Hollow Spirit - Tudo termina onde começou
24 Vento no litoral.
Os alunos da universidade Hollow Spirit acordaram com a notícia boa — ruim para alguns — de que teriam uma excursão para a praia.
– Vocês devem se preparar, pegar suas coisas e amanhã partiremos ao amanhecer — disse o reitor, através de um alto falante que ligava aos sons de toda a escola.Alguns alunos da Vebnus correram para a loja mais próxima para comprar bronzeador, cangas e roupas de praia novas. – Sério que precisa disso tudo? — pergunta Lyn. — Por mim qualquer biquíni serve.– Por mim podia ser praia de nudismo, já pensou? — diz Paulo.– Vira essa boca pra lá — ri Sara.Na Eruptidus, eles aproveitaram e pegaram seus livros de biologia, alguns guarda-sóis e protetores solar fator 60.– Podíamos levar chapéus, porque demora até armarmos guarda-sol por guarda-sol — diz Carol.– Bem pensado — diz Vivian. — E li que nem mesmo o fator 60 resiste aos raios ultravioletas.Os alunos da Mercure começaram a separar suas pás e seus baldes, sem contar nas armas d'água que pegaram emprestados da diretoria.– Vamos enterrar quem? — pergunta Ney.– Até agora ninguém, mas quem sugere? — pergunta João Fray.– Bem, quem sabe alguns alunos da Vebnus.E na Dazer, muitos reclamaram por não gostar de praia, mas separaram pranchas, rede e bola de vôlei, raquetes de frescobol e máscaras de mergulho com pés de pato.– Esses pés me lembram do Quak — diz Felipe.– É. Tão iguaiszinhos — diz Bah. — Só falta berrar igual, porque a chatice é idêntica.– Hahaha.Em todas as irmandades havia o caos de alunos andando de um lado para o outro. Mas nenhuma estava tão pior quanto a Dazer.Enquanto metade dos Dazers empilhava os objetos de praia, a outra metade encomendava e preparava as coisas para a festa que irá a acontecer depois de amanhã. – Olá, quero adiar a entrega das trinta caixas de refrigerante para a tarde de domingo — Ingrid diz ao telefone -, e não, não quero nenhuma promoção de "leve mais dez e ganhe uma geladeira".– Quero mil coxinhas para o domingo — diz Bah também no telefone. — E pode fazer também mais mil bolinhas de queijo.– Acha mesmo que isso vai dar? — pergunta Dani.– Lógico.– Não! A decoradora já deveria ter vindo aqui semana passada ver o lugar – Jay berrava ao telefone. – NÃO DÁ PRA SABER PELO TELEFONE! O SALÃO É ENORME. Amanhã? Amanhã não dá, minha universidade sai hoje para uma viagem. Depois de amanhã então – ela desliga o telefone. – Depois de amanhã vai ser um dia corrido. Max e Alj empilhavam as caixas de copos descartáveis, ao mesmo tempo em que Felipe e André empilhavam as cadeiras de praia que acharam nos fundos.Tudo ia bem, até que Guut entra de costas na sala, segurando uma caixa de balaústres, e derruba André, que derruba a pilha de caixas com copos.– Ah, mas que droga, André! — diz Alj.– Não me culpe, foi o desastrado do Guut — explica ele.– Não tenho culpa se vocês não têm cérebro e resolvem empilhar tudo dentro de casa — fala Guut.– A culpa não é nossa se você anda de ré — retruca Felipe.Guut pega um copo descartável no chão e ataca na cara de Felipe. O mesmo revida, mas Guut abaixa e o copo voa na cara de Max. E depois Max mira em Felipe, o mesmo rebate e cata na cara de André.E assim uma guerra de copos começa, mas acaba logo que Ingrid aparece raivosa.– O CAOS ROLANDO AQUI DENTRO E VOCÊS FAZENDO GUERRA DE COPOS? — grita ela. — PODEM CATAR TUDO E COLOCAR TUDO NO LUGAR!Eles obedecem e voltam para aos seus respectivos deveres.Aliviadas por escaparem do caos que estava a Dazer, Sté e Leti caminham pelos corredores da ala de natação da universidade. Elas estavam atrás de espaguetes de piscina, para o povo que não sabia nadar.– E tem também aquelas que não alcançam o chão, né Sté? — ri Leti.– Ah, cala a boca.Elas viram o corredor e se deparam com um homem de macacão azul limpando o chão — o zelador.– Olá? — cumprimenta Leti.Ele se vira para elas e faz algo estranho: tira um pano do bolso e o cheira fortemente.– Boa tarde, desejam algo? — pergunta ele.– Sim, queremos uns espaguetes de piscina — diz Sté.– Ah, claro. Um momento.Ele sai andando devagar em direção a uma porta. Leti achou estranha a maneira como ele andava, mas ignorou.Depois de uns minutos, ele retorna com vários espaguetes de piscina na mão.– Algo mais, senhoritas? — pergunta ele.– Não, obrigada — responde Leti e bate o espaguete em Sté, a mesma repete o ato. E elas retornam para a Dazer.***– Tira esse telefone da minha frente – Ingrid disse, irritada.– Sou capaz de cuspir fogo – Bah diz.– É muito estresse – Jay completa.Leti e Sté chegam com os espaguetes e os deixam de canto. André ainda estava meio encabulado com a resposta que conseguiram de Emilly na noite passada, então decidiu falar com o pessoal.– Gente, será mesmo que essa tábua disse a verdade? – André diz. – Poxa, Laís? Cara, isso é meio impossível.– Existem várias Laís no mundo. Podia ser uma Laís daquele tempo, uai – Alj diz.
