Hollow Spirit - O enigma 917
11 O tropeço catastrófico
Seus pulmões eram preenchidos pelo ar gelado da madrugada. Estava cada vez mais difícil de respirar. Seus pensamentos se resumiam a uma pessoa. Uma segunda chance. Será que ela daria?
Timbó caminhava na calçada de puro concreto. Ele pula a cerca de uma casa de granito quando chega ao seu destino: Irmandade Dazer.
Ele toca na porta a espera de uma resposta. Ninguém o atende, ou será que ninguém o ouviu? Era costume de esta irmandade ignorar os outros. Mas estava um silêncio estranho naquela mansão — que no caso o próprio silêncio já era algo estranho.
Depois de muito tempo, ele gira a maçaneta e abre a porta levemente. Coloca-se para dentro e segue pelo corredor espreito, até a sala de estar. A sala, como sempre, é cheia de gente confinada, fazendo de tudo. Porém, dessa vez, todos faziam a mesma coisa: dormiam. Será possível que algo assim esteja acontecendo?
Luiz tenta acordar Letícia, que está jogada no sofá com os pés na cara de alguém que ele não conhecia. Sabendo que isso é um ato suicida, ele dá vários tapinhas em sua cara, mas nada acontece. Ele, então, percebe que todos estão drogados.
Aproveitando a oportunidade, pega uma caneta na mesa e começa a desenhar nos rostos das pessoas. Começa escrevendo “Otária” na testa de Ana, depois “Burra” na de Barbara e assim por diante. Ele faz isso com quase todos os presentes, até que alguém grita:
– O QUE ESTÁ FAZENDO? — A voz de Elli ecoa pela sala. — O que você fez? Por que todos estão dormindo?
– Não faço ideia, quando cheguei aqui, todos já estavam apagados.
– E em vez de pedir ajuda, aproveitou para zoar todo mundo, claro.
– Tem que admitir que é uma ótima oportunidade — ri Timbó.
– Não, não é — Elli caminha para porta. — Vou fazer algo de útil, diferente de você!
Ella sai correndo da casa, em direção à diretoria. O ar gelado da noite preenche seus pulmões quentes, que há minutos atrás recebiam a fumaça do narguilé. A droga que atingiu seus amigos deve ser das fortes — se é que se pode chamar aquilo de droga.
Ao passar pela porta da Mercure, encontra Danilo e Americo. Eles estavam desesperados, assim como ela.
– ELLI, VOCÊ NÃO SABE... — começa Dan, mas ela o interrompe.
– Já sei, pessoas da sua irmandade estão completamente apagadas. — Os queixos dos dois caíram. – Isso também aconteceu na Dazer. O que estavam fazendo nesse momento?
– No telhado, preparando uma armadilha com água – fala Americo.
– Bem, vamos pedir ajuda, depois investigamos.
Os três correm pelas ruas – Americo na frente, pois é o mais rápido. Eles passam pela Vebnus, onde encontram Tico. A mesma cena se repete, mas Tico diz que estava no jardim ligando para o namorado quando aconteceu.
Então, por último, passam na Eruptidus, onde Erica e Carol estão tentando ligar pra alguém, com luvas e máscaras de médico.
– Estamos ligando para o SAMU, isso está muito esquisito — diz Carol. — Estávamos na sala adiantando um dever de química quando uma fumaça verde saiu pela entrada de ar na sala.
– Todos começaram a tossir menos a gente, porque estávamos com máscaras — diz Erica. — E depois, todos dormiram.
– Então, isso foi um gás tóxico — diz Tico. — Será que não cansam de atacar essa universidade? Quem se formou aqui, Osama Bin Laden?
– SAMU NÃO ATENDE, QUE DROGA — Caroline grita.
– Vamos continuar. Precisamos recorrer ao diretor — fala Dan.
Porém, ao chegarem à sala, a encontram vazia. Nenhum sinal do diretor, a não ser a porta entreaberta. Isso significa que ele saiu dali recentemente.
– Mas se toda a universidade está apagada e os únicos acordados somos nós, quem mais poderia chamá-lo? — pergunta Americo.
Daí ele se lembra de que podem não serem os únicos acordados. Que ele tinha que encontrar uns amigos para investigar algo. E que tudo isso pode estar relacionado.
– FODEU! — diz Americo. — ME SIGAM EM SILÊNCIO!
– O que houve? – pergunta Elli.
– Outro ataque, causado por alguém.
