Hollywood

45 Capítulo Quarenta e Quatro


Notas iniciais
Olá! Capítulo dedicado a linda da Tereza Bento que recomendou a história, muito obrigada, flor! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Música especial do capítulo: https://youtu.be/DswtbFUPo3Y Música especial do capítulo: https://youtu.be/xBVAoc5uzEM —-- Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre! —-- Boa leitura!

Capítulo Quarenta e Quatro

Edward Cullen

“Funeral de estrela da música é marcado por muita dor.”

Nunca tinha perdido alguém próximo de mim, a última morte em minha família, da minha avó paterna, foi quando eu tinha só dois anos, sequer me lembrava dela. A primeira morte que me abalou de verdade foi a do Michael Jackson, eu chorei por dias quando aconteceu, tinha perdido um dos meus maiores ídolos.

Anos depois, quando David Bowie morreu, superei aquela dor enchendo a cara e cheirando cocaina, muita cocaina. Foi o jeito que encontrei de aliviar a dor, por isso, depois de ficar sabendo daquele acidente, percebi que precisava de algo para esquecer a dor, urgente.

***

Eu não conseguia dormir direito desde que recebi a notícia do acidente, toda vez que deitava na cama pensava naquilo e começava a chorar. Quando por fim dormia, depois de chorar muito, o sono era inquieto.

Meus remédios para a ansiedade, os que usava para viajar e apagar no avião, tinham sido confiscados por Bella. E como eu me recusava a falar com meu médico, ou o terapeuta, ela não permitia que eu tomasse nenhum medicamento para dormir.

Naquela quarta-feira aconteceria o funeral, o acidente tinha ocorrido na madrugada de segunda-feira. Dois dias infernais, dois dias que tudo que mais queria era encher a cara e apagar.

— Ei, Ed. — Leah apareceu na porta do meu quarto, onde eu estava sentado contra o espelho da cama esperando a hora de ir para a igreja. — Precisa de algo? — perguntou apreensiva. — Ajuda com a gravata? — indagou, apontando para o objeto em minhas mãos.

— Não, não preciso de nada — respondi. Observei como ela estava de preto dos pés a cabeça, assim como eu, era o traje para o funeral.

— Certo — ela sussurrou e saiu, eu revirei meus olhos.

Naquele instante meu celular tocou, vi que era Isabella e ignorei a chamada. Não queria falar com ela naquele momento, não queria falar com ninguém.

— Edward — Rosalie apareceu na porta do quarto minutos depois, também usava preto. Todos estavam de luto, mesmo que ela nunca tenha sido amiga de fato da pessoa que morreu naquele acidente. — É melhor irmos agora, Tanya disse que você tem de pegar um bom lugar na igreja.

— Por quê?

— Porque Stefan era seu amigo — Rosalie falou pausadamente. — Você precisa estar lá para se despedir.

— Ele já está morto, não tem do que se despedir — resmunguei.

Quando deixou minha casa no dia da festa Emmett impediu que Stefan fosse dirigindo, o colocou em um táxi e o mandou para casa. Mas, em sua casa, Stefan pegou outro carro da garagem e foi para uma boate, ele bebeu mais e quando saiu do lugar — na companhia de uma garota de programa — sofreu um acidente ao apostar corrida com um amigo que encontrou na casa de festas, Stefan e a prostituta morreram na hora.

Eu já tinha sofrido dois acidentes de carro no passado, o primeiro mais grave que o segundo, quando quebrei três costelas. Os dois porque eu estava bêbado, exatamente como Stefan, mas tive sorte.

— Edward, eu imagino como esteja se sentindo…

— Não, você não sabe de nada, Rosalie! — exclamei. — Para de tentar adivinhar, tá ok? Que merda! — Fiquei de pé e comecei a colocar a porra da gravata, mas logo estava chorando.

Stefan estava morto, por minha culpa. Se eu não tivesse o mandado embora ele nunca teria ido para aquela boate, nunca teria encontrado o amigo na boate e apostado corrida. Ele teria ficado na minha casa até o fim da festa, provavelmente teria apagado em um dos quartos de hóspedes e estaria vivo.

— Edward. — Rosalie me abraçou, deixando com que eu chorasse em seu ombro.

— Foi minha culpa, Rose — murmurei.

— Não, claro que não, Ed.

— Eu o mandei embora!

— Porque ele estava sendo um idiota — Rosalie falou, eu já tinha contado aquela história para ela e minha mãe um milhão de vezes nos últimos dois dias, dizendo sobre Stefan ser um idiota com Isabella e eu o mandando embora.

— Mas é minha culpa, ele está morto por minha culpa…

— Não, não, não. — Rosalie segurou em meu rosto e me fez a olhar ao dizer aquilo. — Não vá por esse caminho, Edward. Por favor, ok? O que aconteceu com Stefan não é sua culpa.

