Hollywood
52 Capítulo Cinquenta e Um
Notas iniciais
Capítulo Cinquenta e Um
Isabella Swan
“Ed Cullen diz que a namorada é sua melhor amiga."
Ele era meu amigo. Eu gostava de ser amiga dele. E isso era tudo.
Bom, isso deveria ser tudo. Até ele se apaixonar. Até ele dizer que me amava.
***
Ninguém sabia sobre minha música favorita, ninguém. Até eu contar aquele segredo para Edward, até o deixar saber que minha canção preferida era dona de uma letra extremamente romântica e que eu tinha vergonha de assumir amar.
Quando ouvi aquela canção pela primeira vez não a relacionei a nenhum cara, nem mesmo a Paul por quem ainda nutria sentimentos naquela época. Eu também não a tornei minha canção e a de James anos depois, na minha cabeça ela pertencia a uma Bella diferente e a um cara que não existia. Em uma realidade paralela onde Paul não existiu em minha vida, eu teria cruzado meu caminho ao de um homem que me amava e que eu amava de volta na mesma proporção.
Um amor, que de ambos os lados, seria forte o suficiente para suportar todos os julgamentos e problemas.
Eu cantarolava a canção, meu coração batia forte e eu não queria que Edward tirasse seus lábios de mim. Ele tinha seu rosto escondido em meu pescoço e ria de mim cantando, o que não me incomodava de fato, então Edward disse:
— Capitã, eu te amo.
Parei de cantar no instante que processei suas palavras, puxei o rosto de Edward para mim e mesmo com a luz fraca do seu quarto de hotel vi seu olhar apreensivo e suas bochechas vermelhas. Ele tinha mesmo dito aquilo? Ele tinha dito que me amava?
Abri a boca para falar, o questionar se eu tinha mesmo escutado o que pensei ter escutado, mas não conseguia falar e fiquei muda. Ele suspirou e beijou minha testa, meu corpo todo estremeceu com aquilo, depois saiu de cima de mim e sentou na cama. Continuei na mesma posição, mas sem Edward sobre mim eu passei a encarar o teto.
Fechei os olhos e os cobri com minhas mãos, enquanto tentava manter minha respiração calma e normalizar meus batimentos cardíacos que desde antes Edward dizer aquilo já estavam loucos, eu pensava sobre sua fala. Eu não estava surda, sabia muito bem o que ele tinha dito.
— Isabella, diz algo — ele pediu em um sussurro, sua voz estava cheia de tensão.
Tirei as mãos do rosto e abri meus olhos, olhando imediatamente para Edward.
— Você está apaixonado por mim? — indaguei, ele engoliu em seco, assentiu e respondeu:
— Sim, eu te amo — repetiu.
Puta merda!
Pulei para fora da cama, em um ato tão rápido que até mesmo fiquei tonta, mas não tive tempo para isso. Porra, não, não com Edward se declarando para mim.
— Você tinha que estragar tudo? — indaguei revoltada, ele suspirou. — Era só sexo, Edward. Sempre foi só sexo! — gritei.
— Isabella…
— Não! — o interrompi. — Não diz mais nada! — Comecei a procurar minhas roupas pelo chão, ouvi Edward sair da cama, mas rapidamente peguei tudo e logo estava me vestindo. Ele estava parado na minha frente quando acabei de colocar meu vestido, mantendo minha jaqueta em uma mão e os saltos em outra, o cantor tinha colocado sua cueca.
— Vamos conversar, por favor — ele implorou mais nervoso do que antes.
— Não há absolutamente nada para conversar, Ed Cullen.
— Capitã…
— É Isabella para você agora — aleguei. — Só Isabella.
Ele revirou seus olhos verdes.
— Me escuta, você pode dizer o que quiser depois, só me escuta — pediu, aproximando-se mais de mim, meu coração ainda batia forte, segurando em meu rosto. Apertei com força os sapatos e a jaqueta em minhas mãos, contendo a vontade de jogá-los no chão e beijar Edward.
Que merda era aquela afinal? Eu devia só estar furiosa com ele fodendo com nossas fodas ao se dizer apaixonado por mim, não deveria querer o beijar, não iria o beijar nunca mais!
— Você tem um minuto — eu disse em um sussurro, mal escutando a mim mesma.
Edward começou a falar rapidamente.
— Eu te amo, certo? — Porra! — E eu também estou assustado pra caralho com isso, eu não queria admitir para mim mesmo o que sentia até ontem… Ou anteontem, nem sei mais que horas são, mas que se foda isso, eu sei que só aceitei o que sentia por você quando estávamos vendo Brooklyn Nine-Nine juntos depois de comer, com você jogando Candy Crush e eu tocando uma música country. — Ele riu, uma lágrima rolou por seu rosto e Edward afagou minha bochecha. — Todos disseram que eu estava apaixonado por você e eu queria acreditar que era só loucura de todo mundo, que só estou usando você para mais uma vez não ficar só, mas eu quero ficar com você. Porra! — Edward beijou minha testa outra vez, eu estava paralisada em suas mãos. — Quero um futuro com você, Capitã. Nós dois juntos compondo, vendo séries, viajando para a África do Sul, quero sua escova de dentes e a minha juntas no banheiro. Quero poder te beijar, quero poder te tocar, quero poder estar com você.
Ele estava fora de si, afastei Edward. Ele fungou, contendo mais lágrimas.
— Quem disse que você estava apaixonado por mim?
— Meu terapeuta, Rose e Jasper.
— Bom, eles estão errados e você está certo. Só está se sentindo sozinho e jogando em cima de mim ideias sobre um futuro para se sentir menos solitário, aproveitando que a gente fodia para delirar mais.
— Capitã…
— Eu já disse que é Isabella agora — repeti, ele bufou. — Nós não vamos mais ter nada, sem mais sexo, sem mais qualquer tipo de amizade, você só vai trabalhar para mim agora.
— Com você — resmungou.
— Não importa o termo certo, você continuará sendo um cantor da produtora, mas eu deixarei Jessica ser sua agente principal a partir de agora.
— O quê? — ele gritou com desespero em sua voz.
— Foi o que ouviu. Vamos manter distância um do outro. — Engoli em seco. — E você vai se livrar dessa ideia estúpida de me amar, de estar apaixonado por mim.
— Isabella, não faz isso, por favor — implorou.
O ignorei e andei até a saída do quarto, peguei minha bolsa no sofá da sala e fui até a porta. Porém, antes de conseguir sair, Edward apareceu ali e segurou a maçaneta, impedindo minha saída.
— Diz que não sente nada por mim e eu nunca mais toco nesse assunto — ele pediu.
— Edward…
— Diz! — exigiu.
— Me deixa sair.
— Por que você não consegue dizer, Isabella? Se não sente nada por mim é só dizer isso, mas por que não está falando? — me desafiou.
Era uma boa pergunta, que eu não tinha uma resposta. Mas meu coração seguia acelerado, meu estômago doía e eu senti vontade de chorar.
— Nós éramos amigos e fodiamos, isso era tudo.
Ele tirou sua mão da maçaneta e falou:
— Você ainda ama aquele cara, Paul, claro.
— Você está completamente errado — resmunguei.
Eu não sentia mais nada por Paul, percebi isso quando dia atrás o vi naquela entrevista. Os últimos acontecimentos envolvendo nós dois foram o suficiente para me despertar para a realidade, não foi algo imediato, mas aconteceu e comprovei isso quando olhei para Paul e não senti nada além de indiferença.
— Errado sobre Paul e sobre seus próprios sentimentos, Cullen. — Segurei a maçaneta e ele disse:
— Fica e vamos conversar melhor, Isabella.
— Não temos mais nada para conversar sobre esse assunto, Ed Cullen — falei e abri a porta. — Acorde no horário certo, o vôo será às dez horas!
Eu mal via a hora de ir para Los Angeles e ficar bem longe de Edward.
***
Edward estava sentado, sozinho, no fundo do jatinho na manhã seguinte. Sem nem mesmo seu terapeuta por perto, o que significava que o Cullen estava se saindo muito bem em voar. Sua expressão era séria, mas eu não podia ver seus olhos porque ele estava de óculos escuros e com a cabeça voltada para o lado oposto ao que eu estava, encarando a janela que estava com a cortina fechada.
Eu sentei bem longe dele, ocupando um lugar ao lado de Jasper que parecia entediado também olhando pela janela enquanto esperava a decolagem. Fiz a comissária de bordo me levar Coca-Cola, precisava de algo para me manter acordada depois de uma noite inteira em claro.
