Hollywood
32 Capítulo Trinta e Um
Notas iniciais
Capítulo Trinta e Um
Edward Cullen
“O primeiro CD do britânico Ed Cullen é lançado.”
Eu tinha ficado em êxtase quando peguei meu primeiro CD em mãos, parecia surreal. Era só um adolescente, mas lá estava eu, prestes a lançar um álbum.
O CD foi um sucesso, eu fui um sucesso. Mas, a fama era cheia de altos e baixos. Meu quarto CD tinha sido um total fracasso, o quinto precisava ser um sucesso novamente, eu precisava disso.
***
Estava confinado no carro, parado no estacionamento do aeroporto. Fazia séculos que não a via, precisava vê-la logo, antes de surtar.
Então, a porta de trás do carro se abriu e ela pulou em cima de mim, em um abraço apertado. Eu retribui o abraço prontamente, estava morrendo de saudades dela.
— Finalmente você está aqui! — exclamei, Rosalie riu, se ajeitando no banco para sentar ao meu lado. Mamãe já tinha entrado no carro também, no banco da frente e pediu que o motorista nos levasse para casa.
— Eu estive aqui em janeiro, Edward — minha irmã falou, passando a mão por seus cabelos, que estavam bem lisos e cortados na altura do queixo.
— Faz muito tempo — afirmei.
Rosalie estava em Los Angeles para o lançamento do meu CD que aconteceria em dois dias, no entanto, ela também começaria um curso de especialização em educação para crianças autistas na UCLA, que iria até junho. Eu tinha insistido muito para isso, depois que ela se formou em dezembro, queria minha irmã por perto antes de eu sair em turnê em maio, ela ainda ficaria por mais um mês depois e poderia fazer companhia para Esme.
— É, acho que faz — ela disse ainda sorridente. — Você está até deixando crescer um urso na sua cara.
— Minha barba é estilosa. — Passei a mão pela mesma.
— Eu prefiro você sem barba, seu rosto é muito bonito para ficar cheio de pelo — mamãe falou do banco da frente.
— Eu não vou tirar a barba — repeti para Esme, pela milésima vez.
Ela continuou insistindo, enquanto eu listava motivos para ficar com a barba. Rosalie ria, enquanto trocava mensagens com alguém, eu espiei seu celular e vi que era Carlisle.
Não falava com meu pai desde o meu aniversário, ele tinha ligado algumas vezes, mas eu não o atendia e mamãe nunca me obrigou a isso, no entanto, ela tinha o visto na formatura de Rose, que eu não fui porque Isabella achou que seria um tumulto muito grande. Eu sabia que Carlisle estava bem, Rosalie sempre me dava relatórios sobre ele mesmo sem que eu pedisse por isso, mas continuava irritado demais com ele para uma reaproximação.
— O papai mandou um oi — ela falou para mim.
— Gostei do seu corte de cabelo — desconversei.
Rose suspirou, mas logo voltou a sorrir e me abraçou de novo.
***
Tanya estava na minha casa naquela tarde, falando sem parar — como sempre —, enquanto o pessoal da grife que estaria me vestindo para a festa de lançamento do meu álbum fazia os ajustes finais na roupa. Foram longos meses aguentando Tanya, a Tirana, eu não sabia como tinha sobrevivido.
— Mal vejo a hora da Capitã voltar, assim me livro de você de uma vez! — falei para ela, quando Tanya também me mandou tirar a barba.
— Vai pensando que irá se livrar de mim, não se esquece que eu tenho participação ativa na Swan Productions, estarei por perto sempre.
Suspirei, ia fugir pro Alasca para ficar longe de Tanya.
— Então — ela voltou a falar, claro. — Alison respondeu o convite, recusando, claro — disse, mexendo no tablet em suas mãos. — Eu conversei com Alec, ele disse que irá, mas que Amber não.
— Bom, os convites foram feitos — falei.