– Mas... Mas... Algo que me diz que não – André diz. – Podíamos falar com ela.– Ah, claro, vamos chegar lá e dizer: Você tem mais de 70 anos nesse rostinho de 20, admita que matastes Emilly Oushen. Aí ela vai e mata a gente ali mesmo – Ana, que acabara de acordar, diz descendo as escadas.–Isso é hora? JÁ ENCOMENDAMOS TODA A FESTA ENQUANTO VOCÊ HIBERNAVA – Ingrid urra. – Meu sono vale mais que essa festa.– Essa festa vale mais que sua cabeça – Ingrid diz. – Posso cortá-la agora.– Relaxem – a voz grossa de Felipe ecoou. – Ainda vamos encontrar o assassino de Emilly Oushen.– Suspeitos? – Dani pergunta.– Velhos, de preferência – Guut diz.– Tem o coordenador – Clara diz. – Ele aparenta ter uns 80 anos.– Ele começou a trabalhar esse ano – Felipe diz.– Tem um zelador – Dani diz.– Nada a ver – Sté fala.– Ele deu os espaguetes pra gente – Leti fala. – Ele é legal.– Então ok, riscado – Felipe diz. – Não desistiremos tão fácil.***O dia amanheceu. Três ônibus pairaram sobre a universidade. Todos acordaram e, com as coisas já prontas, seguiram para os determinados ônibus. A animação dominava a Mercure. Todos tinham em mente que, a caminho da praia, poderiam fazer o que quisessem. Dito e feito. – Alguém me passa aquele negócio rosa? — pergunta Nati. – Pra que você quer isso? Coisa de gay, Palzete — berra Ney que está do outro lado do ônibus tentando encher uma bóia de braços para Paulo. – Ah, eu achei bonitinho, Palzete. Me passa logo. Ney joga o "negócio rosa" para Nati, que o usa como travesseiro. – Ei, o que eu to fazendo aqui? — pergunta Paulo.– Façam das palavras dele as minhas — diz Arthur.– Ai, gente, isso é só um ônibus. Vocês são da Vebnus, certo? — pergunta Gabriela. – Somos sim — dizem os garotos.– Ah, agora tá tudo explicado — diz Ney gargalhando. – NÃO ENTENDI! — Paulo fala escandalosamente.– Lerdo.– Gabi, vem ver isso – Rick, com seu fiel computador ao lado, chama Gabriela para ver os slides, que finalmente ficaram prontos.– Na festa? – Gabi pergunta.– Na festa.***O segundo ônibus não se diferia tanto assim do primeiro. – "IIIIIIIIIII, FIU SAMSIN SOU RONNNNNG DUIN DE RAI TINGUEEEÊÊ" — cantava, ou melhor, gritava Ana Pfeifer. – DÁ PRA CALAR A BOCA? — pergunta Leti. – "UIU BI CAURIN ISTARS, AAAAAAAAH, FIU SAM..." – Ela não muda mesmo — Ingrid diz rindo. – Também, coitada da garota, querem que ela mude como? — Athos entra na conversa. – HMMMMMMM- eles dizem. – Hm nada, engraçados — Ana diz. – AH, AGORA VOCÊ FICA CALADA, NÉ — diz Leti, já perdendo o pouco de paciência que lhe restava. Ana ri e olha para Athos, que retribui o sorriso.***Jay e Alj não se desgrudavam no ônibus. Eles passaram a maior parte da viagem ouvindo e cantando músicas. A não ser por uma parte, em que Alj precisa ir ao banheiro.– Já volto — diz ele.Jay mal ouve o barulho da porta bater e já houve passos.– Mas já voltou?Ela fica surpresa quando vê que não é Alj.– Olá nojenta, o que faz sozinha? — pergunta Americo.– Não estou sozinha, ridículo — responde Jay. – É. Então você está acompanhada. Mas de boa. Um dia ainda te pego de jeito, e te faço ser minha.Jay não esperava ouvir isso, mas ela gostou. Então pelo alivio dela, Alj aparece atrás de Americo.– Dá pra cair fora? — Alj diz, a raiva em sua voz era notável.– Então ele é a sua companhia? — Americo ri, mas para assim que a mão fechada de Alj acerta seu queixo.Americo revida com um direto de esquerda, que pega de raspão, pois Alj desvia. Então Americo acerta um chute em seu estômago, e ia continuar a bater, mas Ingrid se materializa entre os dois.– Americo, será que pode voltar para o seu lugar? Está sendo ridículo.