Não tinha conseguido dormir por um segundo que fosse, não conseguia parar de pensar em Edward dizendo que me amava. Era uma loucura, mas também era uma merda, porque isso significava que eu tinha de o afastar para seu próprio bem, mas o que conclui que também me irritava porque estava gostando mesmo de ser sua amiga, só amiga. E eu não tinha tantos amigos assim, era uma verdade, a maioria das pessoas que eu conhecia estavam ao meu redor por trabalho.
— Porra, para com isso, você tá me enlouquecendo! — Jasper exclamou segurando na minha coxa, fazendo com que eu parasse de balançar a perna.
— Foi mal — murmurei.
— O que você tem? — perguntou.
— Nada. — Bebi mais do meu refrigerante.
Eu devia ter fodido menos com Edward durante aquelas semanas e mais com Jasper, assim o Cullen não teria ficado tempo demais comigo para se confundir. No entanto, o guitarrista sentado ao meu lado tinha me dispensado quando tentei foder com ele após nossa noite com Edward.
Uma das melhores noites daquelas semanas, diga-se de passagem. A fodida realização de um sonho, não só para mim, mas eu sabia que para Jasper também, pois eu percebi que ele ainda gostava do Cullen pela forma que agiu com ele naquela noite.
— Ok, então você e Edward estão estranhos ao mesmo tempo por nada — Jasper debochou. — Eu fui falar com ele mais cedo e o cara só faltou dar um soco na minha cara, o que você fez que o deixou puto?
— Por que a culpa é minha? — resmunguei.
— Por que será, Isabella? — Ele arqueou uma sobrancelha. — Ele te disse, né?
— Disse — continuei resmungando. — E você está muito errado no que falou para ele, Jasper.
— Estou? — me questionou em um tom de desafio.
— Está! — exclamei. — Edward não está apaixonado por mim — sussurrei para que só ele ouvisse, Jasper se aproximou de mim e disse em meu ouvido:
— Você está em negação exatamente como ele estava, quando assumir nós veremos quem estava certo, gracinha.
O empurrei, Jasper riu e pegou minha Coca-Cola.
— Você não deveria estar revoltado que o que você sente não está sendo correspondido? — provoquei o guitarrista, que me encarou com raiva e saiu do lugar ao meu lado, ele foi sentar junto com Leah que estava lendo um livro.
Ótimo, eu preferia viajar sem ninguém perto de mim. Fechei meus olhos e tentei não pensar em Edward dizendo que me amava, tentei mesmo, mas a voz dele dizendo aquilo estava gravada na minha mente.
***
Leah seguiu do aeroporto em um carro direto para a casa do seu pai, depois de semanas longe ela queria ver ele e seu irmão. Eu fui num carro com Edward, para a casa dele, uma vez que eu tinha deixado minha gata sob a supervisão da mãe dele.
Nós tínhamos trocado poucas palavras desde que deixamos o hotel em Vancouver mais cedo aquele dia, só o essencial e tudo sobre a ida para Los Angeles e trabalho, já que ele ainda não estava com Jessica o assessorando de perto. Eu cuidaria daquilo ainda aquele dia, iria pegar Amy em sua casa, almoçar algo e ir para a produtora — já tinha feito Irina marcar uma reunião com Tanya, Alistair e Jessica para aquele dia, mesmo que fosse domingo — resolver tudo.
— A figurinista vai levar amanhã de manhã suas roupas e de Leah para o evento da Dolce & Gabbana amanhã a noite — falei para ele quando ainda não estávamos no carro.
Na noite seguinte teria o evento de lançamento da campanha publicitária da marca que ele gravou com sua falsa namorada antes do começo da turnê, eu deveria ir, mas colocaria Jessica no meu lugar. Edward apenas assentiu, ainda estava sério, ele estava mexendo em seu celular, eu podia ver que jogando Candy Crush, quis tanto falar com ele sobre aquilo, mas mordi minha língua e fiquei quieta.
Assim que pisamos dentro da sua casa os latidos começaram, logo Madonna e Shrek estavam pulando em cima da gente. Edward não demorou nada em ir para o chão com eles, eu tentei me manter forte e não ir também, sabendo que aquilo consumiria meu tempo, mas não aguentei e sentei no chão perto dele, Madonna pulou em cima de mim lambendo meu rosto.
— Você cresceu tanto! — falei para a cadela que estava imensa, ainda não do tamanho de Shrek, mas quase lá. — E como você está, animal selvagem? — perguntei para Shrek que estava deitado no colo de Edward, que sorria para seu cachorro afagando seu pelo, eu também não resisti em mexer com Shrek, que abanava seu rabo sem parar.
— Ed, Ed, Ed! — Ouvi os gritos de Rosalie e ela apareceu na entrada da mansão.
Edward se levantou rapidamente e foi abraçar sua irmã.
— Cadê a mamãe? — ele perguntou. — Quem abriu a porta foi um segurança.
— É domingo, ela está na igreja, mas já deve estar vindo. Eu fiquei porque estava estudando, não ouvi vocês chegando porque estava usando fones. — Ela ainda estava abraçando seu irmão, eu estava com saudades das minhas irmãs e do meu pai, mesmo que tivéssemos nos visto pouco tempo antes em Nashville.
— Rosalie, cadê a Amy? — perguntei, ainda sentada no chão, Shrek tinha se unido a Madonna e se aproveitado do meu colo quando Edward se levantou.
— Ela deve estar dormindo lá no quarto do Edward — Rosalie falou se soltando do irmão. — Ela, Madonna e Shrek tomaram conta do seu quarto — disse para ele, que apenas sorriu mais. — Vou pegar ela pra você, Bella.
— Valeu. — Rosalie saiu e Edward voltou para o chão, puxando Madonna para si.
— Você está mesmo enorme, Madonna — ele falou enquanto ela lambia o rosto dele. — Daqui a pouco vai estar do tamanho do seu irmão.
— Eu vou pegar as coisas da Amy e ir embora — falei baixinho para Edward, que ergueu seu rosto para mim, ele ainda usava seus óculos escuros.
— Aham, faça o que quiser — falou, voltando sua atenção para Madonna.
— Aqui está ela, Bella. — Rosalie voltou com Amy em seu colo, ela assim como Madonna estava tão crescida.
— Amy! — comemorei quando Rosalie a passou para meus braços, Shrek não se importou em dividir espaço com ela. — Eu senti tanto sua falta, você sentiu a minha falta? — Ela miou em resposta para mim, deixando com que eu afagasse atrás da sua orelha.
— Madonna, não! — Edward exclamou, olhei para ele e vi que Madonna tinha roubado seus óculos e estava mordendo uma das hastes. O olhar dele se encontrou com o meu, permitindo que eu visse que seus olhos estavam vermelhos.
A porta da mansão se abriu e Esme entrou, gritando quando viu seu filho:
— Edward, você está aqui! — Ele voltou a se levantar para falar com a mãe, a abraçando e beijando seu rosto. — Oi, Isabella — ela me cumprimentou com educação.
— Oi. — Forcei um sorriso para ela. — Obrigada por ter cuidado da Amy.
— Sem problemas. — Esme sorria de orelha a orelha. — Ela foi um amorzinho.
— E está na hora de a levar para casa — falei segurando Amy e me levantando, o que não pareceu agradar muito Shrek.
— Por que você não fica para almoçar? — Rosalie sugeriu, fazendo com que seu irmão e eu a encarassemos.
— Não, eu…
— Vai, fica! — Rosalie insistiu andando até mim e tirando Amy do meu colo. — Está um dia tão bonito, vamos comer lá fora.
Ótimo, Rosalie que achava que seu irmão estava apaixonado por mim estava tentando bancar a cupido, maravilhoso.
— Eu fiz uma lasanha antes de sair — Esme disse. — Só uns quarenta minutos no forno e ela está pronta — completou.
— Viu? Rapidinho! — Rosalie sorriu largamente. — Você vai ficar, né? — perguntou para mim.
— N… — Eu me calei quando ela tirou Amy dos meus braços.
— Ótimo, você vai ficar! — Porra, eu ia matar Rosalie.
— Ok, vou por a lasanha no forno — Esme anunciou e antes de seguir pela mansão perguntou para o filho. — Cadê sua namorada?
— Leah — ele disse o nome dela com tédio na voz. — Foi para a casa do pai dela.
— Uma pena — Esme se queixou. — Estou com saudades dela. — Rosalie revirou os olhos, Esme seguiu pelo corredor que a levaria para a cozinha.
