Hollywood

91 Capítulo Noventa


Notas iniciais
Olá! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Grupo no Telegram: https://t.me/joinchat/MrT_3cJdpvtiZDdh —___ Me siga no Instagram: @autoralolaroyal —___ Músicas do capítulo: 1. https://www.youtube.com/watch?v=uQ9_MwZIaoc 2. https://www.youtube.com/watch?v=XqZsoesa55w 3. https://www.youtube.com/watch?v=ULTf0HFgH18 4. https://www.youtube.com/watch?v=KQetemT1sWc —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure profissionais especializados sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Noventa

Isabella Cullen

“Ed e Isabella Cullen estão de profissão nova: agora são babás!”

Meu marido seria um excelente pai, ele só não poderia dar sorvete para Holly. De resto, aquele homem já estava praticamente 100% pronto para criar um ser humano comigo, isso me acalmava, iríamos precisar um do outro para lidar com uma criança.

***

Seis mãos trabalhavam em mim, as do cabeleireiro, da maquiadora e da manicure. Porém, mesmo com tantas pessoas em meu quarto, cuidando da minha aparência e falando sem parar, só conseguia pensar em Edward.

Ele tinha ido se arrumar em outro quarto, depois de insistir que estava bem e que queria ir para a festa. Por mim, tinha cancelado tudo, estava furiosa. Não com meu marido, mas com a responsável por tê-lo deixado mal.

Queria dar um soco na cara de Genna Adams, também queria poder voltar no tempo e ter impedido ela de cruzar o caminho de Edward. Porra, eu queria poder protegê-lo de tudo.

— Precisa relaxar seu rosto — a maquiadora chamou minha atenção.

Suspirei, mas parei de franzir a testa.

— Muito melhor.

— Você deveria pintar os cabelos de loiro — o cabeleireiro falou. — Mesmo grávida pode, sabia disso? Tem...

— Não tenho interesse — resmunguei.

Fiquei mais alguns minutos sentada, sendo embelezada, quando isso era a última coisa que queria. Quando acabou, eu segurei ainda mais a vontade de chorar que também estava presente.

Não podia chorar, precisava continuar impecável, aquela festa teria que acontecer e eu tinha de estar lá com Edward e meu pai. O pessoal deixou meu quarto, peguei meu celular e mandei mensagem para meu marido, mas ele não tinha respondido até a estilista entrar com minhas roupas, jóias e sapatos para aquela noite.

— Espera aí. — Deixei a cadeira onde estava sentada e saí do quarto, seguindo até onde Edward estava no quarto do outro lado do corredor.

O músico estava sendo maquiado, de olhos fechados e com fones no ouvido. Parei ao seu lado, o maquiador não gostou da minha intromissão, mas ficou calado, toquei no braço de Edward, isso chamou sua atenção e por sorte não o assustou.

— Oi, linda. — Tirou um lado do fone.

— Tudo bem? Está precisando de alguma coisa?

— Tudo bem — murmurou. — E você? — Apenas balancei a cabeça em um sinal de positivo em resposta, afaguei seus cabelos, ele puxou minha mão e beijou a palma. — Relaxa — pediu.

— Ok.

Não tinha como relaxar, eu suspeitei que ele tinha me traído enquanto estava lidando com todo tipo de monstros em sua mente.

— Vou me vestir, mas tô com meu celular, qualquer coisa me manda mensagem ou liga, tá?

— Pode deixar — respondeu e beijou minha mão outra vez antes de soltá-la.

— Continua! — Estalei os dedos para o maquiador e voltei para meu quarto.

— Já tenho ideias ótimas para seu look do Grammys — a estilista falou.

Eu respirei fundo e me obriguei a ouvir, precisava distrair minha mente, depois voltava a surtar com a história de Edward.

***

Edward ficou pronto primeiro, sendo levado por Irina do quarto para a sala de música, onde uma fotógrafa fez dezenas de fotos dele. Eu fui em seguida para ser fotografada também, me obrigando a sorrir e fingir que estava feliz, não estava, longe disso.

— Você está linda! — Edward exclamou quando me viu, seus olhos brilhando a me ver. Eu sorri de volta, naquele instante ficando de fato um pouco mais alegre por ele aparentar estar mais animado, caminhei até perto dele e meu marido me deu um beijo demorado na bochecha. — Só pra não borrar seu batom, nem o meu.

Isso me fez rir, Edward beijou meu rosto outra vez.

— Eu te amo — falou e limpou meu rosto com um dedo, não tinha borrado seu batom, que dava só um realce a cor dos seus lábios, mas alguma marca ficou em mim.

— Também amo você, Betty — provoquei, ganhando um revirar de olhos dele, mas Edward continuava mais leve. Compartilhar o que tinha acontecido lhe ajudou, eu entendia, alguns problemas suavizavam quando falávamos em voz alta, mas também sabia que isso não sumiria com aquele trauma em sua mente, como sabia ainda que não era a primeira pessoa para quem ele tinha contado. Seu melhor amigo e seu psicólogo já estavam sabendo, o psiquiatra tinha uma ideia.

— Podem sentar ao banco do piano agora — a fotógrafa pediu, ela já estava aproveitando nosso momento para fotos de nós dois presos em nossa bolha.

Edward e eu sentamos lado a lado no banco, com ele segurando uma das minhas mãos entre as suas e minha cabeça repousando em seu ombro. Por um instante fechei os olhos, naquele momento seus lábios tocaram minha testa.

Várias fotos depois, conosco posando em todos cantos da sala de música, liberei a fotógrafa, que seguiria para a casa do meu pai e mandei Irina subir. Precisava de alguns minutos sozinha com Edward, que sentou no sofá e mexeu em seus sapatos.

Ele estava vestindo calça e camiseta pretas, com sapatos escuros que completavam o visual com um casaco cinza, tudo da YSL. Eu também usava a marca, um vestido preto de gola alta, mas não justa, de tecido quente suficiente para me manter aquecida, porém também tinha um casaco comprido preto com listras brancas e para finalizar botas que iam até metade das minhas coxas, com saltos baixos e quadrados.

— Tá apertado? — Sentei ao seu lado, Edward negou.

— Tá grande, mas dá pra usar. — Passou uma mão por seus cabelos, ele tinha dispensado o uso de gel. Os meus cabelos estavam bem ondulados, levemente mais curtos, eu tinha deixado o cabeleireiro cortar um pouco das pontas.

— Edward, você quer romper o contrato com a YSL? — perguntei, ele olhou para mim confuso e foi logo negando.

— O quê? Por quê? Claro que não, Bella!

— Porque a filha da Genna é uma das embaixadoras da marca, isso quer dizer que você pode acabar cruzando outras vezes com essa mulher.

— Não, nem pensar. — Ele ficou de pé, arrumando suas roupas que tinham amarrotado um pouco. — Esse é o melhor contrato que tenho hoje, o pessoal de lá até já cogitou te chamar para uma campanha. — Cogitaram? — Eu não vou fugir porque essa mulher está por perto, nem fodendo.

— Quero que você fique bem, talvez continuar com esse contrato, podendo…

Edward me calou, parou na minha frente e segurou minhas mãos.

— Esse era um dos motivos pelos quais não queria te contar, colocar outro problema em suas costas. Então, por favor, não pense que precisa resolver algo para mim, você não tem obrigação de consertar o que aconteceu, sequer existe uma forma de reparar esse erro. Aquela mulher fez o que fez, foi em um evento da marca e eu posso sim acabar cruzando com ela de novo em outro, mas não quero me esconder, não acho que isso seria benéfico para mim de qualquer forma. Também não quero que você fique pensando nisso sem parar, só vai mexer com sua própria ansiedade. Eu não vou mentir, falar que estou bem, mas estou me cuidando, tá?

Comecei a chorar, não foi possível continuar segurando. Soltei minhas mãos das dele, inclinei meu corpo e abracei meu marido pela cintura, encostando meu rosto em sua barriga, ele afagou meus cabelos e começou a pedir um milhão de desculpas.

— Bosta, eu não deveria ter contado nada para você, Bella.

— Cala a boca, deveria sim. — Desfiz o abraço e me levantei também. — Claro que precisava compartilhar isso comigo, sou sua esposa, porra. — Ele suspirou. — Preciso estar ao seu lado, preciso ser um apoio para você também.

— Eu só te coloco em problemas, já fui tão escroto com você.