– Ah, Ingrid — reclama Felipe. — Deixe a treta rolar.Ela o encara mortalmente, e o mesmo a ignora, desviando a atenção para a janela.Americo e Ingrid retornam para os seus acentos, enquanto Alj se recompõe do chute que levou.– Está bem? — pergunta Jay.– Estou — responde ele. — O outro deve estar bem pior.Ele se senta ao lado dela e a viagem continua tranquila.***Enfim, os três ônibus estacionaram perto de uma rocha enorme. Os alunos desceram parecendo crianças felizes e viram o mar. Era lindo, as ondas faziam uma forma perfeita e tinha várias conchas em volta da praia. Algumas alunas da Vebnus começaram a gritar e correram para a praia.A parte que a metade dos garotos gostava era: a parte que as garotas estavam de biquíni. – Essa é a vantagem de ir á praia – Felipe diz a André. Sara e Lyn saíram do banheiro.– Gata, quer ouvir o mar? Então vem dormir de conchinha comigo – Americo disse brincando com Sara. – Idiota. – Vocês vão entrar? – Jay pergunta a Leti, Ana e Stefani.– Não – Ana e Leti dizem ao mesmo tempo, Stefani se levanta e se junta a Jay.– Venham logo.–Ok, mas só um pouco – Ana diz, as duas levantam e vão se trocar. – Eita, que abundância. – Athos diz á Ana, quando a mesma sai do banheiro.– Nossa, cala a boca – ela diz rindo.***Jay e Alj se afastam dos outros e vão em direção aos rochedos que se encontrava ao longe na praia. – Vamos sentar ali – Alj fala apontando a umas pedras a beira do mar.Eles se sentam e o silêncio faz parte do momento por poucos minutos até que Alj vê algo que o chama atenção. – Nossa! Uma concha do mar. Sabia que da para escutar o mar por ela? – ele fala pegando a concha e trazendo até Jay. – Escuta aqui – ele tira os cabelos de Jay que estavam soltos e coloca-os para trás, e em seguida coloca a concha em seu ouvido, a mesma não para de olhar para ele. – Escutou? – Ah... Sim... Lindo – ela fala envergonhada. – Lindo mesmo é esse lugar – ele fala admirando o lugar.– É realmente lindo, mas fica mais perfeito quando se está em companhia de quem nos faz bem. – Pois para mim está perfeito, estou em um lugar lindo e ao lado da minha bobona – Alj fala segundo a mão de Jay. – Se bem que esse vento não está muito legal. – Como não? Sente só a brisa. Nossa, é perfeito! Se você não estiver gostando é porque você é muito estranho – ela fala colocando os dedos nas bochechas dele e apertando de leve.– É... Eu devo ser muito estranho mesmo. – O estranho e a bobona, que casal perfeito! – Somos um casal? – Alj pergunta. – Ainda não, só falta alguém pedir alguém em namoro, sabe? – To te esperando, então. – Me esperando para quê? – Nossa, que lerda que você é! Jay, minha bobona, você quer?– O que? – Namorar um estranho? – Se esse estranho for você, eu quero – Jay fala se levantado para pegar outra concha que ela viu, mas ela se desequilibra e escorrega no mar. – JAY! – Alj grita ao vê-la ela cair. — Está tudo bem? – ele pergunta ao vê-la boiando no mar, sem resposta dela, ele se desespera e pula na água. Puxa ela até a beira da praia e vendo que ela não esta respirando, ele faz uma respiração boca a boca. A mesma não reage então ele tenta mais uma vez. – Estranho? – ela diz meio rouca. – Bobona! – ele fala. E a beija novamente.***Sara e Áxel decidiram andar um pouco e avistaram um farol. Sara, com sua mente de aventureira, que na verdade não era tão aventureira assim, teve uma ideia.– Vamos lá dentro? – ela pergunta. – Por favor, o mar fica maravilhoso lá de cima.– Não, olha a altura disso – ele diz, com medo.– Áxel Siqueira, sério que tu estás com medo dessa altura?