— É sim, é minha culpa, ele está morto por minha causa.

— Você não tem culpa de nada, Edward — a voz me fez olhar para a entrada do quarto, Isabella estava ali, também de preto, de braços cruzados e usando grandes óculos de Sol.

Eu me soltei de Rosalie e fui até minha empresária, antes que Isabella pudesse reagir eu a coloquei em meus braços. Devia estar com raiva dela, por ela ter sido o motivo que me fez expulsar Stefan de casa, em alguns momentos eu realmente sentia raiva de Isabella por isso, mas não durava muito, a raiva que sentia pra valer era de mim mesmo.

Quando ela me contou sobre o acidente não saiu do meu lado até que eu peguei no sono, estava lá quando acordei. Eu queria que ela estivesse por perto mais vezes, mesmo que meu sono não fosse tranquilo, pelo menos sabia que Isabella cuidaria de tudo quando eu estivesse dormindo como prometeu naquele primeiro dia.

— Está tudo bem, está tudo bem, Edward — ela sussurrou, descruzando seus braços e devolvendo o abraço, afagando minhas costas. — Você não é o culpado pelo acidente, certo? — Eu enterrei meu rosto em seu pescoço. — Isso iria nos atrasar, mas se você quiser tomar um novo banho e tentar se acalmar mais um pouco… — Fez menção de me soltar, mas não permiti. — Ok, ok. — Segurou meu rosto com uma mão, fazendo com que a olhasse, afagando minha bochecha levemente. — Precisamos ir para a igreja.

— Você vai? — perguntei com a voz rouca.

— Vou — respondeu. — A limusine já está lá embaixo para irmos. Vamos? — perguntou, eu suspirei, ainda chorando e concordei com um aceno de cabeça.

Isabella assentiu de volta, terminou de colocar minha gravata, segurou meu braço e me fez sair do quarto. Logo estávamos na limusine — meu choro diminuiu um pouco — eu sentado entre ela e Leah, minha mãe, Rosalie e Jasper do outro lado do carro, no banco da frente ao nosso.

Jasper tinha praticamente se mudado para minha casa desde o acidente, ele, Rose e minha mãe estavam sempre se revezando para não me deixarem sozinho, eu me sentia sufocado com isso. Leah também estava direto na minha casa, mas eu ignorava sua presença.

— Aqui, Ed. — Jasper me entregou um par de óculos escuros, ele também usava um.

— Valeu — agradeci e os coloquei.

Minha mão, sobre o banco do carro, estava próxima da de Isabella. Eu a aproximei e envolvi a de Bella na minha, seu toque era quente, contra minha mão gelada naquele dia. Isabella me olhou, mas não conseguia ver seus olhos por detrás dos óculos escuros.

Eu voltei a chorar, parando apenas de choramingar, o que me fez acabar colocando o rosto sobre seu ombro. Ela não me afastou, apenas apertou nossas mãos com mais força, como com a mão livre começou a mexer em meus cabelos.

Chorei em seu ombro pelo resto do caminho, enquanto sentia meu peito doer. Melhor dizendo, meu coração.

***

Bella foi a primeira a sair da limusine quando chegamos a igreja, depois Jasper, minha mãe e irmã, então eu tive de sair com Leah. Eu me recusei a sequer levantar a cabeça, olhando apenas para meus pés e deixando minha falsa namorada me guiar para o interior da Igreja. O local estava cercado pela imprensa e fãs, sendo contidos por seguranças.

No interior da igreja eu falei com os pais de Stefan, que pareciam inconsoláveis, ambos. Mas, estavam juntos, o que já era mais que meus próprios pais. Carlisle ficaria tão triste se eu estivesse morto? Ou ele acharia que isso era culpa de todas minhas péssimas escolhas? Bom, eu sabia que minha mãe se acharia culpada pra caralho se fosse eu no lugar de Stefan. Carlisle provavelmente culparia Esme.

— Você conseguiu aprender a canção que eles querem que a gente toque? — Jasper me perguntou quando fomos para uma sala reservada da igreja, junto de outros músicos amigos de Stefan, que prestariam uma homenagem a ele cantando uma canção gospel, He Knows do Jeremy Camp, escolhida por seus pais. Stefan, assim como eu, tinha crescido no seio de uma família religiosa, mas a dele protestante.

How hard your fight has been. How deep the pain whitin. Wounds that no one else has seen. Hurts too much to show* — cantei um trecho, eu estava ensaiando a canção desde o dia anterior quando Isabella me disse que os pais de Stefan queria que a tocassemos.

