Hollywood

77 Capítulo Setenta e Seis


Notas iniciais
Olá! Espero que curtam o capítulo. —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Música especial do capítulo: https://youtu.be/1vhFnTjia_I —-- Boa leitura!

Capítulo Setenta e Seis

Isabella Swan

"Ed Cullen fica de fora do Grammy."

Quando comecei a empresariar Edward prometi que ele ganharia o prêmio de álbum do ano no Grammy, mas para isso acontecer, primeiramente ele precisaria ser indicado e talvez fosse ignorado por tudo que tinha acontecido.

***

Edward e eu rompemos o lacre da caixa de donuts, a tampa se ergueu um pouco, mas não o suficiente para podermos ver os doces lá dentro. Soltamos a faca sobre a mesa e levantamos a tampa, foi quando vimos a cor dos donuts.

— Azul! — eu gritei, com o coração disparado, olhei para Edward que parecia em choque.

— É uma menina — ele murmurou e eu comecei a chorar.

Então, meu noivo me abraçou e beijou minha bochecha, antes de se ajoelhar diante de mim e beijar minha barriga sobre a blusa azul e rosa que eu usava.

— Oi, garota! — ele falou com Donut. — Eu nem acredito nisso, caralho! — exclamou emocionado.

Eu sorri, ainda que estivesse chorando, e coloquei uma mão sobre os cabelos de Edward e outra em minha barriga.

— Oi, Donut! — falei com minha filha.

Certo, nós estávamos crentes de que seria um menino, nossa maior disputa era sobre nomes para garotos, mas eu estava feliz de qualquer forma. Eu teria uma filha, seria uma mãe.

— Uma menina, Capitã! — Edward exclamou quando se colocou de pé, segurou no meu rosto e beijou meus lábios.

— Charlie pode ser nome de menina também — sussurrei e ele fez uma careta, mas não tivemos tempo de discutir, logo a mãe dele se juntou a gente para nos parabenizar e isso fez com que todos os outros também fossem falar conosco.

— Não acredito que essa família só vai ter meninas — meu pai se queixou, eu suspirei.

— Você não vai negligenciar sua neta por isso, né?

Ele riu e afagou meu rosto.

— Como eu poderia? É minha primeira neta, você sabe que serei um avô babão independente de qualquer coisa. — Beijou minha testa carinhosamente. — Quem sabe o segundo de vocês venha com o primeiro menino da família.

— Ok, um de cada vez — pedi, ele riu e me abraçou.

— Parabéns! — Carmen foi a próxima a me abraçar. — Vou mimar muito essa princesinha, você sabe, né? — indagou quando me soltou.

— Eu s…

— Carmen, nem pensa em pedir para ser a madrinha! — Tanya exclamou.

— É, já tem muita gente querendo — Renesmee fez coro.

— Nós já decidimos quem vai ser — Edward se manifestou.

— O quê? Como assim? Fala logo! — Rosalie exigiu.

— Não podemos comer primeiro? Tô com fome — Edward falou, mas eu sabia que ele estava querendo provocar as três.

— Edward, fala logo quem vai ser — intervi.

— Qual é? Vamos comer antes — ele pediu, andando para perto de mim e passou um braço em volta da minha cintura.

— Edward Cullen, diga logo quem vocês escolheram ou sua filha vai se tornar órfã antes mesmo de nascer — Tanya ameaçou.

— Tanya, você não deveria ameaçar o pai da sua afilhada — falei e ela deu um grito, Renesmee e Rosalie começaram a reclamar na mesma hora, mas minha melhor amiga gritando animada abafou suas reclamações.

— Eu fui escolhida! — exclamou quando alcançou Edward e eu, nos abraçando ao mesmo tempo.

— Qual foi o critério para essa escolha? — Renesmee questionou, olhei para ela e a vi emburrada, Tanya nos largou, mas ficou por perto.

— Eu fiz um sorteio — Edward contou com tranquilidade na sua voz e eu fiz uma careta.

— Vocês escolheram por um sorteio? — Rosalie indagou irritada.

— Foi ideia do seu irmão — declarei, querendo limpar minha barra.

— Era a maneira mais justa de decidir. — Edward deu de ombros.

— Sim, isso foi muito justo! — Tanya exclamou para minha irmã e Rose. — Sejam boas perdedoras.

— Isso não foi nada justo. — Rosalie bufou.

— Tanto faz! — Tanya se voltou para mim e sorriu. — Estou muito feliz!

— Isso quer dizer que serei o padrinho? — Santiago perguntou de onde estava, com Valentina em seu colo.

— Vai sim — respondi.

Tanya bateu palmas e me apertou em um novo abraço.

***

Quando as meninas pararam de reclamar sobre a escolha de madrinha, Tanya anunciou que estava na hora de comermos. Porém, não segui com os outros para a mesa, desviei de Carlisle vindo na minha direção e de Edward e fui para dentro de casa quando vi Renesmee — que estava andando com pressa e com uma expressão triste no rosto — ir para lá.

Encontrei minha irmã numa sala, sentei junto dela no sofá que Ness estava e ela olhou para mim com os olhos cheios de lágrimas.

— Ei, não fica triste porque você não será a madrinha. — Afaguei suas costas. — É só um título, você ainda será uma tia.

— Eu sei. — Assentiu. — Não estou triste por isso. — Apoiou seu corpo no meu. — Tô assim porque comecei a pensar no Nahuel. É feio da minha parte dizer isso, mas vejo como tá sua vida agora e fico pensando que isso nunca vai acontecer comigo, porque meu noivo além de ter sido um babaca comigo, está morto. — Ela fechou os olhos e lágrimas escorreram por seu rosto.

— Querida, faz pouco tempo que Nahuel… Se foi — murmurei, ainda afagando suas costas, mas com a outra mão limpei sua face. — Você ainda terá uma longa vida para realizar todos seus sonhos.

— Eu não deveria sentir saudades dele.

— Ness, vocês namoraram por um longo tempo, você o amava verdadeiramente, é completamente normal e aceitável que sinta saudades dele, apesar de tudo.

— Eu vou ter que prestar testemunho no julgamento da Nicole — sussurrou. — Já que Nahuel esteve comigo antes de ir se encontrar com ela e… Você sabe, Nicole matar ele. — Fungou. — Vai ser um inferno reviver aquela noite na frente de um júri.

— Eu estarei lá com você — prometi, ela balançou a cabeça em negação e olhou para mim.

— Não quero que se envolva nisso, você já tem muito para se preocupar.

— Ness…

— É sério, quero que fique fora disso. Se concentre em si mesma e na sua filha. — Sorriu para mim, mas seus olhos ainda estavam cheios de lágrimas. — Você terá uma garota, isso é tão legal!

— Pois é, sabe o que seria mais legal? Você deixar Edward e eu colocarmos o nome Charlotte.

— Nem pensar! — Se afastou um pouco de mim, porém não parecia irritada, sim com diversão no olhar que antes era triste. — Vou ter uma filha chamada Charlotte, nem que tenha de ter ela sozinha por meio de uma inseminação artificial.

