Hollywood
25 Capítulo Vinte e Quatro
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Quatro
Isabella Swan
"Venha saber tudo sobre a overdose de Isabella Swan."
Eu não gostava de falar sobre a overdose. Não gostava de pensar sobre a overdose.
Mas, ela foi parte da minha vida. Por mais que eu tentasse esquecer sempre acabava sendo levada de volta aquele dia.
***
Puta que pariu!
Arregalei meus olhos, colocando minhas costas grudadas contra a porta. Victoria gostava de mim? Porra!
— Vick, não, isso — James falou nervoso.
— Gosto de você desde que te vi em um evento com seu pai em New York, onde ele se apresentou, era um leilão, qualquer coisa assim — Victoria contou, eu permaneci paralisada. — Você devia ter uns vinte e cinco anos, que seja. — Ela fungou. — Não nos falamos aquele dia, mas… Porra, você estava tão linda! Então, você começou a namorar justamente o James, meu melhor amigo. —Victoria colocou o rosto entre as mãos. — Se sempre pareceu que eu não fazia gosto do seu namoro com ele, era porque eu estava apaixonada por você e puta com James por ter ficado contigo mesmo sabendo o que eu sentia.
— Eu te disse que não tinha nada com a Vick — James falou para mim, eu assenti, acreditava naquele momento.
— Você é bi ou lésbica? — perguntei a ela.
— Por que isso importa? — questionou, dei de ombros.
— Acabei de descobrir que você gosta de mim, acho que mereço mais informações.
Ela revirou os olhos, limpando seu rosto delicadamente.
— Não se sinta a rainha do mundo, Isabella. Sequer sei porque gosto de você, isso é tão idiota. Pra mim deu, cansei dessa festa.
Victoria andou até mim, eu abri espaço deixando com que ela saísse.
— Bella, você não devia ter vindo aqui — James falou. — A Vick nunca lidou bem com o fato de ser bissexual, ela esteve com algumas garotas na adolescência e faculdade, mas nunca se assumiu de verdade.
—É, eu não devia ter vindo aqui, mas foi divertido descobrir que ela gosta mesmo é de mim, enquanto eu morria de ciúmes dela. — Ri.
James balançou a cabeça em negação.
— Vou falar com ela — avisei, saindo do escritório de James, ele não me seguiu.
Assim que voltei para o espaço que acontecia a festa localizei Victoria, ela estava beijando alguém. Ed Cullen, para ser mais precisa. Aquilo não me surpreendeu em nada, os dois tinham se conhecido mais cedo aquela noite, eu tinha mesmo notado um olhar interessado dele sobre ela. Andei até eles, cutuquei as costas dele e o pirralho me olhou.
— Precisamos conversar, Ed — falei animadamente, ele resmungou, mas se afastou um pouco comigo, Victoria desviou seu olhar para o chão. — Acabei de descobrir que Victoria gosta de mim.
Edward arregalou os olhos como eu tinha feito.
— Ela está sensível, garanta que ela tenha uma boa noite.
— Pode deixar, Capitã. — Bateu continência para mim, eu voltei até Victoria, que me olhou ansiosa.
— Obrigada por ter vindo até a festa, Vick. — Sorri para ela. — Eu adoraria que você fosse uma das minhas madrinhas de casamento.
— Você é uma filha da puta.
— Eu bem sei disso… Ah, se você é mesmo bissexual quer dizer que ainda pode ter algo com James, então, vamos deixar algo bem claro aqui, fique longe do meu noivo nesse sentido.
Ela riu de forma forçada, mas concordou com um aceno de cabeça.
— Até mais, Vick! — Mandei um beijo para ela quando Edward se estabeleceu ao seu lado.
Eu me afastei e Alice praticamente brotou na minha frente.
— O que estou perdendo?
— Um verdadeiro drama mexicano. — Peguei o champanhe de sua mão. — Digno da Carmen.
Minha irmã fez uma careta.
— Temos que nos livrar daquela lá.
— Nós vamos — garanti.
— Qual a história por trás desse drama? Por que Ed está indo embora com aquela amiga do James que você odeia?
Olhei para trás, comprovando que Victoria já estava deixando a festa com Edward. Ri baixinho, bebendo um pouco do champanhe da minha irmã.
— Victoria gosta de mim.
Alice me olhou confusa, até entender tudo.
— Gostar no sentido…
— No sentido de querer me pegar. — Ri mais. — Ela nunca gostou do James como pensei, queria mesmo era a mim.
Alice gargalhou.
— Você está certa, isso é mesmo um grande drama mexicano, irmã.
— Eu disse. — Antes que pudesse beber mais do champanhe Alice tirou a taça de mim,
— Agora pare de beber — ordenou. — Ou eu vou mesmo ficar nua aqui e fazer um grande vexame na sua festinha — ameaçou.
— Você é irritante! — acusei.
— É de família, irmã.
— Que seja, eu irei foder com James no escritório dele, faça o papel de anfitriã por mim.
— Boa foda! — Alice desejou.
Pisquei para ela e segui até o escritório, James continuava lá. Ele tinha se sentado no sofá que tinha ali, me olhou preocupado.
— Está tudo bem lá fora?
— Está sim — respondi, trancando a porta atrás de mim. — Victoria foi embora, com Edward.
— O quê? — James questionou perplexo.
— É o que ouviu, ela precisava se distrair e foi embora com ele.
Ele resmungou.
— Edward é um babaca — James proclamou. — Não acredito que Victoria vai tentar afogar as mágoas dela com aquele garoto mimado e estúpido. É infantil da parte dela!
Engoli em seco, aquilo me atingiu em cheio. No entanto, joguei aquele pensamento pro fim da minha mente.
— Que seja! — exclamei. — Então, você sempre soube que sua amiga gostava de mim e mesmo assim ficou comigo?
Ele suspirou.
— Sim.
Gargalhei.
— Jimmy, nunca pensei que você seria o tipo de pessoa que fura os olhos de sua melhor amiga — provoquei.
Ele revirou os olhos.
— Eu me apaixonei por você, não queria abrir mão de estar ao seu lado porque Victoria também queria isso. Afinal, você não gosta de mulheres.
É, eu só tinha transado com Tanya e beijado algumas outras... Porra, eu era bi também? Ah, que se foda!