— Me recuso a tocar isso! — Chelsea Florick, uma DJ também, disse aborrecida. — Stefan nunca iam querer que tocassem isso no funeral dele. Na verdade, ele nem ia querer um funeral, ou ser enterrado, ia querer que fizéssemos uma rave e no final colocassemos fogo no corpo dele e jogássemos as cinzas no rio Ganges.

— Aquele rio super poluído na Índia? — Jasper perguntou confuso.

— Sim — ela respondeu, mexendo em uma mecha do seu cabelo verde. — Ele gostava da Índia, do hinduísmo e coisa e tal.

— Acho que tenho a ideia de uma música muito melhor pra gente tocar — falei, Chelsea sorriu largamente para mim.

— Me conte sua ideia, Cullen.

***

Nós tivemos apenas vinte minutos para ensaiar a nova música, antes de termos de ir para a igreja. Eu tinha um lugar na segunda fileira, bem atrás da que estava a família de Stefan, Leah estava ao meu lado, segurando minha mão e vez ou outra afagando meu rosto, eu me recusava a tirar os óculos escuros. Jasper estava do meu outro lado, ele tinha ficado amigo de Stefan por mim, mas não eram tão próximos, então eu sabia que estava ali mais por mim do que realmente por Stefan.

Minha mãe e Rosalie estavam sentadas alguns bancos atrás. E no fundo da Igreja eu via Tanya com Isabella, a primeira tinha uma postura séria, mas a segunda tinha um sorrisinho no rosto que tentou esconder quando me viu a olhando. Ela estava rindo em um funeral?

— E isso… — o pastor continuava a falar sem parar, a mãe de Stefan explodiu em um choro, vi seu marido colocar um braço por cima de seu ombro para a manter mais perto, enquanto ele mesmo chorava.

O pai de Stefan nunca tinha dito para o filho largar a música, seu sonho, e ser qualquer outra coisa, eles eram melhores amigos, na verdade. Eu lembrava do pai de Stefan e ele sempre trocando mensagens e ligando um para o outro, mesmo quando meu amigo fazia alguma de suas muitas merdas

Por que meu pai tinha de ser o idiota? Por que ele não me aceitava como eu realmente era?

Um músico, fodido da cabeça. Ele realmente achava que se eu largasse tudo em Los Angeles eu me consertaria? Isso não aconteceria, eu era estragado desde o começo, seria em qualquer lugar, mesmo na Inglaterra brincando de professor de música.

Eu solucei, soltando a mão de Leah e escondi meu rosto em minhas mãos, enquanto tentava abafar meu choro. Jasper ficou dando tapinhas em minhas costas, eu só chorava, me sentindo mal, cansado.

Precisava de um drink, ou dois.

***

Eu já tinha controlado meu choro quando subimos ao palco da igreja para cantar, eu ficaria com o violão e vocal principais, enquanto os outros se dividiriam em outros instrumentos e coro. Tirei meus óculos escuros por fim, os largando dentro de um bolso do meu paletó, mas não tinha coragem de olhar para frente, principalmente por estar na frente e no centro do palco.

Fiquei ajustando o violão que me emprestaram da igreja, enquanto encarava o instrumento. Então, Jasper começou a tocar e eu sabia que era minha hora. Comecei a tocar também, sendo seguido por todos os outros.

A música que tinha escolhido era My Sweet Lord do George Harrinson, eu disse para os outros que era pelos versos com referência a Hare Krishna — pelo o que Chelsea disse do rio na Índia relacionando a Stefan e ao hinduísmo —, mas também escolhi aquela canção porque era uma súplica para encontrar Deus. E para mim a forma de encontrar um deus era estando morto, naquele dia eu me sentia incrivelmente farto da vida.

Era assim que Bella se sentiu quando teve sua overdose? Talvez Stefan também estivesse cansado da vida e bebeu, apostou corrida e jogou o carro contra uma sorveteria.

My sweet lord. Hm, my lord. Hm, my lord* — comecei a cantar, eu estava rouco e tendo que lidar com dor de garganta desde o dia da minha festa, então aquilo realmente doeu. — I really want to see you. Really want to be with you. Really want to seee you lord. But it takes so long, my lord.* — O choro preso em minha garganta fez com que eu mal conseguisse finalizar o verso.

I really want to know you. Really want to go with you. Really want to show you lord. That it wont take long, my lord (hallelujah)* — Chelsea cantou aquela parte, eu continuava olhando somente para o violão.

My sweet lord (hallelujah). Hm, my lord (hallelujah). My, my, my lord (hallelujah)* — todos no palco cantaram aquela parte juntos.

Eu continuei fazendo minha parte, mas de uma forma terrível. A garganta doía cada vez mais, estava errando direto no violão, sentia que estava com febre e que a qualquer momento desmaiaria no palco.

