Os alunos da universidade Hollow Spirit acordaram com a notícia boa — ruim para alguns — de que teriam uma excursão para a praia.

– Vocês devem se preparar, pegar suas coisas e amanhã partiremos ao amanhecer — disse o reitor, através de um alto falante que ligava aos sons de toda a escola.

Alguns alunos da Vebnus correram para a loja mais próxima para comprar bronzeador, cangas e roupas de praia novas.

– Sério que precisa disso tudo? — pergunta Lyn. — Por mim qualquer biquíni serve.

– Por mim podia ser praia de nudismo, já pensou? — diz Paulo.

– Vira essa boca pra lá — ri Sara.

Na Eruptidus, eles aproveitaram e pegaram seus livros de biologia, alguns guarda-sóis e protetores solar fator 60.

– Podíamos levar chapéus, porque demora até armarmos guarda-sol por guarda-sol — diz Carol.

– Bem pensado — diz Vivian. — E li que nem mesmo o fator 60 resiste aos raios ultravioletas.

Os alunos da Mercure começaram a separar suas pás e seus baldes, sem contar nas armas d'água que pegaram emprestados da diretoria.

– Vamos enterrar quem? — pergunta Ney.

– Até agora ninguém, mas quem sugere? — pergunta João Fray.

– Bem, quem sabe alguns alunos da Vebnus.

E na Dazer, muitos reclamaram por não gostar de praia, mas separaram pranchas, rede e bola de vôlei, raquetes de frescobol e máscaras de mergulho com pés de pato.

– Esses pés me lembram do Quak — diz Felipe.

– É. Tão iguaiszinhos — diz Bah. — Só falta berrar igual, porque a chatice é idêntica.

– Hahaha.

Em todas as irmandades havia o caos de alunos andando de um lado para o outro. Mas nenhuma estava tão pior quanto a Dazer.

Enquanto metade dos Dazers empilhava os objetos de praia, a outra metade encomendava e preparava as coisas para a festa que irá a acontecer depois de amanhã.

– Olá, quero adiar a entrega das trinta caixas de refrigerante para a tarde de domingo — Ingrid diz ao telefone -, e não, não quero nenhuma promoção de "leve mais dez e ganhe uma geladeira".

– Quero mil coxinhas para o domingo — diz Bah também no telefone. — E pode fazer também mais mil bolinhas de queijo.

– Acha mesmo que isso vai dar? — pergunta Dani.

– Lógico.

– Não! A decoradora já deveria ter vindo aqui semana passada ver o lugar – Jay berrava ao telefone. – NÃO DÁ PRA SABER PELO TELEFONE! O SALÃO É ENORME. Amanhã? Amanhã não dá, minha universidade sai hoje para uma viagem. Depois de amanhã então – ela desliga o telefone. – Depois de amanhã vai ser um dia corrido.

Max e Alj empilhavam as caixas de copos descartáveis, ao mesmo tempo em que Felipe e André empilhavam as cadeiras de praia que acharam nos fundos.

Tudo ia bem, até que Guut entra de costas na sala, segurando uma caixa de balaústres, e derruba André, que derruba a pilha de caixas com copos.

– Ah, mas que droga, André! — diz Alj.

– Não me culpe, foi o desastrado do Guut — explica ele.

– Não tenho culpa se vocês não têm cérebro e resolvem empilhar tudo dentro de casa — fala Guut.

– A culpa não é nossa se você anda de ré — retruca Felipe.

Guut pega um copo descartável no chão e ataca na cara de Felipe. O mesmo revida, mas Guut abaixa e o copo voa na cara de Max. E depois Max mira em Felipe, o mesmo rebate e cata na cara de André.

E assim uma guerra de copos começa, mas acaba logo que Ingrid aparece raivosa.

– O CAOS ROLANDO AQUI DENTRO E VOCÊS FAZENDO GUERRA DE COPOS? — grita ela. — PODEM CATAR TUDO E COLOCAR TUDO NO LUGAR!

Eles obedecem e voltam para aos seus respectivos deveres.

Aliviadas por escaparem do caos que estava a Dazer, Sté e Leti caminham pelos corredores da ala de natação da universidade. Elas estavam atrás de espaguetes de piscina, para o povo que não sabia nadar.

– E tem também aquelas que não alcançam o chão, né Sté? — ri Leti.

– Ah, cala a boca.

Elas viram o corredor e se deparam com um homem de macacão azul limpando o chão — o zelador.

– Olá? — cumprimenta Leti.

Ele se vira para elas e faz algo estranho: tira um pano do bolso e o cheira fortemente.

– Boa tarde, desejam algo? — pergunta ele.