— Para, não começa com isso. Você nunca me obrigou a nada, tá? — Ele apertou seus lábios. — Foi insistente no começo querendo ficar comigo, mas não se prende nisso, eu não estou. Não acho que você foi escroto como outros homens em minha vida foram, bem longe disso, Edward. E tá, você foi escroto com outras mulheres e isso é uma merda, mas pelo menos reconhece seus erros. Você acha que Paul reconhece? — Apertou ainda mais seus lábios. — Ou Richard?

— Me sinto a pior pessoa do mundo — confessou.

Suspirei e segurei seu rosto, foi a vez dele começar a chorar, o que borrou um pouco a maquiagem.

— Você não é a pior pessoa do mundo, Edward Anthony Cullen. Nunca foi, nunca será, tá bom? Tem seus defeitos, como qualquer outro ser humano, mas não é uma pessoa má como sua cabeça está te convencendo que é.

Ele olhou para baixo, ainda chorando, começando a tremer um pouco.

— Não vamos para essa festa — afirmei.

— Não, vamos sim. — Tirou minhas mãos de si. — Eu quero que essa campanha seja impecável, nada vai me tirar do caminho de ganhar um daqueles troféus.

— São só prêmios.

— São importantes para mim. — Esfregou o rosto limpando as lágrimas, só bagunçou mais a maquiagem dele. — E eu vou vencer. Então, vou para aquela festa, vou cantar, irei socializar, será tudo incrível. Você pode ficar se quiser.

— Claro que vou com você. Mas vamos atrasar, sua maquiagem precisa ser consertada.

Ele assentiu, eu estendi uma mão, Edward a segurou.

— Essa premiação, ou qualquer outra, nada disso me faz te amar mais ou menos, entendido?

— Eu sei, Capitã. Mas são tantos anos de carreira, sei que já conquistei muito, porém preciso desse reconhecimento.

— Ok, eu entendo. — Beijei sua mão. — Vamos lá, você tem uma campanha para fazer.

Ainda preferia que ele ficasse em casa descansando, mas iria estar ao lado dele para lhe ver buscar aqueles troféus, que em breve estariam em nossa casa.

***

Edward passou o caminho todo até a casa do meu pai jogando Candy Crush, ele também não parava de balançar sua perna. Eu fiquei calada, ainda processando tudo que ele tinha me contado sobre Paris, além de toda sua preocupação por conta dos assédios que já tinha cometido com outras mulheres.

Eu deveria sentir raiva dele por isso, mas não conseguia.

— Vou dizer para Tanya que não podemos ficar com Tina — murmurei pouco antes de chegarmos a festa, estávamos sozinhos no carro com meu motorista, seguidos por dois carros levando nossos seguranças, Irina e nossos maquiadores para caso precisássemos de mais reparos na maquiagem.

— Não, não faz isso. — Ele olhou para mim. — Sério, você já se comprometeu com a Tirana. Além do mais, ter a Tina por perto será uma distração. — Já tínhamos conversado sobre aquilo antes, mas no dia eu ainda não sabia tudo que tinha acontecido. — Vamos continuar com a operação babá.

— Esse é o nome de um filme, né?

— É sim, eu assisti quando era criança. — Guardou o celular no bolso. — Deu até vontade de assistir outra vez, mas espero que a Tina não seja uma peste como nesses filmes.

Eu ri.

— Você nunca foi muito próxima dela, né? — Pegou minha mão na sua, a afagando gentilmente.

— Não — sussurrei. — Não tinha como ser, ela me fazia pensar em como não queria ser mãe. Bom, como eu não achava mais que deveria ser mãe um dia.

Meu marido se inclinou e beijou meus cabelos demoradamente.

— Você já é uma mãe incrível para a Holly.

— Não está sendo muito difícil agora.

— Para. — Se afastou para me olhar. — Nem está na metade da gestação e já passou por tanta coisa, mas tem sido incrível como mãe.

Dei um pequeno sorriso, estiquei uma mão e acariciei seu rosto.

— Queria poder fazer mais nessa fase — ele falou. — Ser mais útil.

— Relaxa, quando ela nascer eu acordo só para dar de mamar e você lida com o resto. — Edward riu e assentiu.

— Ok, parece justo. Acha que deveríamos fazer um daqueles cursos preparatórios para pais? — perguntou, bem na hora que o carro entrou na rua da casa de papai, claro que lá fora estava uma grande quantidade de paparazzis, mas entramos nos limites da mansão sem problemas.

— Não sei, talvez. — Vesti meu casaco para deixar o carro. — Vamos pensar. Tô com batom nos dentes? — Sorri para Edward, meu batom era bem escuro e fácil de causar um acidente.

— Não, tudo em ordem. — Ele também vestiu seu casaco, a festa aconteceria em partes no interior do primeiro andar da casa e no quintal, lá fora alguns aquecedores, porém ainda iríamos precisar dos casacos caso o sistema de aquecimento não fosse suficiente para lidar com o frio.

— Certo, estamos atrasados, então você vai priorizar os nomes daquela lista que Irina deve ter te repassado.

— Ok. O Richard vem?

— Não recebemos nenhuma resposta dele, ele também estava fora das redes sociais nos últimos dias — falei, estressada só de pensar naquele homem de merda. — E evitei perguntar para meu pai.

— Tá. — Edward suspirou. — Prometo me comportar caso ele apareça.

O abracei, bem no momento que o carro parou na porta da mansão para sairmos. Um segurança abriu a porta, Edward desceu primeiro, me ajudando a sair, segurando a barra do meu casaco para não prender em lugar nenhum do carro.

Antes de entrarmos na casa, Irina apareceu ao nosso lado, falando quem já estava na festa.

— John…

— Richard Buttler? — Ed perguntou.

— Não apareceu, ao menos não até agora — Irina respondeu lendo as mensagens recebidas em seu celular.

Edward pareceu mais tranquilo com aquilo, eu também, seria um pequeno milagre Richard não aparecer aquele dia. Já tínhamos muito em nossas costas, menos um problema seria muito melhor.

Entramos na casa, Irina nos seguindo ainda falando quem já estava na festa. A primeira sala da casa já contava com alguns convidados, Tanya e eu tínhamos feito a lista de convidados, pegando alguns nomes também com meu pai, Carmen e Edward. Na maioria eram pessoas ligadas a música, mas também estavam alguns atores, modelos e empresários, de vários meios.

— Isabella, Ed, é tão bom ver vocês! — uma cantora country, mais velha, exclamou quando fomos falar com ela.

Desde aí não paramos mais de falar, tiramos uma dezena de fotos e fomos servidos com drinks sem álcool. Ed estava indo bem, mas eu ainda podia ver a tristeza em seus olhos.

— Duas palavras para você — Jasper falou em algum momento da festa, meu pai e Edward estavam conversando com um produtor musical, eu estava perto da mesa de comidas.

— O quê? — perguntei de boca cheia.

— Las Vegas!

Enfiei mais um queijo na boca, mastiguei, engoli e questionei:

— Pode me explicar melhor?

— O aniversário da Alice — ele explicou. — Falamos sobre isso anteontem, você já esqueceu? — perguntou magoado, isso me fez rir.

— Foi mal, não peguei de primeira, mas entendi agora.

Tínhamos mesmo conversado sobre, o aniversário de Alice seria no comecinho de Fevereiro e Jasper queria levá-la para viajar nas vésperas. Entretanto, ele estava em dúvida sobre o destino e queria minha ajuda.

— Enfim, o que acha de Vegas?

— Acho que ela vai adorar. — Ele pegou um dos queijos também. — Ela adora Las Vegas.

— Eu também. — Jasper piscou para mim, eu sabia que ele estava falando sobre quando fodemos com Ed na cidade do pecado. — Você e Edward precisam vir.

— Não precisamos não.

— Claro que precisam, eu pago.

— A questão não é essa, dinheiro com certeza não está em falta.

— Qual é, libera um pouco a agenda de vocês.

— A questão é que Edward não está bem, ele me contou o que aconteceu. — Jasper ficou imediatamente sério. — E tenho medo de que Las Vegas seja muito para ele lidar, com tanta bebida, drogas.

— Ele te contou hoje?

— Foi, logo que cheguei de New York.

— Pensei em te contar — confessou. — Fiquei muito preocupado com ele, mas Ed surtaria se eu fizesse fofoca sobre isso.

— Foi melhor você não ter dito nada mesmo, ele não ia gostar nada dessa quebra de confiança.

— Ele deveria estar aqui hoje? Ainda terá que se apresentar, foram dias bem complicados.

