Hollow Spirit - Tudo termina onde começou
16 Nem tudo são mares de rosas.
A noite chega quando quase todos os membros da Dazer resolvem se reunirem na sala da mansão. Uma garota loira dos olhos azuis escuro chama atenção de todos tirando algumas revistas de uma mesa, jogando-as no chão e subindo em cima.
– Atenção, gentalha! — Apesar de insultar todos que estavam ali, ninguém fez questão de se defender. Preguiça ou desinteresse, como desejam. — Como todo veterano já sabe, e creio que vocês novatos já devem ter ouvido sobre, nós costumamos fazer algo no começo do ano...
– Pra quê? – pergunta um garoto baixinho.
– Para nos divertir, é lógico. E para ver algumas caras assustadas e coisas do tipo. Não me interrompa.
– Continuando; nós geralmente fazemos essas ''brincadeiras'' à noite porque é claro, de noite é muito mais divertido. No ano passado assustamos tanto que teve gente que se urinou de rir. — Alguns deram risadas abafadas, mas Sophie os interrompeu rapidamente. – Não estou brincando, babacas.
Toda a sala ficou em silêncio por alguns segundos, mas uma garota de cabelos pretos resolveu quebrá-lo.
– E... O que vocês costumam fazer? Tipo... Como funciona? — pergunta Elli.
– Pegamos bombas batom, as acendemos e jogamos nos vasos sanitários do banheiro principal — diz Sophie -, mas antes disso, pichamos "Mercure" na parede para não levarmos a culpa.
– Mas somos obrigados a fazer isso? – pergunta uma menina baixinha.
– Querida, como você se chama mesmo? – Sophie pergunta indo em direção a garota.
– Stefani – ela responde.
– Stefani, falarei bem claramente para você entender – Sophie fala a encarando – V-O-C-Ê-E-S-T-Á-N-A-D-A-Z-E-R. – Ela fala com um olhar psicopata. – Entendeu?
– Eu entendi, mas quem não entendeu foi você a minha pergunta – Stefani fala tentando ficar maior que Sophie. – Eu perguntei se somos obrigados a participar, não em qual irmandade eu estou. – Todos em volta soltam risadinhas, deixando Sophie que tem um rosto mega branco, ficar quase da cor de sangue.
– Vejo que alguns novatos aqui não são muito amigáveis. – Sophie fala tentando mudar o foco dela.
– Deve ser porque estamos na D-A-Z-E-R – Letícia fala e logo todos começam a rir.
– Argh... — Sophie continua com seu posto de durona. — Quem quiser participar, que participe. Quem não, só não atrapalhe!
Enquanto a maioria dos membros dizia que iria participar, os que não iriam deixavam a sala e iam aos seus dormitórios ou aos outros cômodos da mansão.
– Nessa caixa estão todas as bombas-batons que iremos usar — ela abaixa e pega uma caixa ao lado do sofá, levanta e direciona-se para a porta. — Sigam-me todos.
***
Enquanto isso, na irmandade Vebnus...
– Tu não achas que deverias estar na Eruptidus? Passas o dia inteiro lendo e só tiras notas altas — diz Triza à Julia, que está com Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban entre as mãos.
– Não sei Triza— Julia fecha o livro e a encara—, talvez.
– Por que não fala com alguém?
– Ã... Acho que não, antes de cada um ir pra sua irmandade, a pergunta que mais fizeram foi “vocês acham que estão na irmandade certa” e eu respondi que sim.
– Mas você não está. – Triza diz e se endireita na cama.
– Eu já percebi isso Triza, agora eu quero continuar lendo. Posso? – Julia fala voltando a abrir o livro.
– Eu só estava tentando ajudar – Triza fala com raiva, então se levanta e vai em direção ao banheiro. Julia olha para ela e revira os olhos.
– Eu sei que eu não devia estar aqui, eu sei – Julia retruca para ela mesma, enquanto volta a ler.
Do outro lado da sala, Sara e Lyn conversavam animadamente. – Estavam aproveitando enquanto não havia chego ninguém. –
– Batata, sabe do que eu to com vontade de fazer? – Linna pergunta.
– Assaltar um banco? – Sara responde a pergunta com outra pergunta.
– Não é isso, mas olha que não seria má ideia, você toparia? – Linna fala se curvando para Sara.
– Toparia o que? – Sara fala se aproximando mais de Linna.
– Roubar o banco, Batata! Seria o roubo do ano, você topa? – Linna fala quase sussurrando.
– Se você topar eu topo, você topa? – Sara fala sussurrando.
– Eu topo, mas porque estamos sussurrando, e respondendo perguntas com outras perguntas? – Linna pergunta.
– Não sei, mas é legal parece que somos criminosas, não acha? – Sara diz.
– Eu acho que precisamos de remédio, isso sim. – Linna fala e as duas caem na gargalhada, tirando a atenção de Julia do livro, o que a faz ficar com raiva.
– Eu realmente não deveria estar aqui – Julia fala se levantando da sua cama e indo em direção à porta.
– Calma, nós só estávamos brincando – Sara diz se levantando também.
– Esse é o problema, vocês só brincam, deveriam estar na Mercure e não aqui – Julia fala abrindo a porta.
– Olha que não é uma má ideia, pelo menos lá não tem gente mal humorada igual a você – Linna diz deitando na cama e cruzando os braços.