My sweet lord (hare krishna). My sweet lord (krishna krishna). My lord (hare hare)* — cantamos a última parte, quando finalmente tive coragem de olhar para frente, eu sentia que todos me julgavam, se pudesse ler suas mentes veria dois tipos de pensamento.

“Ed Cullen é um péssimo cantor.” E “por que ele está triste? Não tem esse direito, é culpa dele se Stefan está morto.”

Joguei o violão no chão no último instante, desci do palco apressadamente e sai pela porta lateral mais próxima. Parei no que parecia um estacionamento reservado, já que tinham apenas dois carros estacionados ali e ninguém por perto.

Sentei no chão, de costas para a igreja, sem ligar para a roupa cara que usava, começando a chorar tudo que tinha segurado durante a música. Ouvi alguém saindo por onde sai antes, mas não me importei.

— Por que você trocou a música? — Bella perguntou, parando na minha frente.

— Quem disse que fui eu?

— Algo assim é a sua cara, Edward — esbravejou, ergui o rosto para a olhar.

— Eu não quero discutir isso agora, se você não percebeu estou na merda, acabei de perder um amigo.

— Todos aqui hoje estão de luto…

— Menos você! — gritei, ela engoliu em seco, eu fiquei de pé, vendo-a cruzar os braços. — Você odiava o Stefan, vivia dizendo para me afastar e ainda a pouco estava rindo lá dentro.

— Eu não estava rindo.

— Estava sim, porque você só pensa em você e está pouco se fodendo se tem gente lá dentro realmente de luto.

— Eu só penso em mim? — ela gritou. — Você não faz ideia de várias coisas que faço pelos os outros, de nós dois você é o garotinho egoísta.

— Você faz as coisas pelos outros esperando ganhar dinheiro em troca, muito altruísta — zombei. — Mas olha só, Stefan está morto agora e é menos um problema meu para você lidar. Deve estar tão feliz que ele morreu.

Ela me encarou com raiva.

— Eu não estou feliz com a morte de Stefan, que tipo de pessoa você acha que sou?

— Quer mesmo saber?

— Quero!

— Uma filha da puta egoísta — gritei. — É por sua culpa, inclusive, que meu amigo está morto.

— Minha culpa? Você enlouqueceu, Edward!

— Bom, eu só o mandei embora da festa para te defender, mas o que ele falou foi mesmo errado? Você poderia até ter acabado aquela noite fodendo com ele, não é, putinha? É isso que você é, não? Uma puta, gosta de ser uma — falei com escárnio.

— Você é um babaca, Cullen! — exclamou e passou por mim, para voltar para o interior da igreja, olhei para trás e vi que Emmett estava ali — provavelmente o tempo todo —, ela sussurrou algo para ele antes de passar pela porta.

Eu apenas andei até a lata de lixo que tinha naquele estacionamento, abri a tampa e vomitei lá dentro. Então, sentei contra a lata mesmo, meu segurança foi para perto de mim e perguntou:

— Precisa de algo?

— Não.

— Ok. — Ele assentiu e se manteve por perto.

— Você pode me deixar sozinho? — resmunguei.

— Não, a senhorita Swan me proibiu de sair de perto de você.

— Claro, ela não quer que a estrela dela fuja.

— Eu acho que na verdade ela estava preocupada pra valer, sabe? Sem ser apenas por você ser uma estrela com intenções de fugir — ele disse, fazendo com que eu o olhasse.

— Ela é uma filha da puta, Emmett!

Ele deu de ombros.

— Eu transo com ela — murmurei, sem nem saber porque estava contando isso. Ele riu, olhando para seus pés.

— Eu sei.

— Você sabe? — Ele assentiu.

— Sempre pareceu meio óbvio para mim, quando ela vai para sua casa e vocês se trancam em algum lugar por muito tempo. Ou quando você vai para o apartamento dela.

— E por que nunca contou para ninguém?

— Não gosto de fofoca — falou. — Além do mais, todo mundo que trabalha para você assina mil termos de confidencialidade antes, sabe? As multas por quebra de contrato são altas pra caralho.

— Alguém mais sabe? — perguntei com medo. Ele deu de ombros de novo, mas daquela vez sentou diante de mim.

— Se mais alguém sabe, ou desconfia, não comenta sobre. De novo, multas altas.

— Merda — xinguei, esfregando meu rosto com as mãos. — Ninguém pode saber sobre isso. Nem sei porque te falei. — Olhei para ele amedrontado. — Você não tá gravando essa conversa, né?

— Não, não estou — declarou. — Relaxa, trabalhei com a irmã da Isabella por anos, ela me contratou para ser seu segurança justamente por confiar na minha capacidade de não falar nada para quem não devo.

— Eu fui um idiota com ela agora, né?

— Foi sim — ele disse sem hesitação alguma.

— Caralho, não sei como ela não me deu um soco.

Emmett riu.