— Tentei fazê-lo ficar em casa, mas não consegui. Edward quer muito se dar bem no Grammy, ele está fazendo de tudo para essa campanha dar certo.

Jasper respirou fundo.

— Não dá pra julgar, ele tenta ganhar um desses desde que lançou a primeira canção…

— Bella! — Alec se juntou a gente, interrompendo Jasper e apontando um dedo para mim.

— O que eu fiz? — indaguei arqueando uma sobrancelha.

— Até onde eu sei, nada. — Ele sorriu. — Vim passar um recado da Ness, ela me mandou mensagem e pediu para avisar que vai atrasar mais, tá presa nas filmagens do dia.

— Tudo bem. — Eu apontei dele para Jasper. — Então, estou aqui na frente dos meus cunhados?

— Não sou seu cunhado — Alec disse rapidamente. — Sou no máximo enteado da sua sogra.

— Cara, você e a Renesmee estão sempre juntos — Jasper falou, me entregando um mini hambúrguer.

— Somos amigos — Alec declarou.

— O que vocês estão fofocando? — Edward apareceu e pegou um mini hambúrguer também.

— Sobre Alec e Ness não se assumirem — Jasper respondeu.

Alec resmungou.

— Não tem nada para assumir. E diferente de você e do Edward, eu não estou tendo um caso secreto com uma das irmãs Swan.

— Ei! — exclamei e dei um chute discreto na sua perna, meu marido riu e beijou sobre meu ombro.

— Casos secretos são muito bons — Edward disse. — Porém, eu prefiro agora. Amor, vim te buscar para tirar umas fotos comigo e com seu pai.

— Tá bom. — Passei meu drink para Jasper. — Até depois cunhado e Alec.

— Tchau! — Alec resmungou.

— Como você está? — perguntei para meu marido quando nos afastamos.

— Tô bem e sondei com seu pai, Richard não vem mesmo, tá viajando pra puta que pariu.

Excelente.

***

Depois de Edward e meu pai tocarem, fiquei com menos obrigações na festa, isso me permitiu sentar um pouco para descansar. Eu estava numa mesa com Santiago, que falava sem parar sobre Tina, quando minha irmã caçula surgiu.

— Nossa, finalmente você chegou — reclamei para Nessie.

— Eu sei, demorei que só, mas as gravações atrasaram pra caramba hoje. — Ela deu um rápido abraço em Santiago, depois outro em mim e roubou minha bebida ao sentar a mesa conosco. — Como está indo por aqui?

— Tudo bem, mas seu namoradinho já foi.

— Alec não é meu namorado.

— Eu nem falei nomes, você que pensou nele — provoquei.

— Ninguém te merece, Bella. E para sua informação, eu vou ter um encontro amanhã com outro cara.

— Com quem? — Santiago perguntou. — Você e Alec ficam bem bonitos juntos.

— Lucas, o novo agente do papai — ela contou e sorriu. — Ele é bem legal, vamos a um restaurante amanhã.

— Prefiro o Alec — afirmei.

— Você prefere mesmo, virou até amiga da ex dele — minha irmã protestou.

— Só nos aproximamos por conta do bebê.

— Bella, falando sobre ex, você sabia que o James tá de namorada nova? É uma maquiadora. — Santiago contou.

— Você voltou a ser amigo dele? Pensei que na separação tinha me escolhido — brinquei.

— Acabei conversando com ele por esses dias, não se sinta trocada — brincou de volta. — E aí fiquei sabendo que ele tá com essa maquiadora, mas ainda não assumiram publicamente, ela tá na equipe do novo programa dele.

— Aquele de viagens?

— Isso, eles já estão na Argentina gravando.

— Ei, você ficou sabendo dos testes daquela nova série de terror da Netflix que será gravada na América do Sul? — minha irmã questionou Santiago, os dois começaram o papo sobre atuação, gravação e eu me senti terrível.

Isso porque estava com saudades de atuar, os dias em New York acompanhando as gravações do meu clipe me fizeram sentir uma falta imensa do meu lado atriz. Eu nem tinha compartilhado nada disso com Edward, já que durante aquele tempo estávamos estremecidos.

Deixei Nessie e Santiago conversando, indo circular pela festa e distrair minha mente do assunto atuação. Vi Jasper e Carmen dançando, Tanya e Irina conversando com um produtor, Alice falando com meu novo assistente, então por fim localizei meu marido, batendo papo com Aro e Charlie.

— Estávamos falando de você! — papai exclamou e me deu um abraço, deixando seu braço sobre meus ombros.

— Posso saber o assunto? — indaguei desconfiada.

— Que você deveria voltar a atuar — Aro falou, Edward abriu um sorriso imenso. Parecia um sinal aquele ser o assunto deles, mas ignorei, não ia voltar a atuar.

— Viu, linda? Eu sempre falo isso!

— Fala? Nunca percebi — debochei, Edward resmungou, Aro riu.

— É sério, você deveria voltar a atuar — Aro disse. — Escute, estou rascunhando meu primeiro roteiro e você seria uma boa escolha para a protagonista.

— Qual o papel? Ela está interessada — meu pai falou, eu xinguei baixinho. — Calada, Bells.

— É uma biografia da Audrey Hepburn.

— Nem fodendo! — exclamei em pânico. — Perdão o linguajar, Aro, mas sem chances.

— Você seria mesmo perfeita para esse papel! — Edward exclamou.

— Não mesmo — neguei. — Foi bom conversar com vocês, tchau! — me afastei, antes do meu pai e Edward continuarem insistindo. — Até parece que daria certo, eu iria fazer o filme ser um fracasso. Imagina, eu interpretando Audrey Hepburn — fiquei falando sozinha.

Entretanto, foi impossível não imaginar como seria. E parte de mim achou que seria uma das maiores oportunidades da minha carreira, mas a parte lúcida era a que pensava sobre todas as críticas negativas que iria receber.

***

Na manhã seguinte Edward dirigia até o apartamento de Tanya e Santiago para buscarmos Tina, eu estava no banco do carona jogando Candy Crush e tentando me manter acordada. Não tinha dormido direito, diferente do meu marido que apagou no instante que deitou na cama.

More than a woman, more than a woman to me. More than a woman, more than a woman to me. Oh, oh, oh¹ — ele cantava, segurando o volante com uma mão, a outra estava sobre minha coxa, mexendo os dedos como se tocasse a canção em um piano.

Eu sabia que ele tinha começado o dia com muita náusea, por conta do seu remédio, então era bom vê-lo melhor e cantando.

— O que faremos hoje? — perguntou.

— Acho que é melhor ficarmos em casa com ela mesmo.

— Ok, mas podemos almoçar fora — Edward sugeriu. — Pegamos ela agora no apartamento e vamos dar uma volta por aí até a hora do almoço.

— Sei que é seu dia de folga, mas já que sugeriu sair, eu adoraria que você desse uma passada na gravadora para ouvir o que tenho de Anos, dar uns ajustes finais antes de Aro e o pessoal da edição acabar com o clipe. Pode ser? Mas caso não queira, tudo bem, sério.

— Claro que eu quero, é um trabalho divertido para mim, tem sido muito bom cuidar da produção de músicas. Podemos ir sim. Só espero que Valentina não quebre nada, caso quebre a Tirana vai pagar.

Eu ri e joguei meu celular dentro da bolsa que estava aos meus pés no chão do carro.

— Pensou sobre a proposta do Aro, Bella?

— Não vou atuar — respondi, colocando minha mão sobre a sua ainda em minha coxa.

— Interpretar Audrey seria…

— Edward, não — o interrompi. — Sério, eu não quero. Imagina o que não ia ouvir por interpretar alguém tão importante para o cinema quanto ela? Fora que já tenho trinta e dois, em breve vou estar parindo e não vou poder gravar logo, iria gravar esse filme com mais de trinta e três, já estaria muito velha para o papel.

— O intuito do Aro é fazer um filme com acontecimentos pós lançamento Bonequinha de Luxo, nessa época a Audrey já tinha mais de trinta e você pode facilmente passar por uma menina de vinte e poucos se quisesse, nessa ou em outra produção.

— Até parece.

Ele revirou seus olhos, tirando sua mão da minha para afastar uma mecha de cabelo do meu rosto. Fixou seu olhar no meu por alguns segundos e falou:

— Eu não vou ficar discutindo isso, mas acho que você deveria mesmo aceitar atuar nesse filme. Além do mais, você já interpretou uma Audrey antes e foi um sucesso, provavelmente o maior filme da sua carreira. Esse filme do Aro seria a melhor forma de voltar a atuar.

