Hollywood

42 Capítulo Quarenta e Um


Notas iniciais
Olá, vamos ao primeiro capítulo do ano? Esse capítulo é dedicado a cassi_anna que recomendou Hollywood, muito obrigada por isso, flor! —-- Backstage é o lugar onde os bônus de Hollywood estão sendo postados, não perca nada! Link: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Eu estou com um NOVO grupo no Facebook, o antigo será DESATIVADO, quem quiser entrar aqui o link: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Música especial do capítulo: https://youtu.be/sKAJSqQiM2Q Música especial do capítulo: https://youtu.be/z_mRF8BR7cE —-- Esse capítulo contém cenas gatilho para quem é sensível aos assuntos: relacionamento abusivo e suicídio! —-- Boa leitura!

Capítulo Quarenta e Um

Isabella Swan

“Paul Lahote e Isabella Swan são vistos conversando em festa.”

Eu sabia que Paul tinha sido o responsável pela divulgação daquele vídeo, sabia de tudo que ele tinha destruído para mim com aquilo. Mas, por que eu não conseguia o odiar por completo? Somente o odiar, sem ter mais nenhum sentimento envolvido.

Alguns diziam que o oposto de amor era a indiferença, algum dia eu seria totalmente indiferente a Paul?

***

Deixei Leah e Edward sozinhos em uma mesa, para que tivessem um momento de casal. Iria até o banheiro checar minha maquiagem, depois circular um pouco pela festa com Jessica e Riley, assim fugiria de Paul.

Esse era meu plano, mas obviamente não foi o que aconteceu.

Eu tinha acabado de chegar à área dos banheiros quando ouvi a voz de Paul:

— Isabella? — Olhei para trás, me deparando com o Lahote, que sorriu maliciosamente a me ver. — Olá, como vai você? — perguntou educadamente, já que estávamos em um corredor de acesso aos banheiros, onde a qualquer momento alguém podia surgir.

— O que você quer, Paul?

— Não podemos ter uma conversa civilizada, Isabella?

— Você sabe muito bem a resposta para sua pergunta.

— Não, eu não sei — murmurou. — Não entendo porque você age com tanta agressividade comigo — provocou, ainda falando baixo.

Ouvi alguém se aproximando e olhei por cima do ombro de Paul, vi Edward entrando no corredor, o que me fez ficar aliviada imediatamente. Com alguém perto Paul não tentaria nada, eu poderia fugir do seu cerco.

Edward parou ao lado de Paul, falando diretamente com ele:

— Oi, Lahote!

Paul lançou um olhar de descaso para Edward.

— Olá, Cullen. — Estendeu uma mão para Ed, eu vi o forte aperto que trocaram entre si.

— Melhor irmos atrás da Leah, Ed — falei quando o aperto de mão chegou ao fim. — Quero apresentar vocês para muita gente ainda.

— Por que você não deixa ele ir na frente e fica para a gente conversar um pouco? — Paul me questionou, sua mão foi de encontro com meu braço e ele apertou com força, eu teria sentido dor, mas estava nervosa demais.

— Paul, é melhor você soltar Isabella agora — Edward disse entredentes, o que fez Paul rir.

— Ou o quê, seu viadinho de merda? — Vermelho tomou conta do rosto de Edward, mas ele não teve tempo de explodir.

— Isabella? — Nós todos olhamos para Jessica que estava entrando no corredor. — Preciso de você rapidinho lá com o Riley — falou, mantendo um sorriso no rosto, mas seu olhar era severo.

Paul me soltou por fim, seguindo para o banheiro masculino, eu praticamente empurrei Ed para fora do corredor e Jessica disse:

— Ed, volta para a mesa com a Leah.

— Mas…

— Agora! — Jessica ordenou, naquele momento me senti absurdamente grata por ela ser uma profissional maravilhosa e não me importei nem um pouco de uma subordinada estar dando ordens no meu lugar.

Edward olhou uma última vez para mim, nervoso, antes de seguir até onde estava antes.

— Você precisa de algo? — Jessica me perguntou.

— Não — sussurrei.

— Ok, vá atrás do Riley e não saia de perto dele, certo? Vou ficar perto de Ed e Leah caso eles precisem de algo.

— Certo — murmurei e fui atrás de Riley, o achei no bar e ele me perguntou confuso:

— O que você tem? Parece que viu um fantasma.

— Eu vi — respondi pegando seu drink e virando de uma vez. — Paul.

Compreensão tomou conta do rosto de Riley.

— Você quer ir embora? — Riley me perguntou. — Podemos ir para meu apartamento — falou. — Encher a cara até esquecer o dia de merda.

— Seu dia foi uma merda também?

— Foi, você me obrigou a vir para essa festa chata — respondeu, fazendo com que eu risse um pouco. — Olha aí, já estou conseguindo te fazer rir, vamos cair fora!

— Precisamos nos despedir…

— Não precisamos não, vamos só fugir, Bella!

Eu ri de novo, topando o plano de fuga de Riley. Mandei mensagens para seus seguranças e o motorista, dizendo que estávamos prontos para partir. Antes de deixar o salão eu olhei em volta, avistando Ed, que naquele momento estava agarrando Leah.

Nós deixamos a festa sob um mar de paparazzis gritando meu nome e o de Riley, entramos no carro esperando pela gente e o músico mandou o motorista nos levar para seu apartamento. Fomos seguidos até lá por alguns paparazzis, mas não me importei com aquilo, estava com a cabeça em Paul.

***

Eu sentei no sofá da sala de Riley quando entramos no seu apartamento, já tratando de tirar meus saltos.

— O que você quer beber? — ele perguntou, indo até ao bar no canto da sala.

— Uísque, puro.

