a escolhida.

"Doze semanas, estamos encerrando o primeiro trimestre. Ainda parece que foi ontem que soube sobre você, mas já vivemos tanto juntas, não é, pequena?

Você está crescendo, minha barriga está crescendo. Ouvi seu coração mais uma vez hoje e preciso dizer o quanto amo esse som, ele é uma das provas que você está bem aqui dentro.

O tempo está passando depressa, estou louca para conhecer você melhor, mas tudo na sua hora certa. Eu amo você, Donut. Ser sua mãe já é a melhor coisa que aconteceu em minha vida."

Mal tinha acabado de postar e já recebi um comentário de Edward, que estava no outro quarto se arrumando.

"Sério, olha bem pra essa foto da Donut, Capitã, ela é sua cara. Eu amo vocês duas, muito obrigado por estar me proporcionando essa experiência de vida sem igual."

***

Edward usava para a festa uma calça caqui, uma camiseta preta sem estampa e por cima uma camisa xadrez — marrom e preta —, com os botões abertos. Em seus pés tênis brancos, tinha dispensado suas lentes e usava óculos, os cabelos estavam razoavelmente comportados e recusou a tirar a barba que já estava por fazer.

Eu estava em um vestido de cor terracota, que ia até o meio das minhas pernas, tinha uma saia bem solta, não marcava minha barriga, com decote quadrado e alças largas. De jóias usava apenas o cordão que Edward deu para mim quando começamos a namorar — meu marido estava com o que dei para ele — e meu anel de noivado. Meus cabelos tinham sido presos em um coque no alto da cabeça, minha maquiagem seguia a coloração mais quente do meu visual que se completava com slip on marrons em meus pés.

— Você tá muito cheirosa, Capitã — Edward sussurrou em meu ouvido, enquanto o motorista estacionava na frente do prédio da ONG.

Nós estávamos sendo seguidos por paparazzis, provavelmente eles nos achariam ali de qualquer forma pela festa estar sendo anunciada nas redes sociais da organização, que todos sabiam estar sob comando de Esme, mas Tanya tinha mexido seus pauzinhos para garantir que eles nos veriam ali, especialmente Edward. Era bom para nós dois sermos vistos participando de um evento como aquele, uma bela forma de ter nossa imagem cada vez mais ligada a coisas boas e não a todos nossos escândalos. Por tabela ainda promoveríamos a ONG.

Deixamos o carro de mãos dadas, sendo conduzidos pelos seguranças para dentro do prédio. Não paramos para falar com nenhum paparazzi, mas estávamos sorrindo e garantindo que as fotos ficariam boas.

Lá dentro fomos levados por uma funcionária da ONG até o auditório, a festa consistiria em apresentações das crianças e depois um pequeno coquetel. Era uma festa restrita, voltada mais para as crianças e seus pais ou responsáveis, funcionários da ONG e familiares, nada como o evento onde Edward tinha se apresentado semanas atrás.

Esme logo nos viu e andou até a gente, estava usando um vestido vermelho e um gorro na cabeça. Nos beijou e abraçou, depois nos mandou ir para nossos lugares, que eram juntos aos de Rose e Emmett que já estavam lá.

Pouco depois de chegarmos Esme subiu ao palco para falar um pouco sobre o ano da ONG, o Natal e chamou o primeiro grupo de crianças para cantarem. Eles eram bem novinhos, estavam com seus professores e muitos até esqueciam de cantar, mas eram tão fofos que qualquer erro era esquecido.

— Pronta para ter um desses em breve? — Rose sentada ao meu lado perguntou, eu sorri e respondi animada:

— Nervosa sobre, mas mal vejo a hora.

Mais quatro grupos se apresentaram, cada um cantando uma canção natalina. O grupo de George, o garoto que Edward conheceu e se afeiçoou, foi o terceiro. Ele me indicou o menino e eu tive de concordar com meu marido, George levava jeito pra coisa, quando mais velho poderia se tornar um músico profissional.

A última apresentação se deu com todas as crianças no palco cantando Jingle Bells, quando acabaram todos na platéia — inclusive eu — ficaram de pé para aplaudir. Depois disso fomos redirecionados ao refeitório da ONG, que tinha sido arrumado para comportar todos como se fosse um salão de festas.