Não falei mais nada, ele também não. Ficamos em profundo silêncio até o prédio onde Tanya morava com sua família, com minha cabeça doendo ao pensar demais sobre aquele filme. Mas, não, eu não poderia atuar nele, seria pedir para ser atacada pelo público e imprensa.

Edward entrou com o carro na garagem do prédio sem problemas, nossa entrada já tinha sido autorizada, indiquei o número de vaga e ele parou entre os carros de Santiago e Tanya. Pegando meu celular de volta da bolsa mandei uma mensagem para ela, avisando que já estávamos ali.

Em cinco minutos o casal apareceu, ele carregava Tina e ela uma mala de mão da filha. Meu marido e eu deixamos o carro, a garota falou com a gente cheia de animação, Edward foi logo falando:

— Vamos, Tina. Vou te levar para nadar com tubarões.

— Você não é engraçado como pensa — Tanya resmungou e entregou a mochila para mim.

— Papai, eu quero nadar com tubarões — Valentina falou empolgada.

— Nem começa, Tina — Tanya ordenou e abriu seu carro, tirando lá de dentro a cadeirinha que deveríamos colocar no de Edward para a criança andar em segurança. Ela também pegou e me entregou uma pasta com o que já tinha me dito no dia anterior ser os documentos da filha, caso precisássemos de algum deles para uma emergência.

— Ed, Bella, vocês serão mais felizes se evitarem dar doce para essa garotinha — Santiago falou e deu um beijo na bochecha da filha, ela fez cara feia.

— Papai, é sábado, mereço sorvete.

— Poxa, ela não pode nem um pouco?

— Pode, mas você vai lidar com as consequências dela agitada, Tanya e eu estaremos em São Francisco curtindo um hotel caro — Santiago respondeu a pergunta de Edward e colocou a filha no chão. — Vamos colocar a cadeirinha no seu carro, Cullen.

Edward concordou, Santiago pegou a cadeirinha com Tanya e os dois foram até a parte de trás do carro.

— Tina, você promete se comportar com a tia Bella e o Ed? — Tanya questionou a filha, preocupada.

— Prometo, mamãe. — Tina saltitou até me dar um abraço, eu sorri e a abracei de volta. Então, a garota se afastou para ir até Santiago e Edward.

— Ela vai ficar bem — garanti para minha amiga.

Tanya suspirou.

— Qualquer coisa liga pra gente na hora, tá? Pegamos o primeiro voo de volta para Los Angeles.

— Relaxa, nós damos conta. Qualquer coisa temos a Esme aqui para ajudar — confessei meu plano B, isso fez Tanya rir.

Os homens terminaram com a cadeirinha, Tina se despediu dos pais e eu ajudei Ed a colocá-la no carro, deixando sua mala no porta-malas. Demos tchau para Tanya e Santiago, então deixamos o prédio.

— Vamos nadar com tubarões mesmo? Eu não trouxe roupa de banho — Tina disse no carro, enquanto eu guardava sua pasta na minha bolsa.

— Não vamos nadar com tubarões — Edward respondeu rindo. — Mas vamos te levar para um dos melhores lugares do mundo!

— Disney?

— Não, nossa gravadora, muito mais divertida do que a Disney.

— O Mickey discordaria de você, Ed.

Aquilo me fez gargalhar, a garota era terrível como a mãe dela, seria um final de semana interessante.

***

Edward tinha melhorado muito minha música, eu estava no estúdio com Tina sentada em meu colo, ouvindo as alterações que meu marido tinha feito na canção que escrevi sobre nós dois.

— Agora está perfeita! — exclamei entusiasmada.

— Está mesmo muito melhor — Laurent, que estava na gravadora e se juntou a gente, concordou. — Depois de um tempo do lançamento de Anos, sabe o que seria bom? Chamar um DJ para fazer um remix dela. — Eu fiz cara feia, mas Edward pareceu gostar da ideia.

— Seria interessante, podia ser relançada no verão. O que acha, linda?

— Não sei, não. Não vejo como uma música de balada. — Mexi nos cabelos de Tina, que estavam presos em um rabo de cavalo. — Mas podemos debater sobre isso depois.

— Perfeito! — Laurent exclamou. — É uma grande música, de qualquer forma deve fazer muito sucesso.

— Disso não temos dúvidas. — Edward piscou para mim. — Laurent, vamos almoçar, vem com a gente?

— Não posso, tô indo para Boston hoje a tarde e preciso terminar minhas malas, é casamento de um amigo amanhã. Vejo vocês depois. Tchau mini, Tanya.

— Tchau! — Tina acenou para ele.

Laurent deu tchau para Edward, elogiou minha música mais uma vez, se despediu de mim e deixou a sala em que estávamos.

— Ed, eu quero cantar também — Tina disse, isso fez com que nós dois sorrissemos na hora. Como dois amantes de música, escutar aquilo era tão bom. — Posso gravar um álbum, tia Bella?

— Podemos te colocar numa cabine de gravação e você canta suas canções favoritas, o que me diz? Gravamos e salvamos para seu pai e sua mãe escutarem quando voltarem da viagem.

— Beleza. — Ela deixou meu colo. — Vamos gravar agora! — Suas mãos estavam quase tocando o painel de controle, mas Edward a pegou no colo.

— Agora vamos almoçar! — ele deixou claro, a distraindo de acabar quebrando algo. — Depois voltamos. Vem, Capitã.

Deixamos a gravadora, no caminho até o restaurante escolhido, Tina nos fez colocar músicas infantis para tocar. Músicas infernais, eram grudentas e irritantes.

— Tia Bella, podemos ir voar de helicóptero perto do letreiro de Hollywood? Vi uma garota fazendo isso na TV e também quero.

Olhei para ela no banco de trás.

— Ed não gosta de voar, Tina.

— Não, por mim podemos ir — meu marido falou e olhei para ele. — Sério, já tô medicado mesmo — murmurou para ela não escutar. — E voar não tem sido mais tão estressante. — Aumentou sua voz em seguida e falou com a garota. — Tina, vamos ver com seus pais se eles deixam a gente te levar nesse passeio, tá? Se eles deixarem e o tempo estiver bom, vamos amanhã.

— Vai ser tão legal! — ela soltou um gritinho animado.

Eu sorri para a menina, depois me movi no banco para beijar o rosto de Edward.

— Vou falar com meu assistente para cuidar das coisas do voo, caso a gente vá — fui logo mandando mensagens, uma para Tanya também, mas não achava que ela fosse me responder logo, provavelmente estava aproveitando seu marido.

— Ed, tia Bella, ainda vai demorar pra Holly nascer?

— Mais alguns meses, Tina — Edward respondeu.

— Poxa, falta muito, quero brincar com ela logo. Ed, você pode levar a Holly e eu para nadarmos com tubarões, que tal?

— Tina, a história dos tubarões foi uma brincadeira, é perigoso — ele explicou.

— Mas seria tão legal, eles são tão fofinhos e eu amo Baby Shark.

— Não começa a cantar, não começa a cantar — murmurei, mas claro que ela cantou.

— Holly não irá ouvir essas músicas — Edward decretou, enquanto a criança no banco de trás cantava alto sobre tubarões, causando dor de ouvido em nós dois.

***

Almoçamos, depois Tina brincou no parquinho do restaurante, com Edward a supervisionando. Enquanto eu acertava tudo para o nosso passeio do outro dia, que os pais dela tinham permitido, também aproveitava para descansar um pouco antes de voltarmos para a gravadora.

— Hora de ir gravar! — Edward voltou para a mesa com a criança, ela estava sentada sobre os ombros dele, se divertindo muito com isso.

Era tão fofo ver meu marido com crianças, se eu ainda não estivesse grávida seria capaz de pedir para ele me dar um filho depois de ver toda aquela fofura.

— Já paguei, podemos ir.

Saimos do restaurante e logo estávamos cercados por nossos seguranças, que eu tinha chamado depois que fomos para a gravadora, nos escoltando até o carro de Ed e mantendo os paparazzis que tinham nos encontrado longe.

— Ed, Ed, como está sendo esse dia de babá?

Edward tinha tirado Tina de seus ombros, segurava a menina em seus braços e com uma mão puxou o capuz do moletom que ela usava, escondendo o rosto de Valentina das câmeras invasivas. Isso me perturbou, foi impossível não pensar em como Holly seria perseguida por aquelas pessoas enquanto estávamos saindo de um simples almoço.