— Só sei de uma coisa. — Levei uma mão até o zíper do vestido que eu usava aquela noite. — Estou com um puta tesão imaginando nós dois fodendo aqui dentro, enquanto todos estão lá fora. Preciso que você me foda, James.
Meu noivo não disse nada, mas sua expressão corporal indicou que ele queria aquilo também. Tirei meu vestido e fui até James, naquela noite eu me sentia muito feliz.
***
James cancelou nossa ida para Malibu no domingo, quando Victoria ligou para ele no começo da manhã e disse que iria voltar para New York aquela noite, com os pais dele. Sendo assim, meu noivo me dispensou com toda sua educação, alegando que precisava conversar com Victoria e aproveitaria para ficar um tempo com os pais depois.
Não fiquei muito contente com a nossa ida para Malibu cancelada, mas aceitei sem grandes protestos. Victoria não representava mais uma grande ameaça para mim, ele podia ir se encontrar com ela.
Entretanto, eu não passaria o dia sem fazer nada no meu apartamento, por isso decidi ir para a casa de Ed por volta do meio dia quando melhorei da minha ressaca. O cantor não respondia minhas mensagens, ou atendia minhas ligações, sendo assim fui até sua mansão esperando que ele estivesse só.
— Ei, Ed, abre o portão para mim — pedi quando ele atendeu o interfone.
— Ok — resmungou do outro lado e desligou.
Logo o portão se abriu, eu entrei com meu carro nos limites da mansão e saí dele assim que estacionei. Andei rapidamente até a entrada da casa, a porta foi imediatamente aberta por Ed que parecia ter acabado de sair da piscina.
— Odeio você, Isabella Swan! — Edward exclamou furioso.
— Por quê? Sabe, só para que eu tenha ideia dos motivos para estar sendo acusada de qualquer coisa.
Edward me puxou para dentro da mansão, batendo a porta com força.
— Victoria passou a noite inteira chorando! — exclamou revoltado. — A fodida noite inteira.
Mordi meu lábio, contendo uma risada.
— Ela só sabia falar que era uma idiota por estar apaixonada por você, mas que não podia resistir e um monte de merda dessas. Eu só queria transar, mas a mulher só sabia chorar. Chegou uma hora que ela estava até limpando a porra do nariz na minha camisa, Isabella. Você sabe quanto custou aquela camisa? Nem eu sei, foi um presente da fodida Dior!
Não consegui não rir naquele instante.
— Essa merda não tem graça nenhuma!
— Ah, pode apostar que tem sim, pirralho. — Aproveitei o fato de ele estar usando apenas um short e toquei em seu peito molhado. — Mas, eu posso te recompensar.
— Ah, você quer transar? — ele indagou arqueando uma sobrancelha, assenti, deslizando minha mão até sua barriga. — Seria uma pena se você não conseguisse, não é?
Como?
— Não vou te foder hoje, Capitã! — Afastou minha mão de si.
— Ei!
Ele abriu a porta e apontou para o lado de fora.
— Vai embora, Isabella — ordenou.
— Qual é, Edward? Não fui eu quem te deixou sem sexo, foi a idiota da Victoria.
— Foi você quem me mandou cuidar daquela lá.
—Você já estava com a porra da sua língua na boca dela quando eu fiz o pedido.
Ele revirou os olhos.
— E estou louca para chupar seu pau, vai querer mesmo que eu vá embora?
Ele bufou, tornando a bater a porta com força.
— Você está fodida na minha mão.
— Foi exatamente por isso que vim até aqui.
***
Na terça-feira de manhã, o dia da viagem para New York, o carro que mandei buscar Renesmee foi me buscar também. Minha irmã caçula estava muito empolgada com a viagem, falando sem parar sobre seus planos quando estivesse com tempo livre — entre as gravações, entrevistas e inclusive a participação que faria no evento da bendita festa de karaokê, algo que eu tinha armado junto com a empresária dela, que já tinha ido para New York, eu também tinha pareado a agenda de Edward com a de Alec, queria que os três fossem muito vistos juntos naquela viagem —, inclusive planos para nós duas irmos até o Central Park.
— Eu não vou perder meu tempo em um parque, principalmente nessa época do ano — resmunguei.
Renesmee bufou.
— Você é muito chata.
— Sou mesmo! — continuei a mexer em meu celular, respondendo mensagens de James e Kate.
Meu noivo estava me desejando uma boa viagem, como falava estar triste por não ter me levado até o aeroporto. Já Kate reclamava sobre algo a respeito de sua turnê, que nem tinha começado e já estava me enlouquecendo.
Não demorou muito para que Ness e eu chegássemos ao aeroporto, o que foi um inferno. Por sorte eu já tinha deixado a segurança sob aviso, então nós fomos escoltadas através dos fãs da minha irmã, os de Alec e os de Ed, assim como os paparazzi, que de alguma forma tinham descoberto o horário do vôo.
— Gente irritante do caralho — reclamei quando chegamos a sala de espera VIP do aeroporto, onde esperaríamos a saída do jatinho. Eu tinha feito Edward alugar um no dia anterior, seria melhor do que um voo comercial qualquer. — Como diabos eles sempre sabem onde estamos?
— Eu avisei — minha irmã falou, a encarei chocada.
— Você fez o que?
— Avisei aos paparazzis e fãs sobre o voo, quer dizer, de forma anônima, não sou idiota e falei diretamente com eles. Você sabe, eu preciso de publicidade e ser perseguida num aeroporto enquanto estou indo para New York gravar um clipe com Alec Volturi, para uma canção de Ed Cullen vai fazer meu nome ser bastante comentado.
Continuava a olhando em choque, Renesmee riu de mim.
— Bells, você e Alice não foram as únicas aprendendo algo com Renée.
É, aparentemente não mesmo!
Eu mesma já tinha feito aquele jogo com fãs e mídia mil vezes, desde que me tornei uma empresária. No entanto, era estranho ver minha irmã fazendo aquilo, ela sempre pareceu a irmã boa.
— Não fique tão surpresa, Bells — Renesmee pediu quando nos sentamos lado a lado em confortáveis poltronas.
— Tarde demais.
Ela riu, pegando uma taça de suco que o garçom ofereceu ao passar pela gente. Eu recusei.