Aqueles tinham sido meses muito longos, mesmo. Eu compus mais quatro músicas depois que a Capitã viajou, quebrei meu pé em agosto quando tentei andar de skate com Stefan, reencontrei Alison no final de setembro, quando Alec deu uma festa de noivado. Ele noivou com Amber, a irmã de Alison, mesmo que eu suspeitasse que o ator ainda sentisse algo por Renesmee, que esteve no noivado e no casamento em fevereiro, junto do seu namorado.
Naquela festa de noivado fiquei com Alison, então, alguns dias depois eu me peguei pedindo que ela virasse minha namorada. O sexo com ela era bom, ela não estava atrás da minha fama — mesmo que estivesse cursando algo com teatro quando nos conhecemos, mas quando voltou para Los Angeles para o noivado da irmã foi também para iniciar um curso em química —, era divertida e bonita.
A primeiro momento Tanya a adorou, Isabella em algum lugar do globo também a aprovou. Isso até minhas fãs declararem ódio contra Alison e a imprensa também. Para a imprensa porque para eles o seu jeito mais reservado — ela sequer tinha uma conta no Instagram — e suas recusas à entrevistas, como ela ignorando os paparazzis facilmente lhe deixavam revoltados. Para as fãs, bom, elas sempre odiavam qualquer garota comigo, algumas vezes passavam a gostar, mas nunca gostaram de Alison.
Com a minha popularidade ameaçada por conta do meu namoro com Alison, Tanya e Isabella passaram a odiá-la. Isabella tinha me mandado uma dezena de mensagens mandando que eu terminasse o namoro, Tanya fazia aquilo pessoalmente, ambas alegando que tinha de preservar minha carreira. Obviamente eu não deixaria as duas mandarem em mim daquela forma e segui o namoro com Alison, mesmo sem estar apaixonado por ela.
Entretanto, tudo deu muito errado quando fui para um show de Stefan no começo de janeiro, acompanhado de Jasper, que era minha babá da noite, para eu não beber, fumar, ou cheirar, muito menos injetar. Alison estava na Inglaterra, Jasper foi uma boa babá contra drogas, cigarros e álcool, mas ele não me impediu de ficar — ou seja, sexo no banheiro do camarim de Stefan — com uma fã do DJ, ela no dia seguinte publicou sobre em suas redes sociais, expondo minha traição.
Eu já tinha traído antes, isso também já tinha sido exposto outras vezes. Então, a mídia até tentou me crucificar, mas em algum momento passaram a culpar Alison por ter me deixado sozinho em Los Angeles. As minhas fãs, mesmo odiando a garota com quem transei, deram Graças a Deus quando Alison terminou tudo comigo.
Desde que acabou tudo Alison nunca mais quis me ver, nem mesmo dirigiu uma palavra sequer para mim na festa de casamento da sua irmã e Alec. Uma festa que eu só fui depois de Alec insistir muito que Amber permitisse minha entrada, afinal eu tinha traído sua irmã.
— Felizmente ela não vai — Tanya falou. — Aquela lá era péssima, todo mundo odiava ela.
— Ela era legal.
— Edward, você traiu a menina!
— Ok, ok, eu sei! — Sorri para uma das meninas da grife que fazia marcações na minha roupa. — Que horas Isabella chega amanhã? — perguntei para Tanya.
Eu não via a Capitã pessoalmente desde que ela foi embora, Bella esteve em Los Angeles só duas vezes durante aqueles meses, na primeira vez eu estava preso em casa com meu pé quebrado e Isabella não se deu ao trabalho de me visitar. Na segunda vez eu tinha viajado com minha mãe e Alison para Londres.
Mas, ela e eu estavamos sempre trocando mensagens, basicamente eu pedindo que ela tirasse Tanya da minha vida e ela me mandando ficar na linha. Bom, também teve minhas cartas de reclamação quando eu não fui indicado ao Grammys de 2018, com Endorfina, fosse por música ou vídeo. Bella me mandou um vídeo queimando as cartas, eu mandei mais cartas.