Lá George encontrou Edward antes do meu marido o achar, eles se cumprimentaram com um High Five e sorrisos.

— George, essa é Isabella, minha es…

— Noiva! — interrompi o pai da minha filha antes de ele falar mais do que deveria para o garoto. — É bom te conhecer, George. — Sorri para o menino. — Você cantou muito bem hoje.

— Cantei?

— Sim, foi um dos melhores.

— Legal! — comemorou. — Um dia quero ser um cantor como o Ed.

Olhei para ele, o Cullen sorria orgulhoso.

***

Não ficamos muito na festa, precisamos voltar para casa cedo e terminar de preparar tudo para a viagem. Com Mads e Shrek em suas coleiras, Woody e Amy em suas caixas transportadora chegamos ao aeroporto para embarcar no jatinho alugado.

Jasper já estava lá e Esme chegou bem em cima da hora, no avião ela pegou no sono rápido. Edward e Jasper lidaram com Shrek e Madonna na decolagem para os manterem calmos, Woody estava apagado em sua transportadora — era um milagre — e Amy na dela seguia comportadinha.

Após a decolagem Edward não demorou a dormir, com Shrek na poltrona ao seu lado também apagado. Madonna estava entretida com uma bolinha, Jasper aproveitou e ocupou o lugar perto de mim.

— Tenho que te chamar de cunhada agora?

— Só se você quiser, quer dizer, só se você e minha irmã tornarem isso algo oficial. — Me movi e fiquei com a cabeça apoiada no braço dele.

— Que folga é essa?

— Estou grávida, preciso de qualquer descanso possível, vou te fazer de travesseiro.

Ele riu, mas me deixou onde eu estava.

— Você gosta mesmo da minha irmã, né?

— Bastante.

— E dele? Como estão seus sentimentos? — perguntei em um sussurro, Jasper ergueu meu rosto.

— Ele é meu melhor amigo, por quem fui apaixonado por um tempo considerável, com quem fodi uma vez, mas isso está no passado. Eu ainda o amo, mas como amigo.

— Nós dois também transamos.

Jasper riu novamente.

— Eu lembro, estava lá, mas isso também não é algo que devemos ter como problema, né? Nem Alice está criando caso sobre, ela sabe que foi antes mesmo dela e eu termos algo. Além do mais, nunca quis você como quero ela agora, foi só sexo.

— Foi? — Fingi surpresa em minha melhor atuação. — Pensei que você me amasse, Jasper Whitlock.

Ele revirou os olhos, mas sorria. Beijou minha bochecha e afirmou:

— Eu te amo, você é minha amiga também.

— Sua amiga que vai te fazer de travesseiro.

— Isso é a porra de um jatinho, vou chamar a comissária, ela deve ter vários travesseiros para você, senhora Cullen.

***

Chegamos a Nashville por volta de meia noite, já na véspera de Natal. Minha sogra e Jasper deixaram o aeroporto primeiro, levando com eles Shrek e Madonna.

Demos um tempo da partida deles e fui embora com Edward também, dois funcionários do aeroporto levavam carrinhos com nossas malas e as caixas transportadoras dos nossos gatos. Tanto meu marido quanto eu estávamos exaustos, mesmo que tivéssemos dormido no voo, mas não por todo ele, sendo assim saquei óculos de Sol para mim e ele da minha mochila, querendo esconder um pouco da nossa sonolência aparente.

Edward agradeceu e me entregou o seu de grau, que pendurei na gola da minha blusa. Seguimos pelo aeroporto sendo fotografados por paparazzis que nos encontraram ali, mas em Nashville não eram tantos quanto em Los Angeles e passamos por eles sem problemas.

Eu dormi no carro a caminho da fazenda, enquanto sentia Edward mexer em meus cabelos. Quando chegamos lá só meu pai estava acordado.

— Jasper já tá com Alice, sua mãe foi dormir, Cullen — meu pai me soltou do abraço apertado que estava me dando. — Ness e Carmen estão apagadas há horas, os cachorros de vocês coloquei no seu quarto, Bells.