— Bom, não acho isso algo ruim. — Toquei na minha barriga. — Iria mesmo dizer para todos que meu bebê era fruto de inseminação artificial se Edward não tivesse assumido. — Ela assentiu. — Se quiser mesmo ter um bebê sozinha por esse meio, vou te apoiar.

Renesmee mordeu o lábio, claramente indecisa, depois falou baixinho:

— Então, você acha que já devo começar a procurar uma clínica para fazer a inseminação?

Suspirei e segurei em suas mãos.

— Querida, você ainda é muito nova. Obviamente quer ser mãe, mas não precisa apressar nada.

— Parece que estou perdendo tempo, que minha vida voltou para o ponto zero.

— Garanto que não está. — Beijei seu rosto. — Além do mais, em alguns meses você terá uma sobrinha para mimar, trocar fraldas e me deixar nomear Charlotte.

Minha irmã gargalhou.

— Não adianta insistir, Bells. É bom você ir pensando em outro nome.

— Já pensei em vários, o problema é o Ed e eu concordamos em algo que agrade nós dois.

— Peça ajuda para a madrinha do bebê, ela que deve aturar vocês — Ness provocou e ficou de pé.

— Engraçadinha.

— Garotas, tudo bem? — Olhamos para a entrada da sala e vimos nosso pai junto da porta.

— Tudo. — Renesmee e eu respondemos juntas.

— Certo, sendo assim voltem lá pra fora agora, precisam almoçar!

— Estamos indo. — Ness me estendeu uma mão e levantei.

— Papai, não sei qual nome dar pra minha filha — me queixei.

— Que tal o nome da sua avó? Helen é um nome muito bonito — disse empolgado.

— Com todo respeito, pai — Ness começou a falar. — Mas Helen parece que a menina vai nascer com mais de trinta anos.

— Você se chama Renesmee — lembrei, ela bufou.

— O que eu posso fazer se aquela pessoa me deu esse nome esquisito? Você e Alice tiveram sorte, não chame sua filha de Helen, talvez Helena seja melhor.

— Não sei quanto a Helen, preciso ver com o Edward. Mas Helena? Nem pensar, não vou chamar minha filha como a mulher que provavelmente está por trás dos vazamentos no site do Kevin Ford.

— Não pense nisso agora, Bells. E o nome certo vai aparecer, ou já apareceu e é Helen. — Papai piscou para mim.

***

Edward sorriu para mim quando apareci no quintal, ele estava sentado junto da mãe, mas se levantou e caminhou ao meu encontro.

— Tudo bem? Estava quase indo atrás de você.

— Tudo bem. Ness só estava precisando conversar um pouco — respondi e chequei minha irmã, ela já estava à mesa com papai. — O que acha do nome Helen? Era o nome da minha avó, meu pai sugeriu.

— Eu acho que é nome de velha — respondeu, com uma careta.

— Ou você só está dizendo isso por ter sido sugestão do meu pai?

Ele me lançou um sorrisinho perverso.

— Vou te deixar na dúvida.

— Isso não é justo, estou grávida.

— E precisa ir comer, agora chega de enrolar.

— Precisamos decidir o nome.

— Nós vamos — afagou meu rosto. — Mas antes vamos almoçar.

Concordei, precisava mesmo comer. Nós ainda teríamos muito trabalho pelo resto do dia. Iríamos primeiro para uma reunião na produtora com uma das marcas patrocinadoras dele, depois para mais um ensaio e quando tudo isso acabasse um casamento precisaria continuar a ser planejado.

— Bella — Esme falou quando sentei entre ela e Ed, Tanya estava do outro lado dele e mesmo comendo ela não deixava de sorrir. — Nós estávamos falando que vocês podem decorar o quarto no tema donuts também.

— Sim, seria incrível! — concordei começando a me servir. — Eu realmente preciso escolher um quarto na mansão pro bebê.

— Você já pensou sobre o parto? — Carlisle me perguntou, enquanto eu enchia minha boca de comida.

— Por que quer saber? Vai querer decidir isso por ela? — Esme indagou irritada, aquilo me fez parar de mastigar na hora.

— Mãe! — Edward chamou a atenção dela, enquanto Alice mal conseguia disfarçar uma risada e Jasper pedia baixo, porém não muito, para que ela se calasse.

— Desculpe, Esme. O que você quis dizer? — o pai de Edward questionou.

— Sabe muito bem o que eu quis falar, Carlisle — ela rebateu e revirou os olhos.

— Chega disso! — Edward exclamou, Rosalie tinha seu rosto escondido entre as mãos naquele momento, com certeza irritada com seus pais e talvez envergonhada também.

Eu engoli a comida e respondi para Carlisle, enquanto Esme ainda olhava com raiva para o ex-marido.

— Cesárea, com certeza. — Me virei para Santiago e falei. — Por que não fala um pouco sobre o final da temporada da sua série? Estou curiosa com o que vai acontecer — pedi querendo mudar de assunto rapidamente e acalmar os ânimos da família Cullen.

***

Amy pulou no sofá e deitou sobre meu colo, enquanto isso Woody brincava com Alice que estava no chão da sala de TV. Era de noite naquela mesma quarta-feira, minhas irmãs tinham voltado para jantarmos juntas, Ness estava fazendo os pedidos pelo aplicativo em seu celular.

Edward tinha ido passear pelo condomínio com Shrek e Madonna, Rosalie acompanhou o irmão. Minha sogra estava no seu apartamento, segundo minha cunhada a mãe dela ainda estava irritada por conta da presença de Carlisle no almoço.

— Bells, precisamos acertar algo — Ness falou quando acabou de mexer em seu celular. — Na verdade, você precisa acertar, mas posso te ajudar.

— Do que está falando?

— Como você vai morar aqui com Edward agora eu resolvi deixar a sua casa aqui no condomínio.

— O quê? Não, eu já disse no outro dia quando dormi lá que você pode ficar com a casa, não quero me pague nada por isso.

— A questão não é essa, eu não quero ficar numa casa grande como aquela sozinha. Vou ficar com papai e Carmen, por um tempo pelo menos, quem sabe depois me mudo para um apartamento, ou Alice larga o Randall e vou morar com ela.

— Eu não vou largar o Randall, nós vamos casar — Alice disse do chão.

— Quando? — questionei.

— Bom, na verdade, nós marcamos a data hoje — Alice respondeu, puxando Woody para seus braços. — 16 de maio.

— Ano que vem? — Ness fez a pergunta.

— 2020, mamãe e a mãe do Randall acharam que seria melhor ter mais tempo para planejar tudo. Elas também conseguiram um lugar maravilhoso, vai ser no Hampton Court, perto do Rio Tâmisa, era um palácio real, é muito lindo, será perfeito.

— Tirando o fato de que você estará casando com alguém que não gosta.

— Pois é — Ness concordou.

Alice ficou imediatamente brava e soltou meu gato.

— Por isso não falo sobre meu casamento com vocês duas.

— Porque sabe que estamos certas e deveria cancelar isso tudo. — Renesmee deu de ombros.

— Vocês ao menos vão?