– Ok, eu vou – ele cede e Sara dá um selinho nele. Os dois começam a subir a escada, Áxel olha pra baixo e vê que está bem longe do chão, então decide chegar logo no destino. Enfim, os dois chegam.Sara se encaminha até a ponta, onde tem uma luz enorme e olha a maravilha que é o mar do ponto onde ela está.– É tão lindo! – ela diz e ele a envolve em seus braços.– É lindo mesmo.– Olha só, agorinha não querias subir aqui – ela gargalha.– Por você, eu topo tudo – Áxel a vira e a beija. Um dos desejos de Sara era ser beijada em um farol, eis que o mesmo estava acontecendo.***– Aquele garoto ali, ele é bonito – Ana aponta.– Nossa, você achando alguém bonito, ele tem que ser bonito mesmo – Letícia diz. O garoto era Paulo, ele se virou e Letícia confirmou. – Nossa, espera, vou jogar uma cantada – ela se levanta e Ana observa rindo. – Eita, hein, eu beberia o mar se você fosse o sal – Paulo se virou e começou a rir e deu uma piscadela. Leti olhou para Ana, a mesma gargalhava.– Nossa, isso foi tão ridículo – Leti diz.
– E gay – ela diz. – Ele até piscou.***Hanna e Vivaldo, como sempre, estavam juntos, com a companhia de Andriele. – Que noite linda Vivas – Hanna fala pegando a mão de Vivaldo. – Sim, e você esta muito melosa hoje – ele fala e ela solta da mão dele. – Idiota, não se pode nem mais ser legal com você. – Ah, minha chata! Vem aqui – ele fala e a passa o braço em volta da cintura dela. – Af, vocês não cansam de ser tão gays? – Não somos gays elfo, se não viu somos um homem e uma mulher – Hanna fala brincando. – Ah vá, eu jurava que você era um homem, Hanna – Andriele fala brincando. – Hanna, olha lá, que céu lindo – Vivaldo fala apontando para o céu. – Me deixa sair daqui, porque não mereço ver essas cenas – Andriele sai rindo dos dois. – Amor, olha uma estrela cadente, faça um pedido – Hanna aponta para o céu quando uma estrela passa. – Já fiz – ele fala virando o rosto dela para ele. – Sabe o que eu pedi?– Não, com certeza deve ter pedido comida. – Não, sua idiota, eu pedi para que os Deuses nunca deixassem você parar de me chamar de amor – assim que ele fala isso, um sorriso surge no rosto de Hanna, e ela o beija, um beijo longo.***A noite logo chegara. O reitor e os demais professores que vieram para supervisionar fizeram uma fogueira e todos se sentaram ao redor da mesma. Todos se encaravam, até que Letícia pegou o violão e juntamente com o resto do pessoal teve a ideia de cantar uma música.– Qual música?– Vento no litoral, que tal? – Felipe pergunta e alguns, os que conheciam, sorriem.A melodia do violão começou a soar pelo ouvido de todos ali presente, Brenda juntamente com Ana Moreira e Ana Pfeifer começaram a cantar.“De tarde quero descansarChegar até a praia e verSe o vento ainda está forteE vai ser bom subir nas pedrasSei que faço isso pra esquecerEu deixo a onda me acertarE o vento vai levandoTudo emboraAgora está tão longeVer a linha do horizonte me distraiDos nossos planos é que tenho mais saudadeQuando olhávamos juntosNa mesma direçãoAonde está você agoraAlém de aqui dentro de mimAgimos certo sem quererFoi só o tempo que errouVai ser difícil sem vocêPorque você está comigoO tempo todoE quando vejo o marExiste algo que dizQue a vida continuaE se entregar é uma bobagemJá que você não está aquiO que posso fazerÉ cuidar de mimQuero ser feliz ao menosLembra que o planoEra ficarmos bemEieieieiei!Olha só o que eu acheiHumrunCavalos-marinhosSei que faço issoPra esquecerEu deixo a onda me acertarE o vento vai levandoTudo embora... ”
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