— Obrigada, pai. Nós também vamos dormir, não quero estar estragada amanhã para toda a decoração em família para o Natal. Vamos, amor — chamei Edward que estava com Woody dormindo em seu colo e tirou Amy da transportadora dela, a gatinha foi até Charlie que a pegou no colo.

— Surpreso que você tá vivo, Cabeludo Britânico, pensei que aquele hot dog ia te matar.

— Sou novo, não morreria por…

Deixei os dois trocando as farpas de sempre e fui para meu quarto, os seguranças da fazenda já tinham colocado nossas malas ali. Shrek estava dormindo no tapete, Madonna na cama, não tive coragem de a tirar de lá e deitei ao seu lado, ia esticar minhas costas por dois minutos antes de me trocar para dormir.

Enquanto fazia isso fiquei passeando pela internet, minhas fotos no aeroporto com Edward já circulavam pelo Twitter.

"Ed Cullen e Isabella Swan hoje no aeroporto de Nashville."

"Gente, a Isabella com o óculos do Ed pendurado na roupa dela!!!"

"Ela tá usando uma jaqueta do Ed!"

"Quando será que eles se casam?"

Apesar de alguns terem achado estranha nossa viagem para Malibu — descobriram que estávamos lá pelas fotos que postamos na lua de mel após vasculharem meu Instagram e perceberem que aquela casa era a minha perto da praia —, ninguém suspeitou daquilo ser uma lua de mel. Isso era bom, ainda seria uma surpresa quando anunciassemos o casamento no dia seguinte.

Talvez, provavelmente muita gente, achassem que estávamos só querendo lucrar em cima do casamento ao anunciar com a divulgação do clipe de Edward, mas decidimos que iríamos contar assim. Era o clipe sobre uma música de Edward para mim, que eu dirigi e que tinham cenas sobre nós dois, era algo nosso, fazia sentido pra gente revelar desta forma.

Além do mais, não éramos idiotas, isso faria as pessoas — mesmo quem não gostasse da gente — ficarem curiosas sobre o clipe e falarem dele. E assim teria mais repercussão, o que era excelente.

***

A árvore de Natal escolhida por meu pai era gigantesca, porém também muito linda. Todos nós estávamos na manhã do dia vinte e quatro decorando a árvore e a sala principal da fazenda onde ela ficaria, era uma tarefa divertida e agradável, para completar minha sogra tinha feito chocolate quente para todos nós e isso tornava tudo mais gostoso.

— Está frio — Alice se queixou perto de mim, enquanto eu desenrolava as luzes que iriam para a árvore.

Ela mal tinha acabado de falar e Jasper a abraçou por trás, beijando os cabelos da minha irmã o que a fez sorrir e piscar para mim. Eu sorri de volta e continuei minha missão, tentando ignorar Edward debatendo com meu pai sobre religião.

— Não se esquece que você prometeu ir a missa ainda esse ano se fosse indicado ao melhor álbum de vocal pop — sua mãe lembrou, meu marido fez uma careta e olhou para mim como se pedisse ajuda.

— Se vira, Edward, você fez uma promessa.

Ele bufou.

— Vamos para a missa amanhã de noite — Carmen disse do outro lado da sala onde pendurava luzes com Renesmee.

— Preciso mesmo ir? — Edward indagou a mãe.

— Promessa é dívida, Edward.

— Capitã, vai comigo — pediu.

— Não mesmo — neguei, ele resmungou e voltou a discutir com meu pai.

— Ei, Alice! — chamei a atenção dela que estava agarrando Jasper. Eles se afastaram e minha irmã olhou para mim irritada. — Para de enrolar e me ajuda com essas luzes.

— Caramba, não posso nem aproveitar um pouco! — reclamou, mas foi me ajudar, Jasper seguiu até minha madrasta que pediu ajuda para ele mover a escada. — Eu tô cansada — se queixou. — Jasper e eu fizemos tudo ontem de noite menos dormir.

— Se vira, todo mundo tem que ajudar.

Ela resmungou, mas continuou seu serviço. Eu foquei nisso, desligada de todo resto e só dando atenção secundária as canções natalinas que tocavam da playlist do meu pai.

Quando começou a tocar Mistletoe And Holly, na voz de Frank Sinatra, cantei junto, até Alice falar algo e me distrair.