— Vou checar minha agenda, mas acho que estarei ocupada — provoquei e ela ficou mais irritada. — Quanto a você. — Me voltei para Ness. — Se você não quiser mesmo ficar com a casa, tudo bem. Quando você sair eu a coloco para alugar, vou deixar um tempo assim e se quiser voltar para lá só me avisa, tá? E acho que tá na hora de colocar meu apartamento para alugar também. E a casa que você morava com…

— Eu vou vender — Renesmee falou decidida. — Será melhor assim.

Eu assenti e afaguei seu braço.

— Ok, vamos falar sobre algo que realmente importa agora — Alice se manifestou. — Sua despedida de solteira, o seu casamento será no próximo sábado, precisamos organizar a festa.

— Olá, o que estão falando? — Edward entrou na sala, junto com sua irmã. Eu podia ouvir os latidos de Shrek e Madonna ao longe, deveriam estar aprontando pela casa.

— Alice quer me dar uma despedida de solteira — respondi e ele ficou emburrado.

— Isso não está certo!

— O quê? Não seja um macho escr… — Alice começou, mas ele a interrompeu.

— Não tô falando que a festa da Bella não está certa de rolar, tô reclamando que nenhum dos meus padrinhos abriu a boca pra falar sobre uma festa de despedida de solteiro para mim.

Eu ri.

— Vou ligar pra Jane — ele declarou. — Ela será melhor organizando minha despedida que qualquer um dos meus padrinhos.

— Espera, estamos mesmo topando isso? — perguntei para ele antes que o músico saísse da sala.

— Não precisa ter strippers, pode ser algo leve.

— Com certeza terá strippers na festa da Bella — Alice afirmou, Rosalie balançou a cabeça em negação.

— Espera, já resolvemos isso, Alice.

Deixei o sofá, puxei Edward pela mão e fomos para a cozinha.

— Ok, você claramente quer uma despedida, eu não vou negar que parece algo mesmo divertido. Quais serão as regras para o dia?

— Sem álcool.

— Óbvio. — Apontei para minha barriga. — Strippers?

— Um cara nu qualquer vai se esfregar em você? — perguntou fazendo cara feia.

— Se ele estiver cheio de óleo espero que não, ou vou ficar toda melada, mas se estiver seco eu não me oponho.

Ele bufou, eu toquei seu braço.

— Edward, não vou transar com um stripper. E sei que não vai transar com uma, mas se rolar corto seu pau — brinquei.

— Não vou transar com uma stripper, nem com mais ninguém, claro — disse e beijou minha testa. — E se você quiser que ela não se esfregue em mim tudo bem, posso só ficar olhando.

— Nada pervertido. — Rimos juntos. — Ok, talvez ela possa se esfregar um pouquinho, você tem minha benção para isso.

— Elas… Jane não vai chamar só uma.

— Tá, eu vou deixar os meus strippers se esfregarem em mim… Quer dizer, eu tô grávida, isso, eca. O bebê… — Edward tapou minha boca gentilmente, soltou logo depois e falou:

— Você confia em mim e eu em você, certo? Acho que podemos ter strippers dançando alguma música ruim e melados de óleo que nada vai acontecer.

— Mas eu tô grávida, isso não é nojento?

Edward segurou meu rosto.

— Querida, o bebê não vai saber o que tá rolando e já fizemos coisas bem pervertidas naquele quarto lá em cima desde que descobrimos sua gravidez. Só tenta não ficar pensando nisso e aproveita sua noite de despedida.

— Você tá bem animado com isso.

— Eu estou. — Não negou. — Mais animado ainda pensando no que você e eu podemos fazer no pós festa.

— O que tem em mente?

***

Edward entrou no quarto falando tão depressa que eu não entendi nada, abaixei a tela do meu notebook e pedi:

— Repete, eu não compreendi nada que você falou.

— Ruby!

— Quê?

— O nome para nossa filha, pode ser Ruby.

Gargalhei e passei uma mão por meus cabelos.

— Falamos em strippers mais cedo e você quer que nosso bebê tenha nome de uma?

— Ruby é bonito, você sugeriu nomes de deusas gregas terríveis outro dia.

— Nomes mil vezes mais bonitos que Ruby. Agora me dá aqui minha água — exigi, ele reclamou, mas andou para perto da cama e entregou o copo que tinha ido buscar para mim.

Já era bem tarde e tínhamos que dormir, mas estávamos organizando algumas coisas para o casamento, como fechando a lista de convidados, também selecionando algumas músicas.

— Que tal Pietra?

— Não — neguei.

— Nunca vamos entrar em

um consenso — disse e sentou do seu lado da cama. — Pode ser Isaward.

— Edward! — exclamei gargalhando.

— É muito difícil escolher seu nome, Donut — falou afagando minha barriga. — E muito difícil aguentar a dor no meu pé.

Olhei apreensiva para ele.

— Tô preocupada com você, pirralho.

Ele tinha se queixado de dor por boa parte do ensaio, nós tínhamos conseguido uma consulta para ele com seu ortopedista no dia seguinte, após mais uma reunião com patrocinadores na produtora, que eu esperava acabar melhor que a daquele dia que mais um contrato foi rompido.

— Vai dar tudo certo.

— Quer que eu faça uma massagem? Tenho um óleo de stripper aqui pra isso.

Foi a vez dele de rir, mas eu o calei com um beijo.

***

Nós deixamos o carro juntos, a mão de Edward estava entrelaçada a minha. Os paparazzis nos cercando na frente do restaurante foram ignorados, lá dentro conseguimos uma mesa no mesmo instante e fomos levados até lá.

— Eu tô faminto — Edward se queixou e logo pegou o cardápio, começando a folhear as páginas. — O que você vai comer?

— Não sei, estou sem fome — murmurei.

Aquela manhã tinha sido muito difícil, eu estava bem pra baixo. Mais um patrocínio perdido, Edward recebendo remédios do seu ortopedista para lidar com a dor no seu pé e a tensão me dominando porque no dia seguinte sairiam as indicações ao Grammy e eu não estava confiante sobre Edward ser indicado a algo.

— Você precisa comer — insistiu e me entregou o outro cardápio.

Respirei fundo e peguei, mas antes que sequer pudesse abrir, ela surgiu atrás de Edward. Eu a encarei, dividida entre acreditar que Renée ali era mesmo real e não fruto de uma fantasia da minha mente.

Então, ela disse:

— Olá, Isabella.

Edward olhou para trás e a viu também, Renée contornou a cadeira dele e sentou na que estava vazia do lado direito da mesa. Perto de onde ela estava em pé antes, vi os homens de terno — alguns reconheci como investidores da emissora dos Dwyer e o próprio Phill Dwyer —, eles estavam se sentando a mesa próxima.

— Saia daqui, agora — Edward falou baixo para Renée, mas sua expressão era raivosa.

No entanto, Renée o ignorou completamente e me perguntou:

— Como você está? Fiquei sabendo que vai ter uma menina.

— Como você sabe? — questionei, apertando com força o cardápio entre meus dedos.

— Alice me contou mais cedo.

Claro!

