Hollow Spirit - Tudo termina onde começou
14 Eruptidus.
Depois de todos os novatos assinarem seus nomes na folha, o representante da Eruptidus, Darius, disse a todos para que o seguissem até a grande sala da irmandade, para que pudesse ler a lista com o nome dos novatos que dividirão os respectivos dormitórios e mostrá-los as regras que a irmandade exigia.
A cada passo que os novatos davam, se encantavam mais e mais com a variedade de coisas que a irmandade possuía. Desde as paredes azuis, vermelhas e brancas com seus acolhedores quadros de paisagens, integrantes de projetos da irmandade que ganharam medalhas e prêmios internacionais, criações, cientistas, frases e muito mais. O piso de todos os cômodos da mansão, com exceção dos banheiros, era de mármore, e os tetos possuíam lâmpadas com design e cores diferentes, ventiladores com mais de quatro hélices e de variados tamanhos.
Os membros da irmandade passaram por um corredor repleto de salas com bugigangas velhas, novas criações, pequenas bibliotecas, salas de estudo e as salas de troféus, até chegarem a grande sala; onde pararam diante de uma parede com um mural dourado.
— Aqui estamos diante do nosso mural de regras. — Darius, baixinho e inteligente, assumiu um tom ainda mais sério para com os membros. — Não só para os novatos, mas também para todos: Nenhuma regra pode ser quebrada, e se um dia isso acontecer com qualquer um de vocês, as consequências serão severas.
Todos balançaram a cabeça, concordando, e Darius começou a ditar as regras:
— 1) Acima de tudo, ninguém pode falar sobre assuntos sérios e sobre o funcionamento das vossas criações com pessoas que não sejam de nossa própria irmandade.
— 2) Respeito com todos também está acima de tudo, pois como uma irmandade evoluí agredindo verbalmente os próprios membros?
— 3) Brigas e notas abaixo do normal são inadmissíveis e podem levá-los a serem eliminados da Eruptidus.
— 4) Controlem as suas palavras e falem apenas o necessário em um tom de voz agradável, pois a Eruptidus não tolera gritaria.
— 5) Nunca façam promessas sem ter certeza de que não irão realmente cumpri-las. Comece inventando, depois criando, tendo dedicação e surpreendendo a todos. Como disse o próprio Albert Einstein: ''Imaginação é maior que o conhecimento. ''
— 6) Sejam gentis e ajudem um ao outro no que precisar.
— 7) Em todo o ano, há três importantíssimos concursos em nossa irmandade. Todos os três são obrigatórios e a nota que ganharem dele pode decidir se continuam ou não sendo um Eruptidus.
— As regras são somente essas. Não gostamos de punir, mas fizemos e seguimos o padrão. — Darius percebeu que alguns dos membros estavam bocejando e lembrou-se de algo. — Oh, lerei agora os nomes dos novatos que irão dividir os dormitórios.
— Espero que eu não caia em um dormitório com gente chata. Não tenho paciência com essas pessoas. — murmurou Victor Bragança para um garoto que estava ao seu lado.
Darius pegou a lista com a garota loira que fora responsável pela folha e pela divisão dos novatos em seus dormitórios e a leu para os novatos.
*** HORAS DEPOIS ***
No dormitório 004, três garotas conversavam e uma lia seu livro preferido. Enquanto tiravam seus pertences da mala e arrumavam no guarda-roupa, Caroline, Babi e Naty batiam um papo. Caroline é loira, alta e usa óculos. Já Babi é morena, nem tão alta, mas nem tão baixa, e estilosa. Tiravam das malas os sapatos, sandálias e colocavam em uma prateleira enquanto Naty, morena e muito inteligente perguntava para elas:
— Vocês vão sentir saudades de alguém lá fora? — Mal sabia ela que Matheus estava mais perto do que imaginava. Não só Matheus, mas muitas pessoas que fora amiga antes.
Babi e Caroline deixaram os sapatos que restavam na mala e se atiraram na cama, ao lado de Naty.
— Bom... Todos sentirão falta da família. Mas... Estamos na faculdade. Isso é o máximo!
— Todos irão sentir falta da família, Babi. — disse Caroline, rindo. — Acho que ela quis dizer garotos, certo?
Naty balançou os ombros.