— Acho que ano que vem deveríamos investir numa árvore rosa — ela disse me fazendo rir.

— Prefiro vermelha — Renesmee gritou.

— Ninguém terá árvore vermelha ou rosa — papai deixou bem claro. — Edward, eu disse esquerda! — brigou com meu marido que estava pendurando enfeites na parede da sala.

— Querida, vou na cozinha, quer mais chocolate quente? — Esme perguntou para mim.

— Sim. — Entreguei minha xícara para ela. — Talvez com um pouco de chantilly?

Ela riu, mas assentiu.

— Você não deveria exagerar no açúcar, Isabella! — Edward falou, mas eu não disse nada de volta.

Eu não estava com risco de diabetes gestacional, ou nada assim, mas minha médica tinha ressaltado no dia anterior para que não me entupisse de besteiras e fizesse exercício físico com frequência. Estava tentando lidar com essa ideia, Edward estava sugerindo yoga em dupla, ficava cansada só de pensar.

***

Renesmee, Alice e eu posamos para mais uma foto com papai. A árvore gigantesca ainda estava longe de estar finalizada, mas nós três arrastamos ele para algumas fotos.

— Mais um Natal com vocês, estou tão feliz. — Ele beijou a bochecha de cada uma e bagunçou o cabelo de Alice, que não foi ágil suficiente para fugir do seu ataque.

— Ai, para, fiz chapinha, pai — protestou.

— Você teve tempo pra isso entre todo sexo? — provoquei, Renesmee segurou uma risada, meu pai ficou vermelho e Alice beliscou meu braço, de leve, sequer doeu de verdade.

— Você é terrível, Isabella!

— É mesmo — papai concordou com Alice e foi falar com Carmen que estava tirando as fotos.

— Que merda — Renesmee murmurou.

— O quê? — Alice e eu perguntamos juntas.

— Todo mundo tá transando, menos eu.

— Te comprei um vibrador de presente de Natal — Alice anunciou, alto, todos olharam para nós três.

***

Edward bufou e continuou encarando a árvore de Natal.

— O que foi?

— A estrela está torta, isso tá me matando.

A decoração finalmente tinha sido finalizada, nós dois estávamos na sala esperando o almoço ficar pronto. Deitados no tapete felpudo e aproveitando a lareira dali para curtir o calor, era tão bom.

— Pega a escada, sobe e ajeita — sugeri, ele negou.

— Isso iria dar muito trabalho, tô cansado, mas a estrela ainda tá me incomodando. Renesmee que colocou a estrela no topo, ela deveria consertar isso, pede pra sua irmã.

— Pede você.

— A irmã é sua.

— É, mas não tô incomodada com a estrela, você que tá.

— Saco, vou pegar a escada! — protestou, ficou de pé e saiu da sala para fazer isso.

Eu fiquei ali rindo, passando as mãos pelo tapete, ouvindo Deck The Hall sendo cantada por Nat King Cole no som e agradecendo Edward por ir consertar a estrela torta.

***

Jasper, Alice, Edward e eu ficamos responsáveis por arrumar a cozinha — já que as empregadas tinham sido dispensadas para aquele dia e o seguinte — depois do almoço, eu nem tanto, usei a carta grávida e fiquei sentadinha só coordenando tudo. Nós conversávamos, tentando planejar uma viagem para antes de Donut nascer, ouvíamos rádio, também falávamos sobre o clipe de Edward, Alice querer pintar seus cabelos de um tom mais próximo do seu natural e a promessa do meu marido de ir à igreja.

— Não vai mesmo comigo, linda? — Se aproximou, sua camisa estava bem molhada, era péssimo lavando louça na pia, ele deveria ter colocado tudo de uma vez na máquina.

Minha irmã e Jasper ainda estavam fazendo sua parte da arrumação.

— Não.

— E se eu pedir com jeitinho? — Segurou minha mão esquerda e beijou aliança e anel de noivado em meu dedo.

— Não.

— Nem assim? — Mais um beijo, daquela vez em meu pescoço.

— Não — gemi.

— E assim?

Colocou as mãos em meu pescoço e seus lábios nos meus, foi um beijo longo e delicioso.