— Olá, meninas! — Alec chegou até a gente, nos cumprimentou com beijos no rosto e se jogou na poltrona à nossa frente, ele usava uma touca na cabeça que eu não conseguia entender. Afinal, era junho e estávamos em Los Angeles. — Prontas para New York?
— Não, eu preciso de férias.
— Você pode se divertir em New York e será como férias — Alec falou.
— Eu estou indo para ser babá do Ed, Alec — afirmei, meu maior propósito naquela viagem era impedir que Ed se colocasse em confusões. — Vou fazer tudo, menos me divertir. Não sei se você se lembra, mas seu amigo é um ímã para problemas.
Alec riu.
— Um pouco — concordou.
— Um pouco. — Bufei. — Só espero que vocês não se metam em encrencas. — Gesticulei dele para minha irmã. — Ou vou fazer sentirem as consequências.
— Eu sou sua irmã! — Renesmee lembrou.
— E Ed o cara que trabalha comigo, ou seja, se vocês se meterem em problemas e ele for afetado minha conta bancária também será. Ninguém quer isso, certo?
— Certo — Renesmee resmungou em resposta.
— Agora eu entendo porque o Ed te chama de Capitã — Alec falou com um sorriso travesso no rosto.
Eu sorri de volta para ele.
— E prometo me comportar — ele disse. — Tem um baralho na minha mala, vou ficar quietinho no meu quarto de hotel sem criar problemas, apenas jogando.
— Talvez nós possamos jogar stripper poker — sugeri, Renesmee ao meu lado se engasgou com seu suco.
— Isso é uma boa proposta, Bella — Alec afirmou, seu celular tocou naquele instante e ele o tirou de seu bolso. — Já volto, meninas. — Se levantou e se afastou.
— Meu Deus, Bella! — Renesmee beliscou meu braço. — Para de dar em cima do Alec, você tem um noivo.
Revirei os olhos.
— Eu não estou dando em cima dele.
— Você acabou de falar que queria ver ele nu.
— Eu disse que queria jogar stripper poker, o que era uma brincadeira, irmãzinha.
Ela me beliscou de novo.
— Se você não parar com essa merda eu vou socar a sua cara — ameacei.
Ela bufou, mas tirou a mão de mim.
— Capitã? — Olhei para trás e vi Edward se aproximar, ele parecia irritado com algo.
— O que foi? — questionei, ele parou ao meu lado.
— Eu esqueci meu travesseiro de viagem na minha casa, segure o vôo até o meu motorista ir buscá-lo.
— Você tá brincando com a minha cara, né?
— Não, eu adoro aquele travesseiro, só sei voar com ele! — Edward exclamou inquieto.
— Vão te dar um, ou mais, no jatinho, garanto.
— Você não tá entendendo, eu preciso daquele travesseiro! — ele exclamou entre dentes, foi quando algo estalou na minha mente, Ed não estava falando de um travesseiro.
— Você tem medo de avião — falei, Edward negou.
— Não tenho não.
— Eu tenho certeza de que já vi alguma matéria sobre isso.
— Fofoca!
— Você tem medo de avião — cantarolei.
— Você tem medo de hospital, Bells — Renesmee rebateu, eu bati na sua coxa.
— Aí, isso doeu!
— Ok, eu tenho medo de avião — Edward resmungou. — Minha mãe conseguiu com o médico da clínica de reabilitação — sussurrou as últimas palavras. — O remédio para eu dopar na viagem, mas esqueci de colocar na mala, o motorista voltou para buscar, não posso viajar sem estar dopado pelo remédio, ou bêbado e todo mundo aqui sabe que não posso beber, estou tentando me manter na linha.
Suspirei.
— Ok, eu faço o vôo atrasar até o motorista voltar com o seu bendito remédio — concordei, ele assentiu, mexeu em seu cabelo e sem falar mais nada seguiu até o banheiro.
— Ele me lembra alguém — Renesmee falou.
— Quem?
— Você. — Ela olhou nos meus olhos. — Ele é tão tenso quanto você, parece que os dois estão a um instante de explodir.
***
Por conta do esquecimento de Edward nosso voo sairia com mais de uma hora de atraso, isso porque eu ainda tive de dar um tempo para que o remédio — um destinado à ansiedade — fizesse efeito nele para que eu pudesse o colocar dentro do jatinho. Além da minha irmã e de Alec, voariam conosco mais algumas pessoas da produtora, para nos assessorar com as entrevistas que Ed daria lá, principalmente, mas, a banda — incluindo Jasper — de Ed, o diretor do clipe e o pessoal da produção do mesmo já estavam em New York.
— Como você está? —perguntei para Edward, que estava sentado ao meu lado e parecia muito disperso.
— Tô bem — ele mentiu, apoiando sua cabeça no encosto da poltrona, eu estava sentada ao seu lado, tapando sua visão da janela.
— Você está enjoado, né? — perguntei, ele fechou os olhos.
— Um pouco — confessou.
Peguei a garrafa de água que a aeromoça tinha entregado para mim quando tomamos nossos lugares, a abri e enfiei na boca de Edward. O músico tentou recusar, mas o forcei a tomar o líquido.
— Quantos comprimidos você tomou, Edward? — questionei, tirando a garrafa de sua boca.
— Um — ele tornou a mentir.
Larguei a garrafa de volta no lugar que estava antes, alcancei a mochila de Edward que estava aos seus pés. Naquele momento ele abriu os olhos, tentou me impedir, mas encontrei a caixa do remédio e vi que tinham dois comprimidos faltando e também vi que era o mesmo remédio que no passado tomei para minhas próprias crises de ansiedade, o mesmo que me levou a uma overdose, quando eu ingeri muito mais do que devia, porque simplesmente não aguentava mais.
— Puta merda, Edward! — gritei com ele, todos no jatinho olharam para a gente.
Alec que estava sentado com a minha irmã se levantou e foi até onde estávamos.
— O que foi?
— Ele tomou mais comprimidos do que devia — falei, balançando a caixa em minha mão, sabia que médico algum recomendaria duas doses daquele remédio para serem tomadas de uma só vez.
— Por que você fez isso? — Alec indagou Edward, arregalando seus olhos. Eu sabia que sua irmã já tinha tido uma overdose, cocaína no caso dela, mas ainda assim podia ver o fantasma assombrando seus olhos azuis.