– Julia, acho que você que não deveria estar aqui, já que és inteligente, não que não somos, mas você se encaixa mais na Eruptidus – Sara fala voltando a se deitar. Julia a encara e sai batendo a porta.
– Ela é muito chata – Linna fala se endireitando na cama.
– Ela só esta confusa, daqui a pouco ela percebe que não se encaixa aqui – Sara diz.
– Deveria haver uma irmandade especial para gente chata, a ela e você iriam para lá – Linna fala rindo, e ao mesmo tempo uma almofada voa na sua direção.
– E poderia existir uma para pessoas idiotas, ai tu serias a única lá – Sara fala e Linna vai para cima dela, as duas caem no chão rindo feitas hienas.
– Sabe Batata, eu estava falando sério quando disse que ir para a Mercure, não seria má ideia, me encaixo melhor lá – Linna diz se levantando.
– Meu Deus, será que só eu que escolhi a irmandade certa? – Sara fala rindo.
– Eu também, daqui eu não saio, daqui ninguém me tira – Triza fala saindo do banheiro.
– Trizinha, estava fazendo o que aí, para ficar com esse cheiro? – Linna fala, e dessa vez leva uma almofadada na cara, e então todas começam a rir.
Já no corredor dos dormitórios, Julia esbarra com Lais, a representante da Vebnus.
– Opa, como vai Julia? – Lais pergunta.
– Bem... – Julia começa a falar, mas para e olha para o chão.
– Bem? Pareceu-me que você iria falar outra coisa. – Lais fala mexendo nos cabelos de Julia.
– Bem, eunãoqueropermaneceraquiporqueeupertençoaEruptidus,éisso. – Julia fala rapidamente e sem respirar.
– O-k-ay. – Lais fala calmamente. – Mas pense bem antes de sair, se quiser mesmo, me encontre na minha sala daqui uma hora para resolvermos.
– Obrigada – Julia fala deixando Lais sozinha.
– Porque isso sempre acontece na Vebnus? – Lais se pergunta olhando seu reflexo no espelho, quando ela percebe que tem alguém atrás dela. – Posso saber o que você esta fazendo na ala das meninas?
– Estava observando como você é linda. – Um garoto sai de trás de uma planta colocada entre as portas.
– Quem é você?
– Sou o Luiz, não se lembra de mim?
– Não, faça o favor de voltar para a sua ala.
– Só depois que você me dizer se tenho uma chance.
– Só terá uma chance comigo, depois que você aprender a ser gente. Agora me de licença que eu tenho coisas mais importantes a fazer. – Lais fala e da de costas para Luiz. Que sai com raiva para o seu dormitório.
***
De volta ao dormitório da Dazer, Jay se distancia de Daniela e se aproxima de Letícia e Stefani.
– Meninas, preciso da ajuda de vocês – ela fala eufórica.
– O que é? – Letícia pergunta.
– Amanhã é o aniversario da Dani, então temos menos de três horas para preparar algo especial para ela – Jay fala.
– Mas o que podemos fazer em tão pouco tempo? – Stefani pergunta.
– Que tal uma festa do pijama? – Uma voz surge atrás de Jay.
– Não me lembro de ter te perguntado algo – Jay responde a menina.
– Não estou fazendo isso por você, estou fazendo pela Dani. – a menina fala.
– Mas não precisamos da sua ajuda, Ana. – Letícia fala em tom de superioridade.
– Ô princesa de narizinho empinado, eu posso roubar algumas coisas da cozinha e levar para o nosso quarto, enquanto vocês preparam uma decoração cheia de frufrus, como vocês. – Ana fala.
– Eu vou deixar a sua cara cheia de frufru. – Jay fala.
– Tá, depois da festa você tenta fazer isso, agora vamos logo que o tempo está acabando. – Ana fala e sai rindo.
– Ela nos deu ordem? – Letícia pergunta.
– Não sei, só sei que ela é a única que pode fazer isso, e eu também não gostei da ideia, mas vamos – Stefani fala.
– Quem disse que ela é a única que pode fazer isso? – Letícia diz. – Espera! A Sté também está dando ordem a nós? – Letícia pergunta a Jay. – Todos resolveram mandar em mim?
– Letícia! Anda logo! – Jay fala rindo.
– Tá, estou indo – Letícia fala seguindo as meninas.
Quando chegaram à ala dos dormitórios femininos elas encontraram Elli, Ingrid e Barbara conversando em uma rodinha.
– Ei meninas por um acaso vocês teriam papel cartão preto no quarto de vocês? – Jay pergunta ao se aproximar das meninas.
– Eu tenho, de quase todas as cores, por quê? – Barbara pergunta.
– Para a Dani, então vai pegar e me traga, e vocês duas podem nos seguir? – Jay pergunta.
– Posso saber para onde? – Ingrid pergunta.
– Para o nosso quarto. Vamos fazer uma festa a Dani e precisamos de ajuda – Letícia toma a frente. – Agora venham.
– Okay, se é para a Dani, é claro que ajudo – Elli Fala.
– Viu? Agora eu dou as ordens. – Letícia sussurra para Stefani.
– Eu escutei isso Letícia. – Ingrid fala rindo.