Ele riu, não me importei em perguntar o motivo. Logo ele estava sentando ao meu lado, me entregando minha dose de uísque e ficando com uma cerveja em sua mão.

— Quer conversar sobre…

— Não, vamos só beber até esquecer o dia de merda mesmo — falei e em uma única vez bebi o uísque que ele me deu. — E preciso da garrafa.

— A casa é sua — disse gesticulando para o bar.

Levantei e fui pegar a garrafa, voltei para o sofá e bebi um grande gole. Precisava esquecer Paul, nem que fosse por só uma noite.

***

Em algum momento Riley colocou música para tocar, algum rock pesado que eu sequer sabia a letra. Nós continuávamos sentados no sofá, eu não consegui resistir ao cantor naquele momento, me aproximei mais dele e tentei beijá-lo, mas Riley me afastou rapidamente.

— Bella, não!

— Ninguém precisa ficar sabendo — falei, começando a tentar abrir sua camisa, mas ele agarrou meus pulsos para me deter.

— Você está bêbada.

— Não o suficiente para não consentir com o sexo, quero que a gente foda. — Riley suspirou e se colocou de pé.

— Isabella, nós trabalhos juntos, você é como uma irmã mais velha para mim. Eu namorei sua irmã, não vou mesmo ficar com você.

— Como se Alice ligasse para com quem você está transando. — Revirei meus olhos.

— Que seja, só sei que não teremos nada, nem hoje, nem nunca.

— Você é um idiota.

— E você está bêbada — ele declarou, me ajudando a levantar do sofá. — Vou te levar para o quarto.

— Agora sim, finalmente percebeu que quer foder?

— Para o quarto de hospedes, Bella — disse sério. — Você vai dormir para curar seu porre.

***

Ouvi alguém chamando meu nome, mas não conseguia responder. Minha boca estava muito seca, enquanto minha cabeça dóia demais.

— Bella, Bella! — continuavam chamando por mim e começaram a cutucar meu braço.

— O quê? — perguntei, ainda de olhos fechados.

— Seu celular tá tocando direto, é melhor ver o que tá acontecendo.

Abri meus olhos, rolei na cama e vi Riley parado perto. Estava visivelmente sonolento e segurando meu celular em mãos, ele o colocou na minha mão e deixou o quarto.

— Merda — resmunguei, lembrando que eu tinha tentado foder com Riley.

Mas, naquela hora foquei no meu celular. Vi que tinham dezenas de chamadas de Edward, como quatro mensagens não lidas dele, abri as mensagens.

Ed Cullen: Capitã???

Ed Cullen: ISABELLA SWAN

Ed Cullen: ISABELLA

Ed Cullen: ISABELLA

Puta merda, o que tinha acontecido para todo aquele desespero?

Capitã: O que é?

Capitã: Pra que tanta mensagem?

Ele respondeu na hora.

Ed Cullen: Você não me respondia.

Capitã: Eu estava dormindo!

Porra, eram quatro e meia da manhã!

Ed Cullen: Como você tá?

Capitã: Agora? Querendo te matar por me acordar!

Ed Cullen: É sério, como você está?

Ed Cullen: Quis falar com você mais cedo, mas a Jessica me obrigou a ficar na festa até o final com a Leah.

Ed Cullen: Você está bem?

Capitã: Estou!

Ed Cullen: Ótimo, eu posso conseguir o endereço daquele filho da puta e quebrar a cara dele? Melhor, posso explodir a casa dele?

Capitã: Não, você não pode.

Ed Cullen: Ele machucou você!!!

Capitã: Não foi nada.

Ed Cullen: Isabella, ele te machucou, isso com certeza é algo!

Capitã: Estou falando sério, meu braço está ótimo.

Eu o chequei para ter certeza, Paul tinha o apertado com força, mas não sentia dor ali, nem tinha qualquer marca.

Capitã: Preciso voltar a dormir, tchau!

Ed Cullen: Espera, vem pra minha casa mais tarde. Não adianta reclamar, se você não vier eu vou para o seu apartamento.

Capitã: Tá, vou pra sua casa. Posso dormir agora?

Ed Cullen: Pode, boa noite.

Não respondi mais, desliguei meu celular e voltei a dormir. Na manhã seguinte eu poderia voltar a me importar com o mundo.

***

Quando acordei de novo eram sete da manhã, como vi em meu celular quando o liguei. Aquilo me fez ser bombardeada de mensagens, ligações, notificações em todas as redes sociais, só que daquela vez não apenas por Edward.

Tanya tinha me mandado mensagens que me alarmaram, assim como o link de uma publicação do TMZ cuja manchete dizia:

“Paul Lahote e Isabella Swan são vistos conversando em festa!”

Inspirei fundo e li a matéria.

“Fontes afirmaram que viram ontem à noite (05/04) Paul Lahote e Isabella Swan conversando na After Party da Premiação TV Show, segundo informações o ator teria seguido a empresária e eles tiveram uma rápida conversa, que foi atrapalhada por Ed Cullen. Uma das fontes disse que Paul e Isabella estavam muito nervosos, especialmente ela, que Ed também estava nervoso quando chegou até eles.

A conversa teria acabado quando Jessica Stanley, que trabalha com Ed e Isabella, apareceu. O que será que rolou nesse reencontro entre Paul e Isabella? Nós daríamos tudo para ter ouvido esse papo. Será que eles estavam planejando um remake do vídeo pornô de anos atrás?

Bom, o que sabemos é que Paul está noivo da atriz Julia Gaston e que recentemente Isabella terminou seu noivado com James Klein. Ah, a ex-atriz deixou a festa na companhia de Riley Biers, será que eles estão tendo algo? Vamos esperar os próximos capítulos dessa história para saber mais!”

— Bella? — Olhei para a entrada do quarto e vi Riley, que carregava duas xícaras de café em mão. — Melhorou?