— Eu vou tomar banho — Edward disse e se voltou para mim. — Empresária, você pode mandar os seguranças subirem minhas malas?
— Sim, eu posso — respondi, ele assentiu com um aceno de cabeça, pegou o óculos que Madonna tinha largado no chão e seguiu para a escadaria da mansão.
— Como você está? — Rosalie me perguntou animada.
— Eu vou ficar ótima quando der o fora daqui — reclamei.
— Só fica para almoçar — ela insistiu, ainda com Amy em seus braços ameaçou. — Ou você fica, ou não devolvo sua gata.
— Que seja, eu fico. Sua mãe fez algum bolo de chocolate?
— Sim, por quê?
— Porque vai ser a última vez que vou comer dele — falei e abri a porta para mandar os seguranças subirem as malas do Edward.
— Espera, como? — Rosalie perguntou me seguindo.
— Hoje é a última vez que piso aqui — falei, ela abriu a boca para questionar, mas se distraiu quando viu Emmett circulando pelo lado de fora da mansão.
— Ei, oi, Emmett!
— Oi, Rosalie. — Ele sorriu largamente para ela. — Senhorita Swan, precisa que alguém a leve para casa?
— Eu ainda não vou, quero que subam as malas do Edward.
— Sim, senhorita — ele concordou e foi cuidar disso.
— Por que essa é sua última vez aqui? — Rosalie tornou a perguntar quando seguimos de volta para dentro da mansão.
— Porque seu irmão acha que está apaixonado por mim e isso é ridículo.
Rosalie suspirou e colocou Amy no meu colo.
— Vocês dois são muito complicados — ela alegou. — Eu aposto que essa não será sua última vez aqui, Isabella.
Eu preferi não tornar a aposta séria, não quando apostei com Edward uma vez e perdi uma Ferrari para ele. Mas, eu sabia de algo, ele não estava apaixonado por mim, nem eu por ele.
***
Enquanto aguardávamos a lasanha de Esme ficar pronta, fiquei em uma das salas da mansão com Rosalie, Madonna, Shrek e Amy. Edward ainda estava no outro andar em seu quarto.
— Ei, isso é pra mim? — perguntei quando Madonna parou na minha frente segurando na boca um ursinho de pelúcia que parecia ter passado por uma guerra e já estava todo molenga.
— É o ursinho favorito dela — Rosalie disse, olhei para a garota sentada ao meu lado que tinha seu celular em mãos e tirou uma foto de Madonna.
— Ah, você está me dando seu brinquedo favorito? — perguntei mais animada ainda para Madonna, que jogou o ursinho no meu colo, eu o peguei e afaguei a cabeça da cadela, que abanou seu rabo para mim. — Me manda essa foto depois — pedi para Rosalie, que concordou e disse:
— Olha só, você adora a Madonna e o Shrek, se você e meu irmão se resolvesssem eles seriam seus também.
— Rosalie, fica quieta! — ordenei, ela riu, Esme apareceu e falou para a filha:
— A lasanha está pronta, chame seu irmão para comermos, certo?
— Tive uma ideia melhor, Bella você chama o Ed, eu vou ajudar a mamãe a arrumar a mesa lá fora.
Antes que eu pudesse protestar ela já tinha saído da sala com sua mãe. Esbravejando, eu segui até o quarto de Edward, ele estava sentado na sua cama olhando em direção a porta, usava uma bermuda, tinha seus cabelos ainda molhados do seu banho, estava de óculos de grau e vestia o moletom de Brooklyn Nine-Nine que lhe dei.
— O almoço está pronto — anunciei, ele assentiu, sem falar nada ficou de pé e nós dois seguimos até a varanda da mansão onde tinha uma mesa, de onde podiamos ver todo o quintal, a piscina e a casa de hóspedes.
Rosalie foi a dona do almoço, ela se encarregou de encher Edward e eu de perguntas sobre as últimas semanas da turnê. Porém, Esme também quis fazer perguntas e falava basicamente sobre Leah, perguntando sobre como ela e Ed estavam indo, sobre a viagem que ele faria com a namorada — eles iriam para o Havaí juntos em alguns dias — e o evento que eles estariam no dia seguinte como as estrelas da noite.
— Sei lá, nem queria ir para essa viagem — Edward falou quando Esme perguntou se ele tinha um roteiro para o Havaí, eu continuei comendo o bolo de chocolate de Esme, após acabar com meu prato de lasanha.
— Eles precisam mesmo ir, Isabella? — Esme me perguntou.
— Sim, precisam — respondi sem sequer olhar para ela, movi meu pulso e vi a hora no meu relógio, tinha de ir embora logo para a reunião na produtora, nem teria tempo de ir deixar Amy no meu apartamento. — Você pode recolher tudo da Amy e pedir para Emmett colocar no carro que nos trouxe e irá me levar? Tenho de ir a uma reunião.
— Claro, vou fazer isso — ela disse, se levantou e entrou na mansão.
— Vou ajudar a mamãe — Rosalie falou e a seguiu.
Claro, ela não perderia a oportunidade de me deixar sozinha com seu irmão. Olhei para frente, onde Edward estava sentado, ele pegou um morango da cesta de frutas e mergulhou na cobertura do bolo e comeu, seu olhar se encontrou com o meu.
Cansei do bolo, meu estômago estava doendo de novo e meu coração acelerou. Era a primeira vez que ficavamos sozinhos desde a nossa conversa no quarto dele de hotel, desde que ele disse que me amava.
Porra, eu precisava de um último beijo!
Levantei da cadeira, contornei a mesa e andei até ele, Edward me olhava atentamente. Me inclinei em sua direção e o beijei, com calma, segurando seu rosto, sentindo sua barba por fazer pinicar minha pele. Seu beijo tinha gosto de morango e chocolate, eu adorava aquilo.
— Bella — ele sussurrou quando o beijo acabou.
— Foi o último beijo, certo? — murmurei, tocando meus lábios rapidamente na sua bochecha. — Tchau, pirralho.
Eu me afastei dele, evitando olhar seu rosto. Andei para dentro da sua mansão, meu coração na minha boca e com vontade de chorar. Por que eu queria chorar? Por que estava sendo enlouquecedor o deixar?
***
Deixei a casa de Edward com Amy em sua casinha, uma caixa cheia das coisas dela e sem dizer mais uma palavra, nem ver mais, para o dono da mansão. Meu estômago ainda doia, queria vomitar, chorar e ao mesmo tempo pedir que o motorista desse meia volta com o carro para eu poder beijar Edward mais uma vez.
Mas, isso não podia acontecer. Ele achava que me amava e eu tinha de o manter distante, além do mais, Edward foi um amigo, mas antes disso e na maior parte do tempo só foi uma foda, não deveria me importar tanto — ao ponto de querer chorar — em estar me afastando dele.
Peguei meu celular e vi que Rosalie tinha me enviado a foto de Mads, aquilo me fez dar um pequeno sorriso. Decidi postar a foto, sabendo que no fim das contas eu ainda era a empresária de Ed, então postar uma foto da sua cadela não seria um caos, ele já tinha postado uma foto de Amy e a única pessoa falando sobre isso com segundas intenções — que eu tinha visto ao menos — foi o ser humano responsável pela conta de Isaward Swullen no Twitter como vi quando vasculhei aquele perfil.
A legenda que escolhi para a foto foi:
“Voltar para Los Angeles e receber um presente logo de cara dessa coisinha peluda.”
Antes que eu pudesse guardar meu celular Edward já tinha compartilhado minha foto no Twitter e escreveu:
“Passei mais de um mês fora e não ganhei presente algum.”
Eu ri, mas a vontade de chorar ainda estava ali, a de voltar correndo para Edward Cullen também. Talvez ele não fosse o único confundindo as coisas.
***
Entrei no andar da minha sala da produtora com um dos seguranças do prédio e o motorista que me levou até ali carregando todas minhas bagagens e as coisas de Amy, a casinha dela eu mesma carregava e por sorte ela era a melhor gata do mundo e sequer se importava de ficar lá dentro. Sério, como ela podia ser tão diferente da Norma Jeane?
— Bella! — Irina soltou um gritinho quando me viu, saindo de trás de sua mesa e correndo até mim. — Você fez tanta falta aqui…
— Chega de papo, Irina — cortei sua fala, colocando a casinha de Amy em suas mãos. — Toma conta dela e deixa eles colocarem minhas coisas na minha sala — falei, minha assistente assentiu, sorridente. — Tanya e o os outros já chegaram?
— Tanya já está na sala de reuniões, a Jessica estava vindo da gravadora onde estava com o Riley e logo deve estar aqui, o Alistair estava em São Francisco, mas disse que vai vir para a reunião sem falta.