— Eu só queria apagar mais rápido, odeio voar. — Ele voltou a fechar seus olhos.
— Idiota! — xinguei, fazendo com que ele bebesse mais água. — Eu juro que se você morrer na porra desse jatinho vou te enterrar em Nashville na fazenda da minha família e você passará a eternidade na roça que tanto odeia.
— Ok — foi tudo que falou de volta.
— Quer que eu tome conta dele? — Alec questionou a mim.
— Não, volta para seu lugar, já vamos decolar, eu fico de olho nesse filho da puta desgraçado.
Alec hesitou, mas concordou por fim, voltando para junto de Renesmee. Forcei um sorriso para minha irmã, que do seu lugar estava claramente apreensiva. Alice foi quem me encontrou quando tive minha overdose, mas Renesmee me viu naquele estado, quando nos encontramos a primeira vez depois daquilo ela pediu que eu nunca mais tentasse me matar.
— Você só queria dormir? Dormir mesmo, né? — perguntei para Edward, enquanto o prendia ao cinto e arrumava um travesseiro em sua cabeça, o deixando mais confortável possível.
Dois comprimidos não eram o suficiente para ele ter uma overdose tão grave quanto a minha, mas eu sabia e estava vendo que os efeitos colaterais bateriam nele mais forte do que se tivesse tomado a dose recomendada pelo médico.
— Sim, Capitã.
— Você só pode morrer depois de pagar pela minha casa na África do Sul — alertei, ele deu um mínimo sorriso.
Eu fiquei em pânico. Meu pai, Riley e Kate tinham seus problemas, eu já tinha os livrado de vários deles, mas nenhum dos três já tinham ido parar em uma clínica de reabilitação, nenhum tinha as crises de ansiedade que Ed tinha.
Renesmee estava certa, Ed era muito parecido comigo e aquela merda era assustadora.
***
Edward ficou apagado durante o voo inteiro, o que foi um inferno quando precisei o acordar durante o pouso, por volta das sete da noite no horário de New York. Ele estava irritadiço, claramente ainda chapado de sono por conta do remédio, reclamando de dor de cabeça e mal conseguia andar em linha reta.
Como esperado, o aeroporto estava cheio de fãs e paparazzis, não era uma surpresa, eles já sabiam que Ed, Alec e Renesmee estavam à caminho. Além do mais, tinham meses que Edward não deixava Los Angeles, estar do outro lado do país era um grande acontecimento.
O que foi uma merda, porque a forma que ele estava consequente do uso do remédio fariam muitas suspeitas serem levantadas, eu sabia bem disso. Apenas mandei dois seguranças segurarem nos braços dele — que estava claramente tonto e sem conseguir andar direito e só poderia acabar caindo — e o levarem para o carro, deixei Renesmee e Alec para trás, eles estava distraindo os fãs com autógrafos e fotos.
— Capitã, estou com dor de cabeça — Ed se queixou mais uma vez quando entramos no carro que nos levaria até o hotel.
Eu o ignorei pelo resto do caminho, estava puta com ele por ter fodido à chegada em New York. Também puta comigo por ter deixado ele tomar o remédio só, quando ele claramente não era esperto o suficiente para essas coisas.
Entrar no hotel não foi muito mais simples, mas conseguimos por fim. Fui com Edward para seu quarto, junto com os seguranças contratados para estarem com ele em New York, eles ainda estavam praticamente carregando Ed, então os mandei o colocarem em sua cama.
— Você quer comer algo? — perguntei para Edward, peguei meu celular e entrei no Twitter, buscando por seu nome, como era esperado por mim já tinha muita gente comentando sobre o estado que ele chegou a New York, como também matérias já tinham sido publicadas, uma delas dizia:
“Ed Cullen desembarca em New York sob efeitos de drogas.”
— Não — Edward respondeu, se acomodando a cama. — Só quero um remédio para dor de cabeça.
— Sem mais remédios para você, Cullen! — exclamei entre dentes, começando a mandar mensagens para Tanya e Alistair, para que de Los Angeles os dois pudessem começar a cuidar de desmentir os boatos de Edward usando drogas, dando a eles carta livre para falar sobre o medo de avião que o cantor tinha e que ele precisou tomar remédios para voar.
— Capitã, por favor, só me dá um remédio para dor de cabeça — implorou.
Andei até ele, virando seu rosto na minha direção para que ele me olhasse.
— As pessoas acham que você estava usando drogas de novo, Cullen. A maioria delas não vai acreditar que você estava sob efeitos de remédios, ainda assim, você tomou mais do que devia, não sei se sabe, mas aquelas merdas também são drogas.
— Eu só queria dormir — ele se queixou.
— Você não estava apenas querendo dormir, sabia que o remédio te doparia como o álcool fazia antes.
Ele fechou os olhos, colocou as mãos sob o rosto e começou a chorar. Suspirei, naquele momento tudo que eu queria também era um remédio para dor de cabeça.
***
Pedi jantar para Edward e eu em seu quarto, o obriguei a comer, depois o obriguei a colocar roupas para dormir e o mandei de volta para a cama. Estava na sala da sua suíte, respondendo e-mails de trabalho em meu notebook, com receio de o deixar sozinho, ele ainda podia passar mal novamente e eu não precisava dele tendo qualquer tipo de problemas em um quarto de hotel.
— Senhorita Swan. — Um dos seguranças entrou no quarto, após bater. — Jasper Whitlock está aqui fora querendo entrar, o mando embora?
— Não, pode deixar ele entrar — liberei, o homem assentiu e saiu, logo Jasper entrou.
— Como ele está? — Jasper perguntou. — Esme e Rosalie já me ligaram preocupadas.
— Ele está dormindo, amanhã deve estar melhor. — Esfreguei minha testa.
— O que realmente aconteceu?
— Ele tomou duas doses de remédio para a ansiedade, conseguiu por medo de voar.
Jasper assentiu.
— É, ele sempre teve medo. Na maioria das vezes voava bêbado.
— Imaginei. Eu preciso ir para meu quarto tomar um banho e dormir alguma coisa, você pode ficar aqui com ele?
— Pode ir, fico aqui a noite toda.
— Certo, qualquer coisa me liga — pedi, recolhendo minhas coisas e levantando. — É sério, me avisa, meu quarto é aqui do lado.
Jasper assentiu.