— Não, estou pior. — Ele andou até mim e me entregou uma xícara. — Desculpe pelo que aconteceu ontem, foi idiota.

— Tudo bem, todo mundo tem direito a um porre e a cometer besteiras.

É, mas eu sempre estava cometendo besteiras.

— Preciso ir embora — falei, depois de beber um pouco do café e devolver a xícara para ele. — O mundo vai explodir sobre mim hoje — reclamei. — E talvez te atinja.

— Por que você dormiu aqui?

— É.

Ele suspirou e assentiu.

— Sem problemas, não pego alguém tem uns três meses, pelo menos pra mídia eu vou tá com alguém.

— Sua ex-cunhada e segundo você sua irmã mais velha.

— Você lembra disso?

— Ah, eu lembro sim — resmunguei, passando a mão por meu vestido, ter dormido com ele o deixou todo amarrotado, meus cabelos também já tinham se desfeito do penteado e eu sabia que minha maquiagem estava um lixo. — Vou ao banheiro e cair fora, irmãozinho.

***

Tinham paparazzis na porta do prédio de Riley, eles me seguiram até o táxi que peguei. Me seguiram por todo o caminho até meu apartamento, ignorei eles, eu tinha de ignorar para não enlouquecer.

Quando deixei o prédio que morava, depois de cuidar de Amy e me deixar mais decente após um banho, eu me arrumei e fui para a produtora. Os paparazzis continuavam me seguindo, era um inferno.

Assim que cheguei a produtora, Irina com apreensão, me avisou que Tanya estava na minha sala. Eu mal entrei lá e minha amiga gritou, colocando seu celular na minha cara.

— Olha isso!

Eu peguei o aparelho, vendo a manchete, outra do TMZ.

“Riley Biers e Isabella Swan estão juntos!”

— Tanya…

— Leia a matéria — ordenou, eu li.

“Riley Biers está de namorada nova, quem é a mulher da vez? Ninguém mais que Isabella Swan, que além de ser empresária do cantor é irmã da ex dele, Alice Swan.

É isso mesmo!

Hoje no começo da madrugada (06/04) os dois deixaram juntos a After Party da premiação TV Show — onde Isabella já tinha reencontrado Paul Lahote —, foram para o apartamento do músico e a empresária deixou o local essa manhã… Usando as mesmas roupas de ontem.

O que acham desse inusitado novo casal? Até agora não tivemos nenhuma informação sobre o assunto.”

— Você quer destruir a carreira do Riley? — Tanya gritou, era muito bom minha sala ser a prova de sons. — Quer destruir a sua fodendo com todo mundo que cruza seu caminho? Principalmente Riley e Ed que trabalham com você?

— Eu não transei com o Riley.

— Não é o que todo mundo está achando.

— Soltei uma nota dizendo que não teve nada, que eu…

— É assim que quer lidar com isso? — Tanya me interrompeu. — Você vai fazer merda atrás de merda e depois pedir que eu cubra seus erros?

— Você trabalha para mim. — Dei de ombros.

Ela me encarou indignada.

— Sou sua melhor amiga, sua filha da puta! — esperneou. — E sua sócia, não sou a fodida da Irina, ou da Leah que você manda e desmanda.

—Tanya, estou com dor de cabeça e…

— Que se foda você, chefe — ironizou. — Mas pode ficar tranquila, vou cuidar das suas merdas como sua empregadinha. Só não procura mais por mim como sua amiga.

— O que quer dizer com isso, Tanya?

— Você entendeu muito bem, Isabella. A partir de hoje nós duas somos só sócias e colegas de trabalho, não mais amigas.

— Espera, Tanya, vamos conversar direito — pedi nervosa, ela me ignorou e saiu, batendo a porta com força.

***

Não conseguia trabalhar, não depois da briga com Tanya. Ela tinha divulgado uma nota oficial que eu só tinha ido para o apartamento de Riley por questões de trabalho, ressaltando a amizade de anos que eu mantinha com o Biers. Ele também publicou em suas redes sociais que eu era como uma irmã — mais velha — e que nunca teríamos nada.

Era tudo uma grande bagunça, mas depois da declaração dele no Twitter as pessoas pareciam estar acreditando mais que não tivemos nada.

“Claro que o Riley não pegou essa velha.”

“Ninguém pegaria essa mulher em sã consciência.”

“Essa mulher é insuportável, por isso James Klein largou ela.”

Voltei para a página inicial do aplicativo, bem a tempo de ver que Edward tinha postado algo.

“Madonna definindo meu estado de espírito de hoje”

Embaixo uma foto de Madonna dormindo no chão, toda largada. Aquilo me fez rir, também curti a foto.

Li a primeira resposta a publicação, de uma conta de fã do Cullen, chamada Ed Cullen Updates.

“Conta pra gente quem te deu a Madonna.”

— Eu — sussurrei para mim mesma, já saindo do Twitter e indo mandar uma mensagem para o Cullen.

Capitã: Oi.

Ed Cullen: Oi.

Capitã: Você tá só?

Ed Cullen: Sim, você tá vindo pra cá?

Capitã: Estou.

Estava, não tinha mais nada para fazer na produtora aquele dia.

***

Algum tempo depois Edward abria a porta da sua mansão para mim, com Madonna e Shrek ao seu lado. Eu não tive tempo de dizer algo, ou me voltar para os cachorros, não quando Edward bateu a porta com força atrás de mim e segurou em meu pulso.

— Não está mesmo machucado? — indagou, analisando meu braço que Paul tinha apertado noite passada.

— Não, está bem, já falei isso antes — resmunguei, me soltando dele, Edward me encarou.

— Você fodeu com o Riley?