— Tá, cuida bem da minha gata ou você morre! — ameacei e fui para a sala de reuniões onde minha amiga estava.
— Oi, oi! — Ela se levantou e me abraçou apertado. — Como foi o vôo?
— Bom — menti, em si tinha sido normal, tirando o fato de eu ter ficado pensando em Edward durante todo ele.
— Qual o motivo da reunião? — perguntou quando nos sentamos.
— Quero que Jessica seja a agente com Edward.
Tanya franziu o cenho.
— Por quê?
— Preciso de uma pausa.
— Isabella, o que aconteceu?
— Nada.
Absolutamente nada, a pausa era justamente para que nada mais acontecesse e Edward parasse de fantasiar sobre nós dois. E eu colocasse minha cabeça no lugar também, não que eu achasse que gostava de Edward como ele dizia gostar de mim, não, claro que não.
— Já sei, essa é mais uma daquelas conversas que você evita ter, até que um dia despeje tudo em cima de mim?
— Talvez — murmurei, ela assentiu. — Jessica já começa amanhã indo ao evento da Dolce & Gabbana.
— Não, não, não! — Tanya negou, eu bufei. — Nem pensar, você fechou um contrato maravilhoso para o Edward, é você quem vai pra esse evento, Jessica pode ir pra te ajudar, mas você vai como a agente principal dele.
— Mas…
— Você vai e ponto final, também sou sócia nesse lugar e estou ordenando!
***
Depois da reunião, que foi longa já que não falamos somente sobre Jessica passando a ser a agente principal de Ed, eu voltei para meu apartamento com Amy. Dispensei sair para beber com Alistair, jantar com Tanya e mesmo com meu pai, estava com saudades dele, mas não queria ver Carmen aquele dia e também tinha outro plano. Porém, aceitei ir com meu pai para um bar country na terça-feira, ele tinha visto um cara tocando lá na semana anterior e achava que seria uma ótima aposta musical para eu agenciar.
Estar de volta ao meu apartamento era bom, mas eu também sentia falta da agitação da turnê. Era o dia inteiro sem parar, especialmente após aos shows quando voltavamos para o hotel e eu fodia com Edward.
— Amy, sei que você é muito boa, mas preciso que arranhe minha cara para eu parar de pensar no idiota do Cullen — falei para minha gatinha, a pegando no colo, ela não me arranhou, era mesmo boa demais para uma agressão.
Eu tinha de parar de pensar em foder com Edward, pois isso nunca mais aconteceria. Nunca mais e ponto.
Deixei Amy sobre minha cama, enquanto começava a desfazer minhas malas. Eu já estava desfazendo a segunda quando encontrei não uma, mas duas camisetas de Edward ali dentro, como eu tinha arrumado aquela mala antes dele foder com tudo ao dizer que me amava, não tinha visto aquilo antes.
Peguei uma das camisetas, uma preta com o uma estampa do Michael Jackson. Levei a peça de roupa até meu nariz e senti o cheiro, era do perfume que Ed usava, o que só me deu mais vontade de chorar e ao mesmo tempo me socar por estar pensando em chorar por conta do Cullen.
Eu estava louca, por que diabos estava daquele jeito?
— Isso deve ser culpa de tanto tempo viajando — falei para Amy que tinha entrado na mala e deitado sobre a outra camiseta de Edward lá dentro, uma vermelha da Califórnia. — Não, não se apegue! — exclamei para minha gata, tirando a camiseta debaixo dela, e um pouco para mim.
Era isso, eu também tinha me acostumado a ter ele por perto todo dia e só.
Foquei em tirar tudo da mala, coloquei as roupas sujas no cesto para que fossem lavadas depois e as limpas de volta em meu closet. As duas camisetas de Edward eu não sabia o que faria com elas, então as deixei sobre a poltrona do meu quarto até arranjar uma solução.
Antes de ir tomar um banho fui arrumar as coisas de Amy e colocar comida para ela, assim que saí do banheiro me sentindo mais humana depois de um bom banho fui me vestir. Iria receber alguém aquela noite, então precisava colocar algo, o que foi uma lingerie e um robe por cima.
Pontualmente o interfone tocou, eu o atendi e liberei a entrada da pessoa. Logo depois a campainha tocou e fui abrir a porta, lá estava Heidi, toda sorridente.
— Olá! — Ela entrou no apartamento quando liberei sua passagem.
— Oi. — Eu tinha pedido para Alistair, após a reunião, que ele mandasse Heidi até mim aquele dia.
— Vamos esperar o Ed? — ela perguntou quando fechei a porta do apartamento.
— Não, essa noite será só nós duas — falei, vendo Heidi sorrir ainda mais.
Não a esperei dizer mais nada, logo beijando a garota de programa. Eu precisava foder, com alguém que não fosse Edward Cullen, precisava tirar minha mente dele.
***
Na manhã seguinte eu estava no meu escritório na produtora respondendo e-mails e rabiscando em uma folha de papel meu nome. Tentava me concentrar no conteúdo do e-mail, uma proposta de publicidade para Riley, mas eu só conseguia pensar em Edward que tinha acabado de postar uma foto na piscina da sua casa com Leah, Madonna e Shrek.
A noite anterior com Heidi tinha sido boa, ela mandava muito bem no sexo, mas não foi o suficiente para me fazer parar de pensar no fodido Cullen. Especialmente porque a primeira vez que fodi com Heidi ele esteve junto, então foi impossível não associar, eu deveria ter dito para Alistair mandar outra garota de programa.
No entanto, a pior parte foi acordar aquela manhã sozinha na minha cama. Heidi tinha ido embora de madrugada, Amy dormiu no sofá e eu não tinha ninguém ao meu lado. E eu senti muito a falta de Edward dormindo comigo, dos seus braços me apertando, de ouvir sua respiração e mesmo dele reclamando quando eu o chutava sem parar durante o sono.
Suspirei, tirando os olhos do computador e olhando para o papel com meu nome rabiscado mil vezes. Ainda com a caneta em mãos rabisquei o nome de Edward ao lado de um dos tantos do meu, a combinação fez meu coração acelerar.
Isabella e Edward lado a lado.
Era uma estupidez, eu era estúpida. O que eu tinha? Ia entrar na loucura de Edward e achar que estava apaixonada? Eu não estava, eu não podia estar, especialmente por ele.
Larguei a caneta, peguei a folha de papel e comecei a rasgá-la em diversos pedacinhos até ser impossível ver Isabella e Edward lado a lado outra vez.
***
Naquela noite de lançamento da campanha publicitária de Edward e Leah, eu também estaria usando um vestido da Dolce & Gabbana. Eu mesma tinha o escolhido, era um vestido bege brilhante longo, quase dourado, tomara que caia, rendado e bem provocante.
Ele tinha pregas estilizadas na saia e no busto, de um tecido mais fosco, alternando com os espaços somente rendados que expunham minha pele. Para isso eu usava um shortinho cor nude curto, mas ainda mostrava muita pele.
Eu sabia que iriam comentar muito sobre a ousadia daquele vestido, que provavelmente isso só faria aumentar os apelidos carinhosos que recebia de puta e vagabunda, mas eu tinha me apaixonado por ele e queria o usar. Teria de aguentar os comentários depois, mas de qualquer forma, não era como se todo mundo já não tivesse me visto nua, um vestido provocante não era nada.
Fui para o local do evento com Jessica, uma vez que nos arrumarmos juntas no mesmo salão de beleza. Lá, jornalistas já estavam na entrada esperando por Edward, que chegaria só mais tarde com sua falsa namorada, a grande estrela da noite, tinham também alguns fãs perto.
Jessica e eu, principalmente eu que fui chamada sem parar por eles, não paramos para falar com os jornalistas, mas deixamos com que tirassem fotos, entrando no salão de festas para cumprimentarmos os organizadores e outras pessoas importantes. Cerca de meia hora depois fomos informadas que Ed tinha chegado, nós deixamos o interior do salão de festas e fomos lá para fora, eu liberei a saída de Edward e Leah do carro, deixando com que o segurança abrisse a porta da limusine que eles estavam.
Ed deixou o carro sorrindo largamente, eu mantive meu sorriso educado no rosto sem estragar minha máscara para a noite, mas estava mesmo querendo sair dali o mais rápido possível para ficar longe dele, antes que não aguentasse e o deixasse me levar para sua cama novamente. O Cullen usava terno, o paletó e a calça eram em um tom de verde escuro que ressaltava não só seus olhos, mas também seus cabelos. A camisa era azul, um bem claro e sua gravata preta.
