Hollow Spirit - O enigma 917
1 O reinício
O sol brilharia forte se não houvesse tantas nuvens. O dia amanheceu muito nublado e frio. Nunca o inverno tinha sido tão rigoroso, e fazia tempo que não ligavam os aquecedores.
Tiago é a primeira pessoa a acordar, não só em seu dormitório, mas na Vebnus inteira. Ele está acostumado com o frio, e espia através das cortinas grossas pra ver como o dia está.
Fica surpreso quando vê o chão branco, e resolve acordar todos imediatamente.
- GENTE, ESTÁ NEVANDO! — grita ele.
Arthur esfrega os olhos e pula da cama, mas Timbó e Áxel nem se movem. Ele então sai do quarto alegremente, rumo ao dormitório 030.
Tico bate na porta levemente.
- Sara? — chama ele — Você quer construir um boneco de neve?
Ele espera ansioso por uma resposta, e depois de um tempo, ela vem.
- Hoje não, Tico — responde ela.
- Tudo bem.
Tico volta para o dormitório, onde os meninos colocam casacos e mais casacos. Ele resolve se preparar também, e começa com um simples moletom até uma enorme jaqueta.
Andriele passa pelo corredor movimentado e cheio de pessoas ansiosas pra brincar na neve. É a primeira vez de muitos, e estes estão descendo apressadamente.
Ela se junta a Hanna e Sininho, muito bem agasalhadas e ainda assim muito bem arrumadas.
- Quer fazer o favor de abrir logo a porta? — pergunta Dri.
- Aquieta aí — diz Hanna.
Sininho procura a chave no chaveiro ao lado da porta. Por fim, acha uma com uma estrela pendurada e abre a porta apressadamente.
O frio entra na sala, mas as roupas aquecem a todos. Elas são as primeiras a sair e sentir o gelo sob os pés.
- Que comece a farra — diz Sininho.
Todos começam a sair apressadamente e a sentir a neve cair levemente em suas mãos. Eles começam a correr pelo chão e a fazer anjos e bonecos de neve.
- Vamos andar de trenó? — sugere Timbó.
- Ótima ideia — diz Paulo. — Mas não temos trenó.
- Quem pode ter? — pergunta Arthur.
De repente, um carro passa rapidamente, seguido por duas pessoas sentadas a um trenó que estava amarrado ao carro.
- Dazers — todos dizem em uníssono.
***
Na Eruptidus, o café da manhã fora chocolate quente. Alguns se sentaram perto da lareira, mas a maioria se arriscou para ver a neve se acumular no jardim e curtir o visual lindo que esse inverno trazia.
- Neve + Neve = Neve — diz Erica.
- Sério mesmo? — ri Netto. — Achei que fosse igual a fogo.
Erica pega um pouco de neve na mão. Distraidamente, faz uma bola de neve e atira na cabeça de Netto.
- Você não escapa — diz ele.
Ela começa a correr enquanto ele faz uma bola de neve.
Ao lado, Vick e Lucas Bittencourt faziam um boneco de neve.
- Está quase pronto — diz ele.
- Está faltando algo — fala Vick.
- O quê?
- Um nariz, oras.
- O que pode ser?
- Que tal isso? — Vivian chega do nada, como se tivesse aparatado.
Ela entrega uma cenoura à Vick, e a mesma coloca no lugar onde se localiza o nariz.
- Perfeito, agora parece o Olaf! — diz ela.
Vivian e Lucas riem, e há tempos não se ria por ali. O motivo, é que todos estão ocupados, tentando achar algo que ajude a universidade para cobrir todos os erros que um membro da irmandade fez ao se aliar a um assassino.
Por isso, nem todos brincavam na neve.
***
Fazer trollagens é legal. Mas nada é como trollar na neve.
- Escavem mais rápido — diz Rick. — Logo eles começam a sair.
- Se você pudesse ajudar, seria mais fácil — diz Dan, que estava cansado com uma pá na mão.
- Já ajudei dando a ideia, vocês fazem o resto.
- Que ajuda, hein — ri Gorran, que estava na mesma que Dan.
Eles tiraram o gelo e escavaram o trecho de terra na entrada. Não sabiam quem seria a vítima. Provavelmente, a primeira pessoa que sair.
- Acho que já tá bom — diz Rick.
Dan e Gorran param de escavar a saem do buraco. Rick coloca o tapete para tapar o buraco, e juntos eles o cobrem com muita neve.