– Sim, queremos uns espaguetes de piscina — diz Sté.

– Ah, claro. Um momento.

Ele sai andando devagar em direção a uma porta. Leti achou estranha a maneira como ele andava, mas ignorou.

Depois de uns minutos, ele retorna com vários espaguetes de piscina na mão.

– Algo mais, senhoritas? — pergunta ele.

– Não, obrigada — responde Leti e bate o espaguete em Sté, a mesma repete o ato.

E elas retornam para a Dazer.

***

– Tira esse telefone da minha frente – Ingrid disse, irritada.

– Sou capaz de cuspir fogo – Bah diz.

– É muito estresse – Jay completa.

Leti e Sté chegam com os espaguetes e os deixam de canto. André ainda estava meio encabulado com a resposta que conseguiram de Emilly na noite passada, então decidiu falar com o pessoal.

– Gente, será mesmo que essa tábua disse a verdade? – André diz. – Poxa, Laís? Cara, isso é meio impossível.

– Existem várias Laís no mundo. Podia ser uma Laís daquele tempo, uai – Alj diz.

– Mas... Mas... Algo que me diz que não – André diz. – Podíamos falar com ela.

– Ah, claro, vamos chegar lá e dizer: Você tem mais de 70 anos nesse rostinho de 20, admita que matastes Emilly Oushen. Aí ela vai e mata a gente ali mesmo – Ana, que acabara de acordar, diz descendo as escadas.

–Isso é hora? JÁ ENCOMENDAMOS TODA A FESTA ENQUANTO VOCÊ HIBERNAVA – Ingrid urra.

– Meu sono vale mais que essa festa.

– Essa festa vale mais que sua cabeça – Ingrid diz. – Posso cortá-la agora.

– Relaxem – a voz grossa de Felipe ecoou. – Ainda vamos encontrar o assassino de Emilly Oushen.

– Suspeitos? – Dani pergunta.

– Velhos, de preferência – Guut diz.

– Tem o coordenador – Clara diz. – Ele aparenta ter uns 80 anos.

– Ele começou a trabalhar esse ano – Felipe diz.

– Tem um zelador – Dani diz.

– Nada a ver – Sté fala.

– Ele deu os espaguetes pra gente – Leti fala. – Ele é legal.

– Então ok, riscado – Felipe diz. – Não desistiremos tão fácil.

***

O dia amanheceu. Três ônibus pairaram sobre a universidade. Todos acordaram e, com as coisas já prontas, seguiram para os determinados ônibus.

A animação dominava a Mercure.

Todos tinham em mente que, a caminho da praia, poderiam fazer o que quisessem. Dito e feito.

– Alguém me passa aquele negócio rosa? — pergunta Nati.

– Pra que você quer isso? Coisa de gay, Palzete — berra Ney que está do outro lado do ônibus tentando encher uma bóia de braços para Paulo.

– Ah, eu achei bonitinho, Palzete. Me passa logo.

Ney joga o "negócio rosa" para Nati, que o usa como travesseiro.

– Ei, o que eu to fazendo aqui? — pergunta Paulo.

– Façam das palavras dele as minhas — diz Arthur.

– Ai, gente, isso é só um ônibus. Vocês são da Vebnus, certo? — pergunta Gabriela.

– Somos sim — dizem os garotos.

– Ah, agora tá tudo explicado — diz Ney gargalhando.

– NÃO ENTENDI! — Paulo fala escandalosamente.

– Lerdo.

– Gabi, vem ver isso – Rick, com seu fiel computador ao lado, chama Gabriela para ver os slides, que finalmente ficaram prontos.

– Na festa? – Gabi pergunta.

– Na festa.

***

O segundo ônibus não se diferia tanto assim do primeiro.

– "IIIIIIIIIII, FIU SAMSIN SOU RONNNNNG DUIN DE RAI TINGUEEEÊÊ" — cantava, ou melhor, gritava Ana Pfeifer.

– DÁ PRA CALAR A BOCA? — pergunta Leti.

– "UIU BI CAURIN ISTARS, AAAAAAAAH, FIU SAM..."

– Ela não muda mesmo — Ingrid diz rindo.

– Também, coitada da garota, querem que ela mude como? — Athos entra na conversa.

– HMMMMMMM- eles dizem.

– Hm nada, engraçados — Ana diz.

– AH, AGORA VOCÊ FICA CALADA, NÉ — diz Leti, já perdendo o pouco de paciência que lhe restava.

Ana ri e olha para Athos, que retribui o sorriso.

***

Jay e Alj não se desgrudavam no ônibus. Eles passaram a maior parte da viagem ouvindo e cantando músicas. A não ser por uma parte, em que Alj precisa ir ao banheiro.