— Não me lembro, eu tenho muito na minha cabeça com a festa chegando — disse, antes de voltar a discursar sobre algo que ignorei.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem.
Ed Cullen: Capitã, me salva da Tanya a Tirana logo, por favor!
***
No dia seguinte eu estava de folga, não precisaria fazer absolutamente nada, então relaxaria, afinal no outro dia com o lançamento do CD eu estaria andando por todo o lado. Minha ansiedade naquela véspera de lançamento já estava alta, mamãe tentou me convencer a uma ida ao terapeuta, mas eu recusei, queria só ficar em casa tocando meu piano.
Além do mais, eu estava indo regularmente ao terapeuta, como tomei remédios para ansiedade por três meses. Estava controlado, bom, na maior parte do tempo.
Ouvi passos, mas não me importei em virar e ver quem era, provavelmente minha mãe ou Rosalie. Continuei concentrado no piano, tocando Vulnerável, uma das músicas que estaria no meu álbum.
— É uma boa melodia. — Parei de tocar ao ouvir a voz, que eu reconhecia muito bem. — Olá, Ed!
Puta merda, Isabella estava de volta!
Levantei do banco rapidamente, virei em sua direção, vendo Bella alguns metros de distância. Ela estava usando uma calça jeans, com saltos altos nos pés e uma camiseta preta apertada. Seus cabelos estavam mais curtos, na altura dos ombros, ela também parecia ter mexido na cor, os clareado um pouco mais, mas continuavam sendo castanhos.
— Porra, Capitã! — exclamei, ainda chocado com sua aparição. Me atrapalhei com o banco do piano, mas o contornei e fui até Isabella, sorrindo de orelha a orelha ao vê-la pessoalmente depois de todos aqueles meses. — Você está de volta?
— Não, é meu holograma aqui — debochou, pouco antes de eu pegá-la de surpresa ao abraçá-la, logo colocando minha boca sobre seu pescoço.
Isabella ficou tensa em meus braços, se soltando de mim rapidamente.
— Não me toque, Edward — ordenou séria. — O que falei antes de ir embora está valendo, o que aconteceu entre nós dois acabou, entendido?
Resmunguei, enfiando minhas mãos no bolso da calça. Eu já estava ficando excitado com a presença dela, mesmo depois de todos aqueles meses sem fodê-la.
— Certo, somente relação profissional — falei, sorrindo para ela logo em seguida. — Até você cansar de bancar a boa noiva e voltar a me usar como seu amante.
Ela forçou uma risada.
— Não vai acontecer, pirralho.
— Vai sim, Capitã. — Me aproximei dela de novo, antes que ela pudesse se afastar beijei sua bochecha. — É bom ter você de volta.
Eu a vi corar, eu estava certo, Isabella não resistiria. Afinal, ela nunca resistia.
— Como foi seu voo?
— Longo — respondeu, se apoiando no sofá e pegando seu celular, começando a mexer no mesmo. — Você está pronto para amanhã?
— Não. — Bella olhou para mim. — É brincadeira, tô sim, super pronto. — Respirei fundo.
— Você está mesmo indo ao terapeuta, né?
— Eu tô, que saco — resmunguei.
Me afastei dela e fui até minha estante de prêmios, onde eu tinha guardada uma cópia de Escândalo, meu quinto álbum. Voltei até Bella, passando o CD para suas mãos.
— Eu ainda não o tinha visto pessoalmente! — exclamou, abrindo a capa do CD.
— Mas, eu te mandei ele completo. Ficou mesmo bom? — perguntei nervoso.
— Já disse que sim quantas vezes? Está excelente, você terá seu primeiro Grammys graças a ele.
— Não sei, não fui indicado para nada esse ano — reclamei.
Ela revirou os olhos.