— De onde você é? — perguntei para ele.

— Boston.

— O que veio fazer em Los Angeles? — questionei.

— Seguir meu sonho.

— Ser um segurança? — Emmett riu e negou com um aceno de cabeça.

— Um ator, mas não deu certo e acabei como um segurança para me sustentar e mandar grana pra minha família em Boston.

— Que merda!

— É, acho que sim.

— Você poderia vender a informação que sabe sobre Isabella e eu para alguém — falei. — E pedir um emprego de ator em troca.

— Eu não entregar vocês dois, Edward — assegurou.

É, eu provavelmente era muito egoísta como Bella falou, se estivesse no lugar de Emmett já teria feito aquilo há séculos.

— Preciso que faça algo por mim, Emmett.

— O quê?

— Me tire daqui e me leve para minha casa, preciso dormir.

— Vamos nessa! — Ele se levantou e me ajudou a ficar de pé.

— Hey, Ed! — Chelsea deixou o interior da igreja, acendendo um cigarro. — Indo embora?

— Sim — confirmei, ela sorriu e se aproximou de mim rapidamente, a fumaça bateu no meu rosto.

— Por que não vem pro meu apartamento comigo? — perguntou. — Nós podemos nos divertir muito, Ed — Chelsea disse. — Um funeral como Stefan realmente ia querer.

Eu suspirei, parte de mim queria aceitar, a outra sabia que não podia.

— Você precisa ir para casa — Emmett falou, me olhando, tomando a decisão por mim. — Leah irá te encontrar lá depois.

Ah porra, minha falsa namorada.

— Até mais, Chelsea! — a dispensei na hora, ela não pareceu contente, mas não discutiu.

***

Minha fuga do funeral não tinha sido vista com bons olhos por Tanya, ou mesmo minha mãe, quando as duas chegaram a minha casa mais tarde naquele dia estavam putas comigo. Eu também tive de ouvir Tanya reclamar sobre a troca de músicas que fiz, aparentemente aquilo não tinha agradado nada a avó super religiosa de Stefan, mas eu estava pouco me fodendo.

Isabella não entrou em contato, como também ignorou minhas ligações, ou minhas mensagens pedindo desculpas pela forma como a tratei. Eu pedi que Tanya falasse com ela e pedisse que a Capitã me ligasse, mas Isabella seguiu me ignorando.

No dia seguinte ao funeral, mesmo que eu ainda estivesse uma merda, precisei voltar para os ensaios da turnê. Estava no meu camarim durante um intervalo, tentando falar com Isabella, pela milésima vez.

Ed Cullen: Capitã, me responde, por favor.

Ed Cullen: Fui um idiota, eu sei.

Ed Cullen: Posso ir te ver hoje?

Ed Cullen: Porra!

Ed Cullen: O que custa me responder?

Ed Cullen: Eu tava estressado!

Ed Cullen: Desculpa.

Ed Cullen: Bella.

Ed Cullen: Me responde.

Nada, ela seguia me ignorando.

Eu encarei meu reflexo no espelho diante de mim, tinha grande olheiras, a barba estava por fazer, parecia um pouco mais magro e estava pálido. Uma merda, uma grande merda.

Peguei meu celular e abri a conversa com Stefan, em um ato que provavelmente era de um maluco, enviei mensagem para quem estava morto.

Ed Cullen: Me desculpa, foi tudo minha culpa, cara!

Comecei a chorar, largando o celular sobre a mesinha diante de mim. Eu devia ter deixado Stefan continuar na festa, devia ter só tirado ele de perto de Bella, devia ter recolhido a bebida dele, o mandado para um quarto.

Ele estava morto, por minha culpa. E Isabella me odiava, porque fui um filho da puta com ela. Nunca deveria ter falado daquele jeito, era claro que ela não tinha se sentido nada confortável com o que Stefan disse para ela naquela festa e eu fiz parecer o contrário.

— Filho da puta! — xinguei a mim mesmo, então, no auge da minha raiva, soquei o espelho.

Foi imediato, o sangue brotou em minha mão direita em vários lugares diferentes. Enquanto o espelho desmoronava no chão, graças ao meu soco.

— Porra, porra! — gritei de dor, começando a chorar.

Minha mão ferida doía muito, o sangue era prova do meu descontrole. Eu soube ali que estava fora da linha, mas não tinha forças para voltar ao eixo.

***

Jasper me encontrou no camarim, sangrando e chorando. Eu fui para o hospital com ele e Leah, Tanya me encontrou lá, assim como Esme e Rosalie.

O médico cuidou da minha mão e garantiu que ela ficaria bem, que eu poderia tocar em breve. Apenas uma semana com ela em curativos, segundo ele pouco tempo e eu estaria novo em folha antes da minha turnê.