- Agora está perfeito — diz Dan.
- Vamos nos esconder — fala Gorran.
Eles se escondem atrás da moita e olham atentos para a mansão. Não há movimento algum de pessoas, o que torna a coisa cansativa.
Gorran observa a rua e repara em um sujeito vindo na direção da Mercure. Demora um pouco para reconhecê-lo, e logo vê o reitor abrindo o portão.
Ele havia esquecido um detalhe, e quando Rick e Dan olharam para o reitor, já era tarde de mais.
O reitor afunda quando pisa no local onde eles escavaram.
- AAAAAAAH! — grita ele, de ódio. — Vocês me pagam.
Os meninos saem de fininho de trás da moita e vão para os fundos, onde podem rir a vontade.
***
Após dois meses inteiros de trabalho duro e muita organização, a mansão da Dazer estava completamente reerguida, todos os pertences perdidos foram recuperados e os alunos finalmente podiam descansar.
Todos aproveitaram a neve para brincar e relaxar. A maioria brincava de guerra de bola de neve no jardim dos fundos, onde agora havia um espaço enorme.
- Toma essa — diz Bah, atirando uma bola de neve na cara da Ana.
Eles estabeleceram dois times e nunca se divertiram tanto quanto hoje.
Ingrid acerta uma bola de neve em uma menina do time oposto.
- Ingrid, você me paga! — diz Dani.
- Ah, cansei disso. Vou pular de trenó do telhado — diz André.
- Duvido — diz Leti.
- Agora que eu vou mesmo.
Ele coloca o trenó nas costas, sobe pela escada de emergência e vai até o telhado. Ao chegar lá, se posiciona e coloca o corpo pra frente.
O trenó desliza pelo telhado e André cai de uma altura de 15 metros, mas o chão está coberto pela neve, que amortece sua queda.
- Viu? Chora — diz ele.
- Vamos jogar hóquei? — pergunta Max. — Sempre quis jogar.
- Bora — diz Felipe Aljarilla.
- Eu e o Fê contra vocês dois — diz André.
Eles se encaminham para um lugar onde o gelo é mais resistente, pegam os tacos que compraram e usam uma esfera pequena da sala como disco.
- Ei, também queremos jogar — diz Ana.
- Ok, Jay vem pro meu time e Ana pro time de André — diz Max.
O jogo começa, e Fê sai na frente, lançando o disco para Ana, mas a mesma o deixa passar, então Max pega e passa por ela.
- Que tonta você hein — diz Fê.
André tenta tirar de Max, mas o mesmo passa para Alj, que faz o gol entre duas latas de lixo.
Enquanto o jogo e a guerra de bolas de neve seguem nos fundos, Dani aproveitou que a piscina estava totalmente congelada e resolveu patinar solitária na frente.
Fazia tempo que ela não patinava, e essa era uma das coisas que ela mais sentia saudades.
- Oi — chama uma voz próxima.
Ela toma um susto tão forte que se vira e acaba escorregando, mas não cai, pois o autor da voz a segura.
Dani encara o menino. Já o viu antes, e não acreditava que ele estava de fato falando com ela.
- Oi Paulo — diz ela.
- Ah, desculpa atrapalhar — diz ele. — Eu toquei na irmandade, mas ninguém atendeu, então vim falar com você já que estava aqui.
- Ok, o que quer?
- Vim perguntar se você pode emprestar aquele trenó — diz ele.
- Ah, pode pegar.
- Obrigado. Você patina bem, é raro encontrar pessoas que patinam.
- Espera, você sabe patinar no gelo? — pergunta ela, surpresa.
- Claro.
- Ótimo. Pode vir aqui depois, se quiser.
- Melhor, soube que o lago no jardim está bem congelado — diz ele. — Você aceita patinar comigo?
- Sim — Dani diz sem pensar duas vezes.
Paulo pega o trenó e se encaminha para o portão.
- Então às três horas no lago, ok? — pergunta ele.
- Estarei lá.
Ele sai, e Dani continua a patinar, só que agora alegremente.
***
O fim de semana fora divertido, romântico e alegre. Muitas pessoas aproveitaram para comer coisas quentes ou se reunir na lareira das suas irmandades. E tinha aqueles que ficavam de baixo dos cobertores com um livro em mãos, como os alunos da Eruptidus faziam. Mas as aulas voltaram, e os estudos terão de retornar. Os alunos acordam cedo na manhã gelada de segunda-feira e começam a se agasalhar. Alguns estão animados e outros ainda nem acordaram.