Todas as meninas seguem para o dormitório e lá começam a arrumar e a enfeitar com as mais diversas criaturas feitas de cartão papel pretas, vermelhas, amarelo e prata, depois de mais ou menos duas horas Ana chega com Rose e Isadora carregando sacolas de salgadinhos, refrigerantes e guloseimas.
– Porque demorou tanto? – Jay pergunta enquanto pega as sacolas das mãos de Ana.
– Vai tentar entrar na cozinha daqui, ai tu vais saber – Ana fala se jogando na cama.
– Não vai ajudar a arrumar? – Sté pergunta a Ana.
– Eu trouxe a comida, já ajudei muito.
– Garota você me irrita, muito mesmo – Letícia fala colocando em ordem os salgadinhos. Ana só a olha e revira os olhos.
– Alguém precisa chamar a Dani – Ingrid fala.
– Eu vou, mas antes preciso chamar o irmão dela, e depois nós vamos atrás dela – Barbara fala. E então segue para a ala dos meninos e procura por Felipe o que não foi difícil achar, ele estava como sempre ao lado de Guut, que como sempre carregava um Toddynho.
– Felipe, FELIPE, Felipe! – Ela fala histérica.
– O que? — Felipe pergunta confuso.
– Fizemos uma coisa para a Dani e precisamos de você no dormitório da Jay, que fica ao lado do da Dani. Vai ter gente lá, pode levar o menino com você – ela fala rapidamente.
– La vai ter Toddynho? – Guut pergunta.
– Vai. Não sei. Lá tu descobres, agora vão. – Barbara fala.
– Mas o que é isso? – Felipe pergunta.
– Daqui a menos de vinte minutos é o aniversario da sua irmã, e tu tens de estar lá no quarto para comemorar – ela fala começando a ficar nervosa.
– Nossa é mesmo, cara como posso ter esquecido isso? Já estamos indo. – Ele fala nervoso. – Vamos Guut.
–Por um acaso vocês sabem onde ela está? – Barbara pergunta.
– Ela esta lá na sala, lendo. – Guut fala e Felipe o olha se perguntando como ele sabe disso.
– Obrigada, e vão. – Barbara se despede dos meninos que seguem em direção ao dormitório feminino, tomando cuidado para não serem pegos.
Barbara chega à sala e vê Dani sentada, com os olhos inchados, de certo estava chorando, então Barbara se aproxima dela e a chama para ir dormir, Dani a segue, mas estranha quando Barbara a puxa para o quarto ao lado, o que para surpresa de Dani, quase todos os novatos da Dazer estava esperando por ela. Os parabéns ecoaram e as lágrimas que supostamente Dani estava segurando, desceram com rapidez. O que fez todos a irem a abraçar.
– Viu? Todos aqui têm nome, e nenhum se chama ninguém. – Jay fala ao abraçá-la.
– Obrigada! – Dani agradece.
E assim a noite seguiu, após todos comerem e beberem seguiram para seus dormitórios. Jay, Stefani e Letícia arrumaram a bagunça, já que a Ana caiu na cama, dormindo.
***
Na manha seguinte, o sol estava forte, os alunos se preparavam para as primeiras aulas do dia, as garotas da Vebnus estavam radiantes de lindas, os garotos nem se fala. Já os que pertencem a Mercure estavam incrivelmente de bom humor, sempre rindo. Os que pertencem a Dazer estavam, vamos dizer que, um pouco mal arrumados, talvez muito, mas os da Eruptidus estavam completamente arrumadinhos, e com um livro na mão. Todos indo para suas respectivas salas.
– Batata, eu preciso ir ao banheiro – Linna fala a Sara enquanto caminha em direção a sala de aula.
– Mas você acabou de ir, Batata – Sara fala.
– Mas eu quero ir outra vez. Tchau, nos encontramos depois – Lyn fala e sai, mas ela não vai em direção ao banheiro, e sim vai para a parte de trás da universidade.
Atrás da Universidade, um garoto de jaqueta de couro preta que estava em cima de uma moto esperava por Linna, que assim que ela vai se aproximando, ele desce da moto, e quando ela se aproxima dele, o abraça.
– Estava me esperando há muito tempo? – Ela pergunta.
– Não, acabei de chegar. – Ele responde e a beija.
– Jean, você devia vir estudar aqui, eu sinto a sua falta.
– Aqui? Não, eu já disse a você que eu não me daria bem aqui.
– Mas e eu?
– Você que deveria mudar de universidade.
– Mas aqui estão meus amigos.
– Que não são seu namorado.
– Ai Jean! Você sabe.
– Não sei de nada, só sei quero ficar com você. Vamos sair daqui antes que alguém nos pegue.
– Mas eu tenho aula agora.
– É só por algumas horas, e um dia não vai te matar.
– Está bom, vamos. – Linna da uma olhada para os lados, e então sobe na moto e os dois partem para destino desconhecido.
