Hollywood

92 Capítulo Noventa e Um


Notas iniciais
Olá, até que voltei rápido, não é? Estou merecendo recomendações por isso? Acho que sim hehe O bônus do capítulo anterior será enviado em breve, ainda dá tempo de comentar lá para receber. —__ Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Grupo no Telegram: https://t.me/joinchat/MrT_3cJdpvtiZDdh —___ Me siga no Instagram: @autoralolaroyal —___ Músicas do capítulo: 1. https://www.youtube.com/watch?v=bzmGjlbJb2g —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure profissionais especializados sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Noventa e Um

Edward Cullen

“Ed Cullen e seu final de semana caótico em Las Vegas!”

Já tinha ido para Las Vegas diversas vezes, solteiro, namorando, com mais de uma garota. Fiz de tudo naquela cidade, menos uma única coisa.

***

Eu deveria quebrar a cara daquele pedaço de merda disfarçado de bom moço, mas não podia. Paul Lahote, Genna Adams, nenhum deles iria me fazer perder a cabeça e acabar criando uma confusão, principalmente naquele evento tão importante para mim. Ed Cullen de anos atrás daria um soco no ator sem pensar duas vezes, mas o Edward de 2019 não.

— Vem, linda. — Apertei mais minha mão a de Bella, segurei ela pela cintura com a outra e a fiz ficar na minha frente para sairmos do corredor.

— O quê? Não irão dizer nem oi? — Paul continuou provocando quando passamos ao seu lado, engoli em seco, mas fiquei calado. — Se quiser mais um pouco de cocaína como daquela vez eu tenho, Cullen. — Deu uma batidinha em minhas costas, isso me fez acabar soltando a mão de Isabella, mas ela agarrou meu braço e me fez continuar andando para longe do corredor vazio.

De volta ao salão, ela sussurrou para eu sorrir. Fiz isso rapidamente, voltando a segurar em sua mão, parando até para dar um beijo perto da sua orelha, Bella riu. Estava fingindo, queria que as pessoas da festa, que pudessem estar de olho em nós, achassem que estava tudo bem.

Um produtor apareceu perto da gente, queria nos parabenizar pelo casamento e Holly. Paramos para conversar com o homem, que era uma figura de bastante prestígio no meio musical.

Ainda estávamos conversando com ele, quando vi Paul em uma mesa próxima com sua noiva. Sentia pena daquela garota, estava apaixonada por um escroto e eu poderia falar sobre, afinal era um babaca também, ou ao menos fui por bastante tempo.

Logo Irina surgiu, estava na hora de eu me preparar para cantar com Charlie. Respirei fundo, beijei Isabella, e segui para os bastidores do evento, encontrando meu sogro lá, na companhia do seu agente, o tal Lucas alguma coisa, outras duas pessoas da Swan Productions e organizadores da festa.

— Viu quem está aqui? — perguntei para Charlie, nossos violões já tinham sido entregues. Cantaríamos Johnny Cash apenas com eles de instrumentos, sem banda de apoio, eu também faria uma apresentação apenas voz e violão quando cantasse Escândalo depois.

— Vi, ele falou alguma coisa com vocês? — O pai de Bella estava visivelmente furioso.

— Provocou, mas tirei logo Bella de perto dele.

— Esse cara andar por aí como se fosse inocente depois do que fez me tira toda a paz — Charlie murmurou, afinando seu violão, com os olhos concentrados nele. — É inacreditável como ele arruinou a vida da Isabella e ainda conseguiu sair impune. — O Swan olhou para mim. — E ainda tem aquela postagem dela admitindo toda a culpa — falou ainda mais baixo. — Tem dedo dele nisso, não?

Eu não respondi, apenas suspirei e indiquei o caminho que deveríamos seguir até o palco. Charlie bufou, mas fingiu um sorriso e fomos cantar.

***

Isabella seguiu para o banheiro do nosso quarto assim que voltamos para casa, eu comecei a tirar minha roupa por ali mesmo. Estávamos exaustos e estressados, tudo que precisávamos era dormir.

Já usando apenas minha cueca, entrei no banheiro também. Bella já estava no chuveiro, e assim que me viu, falou:

— No geral, foi uma boa noite.

— Claro — murmurei, lavando as mãos para tirar minhas lentes de contato. — Eu não ter terminado o dia preso por agressão foi uma vitória — continuei murmurando, mas minha esposa escutou, obviamente.

— Edward!

— O quê? — resmunguei. — Paul está inteiro, eu não soquei aquela cara de merda dele, isso é motivo para comemorar — debochei, também pensando em todos meus ataques de raiva que terminaram em agressão.

— Só… Que seja, pelo menos já estamos em casa.

Paul não tinha ido mais falar conosco, muito menos com Charlie. Só ficou na festa desfilando com sua noivinha, com uma expressão de dono do mundo na cara, coisa que ele realmente se considerava.

Talvez ele devesse estar sob uso de medicamentos controlados, não eu, muito menos minha esposa. Ele era o vilão da história dela, um da pior espécie.

Respirei fundo quando comecei a tremer, não podia surtar mais. A noite já tinha sido agitada demais com Genna e Paul presentes, só de estar debaixo do mesmo teto que aquela mulher estava, eu me senti desprotegido. E fiquei ainda mais tenso quando vi Bella ir atrás dela, temi que muitas coisas acontecessem naquele banheiro, porém não tive coragem nenhuma de entrar.