Na sala de medicina, a maioria das pessoas chegou. Motivo: professor novo, e provavelmente matéria nova. O professor do semestre anterior era legal, mas saíra por causa dos acontecimentos recentes na universidade.
Como sempre, a classe estava animada e barulhenta. Todos se perguntavam onde estava o novo professor, a maioria estava na classe, menos dois preguiçosos, que ainda não chegaram.
Um sujeito magro e baixo, segurando uma mala, entra na classe. Só pode ser o professor. Ele é meio careca e o pouco de cabelo que ainda tem é castanho. Tem um enorme nariz, e seus olhos por trás dos óculos quadrado diz que ele não é amigável.
- Primeiramente, quero silêncio absoluto — diz o professor. — Agora, quero que abram na página 417, e comecem a fazer os exercícios até a página 471. Vocês têm uma hora.
Murmúrios de indignação percorrem por toda a classe. Não há como fazer tantos exercícios em tão pouco tempo.
- EU PEDI SILÊNCIO ABSOLUTO! – grita o Professor.
Um aluno se manifesta.
- Não dá pra fazer tanta coisa em tão pouco tempo – diz Arthur. – Maneira aí, professor. As aulas acabaram de voltar!
O professor se aproxima de Arthur.
- Acontece, Sr. Sampaio, que o professor de vocês era incompetente. Vocês tinham que ter terminado esse livro no semestre passado, e agora, sobrou para eu correr atrás. AGORA COMECEM A FAZER O QUE EU PEDI, OU SERÃO REPROVADOS!
Rapidamente, a classe toda abre os livros ao mesmo tempo e começam a folheá-los.
- Como ele sabe meu nome? — Arthur sussurra para Paulo.
Uma pessoa bate na porta – ou melhor, duas.
- Seja quem estiver fora, NÃO VAI ENTRAR! — grita o professor.
- Sorte a deles — diz Ananey.
O professor olha em sua direção, mas ela olha para o livro e disfarça como se estivesse lendo.
A aula mal começou e se torna a mais cansativa até agora.
***
Jay estava sentada no balanço congelado olhando para o jardim quase todo arrumado da Dazer, quando Leti se aproxima dela.
- O que esta acontecendo? — ela pergunta se sentando no outro balanço. — Você está muito diferente.
- Fiz uma merda, e agora estou me sentindo muito mal por isso — Jay fala e seus olhos enchem de água.
- O que você fez?
- Ai, Leti...
- Acho que precisamos conversar, e eu espero mesmo que isso seja mentira — Alj aparece.
- Okay, mas o que aconteceu? — Jay pergunta, Alj olha para Letícia que já percebe que precisa sair.
- Jaimara, leia isso — ele fala entregando uma folha para a mesma.
Quando Jay começou a ler a "carta" o seu rosto ficou pálido, e ela começou a tremer.
- O que significa isso? — ela pergunta tremula. — Quem te deu isso?
- Apareceu na minha cama hoje, e eu quero saber se é ou não verdade.
- Fê, eu... — ela não consegue falar.
- Não acredito! Você teve coragem? — ele arranca o papel da mão da mesma e o começa a ler. — "Olá Alj, estou aqui como um amigo que quer te alertar de que você esta sendo traído. A menina que você diz que ama está te traindo com um menino que você conhece muito bem, é melhor ficar de olho em, se não depois não passa na porta.
Atenciosamente: Aquele que quer o bem de todos. "
- FÊ E-EU — ela tenta se explicar.
- QUEM FOI? DIZ LOGO — ele grita.
- Não importa foi só uma vez, e foi só um momento.
- QUEM FOI?!
- O Max.
- Você me traiu com esse menino? Então foi com ele? — ele fala amassando o papel. – Nossa! Não acredito que você teve coragem.
- Fê foi só um momento, eu não sabia que isso iria acontecer.
- Não interessa mais, agora você está livre para ficar com quem você quiser — ele fala dando as costas para ela.
- O que? Nós terminamos? — ela pergunta com a voz exaltada.
- Eu terminei com você.
- Fê não...
- Eu não esperava isso vindo de logo de você, não esperava.
- Desculpa.
- Não tenho o que desculpar, faça o que quiser, e me esqueça.