– Já volto — diz ele.

Jay mal ouve o barulho da porta bater e já houve passos.

– Mas já voltou?

Ela fica surpresa quando vê que não é Alj.

– Olá nojenta, o que faz sozinha? — pergunta Americo.

– Não estou sozinha, ridículo — responde Jay.

– É. Então você está acompanhada. Mas de boa. Um dia ainda te pego de jeito, e te faço ser minha.

Jay não esperava ouvir isso, mas ela gostou. Então pelo alivio dela, Alj aparece atrás de Americo.

– Dá pra cair fora? — Alj diz, a raiva em sua voz era notável.

– Então ele é a sua companhia? — Americo ri, mas para assim que a mão fechada de Alj acerta seu queixo.

Americo revida com um direto de esquerda, que pega de raspão, pois Alj desvia. Então Americo acerta um chute em seu estômago, e ia continuar a bater, mas Ingrid se materializa entre os dois.

– Americo, será que pode voltar para o seu lugar? Está sendo ridículo.

– Ah, Ingrid — reclama Felipe. — Deixe a treta rolar.

Ela o encara mortalmente, e o mesmo a ignora, desviando a atenção para a janela.

Americo e Ingrid retornam para os seus acentos, enquanto Alj se recompõe do chute que levou.

– Está bem? — pergunta Jay.

– Estou — responde ele. — O outro deve estar bem pior.

Ele se senta ao lado dela e a viagem continua tranquila.

***

Enfim, os três ônibus estacionaram perto de uma rocha enorme. Os alunos desceram parecendo crianças felizes e viram o mar. Era lindo, as ondas faziam uma forma perfeita e tinha várias conchas em volta da praia. Algumas alunas da Vebnus começaram a gritar e correram para a praia.

A parte que a metade dos garotos gostava era: a parte que as garotas estavam de biquíni.

– Essa é a vantagem de ir á praia – Felipe diz a André.

Sara e Lyn saíram do banheiro.

– Gata, quer ouvir o mar? Então vem dormir de conchinha comigo – Americo disse brincando com Sara.

– Idiota.

– Vocês vão entrar? – Jay pergunta a Leti, Ana e Stefani.

– Não – Ana e Leti dizem ao mesmo tempo, Stefani se levanta e se junta a Jay.

– Venham logo.

–Ok, mas só um pouco – Ana diz, as duas levantam e vão se trocar.

– Eita, que abundância. – Athos diz á Ana, quando a mesma sai do banheiro.

– Nossa, cala a boca – ela diz rindo.

***

Jay e Alj se afastam dos outros e vão em direção aos rochedos que se encontrava ao longe na praia.

– Vamos sentar ali – Alj fala apontando a umas pedras a beira do mar.

Eles se sentam e o silêncio faz parte do momento por poucos minutos até que Alj vê algo que o chama atenção.

– Nossa! Uma concha do mar. Sabia que da para escutar o mar por ela? – ele fala pegando a concha e trazendo até Jay. – Escuta aqui – ele tira os cabelos de Jay que estavam soltos e coloca-os para trás, e em seguida coloca a concha em seu ouvido, a mesma não para de olhar para ele. – Escutou?

– Ah... Sim... Lindo – ela fala envergonhada.

– Lindo mesmo é esse lugar – ele fala admirando o lugar.

– É realmente lindo, mas fica mais perfeito quando se está em companhia de quem nos faz bem.

– Pois para mim está perfeito, estou em um lugar lindo e ao lado da minha bobona – Alj fala segundo a mão de Jay. – Se bem que esse vento não está muito legal.

– Como não? Sente só a brisa. Nossa, é perfeito! Se você não estiver gostando é porque você é muito estranho – ela fala colocando os dedos nas bochechas dele e apertando de leve.

– É... Eu devo ser muito estranho mesmo.

– O estranho e a bobona, que casal perfeito!

– Somos um casal? – Alj pergunta.

– Ainda não, só falta alguém pedir alguém em namoro, sabe?

– To te esperando, então.

– Me esperando para quê?

– Nossa, que lerda que você é! Jay, minha bobona, você quer?

– O que?

– Namorar um estranho?

– Se esse estranho for você, eu quero – Jay fala se levantado para pegar outra concha que ela viu, mas ela se desequilibra e escorrega no mar.

– JAY! – Alj grita ao vê-la ela cair. — Está tudo bem? – ele pergunta ao vê-la boiando no mar, sem resposta dela, ele se desespera e pula na água. Puxa ela até a beira da praia e vendo que ela não esta respirando, ele faz uma respiração boca a boca. A mesma não reage então ele tenta mais uma vez.