***
A sala um consistia com medicina, um curso complexo e que trazia consigo várias complicações e isso era só o começo. Quando todos já haviam entrado e sentarem em seus devidos – e improvisados – lugares, o professor de Anatomia adentrava a porta. – Senhor Cosmo, um senhor baixo e já havia atingido a terceira idade, a maioria da sala, antes mesmo do professor pronunciar sua primeira palavra, já imaginaria, de relance, que ele fosse um aposentado. –
– Olá, sou o senhor Cosmo! Passarei o ano inteiro estudando Anatomia com os senhores. Anatomia é uma matéria meio complexa, e se vocês quiserem ser médicos, enfermeiros, cirurgiães de sucesso... Essa é a matéria que vocês devem se focar — ele diz se sentando e colocando seus papéis sobre a mesa. — Hoje vamos estudar a teoria, só um pouco. Primeiro dia de aula, sim! Mas vou dar mole? Não! – Ele diz rindo, alguns tentaram rir pra socializar, mas foi meio impossível. – Vou fazer a chamada e conhecer alguns de vocês, talvez? – Ele fala sozinho, já que o silêncio residia.
– Cosmo? Meu padrinho mágico. – Um garoto loiro, alto, sussurra para o garoto ao lado, que era Felipe. – Só faltou a Wanda.
– Repolho, fica xiu. – Felipe sussurra novamente.
– Só levantem a mão, ok? – O professor diz. – Alexandre Rocha; Ana Moreira; Ana Pfeifer Galdino; Brenda Raphaella; Diovana Vargas; Felipe Miranda; Jaimara Lima; Letícia Lima; espera, vocês são parentes? Adoro puxar a orelha de parentes, ainda mais quando são da mesma sala.
– Parentes? – Jay ri. — De sangue não, mas vamos dizer que somos irmãs.
– Ah, que pena! Linna Chrystie... Faltou? Matheus Gomes; Stefani Santos; Virgínia Beltrão. – Ele fecha o papel. – Bom, antes de tudo, eu sou e sempre serei da Eruptidus, desde sempre fui apaixonado pela mesma. Não sei a de vocês, mas se você é da Eruptidus e da Vebnus, saiba que você será um dos melhores alunos. Já tive muitos problemas com Dazer e Mercure, de lá vieram alunos brilhantes, mas outros... – Ele dividia o quadro em três partes.
– Os alunos da Mercure só levam a vida para um lado bom. – Ana Moreira diz.
– Exatamente! Senhora...?
– Moreira.
– Isso, mas alguns não sabem o limite! – Ele diz. — Bom, estou entregando essa folhinha. Teoria da Anatomia. Algum voluntário para ler? Não?
– Eu leio. – João diz.
– Maravilha, Maravilha! Até dessecadas, meu caro. – O professor diz.
– A Anatomia; É a parte da Biologia responsável pelo estudo da constituição dos organismos multicelulares, ou seja: sua estrutura e organização, tanto internas quanto externas. Os anatomistas, geralmente, têm como objeto de estudo peças dessecadas...
– Exemplos no final da folha – o professor interrompeu-o. – Obrigado, João. Bom, poucos de vocês sabem, mas a anatomia já foi, outrora, estudada como uma matéria auxiliar da cirurgia. As primeiras ilustrações anatômicas impressas foram feitas no século quinze, embora poucos realistas e bastante primitivas. Quem sabe me dar um exemplo de artista renascentista que deram contribuições notórias para tais representações?
– Michelangelo? – Brenda diz.
– Não, mas essa foi boa.
– Leonardo da Vinci? – Jaimara diz.
– Ótimo senhorita! – Ele diz. – Leonardo da Vinci, tal artista foi, inclusive, responsável pela nomeação de algumas dessas estruturas.
A aula ocorreu com tédio para alguns alunos, mas outros estavam interessados e cobertos de excitação, já que a matéria falava muito da carreira que todos queriam seguir.
***
A sala dois era uma das mais vazias com apenas seis alunos – o que era estranho, porque direito é um curso muito disputado – e nem todos estavam presentes. A professora – senhora Debby –, já havia chegado. Ela era nova e usava um crachá, seu rosto transmitia severidade e, não havia transmitido nenhuma palavra.
– Bom dia, pirralhos. – Ela disse claramente. – É muito bom trabalhar somente com seis alunos, porque sei que posso puxar a orelha de vocês o quanto eu quiser, já que eu que mando nessa bagaça. Bom, sou a professora de economia política, me chamo Debby e vamos ficar um bom tempo juntos. Principalmente porque, direito é um curso dotado de economia.
– Essa não é a matéria principal, porque temos mais um monte de matérias e a sua não é a mais importante. – Um garoto que usava óculos diz.
– Qual é o seu nome mesmo, meu rapaz? – A professora se levantou.
– Ricardo. – Ele diz sorrindo. – Vai mestalkear?
– Ricardo, eu não quero ser grossa com você, mas VOCÊ PRECISA SABER ECONOMIA POLÍTICA! Não estou desmerecendo nenhuma matéria, mas a minha é uma das mais importantes.
– Eu só acho que deveríamos dar o mesmo valor para todas as matérias. – A garota com a toca de panda tentou levantar, mas era tão baixa que batia no peito da professora.
– Sente-se, tampinha de garrafa – ela disse voltando para a mesa. – Atenção para chamada. – Ela colocou óculos e transmitiu mais medo do que antes. – Bruno Camargo; Eduarda Dias; Lucas Bittencourt; Ricardo Magalhães cofcof; Suélen Diniz; Victor Bragança.
– Por que no meu nome você tossiu? – Ricardo riu. – Precisa de um xarope?
– Achei que não tivesse problema em tossir quando tivesse vontade – ela se levantou. – Hur... Durr... Bom, a economia política foi um termo originalmente introduzido por um rapaz chamado Antonie de Montchrétien, tentem pronunciar esse nome. – Ela riu.