Eu fiquei muito grato quando ele me deu medicamentos, para a mão e para a garganta, quando me queixei da dor que vinha sentindo a dias. Os remédios me doparam, não o suficiente para me fazer dormir ainda no hospital, ou na volta para casa — com o carro que eu estava cercado de paparazzis —, mas o necessário para me deixar um tanto quanto mais calmo.

— Por que você socou um espelho? — Jasper perguntou baixinho, ele estava no carro comigo e Leah, ela no banco da frente junto ao motorista. Além dos paparazzis me seguindo tinham os carros com os seguranças e o da minha mãe onde ela estava com Rose.

Eu não respondi, apenas peguei meu celular do bolso e mandei mais uma mensagem para Isabella.

Ed Cullen: Você não vai ligar para mim? Nem para brigar por conta do que aconteceu?

Ela não respondeu, eu apoiei minha cabeça na janela do carro. Entrei no Twitter e vi o que estavam falando sobre o acontecido, que obviamente vazou.

“Ed Cullen está no hospital, o que será que aconteceu?”

“Ed Cullen foi internado em estado grave!”

“Dias depois da morte do amigo Ed Cullen vai pro hospital, espero que ele esteja bem.”

Senti as lágrimas em meus olhos, então vi naquele instante que meu próprio perfil na rede social tinha sido atualizado. Tanya, ou outra pessoa da produtora devia ter cuidado disso, a publicação dizia:

“Hoje sofri um pequeno acidente no camarim, meu espelho quebrou e cacos de vidro foram direto para minha mão. Não precisam se preocupar, eu estou em recuperação e minha mão logo estará 100%”

Os comentários logo começaram a chegar.

“Fica bem logo, lindo!”

“Pelo menos não atingiu esse seu rosto bonito!”

“A Leah vai cuidar muito bem de você.”

“Sete anos de azar, cuidado.”

“Ah, que saco, mas espero que não cancele a turnê. Seja profissional e dê seu jeito!”

Claro, continue bonito e toque mesmo sem uma mão. Grande apoio!

Ed Cullen: Por favor, me responde, Bella.

Ed Cullen: Por favor.

Ed Cullen: Por favor.

— Você está com dor? — Jasper perguntou quando comecei a chorar alto.

Sim, muita dor. Mais do que conseguia descrever. Tudo estava doendo, eu só queria que parasse de doer.

O ignorei e liguei para Rosalie.

— Oi.

— O papai ligou? — perguntei, ela ficou em silêncio por um bom tempo.

— Não, mas mandei uma mensagem e…

— Ele não ligou? — Ele não queria saber como seu filho estava? Por que eu ainda ficava surpreso? Ele não esteve lá quando fui internado na reabilitação, foi para os Estados Unidos depois do meu primeiro acidente, mas não depois do segundo e suas ligações da época foram furiosas pela minha irresponsabilidade. Ele não queria saber de mim, eu era um idiota, estúpido demais, enquanto ele o cara culto e correto.

Carlisle me odiava, assim como Bella e Stefan estava morto. Eu tinha uma mão fodida por hora e uma cabeça para sempre, por que eu tentava ser um bom garoto se sabia que era um cretino? Meu pai podia provar isso, Bella também e Stefan, mas ele estava morto, por minha culpa.

***

Por motivos óbvios ganhei o resto daquele dia de folga, assim como o seguinte. Aproveitei para dormir um pouco, ainda que os remédios receitados não fossem calmantes, eles me fizeram pegar no sono mais facilmente, ainda que eu tenha ficado acordando muito.

A grande merda era que eles estavam sob os cuidados de mamãe, que não me permitiu guardar eles comigo, prevendo meu histórico devia supor que eu acabaria tomando mais do que a dose recomendada para apagar por horas sem interrupção. Na noite de sexta-feira, um dia depois de eu socar o espelho, estava revirando o Instagram quando vi que Renesmee tinha postado uma foto com suas irmãs, em uma festa.

As três sorriam, mas o sorriso triunfante de Isabella era o que mais chamou minha atenção. Ela estava por aí feliz, ignorando cada mensagem e ligação minha. Por que eu me importava mesmo? Ela não passava de uma foda, seu trabalho continuava sendo feito mesmo sem mantermos contato direto, eu podia arranjar outra para foder.

Pensei em ligar para Alistair e pedir por uma garota de programa, mas com mamãe e Rose em casa não seria fácil. Além do mais, por que gastaria dinheiro com garotas de programa se tinha uma namorada disposta a dar para mim?

Liguei para Leah, que estava em seu apartamento naquele dia.

— Oi, Ed! — atendeu animada.

— Posso ir aí? — perguntei.

— No meu apartamento? — indagou chocada.

— Sim.

— Claro, claro que pode! — respondeu rapidamente, não esperei mais uma palavra e desliguei.