— Fácil acesso, não?
Eu sabia o que ele queria dizer, ele desconfiava de Edward e eu fodendo desde o dia que saímos juntos da gravadora para meu apartamento.
— O meu quarto é no andar de baixo — Jasper disse. — Caso queira saber.
Sorri maliciosamente para ele.
— Eu escolhi o quarto de todos para esta viagem, Jasper. — Ele sorriu de volta. — Boa noite!
— Boa noite, Bella!
***
Quando chegamos ao hotel na noite anterior eu tinha conseguido duas chaves para o quarto de Ed, uma que estava ao lado de sua cama e outra que deixei com o chefe da segurança responsável pela proteção do músico em New York. Naquela manhã, depois de eu acordar de um sono que foi interrompido mil vezes por ligações de trabalho, peguei a chave com o segurança e entrei na suíte de Ed, guardando a chave na minha bolsa, que joguei sobre a mesinha de centro da sala.
Jasper estava apagado no sofá, dormindo tranquilamente e tinha tirado sua camisa, o que foi uma bela forma de animar um pouco meu dia, que já tinha começado com marcas, que tinha conseguido campanhas para Ed, sinalizando estarem preocupadas com o suposto uso de drogas dele no dia anterior.
Segui até a parte da suíte onde ficava o quarto, propriamente dito, abri a porta de correr que dividia os espaços, bem na hora que Ed deixou o banheiro, enrolado em uma toalha. Ele parecia bem melhor, o que era de extrema necessidade, já que aquela tarde daria uma entrevista para a Rolling Stone.
— Oi, Capitã! — exclamou.
— Como você está? Devo chamar um médico?
— Não. — Ele revirou seus olhos verdes para mim. — Tô bem. Mas, onde você enfiou meu remédio? Talvez eu precise tomar hoje de novo, para não surtar durante a entrevista.
— O remédio foi receitado para você tomar e poder voar, não para passar por suas entrevistas — deixei bem claro.
— Só hoje, Capitã — pediu.
— Eu não vou compactuar com você virando um viciado em remédios, Edward.
Ele engoliu em seco.
— Não sou viciado, só tô…
— Só está jogando o seu vício em drogas e álcool sobre remédios — rebati. — O remédio está comigo, você só o terá quando tivermos de voltar para Los Angeles.
— Eu preciso!
— Ok, talvez você precise, mas só os terá se for rotineiramente se consultar com a porra do seu médico. Só pedir para sua mãe conseguir receitas não conta, você já se meteu em problemas ontem por ter tomado mais do que devia.
— Eu já disse que só tava tentando apagar mais rápido.
— Que se foda, as pessoas agora acham que você estava drogado e isso está sendo um caos. Então, não, você não terá aqueles comprimidos. Eu estou me colocando em risco sendo sua empresária, até Riley, Kate e meu pai podem sofrer consequências, agora minha irmã porque ela vai participar do seu vídeo, então não vou deixar você foder a minha carreira por conta dos seus vícios.
Edward deu um sorriso malicioso.
— É, está certa, você mesma gosta de foder sua carreira por conta dos seus próprios vícios, não?
— Seu filho da puta! — exclamei entre dentes. — Cala a porra da sua boca antes de falar qualquer coisa sobre mim, idiota!
— Que se foda você, Isabella — falou irritado.
— Que se foda você, Edward! — Eu estava tendo que ter muito autocontrole para não socar a cara dele, mas não podia fazer aquilo e estragar suas fotos para entrevistas e a gravação para o clipe. — Siga a porra do cronograma enviado para seu celular, se você pisar fora da linha de novo pode apostar que deixo de ser sua empresária na mesma hora.
— Até parece que você faria isso, sou sua nova galinha de ouro.
— Ei, tá tudo bem aqui? — Jasper apareceu, nos olhando com curiosidade.
— Fique fora disso! — ordenei, ao mesmo tempo que Edward disse:
— Cai fora, Jasper!
— Ok — murmurou rindo.
Eu bufei e comecei a sair do quarto, mas antes de sair ouvi Edward gritar para mim:
— Pode esquecer sua casa na África do Sul.
Apenas gritei de volta:
— Vá se foder, seu babaca.
Ele assinaria o contrato de compra para minha casa nova ainda aquele dia.
***
Edward não gravaria aquele dia, sua participação no clipe seria filmada somente no sábado. Porém, organizamos tudo para que ele estivesse presente na gravação da maioria das cenas com Alec e Renesmee, isso o faria parecer mais interessado e integrado ao próprio trabalho e manteria a publicidade em alta.
Então, naquela quarta-feira, depois que nós dois tomamos café da manhã no restaurante do hotel com o diretor do clipe, minha irmã e Alec, todos saímos para a academia, onde seriam gravadas algumas cenas. Enquanto todos se preparavam para as gravações, eu estava sentada em um canto com Edward, o treinando para outra coisa.
— Entendeu tudo?
— Sim — respondeu carrancudo, continuava irritado comigo.
— Excelente — ignorei sua birra. — Pode gravar agora.
Ele me obedeceu e tirou seu celular do bolso, eu tinha decidido que ele gravaria para seu Instagram falando a verdade — ou quase — sobre o voo do dia anterior. Estava na hora de tentar cessar as perguntas, principalmente para a leva de paparazzis nos seguindo por New York.
— Olá! — Edward iniciou o vídeo, com um grande sorriso no rosto, seu sotaque me fez estremecer, eu queria que ele me fodesse, mas também ainda estava irritada. — Estou aqui em New York, para as gravações do clipe de Endorfina, e preciso conversar com vocês sobre o que aconteceu ontem. Continuamos no próximo vídeo. — Ele ficou emburrado entre um vídeo e outro. — Diferente do que estão falando por aí. — Voltou a gravar. — Não usei qualquer droga ilícita, ou fiz uso de álcool ontem.
Ele bufou quando precisou começar outro vídeo.
— A verdade é que tenho medo de viajar de avião e precisei tomar uma medicação, prescrita por meu médico, para lidar com isso. — Ele revirou os olhos no fim do novo curto vídeo. — É um saco gravar em pausas assim — reclamou comigo. — Então, eu estava daquele jeito por conta do remédio, que infelizmente não foi o melhor para meu organismo. — Outra pausa. — Mas, não, eu não usei nenhuma droga, muito menos bebi. Estou muito confiante em mim mesmo e na minha recuperação, nunca mais irei beber ou usar drogas.