— Isabella, você viu o que sua mãe postou no Instagram? — a pergunta me fez parar de andar por um instante, não tinha nenhuma informação de Renée desde que ela tinha ido a minha casa.

Um dos seguranças tocou em meu braço e me fez voltar a andar, Edward já estava colocando Tina no carro. Ele garantiu que ela estava bem lá dentro, fechou a porta dela, abriu a minha e só quando eu estava segura no interior do carro ele entrou.

— Que gente chata — Tina reclamou.

Edward a distraiu falando sobre o que faríamos na gravadora, eu entrei no Instagram, precisava ver o que Renée tinha postado. Se fosse algo sobre Holly, ou minhas irmãs, ela estava fodida.

“Hoje eu aceitei Jesus!”

Era como começava seu texto, a foto era dela em uma igreja, junto de um homem que eu não conhecia.

“Após tantos erros em minha vida, hoje eu busquei o caminho correto. Peço desculpas a todos que um dia machuquei com meus atos, era outra mulher, uma que não conhecia o Espírito Santo. Hoje fui batizada, em uma igreja que me acolheu no meu momento de maior tormento. Espero um dia poder trazer minha família para a igreja comigo, espero um dia ser abraçada novamente por eles. Busquem por Deus, apenas Ele é a salvação.”

Ela escreveu mais sobre a igreja, o pastor que era o homem na foto com ela, mas eu ignorei essa parte.

— O que aconteceu? — Edward me perguntou baixinho.

— Renée se batizou, agora é de uma igreja evangélica e tá pagando de boa senhora arrependida.

Edward suspirou, esticou uma mão e afagou meus cabelos.

— Ainda teve a cara de pau de falar que queria a família dela lá.

— Você acha que dá pra enfiar um processo nela por isso?

— Nomes não são citados, seria só birra da minha parte e muito mal visto processar envolvendo um post sobre religião. — Desliguei meu celular, controlando a vontade de postar chamando Renée de cretina. — Ela que se foda.

— Tia Bella, você falou uma palavra feia!

— Merda, esqueci que você estava aqui, Tina. — Me virei para olhá-la.

— Outra palavra feia.

***

Passamos o resto da tarde e comecinho da noite na gravadora, Tina acabou gravando três canções infantis e claro que uma delas era a do tubarão insuportável. A maior parte do tempo ali se deu com Ed e eu a ensinando como tocar alguns instrumentos e a mexer nos equipamentos do estúdio, ela adorou tudo e nós também, era o máximo repassar informações sobre música.

Já em casa, Edward pediu o jantar, algo saudável, por mais que a criança estivesse implorando por pizza. Mas, ele a convenceu que era melhor comer algo nutritivo.

Depois do jantar eles ficaram brincando com Mads e Shrek, Jude estava deitado no sofá comigo, enquanto eu respondia mensagens e e-mails. Uma das mensagens era de Alice, ela já sabia sobre a viagem para Vegas e queria muito que Ed e eu fossemos junto, também ia convidar nossa irmã. Expliquei que não seria o melhor para meu marido, mas ela ficou insistindo, eu a ignorei. Também ignorei quando puxou o assunto Renee, não queria terminar meu dia pensando naquela mulher.

Em algum momento Tina deitou no chão, perto de Madonna e estava quase dormindo ali mesmo. Foi o sinal de que a menina precisava se preparar para dormir de fato, larguei meu celular e chamei por ela.

— Tina, vamos subir. Você toma um banho e dorme na cama.

— Tá ok, tia Bella. — Ela se arrastou do chão, levantei, a segurei pela mão e subimos para o quarto de hóspedes que estava pronto para recebê-la.

A ajudei no banho, depois lhe ajudei a colocar seu pijama e a levei para cama. Amy estava ali, Valentina insistiu para eu não tirá-la.

— Durma, durma, durma — murmurei cobrindo e descobrindo a cabeça da menina com o edredom repetidamente, isso fez com que nós duas rissemos.

— Tia Bella, hoje foi muito divertido.

— Foi? Fico feliz que você gostou de ter a mim e Ed como babás, amanhã tem mais. — Apertei a ponta do seu nariz. — Mas para isso você precisa dormir.

— Canta uma música para eu dormir? Pode ser Baby…

— Pode ser qualquer uma, menos essa! — Tina soltou um risinho.

— Brilha Brilha Estrelinha? — sugeriu.

— Ok, canção aprovada!

Eu me movi e deitei ao seu lado, aproveitando o fato de ser uma cama de casal, estava muito cansada para ficar sentada. Amy tinha deitado sobre a barriga de Tina, que afagava os pelos da gatinha.

— Três, dois, um… Brilha, brilha, estrelinha — cantei, enquanto aproveitava para mexer nos cabelos de Tina, que fechou seus olhos.

Porém, ela não dormiu de primeira. Tive de cantar a música inteira, três vezes, até a filha de Tanya dormir. E quando isso aconteceu, eu me vi compelida a cantar uma quarta, depois uma quinta e em algum momento acabei pegando no sono também.

Quando acordei, não sabia que horas eram. Deixei com cuidado a cama, Amy ainda estava ali com Tina. Saí do quarto fazendo o mínimo de barulho possível e segui até o meu, encontrei Edward no banheiro, a escova de dentes presa entre os lábios no meio da escovação e usando as mãos para mexer em seu celular.

— Que horas são? — perguntei, tirando minhas roupas para tomar um banho.

Ele deixou o celular na bancada da pia, terminou a escovação rapidamente e me respondeu:

— Pouco mais de meia-noite, você dormiu por umas duas horas. — Edward começou a tirar suas lentes de contato. — Fui ver como estavam e te encontrei dormindo, achei melhor te deixar descansar.

— Ela me fez cantar sem parar. — Dei um beijo no ombro nu dele, Edward estava usando só uma cueca e pelo cheiro de sabonete que emanava de si já tinha tomado seu banho. — É melhor você vestir mais roupas, Tanya falou que Tina pode aparecer no nosso quarto no meio da noite.

— Beleza. Eu tava falando com sua irmã e Jasper, eles nos convidaram para Vegas.

— Não acho que ir é uma boa ideia, você não está bem. — Entrei no chuveiro, Edward se aproximou, mas ficou longe da água.

— Quero ir, Capitã. Sei que tô num momento de merda. — Ele olhou para o chão e começou a apertar uma mão na outra. — E que Las Vegas não é o melhor lugar para alguém com meus vícios, porém seria divertido ir viajar com Jasper e sua irmã, uma pausa no meio dessa loucura da campanha. Também precisamos ser francos, Las Vegas é cheia de tentações, mas não é como se em Los Angeles eu estivesse blindado, na casa do seu pai tinha álcool e cigarro para todo lado, uma vez que fui ao banheiro tinha um casal cheirando lá.

Apertei meus lábios ao escutar aquilo, a água caia sobre minha cabeça.

— A única forma de fugir de tudo isso seria mudar para uma fazenda e só receber lá pessoas que concordassem em não consumir nenhum tipo de drogas.

— Podemos ir morar em uma — brinquei, Edward riu e ergueu o olhar para mim. — Vamos comprar uma do ladinho da de papai, vocês serão vizinhos.

— Até parece — resmungou. — Então, Vegas? Se você não quiser ir eu entendo, ficamos aqui.

— Me deixa pensar? Te dou uma resposta amanhã.

— Certo, sem problemas. Vou terminar de me vestir para dormir.

Edward deixou o banheiro, levando seu celular, eu continuei meu banho pensando sobre a possibilidade de viajar. Sequei meus cabelos, mas durante esta tarefa tentei focar apenas nela, sem ficar pensando em tanta coisa que sempre vinha à minha mente.

— Espero que a Tina não queira ser cantora, ela não leva jeito — Edward falou quando deitei ao seu lado na cama.

Ouvir aquilo me fez gargalhar, meu marido riu também e me abraçou. Estávamos de frente um para o outro, isso fez com que Edward me desse um beijo rápido antes de colocar seu rosto perto do meu pescoço.

Ficamos ali, abraçados, unidos. Porém, eu ainda me sentia mal por ter duvidado dele.

— Nunca deveria ter desconfiado de você — murmurei, ele não disse nada. — Me perdoa.

O músico suspirou.

— Eu que errei, Bella.

— Você não errou…

— No passado, com você, com outras pessoas. Fiz tanta merda.

— Ok, chega de falar! — ordenei, ele bufou, mas voltamos ao silêncio.