— Escute, está cheio de paparazzis lá fora e a essa altura a internet já sabe que nós duas acabamos nos encontrando aqui. Para isso ser bom para ambas vamos combinar de ser agradáveis em nossas falas sobre esse encontro. Diremos que não foi nada planejado, mas que foi tranquilo e que eu lhes parabenizei pelo noivado e o bebê, que estou feliz por vocês.

Ela sorriu para mim, seu sorrisinho manipulador de sempre e estendeu a mão para mexer em meus cabelos, mas desviei do seu toque. Sem falar nada eu fiquei de pé, peguei minha bolsa e comecei a andar em direção a saída, logo Edward estava junto de mim segurando minha mão.

Nossos seguranças na frente do restaurante nos levaram para longe dos paparazzis, que estavam loucos gritando suas perguntas sobre Renée para mim. No instante que entrei no carro e o motorista deu partida, comecei a chorar.

***

Quando Edward chegou eu estava apenas sentada ao piano, sem nem mesmo tocar mais. Ele sentou ao meu lado, beijou minha bochecha e depois a apertou, me fazendo rir.

— Como você está, Capitã?

— Bem — respondi e apoiei meu corpo no seu.

Eu tinha voltado para casa depois do encontro com Renée no restaurante, cancelando assim minha participação no ensaio de Edward, mas o obriguei a seguir sua agenda. Também segui a minha depois naquela tarde quando recebi junto com Esme e Tanya a estilista que contratei para fazer meu vestido de noiva, que teria pouco mais de uma semana para ficar pronto.

Rosalie estava em aula e não pode estar ali naquele momento, Carmen em estúdio com meu pai, Renesmee trabalhando e Alice sumiu. Aquela altura eu já tinha lhe enviado dezenas de mensagens revoltadas por ela ter contado para Renée sobre o sexo do bebê. Edward e eu não queríamos que o mundo, nem mesmo minha mãe, ficasse sabendo sobre isso ainda.

— Mamãe me disse que você estava aqui sozinha por muito tempo.

— É, isso é verdade — concordei.

— Vamos subir? Que tal assistir algum filme deitada? Seu dia foi cheio.

— Escrevi uma música nova — contei.

O rosto de Edward se iluminou, ele sorriu e questionou:

— Sério? Já está pronta?

— Não, ainda falta ajustar muita coisa da melodia, mas a letra está 100% ok.

— Posso ouvir?

Assenti e fiquei de pé, indo pegar o violão que usei para a composição.

— Eu estava só testando a música no piano — falei explicando a mudança de instrumento.

Ele não disse nada, apenas concordou com um aceno de cabeça.

— Ok. — Ajustei a alça do violão e coloquei no bloco de notas do meu celular, que estava sobre o piano, a letra da música para acompanhar. — O nome da canção é Anos.

Inspirei fundo, então comecei.

Aos cinco anos. Você me viu em uma grande tela. Eu cantava sobre querer ser uma garota normal. Anos depois você aprovaria meu sotaque. Aos quinze anos. Você ganhava o mundo. Eu me escondia de todos. Anos depois você diria que se esconderia comigo. — Senti as lágrimas em meus olhos, mas segui em frente. A melodia era puro country, mas Edward parecia estar gostando. — Aos dezessete. Você falava mal do meu pai. Eu te achava um idiota. Anos depois você cantaria minha canção com meu pai.

Meu noivo riu suavemente com aquela parte.

Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota. Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota.

Quando acabei o refrão parei de tocar, eu teria que arrumar a melodia a partir daquele ponto, mas continuei a declamar a letra.

Aos vinte e um. Você estava noivo de outra. Eu achava que estava bem com meu cara. Anos depois você me consolaria quando meu noivado chegasse ao fim. Aos vinte e dois. Você estava em minha cama. Eu não sabia onde isso iria acabar. Um ano depois e eu posso ter uma ideia.

Arrisquei dedilhar algo no violão, mas não gostei.

— Ignore essa parte de melodia — instrui e voltei a ler. — Ainda aos vinte e dois. Você estava comigo naquela festa. Eu fugi. Alguns meses depois e você estaria tão feliz a me ver.

Com o retorno do refrão toquei novamente.

Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota. Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota.

Antes que eu pudesse continuar Edward se virou de frente para o piano e tocou algo, uma sequência para minha canção.

— Que tal?

— Continua — pedi. — Aos vinte e três. Você estava do outro lado do mundo. Eu estava com medo de te amar. Semanas depois e eu poderia dizer as palavras sem hesitar. Aos trinta e dois. Eu descobri. E você está aqui. E você disse que somos uma família agora. Dois cachorros. Dois gatos. Um bebê. Apenas o começo de anos e anos.

No último refrão Edward conseguiu me acompanhar no piano.

Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota. Anos e anos. Até chegarmos aqui. Anos e anos. Até eu me tornar sua garota. — As lágrimas por fim rolaram por meu rosto. — Eu amo você. E vou continuar te amando. Por anos e anos. Meu amor.

Tirei o violão, o coloquei no chão e beijei a cabeça de Edward. Ele me abraçou e repousou seu rosto contra meu peito, deixando com que eu mexesse em seus cabelos.

— Capitã — falou depois de um tempo. — Toca essa música no festival depois do nosso dueto de Johnny Cash.

— Ela não está nem terminada, não farei isso.

Ele suspirou.

— Isabella...

— Não insiste.

— Ia te falar outra coisa — me afastou. — Quando nós dois ainda não tínhamos decidido ficar com o bebê eu fiz duas músicas, sobre como me sentia em relação a você e a ele.

Eu fiquei calada, absorvendo aquilo.

— Não te falei antes porque elas são mesmo a representação de um momento difícil.

— Eu quero as ouvir.

— Tem certeza? Pode te fazer mal.

— Tenho certeza, vou ficar bem.

Ele concordou, se levantou e caminhou até um dos armários na sala de música. Tirou de dentro da gaveta um caderno e um gravador, voltou a sentar ao piano e disse:

— Elas estão incompletas, especialmente a primeira. — Segurou minha mão e a beijou. — Senta aqui comigo.

Sentei ao seu lado, evitei olhar para o caderno e o deixei tocar e cantar para mim sobre um dos momentos mais complicados do nosso relacionamento.

***

Nós acordamos cedo no dia seguinte, mesmo após termos ido dormir tarde. A noite foi entre nossas músicas, minhas lágrimas sobre as canções de Edward e depois sexo no mesmo lugar da nossa primeira vez.

Ele me ajudou a adiantar parte da melodia da minha música, eu o ajudei com as melodias das suas. Nós decidimos que a música sobre o bebê não seria lançada, mas que ele poderia incluir a música sobre nós dois nos perdendo um do outro em seu próximo álbum se já tivesse finalizado a canção.

— Edward? — Esme chamou o filho, que não parava de mexer suas pernas. — Está tudo bem se você não for indicado, sua carreira não depende disso. — Ele bufou em resposta.