– Montirieten – Bruno tentava pronunciar e Lucas ficava rindo.
– É assim, Antonie de Montétien – Lucas disse.
– Bom, em 1615, ele publicou um livro chamado "Tratado da Economia Política" com o objetivo de transpor para a atividade estatal as ideias e os princípios da economia. No livro, o autor aborda temas como monopólio, proteção para a indústria e etc. O nome passou a ser utilizado para o estudo das relações de produção. Especialmente entre as três classes principais da sociedade capitalista ou burguesa, quem sabe me dizer uma dessas?
– Proletários? – Eduarda diz.
– Muito bom! Capitalistas, proletários e latifundiários! Quero um resumo de no mínimo 30 linhas para a próxima aula falando de cada classe.
Um barulho imenso pairou pelo ar, parecendo mais o sino, mas na verdade era Ricardo com uma das suas bombas de risada. Todos caíram na gargalhada, mas a professora não gostou nenhum pouco daquela atitude.
***
A sala três estava quieta e comportada. Quando o professor chegou à sala todos se entusiasmaram rapidamente.
– Olá para todos vocês. Vamos para as apresentações? — o professor sentou-se em sua cadeira e pegou algumas pastas de sua mochila. — Eu me chamo Aaron Sanakht e, como já ouviram, meu nome não é tão comum por aqui. Isso é o que dá ter mãe francesa e pai egípcio. Mas me orgulho bastante em tê-los como pais, lógico. Foram eles que me encorajaram a seguir a carreira na Engenharia, e sou eu que encorajará vocês de agora por diante. Podem ficar sabendo que cobro muito e farei vocês se esforçarem para caçamba, pois Engenharia não é uma matéria como qualquer outra — o Sr. Sanakht pegou um caderno e fez a chamada. — Éder Matheus; Eduarda Dias; Hanna Campeche Cruz; João Pedro Tonioli; Larissa Crispim; Sara Cirino; Sara Santos. São apenas esses? — a garota da primeira fileira, que o professor deduziu ser uma das Saras por terem se animado mais ainda quando seu nome foi chamado, balançou a cabeça positivamente.
– Professor, o seu último nome é de um famoso egípcio. Só não me lembro de qual... — diz Hanna.
– Hórus Sanakht, antigo faraó do Egito — responde ele. — Vamos começar com a introdução da Engenharia — ele pega alguns papéis e passa para Sara Santos. — Leia, por favor.
Sara o obedece e rapidamente lê o que está escrito.
– A engenharia é a ciência, a arte e a profissão de adquirir e de aplicar os conhecimentos matemáticos, técnicos e científicos na criação, aperfeiçoamento e implementação de utilidades, tais como materiais, estruturas, máquinas, aparelhos, sistemas ou processos, que realizem uma determinada função ou objetivo.
– Correto. A engenharia é uma ciência bastante abrangente que engloba uma série de ramos mais especializados, cada qual com uma ênfase mais específica em determinados campos de aplicação e em determinados tipos de tecnologia... — o professor levanta, pega um caneta de quadro e começa a trabalhar no tal.
– A Engenharia é dividida em vários ramos, cabe a vocês decidir em qual deles se aperfeiçoar! — Ele se vira para os alunos e continua. — Engenharia civil, de minas, mecânica, elétrica, química, agronômica, florestal, zootécnica, e por aí vai...
Enquanto o professor escrevia mais coisas no quadro, os alunos conversavam baixinho.
– Engenharia de minas deve ser fantástica! — diz Hanna.
– Todas são — fala João Pedro.
A aula se seguiu calma, porém também animada por parte dos alunos e professor.
***
A sala quatro era de psicologia. Uma mulher jovem e alta, de cabelos ruivos e olhos azuis entra na sala e coloca suas coisas em cima da mesa.
– Bom dia alunos, eu sou a professora Elisa, e darei psicologia a vos. Para começarmos, irei fazer a chamada, algo que não demorará já que temos apenas quatro alunos – diz ela com entusiasmo. — Barbara Baptista; Sarah; Vitória Gomes; Wenzo. Ok, para começarmos, alguém sabe me dizer o que é psicologia?
– É o estudo dos fenômenos psíquicos e do comportamento do ser humano por intermédio da análise de suas emoções, suas ideias e seus valores – diz uma garota alta, de cabelo castanho com luzes loiras.
– Muito bom Barbara, obrigada! Agora continuando o que a Barbar...
– Me chame de Bah – interrompe a garota.
– Ok, Bah. Agora continuando o que a Bah – ela diz olhando diretamente para Barbara – estava a dizer, o psicólogo diagnostica, previne e trata doenças mentais, distúrbios emocionais e de personalidade. Ele observa e analisa as atitudes, os sentimentos e os mecanismos mentais do paciente e procura ajudá-lo a identificar as causas dos problemas e a rever comportamentos inadequados. Esse profissional atua em consultórios, em hospitais e nas mais variadas instituições de saúde, contribuindo, do ponto de vista psicológico, para a recuperação da saúde das pessoas. – Ela dá uma pausa para ver se estão todos entendendo e então continua. — Em escolas e instituições, colabora na orientação educacional. É necessário registrar-se no Conselho Regional de Psicologia para exercer a profissão. O licenciado atua, em geral, no desenvolvimento de metodologias pedagógicas com os professores dos ensinos básico e médio e cursos profissionalizantes e técnicos. Pode trabalhar também na elaboração de estratégias psicossociais para ONGs, abrigos comunitários e centros socioeducativos.