Ele riu quando acabou aquele vídeo.
— Mas bem que queria — falou para mim, não ri, ele voltou a gravar. — Espero que entendam e confiem em mim, essa é a verdade sobre a polêmica que alguns jornalistas sensacionalistas tentaram criar em cima da minha imagem. — Pausou e mexeu em seus cabelos. — Quem aí tem medo de viajar de avião também? É chato demais, né?
Ele guardou o celular no bolso e olhou para mim.
— Missão cumprida, Capitã — debochou.
— Excelente — debochei de volta.
Edward olhou ao redor e perguntou:
— Você vai passar a noite no meu quarto hoje, não? Se for para ter alguém sem camisa no meu sofá prefiro que seja você a Jasper.
— Não, eu não vou transar com você, estou ocupada demais sendo uma viciada que fode com a minha carreira!
***
Estavam fazendo tomadas de Alec no ringue de boxe quando me aproximei da minha irmã, enquanto Ed cantava uma das funcionárias da academia, que tinha sido fechada especialmente para a gravação do clipe.
— O que vai fazer mais tarde? — perguntei para minha irmã.
— Me encontrar com umas amigas para drinks no Hilton — respondeu, com seus olhos focados em Alec. — Meu Deus, ele é tão gostoso — Renesmee sussurrou, eu belisquei seu braço. — Aí, Bells!
— Isso se chama vingança, quem manda você estar aí cobiçando o Alec, tem um namorado, se esqueceu?
Ela resmungou.
— Só estou constatando um fato…
— Sei bem.
Ela voltou o olhar para mim.
— Como Edward está?
— Como assim?
— Depois do lance dos remédios — murmurou.
— Ele está bem, já voltou a ser o filho da puta de sempre — respondi, Renesmee não esboçou qualquer sorriso, mas me pegou de surpresa ao me envolver em um abraço apertado do nada.
Retribui o abraço, sabendo que ela estava com sua mente sobre minha overdose.
— Eu estou bem — garanti a Renesmee.
Ela assentiu, mas continuou agarrada a mim. Não acreditava nas minhas palavras, eu entendia, também não acreditava.
***
Edward e eu voltamos para o hotel antes do almoço, ele preferiu comer sozinho em seu quarto, enquanto eu comia no meu e trabalhava simultaneamente. Também tirei alguns minutos para escolher por fim a casa que queria, que Ed pagaria para mim.
— Pronto? — Entrei em sua suíte, Ed estava deitado no chão, com uma garrafa de água em suas mãos, eu tinha feito o hotel tirar todas as bebidas alcoólicas do frigobar do seu quarto, assim como vetei a entrega de outras se ele pedisse por isso. — Logo mais o pessoal da revista estará aqui, você já tomou banho? Só o que faltava seriam eles falarem por ai que você fede.
— Eu não fedo — ele se defendeu.
— Se você não tomar banho ficará fedendo, sim.
— Puta merda, como eu te odeio — reclamou, fechando seus olhos. — Mas, se você quiser ir para o banheiro comigo eu topo.
— Não, eu definitivamente não quero.
Ele tornou a abrir seus olhos e olhou para mim.
— Vai dizer que não quer que eu te foda?
— Eu não quero, você nunca mais vai colocar a porra do seu pau em mim.
O músico gargalhou.
— Sabemos como isso acaba, Capitã. — Ele se sentou, então se colocou de pé. — Pode deixar, tô indo tomar meu banho, vou deixar a porta do banheiro aberta para você entrar.
Eu não entrei, mas quis.
***
A entrevista para a Rolling Stone seria no próprio quarto de Edward, eles queriam um lugar reservado e íntimo para isto, já que o combinado entre mim e eles era uma reportagem que aproximaria Ed do público. E eu só tinha aceitado aquela entrevista de fato quando confirmaram meu pedido de entrevistador, Richard Buttler, eu o conhecia desde que era adolescente, já que era um amigo do meu pai, dessa forma estaria suscetível a conduzir sua entrevista como eu quisesse.
— Como seu pai está? Há séculos que não falo com aquele velho — Richard falou para mim, enquanto Ed era fotografado pelo quarto.
— Ele está bem — respondi sorrindo para Richard. — Você precisa ir mais vezes nos visitar em Los Angeles.
— Sabe. — Richard se aproximou de mim, foi ali que recebi o primeiro alerta da minha mente, quando ele ficou muito mais próximo do que jamais tinha ficado e seu olhar sobre meu corpo foi de interesse. — Eu concordo com você, deveria ir mais vezes visitar vocês, especialmente você.
— Sim, você é como um tio para mim — falei de forma carinhosa, mas eu tinha um olhar de aviso para ele.
— Sim, quem sabe. — Ele afastou uma mecha de cabelo do meu rosto, senti vontade de vomitar. Aquele cara tinha idade para ser meu pai, merda! — Por que você não me visita em meu apartamento hoje à noite?
— Eu vou estar ocupada — sussurrei.
— Bom, você ainda tem mais alguns dias em New York, não? Pode ir me ver quando quiser, só me avisar.
— Claro, eu vou — menti.
Richard sorriu e tocou na lateral do meu corpo.
— Vou esperar ansiosamente por sua visita, querida. Tenho certeza de que nós dois iremos nos divertir muito.
Forcei um sorriso para ele, tudo que queria naquele momento era socar sua cara e o mandar se foder, mas se eu fizesse isso quem estaria fodida seria eu.
— Preciso falar com Ed — falei para Richard, me afastando dele e indo até Edward, que estava tirando uma foto sentado no sofá. — Como está indo? — perguntei, ficando na sua frente, ele franziu o cenho.
— Tudo bem. — Deu de ombros. — Por que você está tão pálida?
— Não estou — neguei. — Você precisa de algo?
— Eu não, mas acho que você precisa se afastar, está me sufocando.
Bufei, mas me afastei, deixando com que continuassem as fotos.
***
A sessão fotográfica demorou cerca de uma hora, eu já estava quase morrendo, principalmente porque Richard não saia de perto de mim. Ele não voltou a falar sobre me encontrar, no entanto eu já estava enojada o suficiente com sua proposta.