— Não aguento mais receber cartas suas falando disso, se me mandar mais uma eu queimo a sua casa — ameaçou.
— Idiota — resmunguei, a vendo analisar o CD atentamente.
A foto da capa era uma minha de costas, enquanto eu segurava um megafone. Eu queria algo que representasse um Escândalo, pensei em manchetes de jornais, mas conversando com Isabella ela deu a ideia do megafone. Na foto eu estava num palco, para uma plateia vazia, aquilo tinha sido ideia minha, queria representar que mesmo com o megafone não adiantaria gritar, pois ninguém iria ouvir.
— E aqui está meu nome — Bella murmurou quando viu a parte do encarte do CD destinada à Johnny Cash, onde seu nome aparecia como compositora, nas outras músicas dela para o álbum a Capitã tinha assinado como N.J Lewis, N.J em referência a sua gata, claro. — Espero que tenha se divertido gravando com meu pai — debochou.
— Vai se foder, Isabella! — Sentei junto ao piano novamente, tinha sido um inferno gravar com Charlie, eu nunca mais entraria em um estúdio com aquele cara. Queria precisar nunca mais o vê-lo, mas em breve iriamos gravar o clipe para a música, como ele cantaria comigo na festa de lançamento do álbum no outro dia.
— Tenho certeza de que você gostou, meu pai é incrível — falou, indo até meu aparelho de som para colocar o CD, logo Hollywood, a música inicial do álbum começou a tocar.
— Obrigado — agradeci, Bella olhou para mim, confusa.
— Por ter feito você cantar com Charlie?
— Não, definitivamente não! — esclareci. — Por ter me deixado cantar suas músicas. — Apontei para o aparelho de som, era eu cantando Hollywood, mas a canção era de Isabella. — E por ter aceitado ser minha empresária, eu não sei mesmo o que teria feito sem você arrumando tudo para mim depois que saí daquela clínica.
Isabella deu um sorriso vitorioso.
— Pode me agradecer com um bônus na minha conta. — Piscou para mim, olhando mais uma vez para a capa do CD em suas mãos. — O álbum está mesmo muito bom. Parabéns, pirralho!
***
Isabella e eu passamos mais um bom tempo na minha sala de música conversando, entre nós dois analisando o álbum que tocava, ela falando sobre o grande dia que seria o lançamento do CD, me dando broncas sobre Alison — afinal, mesmo que a garota tivesse saído mais queimada que eu daquele relacionamento, minha imagem não era uma das melhores —, falando como sua casa na África do Sul — que eu paguei — era maravilhosa e tentando recusar a ir para a turnê comigo.
— Você foi com a Kate!
— E foi um inferno! — rebateu, estava sentada no sofá, enquanto eu estava deitado no chão perto dela. — Além do mais, o meu pai começará a produzir o próximo álbum dele em julho, Riley já começa o dele em maio. Fora isso, meu casamento com Jimmy no ano que vem precisa começar a ser planejado logo, ou eu não darei conta.
Revirei meus olhos.
— Não acredito que você vai se casar com o mestre cuca, você não foi feita para casar Capitã.
— O quer dizer com isso?
— Você sabe muito bem o que quero falar. — Passei um dedo pela tatuagem no seu tornozelo. — Traiu o cara comigo, com Jasper e sabe-se lá com quem mais nessa turnê.
— Eu não fiquei com nenhum cara na turnê — disse, sentei no chão para a encarar, ela estava séria. — Não que isso seja da sua conta.
— Não é, tô pouco me importando para isso. Mas, eu sei que aquele mestre cuca alemão não te satisfaz, então, por que casar se isso não dará certo?
— Você ia se casar com a alpinista social da Lauren, me poupa — falou.
Fiz uma careta ao ouvir o nome mencionado. Eu tinha esquecido Lauren totalmente naqueles meses, não me apaixonei por Alison, mas também esqueci a atriz que um dia pensei que seria a mulher da minha vida. Sequer continuava acreditando naquilo, mesmo que uma das minhas músicas para o CD, Flor, fosse algo sobre.