— Eu não tenho família e nem namorado. — respondeu Naty, desanimada. — O único que eu desejara em ser...
— Sinto muito pela família, mas Naty, estamos na faculdade. Aqui está cheio de garotos! — Caroline disse e Naty riu, concordando.
— Agora vamos arrumar essas coisas que nada vai se levantar e ir para a prateleira sozinho! — Naty exalava atitude e liderança. As três ficaram arrumando e conversando, guardando e conversando, brincando e conversando, até ficarem com fome e terem a ideia de irem para a cozinha da mansão.
— Ei, você! — dizia Caroline para Vivian, que estava lendo e ouvindo uma música bem alta no fone de ouvido. Mesmo com todo aquele som, Vivian escutou Carol e tirou os fones. — Quer ir com a gente para a cozinha?
— Adoraria. — Vivian, loira e alta, largou Harry Potter e o Enigma do Príncipe na cama e se juntou as outras três garotas.
***
No quarto ao lado, outras quatro garotas conversavam freneticamente. Erica era morena e tinha os olhos puxados, como uma linda japonesa. Myllana era alta e Larissa baixinha. A quarta garota era Isabelly, uma morena de cabelo castanho, que dançava e cantava enquanto as outras meninas conversavam.
— Erica, acha que ficaria legal se eu pintasse meu cabelo de vermelho-vinho? — perguntou Myllana, pensativa.
Erica riu.
— Acho que loiro combina mais. — Larissa discordou e disse que azul ficaria melhor. — Azul? Por que azul, Larissa?!
— Ok, então verde! — mudou ela.
Myllana fez uma careta.
— Hey, meu cabelo não é brinquedo!
— Continuo no loiro! — Apesar de estarem discutindo, as duas riam abafadamente.
Larissa pegou um travesseiro verde e jogou na cara de Erica. Erica pegou o travesseiro amarelo de sua cama e jogou na cara de Larissa, que acabou acertando Myllana também. Myllana se enraivou e jogou um travesseiro em direção a Érica que acabou acertando Isabelly, que rapidamente também entrou na brincadeira.
— Não deveriam ter jogado em mim. — diz Isabelly, jogando todos os travesseiros que encontra pela frente, acertando Érica, Myllana e Larissa bem na cara.
Cantando, dançando, rindo e discutindo, as quatro começaram uma guerra de travesseiros.
***
No dormitório 006, Álvaro Halfeld, um garoto que não parava de tocar flauta, era xingado silenciosamente por Felipe Aljarilla, que estava odiando todo aquele som enquanto tentava dormir.
— Álvaro, eu quero dormir. — pediu Felipe.
O garoto da flauta parou só para responder:
— O problema não é meu, e eu preciso continuar praticando.
— Você não pode praticar amanhã?! — Álvaro negou com a cabeça e Felipe se levantou, foi até a cama de Álvaro e roubou-lhe o seu travesseiro. Chegou a sua cama, se deitou e colocou os dois travesseiros em cima de sua cabeça, evitando o som da flauta.
Álvaro revirou os olhos e começou a tocar novamente.
No mesmo quarto, outros dois garotos conversavam sobre sagas literárias.
— Estou ansioso pelo terceiro filme de Jogos Vorazes. Por que demora tanto?! — disse Éder, um garoto alto de cabelo preto e olhos castanhos escuro. Lucas era baixinho, no entanto possuía uma inteligência acima do normal; realmente de dar inveja.
— Estou ansioso por Animais Fantásticos e Onde Habitam. — confessou Lucas. — Quando descobri que um filme seria lançado, já fiquei feliz. E, recentemente, li que será uma trilogia de filmes, e o roteiro ainda será escrito pela JK Rowling!
— Sem falar que, você já viu a lista dos outros filmes que estrearão esse ano? — perguntou Éder.
— Alguns. Os que lembro foram: Malévola, O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, Guardiões da Galáxia, Godzilla, Como treinar o seu Dragão 2, A Esperança – Parte 1, Transformers: A Era da Estinção, e bom... acho que só esses.