Não pude deixar de imaginar como seria tirar aquela roupa dele e pedir que o Cullen me amarrasse com aquela gravata. Merda, eu não acreditava que nunca mais transaria com Edward.
Ele parou, acenou para todo mundo e se voltou para o carro de novo, esticando uma mão para ajudar Leah a deixar o veículo. Ela estava linda pra caralho aquela noite, eu precisa admitir. O vestido longo dela lhe deixava parecendo uma princesa, o busto era cheio de pedraria prateada, com um decote que parava pouco antes do seu umbigo e só valorizava seus seios e a saia do vestido era de um tecido parecido com tule de bailarinas, em um de cinza claro.
Com a mão entrelaçada a de Leah, Edward caminhou com ela até onde eu estava com Jessica. Ele acenou mais uma vez para seus fãs que gritavam sem parar e enquanto isso eu falei para os dois:
— Vão passar pelo tapete, tirar fotos e falar com os jornalista, caso não queiram responder alguma pergunta é só se afastarem os desconversem, ok?
— Ok — Leah respondeu, parecia nervosa, mesmo que ela já tivesse acompanhado Edward em eventos grandes e mesmo antes de estar com ele acompanhando a produtora em outros eventos daquele. Mas, eu entendia a diferença, daquela vez ela era uma das peças chaves do evento.
Jessica e eu seguimos os dois a certa distância pelo tapete preto, enquanto eles tiravam fotos e falavam com os jornalistas. Edward não soltava a mão de Leah por um segundo, como sempre achava um segundo entre as fotos e a conversa com os jornalistas para beijar o rosto dela ou sua cabeça.
Aquilo me incomodava, não era a primeira vez, eu tinha de admitir isso. Tinha ficado incomodada com a presença de Leah um milhão de vezes durante a primeira parte da turnê, como também fiquei muito puta quando na noite em Vancouver que Edward disse o que disse antes do sexo fomos interrompidos pela Alison, eu tinha ficado bastante revoltada com aquela ligação. Porém isso não significava que eu estava com ciúmes, certo? Não, claro que não, era tolice achar que estava sentido ciúmes. Mas por que eu queria que Leah caísse e rasgasse seu vestido?
— Ed, Leah é sua melhor amiga? — um dos jornalistas perguntou.
— Eu posso dizer que sim, ela é uma das minhas melhores amigas — Edward respondeu levando rapidamente a mão de Leah até seus lábios. — Ela e minha irmã dividem esse posto.
Eu ri internamente, ele odiava Leah!
Os dois seguiram para o próximo jornalista que fez uma pergunta para Leah:
— Leah, você não acha que as pessoas vão pensar que essa campanha publicitária para a Dolce & Gabbana é uma forma de você se promover em cima da fama de Ed? — Eu não me preocupei com aquilo, Tanya e eu já vínhamos preparando os dois para aquele tipo de pergunta desde o fechamento do contrato e mesmo nervosa com a sua grande noite de modelo de uma grife extremamente famosa, Leah segurou a pergunta e respondeu muito bom.
— Eu estou muito certa do amor que sinto por Ed e do amor dele por mim, nós dois estamos muito bem juntos e muito bem com nossa relação. O convite para a campanha foi feito e aceitamos fazer, foi muito desafiador para mim que não sou uma modelo, atriz, nem mesmo cantora, mas foi uma experiência divertida justamente por Edward estar lá comigo. — Ele escolheu aquele momento para beijar a cabeça dela. — As pessoas verão na campanha um casal em fotos profissionais e muito bem vestidos. — Ela sorriu. — Eu imagino que algumas pessoas possam imaginar que estou me aproveitando de Ed ao sair ao seu lado em uma campanha publicitária, mas com certeza não é isso, a campanha só foi um pedaço da nossa vida juntos. Além disso, eu tenho um trabalho como assistente na Swan Productions
— E será um lindo álbum de fotos para mostrar para nossos filhos — Edward completou e beijou os lábios de Leah por um segundo.
Apertei o celular em minha mão, nem fodendo que ele teria filhos com ela.
***
Assim que passaram pela sabatina com os jornalistas os dois entraram no salão e fui com eles, Jessica ficou de fora para esperar por Rosalie e Esme que também iriam para o evento, elas não iriam falar com os jornalistas, mas era bom terem alguém por perto caso fosse necessário. Eu queria ter ficado no lugar de Jessica, sem precisar ficar seguindo o casal e bem longe de Edward.
Ainda assim, mesmo que quisesse cair fora, eu fui tão profissional que deveria ganhar um prêmio por isso. Fiz Edward falar com quem tinha de falar e tirar fotos com quem tinha de tirar, até mesmo comigo — o que me fez sentir meu corpo arrepiar quando ele tocou em minha cintura —.
Quase no fim do evento, eu estava sentada em uma mesa, quando Edward apareceu. Ele sentou ao meu lado e sem olhar para mim, mantendo seus olhos em Leah que estava circulando pelo salão conversando com as pessoas, falou:
— Quando minha turnê acabar nós iremos suspender o seu contrato como minha empresária.
— O quê? — perguntei em um sussurro, quando queria mesmo gritar. Ele olhou para mim e sorriu com falsidade.
— Foi o que você ouviu, eu aceitei que você fosse minha empresária, mas não quero mais isso. Só vou esperar o último show da turnê, no dia seguinte nós iremos cuidar do fim do contrato, não me importo com o dinheiro que isso vai me custar. — Eu não consegui falar nada, chocada demais com sua decisão, sem saber como tirar aquilo da sua cabeça ao mesmo tempo em que devia ficar distante dele.
Ele se levantou, arrumou seu paletó e completou:
— Aliás, você está muito bonita hoje, Isabella.
Dito isso ele se afastou, me deixando para trás irritada, confusa e com tesão.
***
Eu fiquei muito agradecida quando aquele maldito evento acabou e entrei no carro com Jessica para ir embora, depois daquela noite não teria de ver Edward tão cedo, provavelmente só quando eu tivesse de o convencer a parar com a ideia de sair da Swan Productions. Aquilo me irritava e me deixava triste também, eu tinha feito de tudo para reerguer a carreira dele e Ed ia me chutar?
— Você está bem? — Jessica me perguntou, fazendo com que eu olhasse para a mulher sentada ao meu lado no banco de trás do carro.
— Sim — menti. Eu não estava, a maldita vontade de chorar por Edward tinha voltado.
— Tem certeza?
— Sim. — Forcei um sorriso e perguntei. — Vamos beber algo lá em casa? Não bebi nada no evento e preciso de álcool. — Ela riu. — Se você não tiver algo para fazer o resto da noite, você estava namorando, né? — Eu sabia que Jessica era lésbica e que antes de eu viajar com Edward para a turnê ela estava pegando uma garota que trabalhava na produtora que cuidava dos álbuns de Riley.
— Não mais, nós terminamos, ela me traiu. — Jessica revirou seus olhos.
— É isso, você precisa de uma bebida também. — Me inclinei para a frente do carro e pedi para o motorista parar no bar mais próximo para que eu pudesse comprar uma garrafa de vodca.
***
Eu não acordei sozinha na manhã seguinte, Jessica estava deitada ao meu lado. Não tinha bebido muito, então lembrava perfeitamente do que tinha acontecido, nós tínhamos transado, depois dela choramingar de saudades da sua ex.
Ainda assim, mesmo que eu não tivesse acordado só aquela manhã, ainda não era a pessoa que queria comigo na cama. Tapei meu rosto com as mãos e foi preciso tudo de mim para não chorar, tudo, pois eu estava mesmo morrendo com a falta de Edward ao meu lado.
— Você não vai me demitir por isso, né? — Ouvi a voz de Jessica, liberei meu rosto e olhei para ela, que estava apreensiva.
— Não, claro que não.
Ela suspirou e sentou na cama, ainda mantendo seu corpo coberto pelo lençol.
— Você…
— Bi — respondi antes mesmo que ela fizesse a pergunta, vendo a dúvida estampada em seu rosto.
— Certo — ela concordou e olhou a hora no relógio ao lado da minha cama. — É melhor eu ir logo, vou ter que ir para meu apartamento trocar de roupas ainda antes de ir para a gravação da campanha publicitária da K Motors com o Ed.
Eu queria ir, a K Motors era uma fabricante de motos, seria tão sexy ver Edward em uma. Eu tinha um milhão de piadas para fazer com ele sobre aquilo, podia visualizar com perfeição ele sorrindo ao ouvi-las. Porra, o sorriso dele era tão lindo.
