Hollow Spirit - Tudo termina onde começou
20 Por que verde se eu posso te deixar roxo?
Notas iniciais
– TODOS OS ALUNOS DE TODAS AS IRMANDADES DEVEM COMPARECER IMEDIATAMENTE NO AUDITÓRIO – diz uma voz, a voz do reitor, que sai de um alto falante em frente às casas das irmandades.
Os alunos param suas atividades e se encaminham em multidões para o auditório.
– O que será que aconteceu? – pergunta Erica, que andava junto a um grupo de alunos da Eruptidus.
– Nada grave – diz Victor – Meu pai não costuma soar assim quando algo ruim acontece.
– Então você é o filho do reitor? – diz uma voz agressiva atrás de Victor. Era Bah, acompanhada por uns alunos da Dazer. – Ingrid me falou que o reitor tinha um filho. Só não imaginava que ele ia ser tão bocó.
– Cala sua boca – diz Victor.
– Está querendo vomitar os órgãos?
– Bah, se controle – diz Dani.
Ela coça a garganta e abre caminho entre os alunos da Eruptidus, empurrando-os.
O ar frio entrava nos pulmões dos alunos da Vebnus e causava calafrios neles. Muitos eram friorentos, mas aproveitavam porque ficam mais bem vestidos com roupas de frio. Alguns não sentiam frio, como Sara, envolvida nos braços de Áxel.
No silêncio noturno, apenas os passos faziam barulho. Até vir uma luz, seguida de uma explosão, e os alunos da Vebnus se assustam e as meninas dão gritos.
– Essa foi boa, Rick – diz Dan, rindo.
– Não teve graça – diz Gina.
– Teve sim – Lyn ri – principalmente quando você gritou.
– Xiu, Lyn, que eu sei que você se assustou.
– Não me assustei, flw?
– Flw.
O silêncio retorna, mas logo se vai quando chegam ao auditório.
– Vocês devem estar se perguntando por que os chamei aqui – diz o reitor, quando todos já se acomodaram em suas cadeiras. – Bem, todo ano fazemos uma atividade coletiva entre as irmandades e misturamos os alunos, para assim formar dois times. Os times já foram sorteados, e como esse ano é a vez da irmandade Dazer escolher, eles escolheram um Caça-Bandeira com armas d'água – murmúrios de indignação e protesto tomam conta do auditório.
– Mas está de noite – grita Brenda.
– Sim, mas eles escolheram assim – diz o diretor.
– Mas está frio – reclama Lyn.
– Está com tanto frio assim, madame? — ri Ana Pfeifer.
Lyn solta um urro.
– Vai levar água na cara – diz ela.
– Veremos.
– Bem, mais alguma dúvida? — diz o reitor.
Não há manifesto algum dos alunos, então o diretor continua:
– Vou citar os participantes dos dois times, que correspondem às cores: Roxo e Verde, e vocês amarrarão uma fita da cor do seu time em seu braço direito.
"Time verde: Jaimara; André Galdino; Sara Cirino; Sara Santos; Linna; Duda; Andriele; Hanna; Dio; Áxel; Timbó; Thomas; Ana Moreira; Sarah; João Fray; Yuri; Matheus Gomes; Naty; Athos; Bruno; Felipe Aljarilla; Henrique; Clara; Felipe Miranda; Triza; Suuh; Paulo; Gorran; Mick.
Time roxo: Ana Pfeifer; Stefani; Barbara; Daniela; Ingrid; Rose; Virgínia; Maria; Vivaldo; Natália; Americo; Ricardo; Victor; Gabriel Braga; Letícia; João Coelho; Brenda; Gabriela Somavila; Wenzo; Myllana; Jamille; Netto; Gabriel Melo; Ellen; Isadora; Bruna; Tiago; Danilo; Barbara Rodrigues; Caroline; Isabelly.”
– Bom jogo a todos.
Após os dois times se agruparem em lugares distantes, ambos começam a trabalhar.
Há uma semelhança nos times: os alunos da Eruptidus montavam as estratégias. Os alunos da Dazer distribuíam as armas d'água. Os da Mercure faziam balões d'água. Os da Vebnus cobriam as pessoas com capas de plástico.
O time verde foi para uma praça no meio do enorme jardim do Campus. Eles ainda não escolheram um líder.
– Já que ninguém quer ser, eu me voluntario como líder – diz Felipe.
– Fica quieto, você não lidera nem aqui e nem na China – diz Lyn. – Batata quem deve liderar.
– Batata?
– É, Sara Santos.
– Melhor nã... — começa Sara.
– Xiu, você vai liderar, batata. Alguém tem algum plano?
– Nós temos – diz Julia e Triza ao mesmo tempo.
– Digam – diz André.