Ed Cullen estava se assumindo como um solteiro convicto, eu nunca mais namoraria alguém, daquela vez era pra valer. Alison tinha sido um erro, mas já estava superado.
— Você acha que é verdade que Jacob tá traindo ela? — Bella me perguntou, com um olhar malicioso, se referindo a uma fofoca nova sobre os dois.
— Deve ser, isso se ela não tá traindo ele também.
— Acho que o namoro deles acaba logo — Capitã disse. — É bom que você não pense em correr atrás dela, Cullen.
— Não vou — garanti, me levantando do chão. — Lauren está totalmente no meu passado. — Sentei ao lado de Bella. — Agora, voltando ao assunto, você vai para a turnê comigo, Capitã.
— Não, eu não vou — continuou negando. — Eu já passei muito tempo viajando, preciso focar em assuntos aqui em Los Angeles agora.
— Viajar é mais divertido, Capitã. — Coloquei uma mão na sua coxa, odiando que ela estivesse usando uma calça jeans. — Pense em todo o sexo que podemos fazer por quartos de hotéis — sussurrei em seu ouvido.
Bella me afastou com toda sua força.
— Não!
— Por que não? Não é possível que depois de tudo vai querer mesmo bancar a noiva fiel.
— Não e ponto, certo?
Suspirei.
— Certo. — Me afastei dela. — Avise ao Jasper, ele estava muito empolgado com a sua volta. — Bella revirou os olhos, mas logo foi distraída por seu celular tocando, lhe avisando de uma mensagem.
— Vamos lá pra cima.
— Por quê? Pro meu quarto?
— Não — negou, ficando de pé. — Tenho uma surpresa para você. — Abri a boca para falar, mas Bella me cortou. — Não é nada sexual, tire sua mente de putaria.
— Que seja. — Me levantei também, sentindo meu pé esquerdo, o que tinha sido quebrado ao andar de skate doer, ele nunca mais tinha sido o mesmo desde a fratura. Além disso, eu já tinha começado os ensaios para a turnê e todas aquelas dançam faziam com que ele doesse mais. — Merda — reclamei, gemendo de dor.
— O que foi? — Bella arqueou uma sobrancelha.
— Meu pé — respondi, voltando a sentar para aliviar um pouco a dor. — Consiga um pé novo para mim, Capitã — exigi, ela riu, segurou meu braço e me fez levantar de novo.
— A surpresa que vou te dar é bem melhor, vamos logo.
— Ok, estou ficando curioso agora. Você está me dando um carro? — perguntei, enquanto seguíamos para a escada.
— Não.
— Um violão?
— Também não.
— Já sei! — exclamei animado, quando chegamos a cozinha, onde minha mãe estava. Zafrina, a cozinheira, tinha sido demitida em agosto, depois de roubar algumas roupas minhas e vender na internet, Bella me ligou tão furiosa naquele dia que eu deixei a ligação no mudo por longos minutos, ao menos a raiva não era dirigida a mim. — Você vai internar o Caipira Swan em um asilo? Essa seria uma surpresa maravilhosa!
— Edward! — mamãe chamou a minha atenção. — Eu não entendo como você pode odiar tanto o Charlie, ele é uma boa pessoa.
Mamãe tinha conhecido Charlie durante as gravações de Johnny Cash para o álbum, em um dia que foi me visitar na gravadora. Ela também tinha ficado muito feliz em o conhecer, também o tietou e tirou fotos, depois, só para mim, deixou escapar que ele era bonito.
— Minha mãe acha seu pai bonito — contei para Isabella, que arregalou seus olhos, depois ficou com cara de nojo.
— Fique longe do meu pai! — alertou minha mãe, que revirou os olhos.