— Não — respondi, revirando os olhos. — Eu quis, mas aparentemente ele me vê como uma irmã mais velha. — Bufei, Edward riu. — Isso não é engraçado.

— É sim, Capitã — falou, eu o ignorei, me abaixando para brincar com Madonna e Shrek.

— Como foi o resto da festa?

— Um saco — Edward respondeu, sentando no chão, Shrek se jogou em cima dele, enquanto eu mantinha Mads em meus braços. — Leah é muito irritante, você não podia ter arranjado uma namorada falsa mais legal para mim?

— Desculpe, não olhei o catálogo direito — ironizei, ele riu. — Você trouxe ela para cá como combinando?

— Sim, ela dormiu no quarto de hospedes.

— Ainda com medo dela roubar sua pureza?

— Sim! — exclamou apavorado. — E ainda mais tenso com a minha mãe perguntando para Leah hoje cedo se ela queria alguma mudança no quarto.

— Como assim?

— Ah, Leah, querida — ele imitou a mãe. — O que acha de deixarmos seu quarto mais com a sua cara? Edward não vai se importar, não é, Edward? Agora que você vai passar mais tempo aqui precisa do seu espaço, precisa sentir que essa é sua casa.

— Sua mãe é quem vai chorar quando esse namoro acabar.

— Nem me fale — Edward bufou. — É capaz dela ficar com a Leah e me mandar embora de casa.

— A casa é sua, Betty — lembrei. — Você deveria mandar sua mãe te dar mais espaço.

Ele revirou seus olhos verdes.

— Sei que você tem seus problemas familiares, Capitã. — Engoli em seco. — Também tenho com meu pai, mas não vou mandar minha mãe ficar fora da minha casa. Ou Rosalie, antes que você sugira isso. Elas são minha família, a única que restou desde que meu pai decidiu agir como um grande idiota.

— Bom, que se dane. — Coloquei Madonna no chão. — Vamos transar.

Ele se livrou de Shrek e ficou de pé, parando bem diante de mim, seus olhos fixos nos meus.

— Você está realmente bem? Sobre ontem, quero dizer.

— Não precisa ficar se preocupando comigo, Cullen.

— Amigos, lembra? — Piscou para mim. — Além disso, quero só uma desculpa para ir quebrar a cara daquele filho da puta. Por ele ter te machucado…

— Ele não me machucou.

— Ele machucou e por ter me chamado de viadinho.

— Por que sua masculinidade é tão frágil?

— Não é.

— É sim.

— Não é! — Ele segurou minha mão. — Vamos lá foder.

— Gosto dessa frase pra caralho — falei enquanto já andávamos, ele sorriu e olhou para mim.

— Eu também!

***

Acordei nos braços de Edward, ele me abraçava por trás, minhas costas nuas estavam contra seu peito também nu e quente. Um dos seus braços envolvia minha cintura, o outro estava por baixo de mim. Eu podia sentir seu rosto entre meus cabelos, ouvir sua respiração baixa.

Não era a primeira vez que dormíamos juntos, tinha acontecido em Nashville. Dias atrás quando estive na casa dele, Edward dormiu, eu quase apaguei em seu peito, mas me espertei e caí fora.

Toquei em sua mão pendendo do braço embaixo de mim, tracei as linhas da palma da sua mão com um dedo, depois cheguei até a tatuagem em seu pulso esquerdo. Refuge, refúgio, o nome de uma das músicas, uma composição que falava de se sentir seguro quando estava com a família. Não era uma canção autoral de Edward, mas a letra era linda e ele sempre a cantava nos show só na companhia do seu violão.

Me mexi com cuidado, sem querer acordar Edward, ficando de frente para ele. Minha movimentação o fez se remexer um pouco, mas ele continuou me envolvendo em seus braços e dormindo.

Toquei em seu nariz, onde podia ver algumas sardas. Eu sorri, Edward parecia ter uma velha atividade de crianças de ligar os pontos no nariz quando se observava de perto. Cogitei pegar uma caneta e rabiscá-lo, mas Edward me mataria.

Não resisti e beijei seus lábios, um beijo rápido, apenas meus lábios tocando os seus por um segundo. Então, ele acordou, apertando uma mão em minha cintura.

— O que você está aprontando, Capitã? — Seus olhos estavam levemente entreabertos, pareciam mais verdes aquele dia, talvez pela luz do Sol entrando pela janela.

— Nada — respondi com falsa inocência.

— Sei — disse ainda desconfiado, me puxando mais para si, o que fez meu rosto acabar em seu pescoço. Ele tinha cheiro de sabonete e creme de barbear. — Eu preciso sair — ele murmurou.

— Precisa? — perguntei, fechando meus olhos, me concentrando em seu cheiro. — Você está de folga hoje.

— Tenho terapia às três — respondeu.

— É, você não pode faltar. — Ele percorreu uma mão por minhas costas, me deixando arrepiada.

— Por que você não fica aqui? Quando voltar você pode me chupar de novo, o que disse mais cedo mesmo?

— Que eu queria que você gozasse na minha boca o dia inteiro? — Coloquei meus lábios em seu pescoço, o fazendo gemer.

— É, isso mesmo. Fica aqui, quando eu voltar nós tornamos isso real.

— Não vai rolar, os paparazzis me seguiram até aqui, ficaram obviamente do lado de fora do condomínio, mas se eles te verem saindo e eu ficando vão achar estranho.

— Que merda — Edward reclamou. — Posso ir para seu apartamento depois da terapia?

— Não, vão se perguntar porque estamos nos vendo tanto num único dia.

— Ok, que seja. — Ele puxou meu rosto do seu pescoço, fazendo com que eu o olhasse. — Acho que você deveria sair daqui com o Emmett.

— Como?

— Ele te acompanha até seu apartamento, depois volta pra cá.