– Mas isso está óbvio – diz Tico.
– Sim, mas sei quem é esse alguém. Precisamos nos.. – Americo é interrompido por um estrondo no final do corredor.
***
– Vocês serão os últimos – diz Hallugo.
Triza, Toni, Hanna, Paulo, e Alexandre estavam presos em uma jaula de ferro. Seria impossível sair dali, principalmente por causa de uma menina praticamente biônica de guarda.
– Últimos a aderir à modinha de perfeição? – diz Paulo.
– Sim, deviam me agradecer, imperfeitos!
De acordo com o que viam no monitor enorme da Hallugo, em toda a universidade pessoas dormiam. Na cantina, nas irmandades, nas estufas, todos em um sono profundo. Nunca se sabe quando eles iam acordar pra libertá-los daquela jaula, e isso se eles despertarem em plena consciência. Mas alguém tinha que estar acordado. Ao menos uma pessoa.
– Olá, Professora, a senhora está muito elegante hoje — diz o reitor, com uma arma em mãos. Ao seu lado, estava a professora sinistra de história.
– Agente federal, quero que ponha as mãos na cabeça — diz a professora.
– Até que enfim — fala Alexandre.
Isadora mal observa a cena. Victor ri, enquanto Hallugo se rende, sorrindo. Com toda certeza, ela tinha algum truque na manga.
Ou uma simples traição.
– Boa noite. — Sem ao menos tirar os olhos de Hallugo, o reitor atira na Agente que o acompanhava.
Então, nesse tempo todo, ele cooperava com o inimigo.
– Mas por quê? — pergunta Triza, horrorizada.
– Por quê? Queria tornar meu filho perfeito. Tirar todos os seus defeitos. Ser o número um, sendo filho de quem ele é. — Ele olha para o filho, com orgulho.
– Tudo o que ele é agora não passa de um mero frasco — diz Hanna.
– Bom saber, pois os próximos serão vocês! — fala Hallugo. — Mas antes, vou começar a evacuação. Vai que tenha mais alguém acordado nessa universidade.
Os corações de todos na jaula disparam. Se havia uma chance deles se safarem, ela acaba agora. E de repente, no monitor, todos os alunos que antes estavam dormindo, agora estão acordados.
***
Luiz esperava e esperava, mas ninguém chegava com resposta. Ele resolveu ficar ali, cuidando das pessoas inconscientes, enquanto Elli fora buscar ajuda. Estava prestes a ir embora, quando Barbara acordou.
– Bom dia flor do dia — Barbara se aproxima de seu rosto e o soca.
Timbó fica zonzo por um tempo, depois ergue a cabeça. Muitas pessoas acordavam e formavam um semicírculo ao seu redor. Na tentativa de se proteger, com o desespero tomando conta de seu corpo, ele faz a pior burrada de todas: corre para o porão da Dazer.
E o caminho para a morte iminente se abre, pois no porão da Dazer há todo o tipo de arma. Ele tinha chances, pois agora apenas Barbara e Jay o seguiam. Os outros pareciam ter abandonado o objetivo, como se apenas elas fossem capaz de derrotá-los – o que era verdade.
Ele pega uma simples pistola, mas além de medroso, é burro e não sabe puxar o gatilho. Tenta desesperadamente atirar, como se fosse uma arminha de água, mas a anta descobre que não tem balas. Seria esse o seu fim?
***
Sobre as pessoas acordadas: o fôlego acabava, e a vida delas também. Nunca tiveram de correr tanto na vida e estavam prestes a desistir dela.
– Vamos! – grita Americo, quando viram a esquina de um corredor e se deparam com outro.
A sorte é que o prédio dos laboratórios era enorme, tinha vários andares e vários corredores. Se não fosse por isso, eles já estariam mortos.
Americo chuta a porta de emergência com força e começa a subir, seguido por Elli, Erica, Carol, Dan, Tico e, é claro, mais outros amigos. A diferença é que esses “amigos” estavam querendo matá-lo.
– Precisamos de um plano, não podemos correr pra sempre – diz Erica.
Ingrid e Naty se aproximavam. Pelo jeito, esse soro que elas tomaram deixou-nas mais rápidas. E Americo duvidava de que elas estavam mais fortes também.
Elli pega um extintor de incêndio na parede. Estava prestes a jogar nos perseguidores, mas Tico a impediu, tirando o extintor de sua mão.