— Sim — cedi o fazendo rir. — Que se dane, vou pra missa com você.

Edward me fez descer do banco e me beijou novamente, mãos no meu quadril me guiaram para uma dança. Primeiro para uma música que não lembrava o nome, mas era country, depois para Holly Holy sendo cantada por Nancy Sinatra.

— Amo você, senhor Cullen.

Edward interrompeu a dança e só ficamos abraçados por um tempo, até minha irmã exigir que voltássemos ao trabalho.

***

Quando deu a hora de liberarmos o teaser do clipe, por volta de seis da tarde em Nashville e quatro em Los Angeles, fui chamar Edward. Meu marido, meu pai, minhas irmãs e Jasper estavam na sala de TV assistindo ao primeiro filme da franquia Duro de Matar.

— Amor, precisamos liberar o teaser — falei para Edward.

— O filme tá interessante, já vai acabar.

— Edward, tem que ser agora.

Ele aceitou, mas deixou o sofá emburrado.

— Adoro Duro de Matar — proclamou quando entramos no quarto, Shrek e Amy estavam lá, Woody estava em algum lugar da casa e Madonna tinha ido dar uma volta pela fazenda com minha sogra e Carmen.

— Tá bom, Jake Peralta — falei me referindo ao protagonista de Brooklyn Nine-Nine que adorava o filme. — Você pode acabar depois, agora precisamos liberar esse teaser.

Ele pegou o seu celular, sentamos na cama e postamos o vídeo em nossas contas do Instagram. A legenda foi:

"Garota."

Com o acréscimo de um emoji de anel de noivado.

Desliguei meu celular, sem querer ver as reações. Sobre o teaser, mas principalmente a respeito do que ele mostrava, cenas de nós dois com alianças e acabando com uma foto nossa no casamento que tinha as informações:

"Garota

Ed Cullen

25.12 – 10:00 Costa Oeste

Dirigido por Isabella Cullen"

— O mundo agora sabe — murmurei em pânico.

Edward se aproximou e tocou em minha aliança.

— Oi, senhora Cullen!

Eu sorri, aquilo era tão certo, era a senhora Cullen e o mundo inteiro estava descobrindo a verdade.

***

"Eu não acredito que em plena véspera de Natal Ed nos deu esse péssimo presente."

"Eu não poderia pedir presente melhor, Ed e Isabella casaram!"

"Espero que o divórcio do Ed venha logo."

"Agora pra alegria do Ed ficar completa falta a bebê Donut nascer."

"Será se Ed e Isabella poderiam me adotar?"

"Imagina como foi a festa, Esme deve ter ido obrigada, ela claramente preferia a Leah."

"Eu tô doida pra ver mais fotos desse casamento!"

"O pedacinho de vestido da Isabela que apareceu na foto já mostra quão feio ele era."

"Como será que foi a cerimônia? Daria tudo pra ter visto."

"Ed com vinte e três já é casado, pai e rico, que inveja da vida perfeita."

"Cara a Isabella deve ter chorado tanto já que tá grávida."

"Imagina daqui uns anos a renovação de votos do casamento com a Donut."

"Gente, será que a Isabella convidou a mãe?"

Fiz uma careta e parei de ver os comentários sobre o casamento, em um post do Instagram do perfil de uma jornalista, mas sabia que aquilo era só um pouco de tudo que estavam falando sobre na internet, TV e provavelmente até em Marte. Nosso casamento continuava sendo o assunto mais falado no Twitter, mesmo após horas da liberação do teaser, programas de TV já noticiavam e Youtubers de fofoca corriam para falar sobre.

Edward e eu não tínhamos dito mais nada após o teaser, isso também dava deixa para alguns acharem que não tinha acontecido casamento algum, que o Cullen como meu sobrenome tinha sido um erro e a foto havia sido uma encenação para o clipe. A especulação era até boa do ponto de vista da divulgação para o clipe, mas nós queriam deixar bem claro que estávamos sim casados.

— Aqui, linda! — Edward voltou para a sala com água para mim. Estávamos em outra sala da fazenda com lareira, não onde a árvore estava, todos tinham ido dormir cedo, mas estávamos sem sono.