Eu era fraco. Fiquei do lado de fora esperando, deixando Bella lidar com aquilo só.

— Edward, vem tomar banho, agora — Bella ordenou, abrindo o boxe e batendo suas unhas no vidro para chamar minha atenção. Naquele momento eu já tinha terminado de tirar as lentes, estava com as mãos apoiadas sobre a bancada da pia, olhos fechados, respirando fundo mais uma vez.

— O que Genna falou para você?

— Nada, vem pro chuveiro.

Xinguei baixinho, mas fui, depois de tirar a cueca. Bella me recebeu com um abraço molhado, eu relaxei um pouco com seu toque. Beijei o topo da sua cabeça, seus lábios repousaram sobre meu peito.

— Te amo — falou. — E sei que a noite não foi perfeita, longe disso, mas você cantou tão bem.

— Canta comigo e com seu pai no dia do Grammy? — pedi, desfazendo nosso abraço para segurar seu rosto. Eu tinha sido oficialmente convidado aquele dia, iria ser outra apresentação dupla, começando com Johnny Cash junto de Charlie, depois Escândalo sozinho.

— Você sabe minha resposta. — Ela tirou minhas mãos de si, me dando outro beijo no peito. — Eu vou estar lá assistindo vocês, isso já é o suficiente.

— Não é. — Forcei um sorriso, sentindo meus olhos cheios de lágrimas. — Queria que você pudesse fazer tudo que um dia sempre quis. — Bella suspirou. — Queria que Paul tivesse sido declarado culpado por aquele vídeo anos atrás, que todos tivessem sido gentis com você.

— Eu estou bem, Edward. De certa forma, ao menos, vamos só esquecer isso por hoje, tá? — Sorriu para mim. — Te amo — disse mais uma vez.

Me inclinei e beijei seus lábios, sussurrei contra eles os sentimentos que nutria por minha garota.

— Amo você também, Capitã. E não subiu naquele palco hoje, mas estou orgulhoso de você, porque é a garota mais foda do mundo. — Ela riu, voltando a me abraçar. — Hollywood inteirinha deveria se curvar aos seus pés, quer dizer, o mundo inteiro.

— Eu tenho uma ideia melhor. — Uniu ainda mais nossos corpos, seus seios roçando em mim. — Vamos acabar o banho e lá no quarto eu me ajoelho aos seus pés, o que acha?

Aquilo me quebrou mais um pouco, porém fui totalmente honesto em minha resposta.

— Não quero transar, estou completamente sem vontade. Não é nada sobre você, eu juro. É minha cabeça, meu corpo, o remédio — sussurrei, meus olhos tinham se fechado, não queria olhar para ela ao confessar que eu estava daquele jeito. — Me desculpa.

— Amor, olha para mim — pediu, quando não obedeci ela disse assim mesmo. — Você não precisa se desculpar, já aconteceu comigo, lembra? Tá tudo bem. Acabamos o banho e vamos dormir, só de ter você deitado ao meu lado é o suficiente.

Eu chorei, ela me consolou. Depois que acabamos o banho, ela vestiu um pijama, eu botei uma cueca e deitamos. Abracei minha esposa, uma mão repousada sobre sua barriga onde nossa filha crescia.

Aquela noite tive um pesadelo, comigo gritando com uma garotinha de cabelos e olhos castanhos. Eu dizia que queria ficar sozinho, ela dizia que me odiava e corria para os braços da mãe, para os braços de Bella, que a levava para longe de mim.

— Foi só um sonho — Bella murmurou quando contei na manhã seguinte, afagando minhas costas. — Só isso, Edward.

— E se…

— Não. — Sua outra mão tapou minha boca. — Nem termina, tá? Você está cansado e sob estresse, não considera isso um sinal de como será sua relação com a Holly. — Afastou sua mão.

Eu assenti, porém falei:

— Sou um cara muito agressivo. Demetri, aquele maldito paparazzi… Sabe por que soquei aquele paparazzi? Porque ele disse que meus tênis daquela noite eram feios, só por isso.

— Foi um gatilho para tudo que estava sentindo. — Olhei para ela, a garotinha do sonho era idêntica a Bella. — Tinha cheirado cocaína, tinha muitos problemas na cabeça, não o socou apenas por uma crítica estúpida, foi uma forma errada de extravasar seus sentimentos. Já falamos sobre isso antes, Holly estará segura com você e eu sei que comigo também, nós somos os pais dela e a amamos, cuidamos dela desde agora e iremos continuar cuidando.

Bella afagou meu rosto.

— Ela vai te amar, Edward. É impossível não te amar, olha para mim que sou durona e caí na sua lábia.

Isso me fez rir.

— Eu nunca vou levá-la para longe de você, ok? Ela é nossa, nossa garotinha com o nome escolhido no Natal.

— Nossa garotinha com apelido de doce.

— Nossa Donut. — Bella beijou meu ombro, depois puxou minha mão até sua barriga.

— Eu tinha discutido com meu pai naquele dia do paparazzi. Também briguei com minha mãe — contei. — E Lauren estava fora da cidade, eu queria ela perto, quando se afastava parecia que iria perdê-la a qualquer momento e ficava tão desesperado. Tinha mesmo muito na minha cabeça, inclusive cocaína.

— Sei bem como é, mas estamos em outro lugar agora, nos tratando, vai ficar tudo bem. Um dia isso será só uma página em nossas biografias.