— Certo — falei para Jessica.
— Bella…
— Está tudo bem — assegurei, ela devia pensar que minha cara cheia de tristeza era por nossa noite, mas eu estava triste por não estar indo ao encontro de Edward.
Puta merda, o que estava acontecendo comigo? Eu não era assim. Bom, eu não era assim há muito tempo.
— Foi uma noite para você e eu esquecermos outras pessoas, só isso — falei, ela assentiu, mas perguntou:
— Quem você quer esquecer?
— Você precisa mesmo ir embora agora, Jessica.
— Claro, claro!
Ela foi rápida, em menos de quinze minutos já estava fora do meu apartamento. Eu voltei a dormir, dormindo esperava não pensar em Edward, mas sonhei com ele, com nós dois deitados na minha cama assistindo Brooklyn Nine-Nine, com Amy, Shrek e Madonna com a gente e com ele dizendo que me amava, mais de uma vez. Acordei antes de que eu no sonho dissesse algo.
Tomei um banho, mas não coloquei roupas ficando só no meu roupão. Passaria o dia no meu apartamento, só sairia de noite para ir ao bar country com meu pai e minhas irmãs, as duas já tinham me mandado mensagens sobre isso, felizmente Carmen não estava incluída, ela estaria ocupada resolvendo detalhes do casamento que eu precisava dar um jeito logo de impedir de acontecer.
Eu estava na cozinha comendo algo que pedi que fosse entregue para meu café da manhã, enquanto Amy comia o seu, ao mesmo tempo que via em meu celular no Twitter a repercussão do evento da última noite.
“Ed Cullen está tão apaixonado pela Leah, até um cego é capaz de ver isso.”
“Tão fofo que o Ed não consegue parar de beijar a Leah.”
“A Leah é a mulher mais sortuda do mundo, é isto!”
“Não acredito que tem gente realmente achando que a Leah tá se aproveitando do Ed. Acorda gente, o que eles tem é tão real!”
“Minha meta de relacionamento é um igual ao que o Ed e a Leah tem juntos.”
“O Ed falou em ter filhos com a Leah, já posso imaginar o bebê lindo que vão ter. Torcendo para ser uma menina, ele vai ser muito babão.”
“Essas fotos da Leah com a Esme, a mãe do Ed claramente ama a nora.”
“A Leah disse que ela e o Ed vão aproveitar a pausa da turnê para uma viagem de casal, para onde será que eles vão?”
“O jeitinho que o Ed segura a mão da Leah entre as duas mãos dele, tão protetor.”
“Leah é de longe a melhor namorada que o Ed já teve. Pisa muito na fodida da Lauren.”
“Ed tá tão bonito nessa foto, pena que tá com essa puta da Isabella do lado, vou ser obrigada a cortar a foto. Detesto essa mulher, espero que ele troque de empresária.”
Sai daquilo, sem querer mais ver comentários sobre mim. No entanto, não resisti e entrei no perfil de Isaward Swullen. Ele, ou ela, tinha postado naquela manhã sobre o evento, claro que tinha.
A primeira postagem foi uma foto só do Edward, onde escreveu:
“Que homem…”
A segunda uma postagem de uma foto só minha, a legenda era:
“Que mulher…”
A terceira uma foto minha com Edward, onde ele e eu estávamos bonitos pra caralho lado a lado. A legenda dizia:
“Ah Deus… Tão perfeitos juntos!”
E a última foto, outra minha com Edward. Nessa ele estava dando um pequeno sorriso de canto de boca e seus olhos pareciam quase fechados por conta do flash, ele estava tão bonito e fofo, com a pele corada pelo Sol, eu queria tanto ter o beijado. A legenda falava:
“Ed Cullen e Isabella Swan serão os responsáveis pela minha morte!”
Larguei meu celular de lado e apoiei a cabeça no balcão, pensei por um segundo e decidi ir para a produtora. Seria melhor ocupar minha cabeça, sozinha eu acabaria chorando por Edward e não deixaria isso acontecer. Ou pior, sozinha eu poderia me convencer de loucuras, assim como ele se convenceu em Vancouver.
***
Eu nunca tinha ido ao bar que meu pai levou minhas irmãs e eu aquela noite, mas me senti muito bem em estar em um bar country que só me fazia pensar na fazenda da família. Era como estar lá, bem longe de Los Angeles e dos problemas.
— Não falei com o cara semana passada, queria que você o ouvisse primeiro e desse sua opinião — papai falou para mim quando pegamos uma mesa, nos fundos do bar, longe do palco, reservada suficiente para papai não ser incomodado a cada dois segundos.
— Beleza — concordei.
A mesa era rodeada por uma espécie de sofá, papai sentou no meio entre Alice e eu, Renesmee sentou do meu lado outro lado. Nós todos pedimos cerveja para beber e ficamos conversando, enquanto quem se apresentava era outro cara, não o que meu pai queria que eu conhecesse.
Era mesmo muito bom estar com minha família, eu ainda não conseguia tirar Edward totalmente da cabeça, mas já foi de grande ajuda aliviar o estresse que estava sentindo nos últimos dias. Eu estava rindo de uma piada de papai quando senti meu celular vibrar no bolso da calça jeans que usava, o peguei e vi que era uma mensagem, uma mensagem de Edward.
Ed Cullen: Você provavelmente não vai responder essa mensagem, talvez a apague sem sequer ler, mas eu precisava falar com você de alguma forma. Primeiro, esquece aquela merda que eu falei no evento ontem, eu estava irritado, não vou querer que você deixe de ser minha empresária, mesmo que a partir de agora seja Jessica me seguindo para todo lado, mas eu reconheço todo o esforço que você e toda sua equipe colocaram na minha carreira desde o ano passado e como isso me ajudou e muito, então eu não quero mesmo deixar de ser agenciado pela Swan Productions. Segundo, você é minha amiga e eu já sinto a sua falta, Rosalie acabou de se recusar a assistir Brooklyn Nine-Nine comigo porque já tá enjoada e eu sei que se ainda estivéssemos nos falando você não recusaria uma maratona, eu até pedi sushi para comer hoje, porque olha só, fiquei com vontade. Terceiro, eu espero que quando voltar do Havaí a gente possa voltar a conviver e que você volte para a turnê comigo em julho, como minha empresária e minha amiga, só isso. Esquece o que falei em Vancouver, eu prometo que vou esquecer e um dia a gente vai rir de quão idiota eu fui de pensar naquilo, ok? Sinto sua falta, de verdade. E esse sushi que pedi é uma merda, nem você ia gostar, Capitã.
Fiquei encarando o celular por um longo tempo, mesmo após terminar de ler a mensagem de Edward. Eu quis responder, dizer que também sentia sua falta e que estava feliz por ele ter desistido da ideia de não me ter mais como sua empresária, que queria sim voltar para a turnê com ele em julho e continuar sendo sua amiga, porém não consegui responder. Travei. E aquela parte onde ele falava sobre esquecer o que sentia? Isso me dava vontade de chorar também.
— Você não acha, Bells? — Renesmee me perguntou, fazendo com que eu tirasse meu olhos da conversa com Edward e com o dedo preparado bloqueasse a tela do celular.
— Acho do que? — questionei minha irmã.
— Que papai deveria comprar um chapéu novo para o casamento?
— Sei lá, tanto faz. — Guardei o celular no meu bolso e afastei de mim o copo gigante com cerveja, não era seguro continuar bebendo.
— Nem casamento deveria ter — Alice resmungou do outro lado de papai, fazendo com que ele e ela começassem a discutir, mas eu não participei daquilo.
— Você não parece bem — Renesmee murmurou para mim afagando minha mão. — Brigou com o Jasper?
— Ness, eu não estou namorando o Jasper — falei de volta em um sussurro, ela tinha acreditado nas especulações da internet e quando me viu com ele nas festas em Nashville me encheu o saco sobre isso.
— Poxa, Bells, sou sua irmã, você não deveria esconder esse tipo de coisa de mim — ela protestou, eu suspirei e apoiei minha cabeça em seu ombro, ela me abraçou. — Você está apaixonada pra caramba por ele, né?
— Eu não tenho nada com o Jasper, Renesmee.
— Mas…
— Bells, esse é o cara! — meu pai exclamou, parando de brigar com Alice.
Me desvencilhei de Renesmee, olhei para o palco e vi o cara. De onde estávamos eu não podia ver direito o rosto dele, mas vi que ele era alto, tinha um porte físico bom, usava botas, calças jeans, camisa xadrez e claro, um chapéu de caubói, eu adorei que ele estava vestido a caráter.