– Bem, um grupo ataca e se rende, e o outro da à volta por fora, escondido, e pega a bandeira – diz Triza.
– Tipo uma isca? – diz Athos.
– Sim.
– Tenho um melhor – todos encaram Lyn. – Podíamos pintar as faixas de roxo, assim passaríamos invictos por eles.
– Mas isso seria trapaça, não? – questiona Bruno.
– Bem coisa da Mercure – ri Ananey.
– Quem me dera. Sou Vebnus – diz Lyn.
– Ainda da pra mudar.
– Posso pensar.
– Ok, vamos focar no plano? – diz Mick.
Eles se reúnem, e quando tudo está decidido, André e Felipe distribuem as armas.
– Ok, como diz a Julia, eles provavelmente estão a leste – diz Sara. – Todos já sabem o que fazer. Vamos ganhar!
Os alunos se dissiparam para concluir suas funções. Colocaram a bandeira no topo de um chafariz.
No time roxo, Ingrid ficara responsável por liderar o grupo, e ouvia o plano que os alunos da Eruptidus elaboraram rapidamente.
– Então metade se esconde perto da nossa bandeira, e quando eles vierem, atacamos – diz Gabriel.
– Parece um bom plano, mas acho melhor colocarmos a grande maioria pra atacar – diz Maath. – A maioria daqui pertence à Dazer, e a maioria de lá são da Vebnus.
– Mas...
– Sem mas – diz Ingrid – Matheus tem razão, a gente carrega.
– Ok, depois não digam que não avisei.
Ingrid, ignorando os comentários de Gabriel e distribui as funções. Como a maioria é da Dazer, os mais altos e fortes pegam as armas mais potentes.
– Quero aquela com mira – diz Sté.
– Ops, já peguei – ri Leti.
Todos se colocam em prática, e a localização da bandeira fica no galho alto de uma árvore.
A batalha rolava perigosa, e o time verde estava indo mal. Como a maioria de alunos da Dazer estava no time adversário, tiveram que dobrar seus cuidados e só atacar se necessário. Fê, Jay, Felipe Aljarilla e os alunos da Mercure atacavam, usando balões d'água, seguidos por Lyn, Ananey, Julia e André, que ficou responsável por cobrir Julia, pois só ela sabia a direção da bandeira inimiga.
– Não da pra fazer nada com essas pistolas – diz Lyn. – Meu irmão é maluco às vezes.
– Eu o ajudei a roubar um pato – diz Ney – Posso confirmar.
Elas riem, e André pede silêncio.
– Até que eles formam um casal shippável – diz Ney, observando André e Julia conversarem.
– É, tem razão.
Tudo corria silenciosamente, até um barulho de água espirrando começa a ecoar no breu da mata.
André protege Julia atrás da árvore, e com isso, Lyn aproveita para colocar um plano em prática – um plano que todos consideravam trapaça.
– Você vem? – pergunta Lyn.
– Claro – responde Ananey.
Lyn tira um frasco roxo do bolso, e tinge sua faixa verde.
– Ataquem até que eles fiquem com os lábios roxos de tanto frio – diz Matheus.
O time inimigo estava sendo massacrado, mas isso não impediu de que ele levasse um jato de água fria na cara. Ao olhar para a direção de onde o jato partiu, vê que é seu irmão, Michael.
Ele revida, mas sua arma não é potente o bastante.
– Bater em retirada – grita Fê, que comandava o ataque do outro time. Alguns – os mais fortes – conseguem sair, mas os que não resistiram ficam.
– Amarrem-nos, vamos continuar – diz Ingrid – Ana e Gabi tomem conta deles.
O resto do time Roxo segue em frente, enquanto as duas tomam conta dos amarrados. Ana chega a zombar deles e pergunta se estão com frio.
De repente, duas garotas com faixa roxa aparecem. Uma ela reconhece por ser Ney, a que fez parte do plano pra roubar o Quak, e a outra é Lyn, garota que estava louca pra massacrar. Sua mente fica confusa, pois ela tinha certeza de que Lyn pertencia ao outro time.
– O que fazem aqui? – pergunta Ana.
– Viemos tomar conta deles – diz Ney.
– Nós já fazemos isso.
– Mas vocês são fracas, tanto que fico impressionada por esses caras amarrados não terem escapado – diz Lyn.
– É mesmo? E quanto tá a pamonha?
– Não sei, você que vende.
Ana parte para cima de Lyn, e as duas começam a se estapear. Gabi e Ney tentam separá-las, mas Ney para, levanta a arma e acerta o rosto de Gabi, atirando várias vezes, até que acerta os olhos. Logo Ney solta o pessoal amarrado da sua irmandade, amarra Gabi e se volta para Lyn e Ana.
Elas se estapeiam feio, ambas descabeladas. Ney gosta de treta, mas quer logo vencer, então atira contra o rosto de Ana e a amarra junto com Gabi na árvore.