— Escolheu a foto para postarmos?

— Não — neguei, Edward sentou junto de mim no chão e beijou meu ombro por cima do moletom dele que eu usava. — Me distrai com um post falando sobre a gente. Acho que vou mudar o sobrenome no Twitter e Instagram logo, Tanya disse mais cedo que já estava tudo certo para essa mudança.

Ele concordou e me deixou fazer isso, a sensação era muito boa. Eu tinha finalmente o Cullen em minhas redes sociais, escolhemos juntos a foto para postar, o fotógrafo tinha nos enviado mais delas algumas horas antes, já que até então só tínhamos de oficial a que usamos no teaser.

— Essa.

— Com certeza essa.

Chegamos a um consenso optando por uma foto que estávamos na sala de música, sentados ao banco do piano de Edward e nos olhando. Era uma foto tão bonita, nossos olhos brilhavam de felicidade.

— O que vai escrever? — perguntei.

— Tava pensando em um trecho dos meus votos, com algum complemento.

— Vou roubar a ideia.

Edward gargalhou e começamos a escrever nossas legendas, concentrados em nossos celulares, mas corpos colados e comigo roubado um beijo ou dois.

A minha legenda ficou:

"Eu quero continuar cantando e vivendo com você, pirralho. Somos uma boa dupla, temos um reinado e a partir de hoje você venceu, ele se chamará Cullen.

O trecho acima foi o final dos meus votos. Edward e eu casamos no dia 15 de dezembro, um dos melhores dias de toda minha vida. Eu não poderia estar mais grata por ter o encontrado no meio do caminho dessa loucura que é a vida, estou absurdamente feliz por ser sua garota, amor!"

Olhei para Edward e ele sussurrou que já tinha postado a sua, eu verifiquei isso, enquanto meu marido olhava a minha postagem em seu celular.

A legenda dele, obviamente, me fez chorar:

"E eu vou pedir que você nunca pare de acreditar em como é fantástica, você merece o mundo, Capitã.

Ela é isso, ela é fantástica. Eu adoro essa parte dos meus votos, pois fala sobre como minha esposa é brilhante.

Sim, esposa!

Eu te amo, garota. E mais uma vez, você merece o mundo. É uma honra ser seu marido."

Com lágrimas nos olhos e mãos ansiosas para tocar Edward, digitei um comentário na publicação dele.

"Obrigada por fazer parte do meu mundo, pirralho. Você é o melhor marido, foi o melhor noivo e o melhor namorado. Sabe o quanto é fantástico? Eu estou pronta para te dizer o quanto todos os dias."

Então, recebi uma resposta dele em minha foto.

"Todos os caminhos dessa vida louca me levariam até você, Capitã. Quero viver tudo ao seu lado, amor. Você é minha rainha!"

— Droga, Edward! — Soltei meu celular e beijei meu marido com paixão.

***

Não transamos, só curtimos a companhia um do outro entre beijos e estava tudo muito tranquilo, até vermos que já era meia-noite, oficialmente Natal. Foi quando começamos a debater sobre os nomes para Donut, ele não queria abrir mão de sua opção, eu também não.

— Quero tatuar o nome dela — afirmou. — Assim que voltarmos para Los Angeles.

— Ok, você vai tatuar Catherine.

Ele resmungou e deixou a sala, eu não fui atrás, sabia que Edward voltaria e quando voltou foi com uma caneta em mãos.

— O que vai fazer? — perguntei contra uma canção qualquer do Neil Diamond tocando, Edward tinha colocado uma playlist do cantor para tocar antes em seu celular, tentando me convencer por Caroline.

— Você vai, escreve os nomes em mim. Vamos ver qual ficará melhor na minha pele.

Eu ri alto.

— Edward, não vamos decidir o nome dela por qual ficará melhor como sua tatuagem.

Ele revirou os olhos e voltou para o chão comigo, começando a rabiscar em si mesmo no antebraço esquerdo. Mesmo de óculos forçava sua vista para enxergar o que fazia, já que o único ponto de luz da sala era a lareira.

Eu vi que sobre a mesinha de centro perto da gente tinha velas perfumadas e isqueiro, peguei e acendi duas. A luz ainda era muito fraca, mas o cheiro de lavanda foi reconfortante.