— Falando em biografia…

— Não — me interrompeu de concluir a fala sobre o filme de Aro. — Eu não irei fazer isso. E agora preciso me arrumar para sair, tenho que trabalhar.

***

Eu estava furioso, meu advogado e o de Bella estavam nos apresentando no final daquela manhã a proposta de acordo de Kevin sobre o vazamento de informações que acabaram resultando no Escândalo Swan-Cullen. O maldito jornalista queria nos dar uma quantia de dinheiro, até que alta, para acabar com o processo em cima dele, também concordaria em não citar mais nossos nomes em seu site, redes sociais e em entrevistas que pudesse dar para outros meios de comunicação.

Para mim, aquilo tudo era ridículo, eu queria Kevin preso. Não queria nenhum centavo, só teria o mínimo de sensação de dever cumprido sobre aquilo se o homem fosse para a cadeia. No entanto, minha esposa estava considerando aceitar.

— Não concordo com você, Isabella — declarei e ela olhou para mim com irritação.

— Vamos acabar com isso, Edward — pediu, sua voz cheia de impaciência. — Estou cansada desses malditos problemas, já fomos expostos mesmo, vamos deixar isso para trás.

— Deixar isso para trás? Depois de Kevin divulgar nossas conversas, fotos pessoais e contar ao mundo sobre o bebê? Nem fodendo. — Eu tinha a chave do meu carro em mãos e a batia contra a mesa da sala de reuniões da produtora de Bella.

Tinha ido a encontrar lá para aquela reunião, depois de uma manhã dividida entre malhar, aula de yoga, uma hora com Vladmir e outra com um preparador vocal.

Isabella pediu que os advogados saíssem e assim eles fizeram. Mudou de lugar e sentou mais perto de mim.

— Edward, estou cansada também, você consegue entender?

Assenti, mas não olhei para ela, meus olhos vidrados na chave.

— E eu não estou dizendo que foi legal o que Kevin fez, puta merda, eu odiei o que aconteceu. Mas preciso de paz, e ficar batendo na tecla desse processo só será uma dor de cabeça, mesmo que deixe tudo nas mãos dos advogados e até nas suas, você sabe muito bem como sou, como não vou conseguir deixar isso de lado. Ser exposta de novo foi terrível, ainda mais com algo envolvendo nossa filha, só que preciso seguir em frente. E acho que você também precisa. Eu vou aceitar o acordo, mas se você quiser pode continuar processando da sua parte.

Parei de bater a chave, por fim olhando para ela.

— Alguém precisa pagar pelas merdas que fazem com você, já basta Paul e Richard estarem totalmente limpos.

— Eu processei Paul até o final, Edward — murmurou com a voz embargada de choro, porém ainda não estava chorando de fato. — Mesmo assim a justiça ficou do lado dele, alegando não ter provas suficientes para incriminá-lo. E depois aceitei assumir a culpa para não correr o risco de novos vídeos serem vazados, sejam eles reais ou não, só não posso pagar para ver. Quanto a Richard? Não vou acusá-lo de nada, ele é um nome forte do jornalismo musical no mundo todo, eu tenho medo do que poderia recair sobre mim, sobre você, de como meu pai iria reagir quando soubesse… Porra, ele poderia matar o Richard com as próprias mãos. — As lágrimas deslizaram pelo rosto dela. — Eu sei, que você queria me ver vencendo, que esse dinheiro do Kevin não é o ideal, que não paga o que passei, mas para mim nesse momento vencer não é sobre ele ser preso, é sobre eu conseguir me livrar desse pedaço do meu passado que foi traçado por outras pessoas.

— E seu presente vai ser definido pelo acordo de merda dele?

— Eu estou de acordo, é a minha decisão. Como falei, você pode continuar processando se quiser.

— E quanto a Helena? Vai aliviar o lado dela também?

— O acordo dela deve vir em breve, eu também vou aceitar. Não faz sentido continuar a processando se vou aceitar o acordo de Kevin. — Ela se levantou dizendo que ia chamar os advogados de volta, mas não chegou a sair da sala. — Você pode tirar mais uns dias para decidir sua parte, e se aceitar o acordo também podemos doar a quantia dos dois para alguma instituição, eu pensei em algo voltado para saúde mental.

— Ou para uma faculdade de jornalismo, vamos financiar mais pessoas como Kevin — debochei.

— Olha, não vou aguentar o seu deboche para cima de mim — ela declarou. — Não quero brigar com você, a situação não deve virar uma discussão entre nós dois, não estamos de lados opostos aqui. Ambos fomos expostos pelo plano de Helena e Kevin, nossa filha também foi, mas podemos virar essa página. E eu sinto muito que essa exposição tenha acontecido, sinto muito ter feito você se enfiar em uma teia de mentiras com o namoro falso e depois adiando contar que estávamos juntos, poderia ter sido tudo diferente, mas fui teimosa. Só quero viver em paz, eu também estou cansada — repetiu.

Bella chorou mais, isso me fez levantar na hora para abraçá-la.

— Desculpa ter deixado as coisas chegarem ao ponto de termos nossa privacidade exposta assim — ela disse aos prantos. — Poderia ter sido evitado.

— Você não botou uma arma na minha cabeça e me fez aceitar o namoro falso, nem manter o nosso em segredo.