– Vai ter volta – diz Aninha.
– Fiquem aqui – diz Ney para seus amigos de irmandade, enquanto Lyn se ajeita – nós duas vamos seguir, já que estamos disfarçadas. Qualquer coisa alertaremos vocês.
Elas seguem em frente, deixando o grupo pra trás.
***
Sara e Áxel ficam de mãos dadas, observando as estrelas. Áxel beija seu pescoço, e vai em direção aos seus lábios, até que o barulho de passos apressados o interrompe.
– Eles estão vindo, preparar o ataque – grita Jay.
Todos se posicionam e a batalha começa. Alj e Jay cobrem um ao outro, e conseguem retardar grande parte dos atacantes. Suuh e Duda atiravam água de trás de uma plantação de flores. Timbó saca uma pistola e mira contra Victor, mas Letícia dá um chute em sua arma, que voa longe. Mick defende Naty dos ataques de Guut e Isadora, que defendem Bruna. Triza e Hanna atiram contra Davi e Vivaldo sem parar, que não revidam. Duda e Paulo pegam uma mangueira e molham a maior quantidade de pessoas possível.
A defesa estava fazendo efeito.
Ananey e Lyn caminham pela floresta escura. Passam de boa por uns membros do time adversário, que as libera por conta da faixa roxa. Ney já até consegue ver a bandeira do time inimigo, Lyn não.
– Está no topo daquela árvore – aponta Ney.
– Acho que estou vendo – diz Lyn, acelerando o passo.
– Cuidado, a defesa deles pode ser forte.
– Ah é, realmente forte. Fujam para as colinas, tem um garoto muito assustador – ri Lyn, após elas se depararem com Gabriel Braga.
– Vocês não me enganam, sei que não são desse time – diz ele.
– Tem razão, por isso você vai ficar quietinho – Lyn saca a arma e atira nos olhos dele. Depois Ney o amarra.
– Ney, fica de quatro – diz Lyn.
– What?
– Calma, não vou te comer, até porque não tenho o troço, só quero subir nas suas costas e pegar no primeiro galho.
– Ah, ok.
Ney fica de quatro e Lyn sobe nas suas costas. Logo Ney se levanta e observa Lyn escalar a árvore.
– Vai logo – grita preocupada, pensando que o outro time possa estar prestes a vencer.
O som de galho quebrando deixa Ney preocupada, depois Lyn grita e cai de costas no chão. Pra sorte dela, o chão estava coberto de folhas secas.
– Está bem?
– Estou.
– Legal, agora vamos.
Elas correm pela escuridão silenciosamente, em direção à vitória. Venceram – ou não.
***
– Toma essa! – grita Dani, ao atirar um balão de água em Fê. – Isso foi pela minha guitarra quebrada.
O time roxo estava perto da vitória, cerca de três metros. Literalmente, pois Ingrid estava a três metros do chafariz.
Só que, infelizmente, há uma pessoa entre o chafariz e ela: Sara.
– Saia da frente, vocês perderam – diz Ingrid.
– Não vou!
Sara não seguraria por muito tempo, já que Áxel estava ocupado atirando em Americo e Matheus, então tinha que concordar com Ingrid: perderam. Mas ela discordava em algo: não vai abrir caminho.
– Bem, já que não sai por bem, sai por mal.
Ingrid parte para cima de Sara, que a segura com os braços. Ingrid tenta chutar Sara, que, graças à suas aulas de Judô, consegue aparar o golpe.
Por fim, Ingrid derruba Sara para o lado. Ela já pode sentir a bandeira em suas mãos, mas uma voz alta chama sua atenção:
– VENCEMOS! – grita Ney.
O reitor, que observara o jogo de trás da moita, apita e aparece.
– O time verde venceu! – diz ele.
O time verde comemora e se recompõe do massacre. A felicidade gerava o calor, e por isso muitos já não sentiam mais frio.
– Ah! Eles trapacearam – diz Ingrid. – Linna e Ananey pintaram suas faixas de roxo.
Toda a comemoração é interrompida.
– Não sabem ganhar honestamente, suas trapaceiras! – Diz Ingrid.
– Cala a boca! Isso foi uma estratégia, aceite a derrota – revida Lyn.
Ingrid parte para cima dela, e ambas começam a se estapear. Mas logo são interrompidas por muita gente – nenhuma da Dazer.
– PAREM AS DUAS! – grita o reitor. – As duas, direto pra minha sala, agora!
Elas se ajeitam prontas para segui-lo.
– JOGO ENCERRADO. VITÓRIA ANULADA. DISPENSADOS.
A multidão se dissipa. Uns vão pra florestas e outros voltam pras irmandades tossindo.