Naquela manhã de sexta-feira sairiam as indicações ao Grammy, nós três, mais Rosalie, Jasper e Tanya estávamos na sala de TV esperando começar. Carlisle ligou cedo perguntando se poderia ir, foi o que nos acordou, mas Edward negou. Para distrair ele da ligação de seu pai e todo o resto, sugeri um passeio pelo condomínio com Madonna e Shrek, consegui que Ed ficasse um pouco mais calmo, mas com as indicações prestes a saírem estava mais nervoso de novo.

— Sonhei que você estava grávida de gêmeos — Jasper, sentado ao meu lado, falou enquanto Esme continuava tentando tranquilizar o filho.

— Nem brinca com isso — falei e Jasper riu, mexendo na ponta dos meus cabelos.

— Você poderia fazer eles terem uma dupla country — provocou.

— Virou comediante, foi? E quando você vai ficar com a minha irmã mesmo?

Ele rolou os olhos e cruzou os braços, eu ri e cutuquei seu rosto.

— Não fica bravinho.

— Só não te xingo porque você tá grávida, Isabella.

— Me xingar por qual motivo? Era uma pergunta sincera.

Ele somente resmungou.

— Vai começar! — Rosalie anunciou aumentando o volume da TV, Tanya que estava afastada falando ao celular com Alistair se aproximou, Edward choramingou e deitou a cabeça no meu ombro.

— Meu estômago tá doendo e quero vomitar — reclamou.

— Bebe um pouco da minha água com limão. — Passei a garrafa para ele, que hesitou mas bebeu por fim. — Pirralho, vai ficar tudo bem, tá? Com ou sem indicações. — Afaguei seu rosto.

— Mas eu quero muito isso. — Me devolveu a garrafa. — Também quero vencer no ano que vem.

***

Jasper apertou meu ombro, eu sabia que também estava muito tensa, mas conseguindo esconder aquilo melhor que Edward. Meu noivo tinha levantado do sofá e estava andando de um lado para o outro na sala, sem dizer uma palavra desde que os apresentadores começaram a anunciar os indicados na primeira categoria e isso já fazia um bom tempo.

— Bella, você acha que… — Jasper sussurrou.

— Espero que sim — sussurrei de volta, ele apertou mais uma vez meu ombro e agradeci mentalmente por isso, ajudava a aliviar a tensão no meu corpo.

Agora os indicados a Melhor Performance Country em Duo ou Grupo — a apresentadora falou, enquanto abriam o envelope com os nomes.

Mordi a ponta da minha língua, Edward estava submetido aquela categoria junto do meu pai por Johnny Cash. Tínhamos combinado que seria uma aposta melhor para a canção na premiação, classificar ela mais como country que pop.

— Eu sou um fracasso até no country! — Edward protestou conforme os nomes iam saindo e nem um deles era o seu.

— Edward Cullen! — Esme chamou sua atenção, mas ele a ignorou.

E por último — a apresentadora falou aumentando o suspense. — Johnny Cash, Ed Cullen e Charlie Swan.

Todos gritaram em comemoração, menos Edward e eu. Ele olhou para mim, então abriu um sorriso grandioso, andou em minha direção e beijou meus lábios, para depois falar:

— Isso é graças a você, Capitã.

Eu comecei a chorar, ele segurou meu rosto entre suas mãos e ficou beijando minha face.

— Nós estamos dentro, a primeira indicação do dia, linda. Com uma música sua, eu disse que você era maravilhosa!

— Você e meu pai que estão por trás disso.

— Sem você não teríamos nem gravado juntos — insistiu e me beijou de novo.

— Bella, o seu pai! — Tanya, claramente animada, me entregou o seu celular, enquanto isso os outros abraçavam Edward para o parabenizar.

— Oi, papai.

— Essa indicação é sua! — ele gritou empolgado.

— É sua e do Edward, pai.

— Foda-se os nomes ditos, a música é sua, a ideia de nos juntar para a cantar foi sua, todo o mérito é seu. Cadê o Cullen? Preciso falar com ele.

— Espera aí — pedi. — Edward, meu pai quer falar com você. — Ele parou de falar com Tanya e pegou o celular, se afastou um pouco de todos para conversar com Charlie.

Eu comecei a receber os parabéns de todos também pela indicação, mesmo que ficasse insistindo que aquilo não era para mim. Quando Edward acabou de falar com papai devolveu o celular para Tanya e me lançou um sorrisinho malicioso.

— O que você tá tramando, Cullen? — indaguei.

— Nada. — Piscou pra mim.

Não tive tempo de discutir sua cara de quem estava aprontando algo, não quando mais uma categoria, melhor álbum vocal de pop, que Edward poderia receber indicação estava prestes a ser anunciada. Ele sentou junto de mim, nossas mãos unidas com força.

— Deus, eu juro que se receber indicação nessa vou assistir uma missa na igreja ainda esse ano — Edward prometeu.

— Edward, não brinque com Deus — Esme disse com seriedade.

— Não tô brincando! — exclamou. — Deus, eu realmente vou.

— Que fique claro que eu não vou com você — sussurrei.

— Aff, Bella — se queixou. — Você…

— Quieto, os indicados! — Apontei para a TV.

Os nomes começaram a ser ditos e no terceiro foi minha vez de gritar.

Escândalo, Ed Cullen.

Me voltei para Edward e o vi chorando, eu o abracei e comecei a dizer que o amava. O celular de Tanya não parava de tocar, o de Jasper e Rosalie também, muitos queriam parabenizar.

Mal tínhamos nos recuperado daquela categoria quando a próxima, melhor performance pop solo, também indicou Edward.

Escândalo, Ed Cullen.

— Caralho, eu vou infartar — falou, ainda chorando, mas rindo ao mesmo tempo.

— Vamos dar uma festa! — Jasper declarou.

— Sem festas hoje — Tanya cortou o barato dele. — Amanhã vocês vão viajar para outro país.

Jasper fez cara feia.

— Vem melhor clipe agora, submetemos Escândalo também e se foi algo muito arriscado? — Edward indagou, soltando minha mão e voltando a ficar de pé.

— É um dos melhores clipes da sua carreira, querido — Esme disse.

— Não sei — ele murmurou e Rose o fez se sentar perto dela no outro sofá. Os dois conversaram em vozes baixas, até que ele estivesse sorrindo de novo e os indicados da categoria começassem a ser apresentados.

Paraíso, Kristie John. Escândalo, Ed Cullen. Mon…

Esme gritou tão alto naquele momento que eu me encolhi no sofá.

— É um dos melhores momentos da carreira dele — Jasper cochichou para mim enquanto Edward comemorava com a irmã.

— Ok, gente, vou precisar começar a gravar vocês agora! — Tanya anunciou antes de começarem a falar sobre a categoria de melhor música do ano, aquela era a antepenúltima do dia, uma das mais importantes e se Edward fosse indicado precisaríamos de registro em vídeo para divulgar nas redes sociais.

— Meu cabelo já está uma confusão — Esme falou e rapidamente passou a mão por seus fios ruivos.

Shrek entrou na sala e foi até Edward, que o fez subir no sofá para acariciar seu pelo.

— Ed, senta com a Bella — Tanya pediu ajustando seu celular para gravar. — Se vocês estiverem tão distantes assim vão pensar que estão brigados.