— Eu só disse que seu pai é bonito, não que quero me casar com ele, além do mais, Charlie tem uma noiva adorável. — Ela tinha conhecido Carmen naquele mesmo dia.
— Adorável é o caralho — Bella rebateu, se sentindo a dona da casa e indo até a geladeira pegar uma garrafa de água para si, também pegou um morango e eu evitei pensar em como isso me remetia a sexo, especialmente com ela.
— Cadê a Rose? — perguntei para minha mãe.
— Saiu para passear pelo condomínio com Shrek, saiu pouco antes de Isabella chegar, já deve estar voltando. — Minha mãe se voltou para Bella, que continuava comendo. — Você não pode convencer Edward a tirar essa barba horrível?
Bella franziu o cenho.
— Eu até que gostei dela.
— Finalmente alguém gostou! — exclamei.
— Mas, talvez seja melhor você tirar mesmo — Bella continuou, eu bufei. — Está te deixando com cara de mais velho, seu público é mais novo, podem rejeitar isso. Como foram os comentários na sua última foto? Eu não tive tempo para ver ainda e Tanya só sabe falar do lançamento.
— Acho que a maioria odiou — falei. — Idiotas, não sabem apreciar uma boa barba.
— Edward, você está falando das suas fãs — minha mãe lembrou.
— Tanto faz.
Foi a vez dela de bufar.
— Que seja, eu preciso ir lá na ONG, fiz lasanha para você e sua irmã almoçarem.
— Certo. — Mamãe pegou meus óculos de grau de cima do balcão e estendeu para mim. — O médico mandou você os usar sempre, ou vá colocar as lentes.
Peguei os óculos a contra gosto, eu tinha ficado muito puto quando o médico, no mês passado, disse que precisaria deles por conta de uma fodida miopia. Ainda não tinha me acostumado com as lentes, os óculos não eram nada legais — mesmo que a armação não fosse redonda com aspecto de velho — e me incomodavam muito, mas menos que as lentes.
— Tchau! — Esme falou para Bella, que não se importou em se despedir, antes de seguir para fora da cozinha.
Coloquei os malditos óculos, me sentindo dez anos mais velho com eles. Bella suspirou alto, fazendo com que eu a olhasse, estava mordendo seu lábio inferior e segurando a garrafa de água com força.
— O que foi?
— Você com essa barba e óculos — murmurou. — Quero que tire os dois.
Eu sorri maliciosamente.
— Você está com tesão, putinha?
Ela não respondeu, não teve tempo, já que Shrek entrou correndo na cozinha, indo diretamente até ela. A Capitã soltou um gritinho feliz, largando a garrafa e se agachou junto ao meu cachorro.
— Olha só você, animal selvagem! — exclamou, deixando com que ele lambesse seu rosto. — Você sentiu a minha falta, não sentiu?
— Ei! — Olhamos para a entrada da cozinha, onde minha irmã estava, usando roupas de academia e segurando a guia de Shrek. — Isabella, você voltou.
— E você também, espero que não cause mais problemas para seu irmão — alertou, afagando mais um pouco a cabeça de Shrek antes de se levantar.
— O que quer dizer? — Rosalie questionou irritada.
— Você sabe! — Bella deu de ombros, Shrek continuava próximo dela. — Se você tivesse me ouvido sobre Demetri ele não teria te largado, você não teria ficado na merda e Ed não teria socado a cara dele.
Resmunguei baixinho, aquilo ainda me assombrava, fora que parte da minha má fama era graças aquele soco.
— Eu não fiz Edward bater em ninguém — Rosalie disse entre dentes.
— Só não arrume problemas que irão afetar seu irmão. — Bella lançou um falso sorriso para Rosalie. — É só ficar na linha.
Rosalie a encarou com fúria, mas não disse nada mais para Isabella.
— Eu vou tomar um banho — me avisou. — Se vocês dois forem transar e continuar aquele joguinho nojento de vocês, façam isso no seu quarto.