***
No quarto ao lado, três garotos — Athos Álef Sandes, Netto Reis e Victor Bragança — dormiam e só um continuava acordado, olhando para o nada e imaginando várias coisas. No momento, Matheus pensava em tudo. No Orfanato, na Universidade. Em Naty, em Michael, em Bárbara, em Sara, em Américo, em Stefani, em Linna, em tudo e todos. Com a cabeça quase explodindo, ele resolve se levantar do chão e ir para sua cama, mas é surpreendido por uma voz:
— Eu tenho remédio na bolsa, se precisar... — a voz é de Athos, que acordara e notara que Matheus estava com uma aparência meio mal.
— Agradeço, mas não. — Matheus deitou-se na cama e mesmo com aquela dor de cabeça, começou a ficar com sono. — Boa noite.
— Boa noite. — respondeu Athos, virando-se para o lado e voltando a dormir.
***
No último dormitório destinado aos garotos, dois dormiam — Gabriel Braga e Bruno de Camargos — enquanto os outros dois falavam sobre os países que visitaram ou que tinham desejo de visitar um dia.
— A Itália deve ser um país sensacional. Espero poder viajar para lá um dia. — disse Gabriel Melo, um garoto alto do cabelo preto.
— Ah, eu prefiro os Estados Unidos. Ou o Canadá. — o outro garoto era baixo, usava óculos e tinha o cabelo preto. — Olha só que torre maneiríssima. — Henrique pegou uma revista que estava em sua mão e mostrou uma imagem da Torre CN, em Toronto – Canadá.
Gabriel devolveu a revista e bocejou.
— Bom... estou com sono. Vou dormir. — ele vai para sua cama e se cobre com uma manta azul — Boa noite, cara.
– Boa noite. — respondeu Henrique, ainda sentado no chão e vendo algumas imagens da cidade de Toronto.
***
No amanhecer do dia seguinte, Matheus Blake, do dormitório 007, resolveu sair dali e ir explorar o resto da mansão enquanto seus colegas de quarto estavam no terceiro sono. Ele pegou uma calça jeans e uma blusa vermelha da mala e se trocou. Aproveitou também para pegar a sua velha ampulheta que estava enrolada em um casaco na mala. Abriu a porta de fininho e depois a fechou. Olhou para todas as portas dos dormitórios ao lado e supôs que somente ele estava acordado no momento.
Seguiu em direção a uma escada que o levaria para o terceiro andar da mansão e subiu até o topo, onde encontrou um tipo de sala com quatro portas. Abriu a primeira porta e se deparou com uma sala velha e cheia de bugigangas. As paredes estavam mofadas e a cor azul havia desaparecido quase totalmente. Em frente à mesa, havia uma janela com uma vista muito bela. Sentou-se na cadeira e colocou a ampulheta na mesa. Matheus ficou sentado, olhando para a vista da janela por vários minutos. Até ouvir um estrondoso barulho vir do segundo ou primeiro andar. Pensou no representante da Eruptidus e o que ele faria se visse um membro bisbilhotando no terceiro andar. Levantou-se da cadeira rapidamente e cruzou as portas, descendo a escada e correndo para seu dormitório, esquecendo-se do objeto que mais gostava, que mais o fazia lembrar-se de momentos com Michael o implicando por ficar fazendo nada, somente olhando para a antiga ampulheta.
Para esquecer-se dos problemas, Naty resolveu sair do dormitório e ir para um lugar onde não falasse com ninguém e ficasse quieta na dela. Saiu do seu dormitório, mesmo tendo ouvido um estrondoso barulho que acordara somente ela no próprio quarto. Ao fechar a porta, se deparou com algumas pessoas que também saíram de suas camas para ver o que havia acontecido. Passou meio despercebida e subiu as escadas para o terceiro andar, onde se deparou com uma sala de quatro portas, três fechadas e a primeira aberta. Entrou lá e a fechou. Sentou na cadeira em meio a uma mesa mofada e uma janela com vista exuberante. Ficou por cinco minutos admirando a paisagem. O céu, as flores, a piscina. Virou-se para frente e suas mãos encontraram algo na borda da mesa. Uma ampulheta antiga. Naty se levantou assustada. Pegou a ampulheta de volta e olhou a parte de baixo do objeto, onde as iniciais M.B. estava marcada de cinza. Só poderia pertencer a ele, pensou ela.
— Isso... Não deveria estar aqui. — Naty pegou a ampulheta e saiu da sala.
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