— Claro, porque é exatamente o que não sentar junto da sua noiva significa sempre. Vem, Shrek — o chamou e os dois vieram para perto de mim.

— Seja um bom garoto — pedi para Edward, ele concordou e passou um braço por meus ombros.

Logo os nomes começaram a ser ditos e para nossa alegria o dele estava entre eles.

Escândalo, Ed Cullen.

Edward me beijou em comemoração, o que seria um prato cheio para quem me detestava reclamar quando o vídeo fosse divulgado, mas eu apenas o beijei de volta com vontade.

Alguns minutos depois, tempo suficiente para Tanya postar o vídeo nas redes sociais de Edward e minha sogra chorar no colo do filho, cheia de orgulho, a penúltima categoria foi anunciada. Gravação do ano, o nome de Edward também estava presente, mais uma vez com a faixa título do seu álbum.

Escândalo, Ed Cullen.

Ele estava abraçado a mãe para o começo do novo vídeo de Tanya, mas depois me beijou novamente e em seguida abraçou o amigo e Rosalie.

— Ok, agora eu realmente vou ter um infarto — sussurrou para mim, só faltava a categoria de Melhor Álbum do Ano. — E isso são só indicações, nem estou vencendo nada.

— Respira fundo — instrui e ele fez isso.

— Vamos ficar de pé — pediu e me levantou, se colocando atrás de mim e me abraçando, suas mãos repousada sobre minha barriga, coloquei as minhas sobre as dele e eu imaginei que quando nossa filha nascesse Edward já poderia ter em casa seu primeiro Grammy.

— Gravando — Tanya indicou.

Os nomes começaram a ser ditos. E quando o dele foi dito nós começamos a chorar ao mesmo tempo.

Escândalo, Ed Cullen.

Edward me fez ficar de frente para ele, beijou meus lábios, depois se ajoelhou e beijou minha barriga. Eu não parava de chorar, nem ele, os dois ignorando a câmera do celular da minha sócia.

Depois Edward se levantou de novo e antes de me beijar mais uma vez sussurrou:

— Obrigado, Capitã. Por sempre ter estado ao meu lado, por suas músicas, suas ideias, por ter ficado ao meu lado durante toda a turnê, por tudo. — Seus lábios encontraram os meus.

Depois ele foi para os braços da mãe e chorou com ela também, depois com Rose, Jasper e a própria Tanya.

Quando os ânimos se acalmaram um pouco, após Tanya postar o vídeo, atendermos ligações de amigos, pessoas que trabalhavam com a gente e mesmo alguns jornalistas, Edward pegou seu celular e avisou:

— Tirana, eu cuido das redes sociais agora.

— Certo — ela falou. — Só não apronta nada.

— Não vou. — Ele riu e andou para fora da sala, continuamos ali comemorando e já imaginando como seria quando ele ganhasse um daqueles prêmios.

Eu me sentia muito leve depois daquelas indicações, tranquila por saber que mesmo com tudo que tinha acontecido Edward ainda estava sendo reconhecido como merecia. Tudo ficaria ainda melhor se ele ganhasse, especialmente o melhor álbum do ano que um dia prometi para ele.

Estava conversando com Tanya, já planejando a campanha de Edward para a premiação quando ele apareceu. Seu sorriso bonito no rosto e o celular na mão, pediu para eu o seguir para fora da sala e eu fui.

— Vamos entrar ao vivo no Instagram.

— O que, Edward? Não!

— Vamos sim — insistiu. — Eu sondei o que estão falando, o clima tá bem feliz.

— Sim, mas não vai continuar assim comigo ao vivo no seu Instagram. Nem tem necessidade disso.

— Tem sim. — Beijou minha testa. — Sorria, não fique emburrada e exiba mais seu anel se quiser.

Eu tive que rir daquela parte.

Edward mexeu no celular e iniciou a live.

— Olá! — Acenou para a câmera com a mão livre. — Estou aqui com a minha linda futura esposa. — Beijou minha cabeça e sorri para suas palavras. — Para agradecer vocês por todas as palavras de carinho sobre as indicações ao Grammy, é de longe um dos dias mais felizes da minha vida e estou muito honrado de ter vocês compartilhando tudo comigo. Foram sete indicações, quando eu estava morrendo de medo de não receber nenhuma. Capitã, obrigado por ter feito parte do álbum comigo.

— De nada, amor. — Fiquei na ponta dos pés e beijei seu rosto.

— Como vocês sabem Isabella é a compositora de Johnny Cash, então Charlie e eu nem teríamos sido indicados sem a música dela. — Eu corei e o beijei de novo. Ele me abraçou e falou. — Eu estou muito feliz agora, queria só passar aqui rapidinho com minha noiva para agradecer vocês por todo apoio sempre. É isso, se cuidem. Amo vocês!

— Tchau, gente! — me despedi.

Edward finalizou a live e disse:

— Se você gravar Anos pode receber uma indicação no próximo ano, o que me diz?

— Eu digo que talvez possa cantar a música no seu show no festival, depois de Johnny Cash, mas só se conseguirmos a acabar ainda hoje.

— Tá falando sério, Capitã?

— Tô sim.

— Porra, eu te amo!

***

Tomei mais um pouco de água e voltei a digitar em meu computador, estava na produtora aquela tarde. Depois dos anúncios do Grammys Edward e eu almoçamos em casa, em seguida fomos para uma consulta com a minha médica para ela ver se estava tudo bem para eu viajar.

Ela garantiu que estava tudo bem comigo e com o bebê, que eu poderia viajar sem problemas. Porém, se algo acontesse deveria procurar um médico imediatamente.

Edward foi ensaiar após isso, eu tive que ir para a produtora resolver algumas coisas de última hora. Mas, ainda iria o encontrar para ensaiarmos.

Ouvi uma batida na porta, liberei a entrada e Irina colocou a cabeça para dentro.

— Bella, com licença — falou. — Helena está lá embaixo, ela quer subir e conversar com você.

— Helena Thompson?

— Sim.

O que aquela mulher queria comigo depois de, com certeza, ter sido a pessoa ajudando Kevin a conseguir invadir meu celular?

— Posso liberar a entrada dela ou devo mandar os seguranças falarem em chamar a polícia?

— Manda ela subir, Irina.

Minha assistente hesitou, mas concordou e voltou a fechar a porta. Pouco tempo depois ela bateu na porta novamente, anunciando Helena.

— Feche a porta quando sair — mandei para a assistente. — E o que você quer aqui? — indaguei Helena, que estava visivelmente nervosa, quando Irina saiu.

— Me desculpa — ela implorou. — Kevin me obrigou a fazer aquilo… E hoje recebi intimação para depor, posso acabar presa… Por favor, me ajuda.

— Você trabalhava para mim e estava recebendo ordens de Kevin Ford? Ele te pagou muito bem por isso, suponho — falei com nojo.

— Ele não me pagou nada — ela começou a chorar. — Nos encontramos numa festa um dia, ele me indagou sobre você e Ed. Falou que suspeitava de vocês dois, achava que tinham um caso. Eu falei que não tinha provas de nada, que nunca tinha visto nada, apesar de já ter suspeitado de vocês dois também. Enfim, foi aí que Kevin me ameaçou. Deveria ajudar ele a conseguir provas de que você estava com Edward, ou eu faria isso, ou… — Ela soluçou.