Lentamente, por conta da mão machucada, arrumei uma mochila com roupas. Já que a intenção era passar o resto da noite fodendo Leah, precisaria de outras roupas para deixar o apartamento dela na manhã seguinte, isso seria ótimo para a publicidade, me ver deixando o apartamento simples da minha namorada.

“Oh, olhem como Ed Cullen não liga para o dinheiro!”

— Para onde está indo? — mamãe perguntou quando entrei na cozinha onde ela e Rosalie estavam.

— Para o apartamento da Leah, vou passar a noite com ela.

Mamãe me encarou surpresa, Rosalie descontente.

— Tanya pediu por isso? — Esme questionou.

— Não. — Chamei por Emmett, o segurança no comando dos outros e do motorista aquele dia. — Decidi sozinho, quero passar um tempo com a Leah.

Mamãe sorriu. Pelo menos alguém estava feliz.

***

O motorista estacionou diante o prédio que Leah morava, dois seguranças ficaram no carro e eu subi até o apartamento da minha falsa namorada somente na companhia de Emmett.

— Você vai passar a noite? — ele perguntou.

— É a intenção — respondi, tocando a campainha. — Mas, vou ligar caso mude de ideia.

Ele concordou com um aceno de cabeça, Leah abriu a porta do seu apartamento, usava apenas um roupão cinza. Ela não era idiota, sabia exatamente o que eu tinha ido fazer ali.

— Oi! — falou comigo animada, dando somente um rápido aceno para Emmett.

— Pode ir — falei para meu segurança, que concordou com um aceno de cabeça e saiu.

Entrei no apartamento de Leah, que não parava de sorrir. Larguei minha mochila no chão perto da porta e me voltei para a mulher perto de mim, ela segurou em minha mão e me levou para seu quarto.

***

Leah era um cinco no sexo, eu não precisava nem de muito para decretar sua nota. Ela me chupou naquela noite, mas lembrando-me do boquete fracassado de outro dia eu não quis gozar em sua boca, peguei a camisinha que ela tinha sobre a mesinha ao lado da sua cama e coloquei em meu pau, então a penetrei.

Debaixo de mim, de olhos fechados e caras e bocas exageradas, Leah gemia sem parar. Suas pernas estavam ao redor de mim, fazendo com que eu fosse cada vez mais fundo dentro dela, suas mãos arranhavam minhas costas.

Segurei seu pescoço, beijando sua pele. Ela tinha cheiro de flores, o que me enjoava pra caralho.

— Você fode tão bem — ela disse. — Você é o melhor, Ed! — elogiou, eu continuei metendo fundo dentro dela. — Ah, o melhor, o melhor! — repetiu.

Eu era o melhor. Eu era incrível.

Acertei um tapa em sua coxa, ela choramingou.

— Aí, machuca.

Claro, ela não era Isabella. Porra, como eu queria estar fodendo Isabella.

Porra, porra, porra!

Tirei minhas mãos de Leah, minha boca do seu pescoço. Segurei no lençol do colchão, sentindo minha mão machucada doer ainda mais, enfiei minha cara no travesseiro que ela tinha sua cabeça apoiada.

Pensei em Isabella, nela me chupando, nela me deixando a foder por trás, dando tapas em sua bunda. Pensei em Isabella me beijando, nela tocando minha pele com seu toque quente, nos seus olhos, no seu cheiro.

Eu gozei pensando em Isabella, mordendo minha língua para não dizer seu nome. Sai de dentro de Leah, sem realmente me importar se ela tinha gozado ou não e fui para o banheiro, me livrei da camisinha e me enfiei debaixo da água quente do chuveiro, chorando, só tomando cuidado para não foder com o curativo na minha mão.

— Tudo bem? — Leah perguntou, dando um sorriso pequeno, quando deixei o banheiro, enrolado em uma toalha.

— Sim — respondi.

— Você vai ficar pelo resto da noite?

— Vou. — Ela sorriu ainda mais ao ouvir aquela resposta. — Sabe que é só sexo, não sabe?

— Sei, fica tranquilo, Ed. — Piscou para mim. — Vou tomar um banho, fica à vontade — disse e saiu enrolada no lençol até o banheiro.

Eu peguei meu celular do bolso da minha calça, jogada no chão do quarto. Vi que Jasper tinha postado uma foto, com Isabella, no mesmo lugar que ela parecia estar mais cedo com suas irmãs. Na foto os dois se olhavam e sorriam um para o outro, a legenda dele dizia:

“Grande noite com uma grande companhia.”

Eles estavam festejando juntos enquanto eu estava por aí fodido? Grande, melhor amigo e melhor empresária!