— Não é preciso, e não sei se você esqueceu, mas eu tomo as decisões aqui.

Ele revirou os olhos.

— Estou tentando te ajudar, Capitã — alegou. — Emmett e Felix são os seguranças que mais confio, você sai com o Emmett, eu com Felix e o outro que esqueci o nome. — Sufoquei uma risada.

Suspirei, ele estava certo, era melhor andar com um segurança enquanto estava sendo perseguida pelos paparazzis.

— Ok, você venceu, Cullen. — Nos movi na cama, ficando por cima dele, vi o horário no relógio ao lado da cama, não daria tempo de nada. — Outro dia você goza na minha boca.

Ele riu e ergueu seu corpo, me dando um beijo. Eu retribui prontamente, segurando em seus cabelos, enquanto Edward segurava em minhas costas.

— Posso roubar outra coisa além do seu segurança?

— Madonna e Shrek? Nem pensar.

— Não! — respondi rindo, passando um dedo em seu nariz, sobre as sardas. — Um dos seus violões.

— Vai compor mais? — perguntou animado.

— Não sei, talvez. Você saberá se eu compor.

— Leve o que quiser, Capitã.

Ele voltou a me beijar, eu desejei que nós dois passássemos o resto do dia em sua cama.

***

Eu não consegui compor nada aquele dia, mas me aproveitei do violão de Edward para ficar tocando em meu apartamento. Estava na sala, com Amy brincando com uma bolinha de papel que fiz, cantando Johnny Cash, quando parei inspirei fundo, pensando em Paul.

Então, a próxima música que comecei a tocar foi The Hearts Wants What It Wants da Selena Gomez.

You got me sippin’ on something. I can’t compare to nothing. I’ve ever know, I’m hoping. That after this fever, I’ll surviver.* — Segurei o choro, continuando a cantar. — I know I’m acting a bit crazy. Strung out, a little bit haz. Hand over heart, I’m praying. That I’m gonna make it out alive.*

Fechei os olhos, parei de cantar e tocar, comecei a chorar. A música continuou apenas em minha cabeça, ela resumia muito bem como me sentia no meio daquilo tudo com Paul.

Save your advice, ‘cause I wont hear. You might be right, but I don’t care. There’s a million reasons why I should give you up. But the heart wants what it wants* — cantei baixinho, sem tocar mais.

Reabri meus olhos, quando escutei meu celular tocando, era Ed, ignorei a chamada. Coloquei o violão dele no meu quarto, lavei meu rosto molhado de lágrimas, peguei um IPod no meu closet e fui para a sala.

— Amy, eu tenho um segredo — murmurei para minha gatinha, seus olhos eram mesmo verdes como os de Edward. — Minha cantora preferida é a Taylor Swift, você sabe, com aquela coisa toda de country, não tinha como ser e eu sei que já era muito velha quando ela estourou, mas não me importo. Ela canta muito bem, me resume em muita coisa. — Funguei. — Esse IPod tem só músicas dela, tem uma que sempre escuto quando quero me animar um pouco, sabe? Me sentir mais poderosa. E você está proibida de contar isso para qualquer um, entendido, mocinha? — Toquei em seu focinho e me afastei até o sistema de som, colocando a música que queria para tocar.

Mean, não era a minha favorita da Taylor Swift, mas realmente me animava um pouco. Me dava uma sensação de esperança.

You, with your words like knives. And swords and weapons that you use against me. You, have knocked me off my feet again. Got me feeling like I’m nothing. You, with your voice like nails on a chalkboard. Calling me out when I’m wounded. You, pickin’ on the weaker man* — comecei a cantar, diferente de Norma Jeane que sempre se afastava quando eu cantava, o que era um claro sinal de desprezo, Amy continuou em seu lugar me olhando atentamente.

Quando me dei conta eu estava com meu celular em mãos, gravando um vídeo meu cantando. Eu sentia muita falta de cantar para uma câmera, como era sempre com meus filmes e séries. E com a única experiência que tive em um show de verdade com meu pai, sentia falta daquela agitação do palco também.

Antes do fim da canção coloquei o celular apoiado na estante da sala, podendo cantar e dançar com mais liberdade.

But all you are is mean. All you are is mean. And a liar, and pathetic, and alone in life. And mean, and mean, and mean, and mean.*

Assim que a canção chegou ao fim eu pausei a reprodução das músicas, peguei meu celular e assisti o vídeo recém gravado. Minha animação ali era imensa, quase me fazia parecer a menina de antes, aquela que não teve sua vida exposta, seu coração quebrado.

Eu sentia falta de ser feliz como era antes de todos os problemas, minha vida era para ter sido tão diferente. Se Paul não tivesse fodido com tudo, ou pelo menos se nunca tivesse perdido Renée.

Meu celular tocou, fazendo com que o vídeo parasse. Era Renesmee ligando.

— Olá, irmã! — atendi, ainda animada.

— Ufa, que bom que te peguei de bom humor — ela falou hesitante.

— O que foi? — Aconcheguei Amy, que saiu de perto do sofá para meu colo, a mim.

— Olha, papai e Carmen voltaram hoje de Nashville. Ela ainda está tão mal com o lance do aborto, eu pensei que você, Alice e eu poderíamos ir com ela amanhã até a estilista que fará os vestidos para o casamento. O que me diz?

Eu pensei na tatuagem no pulso de Edward, aquela sobre sua família. Carmen não era minha família e eu ainda arruinaria seu casamento com meu pai, porém, minhas irmãs estariam lá, elas e Charlie eram minha família e eu queria tê-las por perto.

— Claro, vamos sim — respondi, Renesmee arfou.

— Você tá falando sério?

— Estou.

— Primeiro de abril já passou, não minta para mim!

— Não estou mentindo.

— Você vai mesmo?