Um tempo depois, Edward começou a chorar. Eu apertei ainda mais nosso abraço, de alguma forma tentando tirar aquela dor dele, nem que ela passasse para mim. Isso não era lá muito saudável, mas odiava vê-lo sofrer.

***

Valentina e Edward estavam cantando na cozinha no dia seguinte, a música da vez era uma antiga dele sobre o verão. Uma letra limpa, sem alusão à drogas, sexo, ou qualquer coisa que a garota não devesse estar escutando.

Já estávamos prontos para sair, nosso passeio de helicóptero aconteceria logo mais, porém Ed e eu decidimos tomar café da manhã em casa e evitar expor mais de Tina. Pedi delivery, mandei uma foto de tudo para Tanya e fingi que tinha feito a comida, claro que ela sabia ser mentira e riu da minha cara.

Eu ainda estava com o celular na mão quando Renesmee me enviou uma mensagem.

Ness: Oiiii!

Bells: Feliz? Isso quer dizer que seu encontro com o agente do papai ontem foi bom?

Ness: Foi bom, melhor do que dormir com Alistair daquela vez.

Ness: Quero dizer, não transei com Lucas para comparar o sexo.

Ness: Mas foi bom sair com um cara e me divertir.

Bells: O que vocês fizeram?

Ness: Jantamos e depois fomos jogar boliche.

Ness: Ele é muito legal, vamos sair mais tarde de novo, dessa vez para uma galeria de artes.

Bells: Que tédio de encontro…

Ness: ISABELLA!

Bells: Tô brincando.

Bells: Agora me conta, onde o Alec entra nessa história?

Ness: Como assim?

Bells: Você saindo com outros caras de novo, vai dar uma chance para ele?

Ness: É complicado.

Bells: Por quê?

Bells: Até onde eu sei a Amber vai ficar com Samuel em Los Angeles, logo Alec não precisa mudar para longe daqui e longe de você. E vai por mim, ela não gosta mais tanto dele e tá claro de quem o Volturi gosta.

Ness: Tenho medo de não dar certo entre nós dois.

Ness: Dele e eu ficarmos juntos, mas alguma coisa acontecer e nos afastarmos. Alec virou um grande amigo meu, não quero perdê-lo enfiando um romance no meio.

Bells: Você vai se arrepender mais disso do que se algo desse errado… Nem sabe se algo vai acontecer e foder com o relacionamento de vocês, está só pensando muito e se sabotando, sabotando uma relação que nem começou.

Ness: Já sofri pra caramba com o Nahuel.

Bells: E eu sei, não tô falando que seu medo não tem fundamentos. Mas, você não pode ficar presa neles, Nessie.

Bells: Pensa nisso com carinho, tá?

Bells: Mas te apoio a sair com outros caras se quiser isso, talvez você precise disso, foi muito tempo com aquele maldito.

Ness: Ele tá morto, não fala assim.

Bells: Ele bateu em você, não me peça para emitir palavras doces sobre Nahuel.

Ness: Ok, vamos mudar de assunto, como você tá?

Bells: Tô bem, mais ou menos.

Ness: Algo com Edward? Ele tava estranho quando dormiu aqui em casa. Foi alguma recaída, por isso ele voltou a tomar remédio controlado?

Bells: Não, sem recaídas, ele só não estava bem.

Eu não poderia contar os motivos, eram deles, não meus para espalhar.

Bells: Você vai para Vegas?

Ness: Vou sim, estou animada com isso, quero me divertir.

Ness: Você e Ed vão?

Bells: Estou pensando sobre, até mais tarde decido.

Ness: Ok, decide hoje mesmo, eu me ofereci para pagar o jatinho e já quero fechar tudo amanhã.

Bells: Pode deixar, mais tarde te digo se vamos.

Ness: Certo, preciso largar o celular agora, combinei de ajudar Carmen com o jardim.

Tina e meu marido já tinham parado de cantar quando parei de trocar mensagens com minha irmã, mas a garotinha falava animada sobre o dia que tivemos na gravadora no sábado. Eu me servi com um copo de suco e pães, estava faminta aquela manhã.

Meu celular acendeu novamente, eu tinha uma nova mensagem. Limpei as mãos e o peguei, era uma mensagem de Aro.

Aro Volturi: Você sabe dançar balé, não sabe?

A pergunta me confundiu, mas respondi.

Isabella Cullen: Faz anos que não pratico, devo ter esquecido tudo. Por quê?

Aro Volturi: Você seria mesmo perfeita para o papel de Audrey. Me deixe saber caso mude de ideia, tá bom? Tenho outros projetos antes desse, ainda preciso acabar o roteiro também, mas irei segurar o papel para você o máximo possível.

Aro Volturi: Posso ser sincero? Escrevendo ontem e hoje, depois de te conhecer melhor em New York, só consigo visualizar você como a protagonista desse filme.

Aro Volturi: E dizem que dançar balé é como andar de bicicleta, nunca se esquece.

Eu sorri, outra mensagem chegou, daquela vez de Edward.

Pirralho: Amo seu sorriso.

Olhei para ele, que piscou para mim. Aquele homem seria capaz de muitas coisas para me ver atuando naquele filme, porém a auto sabotagem era mais forte do que isso. Eu não podia julgar Renesmee, o medo era muito paralisante na maioria das vezes.

***

Duas opções de passeio foram oferecidas: uma de 15 minutos, com foco na área do letreiro e uma de quase uma hora, que voaria por boa parte da cidade e arredores. Escolhi a primeira, não precisava trancar Edward em um helicóptero por tanto tempo.

Com tudo pronto entramos no helicóptero, ele estava apreensivo, mas não era nem de perto o nervosismo que sentia em voar como no passado. Ele e eu sentamos perto das janelas, Tina reclamou por ficar no meio, mas era necessário por conta do peso.

Quando já estávamos no alto, podendo ver a placa, eu comecei a tirar fotos, da paisagem e nossas de dentro do helicóptero. Era um dia frio, mas ensolarado, o céu estava bem claro e lindo. Valentina fez várias perguntas, eu respondi as que sabia, o piloto também respondia às questões da garota, a maioria delas sobre o letreiro. No meio disso, Edward começou a cantar Here Comes The Sun dos Beatles, uma vez que usávamos fones de ouvido, sua voz causou um arrepio bom em meu corpo, parecia que ele estava cantando colado em mim.

Olhei para ele, vi meu marido distraído olhando para fora. Ele era a pessoa do lado do letreiro daquela vez, foi naquele momento que percebi algo. Ignorando algumas letras, poderíamos ter o nome de nossa filha naquele letreiro.

Com meu celular procurei o melhor ângulo, enquadrando a foto de forma que apenas as cinco primeiras letras da palavra Hollywood ficassem aparecendo e o resto da foto era do perfil de Edward.

— Edward? — O músico parou de cantar e me olhou, dando um sorriso tranquilo. — Olha isso! — Eu mostrei a foto tirada em meu celular, os olhos dele se arregalaram por trás dos óculos que usava aquela manhã, então ele sorriu ainda mais.

— Quanto será que cobrariam para deixarem a placa assim? — questionou. — Eu pagaria o que for. — Esticou uma mão por cima de Valentina e tocou em minha barriga.

— O que foi? — a menina questionou confusa.

Eu apontei para a placa.

— Me diz a primeira letra, Tina.

— É H.

— E a próxima? — Edward tirou sua mão de mim, colocando sobre a cabeça da criança entre nós dois.

— O, tia Bella. Tá escrito Hollywood, eu sei ler.

— Foco, qual a terceira?

— L, depois outro L.

— E por último?

— Y, a outra…

— Não, vamos parar no Y — anunciei. — Me diz o nome que forma.

A garotinha pensou, Edward riu, ela entendeu.

— Forma Holly, como a filha de vocês!

— Exatamente. — Toquei em minha barriga. — O nome dela é tão especial.

***

Edward cometeu um erro terrível, decidiu que Tina merecia um pouco de sorvete após o almoço. Não um simples sorvete, um com calda e M&M's. O açúcar fez com que a garota ficasse mais agitada do que nunca, correndo pelo quintal com os cachorros e Woody, Amy estava deitada no meu colo, eu tinha sentado na varanda e via a filha da minha melhor amiga parecer ter sido possuída pelo espirito de um corredor.

Eu queria subir para meu quarto e dormir um pouco, deveria ser responsabilidade de Edward cuidar da garota cheia de açúcar, uma vez que foi ele o culpado por ela estar chapada de doces. Entretanto, meu marido pediu para que ficasse de olho nela, pois ele tinha algo importante para fazer dentro de casa.