— Uma arma não, mas te convenci a aceitar tudo isso. Você acha que me pressionou, mas e eu? Também te pressionei, Edward. E devo estar fazendo isso de novo agora querendo que aceite o acordo.

— Eu ainda não decidi aceitar. E você não me pressionou a nada, concordei com tudo. — Afaguei suas costas, ela estava trêmula. — Calma, respira fundo, linda. Vamos parar de discutir, você tomou sua decisão, eu vou pensar melhor na minha. Está certa, somos um time, não rivais. Não irei travar uma batalha com a minha maior aliada.

***

A atriz abriu um sorriso gigante quando me viu, eu sorri também, mas com mais receios. Estar naquele lugar me deixava pilhado, pensando em quando estive em situação similar, porém queria muito poder vê-la.

Quando encurtamos a distância entre nós dois, a loira pulou em meus braços. Eu a segurei, beijei sua cabeça e sorri mais um pouco, meu coração se acalmando.

— Senti sua falta — murmurei. — Como você está, Jane?

— Melhor agora que tô te vendo — respondeu. — E nem tô falando pela cortesia. — Riu. — Realmente é bom ver uma carinha conhecida. — Me soltou e vi seu rosto expressar de fato aquela alegria. — Pensei que não iria te ver tão cedo.

— Alec conseguiu arrumar um dia de visita para mim, tentaram me barrar por não ser parente. — Também por eu ter problemas públicos com drogas e álcool, mas achei melhor não citar aquela parte.

— Somos quase irmãos agora, precisamos só esquecer nosso passado sujo — provocou, isso me fez rir. — Sério, senti sua falta, como você está?

— Ótimo! — exclamei, não iria falar sobre meus problemas. Jane estava internada em uma clínica de reabilitação e já tinha muito com o que lidar, não precisava ouvir meus desabafos. — Estou tão feliz em te ver também. — Belisquei seu nariz, ela afastou minha mão com uma careta.

— Vem, vamos dar uma volta pelo meu novo lar — dramatizou me levando pelos jardins da clínica.

Jane estava vestindo uma calça jeans clara e um suéter grande e bege, nos pés, meias e crocs. Com certeza não era o tipo de roupas que ela gostava de usar, mas eu sabia que na clínica ela buscaria mais por conforto do que por estilo.

— Como tá a Bella? — perguntou quando nos sentamos em um banco, diante de uma árvore grande.

— Está bem, a gravação do clipe dela foi bem legal.

— Meu pai me contou, ele disse que foi um trabalho muito bom e que até pode dirigir outros clipes no futuro. — Jane enrolou uma mecha de seu cabelo loiro no dedo, enquanto seu olhar se distraia com outras pessoas que estavam no jardim, funcionários, pacientes da clínica e seus visitantes. — Queria ir embora daqui.

— Não desiste do tratamento, Jane. — Afaguei seu braço, ela suspirou, ainda olhando na outra direção. — Eu venho te visitar sempre que deixarem, tá? Não pensa que está sozinha.

— Sei que não estou, mas é um inferno ficar aqui longe de tudo e de todos. Por que não podemos ser normais? — Me encarou, os olhos azuis estavam cheios de tristeza naquele momento, não mais animados como quando cheguei minutos antes.

— Alguém é realmente normal, Jane?

— Nossos irmãos, são os gêmeos bons.

— Para. — Afaguei mais seu braço, ela se moveu no banco até estar com o corpo apoiado ao meu. — Rose e Alec tem os problemas deles, eles não são normais, todo mundo tem obstáculos na vida.

— Parece que tenho muitos, também parece que eu crio eles.

— Jane, você é incrível, vai conseguir sair dessa. — Eu a abracei, mantendo-a contra mim.

— Sinto falta de ser criança, era mais fácil.

Pensei na minha infância, era mesmo mais fácil a partir do ponto de vista da minha versão adulta. No entanto, não era fácil durante aqueles tempos. A vida nunca era 100% tranquila, nunca seria, os dias de merda precisavam existir para os dias bons serem percebidos e amados.

— Conta algo que você gostava de fazer quando era criança — pedi, ela riu.

— Gostava de brincar de Barbie.

— Eu gostava de bonecos também.

— Era ainda melhor quando eu fazia as bonecas se beijarem — confidenciou, aquilo me fez rir. — Não tem como cair no papo de quem chama orientação sexual de opção sexual, viu? Não é uma escolha. Você é o que é.

Concordei com um aceno de cabeça, mesmo que o olhar dela não estivesse sobre mim novamente.

— Enfim, o que seus bonecos faziam?

— Cantavam e tocavam piano.

— Eles não eram bonecos de luta? Os de Alec só iam para guerra, ou eram lutadores de boxe, uns vinham com armas e tudo.

— Vinham com armas, mas não as usava, eles tinham uma banda.

Jane se moveu e olhou para mim animada novamente.

— Tá falando sério?

— Tô. — Eu ri e mexi nos cabelos dela. — A banda se chamava Banda, para você ver como sou original.

— Edward! — Ela gargalhou. — Nunca te vi falar sobre isso.

Dei de ombros.

— Eu brincava de bonecos, mas minha brincadeira preferida sempre foi tocar.

— Você tornou seu hobby favorito em trabalho, isso não é indicado.

— É, sei disso. Mas tenho outros hobbies.

— Assistir Brooklyn 99?

— É um ótimo hobby, não me julgue. — Ela revirou os olhos.