E a briga não é apenas entre Lyn e Ingrid. E a confusão não para por aí.
***
O clima da Mercure estava animado para poucos e desanimados para outros. Pouca parte do pessoal que residia naquela irmandade havia ganhado o caça bandeira, mas outros estavam putos pela “injustiça” de alguns.
– Alguém viu o Americo Bezerra? – A voz do reitor entrara no salão.
– Vish, o que ele aprontou dessa vez? – Ananey brincou.
– Será que quebrou a porta dessa vez? – Gargalha Gabriela.
– Eu. – Americo saiu de dentro do quarto.
– Olá, posso falar com todos vocês?
– Já está falando, né. – Rick diz. O mesmo estava com mau humor.
– Bom, estou elegendo um representante pra cada irmandade. A minha escolha é o Americo. Vocês são responsáveis por escolherem um símbolo para sua irmandade e o Americo será responsável por todos vocês.
– ESTÃO ME OUVINDO?! – Americo grita. – EU QUE MANDO NESSA PORRA. – Todos gargalham.
O dia fora corrido, todos davam ideias e traziam papeis com vários desenhos para Americo consultar. O mesmo não sabia o que colocava como símbolo da irmandade, mas do nada, Gabriela e Ricardo trazem uma ideia magnifica.
– Pode ser uma bomba. – Gabriela disse. – Como somos uma irmandade da zoeira.
– Falar nisso, tenho altas bombas ali. – Rick diz.
– Ela pode estar prestes a estourar, sendo preta e o fundo branco. – Ana Moreira diz.
– E coloca uma carinha nela. – Rick diz sorrindo.
– Que gay, Rick. – Gabriela diz e o mesmo gargalha.
– Não é que vocês prestam pra alguma coisa mesmo? – Americo disse. – está decidido.
***
– Ela é tão ridícula, com essa mania autoritária, e ainda acha que manda em alguma coisa. – Ana dizia, se referindo a Linna.
– Eu odeio aquele povo da Mercure. – Jay diz. – Exceto o Americo, ele é pegável, estuprável e comível.
– Bom dia alunos. – A voz do reitor entrara tão grave que Jamille e Rose pularam no mesmo segundo. – Assustaram?
– O que você quer? – Disse Felipe, o mesmo estava com Letícia e o pc legal.
– Falar com vocês.
– Agora não, estou com o pc legal.
– Hã?
– Fala logo!
– Quem é Ingrid Paiva?
– Eu. – Ingrid levantara.
– Olá, alunos. Bom, vim eleger a Ingrid como representante da Dazer. Ela ficará responsável por tudo, pela irmandade e inclusive responsável por vocês. Ah, vocês tem até oito da noite para me entregarem um símbolo que representem a irmandade de vocês. Bom dia.
– Ninguém manda em mim. – Stefani diz. – Eu em.
– Eu mando. – Ingrid disse e levantou a cabeça com um olhar autoritário.
– Pareceu até a Linna agora. – Ana disse.
– Fala sério?! – Alj diz e olha pra Jay.
– Essa coisa de mudar de representante do nada! – Bah diz.
– Algum problema, Barbara? – Ingrid diz. – Ajoelha no milho.
– Estive pensando em uma garra para o símbolo. – Letícia disse, lá do canto, quase ninguém a vira. – No fundo seria vermelho, representando o sangue. – Ela arregalou os olhos.
– Boa ideia. – Felipe diz. – E a garra poderia ser preta, com alguns detalhes brancos, talvez.
– This! – Letícia diz e os dois sorriem.
– Boa ideia, Leti. – Ingrid diz. – Desenhem isso ai.
– Eu já dei a ideia, desenhar não é comigo.
– Eu desenho. – Coelho diz. Minutos depois estava pronto.
– Bicha, tu é destruidora mesmo, hein?! – Ingrid diz.
***
Todos na Eruptidus estavam estudando, exceto Matheus. Ele havia descoberto sobre o símbolo há uma semana e não fora surpreendido pelo fato de que o reitor entrara correndo.
– Olá!
– Olá, reitor. – Erica disse. – Olha, não fizemos nada.
– Eu sei. – Ele ri. – Cadê o Matheus?
– Eu.
– A eruptidus foi à primeira irmandade, a saber, que precisaria de um representante e foi a primeira a ter um. Portanto, vocês já pensaram no símbolo, né?
– Sim, reitor. – Matheus disse. – Éder teve a ideia de uma ampulheta.
– E o que significa?
– Bom... Tem um grande significado pra mim, é como se eu fosse uma ampulheta, sabe? – Naty havia chegado nessa hora. – É incrível o significado, mas eu não consigo expressar... E além disso, esse significado é só pra mim...
– Ok, como será?