– Eu quero atender em casa. – A garota que usava óculos disse. – É o meu método de ensino, eu acho. Eu não investiria em uma clinica.
– Cada um tem o seu método, o seu é bem diferente. Victória.
– É Vitória, não tem C. – Ela diz.
– Vocês são rigorosos com nomes... – a professora diz rindo e assustada com a agressividade de alguns que desejam ser psicólogos. – Bom, o primeiro passo da psicologia é a calma. Você deve transmitir a calma para o paciente, assim ele sentirá que pode se abrir e conversar com você! Ele vai se sentir calmo com a sua calma.
A professora passou um texto com três páginas e pediu para resumi-lo. Quando faltavam uns dez minutos para o fim da aula, Elisa deu um tempo para se conhecerem, apesar de que, eram apenas quatro alunos.
– Você quer mesmo ser psicóloga com essa cara meio que, de bunda? – Vitória, embora fosse inteligente e sábia, falava as coisas sem pensar, o lado bom disso, era que ela falava a verdade.
– Por acaso minha cara vai mudar se eu serei uma boa psicóloga ou não? Ah tá. – Barbara olhou no fundo dos olhos de Vitória e disse, logo veio o arrependimento. – Ah, me desculpa, não estou em um dia bom.
– Normal! Aliás, todos têm, não é?
– Claro, mas não banque a psicóloga porque eu não gosto – Bah ri.
– Tudo bem, tudo bem! – Vitória diz. – Meu nome é Vitória.
– Sem C – brinca Bah. – Barbara.
– Hur... Durr... – A professora chama a atenção. – Aqui tenho uma caixa de ovo, farei um pequeno teste com vocês!
– Como? – Esnoba Wenzo.
– Como?! Haha. Vocês farão uma sessão o ovo. – Ela ri.
– Ela tem algum tipo de distúrbio – Bah sussurra para Vitória.
– Eu jogo o extintor de incêndio nela e vocês correm – a garota, Sarah, sussurra para as duas, as mesmas não conseguem segurar a risada.
– É engraçado o fato de vocês entrevistarem um ovo? – Ela olhou para toda a sala. – É! Realmente é. Só que, cada ovo terá uma história pra contar. Por exemplo, esse aqui – ela pega o ovo. – Ele apanha do marido todos os dias e vê coisas que ninguém vê.
– Coitadinho, como ele ainda não quebrou? – Brinca Wenzo.
– Você é bem brincalhão, né?! – A professora diz. – Quero que você faça a sessão com esse ovo aqui. Ele é especial! É um adolescente, e bem, adolescentes são aborrescentes cheios de problemas. Ela tem quinze anos, tem anorexia, é rejeitada por todos na escola, o garoto que ela gosta a enganou e ela mesmo assim gosta dele, ela se automutila e, os pais dela brigam o tempo todo – ela entrega para ele. – Boa sorte.
– Moleza. – Wenzo diz, mas no fundo, ele não sabia lidar com adolescentes. Mesmo ele sendo um.
– Você, Barb... Bah, não é? Essa senhora está com sessenta e nove anos e tem um problema com o número da idade dela, você deve estar me entendendo. – A professora diz, Bah tem um acesso de riso e não consegue se conter. – Ela acha que quando atingimos essa idade devemos fazer a “nossa idade” todos os dias. A família dela a obrigou a procurar um psicólogo, mesmo ela não querendo, quero ver como você vai lidar com essa senhora.
– Vitória sem C, esse garoto perdeu a namorada e a avó em um acidente de carro. Perdeu as duas pessoas que ele mais amava no mundo e começou a se isolar. Ele fala sozinho e vê “espíritos” – ela entrega o ovo a ela. – Boa sorte. – Por fim, a professora entregou os ovos a Sarah e deu o caso, teria de ser entregue na próxima aula, um vídeo mostrando o caso. A aula fora legal, talvez a melhor do dia. Embora fosse um curso complexo e cheio de regras, a professora soube brincar e distrair os alunos.
***
Na sala cinco, os alunos não paravam de se movimentar. Uns dançavam, cantavam ou ficavam recitando ou escrevendo poemas e coisas do tipo. A professora — uma mulher que aparentava estar na casa dos trinta, morena e alta — trouxe consigo um rapaz — loiro, na casa dos vinte e cinco –, um ajudante.
A professora e o ajudante sentaram-se em cadeiras frente a frente com os alunos.
– Olá para todos. Meu nome é Melissa, esse — direcionou-se para o rapaz loiro — é Alberto, meu ajudante. Eu gostaria de conhecê-los. Um por um.
Todos os alunos concordaram e se sentaram próximos a Melissa e Alberto.
– Começaremos com você, Alberto — disse a professora, e Alberto se pôs a falar.
– Me chamo Alberto, mas podem me chamar só de Beto mesmo. Tenho dois irmãos e uma irmã mais nova, moramos na Irlanda por cinco anos, mas voltamos para o Brasil porque foi só uma experiência mesmo. E vocês?