— Olá — ele falou ao microfone, seu sotaque reconheci facilmente, era do Texas e bem forte. — Sou Cameron Scott e cantarei algumas canções para vocês.
— Puta merda, que voz! — Alice exclamou.
— É linda mesmo — concordei, apoiando meus cotovelos na mesa e me inclinando um pouco para a frente. Precisava focar em Cameron cantando, para saber se valeria a pena o empresariar, o que seria legal, ter outro cantor country em minha produtora.
Logo ele começou a cantar, a primeira música que escolheu foi My Best Friend do Tim McGraw. Eu ri quando percebi qual era a música, calhava bem para depois da mensagem de Edward. Cameron cantava muito bem, na primeira estrofe eu já podia o imaginar cantando em um estádio lotado, provavelmente ele terminaria aquela noite comigo lhe oferecendo ser sua empresária, mas terminaria de ouvir todas as canções que ele tinha selecionado.
— You’re more than a lover. There could never be another. To make me feel the way you do. Oh, we just get closer. I fall in love all over. Every time I look at you.* — Edward era tudo em minha mente, eu não conseguia parar de pensar no pirralho, eu queria, mas não conseguia e mesmo que Cameron cantasse muito bem, eu morreria para ouvir Edward cantando aquela canção, para mim. — I don’t know where I’d be. Without you here with me. Life with you makes perfect sense. You’re my best friend.*
Quando ele acabou aquela canção eu me recostei em papai, que perguntou:
— O que você achou?
— Ele é bom.
— Por que você está triste, Bells?
— Não estou triste, pai.
Eu estava, muito. Eu queria Edward.
***
Depois que Cameron encerrou sua apresentação, meu pai e eu fomos atrás dele, com a ajuda do gerente do bar para que papai não causasse tumulto. Nós fomos parar em uma espécie de camarim na parte de trás do bar, onde além de Cameron estavam outros cantores que já tinham se apresentado aquela noite, ou ainda iriam se apresentar.
Todos reconheceram meu pai, obviamente e quiseram um minuto com eles, inclusive Cameron. Papai aceitou falar com os outros, enquanto eu me aproximei de Cameron e perguntei:
— Olá, podemos conversar?
— Cl-Claro — ele gaguejou, ainda chocado com a presença do meu pai. Segurei em seu braço, o puxando até o outro lado da sala, onde o barulho era menor. Pude observar Cameron melhor ali, seus cabelos eram castanhos, olhos azuis, tinha uma barba curta e um princípio de bigode, ele devia ter entre vinte e vinte e cinco anos.
— Sou Isabella Swan…
— Sim, conheço você, seu pai. — Ele olhou para Charlie. — Meu Deus, não acredito que estou na mesma sala que Charlie Swan, parece um sonho.
— Não é, na verdade, meu pai te viu tocar aqui na semana passada e te adorou, Cameron. — Ele voltou o olhar para mim, chocado, mas com um sorriso surgindo nos lábios. — E como sou empresária de cantores, meu pai me trouxe até aqui hoje para te ouvir tocar. Eu adorei o que vi e ouvi! — exclamei, ele sorriu ainda mais. — Estou pensando em te empresariar, o que me diz? Você toparia ser um cantor famoso? Porque eu tenho capacidade de fazer isso acontecer.
— Virgem Maria! — ele gritou, eu tive de rir. — Isso é sério?
— É sim, você pode ir ao meu escritório amanhã de tarde para conversarmos melhor sobre, o que acha?
— Sim, sim, sim! — ele voltou a gritar, tirando o seu chapéu da cabeça e me pegou de surpresa ao me apertar em um abraço.
— Opa, calma. — O afastei rapidamente, eu nunca mais ficaria tão próxima assim de um cara que trabalhava para mim.
— Desculpa — ele pediu, estava chorando de emoção. — Não acredito nisso, é o melhor dia da minha vida. Estou tão feliz.
— Me chame de fada madrinha — brinquei. E aquilo também me fez pensar em Edward, claro, ele e sua ideia para o clipe de Endorfina com referência ao conto de fadas da Cinderela.
***
Não demoramos muito mais no bar, eu dei algumas instruções para Cameron me encontrar no dia seguinte. Ele teve tempo de ganhar um autógrafo e uma foto com meu pai, depois Charlie e eu encontramos com Alice e Ness e fomos embora.
Na volta para casa eu estava sentada ao lado de Renesmee no carro, que estava sentada no meio e Alice do outro lado dela. No banco de frente ao meu estava meu pai, enquanto o motorista dele guiava o carro.
Nós estávamos ouvindo música na rádio, quando acabou uma dos Beatles e começou I Want You Back do Jackson Five. Eu estava com a cabeça apoiada na janela, olhando para a cidade passando por mim. Quando a música começou eu senti meu peito apertar e fechei os olhos, daquela vez não pensando só em Edward e eu cantando aquela canção no karaokê de New York, mas de mim e das minhas irmãs a cantando em casa todo Natal, principalmente na época que o casamento dos meus pais ainda existia, era sempre uma grande festa em nossa casa mesmo só com nós cinco. Foi por isso que Renesmee disse para cantarmos aquela canção em New York, ela sabia que eu a adorava.
Ela e Alice, ali no carro, começaram a cantar. Eu dei um sorriso, minha mente viajando e imaginando passar um Natal com Edward, com ele vendo minhas irmãs e eu decorando a casa enquanto cantávamos aquela velha canção.
Porra, ele em Nashville comigo no Natal. Ele e eu trocando presentes e terminando o dia vendo Brooklyn Nine-Nine juntos, depois fodendo diante da lareira. Seria tão bom, eu queria isso, mesmo sabendo que não devia, mesmo sabendo que não podia sentir aquele tipo de coisa a respeito de Edward Cullen.
Era isso? Eu estava apaixonada por ele?
— Canta, Bells! — Renesmee ordenou cutucando meu braço, então me vi cantando a próxima parte.
— Oh, baby, I was blind to let you go. But now since I see you in his arms. I want you back* — cantei baixinho e comecei a chorar.
Era isso, Isabella Swan estava chorando por Edward Cullen.
— Bells, por que você está chorando? — Alice, meu pai e Renesmee perguntaram ao mesmo tempo.
— Não é nada — sussurrei, limpando as lágrimas do meu rosto, mas elas não paravam.
Eu queria tanto ir atrás de Edward, queria tanto o beijar e o abraçar. Ele tinha dito sobre ter um futuro ao meu lado e era isso que eu estava pensando, ter um futuro ao lado dele, passar todos meus futuros natais com Edward. Todos os outros feriados também, ou mesmo as datas sem importância, tanto faz, só queria estar com ele, só queria estar ao seu lado.
Não só pra sexo, não sendo só sua empresária, nem mesmo somente sua amiga. Queria ser sua namorada, queria ser a garota com ele nos eventos, queria ser a mulher que ele beijava na frente de todos. Mas isso nunca aconteceria, né? Nunca poderia acontecer.
— Ei, o que está acontecendo? — Renesmee insistiu me abraçando, meu pai olhava para trás e Alice me encarava do seu lugar.
— Nada, nada — sussurrei ainda chorando. Mas para minha sorte vi que o carro se aproximava do prédio que eu morava, eu pulei para fora assim que ele parou, só que minha família saiu também.
— Isabella, por que você está chorando? — meu pai perguntou.
— Pensei na Renée — menti, bom, de certa forma, tinha pensado nela, mas não era por isso que estava chorando. — Eu vou ficar bem — falei antes que ele ou minhas irmãs dissessem algo. — Só preciso subir e dormir, prometo que não vou fazer nada — garanti, ele suspirou, mas concordou, me abraçou e entrou no carro, Alice beijou minha bochecha e também voltou para dentro.
— Não é o Jasper — Renesmee murmurou quando ficamos sozinhas na frente do meu prédio.
— O quê?
— O cara que você tá apaixonada, não é o Jasper, é o Edward.
— O quê? Não!
— É sim, a música te fez pensar nele e você cantando lá em New York. Jasper é só um disfarce, né? É pelo Cullen que você está apaixonada.
— Ness… — Solucei.
Ela sorriu para mim, se aproximou e me abraçou.
— Não posso sentir isso por ele — sussurrei. — Tem tanto envolvido, não posso.
— Quer subir e conversar?
— Não.
— Ótimo que disse sim, Bells. — Ela me soltou e bateu na janela do lado de papai, que a abriu e avisou para ele:
— Vou ficar com a Bells, Alice, você quer ficar?