– Pensamos em azul e branco. A areia poderia ser branca, o resto azul, poderíamos intercalar os azuis, entre claro e escuro. – Éder disse. – Foi isso que eu pensei, mas se vocês tiverem outras ideias.
– Eu pensei em um óculos, porque aqui só tem gente inteligente. – Naty diz.
– Ter óculos não define a inteligência de ninguém. – Netto diz.
– E uma ampulheta define? Eu, sinceramente, preferia que não fosse uma ampulheta! Ela só tem significado para o Matheus. Não para nós, nem para mim. – Ela diz.
– Mas o dever de pensar no símbolo é responsável por mim, não por você. – Matheus disse e Naty se calou.
– Decidido, então? – O reitor disse.
– Decidido.
***
– SÉRIO? ELE TE REPROVOU? – Brenda berrava.
– Desde o primeiro dia de aula ele sempre me odiou, não me surpreenderia se me passasse. – Bruna diz.
– Mas você não pode ficar, Ursinha. Seus pais vão te matar! – Virginia disse.
– É, eu sei...
– MENINAS! – Hanna diz e encara Virginia. – E meninos. – Ela sorri.
– Tivemos uma ideia bem legal. – Virginia diz. – Um correio elegante na faculdade.
– Que coisa de primário. – Paulo diz. – Gostei.
– A Hanna vai sair hoje no intervalo e ver se alguém quer, talvez só um teste. Será leg...
– OLÁ ALUNOS. – O reitor gritara.
– O que foi?! – Sara diz.
– É com a senhorita mesmo que quero falar. – O reitor riu. – Você é a nova representante da Vebnus, está responsável por todos, e precisa urgentemente criar um símbolo e me mandar no mais tardar, oito horas.
– Um símbolo?
– De acordo com a irmandade.
– Tudo bem.
Ele saiu às pressas.
– Eu não sei no que podes ser...
– Que tal um espelho? – Tico diz.
– Não, muito comum.
– Unhas? – Hanna diz.
– Unhas, Hanna? Os garotos por acaso pintam as unhas?
– JÁ SEI! – Paulo disse. – UMA ESTRELA! SABE POR QUÊ? SABE POR QUÊ? PORQUE EU SOU UMA ESTRELA.
– Concordo com a parte que pode ser uma estrela. – Axel diz.
– Mas você não é uma estrela aqui nem na China. – Arthur completa.
– E AINDA COLOCA UM OCULOS PRA DEIXAR BEM TOP NA BALADA. – Paulo diz.
– AMEI ESSA IDEIA. – Duda diz.
– Pode ser. – Sara diz. Ela não estava muito bem, então qualquer coisa que falasse ela poderia concordar.
Ao desenharem, Sara ficou em um canto lendo um pouco sobre alquimia.
– Alquimia. – Axel disse lendo a capa do livro.
– Oh! Tu sabes ler, que descoberta. – Sara disse ironicamente.
– Sabia que alguns alquimistas quiseram produzir a Pedra Filosofal?
– Aposto que sei mais do que tu.
– Será?
– Nem precisas perguntar. Eu fico o dia todo lendo enquanto tu ficas em cima de qualquer garota que passes ao teu lado.
– Sara...
– Não, Axel. Por favor, não quero ser um peso.
– Você não é um peso, de forma alguma. – Ele diz. – E se for, é o peso mais lindo e perfeito do mundo. – Ela sorri, mas logo volta a si.
– Não adiantas falar o que tu falas para todas as tuas raparigas, eu não vou cair.
– Eu não tenho outras raparigas, eu não tenho todas. Eu só preciso de uma.
– Então vais atrás dela, e não volte.
– Ela está bem diante de mim.
Ela tenta se levantar, mas Axel puxa sua mão e a mesma cai por cima dele. Os dois se beijam na mesma frequência que a chuva cai lá fora, rapidamente e velozmente. O folego faltava, mas a vontade de ficarem juntos foi maior do que todas as outras barreiras. – inclusive, uma delas, era todas aquelas pessoas dentro do salão.
***
– ME ESPERA! – O grito de Jay, no meio da chuva ecoava. Letícia correra rapidamente para dentro da escola, mas Jay era lerda e ficou para trás.
– Ai que ódio que eu tenho! Ninguém me espera! – Jay falava sozinha, agora que já estava encharcada não adiantava mais correr, mas ela decidiu correr e colidiu com outro corpo – talvez mais molhado que o dela e mais masculino. Os dois caíram no chão, Jay caíra por cima do tal garoto. Esse tal garoto era Alj.
– Uou... – Ele disse. – Não olha por onde anda, bobona?
– Como vou olhar se você está no meio? – Ela o encarou por um segundo, seus rostos estavam quase colados.
– Tecnicamente, você esta no meio.
– Eu to em cima de você. – Ela diz e percebe que ele encara o céu. – O que foi?