Respirei, um pouco, aliviada, quando a entrevista começou por fim. Edward estava sentado novamente ao sofá, enquanto Richard ficou em uma poltrona próxima. O fotógrafo continuava tirando fotos, enquanto uma câmera estaria gravando alguns trechos da entrevista, que iriam para o canal da revista no Youtube e demais redes sociais.
— Ed, a primeira pergunta que queria fazer para você é — Richard começou após os cumprimentos iniciais. — O que mais gosta em New York?
Eu podia sentir Edward se controlando para não revirar os olhos.
— Definitivamente não é o fuso horário — o inglês respondeu sorridente. — Ainda estou no fuso de Los Angeles é bem confuso. — Ele e Richard riram juntos.
— New York lhe inspira?
— Sim, com toda certeza — Ed confirmou. — Eu já tenho algumas ideias em mente desde que cheguei aqui. — Sabia que era uma mentira, ou ele estaria me infernizando por conta delas.
— Nos conte melhor como é o processo de inspiração para suas canções — Richard pediu. — Queremos saber os seu segredos.
Ed riu, olhando para suas mãos sobre suas coxas.
— É um pouco complicado explicar como é o processo de inspiração para uma música, quando você se dá conta simplesmente é atacado por uma ideia e precisa dar vida à ela.
— Pode nos contar o que lhe inspirou a compor, seu novo sucesso, Endorfina?
Mordi meu lábio inferior em hesitação, mas Ed não saiu da linha.
— Eu estava pensando sobre o prazer que é estar nos palcos quando Endorfina veio a minha mente, não fiquei só por ai, então a relacionei ao sentimento de êxtase que é estar com alguém.
— Você está apaixonado por alguém? — Richard indagou Ed.
— Não por alguém, por algo, minha música. — Ed sorriu ainda mais e passou a mão por seus cabelos. — Estou me sentindo muito abençoado com a gravação do meu novo álbum.
— Então, nenhuma garota em seu caminho?
Edward riu e negou com um aceno de cabeça.
— Estou sozinho. Bom, você e todos que tem acesso à internet podem me ver deixando festas com garotas, mas são apenas amigas. — Ok, era a zona de perigo, mas tínhamos treinado aquelas respostas mais cedo enquanto assistíamos as gravações do clipe.
— Seu último relacionamento acabou de forma conflituosa, isso o fechará para o amor?
— Ah, com certeza não! — Ed negou. — Eu amo amar. — Meu Deus, ele era ridículo, mas sabia que aquela fase pronta iria cair na boca de suas fãs que achariam aquela merda fofa, ou qualquer besteira assim. — Eu tenho certeza de que quando encontrar a garota certa irei a amar.
— Você acha que a próxima garota será a garota?
— Quem sabe. — Ed deu de ombros. — Está nas mãos do destino. — Ele fez uma pausa e olhou para mim. — Essas merdas de perguntas estão me cansando, acabe com essa bosta.
— Richard, próximo assunto! — avisei.
— Podemos falar sobre a reabilitação agora? — Richard me perguntou.
— Sim — concordei, Ed resmungou, mas não protestou.
— Ed, qual foi seu maior aprendizado durante o tempo que esteve na reabilitação?
— Confiar em mim mesmo. — Mais uma frase pronta. — Acreditar que eu podia mudar, que aquilo era o melhor para mim.
— Qual recado você daria aos jovens que estão em meio às drogas?
— Elas não são o caminho certo, vocês podem encontrar outras formas de lidar com seus problemas.
— Quais problemas te levaram ao uso de drogas?
Ed parou, voltando a olhar para mim, claramente ansioso. Andei até ele e sussurrei em seu ouvido.
— As pessoas pensam que a vida de artistas é só coisas boas, mas nós também temos nossos problemas e como os outros às vezes erramos tentando consertar esses problemas. — Me afastei dele e perguntei. — Ok?
—Sim, obrigado, Capitã.
— Pode continuar, Richard. — Liberei, me afastando até meu lugar inicial.
— As pessoas pensam que a vida de artistas é só coisas boas, mas nós também temos nossos problemas e como os outros às vezes erramos tentando consertar esses problemas — Edward respondeu com minhas exatas palavras..
— Você pode nos falar melhor sobre o suposto uso de drogas que foi noticiado ontem quando chegou a New York?
— Um boato de muito mau gosto — Ed respondeu, remexendo-se no sofá. — Como eu falei mais cedo em minha conta no Instagram, estava medicado para lidar com o medo que sinto de voar, não sob o uso de drogas ilícitas, ou álcool. Estou levando a nova fase da minha vida muito à sério, ficando livre dos vícios que enfrentei no passado.
— Por que ficou daquele jeito por conta do remédio?
— Meu corpo não aceitou a medicação tão bem quanto o esperado, os efeitos colaterais me pegaram. Mas, como pode ver, estou muito bem agora.
— Sempre sentiu medo de voar?
— Sim, sim.
— Quais são seus outros medos, Ed?
— Perder meu cachorro — Ed fez uma gracinha. — Eu amo o Shrek, é meu grande amigo. Estou morrendo de saudades dele agora.
— Você pretende ter mais um cachorro?
— Claro. — Ed se animou. — Meu aniversário é em alguns dias, quem sabe eu não ganhe um.
— Planos para seu aniversário?
— Por enquanto não, mas quem sabe minha empresária pegue a dica e me faça uma festa surpresa. — Ele acenou para mim, eu tive de rir.
Richard olhou para mim e sorriu, o que fez com que eu parasse de rir na mesma hora.
— Como tem sido trabalhar com Isabella Swan, Ed?
— Ela é excelente em seu trabalho — Edward afirmou. — Um pouco mandona, mas é uma das pessoas que mais apoiam minha carreira, sou muito sortudo por ter ela no meu time.
Não, ele quem estava no meu time, idiota!
— O que nós veremos depois de Endorfina?
— Cara, eu estou tão animado com as últimas músicas que estarão em meu novo álbum. Tem composições de Jasper, que voltou a trabalhar comigo. Composição minha e colaboração de alguém que será uma grande surpresa para todos, mas ainda não posso revelar seu nome.
— Pode ao menos nos dar uma dica?
— É uma garota, só digo isso! — Edward mexeu em seu cabelo novamente. — Estou muito feliz em gravar o material dela, vocês certamente irão amar.