— Não posso — minha irmã respondeu lá de dentro. — Randall tá me esperando no meu apartamento.
— Ok. — Renesmee se afastou do carro, segurou minha mão e me puxou para dentro do prédio.
***
Eu contei tudo para minha irmã, que decidiu no começo da história fazer pipoca para acompanhar meu relato do meu caso com Edward. Falei realmente a história toda sobre ele e eu para ela, quando começou, como era entre nós dois quando eu estava na turnê da Kate, como foi quando voltei, nossa volta em Nashville, falei sobre a turnê dele e como estávamos unidos e por fim dele se confessando para mim em Vancouver.
— Ok, vamos lá! — Renesmee falou animada, estávamos no sofá da minha sala comendo a pipoca que ela fez. — Primeiro foi só sexo, isso é certo. Eu acho que realmente mudou entre vocês quando você foi para a turnê da Kate, o que é até engraçado, porque vocês dois estavam longe e ficaram mais próximos, isso porque não tinha sexo envolvido e só tinha como serem colegas de trabalho e amigos, pela forma como você falou que estavam sempre em contato, muito amigos, nem eu falava tanto com você. — Beliscou meu pé, eu ri baixinho, mas ainda não tinha parado de chorar. — Sentia a falta dele?
— É, acho que posso dizer que sim — murmurei. — Mas, sei lá, pra mim era só ausência de sexo.
Renesmee revirou os olhos.
— E quando você voltou vocês não estavam mais só transando, mas sendo realmente amigos. — Assenti. — E ele te deu a Amy, você deu a Madonna para ele. — Renesmee soltou um gritinho. — É como se elas fossem as filhas de vocês, isso é tão fofo!
— Renesmee, não seja absurda — pedi, ela riu e continuou:
— E ele disse que te ama e pelo que você falou agora sobre estar sentindo ciúmes, saudades dele e pensando em ter algo com ele, você também o ama.
— Não, não amo — choraminguei.
Não podia amar.
— Bells, você ama sim. Por que não vai lá na casa dele agora?
— Eu não posso, ele viaja amanhã com a Leah e não posso dar corda para essa história.
— Dane-se a Leah! — minha irmã exclamou, eu tinha contado para ela sobre o namoro ser falso. — Faz eles dois terminarem, diz pro Edward que você também ama ele e seja feliz com seu cara certo.
— Ele com certeza não é meu cara certo. — Esfreguei meu rosto com as mãos. — Ficar com Edward seria tão problemático, eu não posso fazer isso, nem ele, sei disso. Seria um caos de mil formas, não estou disposta a passar por isso.
Me levantei do sofá e falei:
— Vou dormir, você pode ficar no quarto de hóspedes.
— Espera, vamos…
Eu a ignorei e fui para meu quarto, trancando a porta para ela não ir me perturbar. Comecei a tirar as roupas que usava e foi quando vi as camisetas de Edward ainda sobre minha poltrona, eu peguei a preta e vesti, depois subi na minha cama e peguei meu celular que tinha jogado sobre o colchão quando tirei minha calça.
Coloquei no YouTube e procurei por vídeos ao vivo de Ed tocando, eu precisava vê-lo, de qualquer forma que fosse. Escolhi um vídeo que ele tinha gravado para um entrevista durante a turnê, que ele cantava Endorfina em uma versão acústica.
A primeira música que ele tinha escrito para seu novo álbum, uma canção que fez usando nossa primeira noite como inspiração.
— Aqui do alto. No palco. Ninguém irá nos alcançar — ele cantava enquanto tocava seu violão, o mesmo violão que peguei emprestado uma vez.
Passei horas me dividindo entre ver vídeos de Edward no Youtube, ou suas fotos no Instagram. Os raios de Sol do começo da manhã já entravam pela janela do meu quarto quando eu sai do Youtube e coloquei nos vídeos do meu próprio celular, indo para o vídeo que gravei de Edward cantando Livin’ La Vida Loca.
Senti meu coração disparar ao vê-lo cantando, depois quando nós dois começamos a conversar na gravação, até que ele me atacou com cócegas. Então, ele me fazendo cantar para a câmera e por fim eu e ele dizendo que queríamos nos beijar.
— Eu quero te beijar — ele tinha dito, enquanto segurava meu celular em sua direção, a expressão no rosto de Edward era tão bonita. Tranquila, um sorriso pequeno no rosto e mesmo na pouca iluminação seus olhos pareciam brilhar.
— Eu quero que você me beije — eu falei de volta, então a gravação se encerrava ali.
Eu sabia muito bem que a gente tinha não só se beijado depois daquilo, mas transado também, só que queria beijar Edward de novo, precisava. Também precisava deixar com que ele soubesse que — mesmo que eu estivesse morrendo de medo daquele sentimento — também estava apaixonada por ele, que estava pensando em ter um futuro ao seu lado.
Sai da cama e vesti as roupas que estava antes, precisava correr, o voo de Edward para o Havaí sairia logo mais e eu teria de ir falar com ele no aeroporto. Peguei meu celular, as chaves do meu carro e sai do apartamento, não vi Renesmee na sala, então ela devia ter ido dormir no quarto extra.
Logo eu estava no meu carro deixando a garagem do prédio, dirigi como uma louca pelas ruas de Los Angeles naquela manhã. Eu tinha ligado o som, mas sequer conseguia prestar atenção nas músicas tocando da minha playlist.
Quando cheguei ao aeroporto, parando meu carro no estacionamento, vi como eu estava toda bagunçada. Com pressa, mas também o máximo de cuidado que consegui, peguei um elástico de cabelo do porta luvas e prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, também tinha um batom ali que passei, antes que eu pudesse deixar o carro prestei atenção na música tocando.
Era I Almost Do da Taylor Swift.
— And I just want to tell you. It takes everything in me not to call you. And I wish I could run to you. And I hope you know that everytime I don’t. I almost do, I almost do.* — Tirei minha mão da porta do quarto e respirei fundo. — I bet you think I either moved on or hate you. ‘Cause each time you reach out, there’s no reply. I bet it never, ever occurred to you. That I can’t say ‘hello’ to you. And risk another ‘goodbye’.*
Eu não podia ir até Edward e dizer que… Também estava apaixonada, não, não podia. Eu era sua empresária, sabia muito bem das consequências que resultariam de um relacionamento entre nós dois. As pessoas não aceitariam, nós dois não saberíamos lidar com aquilo, ele e eu não tínhamos sido feitos para relacionamentos.
Além do mais, como eu podia ter certeza de que ele me amava mesmo? E se fosse só a mente dele se apoiando a mim para se agradar por ter alguém? E se eu estivesse fazendo o mesmo? Eu não tinha mais James e deixei de amar Paul, estava mais só do que nunca e tinha Edward por perto, poderia estar confundido tudo, nós dois deveríamos estar confundindo.
Eu era nove anos mais velha, com um histórico. Edward era um cara de vinte e dois anos, cobiçado por todos. Se tivessemos algo quanto tempo duraria até ele me trair com uma garotinha mais nova? E quanto tempo eu mesma surportaria em uma relação monogâmica, sendo que minha última relação do tipo trai James com o próprio Edward?
Não, nós dois não daríamos certo como um casal. Porém, éramos bons como amigos e colegas de trabalho e eu não podia arriscar isso. Queria Ed por perto, mesmo que não fosse ter ele como quisesse, mas ainda teria meu amigo, ainda teria minha estrela.
Ele tinha dito em sua mensagem que esqueceria, eu iria fazer exatamente o mesmo. Quando ele voltasse de viagem os sentimentos teriam passado, tudo seria normal de novo. Seguiríamos sem o sexo, mas eu manteria comigo meu amigo.
Era como na música da Taylor, eu não poderia arriscar outro adeus. Não queria perder outra pessoa na minha vida e esse alguém era Edward Cullen.
— Está tudo bem, tudo bem — falei para mim mesma, limpando as lágrimas que já molhavam meu rosto. Olhei para o prédio do aeroporto e solucei, Edward estava lá dentro, prestes a partir em uma viagem romântica com Leah, mas estava tudo bem, tudo ficaria bem, ele era meu amigo e continuaria sendo.
Peguei meu celular e enviei uma mensagem para ele.
Capitã: Eu estarei de volta a turnê em julho. Boa viagem, divirta-se!
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Antes que eu pudesse devolver o celular para o painel, Irina me ligou, sufoquei o choro e atendi minha assistente.
— Oi.
— Bella, tem alguém aqui na produtora querendo te ver, é importante.
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