Logo deixou a cozinha, sem falar mais nada.
— Ela é idiota pra caralho.
— E eu vou te demitir se você continuar falando assim da minha irmã — alertei Isabella, que riu.
— Até parece, Cullen!
O interfone tocou, antes que eu pudesse ir até ele Bella foi. Falou com o porteiro do condomínio, depois me mandou ficar na cozinha e seguiu para a entrada da casa. Mesmo curioso fiquei na cozinha, indo até o som que ficava lá e colocando na rádio, estava tocando uma música de Kate.
Shrek latiu, saindo correndo da cozinha. Eu fiquei mais curioso com aquilo e sai atrás dele, parando de andar quando no meio do corredor que levava à porta principal da mansão vi Bella com um filhote em seus braços, um Golden Retrivier como Shrek.
— Puta merda, Capitã!
— O pessoal do Pet Shop veio deixá-la, as coisas estão lá na porta e… — Eu a ignorei, andando até ela e pegando a cachorrinha em meus braços.
— Porra, como ela é fofa! — Sentei no chão, Shrek foi logo a cheirar.
— É seu presente de lançamento de álbum novo — Bella falou, fazendo com que eu a olhasse. — Você pode pensar que sou uma péssima pessoa, talvez eu seja mesmo, mas desde que comecei a empresariar meu pai, Kate e Riley dou presentes para eles nas vésperas dos lançamentos de álbuns novos. É minha parabenização e meu desejo de sorte, lembrei que você queria mais um cachorro e aí está.
— Você é demais! — eu disse empolgado, voltando a fazer carinho na cachorrinha.
— Pensei em te dar uma boneca inflável com a cara da Lauren.
— Há, muito engraçado. — Olhei para Shrek que continuava suspeitando do novo bichinho da casa. — É sua irmã, Shrek.
— Ela não deveria ser a parceira dele? O coitado também precisa extravasar — Bella falou.
— Bella, não! — reclamei. — Eles vão ser irmãos, ela é nova.
— Que seja. — Bella se sentou perto de mim, afagando a cabeça da cachorrinha, Shrek voltou a lamber o rosto da empresária, que apenas riu. — Não precisa ter ciúmes, animal selvagem, você ainda é meu cachorro favorito.
— Como a Jean tá?
— Muito feliz que James voltou, pouco se importando comigo, como sempre — Bella resmungou. — Como ela vai se chamar? — perguntou, rindo mais quando Shrek deitou em cima dela.
— Amy — respondi, pensando na personagem de mesmo nome de Brooklyn Nine-Nine, a série que estava viciado no momento.
— Não, muito sem graça! — Bella afirmou, passando sua mão pela barriga de Shrek. — Você devia chamar ela de Madonna — falou, eu me atentei que naquele momento estava tocando Material Girl da própria na rádio, já que o som chegava onde nós estavámos.
— Você tá falando sério?
— Tô sim, é um nome muito melhor.
— Mas, chamar minha cadela de Madonna? Isso é um desrespeito.
— Me poupa, a Madonna nem faz mais sucesso. — Bella tirou a cachorrinha de mim. — Você vai se chamar Madonna, não obedaça a outro nome.
— A cachorrra é minha, por que você quer mandar até nisso?
— Ué. — Bella a devolveu para mim, mexeu mais nos pelos de Shrek e se levantou. — Não era você que queria que eu voltasse e tirasse Tanya, a Tirana, do seu pé? Estou fazendo isso, só não se esquece que sou a Capitã.
— Ok — concordei, ainda preferia ela a Tanya. — Qual sua próxima ordem?
— Chame a cadela de Madonna, depois vá raspar sua barba.
— Você não quer ser tentada?
— Tchau, Edward! — desconversou, indo em direção a porta, tirando a chave do seu carro do bolso.
— Capitã? — chamei, ela olhou para mim. — Estou feliz que você tenha voltado.