— Edward, para com isso, não é assim que vamos decidir o nome — falei mexendo num ramo de azevinho que estava em cima da mesa também, algo que tinha sobrado da decoração de Natal.

Meu marido não disse nada, continuando a escrever os nomes em si. Segurei uma gargalhada para sua determinação e coloquei o ramo de azevinho em minha orelha, Edward, por fim, parou de escrever em seu antebraço e olhou para mim.

— Quero que seja Caroline.

— Eu quero que seja Catherine.

Ficamos em silêncio, apenas nos encarando, até que eu puxasse seu antebraço e visse os nomes. Eram lindos, mas eu tinha meu favorito.

— Gostei da ideia da tatuagem, depois que ela nascer e eu puder tatuar irei fazer o nome dela também.

— Quer ver como ficaria? — Sorriu.

— Só o Catherine. — Estendi meu antebraço direito, já que eu tinha minha tatuagem no esquerdo.

Edward escreveu Caroline, eu não protestei, deixei ele tentar vencer mesmo sabendo que não aceitaria o nome. Em seu celular outra música de Neil Diamond começou, Holly Holy, a versão original era dele, não a de Nancy Sinatra que dançamos mais cedo.

— Qual versão você prefere? — Edward perguntou e eu sabia que ele estava falando sobre a canção.

— Não sei — murmurei. — As duas são ótimas.

Toquei com a mão livre no azevinho em minha orelha, era o que holly queria dizer. Azevinho, uma planta muito usada na época do Natal em itens decorativos. Eu sabia ainda que o azevinho tinha a simbologia de proteção, felicidade e paz. Só que, Holly também era um nome próprio e parecia ser a forma usada por Neil em sua letra.

— Também não consigo escolher — Edward falou, terminou de escrever o Caroline e passou para o Catherine.

Acabou rápido, fiquei encarando os dois nomes em meu antebraço. O pai da minha filha também encarava, afagando minha pele e cantarolando a música.

— Essa canção é muito boa — admiti quando ela chegou ao refrão.

— Sim, também acho.

Não falamos nada pelo resto da música, concentrados em a ouvir e encarar os nomes sobre minha pele. Quando a canção chegou ao fim Edward e eu esticamos nossas mãos para o celular.

— Você ia colocar para repetir? — perguntei.

— Sim — confirmou e eu apertei o botão para a música voltar.

Nós deitamos juntos no chão, Edward fechou seus olhos e eu encarava o teto, podia ver as sombras do fogo da lareira dançando ali. A mão dele encontrou a minha, um aperto seguro.

Eu apreciei a música, a forma como ela começava tranquila e ia crescendo e crescendo. Senti meu coração acelerar com ela, uma vontade de chorar e sorrir ao mesmo tempo me dominar.

Não podia falar muito sobre o significado da canção pelo ponto de vista do próprio compositor, mas na minha interpretação ela falava a respeito de um amor forte, um amor tão forte quanto aquele que eu sentia por Edward e por nossa filha. Fechei os olhos e experimentei o nome em minha mente, sozinha antes de compartilhar, me imaginei a chamando daquela forma e foi incrível, eu queria.

Nenhum outro nome parecia tão certo.

Abri meus olhos, lágrimas já rolavam por meu rosto, porém, antes que eu falasse algo vi Edward sentar. Ele segurou meu antebraço delicadamente e deslizou a caneta ali, mesmo se eu não olhasse saberia o que ele estava escrevendo, sentia o nome ganhar forma em mim.

Quando terminou, os olhos de Edward se encontraram com os meus. Ele começou a chorar, eu sentei e beijei seu rosto.

— Esse é o nome dela, Capitã. — Tocou em mim onde o nome da nossa filha estava gravado. — Nem Catherine, nem Caroline. Tem que ser…

— Holly — completei, ele e eu sorrimos. — Tem que ser Holly.

Notas finais
Músicas usadas no capítulo: https://youtu.be/YQ3W1b9ZqX4 https://youtu.be/WgEVI8DEkF8 https://youtu.be/KNcXMdDiutg https://youtu.be/_f5spy3-9XM Beijos! Lola Royal. 07.05.20