— Sim, disse que vou.

— E vai se comportar?

— Darei meu melhor — prometi, Renesmee soltou um gritinho de comemoração, o que me fez rir.

— Eu te amo, Bells!

— Também te amo!

— Que tal você convencer a Alice?

— Isso é com você, boa sorte. — Desliguei, voltando a assistir meu vídeo.

***

Alice aceitou ir na missão madrinha de casamento, ela me buscou em meu prédio na tarde do dia seguinte. Os paparazzis finalmente tinham ido embora, uma vez que um novo escândalo estourou na cidade sobre um diretor acusado de abuso sexual e abafou todas as fofocas me envolvendo, eu também já tinha mandado Emmett de volta para Edward. Minha irmã me fez contar tudo sobre meu suposto caso com Riley e riu muito quando eu falei sobre ele me achar uma irmã mais velha.

— E aí, você vai a festa de aniversário do meu programa na terça, né?

— E encontrar Renée lá? Claro que não — respondi.

— E o Ed? Mandei os convites dele para a produtora, ele vai?

— Para você e nossa querida mãe o convencerem a participar do seu programa? Não!

— Bella…

— Nem tente me convencer — alertei, ela bufou e ficou em silêncio enquanto dirigia, eu me distraí com meu celular.

Ed tinha postado uma foto, onde aparecia Madonna sendo carregada dentro de um carro pelo que percebi ser Leah. Eu sabia que os dois iam para um passeio na praia aquele dia, depois dele ensaiar pela manhã, Tanya tinha me dito — ela continuava ignorando minhas perguntas pessoais, ainda com a loucura de achar que não era mais minha amiga — .

A legenda da foto dizia:

“Levando as garotas para um passeio… Shrek ficou de castigo em casa por ter destruído um sapato da Leah.”

Eu ri, mas não curti a foto. Vi os comentários, a maioria era dizendo o quanto estava adorando aquele novo casal. Mas parei em um que perguntava se Ed já tinha visto a nova de Lauren, aquilo me fez ir rapidamente para o perfil da atriz no Twitter, ela também tinha postado uma foto, sozinha à beira da piscina, sua legenda era:

“Eu peço que respeitem minha privacidade, tive um término de relacionamento muito conturbado recentemente e o anterior a esse com Ed Cullen também. Amo vocês, pessoal, mas preciso de um pouco de paz agora.”

Claro que ela iria ocultar o nome de Jacob e usar o de Ed, mas ele estava com Leah e continuaria assim. Lauren era uma pedra do passado, uma que provavelmente iria para o limbo depois do caso Jacob gay esfriar, ou ela teria de arrumar outro cara para sugar fama e rápido.

— Por que topamos isso mesmo? — Alice perguntou quando entramos no atelier da estilista.

— Não sei, eu estava meio fora de mim quando aceitei — confessei, já arrependida.

O lugar tinha sido reservado, isso era óbvio porque além das funcionárias só estavam ali minha outra irmã e a puta mexicana.

— Vocês chegaram! — Renesmee soltou um gritinho, correndo até a gente, Carmen continuou sentada onde estava, com uma taça de champanhe em mãos, encarando um lustre, estava pálida e abatida, mas disfarçava com um pouco de blush e óculos escuros. — Sejam boazinhas com a Carmen — Ness ordenou. — E vamos começar a experimentar modelos de vestidos de madrinha, falta tão pouco para o casamento!

— Preciso de champanhe — Alice e eu falamos juntas.

Seria uma longa tarde.

***

Eu até tentei falar com Carmen, Alice também, mas ela só respondia as perguntas de Renesmee e da estilista. Minha irmã e eu escolhemos os modelos dos nossos vestidos — que teriam de ser confeccionados ainda — primeiro, depois Carmen foi provar o seu que já estava em andamento.

Ele era longo, seu busto todo rendado e fechado na frente, com um decote nas costas. A saia era de tule, em um caimento reto. E nos pés Carmen tinha saltos altos.

— Você vai usar esses sapatos? — perguntei, ela me olhou com ódio.

— Não, os meus virão de Milão — respondeu agressivamente. — Não usarei sapatos beges, não sou idiota.

Eu discordava.

— Bom, eu ia dizer que talvez você devesse mudar os saltos por botas — falei. — Sabe, por ser um casamento na fazenda. — Eu tinha sonhado com um casamento na fazenda, com Paul, até um pouquinho com James durante nossos meses de noivado.

— Não combinariam com o vestido — a estilista disse afetada.

— Desculpe, mas seu vestido não tem nada de interessante — falei.

— Isabella, modos! — Renesmee chamou minha atenção. — Carmen escolheu esse vestido, será esse vestido!

— Qual você sugeriria? — Carmen perguntou para mim, fazendo com que Renesmee a encarasse surpresa.

— Não tenho nenhum em mente, mas algo com mais personalidade, mais a noiva que esse vestido de uma menina virgem de vinte anos. A frente mais curta, para mostrar as botas, um decote frontal, porque se você tem peitos deve os valorizar. — Carmen riu baixinho. — Com certeza nada de véu, pois você vai casar com meu pai e ele colocará o chapéu dele em você no momento que disser sim.

Renesmee riu.

— O papai vai mesmo fazer isso!

— Faltam muito pouco para o casamento — Carmen disse nervosa. — Não tem como trocar o vestido até lá.

— Você não consegue? — indaguei a estilista, que hesitou, mas respondeu positivamente.

— Consigo.

— E aí, vai trocar? — questionei Carmen, que sorriu para mim.

— Vou, muito obrigada pela sugestão, Bella.

Apenas dei de ombros, vi que Alice me encarava com raiva.

— O que você está fazendo ajudando essa puta mexicana? — perguntou entre dentes, enquanto Renesmee já se afastava até a estilista e Carmen.