— Procura um novo hobby, Cullen — ordenou. — Quando eu sair daqui quero aprender a costurar.

— Até parece — não segurei minha língua, imaginar Jane costurando era algo fora da realidade para mim.

— Você vai ver, irei aprender!

Eu ri mais, ela também.

— Vou até costurar uma roupinha para Holly.

— Quero só ver.

— Você é um péssimo amigo, mas te amo! — Voltamos a nos abraçar, ela apertou os braços com toda sua força ao redor de mim. — A vida é tão assustadora — murmurou.

— Mas também tem seus momentos incríveis pra caralho.

— Tem? Parece que esqueci de todos.

— Tem sim. E quando você sair daqui irá viver outros momentos maravilhosos.

— Como ver sua cara de bunda quando eu terminar de costurar a roupa para a Holly!

***

Iríamos voar para Las Vegas na manhã do dia 1º de Fevereiro, ficaríamos lá até domingo de manhã, quando era a data oficial do aniversário de Alice. Minha cunhada tinha organizado de comemorar em Los Angeles também, na noite do dia 3 um dos camarotes da minha boate e de Bella estava fechada para os convidados da irmã do meio das Swan.

Na noite anterior à viagem, Bella e eu estávamos no closet arrumando nossas malas. Ela tinha colocado música para tocar, uma playlist animada, e se movia pelo lugar cantando e fazendo uma dancinha, parecia tranquila e feliz como não a via desde minha volta de Paris.

Eu sorri quando ela imitou a voz de Shakira em uma das canções. Entretanto, diferente dela, eu não estava tranquilo, minha cabeça era um turbilhão de pensamentos, incluindo a história do acordo com Kevin.

— Eu estive pensando em algo — ela falou, me ajudando a dobrar camisetas. — Você gosta muito da casa de hóspedes?

— Acho que não. Por quê?

— Podemos reformar ela, transformar parte do espaço em uma academia para não precisarmos usar a do condomínio e o restante em um estúdio.

Soltei a camiseta que tinha em mãos, meu coração acelerou.

— Você vai usar o estúdio para gravar mais canções, Capitã?

— Estava pensando em você poder usar. — Continuou dobrando camisetas, seus olhos focados nisso. — Depois que a Holly nascer, assim você pode trabalhar em casa, ficar mais perto dela e de mim, sem precisar ir para a gravadora direto. Mas não precisa, tá? Você não tem que ficar em casa porque nós duas ficaremos.

— Não, isso é uma excelente ideia! — afirmei, ela me olhou. — E com um estúdio aqui posso te convencer a gravar mais. — Bella riu suavemente. — E será bom estar mais perto da Holly e ainda conseguir trabalhar daqui. Vamos reformar sim, só quero manter a sala de música no porão, ainda é um lugar que curto muito.

— Perfeito por mim, mandamos meu piano para o estúdio e onde ele está agora fazemos uma brinquedoteca para a Donut. O que me diz? Também quero começar a mexer no quarto dela logo.

— Acho perfeito. — Beijei entre seus olhos, depois a ponta do seu nariz, queixo e testa por fim.

Voltamos a arrumar as malas, conversando sobre as reformas que faríamos. Bella também contou que o pai queria fazer um estúdio na fazenda em Nashville, foi de onde ela tirou a ideia do nosso.

Acabamos as malas perto da meia-noite, mas ela me convenceu a tomarmos sorvete e assim acabamos com um pote de sorvete na sala de música. Eu estava no chão, minha cabeça apoiada em seus joelhos, Bella sentada no sofá, conversamos com mais detalhes sobre como iríamos querer o quarto de Holly, até que a conversa cessou e acabamos no silêncio, com ela mexendo em meus cabelos.

Acabei novamente pensando sobre o acordo com Kevin, refletindo se valia a pena insistir no processo. Ele poderia acabar preso, mas os advogados falaram que não ficaria na cadeia por muito tempo, no máximo alguns meses. Eu entendia, também não tinha ficado preso por muito tempo quando fui preso, assim como tinha me livrado de ser preso outras vezes entre meus inúmeros erros, com Kevin ainda corria o risco de nem ser preso e ser só obrigado a pagar indenização no final das contas.

Isabella estava certa, nós precisávamos de paz. Insistir naquilo só iria nos desgastar. Eu queria justiça, queria vingança, mas necessitava de calmaria. Começar um novo hobby, pensar no futuro, porém também aproveitar o presente.

— Vou aceitar o acordo do Kevin — falei para que Bella escutasse, ela parou de mexer em meus cabelos.

— Sério?

— Sim, vamos deixar isso no passado. Eu vou aceitar o que Helena propor também. Já está feito, já fomos expostos. Usamos o dinheiro para ajudar pessoas que precisam. Estou tão exausto. — Comecei a chorar. — Quero estar melhor quando Holly nascer, preciso melhorar.

***

Jasper, Renesmee, Bella e eu passamos o tempo do voo jogando baralho no jatinho. Alice estava dormindo, depois de dar ordens expressas para ninguém sequer pensar em acordá-la.

Quando pousamos em Las Vegas, senti meu sangue ferver, queria festejar. Ir até um cassino, beber, cheirar no banheiro, dirigir um carro brilhante em alta velocidade pelas ruas, sentindo o vento em meu rosto.

Lembrava da última vez que fui para Vegas com Stefan, tinha sido uma loucura. A imprensa definiu como o final de semana caótico de Ed Cullen em Las Vegas. Só não tinha casado, mas fiz todo o resto.