— Ou o que, Helena?

— Ou ele iria vazar um vídeo meu transando.

Aquilo me pegou de surpresa.

— Meu último namo-namorado — gaguejou. — Nós dois gravamos algo uma vez — confessou. — Só eu aparecia nas filmagens. — Suspirou. — Sequer sei como Kevin conseguiu isso, se foi com meu ex-namorado, ou sei lá, ele é terrível, deve ter feito pacto com o próprio diabo pra conseguir tudo que quer. Isabella, se eu não tivesse aceitado o ajudar, ele teria vazado esse vídeo.

— Você tinha certeza de que ele estava com o vídeo?

— Não — sussurrou com culpa na voz. — Mas eu não podia pagar pra ver. Se ele vazasse isso estaria tão fodida, você sabe como é. Vazou o seu próprio vídeo, mas…

— Então, você topou me foder para se livrar? — A interrompi, sem querer que ela continuasse falando que eu tinha culpa pelo vídeo do Escândalo Swan.

— Sim, mas sinto muito, juro. Kevin disse que só precisava de provas do seu relacionamento com Edward, fotos, talvez eu gravar algo de vocês admitindo. Mas eu não sabia como fazer isso, vocês dois sempre estavam juntos, só que não se agarrando na minha frente e nunca diriam uma palavra sobre o que tinham para mim.

Ela suspirou, limpou um pouco o rosto e sentou na cadeira diante da minha mesa.

— Aí comprei um aplicativo espião, vi num filme e quando conseguisse tentaria invadir seu celular e torcer para ter alguma prova nele. Então, naquele dia, eu vi Jessica com seu celular e fiz o que fiz. Não achava que iam saber que era eu, pensei que conseguiria me safar.

— E agora quer que eu limpe seu lado?

— Eu imploro por isso, Isabella. Estou com medo. Não tenho provas de que Kevin ameaçou vazar o vídeo e me obrigou a fazer isso, até para entregar as coisas do seu celular para ele foi pessoalmente e fui obrigada a não usar nada perto dele que pudesse o gravar. Ele é tão sorrateiro, pode dar um jeito da maior culpa disso ser minha, acabar vazando o vídeo de qualquer jeito. Só você pode me ajudar agora.

— Não, eu não posso.

— Ma-Mas...

— Lamento pela história do vídeo, Helena. Só que não posso te ajudar, não quero. Não consigo ter empatia suficiente por você a respeito disso, eu sinto muito, mas você colocou minha família em risco com toda essa exposição, não irei passar a mão na sua cabeça.

— Por favor.

— É melhor você ir embora agora, ou vou chamar os seguranças.

***

Deixei o violão sobre a cama e desliguei o gravador do celular, Woody estava quase pulando sobre o instrumento, mas o puxei para meu colo.

— Linda, ainda tem lugar na sua mala? — Edward perguntou do closet.

— Não.

— Merda!

Estávamos quase saindo de casa para o aeroporto, mas ele ainda estava acabando de arrumar suas coisas. Tínhamos gasto muito tempo finalizando a melodia para Anos, Edward fez de tudo para conseguirmos isso antes da meia noite, o que significava que eu tocaria a música durante o show dele no festival.

— E meus fones de ouvido, você viu? — Deixou o closet, passando a remexer nas gavetas da mesinha junto da cama.

— Na minha bolsa.

— Ufa, te amo! — exclamou aliviado, fechou a última gaveta aberta e perguntou mais uma coisa. — Você tá pensando na Helena, né?

— Não.

— Até parece, admite, Isabella.

Revirei os olhos.

— Estou pensando um pouco. Kevin pode vazar o vídeo dela.

— E isso não será sua culpa. Além do mais, Kevin pode ter mentido para ela sobre ter esse vídeo.

— Ele pode mesmo ter.

— Nada disso é sua culpa — repetiu.

— Paul ainda tem vídeos meus — murmurei e a expressão de Edward se tornou raivosa.

— Você não tem certeza disso também, Isabella.

— E se um dia Paul decidir os vazar? — ignorei o que ele falou antes. — E colocar essa culpa em mim também.

— Você vai lá e diz que aquele filho da puta te obrigou a assumir a culpa do primeiro vídeo.

— Como vai ser quando Donut descobrir sobre esse vídeo, Edward? — perguntei colocando a mão sobre minha barriga. — Ela vai me odiar? Todo mundo vai dizer para ela que a mãe é uma vagabunda que tentou destruir a vida de um cara.

— Nós vamos contar a verdade para nossa filha, linda. Quando chegar a hora certa, ok? — Tocou em meus cabelos.

— Ela não vai poder saber…

— Isabella, não é hora de surtar sobre isso. Respira fundo.

Eu respirei, ainda sentindo sua mão em meus cabelos, enquanto segurava Woody que tentava escapar de mim.

— Vou levar o Woody lá pra baixo, antes que ele destrua o quarto — eu disse quando me acalmei. — Não demora muito.

— Não vou. Só preciso achar agora o par do meu tênis vermelho.

— Como conseguiu perder um tênis? Um que você usou ontem.

— Não tenho a mínima ideia. — Voltou para o closet.

Balancei a cabeça e sai do quarto com Woody, fechei a porta e larguei o gato no chão. Estava indo para a escada quando vi minha irmã subindo, Alice me lançou um olhar cheio de culpa e foi logo falando:

— Me desculpa, Bells. Eu não ia contar nada para Renée, juro. — Parou na minha frente. — Ontem ela estava me enchendo de perguntas sobre o meu programa, acabou do nada mudando de assunto e perguntou se você já sabia sobre o sexo do bebê, automaticamente respondi que sim. Aí ela insistiu para que eu contasse o que era.

— Aham. — Cruzei os braços na frente do corpo.

— Ela não deve ter contado para ninguém, além do mais ontem vocês se encontraram e ela não disse uma palavra sobre você e Ed para os paparazzis, né?

— É, não disse, mas queria. Foi até minha mesa pedir para eu falar bem sobre termos nos encontrado.

Alice ficou muda.

— Quer saber? Esqueça, Alice. Está tudo bem entre nós duas, só não diga mais nada da minha vida para Renée.

Ela respirou aliviada e me abraçou.

— Ai, que bom, Bells. Eu estava tão nervosa, vim aqui agora porque não queria que você viajasse sem termos conversado, mas estava quase morrendo com medo de você chutar minha bunda.

— Eu deveria. — Afaguei suas costas.

— Bel… Oi, Alice! — Edward apareceu na porta, Alice e eu desfizemos nosso abraço. — Capitã, eu não encontro meu passaporte.

— Também tá na minha bolsa, Edward.

— Perfeito. Pode me ajudar a encontrar meu tênis agora?

— Escolha outro, Edward.

— Eu quero aquele — choramingou.

— Quer saber? Alice, ajuda o Edward, eu vou descer e comer alguma coisa.