– Como se atrev... – Elli ia dizer, mas parou quando Tico soltou um jato de fumaça branca.
Os rostos dos perseguidores e o corredor em si eram completamente cobertos por puro CO2.
– Boa, agora vamos! – diz Danilo, apontando pro elevador.
Trancos a parte, o elevador abrigou todo mundo. Eles duvidavam de que tivessem ultrapassado o peso máximo, mas isso não era o maior problema deles por enquanto. Notaram que o elevador estava bem mais lento.
– O que faremos agora? – pergunta Carol.
– Vamos até o laboratório de química, lá deve ter alguém, tipo o responsável por tudo isso – fala Americo.
O elevador para quando eles chegam ao último andar. A porta se abre, revelando um único corredor, e no fim dele, uma janelinha acesa numa pequena porta indicava que lá tinha alguém.
***
Timbó tremia de medo no canto do porão da Dazer. Letícia se aproximava rapidamente, e ele não poderia fazer nada a não ser morrer. Se isso fosse uma trolagem pra assustá-lo, parabéns, pois conseguiram. Mas ele tinha certeza de que não era.
E então, ele vê uma luz: a lâmpada do poste da rua entrando por uma janela. Sem pensar duas vezes, ele pula em cima de mesa e se joga pra cima da janela, caindo de cara no jardim.
– Ufa, vou viver – diz Timbó, quase não acreditando. – EU VOU VIVEEER!
Seu grito de comemoração foi imprudente, pois uma multidão de alunos voltou sua atenção para ele.
– Merda – diz ele, e sai correndo pela rua, sendo seguido por todo aquele que o via.
***
Danilo estava se sentindo um rato. Era a pessoa mais magra e ágil, por isso que teve de se passar pela entrada de ar que levava até o laboratório, para espionar. Ele observou cinco alunos presos em uma jaula, Hallugo andando pra cá e pra lá, Victor – seu amigo – mexendo em vários computadores ao mesmo tempo, Isadora – outra amiga – fazendo guarda na jaula e, por fim algo que ele não conseguiu engolir de primeira. Agora realmente “fodeu”.
– O que está acontecendo lá? – pergunta Americo, quando Danilo retorna.
– Deu merda. O reitor é comparsa da Prof. Hallugo.
Danilo explica tudo o que viu detalhadamente. Após isso, Erica e Carol abrem uma sala ao lado, para preparar algumas surpresinhas para os inimigos, e acabam achando algo precioso: um galão enorme com um líquido verde – o mesmo líquido que apagou todo mundo naquela noite.
– Agora sim a noite está ficando boa! – diz Elli.
Erica e Carol começam a colocar o líquido verde em várias seringas. Elli e Danilo passeiam pelo laboratório e encontram um punhal e uns frascos esféricos e fechados.
– Cuidado, isso são explosivos! – diz Carol.
Tico não sabia o porquê, mas ainda estava com o extintor. Ele resolve não deixá-lo ali, pois pode precisar.
Quando as meninas terminam de colocar os líquidos nas seringas, todos se encaminham para a porta, onde escutam com atenção a conversa e esperam a hora certa de entrar:
– Mereço o Nobel da ciência depois dessa – diz Hallugo.
– Merece é um tapa nessa sua cara feia – diz Paulo.
– Olha o jeito que fala comigo, ou sofrerá algo pior do que a própria morte.
Hallugo vai até o monitor, onde cenas de alunos inconscientes destruíam as coisas pela escola inteira.
– Há um menino preso no porão da Dazer – diz o reitor. — Quer que ele venha pra cá ou que o executem?
– Deixem que o executem lá mesmo, não vou perder tempo com essas pessoas. Estou mais ocupada é com essas. – Hallugo chega perto da jaula onde Paulo, Triza, Alexandre, Toni e Hanna se encontravam. – Se me lembro bem, vocês eram 6. Está faltando mais um.
– Não, eram 5 mesmo – diz Triza.
– Você mente muito mal. Digam onde ele está.
– Mas não há ninguém acordado. Não que a gente conheça.
A professora abaixa a cabeça, pensativa. Ela caminha até uma maca de metal e a ajusta para que uma pessoa fique deitada em pé.
– Isadora, traga a Triza — diz Hallugo.
Os outros presos na jaula tentam impedir, mas Isadora é bem mais forte e puxa Triza apenas com um braço. Ela a leva para a maca e a prende. Um estalo de choque chama a atenção de todos: Na mão da professora havia uma máquina de choque.