Entretanto, não faria nada disso novamente, claro. Fomos para nosso hotel, Bella foi tomar um banho e eu deitei na cama para assistir Brooklyn 99, talvez Jane estivesse certa e precisasse achar um novo hobby.

— Qual hobby combina comigo? — perguntei para Bella quando ela voltou para o quarto, já pronta para irmos nos encontrar com Jasper e suas irmãs para um brunch.

— Quê? — Ela terminou de colocar seu brinco, uma argola dourada.

— Estou pensando em investir num hobby.

— Não sei, talvez tênis? Você gosta de jogar.

— Não, acho que preciso de algo que não envolve competição, alguma coisa para eu apenas relaxar.

— Fotografia? Você tira boas fotos minhas. — Piscou e sorriu.

— Também não, eu sou muito fotografado, não quero nada que lembre trabalho.

— Vamos pensar em algo. Agora levanta pra gente sair, tô morrendo de fome.

Eu levantei, me calcei e deixamos nosso quarto. Tínhamos reduzido nossos seguranças para a viagem, então eles não estavam acampados na porta do quarto. Nos encontramos com Renesmee no restaurante, ela estava animada e cheia de ideias para aproveitarmos o dia, passeios que nunca fiz quando fui para a cidade das outras vezes, já que eram mais pacatos do que encher a cara, foder e causar por aí.

— Temos uma novidade para contar! — Alice foi exclamando quando ela e Jasper chegaram, eles tinham sorrisos parecidos no rosto, sorrisos de quem estava aprontando.

— O que foi? — Bella perguntou já comendo.

— Vamos casar — Jasper contou, fazendo a colher cair da mão da minha esposa, Renesmee engasgar com a água e eu começar a rir, até perceber que ele estava falando sério.

— Espera, vocês vão mesmo casar? — indaguei.

— Vamos. — Alice beijou o rosto do namorado, ou noivo, dela.

— É um casamento de brincadeira, né? — Renesmee questionou, estava meio pálida.

— Não — Jasper negou. — Saindo daqui do brunch Alice e eu vamos reservar a capela e cuidar dos papéis, tudo por aqui é mais rápido, então em uma tarde resolvemos essas burocracias, mas queremos marcar para amanhã de noite e hoje curtir como se fosse despedida de solteiro.

— Vocês não podem se casar em Las Vegas — Bella disse entre dentes.

— Relaxa, Bella. — Alice riu.

— Papai vai te matar — Bella alertou.

— Papai vai ficar bem — Alice falou e beijou Jasper outra vez. — Só não contem nada para ele até acontecer, não o quero tentando me convencer a desistir.

— Vocês já tinham isso planejado? — perguntei ainda sem acreditar.

— Não, acabamos de pensar nisso lá no quarto — Jasper respondeu. — Estamos em Vegas, nos amamos, por que não?

— Porque se casar em Las Vegas é furada, olha só a Britney — Renesmee falou nervosa.

— Na verdade, queremos a mesma capela que ela casou — Alice comunicou. — Espero que dê certo de agendar lá.

— Alice, minha querida irmã maluca — Bella começou a falar. — Você não pode casar assim de uma hora para a outra, papai precisa estar presente, você precisa de um casamento…

— Bella, Jasper e eu queremos isso. E você com o Edward também planejaram um casamento super rápido, não foi? O casamento de amanhã será só com nós cinco, papai vai ficar revoltado por um, dois dias, mas irá entender.

— Além do mais, já conversamos sobre um segundo casamento — Jasper se pronunciou. — No final do verão, em uma praia.

— Pensei no Havaí, mas se a Holly ainda não puder viajar de avião e para tão longe podemos fazer na Califórnia mesmo. Podemos ir passar a lua de mel no Havaí.

— Vocês são doidos — Renesmee falou.

— Ai, gente, para — Alice pediu. — Estão estragando minha felicidade e do Jasper. Vamos casar amanhã e ponto final. — Se serviu com suco de melancia. — Podem ir pensando no que irão nos dar de presente de casamento.

***

Os noivos foram resolver seus assuntos depois do brunch, deixando nós três para trás e ainda chocados. Bella e Renesmee queriam contar para o pai, mas acabaram desistindo.

— Vamos fazer esses passeios que a Ness pensou — falei por fim, a irmã mais nova de Bella sorriu e voltou a se animar.

— Tem uma degustação de chocolate, deve ser o máximo. Vou subir e trocar de roupas, nos encontramos no salão do hotel em meia hora?

— Beleza — Bella concordou, Renesmee saiu do restaurante, minha esposa falou para mim. — Eles vão mesmo casar.

— Pois é. — Eu comecei a rir. — Loucura, mas eu também quis te trazer para cá e casar quando ficamos noivos.

— Nosso casamento foi perfeito. — Ela comeu um morango remanescente. — Espera, eles decidem casar do nada e a gente ainda precisa escolher um presente rápido assim?

***

Bella estava se saindo muito bem no cassino naquela noite, por outro lado, eu não. Então parei de jogar quando comecei a ficar frustrado.

— Você vai se fantasiar de quem? — Jasper perguntou para mim, ele estava bebendo uísque, Alice ao lado dele, gritava com os dados em suas mãos.

Renesmee tinha encontrado uma amiga antiga e estava conversando com ela ali perto.