— Tia Bella, vem brincar comigo! — Tina implorou, jogando a bolinha para Jude pegar. O cachorrinho estava se esforçando, ele já era bem idoso e com certeza não acompanhava o ritmo de Madonna ou Shrek, nem do nosso gato maluco.

— Nem fodendo — murmurei, mais alto para que ela pudesse escutar, falei a versão livre para todos os públicos da minha resposta. — Estou cansada, quem sabe depois.

Não ia rolar, eu já estava contando os minutos para Tanya aparecer e levar sua filha elétrica. Precisava de paz, ser babá era tão exaustivo.

— Capitã. — Edward apareceu, ele tinha um sorriso travesso no rosto. — Inventei a brincadeira perfeita.

— Inventou? É dar sonífero para Valentina no suco? Eu topo.

— O quê? Não. — Riu. — Tina, vem aqui — chamou por ela, ela correu até ele, seguida por Madonna, Jude andou para longe para deitar ao Sol, Shrek e Woody ficaram se perseguindo. — Lembra que ontem te contei sobre o reality show que participei? — perguntou para a menina quando ela se aproximou.

— Lembro, o The Star UK.

— Exatamente, você falou que parecia divertido, não foi? — Ele se agachou para ficar na altura dela, mexendo nos cabelos da menina que eu tinha feito uma trança mais cedo.

— Sim, parece que foi bem legal.

— E se eu te falar que fiz uma versão Casa do Ed?

— Como assim? — eu fiz a pergunta.

— Senhoras, me acompanhem! — Ele ergueu o corpo e indicou o interior da casa.

— Preciso mesmo levantar? — protestei, mas tirei Amy de cima de mim e fui atrás dele e Tina.

Edward nos levou até a sala de TV, lá dentro algumas coisas tinham mudado. No entanto, a primeira coisa que chamou minha atenção foi a TV, nela estava sendo exibida uma foto da nossa casa, com uma montagem bem duvidosa escrita The Star: Casa do Ed.

Um dos sofás estava de costas para a TV, com uma mesa que não era daquela sala ali, mas era mais alta. Em cima dela um copo de água e várias folhas de cadernos amontoadas, eu vi o número um na primeira. Os outros sofás da sala tinham sido afastados até as paredes cobertas pela coleção de DVDs, criando um espaço aberto.

Meu marido também tinha levado para lá dois violões, um microfone, um amplificador e uma caixa de som. Ele também pegou meu teclado, que eu nem usava desde que ganhei meu piano.

— O que é exatamente isso?

— Vocês estão no The Star: Casa do Ed! — ele exclamou e abriu os braços. — Serei o jurado e vocês as participantes do meu reality show, escolham suas músicas.

Tina correu até meu teclado, já falando que ia tocar Baby Shark. Coitada, como se fosse fácil assim.

— O que me diz? Não sou um gênio das brincadeiras? — Edward perguntou, se aproximando de mim e segurando meu rosto entre suas mãos. Ele tentou me beijar, mas desviei.

— Não posso beijar o jurado, iriam me acusar de estar manipulando o reality. E soube que minha concorrente é muito boa. — Ele riu, se inclinou e disse em meu ouvido.

— Você já ganhou o coração do jurado, concorrente número 1.

— Ok, mas me explica algo, jurado. — Ele tirou as mãos de mim e seus olhos se encontraram com os meus.

— Diga.

— Por que o nome é Casa do Ed se eu também moro aqui?

— Porque você não podia ser uma jurada também, eu precisava de duas concorrentes. Agora para de enrolar e escolhe sua música.

***

Valentina já estava dormindo quando Tanya e Santiago chegaram, eles seguiram direto do aeroporto até nossa casa para pegá-la. Edward estava carregando ela no colo, então ajudou o pai da menina a colocá-la no carro.

— Como foi? — minha amiga quis saber.

— Exaustivo. Estou feliz que ela está indo — confessei, Tanya achou graça.

— Em alguns meses você não vai poder mandar a criança longe, durma o quanto puder agora.

— Obrigada, que bom ouvir isso — ironizei, ela sorriu e afagou meu braço.

— Ela comeu muito doce?

— Tomou um sorvete turbinado com Edward hoje, nem sei como já tá dormindo. Enfim, vocês decidiram algo sobre o assunto?

— Vamos fazer terapia de casal — contou e deu um sorriso nervoso. — Um passo para sabermos se adoção seria o caminho certo, ou para quem sabe, no meio do caminho a ideia sobre engravidar novamente mudar.

— Entendo. — Eu a abracei apertado. — Qualquer coisa tô aqui com você, amiga.

— Sei disso, obrigada por cuidar da Tina. E mandar as músicas dela, vamos ouvir hoje ainda.

— Por nada, mas não quero ficar babá de novo tão cedo.

— Credo, nem deve ter sido tão puxado assim.

— É, talvez não, mas eu tô com a cabeça cheia. — Olhei para Edward, ele estava perto do carro conversando com Santiago e parecia contar sobre o reality em nossa sala de TV.

— O que aconteceu com o Edward, Bella? Quando ele voltou de Paris você falou que ele estava estranho, que tinha medo dele ter te traído, depois ele voltou a tomar remédios… Posso ajudar em algo? — De onde estávamos Edward e Santiago não conseguiam nos escutar.

— Ele não me traiu, aconteceu outra coisa, mas eu não posso te contar, é assunto dele.

— Tudo bem, seja lá o que for, qualquer coisa eu também tô aqui para ajudar vocês, tá?

— Eu sei, você é a melhor.

— Sou mesmo! — disse empolgada, inclinou o corpo e beijou minha barriga. — Oi, Holly. Se comporta e deixa sua mãe descansar até seu nascimento, garotinha. Agora preciso ir colocar a outra garotinha na cama. — Tanya beliscou minha bochecha. — Te vejo amanhã na produtora. Sério, mais uma vez, obrigada por cuidar da Tina.

— Desculpa não ter sido mais presente na vida dela antes. A garota claramente sempre me adorou e eu não fui das melhores pessoas.

— Relaxa, ela te adora mesmo, deve tá nas nuvens de ter ficado aqui com você e o Ed. Holly já é uma menina de sorte por ter vocês.

***

Eu estava na cama mexendo no Twitter, mais para ler sobre um jogo de futebol americano que tinha rolado mais cedo do que qualquer coisa. Entretanto, no meio disso tudo, um tweet de uma conta de fofoca apareceu para mim.

Eles estavam compartilhando um vídeo que eu tinha postado no Instagram aquela tarde, nele eu gravava meu marido falando preferir Dirty Dancing, enquanto eu defendia Footloose, o assunto surgiu quando acabamos com a brincadeira do reality onde cantei a canção do filme que preferia. Não era uma briga, mas a legenda sensacionalista do Gossip Hollywood fazia parecer.

“Assista vídeo de Ed Cullen discutindo com esposa.”

Ao menos muitos dos comentários sobre o vídeo eram amenos, a maioria era escolhendo seu lado sobre o filme favorito. Outro comentando como Edward estava bonito, eu nem aparecia na filmagem. E uma outra parcela considerável falava sobre a voz de Tina que soava ao fundo pedindo por mais sorvete.

“A Tina com eles é tão fofa!”

“Eu te entendo, também queria sorvete, Tina.”

“A risada do Ed quando a Tina pede mais sorvete.”

“Imagina esses dois quando a Holly nascer.”

No meio daquilo tudo vi até um comentário de Isaward Swullen.

“Tina, Ed e Bella juntos será o motivo da minha morte!”

— Fala sério, nós arrasamos! — Edward entrou no quarto, com sorvete em mãos. Sentou ao meu lado, me ofereceu o doce, mas recusei.

— Valeu, não tô com vontade, não. Arrasamos no que?

— No lance babás, ela não sofreu um arranhão, aprendeu sobre música, andou até de helicóptero e ainda participou da primeira edição do The Star: Casa do Ed. Fomos um sucesso, deveríamos abrir uma empresa de babás.

— Terão outras edições do reality? — Cutuquei seu braço.

— Claro. — Apoiou a vasilha com sorvete na mesinha de cabeceira, e se moveu até beijar minha barriga, repetidamente. — Assim que Holly souber falar irá participar da segunda edição. Você ainda não sentiu ela mexer, mesmo?

— Não, amor. — Larguei o celular e afaguei seus cabelos.