– Agora me digam, onde está o ultimo garoto? – pergunta Hallugo.
Um estrondo e um barulho de porta se abrindo tiram a atenção de todos.
– Bem aqui – Americo chega, acompanhado por Elli com um punhal na mão, Tico com um extintor, Carol e Erica com umas seringas verdes e Danilo, com um cinto cheio de frascos esféricos.
– Isadora, ataque-os – diz Hallugo.
A garota extremamente forte parte para cima de Americo – provavelmente porque ele é o maior alvo. Tico o salva, jogando um jato do extintor na cara dela, a tempo de Carol se aproximar com uma seringa e injetar um líquido verde na artéria de Isadora.
– Boa noite – diz ela.
Dessa vez, Victor e o professor entram em ação: O diretor saca sua arma e atira. Todos se escondem atrás de balcões, mas infelizmente Erica é atingida no ombro.
– AAAAAH – ela grita, pois a dor que toma conta do seu braço é enorme, e Carol se desespera quando tenta estancar o sangue que jorra sem parar.
E esse desespero aumenta quando o diretor tenta atirar contra ela. Mas é esse desespero que ela usa, pois o transforma em raiva e atira uma das seringas do seu bolso como se fosse um dardo. A seringa atinge o braço do diretor, e o mesmo apaga.
– Parem todos! – diz Hallugo.
Todos observam ela aproximar ainda mais a máquina de choque em Triza. Victor pega a arma do diretor e aponta para Elli, que sempre fora uma grande amiga sua.
– Vocês são burros demais, acham que podem comigo – Hallugo joga o cabelo pro lado. – Larguem suas armas e deitem no chão!
– Ouviu Danilo? – diz Elli, agachando-se. – Largue sua arma.
Danilo abre um sorriso, depois pega um frasco de seu cinto e joga em Victor. Elli aproveita, levanta-se e se joga sobre Victor, prendendo-o.
– Desculpa – diz Elli, quando pega um frasco de Carol e injeta o líquido verde no braço dele.
Ao ver que não tinha mais chances, Hallugo pega algumas coisas em cima de sua mesa e sai pela porta. Elli tenta atirar o punhal como a Bellatrix, mas erra por pouco. Americo corre para ver se está tudo ok com Triza, Danilo liberta os capturados e Carol faz um curativo final em Erica, após retirar a bala de seu ombro.
Depois de prenderem Victor e Isadora na jaula, todos se reúnem nos monitores.
– Parece que todos são controlados por aqui – fala Americo.
– Então, o que estão esperando? – pergunta Toni. – Parem isso!
Triza se adianta e começa a mexer no teclado freneticamente.
– Acha que é fácil? – diz ela. – A piranha colocou uma senha nesse computador.
– Ela está indo para os jardins, vejam! – diz Paulo, que estava observando a tela.
– Devemos ir atrás dela? – pergunta Toni.
– Sim, mas eu ficarei aqui. Preciso parar isso tudo – fala Triza.
– Então, Triza, Carol e Erica ficam aqui, o restante vai – fala Americo.
– Okay, ligarei pra polícia – diz Carol. – Esse é um erro que sempre cometem.
Enquanto Triza tenta acessar o computador de Hallugo, Erica toma um analgésico pra parar a dor, Carol fala com o policial e o restante pega o que sobrou de seringas e vai atrás de Hallugo. Ela não tinha entendi o porquê daquilo tudo ir atrás de uma professora gorducha e baixinha até ver que ela estava convocando alguns alunos inconscientes e dando ordens no jardim.
Ela não ficaria ali parada vendo os seus amigos lutarem e isso é um motivo para ela se apressar.
***
Os que partiram para a batalha resolveram se dividir. Como o jardim da mecânica tinha vários galpões onde produziam as armas, eles poderiam se esconder ali e observar a melhor hora de prender Hallugo.
Por azar, as pessoas inconscientes formaram uma roda em torno de Hallugo, que estava parada mexendo em um Notebook. Não sabiam o que ela estava fazendo, já que o controle deles estava no laboratório de química, onde Triza agora tentava pará-los.
– Gente, deu merda – diz Hanna, visualizando a mensagem de Carol.
“Pessoal, Triza conseguiu acessar o computador da Hallugo, mas infelizmente não é possível parar. Parece que ela conseguiu obter o controle através de outro lugar.“
Todos observaram atentamente Hallugo, enquanto ela mexia no Notebook freneticamente. Era dali que ela estava controlando eles agora.