Desliguei meu celular e sai do quarto de Leah, fui até a cozinha, já era mais de meia-noite e eu não tinha jantado aquela noite por estar sem fome, mal tinha almoçado também. Mas, estava com fome naquele momento, revirei sua geladeira buscando algo para comer, só que tudo era natural e sem graça, eu queria comer alguma porcaria. Estava prestes a ligar para uma pizzaria vinte e quatro horas, quando avistei não uma, mas duas, garrafas de vodca atrás de algumas frutas.

Eu senti o gosto na ponta da minha língua, precisava daquilo, urgentemente. Tirei as garrafas da geladeira, voltei rapidamente para o quarto de Leah — ainda podia a ouvir no banheiro —, me vesti e fui pegar minha mochila na porta do banheiro. Escondi as garrafas lá dentro entre as roupas, liguei meu celular e entrei em contato com Emmett, avisando que eu estava caindo fora.

— Leah, preciso ir, te vejo depois! — gritei, sem esperar uma resposta dela.

Saí do apartamento, Emmett já estava do lado de fora segurando o elevador.

— Vai para casa? — ele perguntou.

— Vou — respondi, sentindo o peso das garrafas dentro da mochila.

Dei um pequeno sorriso, aquilo era errado pra caralho. Mas eu estava pouco me fodendo.

***

Rosalie estava sentada ao balcão da cozinha, digitando algo em seu notebook, quando cheguei. Ela me olhou atentamente, provavelmente achando estranho o sorrisinho que eu mantinha em meu rosto.

— Pensei que só viria de manhã. — Ela pegou seu celular e mexeu nele rapidamente antes de voltar toda sua atenção para mim.

— Trocando mensagens com quem a essa hora, Rose? — Fui até a geladeira, peguei uma garrafa de Coca-Cola, cubos de gelo e um copo, equilibrando tudo em minhas mãos.

— Mensagens? Não tem mensagem nenhuma — respondeu, claramente mentindo, mas naquele momento eu não tinha tempo para lidar com a vida amorosa da minha irmã. — Por que você já voltou?

— Deu vontade de tocar. — Sorri para ela e me dirigi para a entrada do porão, onde ficava minha sala de música.

Eu não tocaria porra nenhuma, até porque minha mão nos curativos fazia com que isso fosse um trabalho difícil. Estava ali para encher a cara, me tranquei na sala, apoiei tudo que peguei na cozinha no chão, onde me sentei e peguei uma das garrafas de vodca da mochila.

Precisava beber, precisava esquecer os últimos dias, os últimos meses. Precisava fazer com que cada pedaço do meu corpo parasse de doer, precisava dormir de verdade, precisava de um momento de felicidade, um momento de paz.

Abri a garrafa, o cheiro do álcool fez com que eu me arrepiasse. Dispensei a Coca-Cola, só joguei um pouco da bebida no copo com gelo e bebi.

Depois de um ano estava bebendo álcool de novo, com minha mente divagando entre meu pai, Stefan, minha carreira, meus fãs e Isabella. Bebi, sentindo o álcool em meu corpo, bebi sentindo mais vontade de chorar, mas bebi, esperando a felicidade que o álcool sempre me proporcionou no passado aparecer.

Toma isso, é meu drink especial! — Stefan disse na noite que nos conhecemos, eu tinha quinze anos, ele dezoito, passando uma garrafa de cerveja para mim.

É só cerveja, o que tem de especial? — perguntei, mas bebi um pouco, ainda não tinha me acostumado com o gosto.

Não é só cerveja, é o caminho para a felicidade. — Stefan bateu sua garrafa na minha. — Um brinde à felicidade, Ed!

Virei toda a vodca no copo na minha boca, antes de o encher novamente e beber mais. Stefan estava bêbado quando morreu, eu estava bêbado quando sofri meus dois acidentes, mas eu era mais feliz naquela época e meu amigo foi feliz, pelo menos era o que achava.

Notas finais
*Como a sua luta tem sido difícil/Como é profunda a dor aí dentro/Feridas que ninguém já viu/Dói muito para mostrar *Meu doce Senhor/Hm, meu Senhor/Hm, meu Senhor *Eu realmente quero vê-lo/Realmente quero estar com Você/Realmente quero vê-lo, Senhor/Mas isto vai levar muito tempo, meu Senhor *Eu realmente quero conhecê-lo/Realmente quero ir com o Senhor/Realmente quero mostrar-te, Senhor/Mas isto não vai levar muito tempo, meu Senhor (aleluia) *Meu doce Senhor (aleluia)/Hm, meu Senhor (aleluia)/Meu doce Senhor (aleluia) *Meu doce Senhor (Hare Krishna)/Meu doce Senhor (Krishna Krishna)/Meu Senhor (Hare hare) —-- O próximo capítulo sai na quarta, beijos! Lola Royal. 19.01.18