Ela assentiu.
— Eu também estou feliz de ter voltado. — Voltou a andar. — Tire a barba!
***
Rosalie e minha mãe saíram para jantar naquela noite, eu recusei, não queria sair, estava cada vez mais nervoso com o lançamento se aproximando. Por isso fiquei em casa, aproveitando para conhecer mais Madonna, que por seus documentos — que estavam junto a toda sua parafernalha canina deixada pelo pessoal do pet shop — tinha pouco mais de dois meses.
Em poucas horas lá em casa Shrek se tornou protetor sobre ela, Madonna também achou um sapato de Rose e o detonou, joguei ele no lixo e teria que comprar outro antes da minha irmã perceber. Eu só sabia que já adorava Madonna, ela era tão fofa quanto Shrek.
Eu estava brincando com os dois na sala quando o interfone tocou, fui atender e liberei a entrada de Alec. Não fazia ideia do que ele queria comigo ali, já que nem tinha avisado que estava indo para minha casa.
— Ela está grávida! — ele exclamou quando abri a porta para ele, estava visivelmente nervoso.
— Quê? Quem? Puta que pariu, não me diz que eu engravidei alguém.
— Eu engravidei!
— Puta merda, você traiu a Amber e engravidou outra? Ela vai te matar! — declarei. — Quem é a mulher?
— Não, porra! — Alec xingou, entrando e batendo a porta atrás de si. — Amber está grávida, minha esposa.
—Ah! — exclamei. — Isso é péssimo do mesmo jeito, cara, ninguém merece um filho.
— Pelo amor de Deus — ele disse, colocando suas mãos sobre o rosto. — Você é a pior pessoa a quem recorrer nesse momento, mas Jane está viajando e meu pai também.
— Você sabe o que fazer senão quiser esse filho.
— Eu quero esse filho, não vou fazer a Amber abortar, merda! — xingou. — O problema é que… Merda, eu ainda gosto da Renesmee, tá?
— É, isso sempre foi óbvio para mim. — Eu ri, Alec me olhou como se fosse me matar.
— Eu voltei a ficar com a Amber, eu noivei, eu casei com ela e não consigo tirar a Renesmee da cabeça e sequer já fiquei com aquela menina. Agora Amber tá grávida, eu não posso deixá-la.
— Pode sim, é só pedir o divórcio.
— Isso seria um caos, e o que eu faria? Ia bater na porta da casa de Renesmee e me declarar? Ela ama o namorado dela!
— Cara, você precisa de uma bebida.
— É, você tá certo, vamos para um bar, vou encher a cara.
— Não posso beber — o lembrei, Alec bufou.
— Puta que pariu, Edward! — xingou mais uma vez, antes de sair sem se despedir.
***
O despertador tocou, fazendo com que eu abrisse os olhos, que até aquele momento estavam fechados enquanto eu estava sentado contra uma das paredes da sala de música, tendo uma crise de ansiedade. Meu rosto estava cheio de lágrimas, eu não estava respirando direito, mas ainda era uma crise muito mais branda do que todas as outras.
Era meia-noite, meu álbum tinha sido oficialmente lançado nas plataformas digitais, qualquer um já poderia o escutar na íntegra. Aquilo me deixava em pânico, e se todo mundo odiasse?
Peguei meu celular, desligando o despertador que ainda tocava. Estava quase entrando no Twitter para ver as primeiras reações, mas resisti ao impulso, liguei para Isabella, que não demorou em me atender.
— Oi, Ed! — Ela estava ouvindo o álbum, eu reconheci Flor tocando ao fundo.
— Eu não estou legal, Capitã — murmurei minha confissão, ela respirou alto do outro lado da linha.
— Está em casa?
— Sim.
— Eu estou indo ai.
— Ok, valeu.
— O álbum vai ser um sucesso — prometeu, eu queria acreditar naquilo, mas estava apavorado de acontecer o contrário.
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