– As suas coxas, estão... Você sabe... Grudadas em mim. Isso é surreal. – Ele diz brincando com a cara dela.
– Idiota! – Ela cai na gargalhada. Os dois se encaram por um momento. Esse momento durou pelo menos uns dois minutos até que Felipe a beijara. Fora um beijo apaixonante, com uma reciprocidade enorme e duradoura. Jay percebera que a chuva caia cada vez mais forte e que nada, nem isso, mudavam o fato de que o beijo estava sendo mais forte do que qualquer outra chuva.
***
A chuva cessou e o sinal tocara, todos foram para o intervalo e Hanna e Gina prepararam os papeis e andaram pela faculdade. A primeira pessoa que elas avistaram foi André.
– Oi André. – Gina diz.
– Oi, o que vocês querem? – Ele diz antipático.
– Estamos com correios elegantes aqui, bem, você sabe como funciona, não é? – Hanna disse.
– É claro que você gosta de alguém... Você pode mandar o correio e ela nem saberá quem é você! – Gina diz.
– Hm... Tentador, mas não. – Ele diz saindo.
– Ei, espera! Eu sei que você gosta da Julia, ok? Não adianta disfarçar. – Hanna diz. – Ela ia adorar receber um correio elegante, mesmo não sabendo quem foi que mandou.
– Ah, ok. – Ele pensa um instante. – Como sabe que eu gosto dela? Bom, vou enviar para ela. Coloquem assim “Gata, me chama de ombro e vem dar um beijinho em mim.” – As duas gargalham. – Tchau.
– Ok, agora vamos atrás da Julia. – Gina disse e as duas saíram atrás da Julia. A mesma estava no jardim, lendo seu livro.
– Oi, Julia. – Hanna diz. – Temos um correio elegante pra ti.
– Um o quê? – Ela diz.
– Correio elegante, você sabe como funciona. Então, tem um pra você.
– Sério? – Entregaram a ela e ela abriu um sorriso, quando ela leu o que estava escrito caiu na gargalhada. – Quem enviou?
– Eu não sei. – Gina olhou pra cima e assobiou. – Temos que ir, tchau.
As duas saíram rindo e encontraram Alj olhando pro céu com um olhar apaixonado.
– Hm, tá apaixonado, é? – Hanna diz.
– Como você adivinhou? – Alj diz despercebido. – Pera, não! O que vocês querem?
– Quer entregar um correio elegante pra ela?
– Correio elegante? Que coisa de primário, vocês não acham?! Vocês já estão na faculdade, vamos maneirar...
– É SÓ UMA FORMA DE SE DIVERTIR, ALJARILLA. – Gina diz.
– Eu sei, então manda um pra Jay. – Ele pensou um instante. – Assim: “Oi gata, você gosta de estrelas? Porque eu conheço um motel com cinco”.
– MEU DEUS, SAFADO! – Hanna ri e as duas saem atrás de Jay. Fora difícil encontrar a mesma, elas foram até a porta da Dazer e deram de cara com Ingrid.
– Oi, a Jay está ai? – Gina diz.
– O que vocês querem aqui, formigas?
– A Jay está?
– Ela está lá dentro. Pra que?
– Entregue isso a ela.
– Tenho cara de coruja? – Ela toma o negócio da mão das meninas e entra.
Jay estava no salão com Letícia e Stefani.
– Jay, tem um papel pra você. – Ingrid a entrega.
– O que é isso? – Jay diz.
– Um papel. – Letícia diz.
– parece um correio elegante. – Stefani diz. – Bons tempos...
– “Oi gata, você gosta de estrelas? Porque eu conheço um motel com cinco.” – Jay leu em voz alta e as três caíram na gargalhada. – COMO ASSIM?! SOCORRO.
A jornada de Gina e Hanna ainda não havia acabado, portanto, Hanna foi chamada na diretoria.
– Quero que tu envie um pro Vivaldo enquanto eu vou lá. – Hanna diz.
– Como você quer? – Gina diz.
– Gato, me chama de estados unidos e me U.S.A.
– O.k.
Gina encontrou Vivaldo estudando.
– Olá, Vivas.
– Agora não, Gina. Estou estudando.
– E eu estou juntando casais. – Ela sussurra.
– Hã?
– Tenho um correio elegante pra ti. – Ela entrega o papel.
– Gato, me chama de estados unidos e me U.S.A. – Ele lê rindo. – Quem mandou isso?!
Gina saiu antes que pudesse responder e tombou com Americo.
– NOSSA, VOCÊ É TÃO PEQUENA QUE NEM TE VI, ME DESCULPA.
– Oi moço gigante, quer mandar um correio elegante pra alguém?