— Sei lá, vamos decidir amanhã na loja de fantasias. — Outra particularidade do casamento deles, iriam se fantasiar e queriam que também usássemos fantasias. Alice já tinha decidido usar um vestido como o que Madonna usou na apresentação de Like a Virgin em 84 no VMAs, Jasper estava na dúvida entre Elton John e David Bowie.

— Ei, hora de ir! — Alice exclamou, seu humor mudando, ficando empolgada.

O restante da programação deles para a noite, depois do cassino, era ir assistir uma apresentação de Magic Mike, o show baseado no filme de mesmo nome que falava sobre streaptease masculino. Bella e eu tínhamos dispensado, não queríamos ter de lidar com aquilo chegando aos ouvidos da internet e imprensa, iriam criticar nós dois, ela por estar grávida em um lugar daqueles, enquanto a mim caberiam as insinuações de ser gay por estar assistindo a um show daquele tipo. E nenhum de nós poderia lidar com aquilo, eu surtaria ainda mais com minha orientação sexual sendo pauta, o que já tinha rolado muito no passado, não queria, não naquele momento pelo menos, que ninguém mais soubesse que era bissexual.

— Não acredito que você também vai para o Magic Mike, cunhadinha — provoquei Renesmee quando ela seguiu Alice e Jasper.

— Fazer o que. — Deu de ombros e foi com eles.

— O que você quer fazer? — perguntei para Bella, que tinha parado de jogar, ainda assim levaria uma boa quantia consigo.

— Ir para o quarto dormir assistindo TV e você marido?

— O mesmo.

Bella assentiu e riu.

— Estamos parecendo um casal de aposentados.

— Não é como se você e eu já não tivéssemos vivido Las Vegas intensamente.

— Tem razão. Vamos assistir um filme de terror?

— Não, alguma comédia do Adam Sandler. Aquela com a Jennifer Aniston parece perfeita para encerrar o dia, que tal?

— Que você tem 23, mas parece ter bem mais agora.

— Sou um velho de espírito. Vamos pedir donuts?

— Por favor! — comemorou e me beijou. — Você é o melhor.

***

Jasper acabou escolhendo Elton John, na loja de fantasias encontrou uma do clipe de I’m Still Standing, o terno branco, com gravata e chapéu. As garotas estavam ajudando Alice com o vestido dela, enquanto eu olhava pela loja atrás de fantasias para Bella e eu. Renesmee também já tinha escolhido a dela, um terno rosa de Legalmente Loira.

— Batman e Mulher-Gato? — Jasper sugeriu enquanto passávamos pelas fantasias.

— Não — neguei, continuando a mexer nas araras. Meu amigo soltou um longo bocejo, o que me contagiou. — Que horas vocês voltaram para o hotel mesmo?

— Acho que ia dar sete da manhã, fomos para uma festa que aquela amiga da Ness arranjou.

— Isso depois da festinha no Magic Mike — provoquei, Jasper riu. Ele e Alice tinham sido chamados para o palco, ao mesmo tempo, ganhando danças exclusivas dos dançarinos.

Todos os sites de fofoca estavam compartilhando as fotos que conseguiram daquele momento, ele e Alice não se abalaram. Renesmee tinha gravado um vídeo e Jasper fez questão de postar no Instagram, Alice tinha feito uns stories comentando quão divertido tinha sido.

No meu Instagram, eu tinha feito uma live curta na noite anterior, mostrando nossa sessão de cinema no hotel. Já era previsto que a noite no Magic Mike chegaria aos ouvidos de todos, sendo assim nos adiantamos e deixamos a internet saber que no mesmo horário estavamos quietinhos assistindo a um filme.

— Foi muito bom — ele declarou.

— Então, vai mesmo ser um casamento oficial?

— Vai, já falamos. Saindo daqui ela e eu vamos escolher as alianças. A documentação tá pronta, a capela marcada. Depois vamos jantar em um restaurante legal com sala reservada.

— Você está mesmo feliz? — perguntei, Jasper assentiu e colocou o chapéu da sua fantasia na cabeça.

— Eu tô, cara. Sério, amo muito a Alice. É loucura casar de um dia para o outro? Sim, mas que se foda, é o certo, é o que queremos. Não é um casamento diferente do seu com a Bella, quer dizer, só tem algo diferente.

— O quê? — questionei, parando de mexer nas fantasias.

— Vamos ter um relacionamento aberto, decidimos isso ontem pós Magic Mike. Entendemos e concordamos, que nós dois não fomos feitos para monogamia. Também estamos abertos a ficar juntos com outros caras.

— Sim, isso é mesmo a diferença entre o relacionamento de vocês e o meu com a Bella.

— Vocês não tem vontade?

— Nenhuma. Apesar de nós dois concordamos que aquela noite com você foi muito boa — confessei. — Talvez ela e eu gritemos hoje quando o Elvis perguntar se alguém tem algo contra o casamento — brinquei, Jasper riu alto.

— Por favor, não façam isso, eu não vou topar um trisal com vocês e Alice teria uma parada cardíaca por atrapalharem nosso casamento.

— Deus que me livre de provocar a noiva. Cara, você vai casar! — eu exclamei. — Preciso preparar um discurso?

— Precisa, mas também precisa escolher sua fantasia.

— Amor. — Bella apareceu, me abraçando por trás. — Falando na nossa fantasia, o que acha de adiantarmos as de Sandy e Danny de Grease que iríamos usar no Halloween? Podemos escolher outra para outubro, alguma que inclua a Holly.