– Estranho? – ela diz meio rouca.

– Bobona! – ele fala. E a beija novamente.

***

Sara e Áxel decidiram andar um pouco e avistaram um farol. Sara, com sua mente de aventureira, que na verdade não era tão aventureira assim, teve uma ideia.

– Vamos lá dentro? – ela pergunta. – Por favor, o mar fica maravilhoso lá de cima.

– Não, olha a altura disso – ele diz, com medo.

– Áxel Siqueira, sério que tu estás com medo dessa altura?

– Ok, eu vou – ele cede e Sara dá um selinho nele. Os dois começam a subir a escada, Áxel olha pra baixo e vê que está bem longe do chão, então decide chegar logo no destino. Enfim, os dois chegam.

Sara se encaminha até a ponta, onde tem uma luz enorme e olha a maravilha que é o mar do ponto onde ela está.

– É tão lindo! – ela diz e ele a envolve em seus braços.

– É lindo mesmo.

– Olha só, agorinha não querias subir aqui – ela gargalha.

– Por você, eu topo tudo – Áxel a vira e a beija. Um dos desejos de Sara era ser beijada em um farol, eis que o mesmo estava acontecendo.

***

– Aquele garoto ali, ele é bonito – Ana aponta.

– Nossa, você achando alguém bonito, ele tem que ser bonito mesmo – Letícia diz. O garoto era Paulo, ele se virou e Letícia confirmou. – Nossa, espera, vou jogar uma cantada – ela se levanta e Ana observa rindo. – Eita, hein, eu beberia o mar se você fosse o sal – Paulo se virou e começou a rir e deu uma piscadela. Leti olhou para Ana, a mesma gargalhava.

– Nossa, isso foi tão ridículo – Leti diz.

– E gay – ela diz. – Ele até piscou.

***

Hanna e Vivaldo, como sempre, estavam juntos, com a companhia de Andriele.

– Que noite linda Vivas – Hanna fala pegando a mão de Vivaldo.

– Sim, e você esta muito melosa hoje – ele fala e ela solta da mão dele.

– Idiota, não se pode nem mais ser legal com você.

– Ah, minha chata! Vem aqui – ele fala e a passa o braço em volta da cintura dela.

– Af, vocês não cansam de ser tão gays?

– Não somos gays elfo, se não viu somos um homem e uma mulher – Hanna fala brincando.

– Ah vá, eu jurava que você era um homem, Hanna – Andriele fala brincando.

– Hanna, olha lá, que céu lindo – Vivaldo fala apontando para o céu.

– Me deixa sair daqui, porque não mereço ver essas cenas – Andriele sai rindo dos dois.

– Amor, olha uma estrela cadente, faça um pedido – Hanna aponta para o céu quando uma estrela passa.

– Já fiz – ele fala virando o rosto dela para ele. – Sabe o que eu pedi?

– Não, com certeza deve ter pedido comida.

– Não, sua idiota, eu pedi para que os Deuses nunca deixassem você parar de me chamar de amor – assim que ele fala isso, um sorriso surge no rosto de Hanna, e ela o beija, um beijo longo.

***

A noite logo chegara. O reitor e os demais professores que vieram para supervisionar fizeram uma fogueira e todos se sentaram ao redor da mesma. Todos se encaravam, até que Letícia pegou o violão e juntamente com o resto do pessoal teve a ideia de cantar uma música.

– Qual música?

– Vento no litoral, que tal? – Felipe pergunta e alguns, os que conheciam, sorriem.

A melodia do violão começou a soar pelo ouvido de todos ali presente, Brenda juntamente com Ana Moreira e Ana Pfeifer começaram a cantar.

“De tarde quero descansar

Chegar até a praia e ver

Se o vento ainda está forte

E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso pra esquecer

Eu deixo a onda me acertar

E o vento vai levando

Tudo embora

Agora está tão longe

Ver a linha do horizonte me distrai

Dos nossos planos é que tenho mais saudade

Quando olhávamos juntos

Na mesma direção

Aonde está você agora

Além de aqui dentro de mim

Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou

Vai ser difícil sem você

Porque você está comigo

O tempo todo

E quando vejo o mar

Existe algo que diz

Que a vida continua

E se entregar é uma bobagem

Já que você não está aqui

O que posso fazer

É cuidar de mim

Quero ser feliz ao menos

Lembra que o plano

Era ficarmos bem

Eieieieiei!

Olha só o que eu achei

Humrun

Cavalos-marinhos

Sei que faço isso

Pra esquecer

Eu deixo a onda me acertar

E o vento vai levando

Tudo embora... ”