– Correio elegante? Sério? Nossa, que saudades disso! – Ele diz. – Quero sim...ã... Manda um pra Ingrid, sabe quem é, né? A durona da Dazer... manda assim: Ó filha, o teu pai devia ter a régua torta para te fazer com curvas assim.
Gina ria tanto e quando encontrou Ingrid e a mesma pegou o papel, ficou com medo de levar umas bolachas.
– Ó filha, o teu pai devia ter a régua torta para te fazer com curvas assim. – Ela lê. – Meu Deus! Isto-tem-dedo-do-Americo! – Ela ri.
Gina encontrara Éder e o mesmo enviara um correio para Erica. Mal sabia ele que ela estava namorando. Gina estava cansada, mas avistou Wenzo.
– Oi Wenzo. Quer mandar correio elegante?
– quero! Mas eu mesmo posso entregar?
– Então não é correio elegante. – Ela diz. – mas pode sim. – Ela entrega o papel e Wenzo escreve: me joga na parede e me chama de lagartixa. E seguiu até o pátio, onde se encontrava Letícia, Ana, Felipe e Jay. Os quatro estavam estudando e Ana estava com seu dicionário na mão.
– Quem é esse menino? – Ana aponta. – Ele fede e está se aproximando.
– Ana? – Wenzo diz.
– O que é?
– Tenho algo pra você. – Ele entrega o papel. Felipe e Letícia seguram pra não rir e então Ana lê em voz alta.
– Me joga na parede e me chama de lagartixa.
– Me joga? – Ele ri.
– Te jogo no chão e piso em cima, só se for, né.
– Seje menas agressiva, gata.
– O QUE?! – Ana levantou com um pulo e jogara o dicionário na cara de Wenzo. O mesmo tenta se defender e quando ela para de bater nele, ele a encara.
– Eu te pago um salgado.
Ela o encara mortalmente e o mesmo sai.
Jay, Felipe e Letícia gargalhavam alto enquanto Ana estava puta.
– Vamos estudar? – Jay diz segurando o riso.
– Não.
– Eu te pago um salgado. – Letícia diz e todos riem.
***
Matheus e Tico andavam pelo pátio, os dois estavam chateados por causa de uma coisa: o amor. Ah, o amor! Ele sempre trás problemas para as pessoas onde quer que elas passem.
– Eu não consigo pensar em mais nada, Tico. – Matheus dizia e Tico arregalara os olhos para uma coisa que acabara de ver. Naty e Michael entrando abraçados dentro do pátio. Matheus estava de costa, mas quando vira a reação de Tico, ele simplesmente virou e viu o pior. Seu coração estava congelado, mas pareceu que, em questão de segundos, uma nevasca mil vezes pior do que a que estava acontecendo chegou, e simplesmente desabou. Logo o seu irmão?! Com tantos garotos por toda a universidade e ela estava logo com ele? Ele levantou por um segundo, mas Tico o segurou, ele estava tão nervoso que era possível derrubar qualquer um que chegasse ao seu caminho.
– Calma, Math. – Tico disse. – Olha pra mim. Olha pra mim. Vamos pro jardim, ok? Sara, Bah e o resto do pessoal estão lá.
– Tico, você quer piorar as coisas? Eles me odeiam.
– Vamos só sair daqui, ok? – Matheus assentiu e os dois saíram dali.
***
Matheus estava furioso, andara pelo corredor e teve a sorte – ou não – de encontrar Michael vagando por acaso pelo corredor.
– Hey irmão – diz Michael, sorrindo ao reencontrar Matheus. Mas a expressão no rosto do seu irmão era de ódio.
– Como você consegue ficar com ela sabendo que eu estou presente? – Matheus grita, já em cima de Michael.
Michael não sabia como reagir ou o que dizer. Esqueceu-se de que Naty é ex de Math, e agora tem que segurar esse chumbo quente.
– Depois que você foi embora, Naty chorou por semanas – diz Michael – E eu a consolei, e depois foi indo, fomos ficando mais próximos. Até que aconteceu.
– Achei que você seria um irmão, não um pedaço de merda! – Matheus grita novamente, todos que passavam pelo chafariz pararam por um instante. O nervosismo e a arrogância saiam pela sua pele, seu suor era tão grande que escorria. – Achei que você fosse fiel e leal. "Até que aconteceu"? — Math ri de deboche. — Desde criança você sabe o tamanho do meu amor pela Natali. Sempre soube! Mas sabe o que você é agora? Agora você não passa de um nada pra mim. — Felipe, Ana, Jay e Letícia gritavam no fundo. Todos estavam atentos para ver o que aconteceria.
– Matheus, você tem de entender de que não se controla essas coisas, e quer saber? Pra mim você também não tem a mínima importância. – retruca Mick. – Pois é. Você nunca teve significado pra mim, principalmente brincando com aquela ampulheta ridícula – continua ele – era ampulheta ou será "ampunheta"?