***

Já durante o voo, enquanto eu dava uma olhada na primeira versão do acordo pré nupcial que meu advogado e o de Edward tinham preparado, ele lia o livro sobre gravidez para pais que Santiago lhe deu. Ou ao menos tentava, estava claramente lendo só um pedacinho de cada página e folheando o livro.

— O bebê tá do tamanho de um morango agora — contou e bocejou.

— Edward, melhor você dormir.

— É, também acho. — Fechou o livro. — Você não vai? Odeio que a gente esteja indo em voo comum, queria tá num jatinho, me sinto mais confortável.

— Pelo menos agora você já voa sem passar mal. Estou achando que não vai ser necessário mudar nada nesse acordo.

— Podemos fazer um para voar só em jatinhos?

Ri e afaguei sua mão, então guardei meu notebook e seu livro também.

— Dorme, Pirralho. Vai ser um fim de semana corrido.

— E você irá cantar comigo! — exclamou contente e se esticou sobre a poltrona para me beijar.

***

Chegamos ao Brasil por volta de sete da noite do horário local e por mais que Edward e eu quisessemos descansar, tínhamos compromissos a cumprir. Primeiro ele foi fotografado no hotel que nos hospedamos e deu entrevista para um site de música.

Assim que a sessão de fotos e entrevista acabaram nos arrumamos para sair, íamos para o festival assistir alguns shows, conhecer os organizadores e fazer Edward ser visto. Depois iríamos para uma festa na casa do criador do festival, ou tentaríamos, talvez estivéssemos destruídos demais para isso.

— Feito! — Edward anunciou, no carro a caminho para o festival, terminando de postar uma foto sua para anunciar que já estava no Brasil.

Não que isso fosse muito necessário, os fãs e a imprensa estavam no aeroporto quando chegamos, também na porta do hotel depois.

— Eu amo batata frita — declarei comendo mais uma. Tinha pedido um grande pacote no hotel para viagem e estava comendo no carro, Edward tentou pegar uma, mas afastei sua mão. — Você disse que não queria.

— Vou pedir para meu advogado colocar algo no acordo sobre você ser obrigada a dividir comida comigo — provocou.

— Espera sentado eu assinar isso. — Enfiei mais batata na boca.

***

No festival ficamos na área vip, afinal se Edward pisasse fora dali seria engolido por fãs. Não que naquele espaço reservado não estivesse sendo bem cercado.

Ele seria o artista principal do dia seguinte, então todos queriam falar com meu noivo e tirar fotos. Em algum momento me separei dele para ir ao banheiro, quando voltei o encontrei com uma de suas ex-namoradas.

Louise Pepper, uma cantora pop, alta, loira — claro — e que tinha um corpo de dar inveja a qualquer uma, inclusive em mim. Eu sabia que eles tinham namorado há muito tempo, quase no começo da carreira de Ed.

Os dois estavam conversando sentados em um sofá, bem perto um do outro e não paravam de rir. Ela também tinha uma mão sobre o braço dele, o que me irritava mais do que gostaria.

Sendo assim, segui até os dois.

— Bella, ei! — Edward exclamou quando me viu e ficou de pé, Louise se levantou do sofá também. Meu noivo ainda estava sorrindo, muito. — Você já conhece a Louise?

— Não — resmunguei.

Ao menos não pessoalmente.

— Isabella Swan! — Me apresentei e estendi a mão para Louise. — Noiva do Edward.

— Louise Pepper — disse em um forte sotaque de New York.

— O que está fazendo aqui? Não vi seu nome no lineup do festival — comentei e segurei na mão de Edward, fazendo com que ele ficasse junto de mim.

— Estou acompanhando a Angelique, é minha melhor amiga — respondeu falando sobre a cantora se apresentando naquele momento.

— Eu estava falando com Louise sobre nós dois estarmos correndo em melhor performance pop solo no Grammy — Edward falou.

— Aham, que seja. Vamos assistir o show lá fora. Adeus, Louise! — exclamei e puxei Edward para longe dela e da tenda que estávamos, sem deixar os dois se despedirem.

— Opa, calma aí! — Edward me parou e disse. — Você está tendo um ataque de ciúmes, podemos debater isso?

— O que tem pra debater? Aquela lá tava se jogando pra cima de você.

— Isabella, Louise e eu estávamos só conversando.

— Ela estava tocando no seu braço, você tava dando abertura — falei mais alto que gostaria.

— Sério? Você quer fazer um escândalo por isso? Um monte de outras pessoas metem a mão em mim pra conversar, isso não quer dizer nada.

— Mais um pouco e ela sentava no seu colo — falei entredentes e ele revirou os olhos. — Aliás, ela foi sua namorada.

— Nós dois ficamos juntos por menos de um mês, há séculos, não foi nada — alegou. — E você acha que eu ia deixar ela me beijar ou qualquer coisa assim? — perguntou baixinho, mas ainda irritado.

— Não — sussurrei.

— Não é o que parece. E você deixou que eu tenha uma despedida de solteiro com… Você sabe o que, vai querer brigar por isso depois também? Sair me puxando como se eu fosse criança?

— Não, é diferente, elas vão estar lá para uma brincadeira, não são uma ex que pode tá te querendo de volta. E mais bonita que eu.

— Ela não é mais bonita que você, Isabella. E nem me quer de volta. — Olhou para os lados e suspirou. — Já tem gente olhando pra cá, vamos parar de discutir.

— Melhor eu ir embora pro hotel — falei chateada, mais comigo do que com ele naquele momento.

— O quê? Não!

— Estraguei sua noite sendo ciumenta.

— Não estragou nada. — Se aproximou de mim e tocou meus braços. — E tudo bem você sentir ciúmes, talvez tenha notado algo que não notei, mas sair me rebocando daquele jeito não foi legal.

Eu assenti.

— Foi mal, não vai se repetir.

— Eu te amo, só você. Me desculpa por qualquer coisa também — ele disse e beijou minha cabeça. — Vamos assistir o show? Ou quer ir embora?

— Vamos assistir ao show.

***

Edward estava cantando Sweet Caroline no elevador, enquanto eu postava uma foto nossa no Instagram. Nela estávamos agarrados e eu lambia seu queixo, tínhamos a tirado no festival, mas pulamos a festa do criador depois, eu estava com muito sono e Ed queria descansar seu pé.

A legenda que dei para a foto foi uma que remetia a uma das que Edward tinha postado comigo dias atrás.

"Você também tem um gosto muito bom, @edcullen."

Guardei o celular quando acabei aquilo, pensando em como queria tirar meus sapatos.

Was in the spring. And spring became the summer. Who'd have believed. You'd come along* — Ele continuava cantando quando deixamos o elevador. — Linda! — exclamou enquanto abríamos a porta da suíte, com nossos seguranças nos ladeando. — O nome…

Edward foi calado quando a porta se abriu e uma garota, que estava na suíte, se jogou em cima dele.

Notas finais
a letra de anos foi escrita por mim… *Era a primavera. E primavera tornou-se o verão. Quem teria acreditado que. Você viria junto. Beijos! Lola Royal. 05/03/20