– Me chamo José Victor Bragança de Oliveira, mas me chamem somente por Victor mesmo, ou Umpa-Lumpa; o que preferirem. Sou brasileiro, mas já viajei para vários países. Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Suécia, etc.
– Me chamo André Pfeifer Galdino, podem me chamar por Dré ou André mesmo. Meus pais são brasileiros, assim como eu e minha irmã. Já viajamos para o Canadá: lá é bem legal.
– Vocês viajam bastante, hein! — a professora diz e ri. — Continuem...
– Me chamo Jamille Maciel, mas podem me chamar por Jamille e uma noites — ela diz e todos riem. — Família brasileira. Já viajamos para vários lugares.
– Ana Karolina, mas podem em chamar por Karol, etc. Brasileira, já viajei para alguns países.
– Adriele, brasileira...
– Não tem mais nada para falar? — pergunta Melissa.
– Hã... Podem me chamar de Dri.
– Me chamo Danilo Mateus Tavares, mas me chamem de Dan, se quiserem... Brasileiro, já viajei para alguns países, a Argentina é bem legal.
– João Fray, mas me chamem de Jão, ou só Fray, brasileiro...
– Isabelly Silva. Mas me chamem de Isa. Sou naturalmente brasileira, já viajei para alguns lugares. Gosto de ler.
– Isadora Emanuelle, mas me chamem de Isa delícia, ou abreviando, Isadlç — todos riram.
A professora esperou por algo a mais, mas só depois notou que só havia aqueles alunos ali.
– Bom, agora que as apresentações acabaram, vamos para a introdução. Irei fazer algumas perguntinhas e vocês irão responder. Certo?
A sala concordou com a cabeça.
– Victor, defina o curso Letras.
– Hã... É o estudo da língua portuguesa e de idiomas estrangeiros e de suas respectivas literaturas?
– Correto — todos puderam ver um sorriso no rosto do garoto, mas não durou muito.
– E, Victor, qual é a segunda língua oficial do nosso país?
O garoto pensou por vários segundos.
– Inglês? — alguns que estavam na sala riram abafadamente.
– Libras, Victor. Libras — disse a professora. — Mas tudo bem, você acertou a primeira.
A professora se virou para os outros alunos, entusiasmada.
– Quem vai ser o próximo?
***
A sala seis era a última sala daquele corredor, e era uma das mais barulhentas perdendo apenas para a sala um. Quando todos estavam acomodados e o professor que estava sentado – Sr. Wilson, um homem que poderia falar que tem uns vinte anos, mas trazia consigo quarenta e oito anos de idade. Uma elegância que nenhum outro tinha, usava um terno preto e um óculo meia-lua. – Estava um barulho imenso, o professor Wilson estava sentado folheando uma de suas revistas Global, que falava sobre ciências e suas maravilhas.
– Não vamos fazer nada? – Uma garota dos cabelos pretos, Barbara Rodrigues, chama a atenção do próprio professor.
– Vou dirigir a palavra a vocês quando o silêncio residir nessa sala – a voz do professor era tão grave que quando o mesmo disse isso, o silêncio residiu como nunca. – Bom. Oi, depois de longos dez minutos vi que vocês não sabem se comportar. Sou o professor de ciências, trabalharemos o ano inteiro e me chamo Wilson.
– E é um gato – uma garota sussurrava para a outra.
– Maria, xiu — a outra riu.
– Ah, Clara – ela ri –, não somos de ferro, vai.
– Estudaremos – a voz dele ficou mais grave ainda – conteúdos que vocês estudaram no sexto e sétimo ano, coisa que para alguns, será fácil de lembrar, mas para outros, não. Começaremos hoje com célula, quem sabe me dizer o que é célula?! Por favor, não me decepcionem.
– É a menor unidade viva presente no nosso corpo – a garota que usava a blusa de um ursinho disse. – Não é? Bom, faz tempo que estudei isso, mas eu ainda me lembro.
– Exatamente, porém uma resposta completa e digna de vestibular seria: A célula é a menor porção de matéria viva dotada da capacidade de autoduplicação independente. São as unidades estruturais e funcionais dos organismos vivos.
– Quase a mesma coisa, professor.
– Qual é o seu nome, querida? – Ele disse.
– Bruna.
– Bruna, não, Bruna não! Ursinha – ele disse olhando pra blusa dela. – Você está na faculdade, tudo será mais complicado, aceite isso. E pelo visto, você não leva as coisas muito a sério – o professor disse olhando pela última vez para a blusa da garota se virando, a mesma ficara envergonhada e com raiva, nunca tinha sido desrespeitada por um professor pelo que veste e muito menos insultada pela forma como respondeu a pergunta. – Atenção para a chamada, vocês tem dez segundos para se apresentarem de forma formal como se fosse algo importante. E, agora que vocês já sabem o que vamos estudar, quero que peguem livros de sexto, sétimo e oitavo ano e deem uma lida. Principalmente nessa coisa de célula, mitocôndria e etc.
– Professor, é necessário estudarmos isso? Bom, faz tempo, será meio complicado – o único garoto da classe, Carlos. Depois de um tempo tomara coragem e falara algo.
– Meu caro, a vida não é fácil.
– Belo argumento – Bruna sussurrou pra ela mesma, já com muita raiva.
– Desculpe. O que disse? – Ele diz.
– Nada.
– Ok, continuando o que nem comecei – ele volta os olhos pro papel. – Barbara Rodrigues.