- Como vou fazer isso?
- Esse problema é seu, não meu — ele fala e a deixa sozinha.
Jay não aguenta e começa a chorar, Letícia volta a se aproximar dela.
- Eu soube do que aconteceu, você não deveria — Leti fala.
- Você acha que eu não sei disso? — Jay fala. — Eu não ligo de termos terminado, só não queria o magoar.
- Ele vai superar.
- Mas eu não, eu sou uma idiota mesmo.
- É mesmo.
- Não concorde, sua idiota.
- Estou brincando, vem cá — Letícia fala puxando Jay e dando um abraço nela.
Alj estava com muita raiva quando esbarra em alguém.
- Olha por onde anda, idiota — ele fala.
- Desculpe, não tive a intenção — Max fala. — Alj preciso falar com você
- Não estou a fim de falar com você, sai da minha frente — Alj fala o empurrando.
- Cara não foi culpa dela, eu a beijei, não ela.
- Para acontecer um beijo, os dois precisam se beijar.
- MAS... — Antes de Max terminar de falar Alj mete um soco em sua boca, que fora retribuindo com outro soco vindo Max. Os dois se atracavam no chão, Alj por cima, depois Max por cima. Se fosse para falar quem estava apanhando ali, com toda certeza seria Max, o único soco que ele acertou foi no olho de Alj o que lhe causou um arranhão.
Jay chega logo depois, e quando vê a cena perde a cabeça, e tenta sozinha separar os dois. Depois de muito esforço ela consegue, Alj acha o cúmulo ela estar ali, tentando levantar o Max, que resolve sair dali sem falar nada.
Quando estava andando desnorteado pelos corredores da Dazer ele da de cara com Sté.
- O que aconteceu menino?
- Acabei de pagar uma divida.
- Sua testa está sangrando.
- É eu sei, e tá doendo também.
Venha aqui, eu cuido disso para você — Sté fala levando Alj para uma salinha aonde cuida de seu ferimento, enquanto Alj explica tudo a Sté, que o abraça e fala:
-Alj, pessoas vem e vão, não podemos impedir isso.
- Pois é... Percebi isso agora. Obrigado Sté.
- Não agradeça! Amigos servem para isso — ela fala, e termina os curativos
***
- Ei! Espere! Batata… eu… preciso… falar… – Linna vinha a correr atrás de Sara, que se dirigia para a sua irmandade, até que a finalmente a alcançou.
- Que foi? – perguntou Sara friamente.
- Vou mesmo mudar de irmandade, desculpa – Linna respondeu.
- Af – Sara revira os olhos e vira-se de costas a Linna e continua a andar. Linna a segue de novo e começa a brincar com ela:
- Eu não me encaixo na Vebnus – ela diz rindo.
- Não ria, não tem piada. Eu estou mesmo chateada.
- Ué, por quê?
- Pelo menos ainda tenho o Tico, o único que não me abandonou…
- Eu tenho a biscoito, na, na, na – Linna continuava tentando brincar com Sara, mas ela não conseguia levar aquilo na brincadeira.
- Que bom… — Sara tentava esconder o seu ciúme, mas sem muito resultado. Linna cansou de tentar brincar com Sara e começou a falar a sério também:
- Porque é que a Jujuba pode sair, ou a Triza… mas eu não posso?
- Elas não podem sair também, ninguém podia! Nós fizemos um juramento no início, lembra? Todo o mundo está saindo! Isso… deixem-me sozinha! – Sara começou gritando, lágrimas de raiva surgiram nos seus olhos.
- Eu não me encaixo na Vebnus, Sara. Não vai ficar assim comigo por causa de irmandades?
- Façam o que quiserem, não quero mais saber… — Sara se preparava para seguir novamente o seu caminho, mas Linna a pára:
- NÃO! Eu não consigo ficar sem falar com você, ok? EU NÃO GOSTO DISSO! Por isso dá para me explicar o porquê de tudo isto? Recuso-me a acreditar que é tudo por causa de uma troca de irmandade.
- Muitos motivos acumulados, Linna…
- Ah, e só você tem motivos, não é?! Só eu é que tenho de esquecer?! Começo a achar que só eu é que sei o que é amizade.
- Não disse que você não tinha motivos, eu só não sou obrigada a aturar isso que nem uma idiota.
- Muito menos eu.