— Pode ser, e se eu pintar meu cabelo de preto? Igual aquela tinta que o Jasper usou no Brasil.

— Melhor uma peruca, eu também vou pegar uma loira.

Na hora virei para olhar para ela, todo sorridente.

— Você loira, Capitã! — A beijei na hora, mas não foi o suficiente para me dar vontade de transar, meu corpo ainda não queria.

***

Alice e Jasper conseguiram a capela que queriam, a cerimônia foi rápida e realizada por um cara vestido de Elvis. Parecia que estávamos em um filme, no entanto, eu acabei emocionado. Renesmee e Isabella também, as duas precisaram segurar o choro para não borrarem suas maquiagens.

Os noivos não ligaram para nada disso, Jasper foi o primeiro a chorar, se inclinando e sussurrando algo para Alice que assentiu e beijou a bochecha dele. Depois, ela estava chorando também.

Os votos foram a cara deles, prometeram continuar se amando e se divertindo juntos. Prometeram nunca ir para cama brigados e sem sexo de reconciliação. Juraram amor até onde o amor fosse bom para ambos, mas declararam parceria eterna.

— Você é o único homem com quem me casaria em Las Vegas, Jasper.

— Você é a única pessoa que me fará casar na praia, Alice.

Eles trocaram alianças, confetes foram lançados em todos nós. O Elvis disse que poderiam se beijar, assim foi feito, então o homem começou a cantar Viva Las Vegas, eu ri, minha esposa usando uma peruca loira me acompanhou, mas os olhos dela estavam cheios de lágrimas.

— Minha irmãzinha casou — sussurrou emocionada.

Bella e Ness foram abraçar Alice juntas depois, Jasper e eu nos abraçamos por um longo tempo.

— Obrigado por ter voltado para minha vida, cara — ele agradeceu. — É muito bom compartilhar essa felicidade com você.

— Estou tão feliz por vocês. — O apertei mais um pouco no abraço antes de soltá-lo. Ele foi falar com Nessie e Bella, Alice veio até mim, segurou minhas mãos e beijou meu rosto. — Cuida dele — pedi, ela sorriu, eu beijei seu rosto também.

— Prometo cuidar, Ed. Ele é especial.

— Vocês dois irão ser muito felizes juntos. — Eu a abracei, afagando suas costas.

— Que assim seja.

***

Estava um pouco frio, mesmo assim Isabella e eu estávamos na varanda do nosso quarto naquela noite. Depois do casamento, e de muitas fotos lá, fomos para o restaurante. Ali brindamos, fizemos discursos, tiramos mais fotos e comemos filé como prato principal do jantar de casamento.

Os noivos já tinham postado as fotos do casamento em suas redes sociais, isso significava que Charlie já sabia e estava maluco. Alice conversou com ele, tentando fazê-lo entender que aquele era apenas um dos casamentos dela, que o Caipira faria parte do mais tradicional dali alguns meses. Ele não ficou mais tranquilo, tinha mensagens suas no celular de Bella e no meu nós criticando por não termos colocado juízo nas mentes dos recém-casados.

Após o jantar voltamos para o hotel com Renesmee, Alice e Jasper estavam indo curtir o resto da noite em algum outro lugar sozinhos. Em nosso quarto, só nós dois, Bella colocou música para tocar e fomos para o lado de fora apreciar as luzes da cidade, enquanto eu massageava seus pés.

Quando tocou Beautiful Day do U2 foi impossível para mim não cantar junto.

You’re on the road. But you’ve got no destination¹. — Quando cantei aquele trecho, Bella começou a chorar, isso me fez olhar para ela e parar de cantar. — Linda, o que foi?

— Essa música tocou no último episódio lançado de Zoe em Malibu — falou entre as lágrimas, mas notei que estava sorrindo. — Depois do Escândalo Swan, quando assisti ao episódio novamente, eu me sentia exatamente assim, em uma estrada sem destino, não sabia o que iria fazer na minha vida.

— E agora você sabe. — Eu sorri também.

— Agora eu sei — murmurou e sorriu mais, tirou seus pés das minhas mãos. Se levantou da cadeira onde estava sentada, começando a tirar a peruca que ainda usava. — Sei muito bem o que quero fazer. — Chorou mais um pouco, só que nunca deixando de sorrir. — Eu vou aceitar a proposta do filme de Aro, Edward.

Na hora fiquei de pé, não esperava ouvir aquilo.

— Eu vou voltar a atuar! — gritou feliz. — Que se foda o passado, estou disposta a construir meu futuro exatamente como quero. E também vou gravar mais músicas, lançar um álbum um dia. Escrever o roteiro da ideia que tive em Bath, dirigir ele se for necessário…Tiraram tudo de mim, só que isso nunca mais irá acontecer. Irei atuar, irei cantar, irei fazer o que sempre quis, fazer tudo que ainda vou querer fazer.

Notas finais
¹Você está na estrada. Mas você não tem nenhum destino. Talvez eu esteja chorando haha Reta final por aqui, galerinha, teremos mais 9 capítulos e o epílogo. Deixem comentários se puderem, por favor. Teremos mais do casamento Alisper pelo ponto de vista da noiva em breve, lá em Backstage onde posto alguns extras de Hollywood. Beijos! Lola Royal. 27.02.22