— Mexe pra sua mamãe sentir, Donut. — Ele acariciou minha barriga.

— Ai, agora deu vontade de comer donuts — comentei.

— Quer que eu saia para comprar? — perguntou. — Não podemos te deixar com desejo, senhora mãe da minha filha.

— Tá tarde, compro amanhã. Toma seu sorvete, antes que derreta.

— Putz, sim! — Ele recuperou o sorvete. — Não quer um pouco mesmo?

— Tô bem.

Deitei na cama e fechei os olhos.

— E você decidiu sobre Vegas, linda?

Até aquele momento não tinha decidido, mas pensei em Holly nascendo em alguns meses e como uma viagem para Las Vegas seria algo mais complicado de se fazer tendo um bebê que seria nossa responsabilidade. Além do mais, era para comemorar o aniversário de Alice.

— Vamos para Las Vegas. Avisa minhas irmãs e Jasper.

***

Na segunda fui para academia com Edward e depois que recuperamos a dignidade, fomos trabalhar. Ele seguiu para a gravadora, ainda para trabalhar no álbum de Kate, eu fui para a produtora.

— Traz um suco de uva para mim — pedi para Greg antes de entrar na sala de reuniões.

Tanya e eu iríamos nos reunir com os agentes para acertar algumas coisas, especialmente com Irina e os outros novatos. Tirando minha amiga, todos já estavam lá e me cumprimentaram no instante que pisei na sala.

— Bom dia — falei ao sentar. Jogamos um pouco de papo fora, enquanto Tanya não aparecia, logo Greg voltou com meu suco e um minuto depois a mãe de Valentina apareceu.

A reunião enfim iniciou, com Tanya começando a falar sobre de fato estarmos começando o ano naquele dia na produtora, as metas para cada cantor e o que esperava dos agentes no geral. Eles eram Sophie Moreno, ela ficaria responsável pelo agenciamento de Cameron. Camila Rivera era a agente de Carmen, minha madrasta já tinha me dito que estava adorando trabalhar com ela. Lucas Pérez, o encontrinho de Ness, agente de Charlie.

Eu ainda tinha todos os pés atrás com os três, temia que eles pudessem fazer algo como Helena fez, mas a produtora precisava de funcionários.

A escolha de deixar Irina com Ed, mesmo sabendo que a imprensa e alguns fãs iriam inventar que eles estavam tendo um caso, foi minha. Riley trabalhava muito bem com Jessica, Alistair com Kate, eu não queria ficar mexendo nisso. E confiava mais na minha ex-assistente do que em novatos.

No final da reunião, depois de Tanya e eu termos cobrido todos os tópicos, pedi a palavra novamente.

— Não quero ninguém dessa produtora se envolvendo com Genna Adams sem minha autorização — falei enquanto batia minha caneta sobre a mesa. — Se Kate, ou qualquer outro, receber um convite dessa mulher para qualquer coisa que seja, eu terei de aprovar. Estamos entendidos? — Todos concordaram, Jessica me lançou um olhar preocupado, Tanya estava confusa.

Eu dispensei Irina, Jessica e os novatos em seguida, pedindo para Alistair ficar, Tanya decidiu ficar também.

— Qual o problema com Genna? — minha amiga perguntou. — A filha dela é até embaixadora da… — Tanya se calou, algo deve ter surgido em sua mente e percebido que algo tinha acontecido envolvendo Edward, Paris e Genna.

— Está tudo bem, pode me deixar falar sozinha com Alistair? Preciso discutir algumas coisas sobre Kate.

Tanya respirou fundo, concordou e saiu.

— O que sabe sobre Genna, Alistair?

— Ela te fez alguma coisa?

— O que você sabe?

— Sei que ela traí o marido, mas hoje em dia quem não faz isso? É uma frequente contratante de garotos de programa. Não sei mais nada.

Assenti, passando uma mão por meus cabelos.

— Posso te ajudar com algo, Bella?

— Não, mas obrigado pelas informações, você é um ótimo fofoqueiro.

Alistair e eu nos despedimos, fui para minha sala e Tanya apareceu lá minutos depois.

— O que Genna fez com o Ed, Bella?

— Não posso contar — respondi, mas comecei a chorar.

Na hora ela me abraçou, não conversamos sobre o acontecido, mas ela entendia.

***

Naquela segunda Edward e eu combinamos de jantar com sua irmã e Emmett, meu marido nos encontraria no restaurante. Rosalie foi me buscar na produtora e paramos no teatro para pegar seu namorado, ainda conseguimos assistir um pouco do ensaio da peça do ex-segurança, ele era um bom ator, podia melhorar, mas era visivelmente um apaixonado por atuação.

Na terça-feira, antes de eu sair para encontrar Aro e ver como andava a pós produção do clipe, Edward e eu entrevistamos outro dos chefs de cozinha sugeridos por Nelly. Ele era Sean Lacy, um homem de 35 anos, também inglês.

Isso pareceu animar Edward, que ficou ainda mais animado quando Sean falou sobre sua experiência com a cozinha italiana. O cara não era especialista em comida japonesa, mas garantiu que sabia fazer algo, o que seria ótimo para mim quando eu pudesse voltar a comer.

Acabamos combinando a segunda parte daquela entrevista para a noite, ele preparou nosso jantar. Edward e eu adoramos, depois que Sean foi embora, decidimos contratar ele.

Na quarta o contrato começou a ser preparado, porém também era o dia que iríamos para uma Festa do Grammy, uma arrecadação de fundos para instituições de caridade, unindo os indicados para a edição daquele ano e outros convidados. Edward se apresentaria, ele tocaria Johnny Cash com meu pai, depois Escândalo sozinho.

Já na festa, antes das apresentações, eu estava conversando com Carmen, quando vi a última pessoa que deveria aparecer perto de mim naquele dia. Genna Adams.

Vi a mulher caminhar até a área dos banheiros, e movida pela raiva, decidi ir atrás. Não deveria, mas eu não estava pensando direito.

— Espera aí! — Coloquei meu copo de água nas mãos de Carmen e fui atrás de Genna.

A mulher estava retocando seu batom, outras duas mulheres estavam ali, só que conversavam alto e em seguida se trancaram juntas num reservado, provavelmente para cheirar cocaína.

— Boa noite — saudei Genna, parando ao seu lado, ela fez cara feia. — Só tenho uma coisa para te falar, Adams — sussurrei. — Fica longe do meu marido, ou eu vou dar na sua cara, sequer pense nele novamente.

— Tá com medo dele preferir a mim, Isabella?

— Até parece! — Segurei o pulso dela que estava sobre a bancada da pia. — Eu tô falando muito sério, nunca mais chegue perto do meu marido, sua imunda.

Soltei o pulso dela, ela me xingou baixinho, mais mulheres entraram no banheiro, eu saí. Edward estava no corredor, esperando por mim, o que me assustou.

— O que você fez? — questionou.

Não tive tempo de responder, Genna saiu do banheiro, pisando firme no chão. No entanto, ela não disse nada, só nos lançou um olhar raivoso.

— Só mandei essa filha da puta ficar longe de você — respondi em um tom de voz baixo, Edward estava meio pálido, toquei na mão dele e a senti gelada.

— Te vi vindo pra cá atrás dela e fiquei nervoso, não quero que você se envolva em problemas, Isabella.

— Não tem problema nenhum, está tudo…

— Olá, casal! — Alguém me interrompeu, o dono de uma voz que eu infelizmente conhecia muito bem.

Olhamos em direção ao início do corredor, vendo o homem se aproximar.

— Por que tanta surpresa? Entendo, não sou um cantor, mas é sempre bom estar em todos eventos possíveis. — Paul sorriu. — Algum problema, Ed? Você parece tenso!

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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!
Notas finais
ATENÇÃO: Dois avisos... 1. Vou escrever um bônus pelo ponto de vista do Edward sobre o final de semana da Tina com ele e a Bella, será um extra destinado exclusivamente para quem comentar nesse capítulo. Então, se você comentar deixe seu e-mail no comentário, ou mande o e-mail para minhas mensagens aqui no site após comentar. O bônus será enviado até dia 10 de Março de 2022. 2. Faltam 10 capítulos + epílogo (se nada mudar, espero que não mude haha) para o final da fanfic. —___ ¹Mais do que uma mulher, mais do que uma mulher para mim. Mais do que uma mulher, mais do que uma mulher para mim. Oh, oh, oh. —___ Beijos! Lola Royal. 09.02.22