– Meu nome é Barbara, como o senhor já disse, tenho 18 anos. Sou apaixonada por ciência e tudo que envolva isso, sou brasileira, morei dois anos no Canadá, e acho que só.
– Bruna Borello – Ele disse com tom de deboche.
– Meu nome é Bruna, eu tenho 16 anos, sou quase superdotad...
– Quase.
– Dez segundos! Sou quase superdotada – ela aumentou o tom. – Nunca levo desaforo pra casa, não mesmo. Sempre fui elogiada, sou brasileira, falo mais de três línguas, e não me rebaixo ao nível de professor nenhum. – O silêncio reinou. O professor sequer nenhum momento tirou os olhos da folha, Bruna conseguia calar as pessoas formalmente, coisa que poucos conseguem.
– Carlos Ferreira.
– Meu nome é Carlos – ele falava lentamente, o que demorou cinco segundos só pra dizer o seu nome. – Tenho 17 anos e só.
– Clara Castro.
– Meu nome é Clara, sou clara, de verdade, olha minha pele – todos riram exceto o professor. – Tenho 17 anos, sempre morei no Brasil, embora meu pai seja da Rússia, e bom, eu aprendi a poucos minutos que um rostinho bonito não diz muito sobre a pessoa.
– Maria Antônia.
– Meu nome é Maria, jura? – ela ri. – Eu gosto de ciências, embora algumas pessoas me achem estranha por isso. Tecnicamente, ninguém entende, mas é uma paixão, tenho 17 anos, e eu sou legal – ela riu de uma forma engraçada.
O professor deixou uma imagem horrível para aqueles alunos, embora fosse bonito, ele era muito chato e não sabia ver o lado bom das coisas.
Os alunos da Dazer saíram mais cedo das salas naquela noite, todos usavam a mesma desculpa, falavam que havia uma reunião a ser concluída na sala deles e que tinham de ir o mais rápido possível. Os professores desconfiaram, mas logo cederam. É difícil confiar em alguém, ainda mais quando ela é da Dazer.
– Ok, façam silêncio! – Ana grita.
– Você não tá gritando alto o suficiente – Jay diz.
– Vem gritar.
– Vou fazer música com essas suas cordas vocais, ai você vai gritar o suficiente.
– PRESTEM ATENÇÃO AQUI, URUBUS – Sophie grita, mesmo sendo baixinha, todos ouviram atentamente. – As bombas estão com a Leti, vamos pro saguão e, Coelho, Davi, Pedro, Elli, Rose, Jamille e Isadlç vocês ficam com a parte de pichar Mercure! As tintas estão com a Sté. Não sejam idiotas, pichem essa merda bem grande e bem colorido porque lá eles são felizes feito porcos. Podem ir – todos pegaram as tintas e Sophie virou atentamente para o resto que sobrara. – Leti, Fê, Dré, Ana, Sté e Jay, vocês vão ficar com a melhor parte. Não que as outras não sejam boas, mas... Bah, Dani, Ingrid e Guut, vocês vão ficar com as bombas, em minha opinião, a mais crucial. Peguem as bombas com a Leti, quando o sinal tocar, vocês estarão escondidos, atrás de cada armário, soltem as bombas. O grupo do Fê pegará os extintores de incêndio e sairão jogando por todo corredor.
– E você? – Ingrid pergunta.
– Ela vai ficar sentada observando a gente se ferrar – Guut diz.
– Pelo contrário! Eu vou pegar uma vela e colocar ali, ó – ela aponta pra cima, mostrando o alarme de incêndio, que ao sentir calor transmitia água por todo o lado. Todos sorriram.
Quando o sino tocou e o silêncio pairou no final do mesmo, todos saíram normalmente de suas salas, mas pararam curiosos, porque no corredor havia escrito “Mercure” e todos se perguntavam o porquê. Em questão de segundos, as bombas de batom foram soltas, barulhos para todo o canto e principalmente gritos histéricos. Algumas garotas gritavam como nunca, foi ai que os extintores entraram em ação, para o pessoal da Dazer aquilo estava sendo a melhor coisa do mundo.
Em meio à fumaça branca, todos estavam de máscaras, o corredor não se esvaziava nunca. Sophie veio com a vela, e como uma última e bela jogada, aproximou-a do alarme. O mesmo soltara água pra dar e vender, e depois de longos minutos, o corredor estava “inundado”. Todos os Dazers voltaram pra o saguão da Dazer em meio a gritarias.
– Vocês viram a cara daquela menina da Vebnus? – Guut gritou. – Eles são tão fresquinhos!
– Eu tive que fingir um grito, ai que nojo. – Ingrid diz e logo Ana, Jay e Stá chegam.
– EU AMEI ISSO – Ana gritou.
– Dazer é o poder – Jamille gritou em seguida batendo na mão de todos.
– Será que acreditaram que foi a Mercure? – Davi perguntou.
– Pelo visto, o representante está na diretoria nesse exato momento – Pedro diz rindo.
– Parabéns, Dazers – Sophie chegou. – Vocês realmente são Dazers de verdade.
– São? – Uma voz no fundo ecoou por todo o saguão. — Vocês, Dazers, tentaram se safar, mas estão de detenção por um mês. Boa noite. – Era o reitor, e pelo visto, não foi coisa boa, pra nenhum deles.
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