– Para pararmos ela agora precisaremos atacá-los – diz Americo. – Mas não podemos machucá-los, então vamos nos esconder nos galpões, e quando eu disser já, vocês correm com tudo e injetem os soros neles. Fui claro?
Eles concordam com a cabeça. Depois se dividem. Então, ficou assim: Alexandre e Hanna, Elli e Toni, Tico e Danilo, Paulo e Americo. Cada dupla em um galpão.
Todos estavam tensos e atentos ao sinal de Americo. Isso ficou claro quando ele gritou “AGORA” e todos atacaram. Só que, infelizmente, nem todos conseguiram...
Toni recuou enquanto Ana e Felipe o perseguiam. Ele começou a escalar a árvore, enquanto Ana subia nas costas de Felipe e tentava agarrar o próximo galho.
Danilo havia sido cercado por membros de sua própria irmandade: Rick, May e Guut. Não eram dos mais fortes, mas estavam em vantagens numéricas. Oportunidade perfeita para usar seus explosivos.
Paulo arranjou a pior perseguição que podia. Não era ninguém ele temesse, nem mesmo era um inimigo do seu sexo. Mas era a pessoa que ele mais amava, e não podia fazer nada contra ela.
Ele corre para o galpão que está às suas costas. Continua a recuar para trás. Mesmo que a sala esteja cheia de armas, ele não poderia e não iria usar nenhuma contra ela.
Dani dá um chute frontal que o faz esbarrar em uma mesa e cair.
– Dani, por favor, me escute — diz ele. — Você é mais forte que isso, eu tenho certeza.
Prestes a se encontrar com a morte, ele tenta a última coisa, pois a esperança é a última que morre antes do ser humano.
Porém, ela tira uma faca do bolso. Ele recua.
– Por favor. Sei que consegue.
Paulo encosta as costas na parede enquanto ela se aproxima. Ele não faz ideia de como detê-la.
Dani o enforca com o antebraço e aproxima a faca de seu abdome.
– Eu te amo — diz ele.
De repente, ela para de pressionar a faca. Ele aproveita e faz seu último ato: beija-a.
Paulo espera a morte de olhos fechados. Para de esperá-la quando o barulho de faca batendo no chão o faz abrir os olhos.
– Eu também — diz ela, e o beija.
***
Há alguns instantes antes de Dani beijar Paulo, Timbó estava morto – ou prestes a morrer –. Brenda o perseguia com uma escova de cabelo, prestes a bater nele.
Por fim, ele chega aos jardins. Resolve ir para o jardim da mecânica, pois lá tem muito ferro e terá mais chances de sobreviver se estiver armado, pois ele não tinha pena de matar se fosse pra salvar a própria pele.
Encontra, porém, mais pessoas inconscientes querendo matá-lo. Só que dessa vez encontrou Elli e mais pessoas acordadas, e é claro, aproveitou para fugir. Resolveu ficar atrás da moita vendo o circo pegar fogo, mas uma hora ou outra se deitava pra fingir de morto.
Vendo que não poderia ficar ali pra sempre, ele olha pra trás, prestes a correr para a mata. Mas, ao virar o rosto, se depara com Jay e Álvaro sorrindo pra ele, como se fossem jantá-lo.
– AAAAAAH! – Timbó grita como uma menina inocente mente, mas esse ato faz com que tudo acabe dando certo.
Ao atravessar o círculo de luta, ele chuta sem querer a cara de Hallugo.
– Desculpa – diz ele, e ao se desviar para não chutá-la outra vez, pisou no Notebook com todo o seu peso.
Mesmo que não fosse tanto, seu peso foi o suficiente para quebrar o computador de Hallugo.
Ela gritava desesperada e com raiva. Álvaro parou de persegui-lo do nada, mas Jay continuou, o que fez com que ele caísse no chão com tudo. O impacto com o chão de um lado e o peso de Jay do outro fizeram com que Timbó fraturasse uma costela. Ele ficou deitado no chão, morrendo de dor, enquanto todos ao seu redor paravam de lutar.
Depois, viu estrelas e gnomos. Ou serão sirenes e a Gabriela? Seu cérebro estava confuso. Também, ele correu uma maratona e depois ainda teve que lutar.
Por raiva, Hallugo tirou um frasco preto do bolso e essa foi a última coisa que ele viu.
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