— Não se preocupe, esse casamento não vai acontecer.

— Eu acho bom você arranjar um jeito de foder mesmo com esse casamento, Isabella.

***

Cheguei ao meu apartamento no começo da noite, mal tinha trancado a porta quando meu celular tocou. Eu não sabia de quem era o número, tremendo atendi.

— Fique quieta e me escute direitinho — Paul disse no instante que atendi. — Se você fugir da linha eu publico agora mesmo o primeiro vídeo dos três inéditos que tenho aqui. Ok?

— Ok — murmurei em pânico.

— Boa menina — elogiou. — Eu e você vamos nos encontrar essa madrugada, precisamos conversar sobre algo. Não pense em alertar ninguém, não pense em usar escutas, não aja irracionalmente, ou eu irei te arruinar. Irei enviar uma mensagem com o endereço, esteja lá às três da manhã, sozinha. Entendido?

— Sim.

Ele desligou. Eu me senti em um filme de terror, prestes a encontrar o monstro.

***

Estava no modo automático desde a ligação de Paul, não fiz nada, só fiquei sentada no sofá esperando a hora de ir até ele. Quando aconteceu, sai do apartamento, peguei meu carro na garagem e dirigi para o onde ele queria que o encontrasse.

Era um depósito — onde as pessoas tinham unidades pessoais em contêineres para guardar suas tralhas — na saída de Los Angeles. Eu parei meu carro no estacionamento, vendo o outro único carro lá, um antigo e velho, se era de Paul ele estava usando para passar despercebido.

Segui entre os depósitos, meu celular no bolso da minha jaqueta já estava ligado no gravador. Era arriscado, mas talvez ele não percebesse.

Bati na porta do depósito número 37, Paul o abriu, estava bebendo uma cerveja e com um cigarro em mãos. Não era maconha, ele não estaria chapado para eu o gravar distraído.

Paul não falou nada, somente sorriu para mim e me colocou para dentro. Largou sua lata de cerveja no chão e apagou o cigarro, começou a passar a mão em mim, por toda parte, seios, bunda, boceta por dentro da calça, me senti enjoada. Estava procurando escutas, achou meu celular na jaqueta e o desligou, guardou em seu bolso.

— Não tente enganar um enganador, querida. — Piscou para mim, eu comecei a chorar. — Por que está chorando, bebê? — Afagou meu rosto. — Prometo que vou cuidar bem de você.

— O que quer de mim? — consegui perguntar.

Tinha um frigobar ali, um colchão e duas cadeiras, nada mais. Ele me fez sentar numa cadeira e colocou a outra bem na frente, seus olhos fixos nos meus.

— Você se lembra o que conversamos no dia do leilão?

— Não…

— Lembra sim, querida. — Afagou meu rosto de novo, eu ainda chorava. — Sobre meu sogro financiar minha produtora de filmes. A questão é que aquele velho filho da puta não me dará um centavo se a filha dele e eu não casarmos, já agilizei e a pedi em casamento, mas a vadiazinha está se fazendo de difícil agora. Sua culpa, ela ainda lembra muito bem como você a abordou no leilão e agora vem se questionando se eu não tenho mesmo participação na gravação e divulgação daquele vídeo, as brigas tem sido infernais. É aí que preciso de você.

Engoli em seco.

— O que tem que fazer é muito simples, Isabella. — Beijou minha bochecha, eu estremeci, de medo. — Só precisa ir a público e assumir que foi você quem gravou e divulgou aquele vídeo.

— O quê? Não! — gritei, tentei me levantar, mas ele agarrou meus pulsos e os pressionou para baixo sobre minhas coxas, fazendo com que eu ficasse sentada.

— Escute bem, Isabella — alertou. — Ou eu vou acabar com você aqui mesmo.

Ele me mataria? Ele teria coragem disso? Meu choro ficou pior.

— Você vai dizer ao público que foi tudo sua culpa, que fez o que fez para tentar jogar a culpa em mim, porque estava revoltada por eu ter terminado o nosso namoro, um namoro que eu não quis assumir publicamente para ninguém pensar que queria me aproveitar da sua fama. Irá dizer que gravou, divulgou e tentou bancar a vítima. Irá assumir a culpa, irá dizer que eu não sabia de vídeo algum. Vai falar que na quinta-feira, quando fomos vistos conversando eu estava te perdoando por isso, te dizendo que estava feliz com a minha noiva e desejando que você fosse feliz em sua vida. Então, irá assumir toda sua culpa e pedir perdão.

— Não, não vou fazer isso.

— As pessoas já te acham uma vagabunda, isso ao menos te dará absolvição e dará para mim a Julia vendo que sou um príncipe. — Beijou meu rosto de novo, quis vomitar. — Isso encerará tudo, Isabella.

— Não vou fazer isso — repeti.

— Vai sim, porque senão fizer eu divulgarei os outros vídeos. — Sorriu. — E se você ousar contar o que aconteceu aqui, sua palavra será fraca contra a minha, mas se acreditarem e eu cair, vou te levar junto com todos aqueles vídeos. E você estará fora de Hollywood em um piscar de olhos, só encontrará trabalho em um site de pornografia no centro-oeste.

— Me deixa em paz, por favor — implorei, me debatendo em seus braços, mas seu aperto era forte e me machucava.

— E tem algo a mais — falou calmamente. — Eu achei tão estranho a forma que o Cullen agiu com você naquele dia, muito suspeito, eu poderia criar um perfil falso na internet e soltar que vi vocês se pegando, a mentira se alastraria fácil se fosse manipulada do jeito certo e você sabe que sempre consigo fazer as pessoas acreditarem em mim.

Não, não, não!