Sara se preparava para responder, mas achou melhor ficar calada. Do jeito que a conversa ia, as duas acabariam por dizer coisas que mais tarde se poderiam a vir se arrepender. Ambas seguiram caminhos opostos, com as palavras que cada uma disse a fazerem eco nas suas cabeças. Talvez fosse só uma briga passageira, ou estaria aqui marcado o fim de uma longa amizade?
***
03h30min. Todos estavam em suas camas, menos três pessoas. Uma, porque estava comendo. Outros dois, observando.
- Hm, olha! Brigadeiro — Ney pensou alto.
- Ela é bonita, né? — disse Gabriel para Mick.
- É sim.
"Ah, cara, Danone" — ela continuava.
- Bonita e gente boa — Gabriel continuou.
- Hmm, danado, tá querendo, né? — Mick disse, cutucando-o.
- To.
- Aposto que consigo dar uns pegas nela antes de ti — ele disse.
- Isso foi um desafio? — Gabriel falou, virando os olhos.
- Quer ver?
- Vai nessa.
Ney sentou-se à mesa com o propósito de comer torradinhas com brigadeiro, quando Mick chegou.
- E aí, gata, curte Harry Potter?
- Oi? Ah, sim, curto sim... Oi, Gabriel — ela disse, sorridente.
- Então, sabe o Wingardium Leviosa? Nem precisam usar comigo quando tu tá por perto — Mick disse, cortando Gabriel.
- Gente, que isso? — disse Ney, gargalhando.
- Ah, não liga pra ele não, ele é assim mesmo... — disse Biel.
- Liga sim, gata. 13 79738552 — Mick falou, virando as costas.
A garota simplesmente ignorou e continuou a comer.
- Não vai falar comigo não? Gato comeu a língua? — ele voltou a dizer.
- Não, ela tá aqui ainda — disse a garota, abrindo a boca cheia de brigadeiro.
-Se ela tá aí ainda, porque não me deixa senti-la na minha?
- É... Não to a fim. Quem sabe outro dia — ela sorriu ironicamente e se apressou para o dormitório.
- Tá vendo? Eu pego quem eu quero — Mick disse, novamente, para Gabriel.
Ué, mas você nem pegou ela ainda.
- Disse bem, ainda.
- Ah, Mick, para, chega né.
- Chega nada, vou ganhar essa aposta e tu vai ver.
***
A noite estava fria. Talvez a mais fria do ano. A neve cobria uma pequena parte da rua, e isso porque um trator de gelo já veio abrir o caminho.
Uma pequena turma de alunos deixa uma trilha de pegadas na neve. Eles caminham pelo gelo em direção a um lugar de que gostam muito, e por isso estão empolgados.
- Acho que chegamos — diz Netto, quando ele, Victor, Barbara Rodrigues, Bruna e Caroline param em frente ao laboratório de ciências.
Eles entram rapidamente para não deixar o frio entrar no local. Começam a andar pelo corredor central, e depois de um tempo, acham o seu destino.
- Olá, alunos! — diz uma mulher baixa, robusta e bem loira. — Sejam bem-vindos ao clube de ciências! Sou a professora Hallugo, e lecionarei umas aulas extras de matérias que abrangem ciências e suas curiosidades. Também iremos trabalhar bastante com a prática da química, o que exigirá muita concentração. Entrem e sentam-se.
Os alunos a obedecem alegremente, e sentam se nas cadeiras vazias. Já havia duas alunas na sala, que eles reconheciam por ser Triza e Julia.
A professora olha o relógio, provavelmente aguardando à hora da chegada dos alunos acabar, pra que ela comece a falar.
Vick observa o seu crachá e lê "Marta". Ela descobriu o primeiro nome da professora, e não se sabe por que, mas isso a alegrou, pois é uma informação a mais sobre a professora.
- Bem, o tempo acabou — diz Profa. Hallugo. — Então, vocês souberam do clube de ciências através do pôster da sua irmandade, certo? — Os presentes balançam a cabeça em sinal de sim. — Coloquei especialmente lá, porque era a minha irmandade quando eu estudei aqui.
Alguns murmúrios de felicidade percorrem a sala.
- Enfim, chega de falar. Vamos ao trabalho.
A professora liga um projetor de imagens, que começa a passar um projeto de química na parede, na qual muitos alunos se interessam.
E já no primeiro encontro do clube começa o primeiro projeto.
Fale com o autor