Ou odiar, o que me preocupava muito.
— Até quando irão as gravações do álbum?
— Eu ainda estou definindo as músicas junto com o time de colaboradores, Endorfina é nossa grande certeza até agora, então posso dizer que estamos na fase de pré-produção do álbum. Mas, acho que ele estará à venda em fevereiro ou março do ano que vem.
— O nome do álbum já foi definido?
— Ainda não, mas eu juro que estou trabalhando nisso.
Ed parecia muito empolgado com aquela parte da entrevista, o que foi excelente. O resto da entrevista girou sobre sua carreira de fato, as expectativas para seu novo álbum, o clipe, como estava sendo gravar aquele em comparação aos outros e coisas assim. Porém, Richard era conhecido por um jogo de perguntas e respostas rápidas no fim de suas entrevistas.
— Uma música?
— 24k Magic do Bruno Mars.
— Um livro?
— A Bíblia. — Sufoquei uma risada, aquele certamente era o único livro que ele lembrava da existência.
— Um filme?
— Shrek.
— Verão ou inverno?
— Verão.
— Uma cidade?
— Los Angeles.
— Um sonho?
— Paz mundial! — Era isso, Edward tinha virado uma miss.
***
Edward e eu estávamos nos despedindo de Richard e toda a equipe da revista, o jornalista ficou para trás quando todos saíram e me perguntou:
— Não pode mesmo ir jantar comigo hoje?
—Não — respondi rapidamente. — Ed e eu vamos jantar juntos hoje, temos negócios a resolver.
Ed franziu o cenho, mas não me contrariou, o que foi ótimo.
— Uma pena, querida. Mas, te espero para um jantar em breve. — Richard beijou minha bochecha, demorando muito mais do que deveria. — Até mais.
— T-Tchau — murmurei, ele acenou para Edward e saiu.
— Impressão minha ou ele tava te propondo sexo? — Ed perguntou quando fechei a porta do seu quarto.
— Impressão, claro! — exclamei. — Ele é amigo do meu pai.
— Grande merda, mas que se foda. Então, nós vamos sair para jantar e depois transar, certo?
— Jantar sim, transar não.
***
Edward queria comida italiana para o jantar, eu japonesa. Nós fomos para meu restaurante japonês favorito em Manhattan.
Enquanto esperávamos pelos nosso pedidos — estávamos em uma cabine reservada do restaurante garantindo que ninguém ouvisse nossa conversa, ou não ficassem a todo instante pedindo fotos e autógrafos para Edward —, conversávamos sobre o resto da agenda de Ed para o tempo em New York. Pela manhã no dia seguinte ele ensaiaria com sua banda, já que de tarde tocaria em uma entrevista para uma emissora de rádio, que transmitiria o “show” ao vivo por seu Facebook. De noite, ele iria para uma outra entrevista, uma para um site famoso sobre cultura pop.
Na sexta ele apenas assistiria um pouco das gravações do clipe, ensaiaria com a sua banda de noite. Já que, no sábado, depois de gravar sua parte no clipe, iria tocar na festa de karaokê que estavam o pagando por isso. No domingo teria folga, já que o clipe seria gravado até sábado. Na segunda gravaria para um programa de TV, onde também tocaria.
— Eu estava pensando sobre meu aniversário — ele disse.
— Não me importo.
Ele me ignorou e continuou.
— Você pode organizar uma festa para Rosalie e eu em Londres, não? Para o dia vinte e quatro. Seria muito legal se fosse uma festa à fantasia, Rose sempre quis uma.
— Não me importo com a sua irmã.
— Olha, é bom que se importe. Ela não falou nada sobre aquele assunto para ninguém, mas melhor tratá-la bem.
Revirei os olhos, só o que me faltava era ter de paparicar aquela garota.
— Que seja, eu organizo a festa.
Edward sorriu.
— Eu quero ir de David Bowie, providencie isso — exigiu.
— Seu desejo é uma ordem — debochei. — Faça uma lista de convidados, peça que sua irmã faça a dela e me mande tudo até domingo.
— Beleza! — comemorou. — Vou ao banheiro — anunciou e se levantou, bem na hora que duas garçonetes voltaram com nossos pedidos.
Comecei a comer imediatamente, estava morrendo de fome.
— New York é tão pequena! — Edward acusou, voltando a mesa.
— O que foi? — questionei, mas estava concentrada mesmo na minha comida.
— Acabei de encontrar uma garota que peguei.
Ergui o olhar para ele.
— No caso você quer dizer que sua lista de ficantes é grande demais e esbarra com elas por todo lado, isso sim — provoquei, ele revirou os olhos. — Espero que essa não tenha um filho e invente ser seu.
Edward estremeceu.
— Ela não tem, nem precisaria do dinheiro, a família dela é rica… Bom, parece que ano passado eles se envolveram em um escândalo, o avô até se matou, mas que seja, ela ainda tem grana.
— Dinheiro? Você deveria casar com ela e aumentar sua fortuna. Aproveita que o velho morreu e deve ter deixado uma puta herança.
— Você me assombra, além do mais ela já está usando uma aliança. — Ele bebeu um pouco de sua Coca-Cola. — Nem todo mundo trai como você.
Eu gargalhei.
— Até parece que você tem moral para julgar alguém.
— Não tenho mesmo. — Ele sorriu, pegando seus hashis. — O que me diz de ficar no meu quarto hoje?
— Não vai acontecer — declarei. — Mas, Victoria voltou para New York, pode ir até ela — provoquei, Edward fez uma careta.
— Não mesmo. Tem certeza de que aquela lá é bi? Deve ser lésbica e não consegue se assumir completamente.
— Só porque ela não quis transar com você?
— Sim.
— Coitadinho. — Ri novamente, ele bufou. — Tenho algo para você.
Edward sorriu maliciosamente.
— O quê? — perguntou interessado, abri minha bolsa e tirei lá de dentro a pasta com o contrato da compra da minha casa na África do Sul.
— Só precisa assinar nos lugares marcados — avise, ele resmungou quando viu o que era.
— Você é uma aproveitadora, Capitã — ele anunciou, mas pegou a caneta que lhe entreguei e começou a assinar tudo.
Eu mal via a hora de ir passar férias na minha casa nova, de preferência sozinha, sem ninguém para me atormentar.
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