— Vocês estão fodendo, né? Ele foi tão fofo indo a sua defesa. Você já disse ao pobre Cullen o quanto me ama? E já pensou no caos que seria esse casinho de vocês ser exposto? A mídia comeria vocês dois vivos, principalmente agora que ele tem uma namorada.

— Deixa o Ed fora disso — sussurrei em pânico, Edward não poderia ser exposto por minha culpa. — Ninguém pode saber sobre ele e eu, nós… Não mencione isso para ninguém, por favor.

— Não mencionar o que?

Ele estava me gravando? Sim, ele com certeza estava.

— Diga. — Apertou mais meus pulsos. — Diga!

— Não mencione para ninguém que eu e Ed Cullen estamos tendo um caso — falei, ele afrouxou um pouco o aperto em meus pulsos.

— É só você pensar direito, querida. Ou faz o que mandei, ou terá seus vídeos publicados e seu casinho revelado. O que vai escolher? Pode publicar o que falei e terá a misericórdia das pessoas por seu arrependimento, ou vai cair de uma vez por todas. Você tem uma semana para tomar sua decisão, se eu não ver nenhuma notícia sua, irei saber que é para publicar tudo e não adianta tentar me sabotar, eu tenho tantas cópias dos seus vídeos que nem consigo mais contar.

Ele me soltou por fim, eu respirei fundo e explodi em um choro. Paul segurou meu rosto e tentou beijar meus lábios, eu o empurrei.

— Não encosta em mim, seu verme! — gritei, levantando, minhas pernas estavam bambas.

Ódio, eu só sentia ódio por aquele homem naquele instante.

Paul riu.

— Isabella Swan me rejeitando? Isso é uma novidade! — Tocou no meu rosto, eu afastei sua mão. — É melhor você ir embora agora, não se esqueça do seu prazo. — Colocou meu celular de volta na jaqueta.

Sem falar mais nada Paul agarrou meu braço, abriu a porta do depósito e me colocou para fora. Aquilo não era um filme de terror, era muito pior.

***

No instante que entrei em meu apartamento e tranquei a porta, duas vezes, comecei a tirar minhas roupas. Reuni tudo, desde camiseta a sapatos, em uma sacola de lixo na cozinha e atirei na lata, não queria nenhuma daquela peças imundas.

Corri para o banheiro, entrei debaixo do chuveiro já colocando sabonete em minha esponja e debaixo da água gelada, eu me ensaboei dos pés a cabeça. Podia sentir o cheiro de Paul em mim, cerveja e cigarro, era podre, era enjoativo.

Logo eu estava aos prantos, encostando a cabeça na parede e chorando tudo guardado dentro de mim. Eu queria morrer, foi a primeira vez desde a minha overdose que mais senti vontade de me matar, podia fazer isso acontecer de várias maneiras, mas pensei na minha família.

Eu não podia abandonar meu pai e minhas irmãs, ou Tanya. Porra, não, ela nunca se perdoaria por ter brigado comigo dias antes da minha morte, isso a destruiria e eu não podia a destruir. E não podia deixar Edward, ele precisava da minha ajuda para tudo, se eu me matasse ele surtaria sem saber o que fazer com sua carreira.

— Respire, respire, respire — ordenei a mim mesma. — Você precisa respirar.

Eu tinha que ficar viva, mas aquilo era tão difícil.

— Respire…

Mais choro, chorei por horas debaixo do chuveiro. Quando consegui me colocar de pé e sair do banheiro, me sentia exausta. Me enrolei em um roupão e fui para meu quarto, a cortina da janela aberta me indicava que já tinha amanhecido a bastante tempo.

Deitei na minha cama, peguei meu celular e fones de ouvido sobre a mesinha ao lado. Liguei o aparelho, selecionei a música que queria e coloquei para repetir infinitamente. Dormi com a voz de Edward cantando Vulnerável em meus ouvidos.

Notas finais
*Você me faz experimentar algo/Que não posso comparar a nada/Eu sabia, estou esperando/Que depois dessa febre, eu sobreviva *Sei que estou agindo feito louca/Como uma viciada, meio fora do ar/Com as mãos no coração, eu oro/Para que possa sair dessa viva! *Guarde seu conselho, eu não vou ouvir/Você pode estar certo, mas eu não ligo/Há um milhão de motivos para eu te deixar/Mas o coração quer o que ele quer *Você, com suas palavras afiadas/E espadas e armas que você usa contra mim/Você me tirou dos meus pés de novo /Me fez sentir como se eu não fosse nada/Você, com sua voz como unhas em um quadro negro/Me desafiando quando eu estou ferida/Você que está pegando no pé do mais fraco *Mas tudo o que você é, é mau/Tudo o que você é, é mau/E um mentiroso, e patético, e sozinho na vida/E mau, e mau, e mau, e mau —-- Antes de jogarem pedras vou repetir o que já foi dito, o relacionamento da Bella com o Paul foi abusivo, uma relação onde ela foi manipulada, usada e exposta, quando não tinha nem vinte anos. Isso levou ao que ela é nessa época atual dos acontecimentos de Hollywood, mas sim, ela ainda é suscetível ao Paul, mesmo após muitos anos. Já vi muitos casos de relacionamento abusivos, eles acontecem de mil formas diferentes e a forma que as vítimas reagem a isso é diferente para cada caso também. A Bella age assim, fechada para os outros, facilmente manipulada por Paul, porque ele tem esse poder sobre ela, porque ele mexeu com a cabeça dela desde nova. Você não precisa achar essa FIC boa, ou qualquer coisa assim. Mas peço um pouquinho de empatia, principalmente com a Bella, antes de sair por aí xingando alguém. E repito, Hollywood é longa sim e ainda tem muito pela frente. Não obrigo ninguém a ler, lê quem quer. Beijos! Lola Royal. 05.01.19