Algumas pessoas riem ao redor, e Matheus parte pra violência.
Ele pega Michael, que sempre foi mais forte do que ele, e afoga a sua cabeça com tudo na água. Michael se debate e tenta se soltar, mas a raiva é mais forte do que qualquer coisa. Por fim, Matheus o solta e seu pulmão se enchem de ar novamente.
– Você é louco, poderia ter o matado. – Naty aparece gritando e correndo para perto de Mick que estava procurando ar.
– Agora quem vai matar sou eu – diz Michael. Ele avança para cima de Matheus, mas Naty entra no meio deles.
– Mick, pare! Não vale a pena, pare, por favor?! — Naty implora para que os parem.
– Natali, por favor, saia da frente. – diz Mick. – Vou carbonizá-lo e depois fumar suas cinzas.
– Você acha que isso vai mudar algo? Mick, ele é passado para mim, esquece isso, vamos embora – diz Naty se colocando na frente de Mick e o empurrando para trás.
– Você consegue dizer isso agora, não é mesmo? Você esqueceu-se de tudo que passamos naquela merda de orfanato? – Matheus não tinha palavras quando o assunto era Natali.
– Como eu disse aquilo foi passado, eu sofri muito. Agora eu quero ser feliz, e eu estou sendo, não atrapalhe. – Naty fala enchendo os olhos de lágrimas.
– A briga é entre mim e ele. Ficaria grato se não se metesse mais. – Matheus diz empurrando Naty, Michael ficara mais furioso ainda.
– A empurra mais uma vez, que eu te mostro quem é o homem daqui, nós não temos culpa se você sumiu por anos, nós tínhamos que continuar a nossa vida. Eu não ia parar minha vida porque um garoto mimado e babaca queria. – Mick fala com raiva.
– Ah! Agora vai dar um de apaixonadinho? Awn, realmente muito fofo. – Matheus ri. – Anos trás você a odiava.
– Odiava, falou certo. – Mick diz. – As coisas mudam. Inclusive, não existe mais irmãos quando se trata de Michael e Matheus.
Matheus acerta um soco no queixo de Michael, e o mesmo revida com um direto de esquerda no nariz. Ambos são atingidos e sangue é derramado, até que Americo e Tico chegam e o separam.
– Você podia ter me deixado terminar de quebrar o nariz dele. – Matheus diz. Agora já estava longe junto com Americo e Tico.
– O que foi aquilo?! – Tico disse.
– Você sabe muito bem.
– Eu não. – Americo disse. – Mas não é importante pra você, e nem pra mim.
– Ok, eu era de um orfanato, ok? Morei desde pequeno, desde que me conheço como gente. Michael era meu irmão. Eu sempre fui um ridículo e grosso, mas eu mudei, a Natali me fez mudar. Tudo estava dando certo, até que eu fui adotado, tive que deixa-los pra trás e isso me deixou pior do que eu era. Agora, os dois namoram. Eu...Eu não sei o que eu faço em situações como essas, eu sou um idiota. – Matheus coloca a mão na cabeça.
– Eu estarei do seu lado mesmo você sendo idiota. – Americo disse.
– O que é verdade. – Tico completa.
***
Michael aparece no portão da Vebnus, onde tinha marcado de se encontrar com Naty. Ele estava cheio de hematomas, e tinha uma marca em seu queixo.
– Olá Natali — diz.
Michael se aproxima dela, mas a mesma vai pra trás. Ela tinha um ar triste, e parecia prestes a chorar.
– Desculpa por hoje, eu..
– Não quero falar sobre hoje – diz ela.
Michael fica confuso, e nota uma carta na mão de Naty.
– Então sobre o que quer falar?
– Bem, não sei como fazer isso, mas precisamos terminar.
Ela disse aquilo de uma forma natural, o que o surpreendeu.
– Vai terminar comigo por pena?
– Não. – diz ela. Lágrimas escorrem de seus olhos.
–Então por quê?
Naty abre a carta em sua mão e mostra para Michael.
– Fui convidada para estudar em Oxford.
– Oxford? Inglaterra? – pergunta Michael, não acreditando.
– Sim. Mudo-me depois de amanhã.
Ele não sabia o porquê, mas não estava triste. Nem acreditava que aquilo de fato estava acontecendo.
– Vai, diz alguma coisa – diz Naty, secando os olhos.
– Bem, estou feliz por você – diz ele – foi bom enquanto durou. É um recorde pra mim.
Ela sorri, e depois guarda a carta.
– Acho que vou indo – diz Michael – estou de fato feliz por você. – Ele estava feliz, mas havia alguém que não ficaria feliz com isso nem aqui, nem na China. Mesmo com o fato de que ela o odiasse. Esse alguém era Matheus.
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